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Formação

Frei Betto: “Hoje, somos vítimas de nossos próprios erros”

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Frei Fernando, Frei Betto, Frei Ivo e Frei Tito (da esquerda para a direita), durante julgamento dos dominicanos em 1971

Do Site da SMetal

Frei Betto fará palestra na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba, no próximo dia 4 de Setembro. A atividade faz parte do ciclo de formação e reflexão política, dirigida aos trabalhadores e à comunidade em geral. Para quem é da região ou mesmo para quem está longe de Sorocaba mas nunca teve a oportunidade de ouvi-lo, vale muito a pena! Saiba mais detalhes.

O Dominicano tem mais de 60 livros publicados. Entre eles, os clássicos “Batismo de Sangue” e “Nos subterrâneos da história”.

O frade concedeu entrevista exclusiva para o setor de imprensa da SMetal:

 

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Imprensa SMetal: O comportamento de selfies, que se espalha pela internet, aponta para uma sociedade egocêntrica que não consegue visualizar o entorno?

Frei Betto: Antes, muitos protestavam contra a invasão de privacidade. Hoje, milhares promovem a evasão de privacidade… Havia um muro que separava os territórios da vida pública e da vida doméstica. Agora, o muro ruiu, graças às novas tecnologias eletrônicas. E muitas pessoas se mostram em redes sociais como são de fato na vida privada: egocêntricas, agressivas, vaidosas, preconceituosas… Em suma, frutos do capitalismo neoliberal, cujo valor supremo é a competitividade. Ou seja, suba pisando no próximo, reduzindo-o a seus degraus de ascensão.

IS: Vivemos um processo de intolerância na sociedade. O ser humano está perdendo a capacidade de se relacionar?

FB: Não. É que, antes, os territórios estavam bem delimitados: o plebeu não invade o terreno do nobre; o escravo, do senhor; o negro, do branco; a mulher, do homem; o pobre, do rico. Agora, com o avanço da consciência de direitos humanos (friso: consciência, e não vivência) e dos direitos civis, as barreiras se romperam, e isso provoca intolerância. Os do andar de cima se sentem sumamente incomodados de terem que dividir o espaço com os do andar de baixo… Ou seja, séculos de castas, estamentos, desigualdades sociais estão impregnados em cada um de nós, o que nos faz reagir atavicamente, como um animal diante de seu predador.

IS: Gostaria que o senhor comentasse sobre o repúdio dos manifestantes às instituições e entidades, ignorando a trajetória e contribuições delas, como é o caso da própria CNBB, que assina o projeto pela reforma política.

FB: Essa gente “pensa” com o fígado, e não com a razão. E sem memória histórica. Mas a culpa não é só deles. É do governo, que promoveu inclusão econômica e deixou de lado a inclusão política. E da educação, que não forma os educandos com consciência histórica.

IS: Na visão do senhor há algum movimento que esteja pensando em um novo projeto de sociedade para o país?

FB: Muitos movimentos sociais, como o MST e o MTST, estão na linha de pensar um novo projeto para o Brasil. Mas, infelizmente, órfãos de um partido que transforme isso em projeto político viável a curto prazo. Há tentativas louváveis de formação de frente de esquerdas. Costura que não é fácil, pois não há um alvo inimigo concreto, como na ditadura e, apesar de tudo, ruim com Dilma, pior sem ela…

IS: Nessas manifestações da direita diversos cartazes são exibidos pedindo retorno dos militares no poder. Falta arte e utopia aos jovens?

FB: Convém na confundir as viúvas da ditadura com os jovens, embora haja jovens entre elas. Mas faltam arte e utopia a muitos jovens. Infelizmente o PT no governo criou uma nação de consumistas, e não de cidadãos.Porque não se dedicou à sua proposta mais original: organizar a classe trabalhadora.

IS: Não é difícil encontrar depoimentos de trabalhadores fazendo discurso contra trabalhadores (pessoas pobres). A identidade do Brasil sempre foi tema estudado pelos intelectuais como Darcy Ribeiro e Sérgio Buarque de Holanda. O consumismo atrapalha o sentimento de pertencimento de classe?

FB: Sim, o consumismo é a ideologia do neoliberalismo. Forma de acelerar a apropriação privada do capital. Por isso, todos os produtos têm prazo de validade muito curto. Tudo é reciclável ou descartável. Até as relações humanas… A consciência de classe é algo muito difícil de se formar. Exige um trabalho político muito intenso, que raros movimentos sociais e sindicatos fazem. Penso nos camponeses alemães incorporados ao Exército Nazista. Sentiam-se orgulhosos de lutar por uma Alemanha hitlerista…

IS: Em 1998, o senhor escreveu o artigo “Para que votar?”, no qual afirmou que a ‘apatia coletiva é grave sintoma para a saúde da democracia. A indiferença do eleitor inviabiliza a diferença na política’. Hoje, o que se percebe é uma hostilização a qualquer movimento/mobilização que defenda os desvalidos e assalariados. O contexto dos dias atuais é de uma ‘partidarização’ elitista?

FB: Enfim, a direita “saiu do armário”. Eu mesmo fui agredido por ela nos lançamentos, no Rio e em Belo Horizonte, de meus livros PARAÍSO PERDIDO – VIAGENS AOS PAÍSES SOCIALISTAS e UM DEUS MUITO HUMANO – UM NOVO OLHAR SOBRE JESUS.
Todos os que, historicamente, defenderam os direitos dos pobres sofrem todo tipo de violência da parte dos que não abrem mão de serem os unidos de posse da riqueza social.

IS: O senhor foi preso na ditadura civil militar. Pode-se fazer alguma comparação com 1964, em relação à caça aos militantes da época – com a ajuda da imprensa?

FB: O velho Marx já dizia que a ideologia de uma sociedade é a ideologia da classe que domina esta sociedade. O que lamento é o PT, em mais de uma década de governo, não ter feito a regularização da mídia. Hoje, somos vítimas de nossos próprios erros.

IS: Ainda está longe um Brasil soberano? Quais são as expectativas do senhor?

FB: Minha expectativa é que o que resta de esquerda – e resta muito pouco – se reorganize melhor em função da defesa dos direitos dos pobres e das mudanças estruturais de que o Brasil tanto necessita.

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Política

Reorganizar a esquerda passa por enfrentar o racismo e o patriarcado

Coletivos Mulheres, Igualdade Racial e Juventude

Por Douglas Belchior

Dia desses tive a honra de dividir uma mesa de debate com o historiador e professor da Unicamp, Leandro Karnal. Dentre as diversas reflexões que trocamos junto a uma grande e qualificada platéia daquela universidade, uma delas me marcou. Ao responder uma questão acerca da conjuntura, Karnal disparou: “Ao afirmar que vivemos uma ‘onda conservadora’, partimos de um pressuposto otimista, afinal, ao considerar que hoje estamos diante de uma onda conservadora, supõe-se que antes ela não existia. Mas ela não existia?”

Seria exagero dizer que o conservadorismo é uma característica da própria formação da sociedade brasileira? Somos uma sociedade mais conservadora hoje do que éramos anos atrás? Há mesmo essa tal polarização entre “esquerda” e “direita” do Brasil? O racismo, o machismo ou a homofobia são mais presentes e incidentes hoje que outrora?

