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Movimento Negro Política

Pré-Candidatura do Movimento Negro e Periférico é confirmada em SP

 

Por Douglas Belchior

Fotos Thiago Fernandes

 

O Movimento Negro Uneafro Brasil, com apoio de diversos grupos e coletivos periféricos, definiu nesta última terça feira, dia 4 de fevereiro, sua a pré candidatura coletiva para disputa de uma vaga na Câmara de Vereadores. A iniciativa é composta por Elaine Mineiro, Debora Dias e Júlio César.

O encontro fechado, que reuniu cerca de 50 lideranças de coletivos e movimentos de várias regiões de SP, reafirmou o compromisso de defesa, como em outras campanhas, de um projeto político do povo negro para São Paulo.

 

CANDIDATURA DO MOVIMENTO NEGRO E PERIFERIAS.

O movimento tem apresentado candidaturas nas últimas 3 eleições, sempre com caráter essencialmente coletivas e enraizadas nos guetos, do seio dos movimentos de luta negra e periférica. E isso não mudou. Desta vez, com estética renovada em formato coletivo, reuniram 3 lideranças de base, formadas no cotidiano das lutas, com trajetórias, história e serviços prestados. Não são um ajuntamento de pessoas bonitinhas que resolveram, do nada, fazer política. Tampouco são pessoas negras tiradas de uma cartola mágica para cumprir tabela ou prestar submisso serviços à branquitude, sejam de esquerda ou direita. São quadros que se dedicarão à luta contra o racismo e ao fortalecimento do movimento negro. A candidatura deve acontecer pelo Partido Socialismo e Liberdade.

Ainda há alguma chance de esta chapa receber uma ou duas outras representações de movimentos com os quais o grupo está dialogando, mas desde já, o bloco está na rua.

 

 

 

EIXOS DA POLÍTICA

Educação, serviços de assistência social, políticas de cultura nas periferias, saúde, segurança pública municipal e genocídio, direitos de crianças e adolescentes, defesa das religiões de matriz africana, mulheres negras e direitos Lgbtqi+ são alguns dos eixos de atuação desta pré candidatura e futuro mandato.

 

AGENDA:

No próximo dia 3 de Março será realizada a segunda reunião ampliada de organização, fechada para convidados.

 

No dia 21 de Março, sábado a noite (Dia Internacional contra a Discriminação Racial), será promovido o lançamento oficial da pré candidatura que vai ajudar a construir uma #SãoPauloSemRacismo!

 

 

NOSSAS CANDIDATAS:

 

Elaine Mineiro é mãe, tem 35 anos, é geógrafa, arte educadora e articuladora cultural. É coordenadora de núcleo de base da Uneafro Brasil no Jd. Pantanal, bairro de São Miguel Paulista. Atua na Comunidade do Jongo dos Guaianás e no grupo Samba das Pretas, na Cidade Tiradentes, na região leste de SP, onde vive.

 

Debora Dias tem 22 anos e foi aluna de cursinhos da UNEafro. Hoje é estudante de Ciências Socias na Universidade Federal de São Paulo e Coordenadora geral do núcleo de base Ilda Martins de Souza e Angela Davis, na Fazenda da Juta, Na ZL. Trabalha como Orientadora Sócioeducativa em um serviço de fortalecimento de vinculo CCA também na Fazenda da Juta, é artísta e produtora da Coletiva Emana, que promove arte e formação feminista interseccional em Sapopemba, bairro onde mora.

 

Júlio Cesar de Andrade, 33 anos, é morador de Guaianases, zona leste de SP. É Assistente Social, pós graduado em direitos da criança e adolescente e Mestre em Serviço Social. Colaborou com a fundação e articulação de núcleos de base da Uneafro entre 2009 e 2012. Foi Conselheiro Tutelar na região do Lajeado de 2011 a 2016. Atuou como educador social em serviços de acolhimento e abordagem de rua e atualmente coordena um serviço de convivência e fortalecimento da criança e Adolescente. É profissional e reconhecido ativista do Serviço Social e Babalorixá da casa Ile Aye Dun.

