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Meios de Comunicação e Racismo

Blog NegroBelchior no programa Manos e Minas

Por Douglas Belchior

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A luta política proporciona encontros memoráveis e que duram para sempre!

Um deles foi com Max B.O, rapper e apresentador do programa Manos e Minas, na TV Cultura.

Além de valorizar a cultura hip-hop, periférica e afrobrasileira, Max B.O em seu programa fortalece o combate ao racismo, ao genocídio da juventude negra e às lutas por igualdade e justiça.

Foi bem loko!

Assiste aí e me diz o que achou, beleza?

Asè!

 

 

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Nazi-fascismo

Skinheads irão a Júri Popular em São Paulo

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Por Toddy Wander – Movimento Anarcopunk de SP

 

De 1º e 4 de julho será realizado o julgamento dos quatro skinheads que atacaram diversas pessoas durante um evento em repúdio à homofobia e ao racismo, no centro de São Paulo, em 26 de fevereiro de 2011. O julgamento será no Fórum Criminal Ministro Mário Guimarães (na avenida Dr. Abraão Ribeiro, Barra Funda, São Paulo).

O ataque ocorreu durante a Jornada Anti-Fascista, organizada desde o ano 2000 pelo Movimento Anarcopunk de São Paulo. O evento se dá em homenagem ao adestrador de cães Edson Neris da Silva, homossexual que foi espancado até a morte em 6 de fevereiro de 2000, na praça da República, centro de São Paulo.

“Eles nos vigiavam desde o início das atividades na Praça da República. Faziam saudações nazistas e ameaças em público”, contou uma testemunha.

Uma das vítimas é deficiente e não tem uma das pernas. Ele foi atacado a 500 metros antes do local do evento, na rua Anita Garibaldi, em frente ao Corpo de Bombeiros, na Praça da Sé.

“Eles gritavam: vamos arrancar a perna dele – referindo-se a prótese usada pela vítima – então fui atingido com um taco na cabeça e desmaiei. Acordei quando estava sendo atendido pelos bombeiros”. Disse a testemunha.

Ainda segundo ela, as pessoas gritavam: “Eles agrediram um rapaz na frente do Corpo de Bombeiros. Era clara a intenção de matar. Não só pelas armas que carregavam, mas também a forma como golpeavam. Eles contavam as vítimas e diziam: ‘menos um macaco’.”

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Um rapaz foi ferido de forma muito profunda no braço. Outro foi esfaqueado no abdômen, e a quarta vítima esfaqueada na cabeça –a faca atravessou o crânio e atingiu o cérebro.

 

Os skinheads foram presos com uma espingarda de chumbinho, munição, dois facões, uma faca, três canivetes, um soco inglês e uma machadinha.

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Uma das armas trazia um símbolo nazista e a inscrição “Impacto Hooligan”, um grupo neonazista envolvido em outros crimes e já conhecido pela polícia paulista por perseguirem negros, gays, imigrantes e nordestinos.

 

Jorge Gabriel Gonzales, Milton Gonçalves do Nascimento Júnior, na época com 20 anos, Raphael Luiz Dierings, de 18 e Rogério Moreira, de 23 foram presos em flagrante. Um adolescente, 17, foi encaminhado à Fundação Casa após confessar participação, e liberado depois de cumprir medidas sócio educativa.

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Um sexto acusado conseguiu a suspensão do processo. Ele tem envolvimento no atentado a bomba que feriu 21 pessoas após a Parada Gay de 2009. Todos os acusados, mesmos presos em flagrante por tentativa de homicídio, aguardam o julgamento em liberdade.

É triste ver a forma subjetiva com que o judiciário brasileiro trata protagonistas de crimes hediondos como esse. Além das agressões e das tentativas de homicídio, há também o crime de prática de nazismo, que pouca atenção vem despertando.

Segundo leis internacionais das quais o Brasil é signatário, em especial o Estatuto de Roma, bem como leis brasileiras a exemplo das nºs 7.716 e 2.889, crime de homicídio praticado com foco a perseguir um grupo específico de pessoas sistematicamente (por cor, raça, etnia, religião, orientação sexual ou condição social) devem ser severa e exemplarmente punidos.