 

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Há tempos movimentos sociais e especialmente aqueles que se organizam em torno do enfrentamento ao racismo e ao patriarcado reafirmam a necessidade em se tratar destes temas não apenas como especificidades, mas como elementos estruturantes da desigualdade e da opressão, tão determinantes – no caso brasileiro – quanto o elemento econômico.

Penso que, se há algo de positivo no que vivemos hoje, é o fato de que o debate sobre o racismo e o patriarcado enquanto elementos estruturantes das desigualdades e da opressão, ocupou definitivamente a agenda da política.

Afinal quando, em outro momento da história, as categorias jovens, mulheres e negros ocuparam tanto o espaço da retórica e da elaboração de quase todos os seguimentos ideológicos e políticos? Quando em outro momento o genocídio negro e o feminicídio fora tão pautado e até reconhecidos como crimes do Estado Brasileiro?

Mas daí a ocupar o protagonismo e a condução das ações políticas nos diversos espaços, é uma outra história. Esta é a tarefa que se coloca.

 

Coletivos de Mulheres, Juventude e Igualdade Racial

As forças políticas da esquerda brasileira, acuadas como nunca e repleta de contradições, equívocos e antagonismos, terão sensibilidade para mudanças? Haverá coragem para a autocrítica às práticas equivocadas das experiências de poder? A esquerda continuará a ser caracterizada por corpos, culturas e práticas branca-hétero-masculinas? Há chances de mudanças?

Para buscar ou reafirmar respostas e práticas, estudar é preciso. Daí a importância em se voltar a investir na formação política de novos quadros, a partir desta perspectiva, bem como tem feito a Confederação Nacional dos Metalúrgicos, onde tive a oportunidade de contribuir junto ao encontro dos Coletivos de Mulheres, Juventude e Igualdade Racial.

Encontro inédito reúne Coletivos de Mulheres, Juventude e Igualdade Racial na CNM

Do Site da CNM

Aconteceu, entre os dias 2 e 4 de agosto, o encontro dos Coletivos Nacionais de Mulheres, Igualdade Racial e Juventude da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM/CUT). Pela primeira vez, os três coletivos realizam esta atividade em conjunto. O objetivo é articular e integrar a política dos coletivos da Confederação e elaborar planos de ação.

 

Coletivo Juventude

A atividade, que reúne um grupo de 50 pessoas composto por representantes das federações e sindicatos de bases estaduais, teve como palco a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em Guararema (SP), espaço de educação idealizado e mantido pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Participaram da mesa de abertura o presidente da CNM/CUT, Paulo Cayres, e os secretários de Juventude, Silvio Ferreira, de Mulheres, Marli Melo, e de Igualdade Racial, Christiane dos Santos. Além deles, também estão no encontro as secretárias de Formação, Michele Marques, e de Comunicação, Cláudia Marques da Silva.

 

Coletivo Igualdade Racial  (1)

A secretária de Mulheres destacou a integração inédita dos três coletivos para o fortalecimento e articulação das políticas da CNM/CUT. “São temas transversais. Este encontro empodera jovens, mulheres e negros para fortalecer e potencializar as políticas e ações sindicais nos espaços de participação dentro das federações e sindicatos”, avaliou Marli.  “Os secretários acompanham e orientam, mas cabe aos integrantes levar as propostas encaminhadas durante o encontro”, completou.

Para Silvio, a juventude é um dos principais agentes de transformação e construção da sociedade democrática no mundo. “Vivemos um momento histórico na categoria, pois 63% dos metalúrgicos cutistas são jovens. O propositivo do coletivo é justamente fomentar a participação ativa da juventude metalúrgica no ambiente de trabalho e, assim, construir novos quadros de dirigentes”, explicou.

Já Christiane lembrou do processo de construção do Coletivo que coordena, por meio do curso “Combate ao Racismo para a Construção da Igualdade Racial”, que sensibilizou as entidades de metalúrgicos cutistas para o tema, a partir da troca de experiências e da formação teórica.

“A criação do Coletivo foi diferente porque teve tem o intuito de debater e elaborar propostas para superação do racismo no mundo do trabalho e na sociedade. Somos mais um instrumento para combater o racismo e é um compromisso do movimento sindical lutar pela igualdade, principalmente, na questão racial”, afirmou a secretária.

 

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A programação contemplou um momento para reflexão e debate sobre o tema da redução da maioridade penal e sua relação com o contexto político mais geral, que contou com a colaboração de Douglas Belchior, professor de história e sociologia e militante da Uneafro-Brasil. Depois disso os coletivos se aprofundaram em discutir formas de intervenção e fortalecimento político dos grupos em seus espaços de atuação.

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Violência Policial

Apesar da polícia, há vida e amor em Osasco

Por Andressa Badu e Douglas Belchior

Estive nesta terça, 19/08, em um encontro com estudantes de Comunicação da faculdade Cásper Líbero, na Avenida Paulista, em São Paulo. Em determinado momento perguntei para a plateia de cerca de 100 estudantes, quem havia assistido o episódio do programa Profissão Repórter, da Rede Globo, que no dia anterior mostrou as dores dos familiares de vítimas da chacina – ocorrida há poucos dias – na região de Osasco e Barueri, grande São Paulo. Menos de 10 pessoas disseram ter assistido e a maioria pareceu ter conhecimento superficial do assunto.

Chacinas são comuns no Brasil. Estão naturalizadas. Notícia batida. Tão comum quanto culpar os mortos por esse tipo de tragédia.

Recupero aqui o vídeo do programa, pela força de seu conteúdo e junto trago o texto profundo e dorido de Andressa Badu, mulher, preta, ativista, capoeirista e moradora do bairro onde a gloriosa força militar – ao que tudo indica – lavou a honra da corporação com o sangue de gente pobre, negra e trabalhadora.

Onde será a próxima chacina?

 

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Na quebrada

Por Andressa Badu

Posso até dizer que isso é comum por aqui.

Que quase sempre, alguém sonha e morre com ele.

O asfalto já está marcado.

E não é um irmão de sangue, mais sinto que uma parte minha se foi…

No olhar de pêsames, na reza coreografada, no desespero que arde quando a Dona Maria grita:

 -Não! Meu filho, Não.  Ouço pedidos de ódio, justiça e Amor.

Eu os respondo: Como posso ajudá-los? Quem pode me ajudar a defendê-los? Quem pode me ouvir, se sou como vocês? Sou fruto de outra dona Maria. Quem ouvirá a minha voz se o meu grito é seco?!

Quem ouvirá a voz de quem chora sussurrando, de quem é oprimida pelos “protetores” ?

Que outro alguém olhará nossa terra rosada? Ensanguentada com a nossa pele, com nossa aspereza, com nossa fome, com nossa pobreza, com nosso sangue?

Quem nos ajudará, sem arrancar nossa identidade? Sem se apropriar do que somos? Não dá! Eles perceberão que sou como vocês. Eles esbravejam que nossa carne é barata.

Lembram-se do Gustavo? Ele ficou 12 horas e meia sendo vigiado pelos urubus, só não foi devorado porque a dona Maria estava velando seu corpo e derramando seu manto através dos olhos.