 

Todas e todos que quiserem apoiar essa importante iniciativa, pode fazer seu cadastro AQUI

 

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Direitos da Criança e do Adolescente

Lista de defensoras/es de direitos humanos candidatas/os à Conselheiras/os Tutelares

 

ELEIÇÕES CONSELHO TUTELAR – DIA 6/10 – INDICAÇÕES

 

(*) Essa lista será sempre atualizada neste post: https://bit.ly/35epK2H

 

LOCAIS DE VOTAÇÃO NA CIDADE DE SP: https://bit.ly/2kNTlO1

 

MAIS DETALHES SOBRE A VOTAÇÃO: https://bit.ly/2JTv6bR

 

Atualização: Sáb_04/10_13h00

 

 

Segue lista de candidatos à Conselheiros e Conselheiras Tutelares que são publicamente defensores de direitos humanos. Há nomes de candidatos/as da cidade de São Paulo e outras diversas do estado. Vamos juntos complementar essa lista. Peça indicações à pessoas de confiança. E divulgue muito! Precisamos eleger defensores e defensores de direitos humanos e impedir que bolsonaristas, ultraconservadores e fundamentalistas ocupem todos os espaços.

 

ATENÇÃO: EM SP vota-se em 5 candidatos por região; Em SP e em todas as demais cidades, leve título de eleitor e RG; Consulte os sites de Conselhos Tutelares e prefeituras para saber seu local da votação.

 

 

SÃO PAULO

 

 

CENTRO

 

BELA VISTA
Lorys Ferreira 1208
Danilo Martinelle 1214
Raphaelle Medeiros 1210
Ismael Junior 1202
Maria do Amparo Oliveira 1204
Aurea 1205

 


Lualinda 5612
Janete 5602
Robério 5604
Kethelem 5606

Fernanda Abreu 5613

Mildo Ferreira 5615

 

 

ZONA LESTE

 

 

PARQUE SÃO RAFAEL

Andrea do Rodoanel 5408

 

SÃO MATEUS
Cacilda 5202
Cris Marques 5210
Cacio 5217
Leninha 5221
Ralmi 5200
Thel 5220

Lúcia da Associação 5215

 

SAPOPEMBA
Bete Silvério 5521
Joelma Damasceno 5503
Rômulo Ralf 5505
Rosemeire Brito 5508
Kelly Souza 5540

 

ARICANDUVA
Alisson Garotinho 1100

 

PENHA

Fabio 4407

Michele 4409

Bete Maria 4426

Eliane 4411

Iolanda 4408

Simone 4423

 

ITAQUERA
3129 Bete
3114 Thays Nascimento
3102 Edval
3103 Gilson
3110 Marcilea

 

JOSÉ BONIFÁCIO
Robson Carvalho 3708
Tiago 3717

Simone Freitas 3711

 

ITAIM PAULISTA
Estelamar 3008
Dani 3026
Prof. Felipe Tomas 3013
Rose do Conselho 3020

 

CIDADE LÍDER
Tuca 2109
Nivea Maria 2101

Luciana Leite 2108

Cris 2122

Bruna 2125

 

ERMELINO MATARAZZO
Adriana Poveta 2418
Geisa Fernandes 2419

 

VILA PRUDENTE
Marina 6100
José da Guia 6102
Sandra 6106
Isabel 6115
Adélia 6116

 

MOOCA
Sidnei Silva 4104
Wilson Cotrim 4106
Elisangela 4109
Helton 4100

 

VILA CURUÇÁ

Tata Silva 5800

Hélio Dias 5802

Claudio 5806

Raimundo 5808

 

CANGAÍBA
Luiz Boca do povo 1609

Tati 1606

Vera 1607

 

CIDADE TIRADENTES
2301 Juliana Cleide
2302 Josefa Lima
2308 Elizandra Silva
2313 Edson Mineiro

 

LAJEADO
Aleksandra Silva (Alê) 3827
Cristiano C. Martins (Tio Cris) 3834
Ivanilton da Silva Oliveira 3826
Maria Ribeiro Lopes 3815
Silas Porfirio 3836

Marlete Rodrigues 3832

 

 

ZONA OESTE

 

 

PINHEIROS

Rosana Rosa 4605

Carlina 4608

 

BUTANTÃ
1401 Roberta
1402 Nívea do Jd Jaqueline
1403 Sandra

 

RIO PEQUENO
Silvanete 4802
Marcão do Butantã 4804
Luiz da Vila Dalva 4812

Cristina Da Silva 4807

Karina Freitas 4801

 

LAPA
Lilan Cauta Belloti 3903
Hyde Pedreira 3909
Ana Paula 3908

Josoeal Vitalino Mestre Baiano 3911

 

PIRITUBA
Conceição Rosa 4701
Enrico 4709
Caroline 4703
Fernando Chagas 4711

 

PERUS
Feijao Russo 4503
Tutty 4517
Humberto 4508
Dona Luiza 4506
Noeme 4514
Juliana 4509

 

JARAGUÁ
Fernando 3404
Ozie 3417
Regina 3408
Suzana 3403
Rose 3405
Monalisa Gato 3412

