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Just how to Produce A Questionnaire for Study

Are Kinds Of Preparation Support the Exact Same? You will find different categories of individuals who require research aid determined by their grades. Let us suppose a guardian has four individuals to assist. Grasp Six:The scholar in preparation, or his first-year in faculty, must-read each night and learn a few high-frequency terms. Miss Nine:She must do punctuation exams and has time-tables that are weekly. The parent must inquire the little one knowledge issues about her daily readings. Master 11: The scholar has several regular responsibilities, a number of which he desires support working-out. In addition to preparing schedules and offering punctuation responsibilities, the guardian must consult relevant awareness questions about his nightly reading.

The crew gets a free treat coupon which can be used to the closing evening.

Master 13:Although this pupil does nearly all of his groundwork he nonetheless wants some help. The parent proofread his essays and will have to guide him. Just how to Offer Homework Parents should figure out how to pay consideration that is less on the contents in their homework that is childrens but instead target more on the procedures the youngsters must follow to accomplish their duties effectively. If a guardian is helping her kid make a dialog, she must examine the reasonable structure a speech must-follow, like the launch, reasons about the realization as well as the anxious theme. Parents must help their kids create their own tips. They need to give them instead of advising suggestions the kids must use on which to create their suggestions, the foundation. The preparation must remain the kids without the guardian getting around it. Determine When to Help Who Continuing using the instance of the parent with four students, all-the children will be needing some aid on any night.

Then, she gets along with her time and puts away the kleenex.

Before concentrating on their older siblings, the guardian must preferably enable younger children first. When they need to aid the teenagers before the newer ones get to sleep, then it will merely matter an instant query. The little one in cooking tends to get tired early, that makes it finish and harder for him to comprehend his activity. He should be aided first. The guardian must also plan some faculty vacation pursuits in Sydney in the morning hours. Who among the children will rise earlier? Allow the parent set some time aside to aid the child in the morning.

Laminating the last project remains advisable to include a professional contact..

Time obtained jogging kids to university must also not go to waste. It may give a great chance to help the 6-year-old training inclusion sums that are not element of his research. The guardian could also request the 11 -yearold about time tables and his spelling. Taking Advantage of Technology While such things as video games, tv, Wii and iTouch might disturb learning routines, parents may use them purposefully to help with research and provide them closer to their kids. Educational games will help preserve the people that are tiny chaotic when parents remain assisting their older siblings. The at http://essay-writing-services.co.uk/ older people could also play acceptable activities when the parents focus on their newer competitors. You will find programs and various plans that their youngsters employ can be let by parents, including Mathletics WordShark, Activity Q, Montessori Hundred Panel, InQuizitor Instances Platforms Free, Buddies of Five, This Weeks Terms and Simplex Phonics. The children must enjoy for quick intervals, preferably not more than 1 / 4 of an hour. They should observe against allowing the kids become reliant when they aid their kids with groundwork though parents perform a great position. They need to lay out ground rules to aid their research is owned by the kids.

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Escrita da história

Sobre o poder da Consciência Negra

Por Douglas Belchior

Tenho a grande honra de ter construído nesses anos de luta social, amizades com muitas pessoas que admiro, que são espelho e inspiração para seguir lutando.

Um desses é o consagrado cartunista e ativista de esquerda Carlos Latuff

Sua arte, sempre a serviço das lutas sociais, sintetizam sentimentos e reivindicações dos movimentos e dos seguimentos historicamente oprimidos.

Em uma de nossas conversas, falávamos sobre a questão da tomada da consciência negra, sobre o que seria essa tal consciência. Avançamos madrugada a dentro refletindo sobre a dificuldade da tomada da consciência da própria classe trabalhadora e quanto podem estar – e de fato estão – entrelaçadas, no caso brasileiro, os elementos de classe, raça e gênero também.

E eis que ao raiar do sol, surge o resultado de sua inspiração.

Genial como sempre, mesmo sem precisar de nenhuma palavra a mais, me inspirou os versos que publico aqui, neste 20 de novembro de 2014

Dia da Consciencia Negra (1)

Sobre o poder da Consciência Negra

Rei, Rainha, África
Sequestrado, morri travessia
Sequestrada, sobrevivi travessia
388 anos, escravidão, corpo, jamais dobrei joelhos da mente
Muitas vezes libertava corpo

Na colônia
No império
Rebeliões, insurreições, levantes
Filho ventre, sangue mãos
Liderança, bucha, canhão

Quilombo, quilombagem, quilombismo eternizei
Estuprada, envenenei
Açoitado, levantei, teimei recusar calvário
Abolicionista, época, revolucionário

Abolição, no papel lição, continuado padrão
República, democracia, direitos, cidadania
Vagabundo, capoeira, vadiagem, camburão
Batuque, vela vermelha, preconceito, desemprego,
Letras? Entende palavra não!