Sinto muito Jé, Alê, Zóio, Sombrinha, Pequeno, Zé, não posso ampará-los! Aliás, cadê os outros? Eles não foram anunciados pelos jornais. A mídia sensacionalista esqueceu deles, esqueceu do Antônio, que todos os dias ao pegar o ônibus me desejava “bom dia Preta”. Antônio não sabia o meu nome, mas eu sentia uma alegria incrível naqueles sorrisos.

Tenho medo dos “fardas”. Eles entram na calada da noite assim como um anjo do mal e nos roubam o direito de viver, de sonhar, de sorrir quando apenas vencemos no fliperama. Eu sei! Vocês também não sabiam, mas eles estão nos culpando por não ter paz. Eles estão nos culpando porque não termos dinheiro para o caixão. Eles estão nos culpando porque ainda estamos vivos.

Não me façam lutar por vocês. Não farei isso.

O cruel fardado cuspiu na calçada lavada com nosso sangue. Calafrios dominaram meu ser. Perdi o ar suplicando um anjo do bem. Ninguém olhou para mim. De repente suspirei, era um sonho…

Quando uma lágrima de alívio percorreu meu rosto, percebi que transformei minha dor numa nova canção. Meu sonho era a voz consentida da minha quebrada. Aqui é assim todos os dias. Morremos para provar que somos reais, Rainhas e Reis de pele escura feito o clarão da lua que ilumina o riso de meros mortais. Aqui é um mundo. Aqui tem regras, tem moral, tem amor e esperança. Ainda não encontramos alguém que revogue por nós. Recriamos os nossos, inspiramos outra salvação, sobrevivemos.

Chorei porque minha vidalogia ressuscitou. Sou Rainha. Minha paz reinou por um instante.

https://www.youtube.com/watch?v=IXyIDBVhnEQ

 

 

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Direitos da Criança e do Adolescente

Estupro coletivo no Piauí: O jornalismo justiceiro faz mais vítimas

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Três meses depois das agressões que vitimaram quatro meninas, resultando na morte de uma delas, um policial militar é afastado e acusado de ser o mandante do crime. Não houve qualquer repercussão na mídia nacional comparável à cobertura na época dos fatos

Por Maria Carolina Trevisan*, do Jornalistas Livres

Até 27 de maio, o município de Castelo do Piauí, a cerca de 180 km de Teresina, era desconhecido por grande parte dos brasileiros. Entrou para o mapa do Brasil por causa do estupro coletivo de quatro meninas. Supostamente, os autores da agressão teriam sido quatro adolescentes e um adulto.

Com a repercussão do caso, a polícia se apressou para achar culpados e identificou primeiro os adolescentes. Com o andamento rápido das investigações, descobriu-se a participação do adulto, classificado pela polícia e imprensa como “traficante”, como se esse “título” bastasse para comprovar a culpa do homem. Em pouco tempo estavam presos os monstros. Cumpriu-se, assim, a desesperada busca pela sensação de justiça.

Nos primeiros dias após as agressões, os meios de comunicação nacionais silenciaram. Era como se o que acontece em um rincão do Piauí não tivesse suficiente interesse para seus leitores e espectadores. Mas a participação de adolescentes como agentes das agressões dias antes de a Câmara dos Deputados votar a redução da maioridade penal chamou a atenção da imprensa nacional.

Como um baluarte do jornalismo justiceiro, a revista Veja chegou a estampar em sua capa, em mais de 1 milhão de exemplares, os rostos dos quatro adolescentes, dando como certa e comprovada a autoria das agressões. A publicação ignorou leis. A Constituição Federal estabelece, no artigo 5o, que “ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente”. Não cabe à Veja julgar a autoria dos crimes. O Estado de Direito no Brasil garante o que se chama “presunção de inocência”. Ou seja, todo mundo é inocente até se provar o contrário.

“Toda pessoa acusada de delito tem direito a que se presuma sua inocência enquanto não se comprove legalmente a sua culpa.” Artigo 5o da Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica)

A revista da Editora Abril também infringiu o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Convenção para os Direitos da Criança, ratificada pelo Brasil em 1990, ao identificar os adolescentes por meio de fotos e iniciais.

“Qualquer notícia a respeito do fato não poderá identificar a criança ou adolescente, vedando-se fotografia, referência a nome, apelido, filiação, parentesco e residência.”

Parágrafo único do artigo 143 do Estatuto da Criança e do Adolescente

“As crianças têm direito a proteção contra a intromissão em sua privacidade, família, lar e correspondência, bem como contra a difamação e calúnia.”

Convenção para os Direitos da Criança

O Coletivo Intervozes, organização da sociedade civil que trabalha com o direito à informação, entrou com representação contra a revista Veja por conta dessa reportagem. A Defensoria Pública de SP também move ação contra a Editora Abril e sua publicação.

Sede de justiça

 

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A apressada punição dos supostos autores do crime seria um desfecho aceitável caso os procedimentos de investigação e justiça tivessem sido observados, especialmente no que se refere aos direitos humanos. Não foi o que aconteceu. Trinta e três dias após as agressões, o adolescente G., de 17 anos, morreu espancado — enquanto se encontrava sob tutela do Estado -, no Centro Educacional Masculino (CEM), em Teresina. Não se sabe se o adolescente foi morto à noite ou na hora do banho — conhecido momento de vulnerabilidade em que os abusos costumam acontecer nas unidades de internação de adolescentes. Alega-se que a unidade estaria superlotada e por isso G., apesar das ameaças de outros jovens, foi colocado na cela que abriga internos que cometeram atos infracionais graves como homicídio e estupro.

G. era o delator do crime de estupro do qual teria feito parte. “A sede pela descoberta do autor pode prejudicar a busca daquilo que chamamos de Justiça”, afirma Riccardo Cappi, doutor em Criminologia e professor de Direito da Universidade Estadual de Feira de Santana (BA). Com o crime “solucionado”, todos poderiam dormir sossegados. “Nos interessa achar um culpado que esteja distante de nós. O castigo desempenha assim a função de afastamento da responsabilidade coletiva”, alerta Cappi. 

Nesta segunda-feira, 10 de agosto, o programa de exibição local “Bancada do Piauí”, da TV Antena 10, afiliada da Rede Record, revelou a participação do PM Elias Júnior como mandante do estupro coletivo, conforme informações do subcomandante da Polícia Militar Lindomar Castilho. Em conversa gravada com funcionários do CEM, G. afirmou que o PM o contratou por 2 mil reais para executar atos infracionais na cidade. Elias Junior foi afastado da corporação e está à disposição da Corregedoria.

“Ele queria que nós ‘fizesse’ um crime lá em Castelo que nunca foi feito. Todo crime lá em Castelo sempre é descoberto. Ele pensou assim, ele vai preso, vai pro CEM, morre lá e eu fico de boa com meu dinheiro”, revela a gravação de conversa obtida pela TV Antena 10.

A Defensoria Pública do Piauí entrou com pedido de absolvição dos três adolescentes envolvidos no caso e do adulto, que até ontem seria o mandante do crime.

