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A bandeira do meu partido

O cordão humano formado para se defender da direita raivosa, representada por “bate-paus” fisicamente modificados em academias, precisa se repetir. Uma sociedade dita “democrática”, sem partidos mais parece ditadura.


Douglas Belchior*

Por ser um direito constitucional, é mais que legítimo a opção de se afiliar ou adotar uma preferência partidária. Por muitos anos, desde o início da minha fase adolescente até oito anos atrás, fui militante orgânico do PT. Hoje tenho preferência pelo Psol e não me sinto nem mais nem menos digno que qualquer outro com escolha diferente.

Incentivo meus alunos e amigos a se afiliarem em um partido que se aproxime das ideias que defendem (e, lógico, disputo essas ideias). Ao mesmo tempo defendo e até admiro aqueles que, legitimamente, optam por “tomarem partido” de não ter partido.

Reconheço que é cada vez mais difícil respeitar ou defender partidos políticos. A prática fisiológica, aliancista e acordista promovida nos últimos 10, 15 anos, desconfigurou o papel ideológico e de demarcação política que se espera dessas organizações. Isso, somado à prática sistemática da corrupção, tornou os partidos e a quem a eles se referencia, prévios vilões.

Ainda assim, apesar de todos os pesares – e são muitos mais e profundos que estes que relato aqui –, defendo os partidos. Uma sociedade dita “democrática”, sem partidos mais parece ditadura.

Quando uma minoria não pode se manifestar ou é impedida de se expressar – seja com palavras, seja com bandeiras – e é reprimida, hostilizada ou violentada por isso, mais parece ditadura.

Nesta quinta, dia 20 de junho, estive, uma vez mais, no protesto do Passe Livre na Capital de São Paulo. Foi triste perceber fascistas escondidos por trás das bandeiras e do hino nacional sendo apoiados pela massa festiva, como se na beira do gramado.

É extremamente preocupante que um movimento tão massivo e espalhado quanto esse tenha sido desvirtuado por grupos neonazistas, fascistas, nacionalistas, carecas do ABC, skinheads, grupos racistas, tudo isso com o apoio fundamental dos grandes canais de TV e emissoras de Rádio.

É terrível essa dúbia sensação de viver um momento ímpar de mobilização e, ao mesmo tempo, perceber o movimento sendo catalisado, cooptado e apropriado pelas forças políticas que mais desgraças causaram ao povo brasileiro nesses 513 anos.

Esses grupos, além de reprimir e agredir manifestantes partidários, rasgaram minha bandeira da UNEafro, um movimento social negro que nada tem a ver com partidos, mas que não deixa de ser um.

Estive ali e vi se unir à linha de contenção e enfrentamento ao bloco nazi-fascista, companheiros de militância e amigos de diversos grupos, partidos e movimentos diferentes. O cordão humano formado para se defender da direita raivosa, representada por “bate-paus” fisicamente modificados em academias, precisa se repetir.

E penso eu, às 2h da madrugada e ainda sob o efeito da adrenalina: esse é nosso desafio… Esquerda de todo o Brasil, uní-vos contra a direita, forte, presente e raivosa!

*Douglas Belchior é professor de História e integrante da UNEafro Brasil

https://www.facebook.com/brasildefato/posts/555268781187757

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17 de Junho de 2013 – O dia que o povo acordou!

 

Fui um só.
 
Ao lado de mais de 100 mil pessoas em SP.
Ao lado das quase 400 mil que tomaram as ruas em todo país…
Nesse histórico dia 17 de junho de 2013.
Ocupamos o Palácio do Governo de SP ou o Congresso Nacional? Não.
Derrubamos os governantes? Não.
E quanto à galera que foi pra rua? Todos conscientes, progressistas, de esquerda, povo trabalhador, pobres, nordestinos e negros? Não. Nem todos… ao contrário:
Enquanto vinhamos no contra-fluxo, percebíamos a galera lotando ônibus e trens no sentido de casa, para descansar assistindo novela ao lado da família, no “conforto” do lar…
Foi o Levante dos sonhos de todos que se dedicam à luta popular? De jeito nenhum!
Mas foi algo que eu duvidei que fosse viver pra ver: O povo na rua! Muita gente na rua! Em vários lugares ao mesmo tempo, protestando contra o mundo, contra as regras, contra o que parece normal.
E no que vai dar? Vai saber! Mas é certo que algo vai ficar… o gostinho da rua e dos gritos não se desfazem no ar…
E isso por si, é um avanço.
É o que tem pra hoje!
Seguimos!
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Estatuto da Juventude: Simbólico apenas?

Na última terça feira, dia 5 de agosto, a presidenta Dilma sancionou o Estatuto da Juventude. Na prática, essa Lei compila direitos dos jovens com idade entre 15 e 29 anos e reafirma os direitos já previstos nas áreas da educação, cultura, saúde e trabalho.

juvnetudeA aprovação do Estatuto é simbólica na medida em que há o reconhecimento por parte do estado de que a juventude precisa de um olhar mais e específico e cuidadoso. Mas o conteúdo do documento traz também controvérsias, sobretudo em relação ao direito a meia-entrada, limitada a 40% do total de ingressos disponíveis para eventos da iniciativa privada, condição que hoje é irrestrita.

Outro problema está relacionado a compra dos bilhetes que agora será condicionado a apresentação a carteirinha da UNE ou de alguma entidade filiada, o que significa por uma lado, dificultar o acesso de estudantes que optam pelo uso de comprovantes de matrículas – gratuitos na maioria das instituições de ensino e, por outro, prejudica entidades estudantis que hoje não estão filiadas a UNE, gerando assim uma espécie de monopólio das carteirinhas.

O projeto previa também o desconto de 50% nas passagens de ônibus interestaduais, mas a presidente vetou o artigo e garantiu apenas uma reserva de 4 vagas por ônibus, duas gratuitas e duas com 50% de desconto. Pouco!

Universalização do acesso á universidades públicas gratuitas e de gestão compartilhada entre acadêmicos, movimentos populares e comunidade, valorização da educação pública, fomento à cultura e a organização autônoma, combate à criminalização da juventude, democratização dos meios de comunicação, combate a opressão racista, machista e homofobica com políticas radicais de integração e garantia de acesso, educação dirigida e punição à violência dirigida a esses setores, em cada um desses pontos o Estatuto poderia ter sido mais contundente.

Não foi.

É o que tem pra hoje.