Gravadora, rádio, televisão, dinheiro, só gente boa
Cadeia, cemitério, cota pra gente a toa
Desigualdade pecado? Mas Deus – que é branco – perdoa!

Mas
Resisti e estou aqui
Zumbi, Dandara, Acotirene, Aqualtune
Descobri razão
Força ancestral que reúne
A consciência negra que torna imune
A força da opressão

 

 

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educação racismo

Consciência negra e racismo: Educação é a saída

A história do Brasil é uma história de Genocídios:

O Genocídio das populações originárias, renomeada indígena. Estima-se que os portugueses encontraram nestas terras mais de 1.000 povos que perfaziam de dois a seis milhões de pessoas.

O Genocídio negro, através de um regime de escravidão que durou 388 anos e que custou o sequestro e o assassinato de cerca de 7 milhões de seres humanos africanos e outros tantos milhões de seus descendentes.

O Genocídio negro e o  indígena continuam, caracterizados hoje pela ação do Estado e de seus governos através da violência dirigida às poucas comunidades indígenas e quilombolas e ao povo negro das cidades, ambos barbaramente vitimados pela ação policial, bem como pela negação de direitos sociais e de oportunidades, cristalizadas a partir da abolição da escravidão.

É preciso admitir: Temos no currículo, infelizmente, um dos maiores crimes de lesa-humanidade já vistos.

20 de Novembro é o Dia Nacional da Consciência Negra. É o momento de celebrar a memória Zumbi dos Palmares e Dandara, herói e heroína do povo brasileiro. Mas acima de tudo é um dia de reflexão e busca de novas formas para enfrentar a triste herança de tanta violência e opressão: o racismo.

Nesta semana de 20 de Novembro, é preciso destacar e reafirmar a atuação que escolhemos e acreditamos ser a mais eficiente maneira de combater o racismo e tudo que cerca e alimenta na mentalidade coletiva a naturalização da violência e as injustiças dirigidas ao povo negro brasileiro: a Educação Popular.

Os Cursinhos Comunitários da UNEafro-Brasil, organizados em 42 Núcleos de Base em bairros de periferias de São Paulo (a maioria), mas também em Duque de Caxias (RJ), em Salvador (BA) e no Pará (Altamira), se propõe ao mesmo tempo, oferecer um serviço de reforço escolar e preparação para vestibulares e para o ENEM e trabalhar também conteúdos que visam o aguçamento da capacidade crítica dos estudantes e seu possível engajamento nas causas populares de enfrentamento ao racismo, ao machismo, à homofobia e a todos as formas de opressão e injustiças.

Você pode colaborar com esse trabalho 

Inscreva-se nos Cursinhos da Uneafro-Brasil

Nesse 20 de Novembro, dia Nacional da Consciência Negra, nossa celebração é reafirmar o que fazemos todos os dias do ano e há muitos: A busca por uma nova mentalidade, através da educação.

E feliz dia da Consciência Negra para todos nós!

“Hoje vejo 500 anos passando na frente dos meus olhos

Sinto arrepios pelo corpo, suor e sangue a escorrer

Arde as costas, cicatrizes que nunca vi mas sempre senti

O corpo balança… involuntário, como em dança ao som de um batuque…

O sorriso ainda está, apesar da dor

E há vida, há esperança e amor

Hoje, acompanhado por milhões

Sou fruto da história da minha cor.

E Zumbi vive em mim.

Em nós!”

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racismo

20 de Novembro dia de Zumbi, de Dandara e de marchar pela vida

Por Douglas Belchior

A comunidade negra e todos aqueles e aquelas que sonham e lutam por um Brasil sem racismo tomarão as ruas em todo o país nesta quinta feira, dia 20 de novembro, em celebração ao Dia Nacional da Consciência Negra. Em São Paulo a mobilização terá concentração à partir das 11h00 da manhã, no Vão Livre do Masp, na avenida Paulista. A saída em marcha está prevista para as 15h00.

Leia abaixo o Manifesto das organizações do Movimento Negro de São Paulo e entenda as reivindicações:

 

 

20 de novembro dia da consciencia negra

MANIFESTO DE 20 DE NOVEMBRO DE 2014

 

Neste 20 de novembro de 2014, entidades do movimento negro e ativistas anti-racistas saem as ruas para celebrar, pelo 11º. Ano, a luta de Zumbi e de todos os quilombolas. Passados mais de 126 anos da abolição inconclusa, negros e negras brasileiros enfrentam ainda obstáculos de natureza estrutural para conquistar sua plena igualdade. 