Não houve qualquer repercussão na mídia nacional comparável à cobertura na época dos fatos. Como se nós, jornalistas, não fôssemos mais responsáveis pela história que ajudamos a montar — e que agora entra numa reviravolta ainda mais cruel. Se o papel principal do Jornalismo é fiscalizar o Poder e acompanhar as políticas públicas, neste caso, falhamos muito. Deixamos que a ponta mais frágil do enredo ficasse exposta a qualquer violação.

Teria sido bom jornalismo, comprometido com o respeito à dignidade da pessoa, procurar entender de que maneira se deram os depoimentos; compreender quem eram as partes interessadas em que o crime fosse assumido por meninos e por um “traficante”; questionar a rápida conclusão do caso; identificar as políticas sociais e as falhas da rede de proteção de crianças e adolescentes; contextualizar a situação social de um município que tem Índice de Desenvolvimento Humano baixo (IDHM 0,587, o que coloca Castelo do Piauí em 4.467ª posição entre os 5.565 municípios brasileiros) e com cerca de 20% da população em situação de extrema pobreza (renda per capita mensal abaixo de 70 reais).

 

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Em setembro, nos dias que antecedem o feriado da Independência do Brasil, Castelo do Piauí celebrará mais um “Cachaça Fest”. Ao lado das visitas a pinturas rupestres, a cachaça é o principal atrativo turístico do município. O que isso tem a ver com a tragédia das meninas e com a injustiça relacionada aos meninos do Piauí? Muito. Principalmente em um lugar em que a presença do Estado não se faz efetiva, nem em segurança, nem em educação, nem em saúde, nem nas condições de trabalho.

Nessa sequência de barbáries mais uma vida sucumbiu. Enquanto a banalização do sangue continuar a exercer fascínio, estaremos sujeitos a esse tipo de injustiça. É a morte como pena. Para que os leitores, repórteres e editores de Veja — e demais publicações que negligenciaram essa cobertura — durmam tranquilos.

 

*Maria Carolina Trevisan é jornalista, repórter do coletivo Jornalistas Livres, coordenadora de projetos da ANDI, pesquisadora do Núcleo de Estudos Sobre o Crime e a Pena da DireitoGV e Jornalista Amiga da Criança.

 

 

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Política

As mobilizações de 20 de agosto

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Por Guilherme Boulos, do brasilem5.org

Nesta quinta-feira, 20/8, milhares de trabalhadores e trabalhadoras tomarão as ruas do país por uma pauta de esquerda, contra o avanço conservador e o ajuste fiscal. O Manifesto Nacional, assinado por dezenas de movimentos sociais, é claro em relação aos objetivos do ato

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Os três eixos da convocatória são: 1) Contra o ajuste fiscal, que os ricos paguem pela crise; 2) Fora Cunha, não às pautas conservadoras e o ataque aos direitos; e 3) A saída é pela esquerda, com o povo na rua e por Reformas populares.

Os movimentos acrescentaram ainda à pauta a rejeição clara aos retrocessos da tal Agenda Brasil – um pacto entre os de cima e contra os trabalhadores – reafirmando como contraponto uma agenda popular: Taxação das grandes fortunas e do lucro dos bancos, auditoria da dívida pública e reformas populares.

Mas a clareza do Manifesto não foi suficiente para evitar confusões e tentativas de desvirtuar o caráter da mobilização. Pela contraposição em relação aos atos puxados pela direita em 16/8, alguns – tanto entre organizações convocantes, quanto entre os sectários de plantão – apressaram-se em dizer (contra o própria convocatória do ato) que seria uma mobilização de defesa do governo Dilma.

Vejamos como chegaram a isso:

 

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De um lado, é verdade que surgiram uma série de convocatórias paralelas reduzindo o ato à “luta contra o golpismo”, sem falar de ajuste, direitos e mesmo defendendo o governo Dilma. Alguns dos movimentos que participam da organização do ato chegaram a compor estas convocatórias. E isso levou ao fato de que em uma série de capitais do país não haverá ato unitário, mas sim dois atos. Um seguindo o Manifesto nacional, outro estritamente “contra o golpismo”.

Este é um fato notório para os que estão acompanhando a organização do dia 20 e publicizado em convocatórias diferentes – no local, horário e conteúdo – em algumas das cidades que terão mobilizações. Uma demonstração clara de que, onde o tom da mobilização não seguiu a unidade política do Manifesto nacional, ela se dividiu.

Mas, de outro lado, esta disputa real pelo significado do ato do dia 20 está sendo utilizada por grupos sectários da esquerda para carimbar o ato, e conseqüentemente o MTST, como governistas.

Nenhuma novidade quando se trata dos puristas de sempre. Seu grande orgulho é não se misturar com os outros. Fogem de ambiguidades, de riscos políticos, ou seja, da história. Dedicam a maior parte de seu tempo não a fazer política de esquerda, mas a criticar quem faz por não ser “suficientemente de esquerda”. O resultado é a mais completa impotência política. Vivem a dizer o que os outros devem fazer, para onde devem mobilizar, mas quanto a eles, não conseguem mobilizar nem seus vizinhos na defesa de suas ideias. Vivem de sonhar que um dia as massas cairão em seu colo.

Quanto a nós, estaremos nas ruas no dia 20. Os atos unitários, incluindo o de São Paulo, terão um tom claro contra a direita e o ajuste fiscal do governo. Também contra a Agenda Brasil.

Este é o ponto que demarca a unidade, diante da diversidade de orientações políticas dos movimentos que estão nesta Frente. Na Frente de Mobilização que vem sendo construída por vários movimentos sociais desde 2014 e que organizou dias de luta como o 15/4, o 25/6 e agora o 20/8, cabem todos aqueles que queiram lutar contra a ofensiva da direita e de Cunha, contra o ajuste fiscal do governo Dilma e por uma saída à esquerda para a crise.

Esta alternativa popular e unitária sairá fortalecida das mobilizações do dia 20.

 

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Leia o manifesto das mobilizações de 20 de Agosto

 

TOMAR AS RUAS POR DIREITOS, LIBERDADE E DEMOCRACIA!
Contra a direita e o ajuste fiscal!

Estaremos nas ruas de todo o país neste 20 de agosto em defesa dos direitos sociais, da liberdade e da democracia, contra a ofensiva da direita e por saídas populares para a crise.

– Contra o ajuste fiscal! Que os ricos paguem pela crise!
A política econômica do governo joga a conta nas costas do povo. Ao invés de atacar direitos trabalhistas, cortar investimentos sociais e aumentar os juros, defendemos que o governo ajuste as contas em cima dos mais ricos, com taxação das grandes fortunas, dividendos e remessas de lucro, além de uma auditoria da dívida pública. Somos contra o aumento das tarifas de energia, água e outros serviços básicos, que inflacionam o custo de vida dos trabalhadores. Os direitos trabalhistas precisam ser assegurados: defendemos a redução da jornada de trabalho sem redução de salários e a valorização dos aposentados com uma previdência pública, universal e sem progressividade.

