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Memória do Encontro de 18/01 – UNIDADE NA LUTA ANTIRRACISTA EM SP – 2012

Compas,

Ontem, dia 18/01/12, apesar da forte chuva em SP, conseguimos realizar um ótimo encontro que reuniu cerca de 60 pessoas, representantes das principais organizações do movimento negro paulista, movimentos populares, estudantis, partidos de esquerda e ativistas independentes. O intuito da reunião, conforme convocação feita pelo Comitê de Luta Contra o Genocídio foi de organizar uma grande ação unificada em torno da luta contra o racismo, mediante a conjuntura de opressões que estamos vivendo em SP e no Brasil.

Após amplo debate e vários apontamentos e propostas (listadas abaixo), avaliou-se a necessidade da construção de uma resposta a altura para a conjuntura de ofensiva racista. Essa resposta, em forma de ação e manifestação deverá ser construída a partir da unidade e da mobilização dos diversos grupos dos movimentos populares e setores organizados da sociedade.

O início destas ações se dará, conforme deliberado ontem, a princípio, a partir das seguintes ações/calendário:

ATO CONTRA O RACISMO – 09 de Fevereiro – Quinta feira

Agitação e propaganda a partir das 12h00

ATO POLÍTICO às 18h

Local: Em frente ao Teatro Municipal de São Paulo

Próxima Reunião do Comitê: Terça Feira – 24/01 – 19h

Local: Rua Abolição, 167 – Bela Vista – SP

CONSTRUÇÃO DE UM DOCUMENTO/TEXTO: A ideia é que seja assinado pelas organizações e que será o material a ser distribuído à população no dia do Ato, está sob a responsabilidade de uma Comissão. O conteúdo deve ser elaborado e aprovado até o próximo final de semana (Via Net). (COMISSÃO: MARI – UNEGRO; MARI – NCN; BIA – UNEAFRO; DOUGLAS – CACSFF; FLAVIO – CONEN; JUNIOR – COONSULTA; MARISA – TRIBUNAL; WILSON – Quilombo Raça e Classe)

22/01 – Participação das atividades em apoio à Favela do Moinho (neste local).

25/01 – Participação nas atividades de repúdio às ações do Estado na “Cracolândia” – Manhã – Praça da Sé / Tarde – Região da Luz.

Propostas a serem encaminhadas a partir do próximo Encontro:

– Confirmação de um amplo calendário que preveja encontros ordinários do COMITÊ, e a partir daí, formação de Comissões para cumprimentos de tarefas;

– Retomada da intervenção à ALESP e Câmara de Vereadores no sentido de cobrar responsabilidade do Estado;

– Retomada e atualização do Dossiê sobre o Genocídio da Juventude Negra, e seu encaminhamentos a Fóruns Internacionais de Defesa de Direitos Humanos;

– Organização de Seminários, Encontros de Formação, debates e estudos nas diversas regiões.

Calendário de mobilização;

– Ação dirigida às Escolas de Samba;

– Mapeamento das diversas organizações, grupos, movimentos, saraus e e outroas formas de organização/luta espalhados em todo o estado, no sentido de constituir um grande Bloco da ação e resistência antirracista;

– Debate sobre adesão aos 18 pontos da pauta unificada (Construída no processo do 20 de Novembro 2011);

– Elaboração de um chamado à Unidade com os demais movimentos em luta;

– Articulação com os artistas da Virada Cultural e forma de atuação nesta atividade;

– Organização de trabalho de comunicação, elaboração de vídeos, intervenção mais incisiva em redes sociais, entre outros;

ORGANIZAÇÕES REPRESENTADAS NA REUNIÃO DE 18/01:

MNU

UNEAFRO

CONEN

UNEGRO

Força Ativa

Quilombo Raça e Classe

NCN-Usp

Tribunal Popular

Levante Popular da Juventude

Consulta Popular

Coletivo Anastácia Livre
Fórum Regional de Defesa do Direito da Criança e do Adolescente – Sé

Sujeito Coletivo – USP

Amparar

Coletivo AnarcoPunk SP

Cacs Florestan Fernandes – Uninove

Sarau da Brasa

EmpregueAfro

Psol

Pstu

Psb

DIVERSOS MILITANTES AUTÔNOMOS/INDEPENDENTES

Faltou algum?

ATÉ TERÇA!

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Avalanche racista ou cotidiano revelado?