Ainda que nos últimos anos conquistássemos algumas importantes políticas públicas de inclusão racial, como as cotas nas universidades e nos concursos públicos, a Lei 10639/03, a instituição de ministério, secretarias e conselhos em âmbito federal, estadual e municipal para elaboração de políticas de igualdade racial, o racismo continua impregnado na sociedade brasileira. 

O racismo expressa-se: 

– pelo genocídio da juventude negra demonstrado com o crescimento de homicídios de jovens negros e negras, a maioria cometido por forças policiais. 

– pelas ações de intervenção urbana que isolam as periferias das grandes cidades, condenando a maioria negra a viver em condições precárias. 

– pela pouca presença de negros e negras e da agenda anti-racista nos espaços institucionais do Executivo, Legislativo e Judiciário. 

– pela recusa das universidades estaduais paulistas, USP e Unicamp a implantarem sistemas de cotas. 

– pela invisibilidade de negros e, principalmente, da agenda anti-racista nos meios de comunicação de massa, sem contar a visão distorcida e preconceituosa em que personagens negros e negras são retratados nos produtos midiáticos. Se 

– pela insuficiência de recursos dos orçamentos públicos para os órgãos de combate ao racismo, pela não implantação de legislações já aprovadas de combate ao racismo, bem como as políticas de inclusão racial. 

Entendemos que as causas deste racismo são estruturais. Todos os indicadores socioeconômicos demonstram que as pirâmides sociais e raciais coincidem, com brancos no topo, negros e negras na base. Em momentos de crise e estagnação econômicas, a população negra é a principal atingida. Para tanto, são necessárias reformas profundas que levem a constituição de outro modelo de sociedade, cujas instituições estejam organizadas de forma a atender as demandas da maioria da população que é negra. Diante disto, a agenda da 11ª. Marcha da Consciência Negra defende sete eixos: 

1 – REFORMA POLÍTICA. É fundamental impedir que o Poder Econômico continue interferindo sem qualquer controle nos pleitos eleitorais e na condução das instituições governamentais. É urgente uma reforma política que implante o financiamento exclusivamente público das campanhas eleitorais, combate tenaz aos “caixas dois” das campanhas, e que criem sistemas de participação direta da população na tomada de decisões e mecanismos que garantam uma maior presença de candidaturas negras nos partidos políticos com condições reais de elegebilidade. A presença das doações privadas nas campanhas tem criado uma “privatização da política” gerando uma situação favorável para relações promíscuas entre Estado e iniciativa privada, desrespeitando o princípio básico da democracia que é um governo do povo e para o povo. Plebiscito realizado em setembro por movimentos sociais demonstraram que quase 8 milhões de cidadãos defendem a reforma política. 

2 – REFORMA DA MÍDIA. É urgente a aprovação do Projeto de Lei de Iniciativa Popular da Democratização da Mídia que estabelece mecanismos de impedimento do monopólio dos meios de comunicação e de controle social da comunicação. Não é possível uma democracia existir em uma sociedade em que onze famílias controlam os fluxos de informação e a produção de entretenimento, com predominância de uma empresa, a Globo. O poder da mídia constrange governos eleitos democraticamente, atua na deformação da opinião popular sobre a participação política, invisibiliza negras e negros e a agenda antirracismo, impõe as agendas do grande Capital e tem a intenção de transformar a sociedade em massa de consumidores e não cidadãos. A invisibilidade de negros e negras e da agenda anti-racista é uma das consequências do monopólio midiático. 

3 – PELA DESMILITARIZAÇÃO DA POLÍCIA, PELO FIM DOS AUTOS DE RESISTÊNCIA E CONTRA A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL. As periferias ainda vivem em verdadeiros “estados de sítio”, com execuções extrajudiciais, prisões arbitrárias e invasões de domicílios sem mandados. A concepção militar das forças policiais criam um caldo de cultura favorável para tratar a população como inimiga. Os critérios raciais são aplicados na definição de suspeitos e no trato mais violento por parte dos policiais. É urgente que a polícia se desmilitarize e se torne uma força civil com mecanismos de controle social. Também é necessário acabar com o instrumento dos autos de resistência que encobrem assassinatos cometidos por policiais. Também o movimento negro é contrário a proposta de redução da maioridade penal que virou bandeira de campanha dos setores mais reacionários da sociedade. Defendemos a plena aplicação do Estatuto da Criança e Adolescente para garantir as crianças, adolescentes e jovens o pleno respeito aos seus direitos. 