– Fora Cunha: Não às pautas conservadoras e ao ataque a direitos!
Eduardo Cunha representa o retrocesso e um ataque à democracia. Transformou a Câmara dos deputados numa Casa da Intolerância e da retirada de direitos. Somos contra a pauta conservadora e antipopular imposta pelo Congresso: Terceirização, Redução da maioridade penal, Contrarreforma Política (com medidas como financiamento empresarial de campanha, restrição de participação em debates, etc.) e a Entrega do pré-sal às empresas estrangeiras. Defendemos uma Petrobrás 100% estatal. Além disso, estaremos nas ruas em defesa das liberdades: contra o racismo, a intolerância religiosa, o machismo, a LGBTfobia e a criminalização das lutas sociais.

– A saída é pela Esquerda, com o povo na rua, por Reformas Populares!
É preciso enfrentar a estrutura de desigualdades da sociedade brasileira com uma plataforma popular. Diante dos ataques, a saída será pela mobilização nas ruas, defendendo o aprofundamento da democracia e as Reformas necessárias para o Brasil: Reforma Tributária, Urbana, Agrária, Educacional, Democratização das comunicações e Reforma democrática do sistema político para acabar com a corrupção e ampliar a participação popular.

A rua é do povo!
20 de Agosto em todo o Brasil!

ASSINAM:

Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) / Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) / Central Única dos Trabalhadores (CUT) / Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) / Intersindical – Central da Classe Trabalhadora/ Federação Única dos Petroleiros (FUP) / União Nacional dos Estudantes (UNE) / União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) / Rua – Juventude Anticapitalista / Fora do Eixo / Mídia Ninja / União da Juventude Socialista (UJS) / Juntos / Juventude Socialismo e Liberdade (JSOL) / Associação Nacional de Pós Graduandos (ANPG) / Federação Nacional dos Estudantes do Ensino Técnico (Fenet) / União da Juventude Rebelião (UJR) / Uneafro / Unegro / Círculo Palmarino / União Brasileira das Mulheres (UBM) / Coletivo de Mulheres Rosas de Março / Coletivo Ação Crítica / Bloco de Resistência Socialista / Coletivo Cordel / Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras) / Igreja Povo de Deus em Movimento (IPDM) / Central de Movimentos Populares (CMP) / União Nacional de Moradia Popular (UNMP) / Frente Nacional contra a Redução da Maioridade Penal / Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) / Movimento dos Trabalhadores por Direitos (MTD) / Brigadas Populares.

PARTIDOS QUE APOIAM O ATO:
Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) / PCR

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Redução Maioridade Penal

Redução da Maioridade Penal irá à votação em 2º turno na Câmara

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Por Douglas Belchior, Com informações do site da Câmara e Fundação Abrinq

Em sessão extraordinária, os deputados podem votar o segundo turno da proposta de emenda à Constituição da maioridade penal (PEC 171/93), com a apresentação de destaques supressivos propondo a retirada de trechos do texto.

A proposta permite o julgamento de adolescentes infratores entre 16 e 18 anos por crimes hediondos – como estupro e latrocínio –, homicídio doloso ou lesão corporal seguida de morte.

 

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O texto foi aprovado em primeiro turno no início de julho. Com 323 votos favoráveis e 155 contrários, o Plenário aprovou uma proposta um pouco mais branda do que a que havia sido rejeitada um dia antes, por não ter atingido número suficiente de votos.

Esse texto excluiu da proposta inicialmente rejeitada os crimes de tráfico de drogas, tortura, terrorismo, lesão corporal grave e roubo qualificado entre aqueles que justificariam a redução da maioridade.

Pela proposta, jovens de 16 e 17 anos deverão cumprir a pena em estabelecimento separado dos adolescentes que cumprem medidas socioeducativas e dos maiores de 18 anos.

Festival Contra a Redução da Maioridade Penal na Zona Leste de São Paulo

A campanha contra a redução da maioridade penal continua em todo país. Você pode colaborar fazendo contato direto com  os deputados. Saiba abaixo a posição de cada um deles:

 

Veja aqui quem são os 21 parlamentares que mudaram o voto de ‘não’ para ‘sim’, à PEC 171:

 

Parlamentar Partido UF Votação 30/06 Votação 1/07
ABEL MESQUITA JR. – Gabinete: 248 – Anexo: IV – Telefone: (61) 3215-5248 PDT RR Não Sim
CELSO MALDANER – Gabinete: 311 – Anexo: IV – Telefone(61) 3215-5311 PMDB SC Não Sim
DR. JORGE SILVA – Gabinete: 227 – Anexo: IV – Telefone: (61) 3215-5227 PROS ES Não Sim
DR. SINVAL MALHEIROS – Gabinete: 520 – Anexo: IV – Telefone: (61) 3215-5520 PV SP Não Sim
DULCE MIRANDA – Gabinete: 530 – Anexo: IV – Telefone: (61) 3215-5530 PMDB TO Não Sim
EROS BIONDINI – Gabinete: 321 – Anexo: IV – Telefone: (61) 3215-5321 PTB MG Não Sim
EVAIR DE MELO – Gabinete: 443 – Anexo: IV – Telefone: (61) 3215-5443 PV ES Não Sim
EXPEDITO NETTO – Gabinete: 943 – Anexo: IV – Telefone: (61) 3215-5943 SD RO Não Sim
JHC – Gabinete: 958 – Anexo: IV – Telefone: (61) 3215-5958 SD AL Não Sim
JOÃO PAULO PAPA – Gabinete: 476 – Anexo: III – Telefone: (61) 3215-5476 PSDB SP Não Sim
KAIO MANIÇOBA – Gabinete: 525 – Anexo: IV – Telefone: (61) 3215-5525 PHS PE Não Sim
MANDETTA – Gabinete: 577 – Anexo: III – Telefone: (61) 3215-5577 DEM MS Não Sim
MARA GABRILLI – Gabinete: 226 – Anexo: IV – Telefone: (61) 3215-5226 PSDB SP Não Sim
MARCOS ABRÃO – Gabinete: 375 – Anexo: III – Telefone: (61) 3215-5375 PPS GO Não Sim
MARCOS REATEGUI – Gabinete: 344 – Anexo: IV – Telefone: (61) 3215-5344 PSC AP Não Sim
PAULO FOLETTO – Gabinete: 839 – Anexo: IV – Telefone: (61) 3215-5839 PSB ES Não Sim
RAFAEL MOTTA – Gabinete: 737 – Anexo: IV – Telefone: (61) 3215-5737 PROS RN Não Sim
SUBTENENTE GONZAGA – Gabinete: 750 – Anexo: IV – Telefone: (61) 3215-5750 PDT MG Não Sim
TEREZA CRISTINA – Gabinete: 448 – Anexo: IV – Telefone: (61) 3215-5448 PSB MS Não Sim
VALADARES FILHO – Gabinete: 660 – Anexo: IV – Telefone: (61) 3215-5660 PSB SE Não Sim
WALDIR MARANHÃO – Gabinete: 575 – Anexo: III – Telefone: (61) 3215-5575 PP MA Não Sim

Veja aqui a lista geral de deputados e sua posição nas votações da PEC 171.