É o que esperamos.

 

 

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Denúncia

Luciano Huck se envolve em polêmica sobre turismo sexual

Por Douglas Belchior

O apresentador Luciano Huck, da TV Globo, publicou em suas redes sociais nesta terça-feira, 24, a chamada a seguir, que foi interpretada por muitos de seus seguidores como um estímulo ao turismo sexual no Rio de Janeiro.

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Huck postou o mesmo texto em seu Facebook e conseguiu mais de 22 mil curtidas e quase 3 mil compartilhamentos, segundo o Blog do Julio Hungria, antes de ser retirado do ar algumas horas depois.

A grande crítica feita ao conteúdo dos posts é que ele vai na contramão dos esforços de governantes e organizações de direitos humanos, e Luciano Huck não parece preocupado em garantir o fim do turismo sexual no Brasil.

Um exemplo dessa postura que ignora esse tipo de ação pública se deu no caso da banana lançada no jogador Daniel Alves durante um jogo do Barcelona. Na ocasião, Huck aproveitou para ganhar dinheiro vendendo camisetas com a insígnia racista “#somostodosmacacos”.

Agora, não soa inocente o convite feito por ele às “solteiras”. Luciano Huck mais parece estar inaugurando um novo negócio como promotor público de turismo sexual.

Como resposta à pressão de movimentos sociais e de direitos humanos preocupados com a exploração do turismo sexual, especialmente no período da Copa do Mundo, a presidenta Dilma Rousseff usou seu perfil no Twitter para reafirmar que o Ministério do Turismo, a Secretaria de Política para as Mulheres e a Secretaria de Direitos Humanos estão firmes no combate à exploração sexual durante o evento.

 

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Uma questão que surge é que, como a chamada foi veiculada em um de seus sites institucionais, é preciso avaliar o grau de responsabilidade que a Rede Globo tem sobre esse tipo de conteúdo. Até por se tratar de um de seus principais expoentes.

Apesar das manifestações e do dito “aperto” dos governos às ações de promoção ao turismo sexual, não faltam exemplos de provocações e chamarizes públicos aos visitantes que vão muito além dos gramados e dos craques de cuecas.

Espera-se que os governos e suas autoridades se manifestem e cobrem responsabilidades. A omissão neste caso reforça a ideia de mais um lamentável legado da Copa: a tolerância e a conivência ao turismo sexual e à violência contra as mulheres.

 

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Copa do mundo racismo

Brasil: o país da Copa e do racismo

Pais Racismo

 

 

Por Douglas Belchior

 

Mais da metade dos homicídios no Brasil (53%) atinge pessoas jovens, sendo que, deste grupo, mais de 75% são jovens negros, de baixa escolaridade, em sua grande maioria homens (91%) e com maior incidência na faixa etária entre 20 e 25 anos.

De cada 10 mortos pela polícia, 7 são negros; 73% dos mais pobres do são negros; 69,4% dos analfabetos são negros; 62% das crianças fora da escola são negras; Em média, a renda de negros é 40% menor que a de brancos…

Se hoje o Brasil é uma das maiores economias mundiais a ponto de se dar o direito de sediar uma copa do mundo de futebol, é preciso dizer também que é um dos países com uma das maiores concentrações de riqueza nas mãos de poucos e com uma das maiores desigualdades sociais do mundo.

E precisa dizer que povo é mais vitimado por essas mazelas?

O Vídeo do coletivo BRADO, publicado pelo site do Geledés, diz tudo.

 

 

 

 

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Copa do mundo

Copa do Mundo: O que ficará na memória?

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A COPA e a construção da memória coletiva

 

 

Final da Copa de 50, quando o negro Barbosa levou a culpa, onde você estava?

Onde você estava no dia 1 de abril de 1964, noite do golpe militar?

Onde você estava no dia do tri mundial em 1970?

Onde você estava nos famosos comícios da Diretas Já!? E no dia do cortejo e sepultamento de Tancredo Neves?

E nas eliminações das Copas de 82 e 86? E no segundo turno da eleição Collor x Lula de 1989?