4 – PELA DESTINAÇÃO DE MAIS RECURSOS PARA AS POLÍTICAS DE INCLUSÃO RACIAL. Os órgãos específicos de combate ao racismo sofrem de falta de recursos. Muitas das políticas de inclusão racial aprovadas nos últimos anos tem dificuldade de serem aplicadas por isto. O orçamento da Seppir (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) de 2013 é equivalente a R$0,60 por negro e negra brasileiro. Diante disto, defendemos a criação de Fundos de Políticas de Inclusão Racial com verbas vinculadas no orçamento federal, estadual e municipal cujas aplicações serão de acordo com os planos aprovados nas conferências participativas e controlados pelos conselhos com participação do movimento negro. 

5 – IMPLANTAÇÃO DAS LEIS ANTIRRACISMO E DE PROMOÇÃO DA POPULAÇÃO NEGRA – tem se tornado comum a inobservância de decretos presidenciais, leis e direitos constitucionais no campo antirracismo e de promoção da população negra, por isso exigimos a implantação das leis federais e aprovação de estaduais correlatas: que tipifica e estabelece pena aos crimes de racismo (Lei 7.716/89 – Lei Caó), que obriga o ensino da história da África e dos afrodescendentes nas escolas (Lei 10.639/03), que institui o Estatuto da Igualdade Racial (Lei 12.288/10), que estabelece cotas nas universidades públicas federais (Lei 12.711/12), que estabelece 20% das vagas dos concurso para o serviço públicos para negras e negros (Lei 12.990/14), que estabelece direitos trabalhistas as empregadas domésticas (PEC 72), que oficializa o Hino à Negritude (Lei 12.981/14), que estabelece procedimentos para titulação de terras quilombolas (Decreto. 4887/2003), dentre outras. 

6 – PELO DIREITO DE EXPRESSÃO DAS RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA. O racismo se expressa pela perseguição sistemática as religiões de matriz africana. Casas de candomblé e terreiros de umbanda são freqüentemente atacados por grupos fanáticos, seguidores destas religiões são perseguidos, inclusive nas escolas públicas. Isto coloca em risco a noção de Estado laico e de direito a expressão religiosa. 

7 – CONTRA O MACHISMO E O FEMINICÍDIO E A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NEGRA – Os dados do relatório do Ministério do Desenvolvimento Social de 2011 mostram das famílias cadastradas no Cadastro Único (que possibilita o recebimento do Bolsa Família), 90,3% são chefiadas por mulheres e 9,7% por homens. Entre os beneficiários do Bolsa Família, 93,1% tem a mulher como principal responsável. Dos responsáveis pelas famílias beneficiadas, 69% são negros e 30% brancos. O perfil dos jovens que nunca vão a escola: 59,87% são negros e oriundos de família chefiadas por mulheres negras. Perfil semelhante se observa nos jovens assassinados nas periferias das cidades brasileiras. Tudo isto aponta que a violência contra a mulher negra expressa nestes dados e outros mecanismos, como o feminicídio, a mortalidade materna, a violência doméstica, entre outros, retroalimenta a cadeia do racismo. Por isto, a luta pela equidade e empoderamento da mulher negra é tarefa central para a democratização efetiva da sociedade brasileira. 

Estes sete pontos sintetizam a estratégia política do movimento negro, apontando para a necessidade de mudanças estruturais para que o combate ao racismo dê um salto de qualidade. 

 

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Religião

“Os racistas não entram no Reino dos Céus”, diz pastor

Por Douglas Belchior

 

Há alguns anos eu participava de uma das inúmeras e intermináveis reuniões de preparação da Marcha da Consciência Negra de 20 de Novembro, quando um homem negro, alto, barbudo e com um vozeirão potente pede a palavra para falar sobre a importância de, em um espaço amplamente dominado por representações das religiões de matriz africana, haver também espaço para os evangélicos. Foi incrível! Evangélicos pentecostais em meio ao movimento negro brasileiro? Mas os pentecostais não são reacionários e alguns até mesmo racistas em suas práticas religiosas? Não! Aliás, aprendi isso com ele, neopentecostais reprodutores de valores reacionários, machistas, homofóbicos e racistas são minorias barulhentas.

Esse homem era o Pastor Marco David, autor do livro “A religião mais negra do Brasil“, onde expõe os motivos que levaram 8 milhões de negros a preferirem as religiões pentecostais no Brasil. Essa semana ele organiza a Conferência Nacional Negritude e Evangélicos: Reflexão, Resistência e Engajamento, no Rio de Janeiro, com participação especial do Reverendo John Perkins. Abaixo um registro do portal Ultimato, que entrevistou o religoso.