 

 

ZONA NORTE

 

 

SANTANA/TUCURUVI
Josélia 5017

Assistente Social Paula 5002

 

CASA VERDE/LIMÃO/CACHOEIRINHA

Netinho – Educado dos Santos 1909

 

VILA BRASILÂNDIA

Vânia Roberta 1303

 

JAÇANÃ/TREMEMBÉ

Rosana Aparecida – Rose 3302

André Willian – 3303

Silvana Evangelista – 3308

Cleide Freire – 3309

Mario de Oliveira – 3314 (Kamoto)

 

 

ZONA SUL

 

 

VILA MARIANA
Ana Paula 6000
Fabiane 6002
Acelino Popó 6004
Ana 6006
Fernando Prata 6008

 

SACOMÃ
Gil Feliz 4902
Mariana 4905
Indira Gabriela 4906
Luciano Rato 4907

 

IPIRANGA
Terno Maciel 2901
Alexsandra Alê 2902
Val Baixinha 2903
Rosilene Nega 2906
Bernadete 2908

 

CIDADE ADEMAR

Ana Ribeiro 2001

Adilza 2004

Sindy Rodrigues 2010

Fatima Braz 2020

Ademar Zinha 2024

 

PEDREIRA
Euzébio/Joel 4317
Rita de Cássia 4316
Henrique 4318

 

SÃO LUIZ
Lenon Farias 3604
Júnior Melo 3605
Dalva Maria 3607
Eliana Borges 3614
Aline 3608
Franklin Andrade 3619

 

M´BOI MIRIM
4011 Madá
4000 Cidinha Barbosa
4009 Nice

 

CAMPO LIMPO
Tereza Rocha 1511

 

CAPÃO REDONDO
Juliana Amorim da Silva 1707
Maria Aparecida de Jesus 1714
Rosangela Rocha 1700
Edilene Leal 1711
Wilson Santos 1708
Pamelão Capão 1706

SANTO AMARO

Rodolfo Damasceno 5107

João Pereira 5109

Adriana Andrade 511

GRAJAÚ I
Flávio Eugênio 2616
Fátima Taddeo 2625
Fátima Rosa 2618

 

GRAJAÚ II
Mário Balbino 2704

 

CAPELA DO SOCORRO
Professor Buiu 1801

 

PARALHEIROS
Vania Menezes 4208
Cleidimar – filha de Arlete 4214
Beto Ramos 4217
Fabiano do Gueto 4218
Toninho Colônia 4219

 

JABAQUARA
Juliana 3201
Carlao 3210
Renato 3212
Cesar 3214
Jhones 3215

 

 

 

OUTRAS CIDADES

 

ARARAQUARA

Adrienne Savazoni 38

 

ARUJÁ

Hamaitá Soares 08

 

BAURÚ

Natália Cristina 234

 

CAMPINAS

Airton Júnior 14

Nara Zamian 40

 

CANANÉIA

Silvânia Lacerda

 

CUBATÃO
Sueli França 05

 

ELDORADO

Élida Gomes 20

Cida Lima 07

 

GUARULHOS
Karla Ramos Lima 10226
Sheila Ribeiro dos Santos 10207
Alda 10224
Marcelo 10315
Higor Mamede 10198

 

ITAQUAQUECETUBA
Ivani Fagas de Barros 16

 

MAUÁ
Daniel Silva 80163

 

MOGI DAS CRUZES
Anita Camilo 10100
Thaisy Ferraz 10013

 

PARIGUERA-UÇU
Eliana Graça 24

Irineu Simonetti 39

 

POÁ
Filipi Lima 06
Prof. Wagner 21

 

SANTO ANDRÉ
Ingrid Limeira 59

 

SANTOS
Priscila 216

 

SÃO BERNARDO DO CAMPO
Léo Duarte 114
Mateus Nogueira 306
Vivi Carvalho 113
Juliana Rocha Dalecio 305
Lourdes Veronesi 211

 

SÃO CARLOS
Andrea Giberti 75

Andreia Inácio 100

Larissa 49

Leandro 09

Teruko 55

 

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
Prof. Assis 16

 

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO

Priscilla Bernardes 62

 

SÃO VICENTE

Ivo Mendes 48

 

TABOÃO DA SERRA

Rodrigo Martins 13

 

(*) – Lista organizada a partir da Uneafro Brasil, coletivos de periferias e ativistas da infância e juventude

 

 

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Hip-Hop

Aparecido da Silva lança clipe refletindo sobre relacionamentos tóxicos

Em um trap sexy e romântico, Aparecido da Silva divulga videoclipe de “Gosti”. A faixa, que faz parte do seu recém-lançado EP, “Vem Dançar Comigo”, reflete sobre relacionamentos tóxicos de uma maneira contemporânea e indireta, expressando os altos e baixos de uma ligação verdadeira. 