Onde você estava no Fora Collor em 1992? E no dia do massacre do Carandiru?

Onde você estava em 98, no dia da convulsão do Fenômeno, quando Zidane reinou?

E na morte do Ayrton Senna? E no Tetra?

Onde você estava no dia da queda das torres gêmeas em 2001? E no “mergulho” de Bin Laden? E no enforcamento de Sadan?

Onde você estava no dia da posse do operário que venceu o medo? Venceu?

Onde você estava em maio de 2006, nos dias dos crimes de maio, quando a PM sangrou o peito de mais de 400 mães, fato que a mídia chamou “Ataques do PCC”.

E em 2002, quando Ronaldo tocou o piano que Rivaldo carregou, onde você estava?

Junho de 2013, milhares e depois, milhões nas ruas. Onde você estava?

E na estréia do Brasil na Copa do Mundo no Brasil? E no mês da Copa no Brasil? E no dia da final, onde você estará?

Este será um dia, um mês, um ano a ser lembrado. E para sempre!

Sempre acreditei que nós trabalhadores, o povo oprimido, o povo negro devemos tomar as rédeas de nossa vida e construir nossa própria história. Para isso é necessário também construir nossa memória ou mais: decidir nossa memória!

Sei bem o que quero lembrar, que memória quero construir. Sei que história quero contar para meus filhos.

Eu, que como meu povo, amo o futebol, estarei entre os que protestam e lutam pelo óbvio: comer, dormir, vestir e morar com dignidade. Estarei entre os irresponsáveis que exigem ver tratadas essas demandas com a mesma importância e emergência com que está sendo realizada a Copa do Mundo no Brasil.

Por fim, estarei em luta porque, como cantou Raul, “Eu é que não me sento no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar…”

 

*Texto coletivo de mesa de bar na madrugada de 12 de Junho de 2014.

 

Douglas Belchior
Jorge Américo
Tomaz Amorim
Jessica Cerqueira
Clayton Belchior
Alif Belchior
Carlos Manauara
Vanessa Nascimento
Wellington Fernandes
Aline Guarizo
Markinho Ginga
Jaqueline Ramos

 

 

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Cultura racismo

Pessoas e índios, coisas diferentes

 

De Douglas Belchior

 

No Brasil, futebol, seleção e copa do mundo têm sido importantes como elementos e momentos de afirmação da nação brasileira, do patriotismo tupiniquim e principalmente da reafirmação do que somos enquanto povo.

É importante refletir sobre o que leva um país de maioria negra e de raízes indígenas como o Brasil preferir a representação da apresentadora gaúcha Fernanda Lima e do ator catarinense Rodrigo Hilbert, ao invés da dupla de atores negros Camila Pitanga e Lázaro Ramos, como rostos oficiais diante do planeta bola.

Me refiro a essa emblemática troca, apenas como um dos inúmeros exemplos que temos de como o racismo e a mentalidade eurocêntrica dita as regras no país da democracia racial.

 

O trabalho de Lorena Maria e Silva, pesquisadora e produtora da TV Senado ilustra a dolorosa realidade racista que vivemos.

 

Vale a pena ler cada palavra e assistir o último episódio da série “Brasil no Olhar dos Viajantes”.

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Por Lorena Maria e Silva

 

Há dois anos trabalho com o diretor João Carlos Fontoura na pesquisa da série Brasil no Olhar dos Viajantes. Trata-se de uma produção da TV Senado sobre os relatos que os estrangeiros fizeram do Brasil desde o descobrimento até as grandes expedições do século XIX. Pois bem, percebi que essa série é muito mais atual do que podíamos imaginar.  Desde que comecei a pesquisar os textos dos viajantes fui descobrindo termos, expressões e ideias que estão aí, muito presentes nas nossas recentes discussões.