Vale a leitura:

 

 

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De Ultimato

As palavras são duras, nascidas de um pastor batista negro que enfrenta as barreiras do preconceito no Brasil. Marco Davi é pastor da Igreja Batista em Parque Dorotéia, São Paulo, mestre em Ciências da Religião e coordenador-fundador da ANNEB (Aliança de Negras e Negros Evangélicos do Brasil). Na entrevista a seguir, Davi fala sobre a luta por uma “reconciliação racial” e sobre a Conferência Nacional Negritude & Evangélicos que começa nesta quinta-feira, dia 13, e termina no sábado, dia 15, no Rio de Janeiro (RJ).

Portal Ultimato – Qual o objetivo da Conferência Nacional Negritude e & Evangélicos?

Marco Davi – Temos como objetivo consolidar o Movimento Negro Evangélico enquanto organismo agregador de todos os movimentos e iniciativas evangélicas de negritude. Para isto, precisamos tornar realidade o objetivo do Movimento Negro Evangélico: engajar, agregar, motivar e potencializar todos os organismos e grupos evangélicos que trabalham, discutem e mobilizam em torno da questão racial no Brasil, a partir da Igreja Evangélica e nos movimentos sociais.

Entrev_12_11_14_Marco_Davi_PerfilA Conferência Nacional Negritude & Evangélicos não é um evento único, mas o início de um processo que culminará na formação de uma rede de organizações, pessoas e igrejas que trabalham a temática da população negra no Brasil e fora dele. Queremos realizar em 2015 o Congresso Nacional Negritude & Evangélicos e, se Deus permitir, em 2016, o Congresso Latino Americano Negritude & Evangélicos.

Portal Ultimato – Um dos preletores será John Perkins, uma das grandes vozes na defesa da reconciliação racial. O que Perkins poderá acrescentar à Igreja Evangélica Brasileira?

Marco Davi A presença do Rev. John Perkins por si só já é um presente para nós como negros e como igreja. A sua história de luta pelos Direitos Humanos, na organização da população negra do Mississipi e nos Estados Unidos já o qualifica para estar entre nós. Suas propostas de reconciliação que não deixam de lado a necessidade de igualdade farão com que tenhamos novas perspectivas. Até, quem sabe, novos discursos sobre a questão negra entre nós.

Portal Ultimato – Quando falamos de “reconciliação racial” do que estamos falando?

Marco Davi – Creio que, no Brasil, precisamos elaborar mais o assunto. Precisamos lutar pela reconciliação. Mas para que isto aconteça duas coisas são necessárias e importantes. Primeiro, os negros devem gostar de serem negros. Há uma autoestima baixa entre os negros do Brasil em geral. Muitos têm dificuldades até de discutir o assunto sobre raça. Outros procuram se juntar mais e mais com brancos, não porque acham natural, mas porque têm dificuldades com a sua cor da pele, sua raça. Não é porque eles sejam racistas, , como afirmam alguns preconceituosos (até porque os racistas sempre são aqueles que fazem parte do grupo de maior poder econômico, politico e sistêmico). Portanto, é impossível, de forma radical, que os negros sejam racistas. Mas quando alguns têm sentimentos racistas, como sabemos de alguns que nutrem esse sentimentos pecaminosos, o fazem talvez porque não se aceitam como são: imagem e semelhança de Deus.

Outra realidade importante para que haja reconciliação entre negros e brancos no Brasil são os brancos compreenderem que eles têm vantagens no Brasil. Os brancos pobres ou ricos já nascem com vantagens nesta nação. A raça dos brancos não foi escravizada por mais de 350 anos. Os brancos têm vantagens emocionais, psicológicas, econômicas, sociais, geográficas, etc. Os brancos não são o objeto principal da violência policial, mas sim os negros. São os negros que precisam conversar com os filhos que sofrem angústias por serem discriminados no país. E muitas outras coisas.

Não estou legitimando a postura de “coitados” para os negros, mas sim mostrando que se os brancos não reconhecerem isso, que o Estado brasileiro deve à população negra, não conseguiremos muitas avanços. A reconciliação sem direitos é imposição da Injustiça.

Portal Ultimato – Quando defendemos os negros, desvalorizamos os brancos?

Marco Davi De maneira nenhuma. Os brancos e os negros são imagem e semelhança do Pai. O que queremos falar com a defesa dos negros – e que causa sim muitas dificuldades para brancos e negros pelos motivos ressaltados acima – é a busca dos direitos diante desta sociedade que evidencia o racismo e a sua exclusão. O Estado do Brasil deve muito aos negros que trabalharam muito sem nada receberem, somente alimentação horrível, violência, estupros, segregação, imposições de leis que favoreciam aos brancos da época, principalmente, aos ricos e fazendeiros, etc. Quando os negros estavam prontos e preparados para o trabalho e próprio ganho pessoal e não para seus senhores, o Estado do Brasil criou outras formas de prejudicar os negros, como a lei do ventre livre, o branqueamento que posteriormente se tornou uma política a partir da qual muitos brancos de outros países vieram para cá subsidiados pelo governo. Foi muita covardia. Se o Brasil não reparar isto continuará sob o juízo de Deus.