“Quando estamos envolvidos há muito tempo, em uma mesma história, o que é importante vai ficando em segundo plano e isso é um baita erro. Temos que persistir no amor, sabe? Essa é a real mensagem”, destaca o músico contratado pelo selo Estúdio da Lua Records.

Assinando a produção dessa track, com beats modernos de hip hop, Claudio Costa. A versão audiovisual foi dirigida por Greta Helena.

Veja e ouça:

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Hip-Hop

Jovens do Grajaú criam o projeto de rap independente “Grajauventude”

Longe dos holofotes da música pop e dos rios de dinheiro que correm no trap, o rap das ruas respira por aparelhos e quer mostrar sua força.

Situado no extremo sul de São Paulo, o distrito do Grajaú é conhecido, entre outras coisas, pela sua falta de aparelhos culturais. Um lugar onde a mão do estado chega apenas em sua forma repressora. Os jovens que conhecem bem essa realidade decidiram expressá-la da melhor maneira: o rap.

Cada vez mais distante do povo que é retratado em suas letras, o rap vem se acomodando nos braços da elite e de uma classe média branca e despolitizada. Pensando nisso, os MCs Henrique Madeiros, Riaj, TG e a MC Ariel, todos moradores do Grajaú, criaram o projeto Grajauventude.

Assista o primeiro clipe do cypher agora!

Conbeça mais sobre quem faz o Grajauventude!

Riaj

Riaj tem como sua marca registrada a participação nas batalhas de rima ou as famosas rinhas de mc’s. Batalhou pela primeira vez no final do ano de 2016 e conseguiu sua primeira folha (vitória) na Batalha da Rossevelt. Apesar da pouca idade, Riaj, 18 anos, coleciona cerca de 60 folhas, já representou a batalha do Grajaú Rap City em disputas regionais por 2 anos e também já disputou o regional pela batalha da Roosevelt.

Riaj tem como referências Tito JV e o cantor Rashid. Ele luta por uma maior presença de negros e negras dentro das batalhas, pois acredita que muitas pessoas não entendem que o rap e a cultura Hip Hop são movimentos culturais negros.

Ariel

A única mulher desta edição, Ariel tem 18 anos e mora no Parque América, bairro do Grajaú. Fã da cultura Hip-Hop desde os 8 anos, começou a escrever com 10 anos e entrou para as batalhas de rima com 17. Hoje ela integra o Team GRC (Grajaú Rap City) e coleciona 5 vitórias em batalhas. Ariel faz parte da banca GRAJATLANTA que reúne os melhores do trap do Grajaú. Suas rimas trazem reflexões e representatividade para mulheres que observam e  possuem interesse em fazer freestyle ou músicas dentro do Hip Hop.

Sua intenção é conquistar espaço e visibilidade para mulheres, para que a desigualdade de gênero seja quebrada nessa cultura que ainda é muito machista. No mês de Setembro, ela entra em estúdio e gravará o clipe do seu primeiro single solo. A faixa intitulada “Green” mistura trap e R&B.

TG

Thiago Pereira Segatto, vulgo TG, 16 anos, é morador do Grajaú e o caçula desta edição. Mesmo com pouca idade, suas rimas trazem reflexões fortes e jogam álcool nas feridas expostas da sociedade, buscando sempre dar voz aos excluídos.

TG prefere rimar no estilo boombap, ritmo pelo qual debutou no rap com a primeira letra que escreveu aos 11 anos. Com 14 anos, lançou sua primeira música com produção própria.

Hoje atuante como MC, ele integra o coletivo “The True”, que surgiu em 2017, originalmente como uma batalha que eram realizadas na praça do Mirna, na região do Grajaú. A batalha durou até meados de 2019 para que seus integrantes pudessem focar em suas carreiras musicais.

 

Henrique Madeiros

Henrique Madeiros, 19 anos, é cantor e morador do Jardim 7 de Setembro, na região do Grajaú. Com um olhar lírico sobre a realidade à sua volta, despertou para o RAP e para a poesia aos 16 anos.

Assíduo em diversos saraus, slams e batalhas da região, Henrique integra o Sarau Despertar que tem como objetivo usar a poesia e o grafite como ponto de partida para debater questões como LGBTQ+ e transexualidade na quebrada e abuso sexual. No Sarau, além de contribuir para a promoção do debate, Henrique Madeiros também recita suas próprias poesias e recentemente lançou um Zine intitulado “Fúria”, com poesias próprias. O Zine foi lançado na edição passada do Sarau Despertar e segue com distribuição gratuita.