 

A repercussão das manifestações em Brasília, em que os índios foram hostilizados e novas cenas de violência se repetiram na rua, só corroboraram essa percepção.  A manchete da Globo News trazia “Uma pessoa foi presa e um índio foi apreendido”.  Pessoas e índios … Parece bobo, mas a nossa relação com os índios passa por uma discriminação explícita, que o considera como algo mais próximo de um selvagem do que de um cidadão que deveria ter seus direitos respeitados. A mesma coisa com os negros. Os comentários sobre a aprovação das cotas para negros em cargos públicos são inacreditáveis. Não falo daqueles que argumentam sobre outras possibilidades para o acesso do negro às universidades e ao mercado de trabalho. Falo daqueles que acham um privilégio esse tipo de política pública, como se a nossa história tivesse sido muito justa com os negros.

 

Bem, depois desse meu desabafo, compartilho os trechos que achei nos livros. Se essa série pode contribuir em alguma coisa para as discussões atuais, acredito que seja revelando o quanto a nossa opinião sobre determinados assuntos é uma visão importada.  Ou, pelo menos, foi alimentada anos e anos por pessoas que tinham uma concepção eurocêntrica, discriminatória e que nos viam desde o princípio como “inferiores, incivilizados, bárbaros…”, como disse a professora Mariza Veloso em seu depoimento.

 

 

Séculos XVII e XVIII

 

01)   “Os pobres selvagens, asseguro-vos, manifestaram uma alegria indescritível com a nossa presença. É um povo já completamente seduzido e conquistado, um povo aberto à verdade e que nos ama e admira infinitamente, a ponto de chamar-nos de profetas de Deus e Tupã.”

 

Relato do francês Claude D’abbeville, intitulado Chegada dos padres capuchinhos na Índia Nova, denominada Maranhão – 1612

 

02)   O Brasil, a bem da verdade, não passa de um refúgio de ladrões e assassinos – não se nota, no país, qualquer subordinação, qualquer obediência.”

 

03)   “Os costumes nesse país são corrompidos e os homens não ruborizam por nadaAs mulheres não são menos debochadas e, publicamente, vivem de maneira completamente desregrada. Os religiosos e padres seculares, além de ignorantes as extremo, mantêm relações públicas com as mulheres ….”

Relatos do francês Le Gentil la Barbinais em sua passagem pela Baía de Todos os Santos em 1717.

 

04)   “Desconhecem, igualmente, qualquer tipo de matrimônio, sendo a lascívia comum entre eles, sobretudo por parte das mulheres, que são além da medida apreciadoras da luxúria. Pode-se ter quantas mulheres se quiser e manter com elas relações carnais independentemente do parentesco, em público e sem qualquer pudor, como verdadeiros animais selvagens”.

 

05)   Os portugueses, conhecidos pela sua avareza, têm o costume, quando um navio entra no porto, de triplicar o preço dos artigos nos seus mercados, da laranja à pipa de vinho”.

 

Relatos do francês François Pyrard de Laval em sua passagem pela Baía de Todos os Santos em 1717.

 

06)    “A gente rica (…) nunca anda a pé. Empenhados sempre em encontrar meios para se distinguirem dos homens tanto do resto da América como da Europa, os habitantes daqui têm vergonha de utilizar as pernas que a natureza lhes deu para caminharem. Em geral, deixam-se molemente carregar numa espécie de cama feita de tecido de algodão, suspensa, de ambos os lados, por um grande bastão, que dois negros levam sobre a cabeça ou sobre os ombros”.

 

07)   “Pelas ruas só se veem as figuras hediondas dos negros e das negras, escravos que a languidez e avareza, muito mais que a necessidade, transplantaram da costa da África para servir à magnificência dos ricos.” 

Relatos do francês François Frezier em sua passagem pela Baía de Todos os Santos em 1714.

 

 

Século XIX

 

 

08)   “A tendência geral produzida pela escravidão, examinada nos diversos pontos de vista, é despertar todas as más qualidades em quem administra e em quem é administrado por esse sistema. Por esse sistema o governo permite a desmoralização de seu povoe que as propriedades dos vassalos sejam dirigidas de maneira desvantajosa.”

Relato do viajante Henry Koster no livro Viagens ao Nordeste do Brasil (1817).