Portal Ultimato – Um assunto urgente é a violência que tem os jovens negros como as maiores vítimas. Para este assunto, haverá uma mesa de debate. Qual a gravidade do tema?

Marco Davi Agora mesmo saiu uma pesquisa que mostra que os negros jovens são as maiores vítimas da violência. O Mapa da Violência no Brasil 2014 revela isto. Em todo o país, sete jovens são mortos a cada duas horas. São 82 jovens mortos por dia, 30 mil por ano, todos com idades de 15 a 29 anos. E, entre os jovens assassinados, 77% são negros (somando aqui os pretos e pardos, pelos critérios do IBGE).

Isso é muito grave, porque basta ser negro. Ninguém está preocupado se ele é evangélico, do candomblé, ou católico. É negro e ponto. O que é muito triste é ler alguns comentários nas redes sociais de gente que é racista, mas nunca tem coragem de avisar ao outro. Nesta hora, esta gente se sente livre e detona o seu azedume racista. Gente de igreja também que diz não ser bem assim, que isso é notícia plantada. Ora, quem vai plantar uma desgraça dessa? Qual objetivo? Isso é uma realidade, e a violência pode atingir também aos cristãos, como já tem acontecido.

Confesso que tenho medo, pois tenho um filho de 18 anos e uma filha de 16. Negros lindos por sinal, estudiosos, dedicados. Quando eles saem, eu fico com muito medo do que pode acontecer. Como cristão e pastor, coloco, é claro, nas mãos do Senhor. Mas digo a Ele que o medo existe, porque moro no Brasil onde os negros – como em outros lugares – são preteridos em muitas coisas. O negro é objeto de violência em primeiro lugar.

A igreja brasileira denominou alguns problemas no Brasil como coisas do diabo, tais como: homossexualismo, casamento gay, aborto, etc. Mas tantos jovens negros são assassinados no Brasil e isso nunca foi motivo para levante midiático, campanhas no Youtube, Facebook, televisão , etc. Ou seja, o genocídio aos negros pode continuar, desde que não atinja os dogmas religiosos das igrejas. Mas o que será o que o Senhor Jesus dirá à nossa igreja do Brasil? Racismo é pecado. E quando você que é racista e acha que os negros devem morrer mesmo, não devem nem falar sobre direitos, e devem continuar no seu lugar, estiver lendo este texto, peça perdão ao Senhor e peça a ele que tenha misericórdia de sua vida. Porque talvez você, no juízo final diante do Senhor, o encontre negro. E isso acontecendo, ele dirá “apartai de mim maldito para o fogo eterno”, pois racistas não entram no reino dos céus.

Serviço:
Conferência Nacional Negritude & Evangélicos
Tema: Reflexão, Resistência e Engajamento
Data: 13, 14 e 15 de novembro
Local: Seminário Teológico Batista do Sul (RJ)
Informações: AQUI

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Aranha, do Santos, recebe movimento negro

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Por Douglas Belchior

 

O Santos Futebol Clube promoveu nesta tarde (13/11) uma atividade de formação para diversidade e igualdade racial para jogadores adolescentes das categorias de base do clube.

Os fortes acontecimentos de racismo no futebol que assistimos esse ano foram o tema do diálogo, que teve a presença e a explanação do goleiro Aranha, que fora homenageado pelo clube, por órgãos governamentais e pelo movimento negro.

Tive a oportunidade de entregar e ler o conteúdo de uma Carta de Apoio, assinada pela Uneafro-Brasil, além de documentos do trabalho de educação popular que desenvolvemos. Foi entregue também cópia do documento repleto de propostas de combate imediato ao racismo, assinado por diversas organizações do movimento negro, que fora encaminhada à presidenta Dilma em Março de 2014, momento em que muito se discutiu o tema.

Em sua apresentação dirigida aos jovens atletas, Aranha falou da importância do respeito à diversidade no futebol e na sociedade e da importância da educação como algo fundamental para garantir a justiça.

Além da Uneafro-Brasil, a Educafro, representado por Júlio Evangelista, também prestou homenagens ao craque.

Leia a íntegra da Carta entregue ao Goleiro Aranha:

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MANIFESTO DE APOIO E AGRADECIMENTO
O exemplo do goleiro Aranha

Nos últimos anos, o Brasil viveu um intenso processo de debates acerca da promoção da igualdade racial e do combate ao racismo. As poucas políticas de garantias de direitos para o povo negro provocaram reações por parte daqueles que acham normal a desigualdade racial e social. Neste ano de 2014 o assunto esteve ainda mais presente, uma vez que as manifestações racistas invadiram também o espaço do esporte mais popular do país, o futebol.