Fã de RAP nacional desde a infância, cresceu escutando diversos grupos entre eles A286Inquérito, GOG e Facção Central, sendo este último sua maior referência, principalmente na figura de Eduardo Taddeo. Henrique Madeiros foi o criador e articulador do projeto Grajauventude.

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Resistência Violência Policial

Operação da PM tem arbitrariedade e violência em ocupação de moradia popular em Palmas (TO)

Texto: Carol Azevedo

No último domingo, 15, a Polícia Militar agiu com truculência e arbitrariedade para esvaziar uma ocupação urbana na quadra 905 sul (Arso 92), na cidade de Palmas, Tocantins. Seis pessoas foram detidas, includindo militantes do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), por tentaram ajudar um homem vítima de prisão arbitrária. O local havia sido desapropriado pelo poder público para abrigar um conjunto habitacional, programa do governo Federal Minha Casa Minha Vida, mas foi recuperado através de uma disputa judicial entre o Estado do Tocantins e o antigo proprietário, como relatou o advogado do movimento, Cristian Ribas.

Pelo Plano Diretor de Palmas, a área deve ser destinada à construção de habitações populares. Em nota a Secretaria da Infraestrutura, Cidades e Habitação (Seinf), alega que a obra de construção de 272 apartamentos foi retomada recentemente e segue com um novo cronograma. O residencial faz parte do programa Pró-Moradia, e segundo a Secretaria já existem famílias pré-selecionadas aguardando a entrega dos imóveis.

Sobre a operação

Por volta de 3h, 400 famílias ligadas ao Movimento ocuparam uma área na Avenida LO 23, do Plano Diretor Sul da Capital. A Polícia Militar (PM) chegou aproximadamente às 10h do domingo e fechou um acordo com os ocupantes, segundo o qual eles poderiam se concentrar em determinada área da propriedade. Poucos minutos depois, o proprietário da área foi visto circulando pela quadra e ateando fogo em outros pontos do terreno.

Wesley Vieira, um dos ocupantes que estava no local acordado com a PM, saiu de lá para, segundo os moradores, resgatar sua moto, que seria atingida pelo fogo ateado pelo então proprietário. O ocupante conduziu sua moto por menos de 30 metros quando foi abordado por cerca de 10 policiais, que o prenderam, por conduzir sem capacete. Outros ocupantes saíram em sua defesa e foram agredidos e autuados pela polícia.

A assistente social Eutália Barbosa, o diretor da União Nacional dos Estudantes (UNE), Guilherme Barbosa, e o ex-vereador e coordenador estadual do MNLM no Tocantins, Bismarque Miranda, foram detidos por desacato e resistência assim que tentaram amparar Wesley. Beatriz Gonçalves. A esposa de Wesley, que pediu para acompanhá-lo e foi levada na viatura, acabou recebendo ordem de prisão na delegacia. O casal foi detido sob acusação de esbulho possessório*, assim como Bismarque Miranda.

O advogado Lucas Naves ao acompanhar a condução dos detidos e das detidas à delegacia em seu carro particular também foi preso e algemado, sem respeitar as prerrogativas do exercício da sua função, sob alegação de direção perigosa. Após as prisões, a PM seguiu intimidando os ocupantes na área. Os seis detidos (as) foram liberados na noite do domingo e respondem às acusações em liberdade.

Foi uma operação violenta, truculenta e de criminalização dos movimentos sociais. Uma vez que não havia nenhuma ordem judicial de reintegração de posse, o que caracteriza, naquele contexto, uma prisão absolutamente arbitrária.”, relatou o advogado Cristian Ribas.

Em nota, a Polícia Militar informou que compareceu ao local para negociar a desocupação e que usou a força “devido à resistência e desacatos proferidos pelos manifestantes”. Quanto ao uso de força excessiva e arbitrariedade, o Comando de Policiamento da Capital disse que analisará as imagens para apurar ilegalidades. Já a Secretaria de Comunicação Social do Estado (Secom) afirmou que as imagens da ação na ocupação que circulam nas redes sociais serão apuradas pela PM no intuito de “averiguar quaisquer ilegalidades”.

Em vídeo, após ser liberado, Bismarque afirma que a reivindicação é ocupar os 400 lotes já divididos na quadra, que está há treze anos abandonada pelo Estado do Tocantins: “vamos fazer com que a terra urbana cumpra sua função social aqui em Palmas. Porque moradia é direito de todos e dever público do Estado”.

