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ABANDONO TOTAL

Muitos problemas…

O prefeito de Poá, Francisco Pereira de Sousa, o “TESTINHA” (PDT), está muito preocupado, como todos os seus antecessores, em mexer só no centro da cidade. O mais grave é que mesmo assim não resolve os problemas mais urgentes, como auxiliar os pedestres na travessia entre a Rua vinte e seis de março e Av. Brasil, uma vez que por causa das obras lá existentes, o percurso está muito perigoso.

Há aproximadamente vinte dias, fui até a prefeitura e falei pessoalmente com o prefeito, apontando vários problemas com relação à acessibilidade e nenhuma providência ainda foi tomada. Tal atitude, ou a falta dela, aparenta um total descaso por parte do prefeito, porque no que foi apontado não se gastará dinheiro. Mas se fosse necessário, deveria gastar, pois o erário público é para se aplicado em benefício da maioria da população e não para alguns afortunados da nossa cidade.

Os serviços públicos vão de mal à pior. No hospital não existe nem pomada para tratar de pacientes com queimaduras. As praças da Bíblia e Guido Guida quase não tem mais bancos para as pessoas sentarem. Nesses locais circulam muitos trabalhadores da região e em seus horários de almoço não encontram o mínimo de acomodação para descansar.

Os bairros estão abandonados, pois o dinheiro dos serviços que deveriam ser feitos lá está sendo gasto para desmanchar e refazer a área central da cidade. Isso é um absurdo.

O que não falta na prefeitura são cargos comissionados, os quais são ocupados por apoiadores da eleição, correligionários e pessoas indicadas por estes.

Nas ruas vemos muitos agentes de trânsito, mas simplesmente andando pelas ruas, sem tomar nenhuma atitude, pois é comum encontrarmos veículos estacionados em lugares proibidos e até contra mão, desrespeitando as pessoas que circulam a pé pela cidade.

O prefeito TESTINHA se preocupou em inchar o quadro de funcionários e o pior sem concurso público, mas a prestação de melhores serviços está muito longe de sua prioridade.

A cidade realmente continua abandonada.

Professor Carlos Datovo
Presidente do Diretório Municipal
Poá – SP

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1º DE MAIO. COMEMORAR O QUÊ?

Comemorar desemprego, miséria, isso não se comemora, se combate, é o que deveriam fazer os homens que hoje estão no poder, em nosso país. Porém, o que vemos não é isso. Estão eles de braços dados com aqueles que sempre exploraram e que vão continuar explorando o trabalhador e junto estão também as grandes forças sindicais, cujo papel deveria ser a defesa dos explorados.

Ser trabalhador neste mundo capitalista é ser explorado. Por conta da crise financeira atual, que não foram os trabalhadores quem a criou, desde o fim do ano passado até a presente data, mais de dois milhões de trabalhadores brasileiros perderam seus empregos, o que significa mais de oito milhões de brasileiros que entram para engrossar o grande número já existente de miseráveis.

Devemos comemorar alguma coisa? Claro que não. Devemos sim, cobrar dos nossos dirigentes mais respeito com o povo e fazer com que quem criou a crise que pague por ela.

Em nosso município não é nada diferente. Enquanto faltam médicos e remédios nos postos de saúde e no “chamado Hospital”, o Prefeito Francisco Pereira de Sousa, o TESTINHA, como gosta de ser chamado, entrega nosso dinheiro para as construtoras e conseqüentemente beneficia alguns empresários da cidade, como na nova canalização do rio Tucunduva, por exemplo. Essa obra tem um grande beneficiário, o proprietário do imóvel ao lado de onde se executa o serviço, mais conhecido como Edu do Posto. Esse dinheiro deveria estar sendo investido nos bairros, lá sim é que precisa de obras, pois lá é que está a maioria da população. No entanto, vemos mais uma vez festa para tentar enganar a população.
Temos alguma coisa para comemorar? A única coisa que temos certeza é de que se nós nos mobilizarmos e nos unirmos, conquistaremos de verdade nossos anseios.

Prof. Carlos Datovo
Presidente do Diretório Municipal
Poá – SP

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NOVO MODELO DE SOCIEDADE


Ao participar do Fórum Econômico Mundial para a América Latina, a 15 de abril, no Rio, indaguei: diante da atual crise financeira, trata-se de salvar o capitalismo ou a humanidade? A resposta é aparentemente óbvia. Por que o advérbio de modo? Por uma simples razão: não são poucos os que acreditam que fora do capitalismo a humanidade não tem futuro. Mas teve passado?

Em cerca de 200 anos de predominância do capitalismo, o balanço é excelente se considerarmos a qualidade de vida de 20% da população mundial que vivem nos países ricos do hemisfério Norte. E os restantes 80%? Excelente também para bancos e grandes empresas. Porém, como explicar, à luz dos princípios éticos e humanitários mais elementares, estes dados da ONU e da FAO: de 6,5 bilhões de pessoas que habitam hoje o planeta, cerca de 4 bilhões vivem abaixo da linha da pobreza, dos quais 1,3 bilhão abaixo da linha da miséria. E 950 milhões sofrem desnutrição crônica.