Avalanche racista ou cotidiano revelado?



Há menos de um mês, em 13 de Dezembro, cerca de 60 manifestantes realizaram um protesto em frente ao colégio Internacional Anhembi Morumbi, no bairro do Itaim Bibi, área nobre de São Paulo, depois de um caso de racismo ter ocupado o noticiário dos principais telejornais do país: a estagiária negra Ester Elisa da Silva Cesário, de 19 anos, teria sido coagida por sua chefa a alisar o cabelo para continuar em seu emprego.

Naturalmente a Escola negou o ocorrido, a Professora que promoveu a agressão se afastou por motivos psicológicos e o caso segue investigado pela polícia.

Ainda antes da virada do ano, em 30 de Dezembro, um casal de turistas espanhóis teve seu filho adotivo expulso do interior do fino restaurante Nonno Paolo, no bairro do Paraíso, em São Paulo. O menino etíope – e negro, de apenas 6 anos, bem cuidado e convenientemente trajado, foi “confundido” com uma criança de rua, segundo admitido pelo próprio gerente que o escorraçou.

Boletim registrado e ampla repercussão, primeiro na internet, depois em toda grande imprensa nacional. Após uma semana de campanha e boicote ao restaurante, um grupo de ativistas indignados realizou um comovente protesto em frente ao estabelecimento.

Ainda sob a ressaca do novo ano, a Rede Globo levou ao ar no seu Jornal da Globo, a denúncia da prisão irregular do jovem negro de 26 anos, Michel Silveira, Agente de Saúde da Prefeitura de São Paulo. O rapaz, “reconhecido” na rua por uma vítima de assalto, está preso há mais de dois meses. Família, amigos e colegas de trabalho reuniram provas que demonstram que no dia do roubo, o jovem negro estava trabalhando. Há inclusive gravações de câmeras de segurança do posto de saúde, além do testemunho de colegas que o acompanharam durante o dia e à noite, em um curso.

Na “Cracolândia” no bairro da Luz em São Paulo, uma população, de esmagadora maioria negra, é tratada como manda a praxe: espancamentos, bala de borracha na boca e atropelamentos por viaturas da polícia, tudo sob a justificativa de “combater o crack”.



E agora, no dia 9, nos estarrecemos com a ação do Policial Militar na USP que, após um diálogo acalorado com diversos jovens estudantes brancos, resolveu descontar sua raiva no único negro presente, primeiro duvidando de que seria um estudante da USP e em seguida o agredindo gratuitamente, tendo inclusive apontado sua arma para a cabeça do rapaz. A partir das redes sociais e do Youtube, as imagens repercutiram em todo o Brasil e mais uma vez ocupou os principais noticiários de TV, rádio e jornais.

No Brasil, cabelo liso é padrão estético e corporativo. Errado é quem desobedece à norma. Se comprovada a ação racista da Diretora, ela será punida pela Justiça e pelo empregador. Mas e o Colégio?

A rua é o lugar de crianças negras, e não buffets de classe média. O gerente só fez o habitual. Estranho ali, só o etíope de 6 anos. O funcionário já foi afastado. Mas e o restaurante?

Um negro preso sem provas de crime algum. Mais que isso: com provas de sua inocência. E há mais de dois meses! Ora, um preto acusado de roubo? Quem duvida? Pra quê provas? E o Delegado que prendeu sem provas? E o Judiciário Brasileiro?

Vício é crime e não doença, portanto, polícia e não médicos. Pretos, pobres, moradores de rua são lixo, não gente. E os direitos humanos?

O PM “agressor racista” da USP foi afastado. Ele deve morar mal, vestir mal, comer mal, mas já foi corretamente punido. Mas e a Corporação? E o Governador? E o Estado?

Até quando o racismo terá condição coadjuvante para efeito da ação política dos movimentos populares, sindicatos e partidos de esquerda?

Até quando o racismo será apenas um traço e não característica, para efeito da análise de conjuntura e da elaboração de um projeto político e popular para o país?

As elites, os ricos e o Estado entendem isso muito bem. Nós não.

Ano novo, racismo de sempre! O Movimento Negro e Popular tem motivos para antecipar o carnaval, não acham?


Douglas Belchior

Professor de História e Sociologia da Rede Pública Estadual de SP
Membro do Conselho Geral da UNEafro-Brasil

Facebook: Douglas Belchior





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