*Esbulho possessório: Crime contra o patrimônio consistente em invadir terreno ou edifício alheio, com o intuito de adquirir a posse.

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Movimento Negro Sem categoria

Contra política de Bolsonaro, Coalizão Negra do Brasil vai aos EUA denunciar violações de direito

Texto: Lucas Veloso do Alma Preta

Entre os dias 11 e 13 de setembro, a Coalizão Negra por Direitos participou do Congresso Black Caucus, em Washington DC. O encontro reuniu congressistas afroamericanos, políticos e lideranças negras de todo os EUA.

A Coalizão foi representada por Sara Branco, advogada do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades, Douglas Belchior, da Uneafro Brasil, e Juliana Góes, ativista de Direitos Humanos.

Segundo a organização, o intuito da comitiva brasileira foi buscar apoio contra as violações de direitos humanos praticadas com as pessoas negras.

Para Sara, o principal apoio que o grupo recebeu foi do deputado Henry Hank Jonhson Jr. “O democrata está preocupado com a defesa dos direitos humanos da população negra, não só a norte-americana, mas também a população afro-latina”, pontuou.

O parlamentar chegou a gravar um vídeo onde manifesta apoio à população quilombola de Alcântara, no Maranhão. Ele defendeu que a Constituição Federal brasileira deve ser respeitada. “Esse tipo de apoio, em um momento crítico como o que estamos vivendo, é de extrema importância”, define Sara.

A advogada reforça que a situação das pessoas negras no Brasil não foi um debate neste congresso, mas que o assunto deveria ser discutida pelos afroamericanos. Neste sentido, ela entende que a Coalizão Negra tem o papel de provocar a reflexão e denunciar internacionalmente as violações de direitos humanos que a população negra enfrenta no Brasil.

“Infelizmente a discussão sobre os negros brasileiros ainda não aconteceu, mas de modo geral, existe uma preocupação e uma atenção para o que está acontecendo no país, principalmente agora, sob a administração de Jair Bolsonaro”, define. “A realidade vivida pela população negra brasileira ainda está muito invisibilizada no debate e isso diz muito sobre a desigualdade”, crítica Sara.

Assista ao vídeo do encontro aqui:

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Hip-Hop Sem categoria

Yannick Hara lança single questionando a lógica do consumo

O rapper e performer Yannick Hara acaba de divulgar a inédita música “Caótico/Distópico”.  A faixa integra uma série de lançamentos que antecedem o próximo disco do rapper. Intitulado  “O Caçador de Androides”, o álbum tem lançamento agendado para novembro. 

Nessa track, movimentada pelo caos rumo à distopia que é o cotidiano atual, Hara reflete sobre a vida dos personagens Deckard (Blade Runner-1982) e K. (Blade Runner-2049). Na primeira parte, “Caótico” é, então, o desejo de anarquizar, sair da lógica de trabalho e consumo. Já na segunda, Distópico atinge o limiar da existência. 

Yannick Hara já lançou o EP “Também Conhecido Como Afro Samurai”, baseado em um mangá e anime para ocupar seu lugar de fala dentro da música. Agora, em 2019, se inspira na obra do escritor Philip K. Dick, “Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?”, que originou a franquia Blade Runner, para protestar contra a alta tecnologia e baixa qualidade de vida que assola a humanidade em direção ao futuro distópico.

Produzido por Blakbone nos estúdios da Live Station, o single inspira-se nos anos 80, carregando um visual gótico e pós-punk. Do começo ao fim, projeto tem tom provocativo, intenso e perturbador.

Ouça:

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Genocídio Negro

Ele comemorou, não a vida das vítimas, mas a morte do sequestrador. Brasil e a era do necroamor

Witzel comemora morte de sequestrador na ponte Rio-Niterói

 

 

Publicação original no FaceBook

 

Em uma cena de sequestro, todo mundo torce para a vítima, ninguém para o sequestrador.

A mãe dele, talvez. Talvez!

É natural então que quando o sequestro termina com a vítima ilesa, todo mundo comemore. O que é algo muito diferente de comemorar a morte do sequestrador. Uma coisa é a comemoração da vida, outra coisa a comemoração da morte. É grotesco então ver o governador do Rio de Janeiro, um estado cheio de problemas urgentes, pegar um helicóptero no meio do seu turno de trabalho, voar até o local do acontecido não para confortar as vítimas, mas para pateticamente comemorar a morte, como quem comemora um gol. É isso que se tornou o Brasil recentemente. O maior país católico do mundo se transformou em um país de adoradores da morte. Amém!!!