Se queremos tirar algum proveito da atual crise financeira, devemos pensar como mudar o rumo da história, e não apenas como salvar empresas, bancos e países insolventes. Devemos ir à raiz dos problemas e avançar o mais rapidamente possível na construção de uma sociedade baseada na satisfação das necessidades sociais, de respeito aos direitos da natureza e de participação popular num contexto de liberdades políticas.

O desafio consiste em construir um novo modelo econômico e social que coloque as finanças a serviço de um novo sistema democrático, fundado na satisfação de todos os direitos humanos: o trabalho decente, a soberania alimentar, o respeito ao meio ambiente, a diversidade cultural, a economia social e solidária, e um novo conceito de riqueza.

A atual crise financeira é sistêmica, de civilização, a exigir novos paradigmas. Se o período medieval teve como paradigma a fé; o moderno, a razão; o pós-moderno não pode cometer o equívoco de erigir o mercado em paradigma. Estamos todos em meio a uma crise que não é apenas financeira, é também alimentar, ambiental, energética, migratória, social e política. Trata-se de uma crise profunda, que põe em xeque a forma de produzir, comercializar e consumir. O modo de ser humano. Uma crise de valores.

Desacelerada a ciranda financeira, inútil os governos tentarem converter o dinheiro do contribuinte em boia de salvação de conglomerados privados insolventes. A crise exige que se encontre uma saída capaz de superar o sistema econômico que agrava a desigualdade social, favorece a xenofobia e o racismo, criminaliza os movimentos sociais e gera violência. Sistema que se empenha em priorizar a apropriação privada dos lucros acima dos direitos humanos universais; a propriedade particular acima do bem comum; e insiste em reduzir as pessoas à condição de consumistas, e não em promovê-las à dignidade de cidadãos.

Há que transformar a ONU, reformada e democratizada, no fórum idôneo para articular as respostas e soluções à atual crise. Urge implementar mecanismos internacionais de controle do movimento de capitais; de regular o livre comércio; de pôr fim à supremacia do dólar e aos paraísos fiscais; e assegurar a estabilidade financeira em âmbito mundial.

Não haveremos de encontrar saída se não nos dermos conta de que novos valores devem ser rigorosamente assumidos, como tornar moralmente inaceitável a pobreza absoluta, em especial na forma de fome e desnutrição. É preciso construir uma cultura política de partilha dos bens da Terra e dos frutos do trabalho humano, e passar da globocolonização à globalização da solidariedade.

As Metas do Milênio e, em especial, os sete objetivos básicos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, de 1995, devem servir de base a um pacto para uma nova civilização: 1) Escolaridade primária universal; 2) Redução imediata do analfabetismo de adultos em 50%; 3) Atenção primária de saúde para todos; 4) Eliminação da desnutrição grave e redução da moderada em 50%; 5) Serviços de planificação familiar; 6) Água apta para o consumo ao alcance de todos; 7) Créditos a juros baixos para empresas sociais.

A experiência histórica demonstra que a efetivação dessas metas exige transformações estruturais profundas no modelo de sociedade que predomina hoje, de modo a reduzir significativamente as profundas assimetrias entre nações e desigualdades entre pessoas.

[Autor, em parceria com Luis Fernando Veríssimo e outros, de “O desafio ético” (Garamond), entre outros livros].

* Escritor e assessor de movimentos sociais
Frei Betto

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POR QUE COMEMORAR O DIA DO TRABALHO?

O feriado de 1º de Maio de 2009 é um dia dos últimos anos que menos motivos o trabalhador tem para comemorar algo. Em plena crise do sistema econômico mundial, a classe trabalhadora é a que mais sofre com a desordem vigente no neoliberalismo. Mas, alheias a isso, grandes centrais sindicais, como a CUT e a Força Sindical, promovem festas e ignoram a gravidade do problema.

Segundo estimativas do DIEESE ( Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos ), em Março havia 3,01 milhões de desempregados em 6 regiões metropolitanas. De acordo com dados do Ministério do Trabalho, o número de pedidos de seguro desemprego no primeiro trimestre de 2009 subiu 7,9%. Em dezembro de 2008, houve um recorde de demissões de trabalhadores com carteira assinada: 654 mil. O PIB (Produto Interno Bruto) deste ano se não ficar estável deverá ter queda em relação a 2008. O quadro, portanto, não é dos melhores para os trabalhadores.

Este feriado, desse modo, não tem de ser comemorado, principalmente pelas instituições que deveriam prezar por garantias aos trabalhadores. Essa data, no país, assim como em outros, deveria ser marcada se não com protestos, no mínimo como grandes questionamentos e preocupações. Mas CUT e Força Sindical, sem citar outras, promovem festas em várias cidades com direito a distribuição de prêmios, incluindo até carros.

Os trabalhadores estão pagando pela crise com seus empregos. Suas famílias sentem na pele a terrível cena de ver pais, mães e filhos desempregados. O dia do trabalho é de luta, não de festa. Repúdio sim às centrais que estão alheias ao sofrimento do trabalhador e que festejam em momentos de tristeza.

Trabalhador não se engane. Enquanto a burocracia sindical só pensa em festejar, na sua auto-promoção e de seus representantes eleitos, a corda nos pescoço da classe aperta cada dia mais. Resista a eles e procure alternativas, pois do contrário o trabalhador pagará cada dia mais por uma crise da qual ele não é o culpado.