Manifestações racistas proferidas por torcedores do Peru e da Espanha aos jogadores Tinga, do Cruzeiro e Daniel Alves, do Barcelona, colocaram o racismo na ordem do dia. O tema ganhou força quando os jogadores Arouca, pelo Santos, e Assis, pelo Uberlândia, e até um árbitro, Márcio Chagas, em partida do campeonato gaúcho, foram alvo de ofensas racistas em campos brasileiros. Tais acontecimentos em plena véspera de copa do mundo repercutiram mal dentro e fora do Brasil. Mas o caso mais emblemático se deu depois da Copa, em pleno período de eleições, quando o Brasil se uniu à Aranha em sua digna, forte e contundente reação às ofensas racistas que recebera no sul do país, pela torcida do Grêmio.

Aranha nos encheu de orgulho negro com sua postura intransigente em assumir sua negritude e em demonstrar indignação e repúdio diante de tais manifestações. Aranha não se intimidou diante da tentativa de manipulação da grande mídia, que tentou abafar o caso e caracterizar a criminosa racista como inocente, arrependida e até como vítima da situação.

Vivemos em um país violentamente racista. Pior, vivemos em um país reconhecido e denunciado internacionalmente pela negação de direitos básicos à população negra, pela desigualdade de oportunidades, pela nula representação política e mais: um país que tortura, aprisiona e mata, como se em uma guerra, mulheres, homens e principalmente a juventude negra.

O Movimento Negro Brasileiro surge para se dedicar e combater os efeitos trágicos do racismo no Brasil. Exigimos reparação histórica pelos crimes da escravidão e pela negação de direitos sociais desde a abolição. Acreditamos na Educação como forma de combate ao racismo. Denunciamos a violência da polícia que em todo país continua a fazer dos negros seu alvo preferencial. Nos ressentimos por ver muitos irmãos negros que se destacam nos esportes, nas artes e em outros seguimentos da sociedade e que, por terem atingido altos patamares de reconhecimento, poderiam fazer muito pela nossa causa mas, na maioria das vezes, negam sua origem e viram às costas à sua própria negritude.

Aranha, ao contrário, nos encheu de esperança e de orgulho e por isso se transformou em referência positiva para todos aqueles que se dedicam à luta por justiça e igualdade racial. Podemos dizer às nossas crianças negras: não aceitem ofensas racistas, não baixe a cabeça, siga em frente e lute! Faça como fez Aranha, o goleiro. E como nos versos dos Racionais MC’s, o “príncipe guerreiro que defende o gol”, defende também o povo negro brasileiro.

Vida longa à Aranha!

Uneafro-Brasil

 

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Violência Policial

Após morte de policial, madrugada de chacina em Belém do Pará


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Por Douglas Belchior

 

O terror tomou conta de diversos bairros da região metropolitana de Belém do Pará nesta última madrugada. Após o assassinato de um policial, o cabo Figueiredo, membro da Ronda Ostensiva Tática Metropolitana (Rotam – PM), áudios e postagens em redes sociais anunciaram que haveria acerto de contas.

De acordo com o local Diário Online, em um dos áudios um suposto policial anunciava: “Senhores, sério, por favor, façam o que for preciso, mas não vão para o Guamá nem para Canudos nem para o Terra Firme hoje à noite. É uma questão de segurança dos senhores, tá? Mataram um policial nosso, e vai ter uma limpeza na área. Ninguém segura ninguém, nem o coronel das galáxias”.

Durante toda a madrugada, denúncias ocuparam as redes sociais, relatando ações, supostamente de milicianos, em diversos  bairros, gravações de áudios e vídeos com flagrantes das ações se espelharam.

O governo do estado confirmou as oito mortes na noite desta terça-feira 4. De acordo com a nota, o Centro de Perícias Científicas Renato Chaves (CPCRC) registrou quatro homicídios no bairro da Terra Firme e outros quatro homicídios nos bairros do Marco, Guamá, Jurunas e Sideral. Mas há relatos de que há muitos outros mortos.

O comunicado diz ainda que o cabo Figueiredo “foi morto em circunstâncias ainda em investigação e não estava em serviço”, mas que “os comandos de policiamento da capital foram acionados para identificação e captura dos criminosos.”

Os oito corpos que deram entrada no CPCRC aguardam identificação e as mortes serão investigadas pela Divisão de Homicídios da Polícia Civil.