É claro, está todo mundo cansado da violência, nossa empatia está com a vítima. O problema é que essas cenas continuam se repetindo. Como se produz um sniper? Como se produz um sequestrador? “Tropa de Elite” e “Ônibus 174” respondem. Filmes contraditórios, como é contraditório o seu diretor bolsonarista arrependido. Se o interesse é na segurança civil, porquê o governador não começou seu mandato incentivando o treinamento e a ação de negociadores? O interesse é na segurança da vítima ou na morte do sequestrador? São perguntas. Perguntas cansadas. Por que o governador bate-cartão no BOPE? Alguém já viu ele entrando em uma escola de favela, tentando pensar um orçamento melhor para a comunidade?

A verdade é que está todo mundo cansado da violência, mas também cansado de perguntar, de questionar, de desnaturalizar a pobreza. Isso é muito perigoso. É assim que chegamos em cenas patéticas, ao mesmo tempo tristes e ridículas, como a de hoje.

Como é produzido um sequestrador? Por quem, nós sabemos: pelo estado, por gente como o governador, um bárbaro desengonçado que administra a miséria, mantém a fábrica de produzir sequestradores em pleno funcionamento, bárbaros que naturalizam sua triste visão do mundo e arrastam a sociedade inteira para a barbárie. Sua solução para o estado das coisas? Mais barbárie! É cansativo. Parece que temos muito para dizer e ao mesmo tempo nada. Repetimos nos últimos 20 anos: desigualdade social produz violência. Os administradores do estado, cãezinhos dos ricos, não podem mexer na desigualdade então investem em violência contra violência. O resultado? Um país triste em que todos os dias se comemora o assassinato de pretos e pobres na televisão.

Como se produz um sniper? Com um governador desengonçado comemorando um gol numa cena de crime.

Como se produz um sequestrador? Com um governador desengonçado comemorando um gol numa cena de crime.

Isso é o melhor que nós podemos ser como sociedade, ou já desistimos de tentar?

Como impedir que um menino de periferia se transforme em um sequestrador? Como se produz um sequestrador? Como assassiná-lo, nós já sabemos.

 

 

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Cinema

Mostra Itinerante de Cinema Negro em Salvador tem mais de 70 filmes

Começou em 14 de agosto a segunda edição da Mostra Itinerante de Cinemas Negros – Mahomed Bamba (II MIMB), que acontece em Salvador, até o dia 18 de agosto deste ano. Nas 18 sessões previstas, mais de 70 filmes de várias partes do mundo serão exibidos gratuitamente em bairros da cidade.

A Mostra tem o objetivo de ampliar as janelas de reprodução dos conteúdos nacionais e
internacionais produzidos por realizadores negros. Em sua segunda edição, a MIMB traz
apresentações culturais, oficinas, palestras, exposição e circulação de novos conteúdos dos
cinemas negros nacionais e internacionais. Serão exibidos longas e curtas-metragens de
ficção, documentários, animações e obras experimentais, a fim de dialogar com adultos e
crianças de bairros populares e periféricos da cidade de Salvador. A Curadoria de filmes
nacionais desse ano foi composta por Dayane Sena, Heraldo De Deus e Rayanne Layssa,
coordenados por Julia Morais e Taís Amordivino. Já a Curadoria de filmes internacionais, coordenada por Kinda Rodrigues, foi composta por Janaína Oliveira e Alex França. O júri é composto por Beatriz Vieirah, Luciana Oliveira e Thales Novaes.

O evento vai circular por sete bairros da cidade, com sessões simultâneas em oito espaços
culturais: Ilha de Maré (Comunidade Quilombola de Bananeiras), Quadra Esportiva do Calabar (Calabar), Praça da Revolução (Periperi), no Goethe-Institut (Corredor Vitória), Sesc Pelourinho, Centro Cultural da Barroquinha, Sala Walter da Silveira – Dimas (Barris) e Casa de Angola (Barroquinha).

Serão oferecidas oficinas de produção audiovisual com aparelhos móveis com a participação das oficineiras Ana do Carmo, Fabíola Silva e Ariel Dibernaci; oficina de crítica de cinema Afrocentrada com Alex França; oficina voltada para o olhar sobre os corpos LGBT nos cinemas com Heitor Augusto; e Master Class: O Cinema e o Espelho: experiências, olhares e registros com Everlane Moraes. Todas terão 30 vagas no valor de R$60,00. Entendendo que o processo inclusivo parte da disposição ao acesso, serão disponibilizados 7 bolsas integrais e 8 com 50% de desconto.