 

Votou contra na primeira e estava ausente na segunda:

Nome Partido UF Voto Voto 2 Dados Institucionais    
DOMINGOS NETO PROS CE não Ausência Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 4 , gabinete nº 546 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: (61) 3215-5546[email protected] http://domingosneto.com.br/https://twitter.com/Domingos_Netohttps://www.facebook.com/DomingosNetoCeara

 

 

VANDER LOUBET PT MS não Ausência Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 4 , gabinete nº 838 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5838 

[email protected]

http://vanderfazmais.com.br/deputado/https://www.facebook.com/vander13pt Telefone: (67) 9221-0696E-mail: [email protected]
DELEY PTB RJ não Ausência Praça dos Três Poderes – Câmara dos DeputadosGabinete: 742 – Anexo: IVCEP: 70160-900 – Brasília – DF

 

Fone: 3215-5742

 

[email protected]

https://www.facebook.com/deputadodeleyhttps://twitter.com/depdeley

  

Votou não na primeira e sim na segunda:

Nome Partido UF Voto Voto 2 Dados Institucionais    
MANDETTA DEM MS não sim Câmara dos Deputados, Gabinete: 577 – Anexo: IIICEP: 70160-900 – Brasília – DF 

Fone: 3215-5577

 

[email protected]

http://mandetta.com.brhttps://www.facebook.com/henriquemandetta 

https://twitter.com/depmandetta

 

Escritório em Campo Grande/MSRua Calarge, 1232 – Vila Glória – Cep 79004-290Campo Grande/MS

Tel (67) 3043-7525

ABEL MESQUITA JR. PDT RR não sim Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 4, gabinete nº 248 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5248

 

[email protected]

SUBTENENTE GONZAGA PDT MG não sim Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 4, gabinete nº 750 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5750

 

[email protected]

http://subtenentegonzagamg.com.br/plus/https://www.facebook.com/subtenentegonzaga

 

https://twitter.com/SubGonzagaMG

Avenida Brasil, 272 / 4º andar – Santa Efigenia, Belo Horizonte / MG(31) 3515-5201 
KAIO MANIÇOBA PHS PE não sim Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 4 , gabinete nº 525 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5525

 

[email protected]

https://www.facebook.com/deputadokaiomanicobahttps://twitter.com/kaiocmmnf

 

 

CELSO MALDANER PMDB SC não sim Câmara dos Deputados. Gabinete: 311 – Anexo: IVCEP: 70160-900 – Brasília – DF 

Fone: (61) 3215-5311

 

[email protected]

http://www.maldaner.com.br/website/https://www.facebook.com/celso.maldaner?fref=ts

 

https://twitter.com/maldaner_celso

Rua Nereu Ramos 75-D, Ed. CPC – Salas 305/307-BCentro – Cep: 89801-020 – Chapecó/SC. 

49 3329 1560

DULCE MIRANDA PMDB TO não sim Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 4 , gabinete nº 530 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5530

 

[email protected]

https://pt-br.facebook.com/dulcepaganimirandahttps://twitter.com/dulcemiranda_to

 

 

WALDIR MARANHÃO PP MA não sim Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 3 , gabinete nº 575 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5575

 

[email protected]

https://www.facebook.com/waldirmaranhaohttps://twitter.com/waldirmaranhao
MARCOS ABRÃO PPS GO não sim Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 3 , gabinete nº 375 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5375

 

[email protected]

https://pt-br.facebook.com/MarcosAbraohttps://twitter.com/marcosabraor
DR. JORGE SILVA PROS ES não sim Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 4 , gabinete nº 227 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5227

 

[email protected]

http://www.drjorgesilva.com.br/https://pt-br.facebook.com/DrJorgeSilva

 

 

RAFAEL MOTTA PROS RN não sim Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 4 , gabinete nº 737 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5737

 

[email protected]

https://www.facebook.com/rafaelmottarn 

https://twitter.com/rafaelmottarn

PAULO FOLETTO PSB ES não sim Câmara dos DeputadosGabinete: 839 – Anexo: IVCEP: 70160-900 – Brasília – DF

 

Fone: 3215-5839

 

[email protected]

https://blogdopaulofoletto.wordpress.com/http://www.facebook.com/paulo.foletto

 

www.twitter.com/DeputadoFoletto

 

Vitória: Rua José A. Buaiz, 190 sala 709 – Enseada do Suá CEP 29050-918. Telefones: (027) 30193940Colatina:  Rua  Santa Maria, 393 – Centro CEP 29700-200. Telefone: (027) 37215925
TEREZA CRISTINA PSB MS não sim Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 4, gabinete nº 448 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5448

 

[email protected]

http://terezacristinams.com.br/https://www.facebook.com/terezacristinams

 

https://twitter.com/terezacrisms

VALADARES FILHO PSB SE não sim Câmara dos Deputados, Gabinete: 660 – Anexo: IV, CEP: 70160-900 – Brasília – DFFone: 3215-5660

 

[email protected]

http://valadaresfilho.com.br/https://www.facebook.com/ValadaresFilho

 

https://twitter.com/Valadares_Filho

MARCOS REATEGUI PSC AP não sim Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 4 , gabinete nº 344 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5344

 

[email protected]

https://www.facebook.com/DepMarcosReategui 
JOÃO PAULO PAPA PSDB SP não sim Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 3 , gabinete nº 476 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5476

 

[email protected]

http://www.joaopaulopapa.com.br/https://pt-br.facebook.com/joaopaulopapaoficial

 

https://twitter.com/joaoppapa

MARA GABRILLI PSDB SP não sim Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 4 , gabinete nº 226 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5226 

[email protected]

http://maragabrilli.com.brhttps://pt-br.facebook.com/maragabrilli

 

https://twitter.com/maragabrilli

Escritório São Paulo/SPRua 7 de Abril, 386Sala 84 – 8º andar

República

CEP 01044-000

Fone/Fax: 3222-2201

EROS BIONDINI PTB MG não sim Câmara dos Deputados, Gabinete: 321 – Anexo: IV, CEP: 70160-900 – Brasília – DFFone:3215-5321

 

[email protected]

http://erosbiondini.com/home/https://www.facebook.com/erosbiondini

 

https://twitter.com/erosbiondini

 

Escritório em Belo Horizonte/MGAvenida Isabel Bueno, 100ABairro Jaraguá – CEP 31255-674

Tel.: (31) 3658-5788

 

DR. SINVAL MALHEIROS PV SP não sim Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 4 , gabinete nº 520 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5520

 

[email protected]

https://pt-br.facebook.com/drsinvalmalheiros4311https://twitter.com/drsinval4311

 

 

EVAIR DE MELO PV ES não sim Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 4 , gabinete nº 443 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5443

 

[email protected]

https://twitter.com/evairdemelohttps://pt-br.facebook.com/evair.vieirademelo
EXPEDITO NETTO SD RO não sim Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 4 , gabinete nº 943 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5943

 

[email protected]

https://www.facebook.com/expedito.netto.5https://twitter.com/netto_expedito

 

 

JHC SD AL não sim Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 4 , gabinete nº 958 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5958

 

[email protected]

https://twitter.com/deputadojhchttps://pt-br.facebook.com/Deputado.JHC

 

 

Votaram não na primeira votação e estavam presentes, mas não votaram na segunda

Nome Partido UF Voto Voto 2 Dados Institucionais    
ALICE PORTUGAL PCdoB BA não Presente, mas não votou Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 4 , gabinete nº 420 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5420