Trata-se de uma das maiores chacinas dos últimos tempos. E, ao que parece, devidamente anunciada.

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Violência Racista

Finados: podia ser a minha mãe, que loucura!

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Por Douglas Bechior

 

Há uma morte branca que tem como causa as doenças, as quais, embora de diferentes tipos, não são mais que doenças, essas coisas que se opõem à saúde até um dia sobrepujá-la num fim inexorável: a morte que encerra a vida. A morte branca é uma “morte morrida”. Há uma morte negra que não tem causa em doenças; decorre de infortúnio. É uma morte insensata, que bule com as coisas da vida, como a gravidez e o parto. É uma morte insana, que aliena a existência em transtornos mentais. É uma morte de vítima, em agressões de doenças infecciosas ou de violência de causas externas. É uma morte que não é morte, é mal definida. A morte negra não é um fim de vida, é uma vida desfeita, é uma Átropos ensandecida que corta o fio da vida sem que Cloto o teça ou que Láquesis o meça. A morte negra é uma morte desgraçada. (BATISTA; ESCUDER; PEREIRA, 2004, p.635)

 

Pobreza e religião caminham juntas desde sempre, ao menos para os fiéis, para os povos que compõem as igrejas. E a vida, e a morte, e a vida após a morte, encontram novos significados, quase sempre em busca do conforto diante da vida real.

Poucos poetas retrataram tão bem a dura realidade das periferias brasileiras, como fizeram Racionais Mc’s. Entre a denúncia da realidade e a valorização da identidade negra e periférica, a busca incessante pela “fórmula mágica da paz”. E em muitos versos, a pintura do quadro da dor e do sofrimento daquelas que ficam e que choram nos velórios diante do desespero da perda, quase sempre famílias negras, quase sempre mães pretas.

A morte é, como sabemos, a grande certeza da vida. E poderia sim, ser vista, entendida e significada de uma forma diferente como a temos. Uma morte decorrente de uma vida bem vivida, de uma vida de prazeres, de uma vida repleta de direitos e humanidade que chegasse ao seu fim como uma passagem natural, como o fim de um ciclo, com a menor dor possível, com dignidade e cuidados. A morte poderia ser, em regra, uma experiência que deixasse na consciência dos que ficam, o acalanto do “fiz tudo que podia ter feito”.

Mas não.

Não é essa a relação que temos com a morte. A vida real do povo mais pobre, da população que ocupa as periferias e do povo negro jamais ofereceu condições para a oferta das chamadas mortes naturais, da “morte morrida”. A escravidão e a democracia para poucos, nos deixou marcas profundas em que a morte sempre esteve relacionada ao castigo, à dor, ao sofrimento, à tortura, à chacina e muitas vezes, à morte sem corpo, sem velório e sem o direito sagrado da despedida.

Para os pobres e principalmente para a população negra, a dor é propositada, prevista. E a condição é precarizada, injusta. E a vida interrompida, encurtada. E a morte prematura, premeditada, naturalizada.

No Brasil, segundo o mapa da violência 2014, a taxa de homicídios é a maior desde 1980. São números de 50 a 100 vezes maiores que a de países como o Japão. Em média, 100 em cada 100 mil jovens entre 19 e 26 anos morrem violentamente a cada ano.

A vitimização dos negros é bem maior que a de brancos. Morreram proporcionalmente 146,5% mais negros do que brancos no Brasil, em 2012. Considerando a década entre 2002 e 2012, a vitimização negra, isso é, a comparação da taxa de morte desse segmento com a da população branca quase triplicou.

Os brancos têm morrido menos. Os negros, mais. Entre 2002 e 2012, por exemplo, o número de homicídios de jovens brancos caiu 32,3% e o dos jovens negros aumentou 32,4%.

Os homicídios são uma das principais causas de tantas mortes. E nessa categoria, destaca-se o papel do Estado e de suas polícias que, ao contrário de proteger a vida, promovem a morte. Em São Paulo, a polícia militar de Geraldo Alckmin matou de julho à setembro de 2014, 150% a mais que no mesmo período do ano passado.

Neste 2 de novembro, finados, respeitemos a dor de todas as cores, mas lembremos que há, neste grande cemitério chamado Brasil, a permanência da desigualdade também na distribuição das covas ou, nas palavras de João Cabral de Melo Neto, da cova medida, a parte que nos cabe nesse latifúndio.

E nossa angustia cantada…

“2 de Novembro era finados. Eu parei em frente ao São Luis do outro lado, e durante uma meia hora olhei um por um e o que todas as Senhoras tinham em comum: a roupa humilde, a pele escura, o rosto abatido pela vida dura… Colocando flores sobre a sepultura… podia ser a minha mãe, que loucura…”