 

09)   “… faltam os elementos para grandes progressos; uma população rarefeita, disseminada por imensa superfície, abandonada a si própria, enervada por um clima tórrido, sem emulação, quase sem necessidades, não modifica coisa alguma, não quer e não sabe mudar nada”.

 

10)   “Ali, não é o calor excessivo que leva os homens à preguiça; eles são indolentes porque necessitam de pouca coisa para viver, não conhecem o luxo e tanto a fecundidade do solo como a doçura do clima não os obriga a despender grandes esforços”.

Relatos do naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire em sua viagem por Minas Gerais e Goiás no ano de 1819.

 

11)   “É de se obervar que […] as leis sobre a escravidão, de origem remotíssima aliás, transmitiram de geração em geração uma série de privilégios e castigos que se encontram hoje quase sem alteração no Brasil, parte mais moderna do Novo Mundo”

 

12)   “… depois de amarradas as mãos sentou-se sobre os calcanhares, passando as pernas entre os braços de modo a permitir ao feitor que enfiasse uma vara entre os joelhos […] em seguida, facilmente derrubada com pontapé, a vítima conserva posição de imobilidade que permite ao feitor saciar sua cólera.”

 

Relato do francês Jean-Baptiste Debret em Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil, publicado entre os anos de 1834 e 1839.

 

13)   “O maior serviço que o rei poderia prestar aos súditos, no Brasil, seria a distribuição de médicos e cirurgiões competentes pelos diferentes pontos do país, e o estabelecimento de boas escolas, a fim de, gradualmente, dissipar a rude ignorância e cega supertição…”

 

Relato do alemão Maximilian de Wied-Neuwied publicado em 1820 no livro Viagem ao Brasil nos anos de 1815 a 1817

 

14)   “O barulho e a alegria desenfreada de muitos negros reunidos imprimem a essa festa popular um cunho especial, esquisito, de que somente podem fazer ideia aqueles que tiveram ocasião de observar diversas raças humanas em promiscuidade”.

 

Relatos dos naturalistas alemães Baptiste von Spix e Carl Friedrich Phillipp von Martius publicados na obra Viagem pelo Brasil, entre os anos de 1817 e 1820

 

 15)   “Nunca é muito agradável submeter-se à insolência de homens de escritório, mas aos brasileiros, que são tão desprezíveis mentalmente quanto são miseráveis as suas pessoas, é quase intolerável! Contudo, a perspectiva de florestas selvagens zeladas por lindas aves, macacos e preguiças, lagos, roedores e oligatores fará um naturalista lamber o pó até da sola dos pés de um brasileiro.”

 

Relatos do inglês Charles Darwin no livro pesquisas sobre a geologia e a história natural nos vários países visitados pelo H.M.S. Beagle, 1832-1836

 

16) “Ela apresenta o singular fenômeno duma raça superior recebendo o cunho duma raça inferior, duma classe civilizada adotando os hábitos e rebaixando-se ao nível dos selvagens. Nas povoações do Solimões, as pessoas que são consideradas como da aristocracia local, a aristocracia branca, exploram a ignorância do índio, ludibriam-no e embrutecem-no, mas tomam não obstante os seus hábitos e, como ele, sentam-se no chão e comem com as mãos”.

 

17)  “Esse cuidado em excluir os escravos dos trabalhos públicos revela uma tendência para a emancipação. Inspira-se na ideia de limitar pouco a pouco o trabalho servil às ocupações agrícolas, afastando os escravos das grandes cidades e suas vizinhanças”.

 

Relatos do suíço Louis Agassiz no livro Viagem ao Brasil publicado em 1867

 

 

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educação

Um moleque, a biqueira e suas referências

 

 

De Douglas Belchior

 

Imagine voltar, da missa, do culto, de uma viagem, de uma visita à rua de baixo e, ao chegar em casa, encontrar o cadeado do portão estourado, a porta de sua cozinha arrombada e a casa “limpa”. Levaram televisão, celulares, câmera fotográfica, equipamento de som, computador, algumas roupas e até a batedeira. O que você faria?

 

Chamaria a polícia?