 

[email protected]

 

 

http://www.aliceportugal.org.br/v1/https://twitter.com/alice_portugal

 

https://www.facebook.com/deputadaaliceportugal

 

 

Escritório Político em Salvador-BAAvenida Anita Garibaldi, Edifício Ernesto Weckerle, nº 1279, Sala 302.Federação – Salvador Bahia – CEP 40210-750 – Fone: (71) 3331-5792 / Fax (71) 3237-5294

 

[email protected]

[email protected]

TONINHO WANDSCHEER PT PR não Presente, mas não votou Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 3, gabinete nº 584 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5584

 

[email protected]

http://www.deputadotoninho.com.br/https://www.facebook.com/DeputadoToninhoWandscheer

 

 

 

Deputados ausentes nas duas sessões contrário à redução, ou sem posicionamento, ou em dúvida, ou sem informação encontrada, ou com tendência a ser favorável à redução (não estão nesta lista os deputados ausentes que são declaradamente favoráveis à redução)

Nome Partido UF Voto Voto 2 Posicionamento Dados Institucionais    
ALEXANDRE VALLE PRP RJ Ausência Ausência Sem posicionamento Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 3 , gabinete nº 587 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5587

 

[email protected]

https://www.facebook.com/alexandre.valle.792 
RODRIGO MARTINS PSB PI Ausência Ausência Em dúvida Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 4 , gabinete nº 558 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5558

 

[email protected]

https://www.facebook.com/rodrigomartins4120391https://twitter.com/rodrigopsb

 

 

JOSÉ PRIANTE PMDB PA Ausência Ausência Informação não encontrada Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 4 , gabinete nº 752 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone:3215-5752

 

[email protected]

http://www.priante.com.br/https://twitter.com/prianteoficial

 

https://www.facebook.com/AgoraePriante

 

 

RODRIGO PACHECO PMDB MG Ausência Ausência Tendência à favorável Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 4 , gabinete nº 720 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5720

 

[email protected]

http://rodrigopachecominas.com.br/  [email protected] 
ANTONIO CARLOS MENDES THAME PSDB SP Ausência Ausência Informação não encontrada Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 4 , gabinete nº 915 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5915

 

[email protected]

http://www.mendesthame.com.br/https://www.facebook.com/deputadofederalmendesthame

 

https://twitter.com/mendesthame

PIRACICABARua Boa Morte, 1242

Centro

Piracicaba/SP

Tel: (19) 3437-2272

[email protected]

MACEDO PSL CE Ausência Ausência Informação não encontrada Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 4 , gabinete nº 214 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5214

 

[email protected]

https://www.facebook.com/macedo1777 
ASSIS CARVALHO PT PI Ausência Ausência Contrário à redução Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 4 , gabinete nº 909 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5909

 

[email protected]

http://www.assiscarvalho.com.br/https://twitter.com/assis_carvalhohttps://www.facebook.com/assiscarvalho.pt

 

 

 

Escritório Parlamentar    Rua Torquato Neto, 1679 (esquina com Rua Belisário da Cunha – entrada) – São Cristóvão – CEP 64.051-060 – Teresina-PI-Brasil – Fone (86) 3233-0131
ZECA DO PT PT MS Ausência Ausência Contrário à redução Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 4 , gabinete nº 860 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5860

 

[email protected]

http://zecadopt.com.br/https://pt-br.facebook.com/zecadopt13https://twitter.com/zecadopt

 

WLADIMIR COSTA SD PA Ausência Ausência Informação não encontrada Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 4 , gabinete nº 343 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5343

 

[email protected]

https://www.facebook.com/deputadowladhttps://twitter.com/deputadowlad

 

 

NEWTON CARDOSO JR. PMDB MG Presente Ausente Informação não encontrada Praça dos Três Poderes – Câmara dos DeputadosGabinete: 932 – Anexo: IVCEP: 70160-900 – Brasília – DF

 

Fone: 3215-5932

 

[email protected]

https://pt-br.facebook.com/pages/Newton-Cardoso-J%C3%BAnior/650863341637642https://twitter.com/newton1510

 

 

 

Votaram não na primeira votação e obstruíram a segunda

Nome Partido UF Voto Voto 2      
CHICO ALENCAR PSOL RJ não obstrução Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 4 , gabinete nº 848 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5848

 

[email protected]

http://www.chicoalencar.com.br/https://www.facebook.com/chicoalencar

 

https://twitter.com/depChicoAlencar

 

 

Gabinete Rio de Janeiro:Rua Joaquim Silva, 56 (sexto andar)Rio De Janeiro, RJ

20241-110

Tel: (21) 2232-4532

[email protected]

 

EDMILSON RODRIGUES PSOL PA não obstrução Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 4 , gabinete nº 301 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5301

 

[email protected]

http://www.edmilsonbritorodrigues.com.br/https://twitter.com/edmilsonpsol

 

https://www.facebook.com/edmilsonpsol

IVAN VALENTE PSOL SP não obstrução Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 4 , gabinete nº 716 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5716

[email protected]

http://www.ivanvalente.com.br/https://www.facebook.com/IvanValentePSOL

 

https://twitter.com/dep_ivanvalente

 

JEAN WYLLYS PSOL RJ não obstrução Câmara dos Deputados, Edifício Anexo 4 , gabinete nº 646 Brasília – DF – CEP 70160-900Fone: 3215-5646

 

[email protected]

http://jeanwyllys.com.br/wp/https://pt-br.facebook.com/jean.wyllys

 

https://twitter.com/jeanwyllys_real

 

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Direitos da Criança e do Adolescente

Festival musical contra a redução da maioridade penal em São Paulo

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DIGA NÃO À REDUÇÃO! #‎15CONTRA16

Festival Musical Contra a Redução da Maioridade Penal acontece nesse final de semana em São Paulo

#MobilizaçãoSocial

No próximo sábado, 22 de agosto, a partir da 11h, acontece um grande ato político-cultural na Avenida Maria Cursi, em São Mateus, o “Festival Musical #15contra16”. Show com muita música e intervenções artísticas em favor da vida da juventude.

O título #15contra16 foi criado durante um passeio do grupo de adolescentes da Imprensa Jovem da Escola Municipal Coelho Neto de São Mateus, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). A mobilização, que tem como missão alcançar os jovens, teve início através das redes sociais. Para participar, basta gravar um vídeo de 15 segundos argumentando contra a PEC 171 ou tirar fotos com as plaquinhas disponíveis na página oficial do evento e publicar com a hashtag #15contra16.

A programação do festival conta com diversos artistas que se apresentam em prol da causa, entre eles: MC Léo da Baixada, MC Medrado, Engrenagem Urbana, Parábola, Banca Audácia, Ballet Afro Koteban, Tati Botelho, Rocha e discotecagem com DJ Naves.

O porquê do Festival

Segundo a ONU, se as infrações cometidas por adolescentes e jovens forem tratadas exclusivamente como uma questão de segurança pública e não como um indicador de restrição de acesso a direitos fundamentais, à cidadania e à justiça, “o problema da violência no Brasil poderá ser agravado, com graves consequências no presente e futuro”. A violência impede que parte significativa dos jovens brasileiros usufrua dos avanços sociais e econômicos alcançados na última década e revela um inesgotável potencial de talentos perdidos para o desenvolvimento do país.