A primeira edição, realizada em abril de 2018, passou por seis bairros de Salvador com a
exibição de 44 filmes em 14 sessões, para além de atividades simultâneas como oficinas e
rodas de conversa sobre questões correlatas a gênero, raça, sexualidade e a produção
audiovisual. A mostra leva o nome do professor Mahomed Bamba, pesquisador fundamental
sobre cinema negro e diaspórico, nascido na Costa do Marfim e radicado no Brasil.

Mulheres negras à frente

A MIMB é uma iniciativa de mulheres negras cineastas, realizadoras, produtoras e ativistas,
que vislumbraram a necessidade de fomentar o intercâmbio cultural entre produções
cinematográficas negras do Brasil com o mundo, para além de repensar o processo de
distribuição destes produtos, atentando para a importância do acesso ao cinema nas periferias,
e a relação entre o cinema e a cidade, de modo geral.

Trata-se de um projeto que reúne ao mesmo tempo a luta pela afirmação política da população negra e a discussão sobre a
produção, distribuição e acesso do audiovisual.
“Entendemos o quão é importante celebrar Os Cinema (s) Negro(s), e que esta pluralidade faz
parte da navegação diaspórica que nos conecta em todas pontas do mundo. Em reverência aos
estudos do saudoso professor Mahomed Bamba, a MIMB 2019 integra “S” como multiplicidade de construção, soma e pertencimento. Trazer as óticas construídas mundialmente para a Bahia.

Deste modo, ampliamos as inscrições para produções negras de cada canto do mundo. Nossas conexões são de navegação, identidade e caminhos” aponta Daiane Rosário, idealizadora da Mostra.

O cinema, assim como quase todas as áreas de conhecimento, atuação profissional e artística,
é um ambiente marcado por profundas desigualdades raciais e de gênero. As mulheres ainda são minoria absoluta na direção de filmes, por exemplo. Uma pesquisa
divulgada em 2018 pela Agência Nacional de Cinema (Ancine), com base em dados do
IBGE, revelou que os negros não chegam nem a pontuar em funções executivas das grandes
produções (como Direção e Roteiro) e as mulheres ficam entre 1% e 3%, considerando as
produções mistas. Os homens brancos seguem sendo 75,4% entre diretores e 59,9% entre
produtores, seguidos por mulheres brancas. É no sentido de combater essa desigualdade
histórica que a MIMB vêm se consolidando no circuito de Festivais e Mostras para circulação
da produção negra e feminina no cinema.

 

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Cultura

Novo clipe de Thiago Elniño fala sobre a resistência ao genocídio da juventude negra

Seguindo com as ações que antecedem a estreia de seu próximo disco, o MC e educador popular Thiago Elniño apresenta mais uma inédita do aguardado “Pedras, Flechas, Lanças, Espadas e Espelhos”. Dessa vez, em um rap que fica entre um trap com texturas orgânicas e o boombap, “Pretos Novos” vem, agressiva e direta ao ponto, inspirando-se em nomes como Dead Prez, N.W.A., EarthGang, Marcus Garvey e Malcolm X.

“Em algum momento, o rap brasileiro da década de 90, que trazia um discurso cru e forte contra o racismo, passou a ser apontado por uma nova geração como algo superado, liricamente empobrecido, repetitivo, careta e até inocente em sua fé de que alguma coisa pudesse realmente mudar. Só que foi justamente esse rap que não só nos inspirou como também deu esperança e motivou a começar e continuar produzindo. Por isso, respeitosamente tentamos manter viva aquela energia. Nesse som, estou dizendo que por mais que esteja difícil, a gente vai morrer lutando, cantando e acreditando que o dia dos pretos vai chegar. Aliás, morrer lutando é um traço de dignidade e respeito ancestral para nós”, ressalta.

Na letra, as rimas debochadas do artista o colocam no papel de um personagem mais velho, além de zombeteiro, tal qual um Exú, encontrando eco com o papo reto de Vibox, Nayê Uhuru, D’Ogum e DenVin, todos integrantes do grupo Projeto Preto, da nova escola no rap paulista. Essa participação especial faz, dessa track, um encontro de gerações.

No videoclipe produzido para esse trabalho, sob a direção de Lincoln Pires, um plano sequência impacta quando, logo nas primeiras imagens, mostra um jovem preto sendo velado dentro de casa, dando a impressão de que aquela é uma realidade comum. E, de fato, é. Isso porque, de acordo com o Atlas da Violência 2019, 75,5% das pessoas assassinadas no Brasil são negras. A mensagem que fica, nas entrelinhas e fora delas, é um grito de basta.

Assista aqui: https://youtu.be/3xQS300lwqg