 

Imagine seu filho doente. Foi difícil encontrar um hospital que o atendesse e quando aconteceu, veio a receita do remédio: caríssimo. No posto de saúde do bairro não tem. Tua família até tinha um “crédito” com seu João da Farmácia, mas ele fechou o estabelecimento há anos, depois que as grandes redes de drogarias ocuparam a quebrada. Quem você procura?

 

O político do bairro? A assistência social da prefeitura?

 

As respostas para essas duas provocações podem ter a ver com a realidade social que se vive.

 

O Estado, a polícia e os políticos existem. Mas para quê? E para quem? E qual o resultado de seus papéis na vida real das pessoas?

 

O texto lindo e forte de Miguel Jerônimo, do blog “aquele barraco” me fez pensar nisso. Vale a pena ler.

 

 

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De Miguel Jerônimo, do blog Aquele Barraco

 

“Uma vez no Grajaú, da janela da minha casa, crianças brincavam de polícia e ladrão, só que na divisão dos times, ninguém queria ser coxinha, pois ninguém queria ser vilão, herói é quem protege e não quem reprime!”

 

Fui uma criança com uma infância conturbada, crescer sem pai, morar com uma biqueira na sua porta, o tempo todo ver pessoas correndo para lá e para cá, horas porque a polícia estava chegando, outras por que tinham tretas na rua, mortes a cada semana, foi realmente triste tudo isso. Só que por ser novo demais eu não percebia, para mim tudo não passava de uma grande brincadeira.

 

Pela fresta do portão, eu via o que o mundo tinha para me oferecer: Drogas, dinheiro, mulher e respeito. Era isso que eu almejava, uma vida de “patrão” fácil e rápida, sem tirar nem por queria ser bandido! Mas não qualquer bandido, eram aqueles da minha vila que eu sonhava ser, exatamente eles. Achava incrível o modo de vida que levavam.

 

De repente, aqueles que para mim eram intocáveis começaram a morrer, desaparecer, suas mães ficavam cada dia mais tristes, choravam, os corpos dos que foram um dia onipotentes, eram envoltos a panos brancos manchados de sangue e ficavam amostra para todos verem. Talvez a polícia deixava o corpo lá para todos terem como exemplo que aquela vida não era o exemplo a ser seguido.

 

Era um panorama constante na minha vida, não me abalava mais, foi doloroso ver aquela cena pelo menos duas ou três vezes no mês, mas a vida tinha que seguir – se eu fechar os olhos, consigo visualizar certos momentos – Já não queria mais ser como eles, passei a ter respeito, por tudo que sempre fizeram pela comunidade e principalmente pela minha mãe.

 

Aos 3 meses ou 3 anos de idade, quando minha irmã e eu tivemos catapora, e o quadro se agravou (graças a uma vizinha que me deu coisas que eu não podia consumir), minha mãe correu para todos os hospitais possíveis pedindo por uma assistência médica, mas eles brevemente respondiam: -Sem dinheiro, sem remédios. Já sem ter para onde ir, desabafava a cada pessoa próxima, mas também ninguém podia ajudar, afinal ali eram todos iguais sem um tostão furado no bolso. Até que certo dia naquela semana um cara chamado Erismar (um traficante lá da vila), ficou sabendo que minha velha precisava de ajuda financeira para comprar os tais remédios, ele deu todo suporte que minha mãe carecia, salvou minha vida! Logo depois quando minha velha foi pagar, ele não aceitou e falou para ela cuidar e não permitir que a gente entrasse no crime.

 

Minha mãe pouco permitiu que eu brincasse na rua. Soltar pipa, jogar bola, bolinha de gude, era algo quase que raro, também nunca deixou que eu fechasse os olhos pro mundo. Ao mesmo tempo que era grata aos caras lá da área, sabia que não podia confiar 100% neles. Tinha plena consciência que temer a polícia era a melhor opção, porém talvez precisasse dos mesmos algum dia. Boa parte das crianças que nasceram na mesma época que eu entraram pro crime, uns foram mortos, outros presos, os que foram soltos voltaram pro veneno, a maioria viciados em drogas.

 

Agradeço todos os dias por não ser mais um, e lutar diariamente contra as estatísticas.