Visto que os jovens negros das periferias serão os principais atingidos por essa medida, o evento tem o objetivo de ‘educar politicamente’ esses jovens através da ferramenta cultural mais veiculada nas periferias – a música – e fazê-los pensar sobre o cenário político que está indo contra o direito de viver.

O evento é realizado por um comitê com diversos membros da sociedade civil, ativistas e membros de Movimentos Sociais, apoiado pelo plano “Juventude Viva” (São Paulo), Subprefeitura de São Mateus, Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, Secretaria Municipal de Cultural e artistas.

O projeto tem como objetivo maior informar e fortalecer jovens e adolescentes, principais vítimas da negação de direitos dentro desse país desigual, tornando-os capazes de protagonizara luta contra a redução da maioridade penal.

Visamos levar a discussão, atualmente alocada nas esferas do poder público, para as pontas da cidade e traduzi-la para que se faça compreendida na periferia. Ao promover uma grande mobilização unificada da juventude, o evento pretende, enquanto espaço de encontro e festa, incentivar os jovens e adolescentes repensarem os processos sociais e políticos aos quais estão submetidos. Colaborar nos processos de conscientização sobre a necessidade de participação e engajamento político e, dessa forma, no próprio exercício da cidadania também é objetivo desse festival.

Para tanto, os idealizadores e organizadores do festival, sabendo que o movimento não começa, nem termina na festa, estão há meses mobilizando a juventude, principalmente a periférica, através das redes sociais e da participação em eventos afins para discutir sobre os contextos nos quais vive a juventude dos grandes centros urbanos como São Paulo. Que a poesia e os sonhos prevaleçam! Que a juventude viva!

Como colaborar para a realização do evento?

Links do Facebook para compartilhar:

 SERVIÇO:

O quê? Festival Musical #15contra16.

Onde? Avenida Maria Cursi,  esquina com a Mateo Bei, próximo do terminal de ônibus de São Mateus – São Paulo -SP.

Quando? Próximo sábado, 22 de agosto das 11h às 17h.

Quanto? Gratuito.

Gabriela Vallim

Email:[email protected]

Tel.: 9 8427-0211 ( Tim/Whatsapp)

Renata Prado

Email: [email protected]

 

 

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Mulheres Negras

Mulheres Negras em luta lançam Manifesto

Plateia_Samba
O encontro aconteceu no sábado, dia 8 de Agosto, na Sub-Sede da Apeoesp de Itaquera, Zona Leste de São Paulo.

Do Site da Uneafro-Brasil com fotos de João Novaes

O dia 18 de Novembro de 2015 será histórico. Milhares de mulheres negras devem ocupar a esplanada dos ministérios, em Brasília, a fim de manifestar a exigência, junto ao Estado brasileiro, de equidade de gênero, racial e social. Esta ação, batizada de Marcha das Mulheres Negras 2015, será um marco na denúncia e na busca pela superação do racismo e do patriarcado, elementos fundantes e estruturantes da sociedade brasileira. Neste último sábado, a Uneafro-Brasil promoveu um encontro de formação e arrecadação de recursos para contribuir com a mobilização. Na ocasião fora divulgado o Manifesto das Mulheres da Uneafro. Veja as fotos da atividade e leia a declaração abaixo:

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Lideranças dos diversos núcleos de base da Uneafro, além de militantes de outros movimentos também participaram.

Em Manifesto, mulheres da Uneafro fortalecem a Marcha das Mulheres Negras 2015

Nós, mulheres, mães, jovens, estudantes e dirigentes da Uneafro-Brasil, há anos nos dedicamos ao trabalho comunitário e permanente através dos Núcleos de Base espalhados pelas periferias de SP, por meio da arte, da cultura e principalmente a partir dos Cursinhos Comunitários e da prática da educação popular, convidamos a todas as mulheres a se organizar e juntas construir um grande instrumento de luta do povo negro e da classe trabalhadora brasileira.

Conheça a Uneafro e ajude a construir a Marcha das Mulheres Negras 2015

Mulheres negras e pobres são diretamente responsáveis pela trajetória dos jovens estudantes de nossos cursinhos. São delas os maiores incentivos e apoios para que seus filhos estudem.

 

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Advogada Popular, militante feminista e membro do Conselho Geral da Uneafro, Rosâgela Martins.

Para nós da Uneafro, os elementos de raça e gênero e cultura, ao lado do elemento econômico, são centrais para o entendimento da realidade brasileira e para o fomento das lutas políticas e sociais em nosso país.

A efervescência da luta feminista que vivemos hoje é fruto direto das lutas históricas pela emancipação das mulheres negras. Muitas vieram antes de nós: Dandara, Acotirene, Aqualtune, Anastácia, Tereza de Benguela, Luiza Mahin, Maria Carolina de Jesus, Lélia Gonzalez, Sueli Carneiro, Leci Brandão, Luiza Bairros, Jurema Werneck. À elas nossa reverência! Às novas gerações cabem a radicalização do enfrentamento ao machismo e ao patriarcado, traços fundantes do nosso país. E assim tem sido, afinal, não se tem lembrança da realização de tantas ações, atividades, seminários, rodas de conversa e formação de coletivos voltados ao empoderamento das mulheres negras.

 

Lu2_Samba
Luciana Araújo, jornalista, feminista e militante do Núcleo Impulsor da Marcha das Mulheres Negras 2015

É uma questão de pele, de energia movente, quando várias mulheres negras relatam sua vivência, se identificam umas com as outras, riem, choram, se inspiram, se enaltecem. E é sim preciso falar sobre isso, já que, em vários momentos e espaços, fomos silenciadas. Agora que este silêncio foi quebrado e as angústias foram divididas, percebemos o quanto as trajetórias são idênticas. Daí nosso poder cada vez maior de mobilização e luta!

É preciso olhar para dentro de nossos movimentos, organizações, cursinhos, saraus, partidos políticos, sindicatos e discutir, incidir, reeducar e provocar mudanças reais.

Sobretudo, é preciso demarcar a posição histórica das demandas das mulheres trabalhadoras, reivindicar o campo popular da esquerda brasileira como lugar de nossa organização política, a valorização das organizações e instituições políticas da classe trabalhadora e a centralidade da luta antirracista e antimachista, sem as quais os sonhos por justiça jamais avançarão.

 

Luana_Samba
Drika e Luana Hansen manda o recado no momento de descontração e consciência.

O contexto político retrógrado e o avanço de setores conservadores atingem brutalmente a vida das mulheres negras. Não é preciso ir longe para exemplificar, uma vez que o genocídio da juventude negra e periférica se dá de forma continuada. O cerceamento da garantia de direitos fundamentais às crianças e adolescentes, com a ameaça constante de uma redução da maioridade penal, produzem efeitos violentos sobre os ombros das mulheres negras.

Por outro lado, a resistência, o posicionamento político, a força que vem da auto-organização das mulheres negras é motivo de reafirmação da luta, e precisa ser festejado. É motivo de alegria! Traz renovação, dá poder, contagia! Temos que envolver mais, mobilizar as comunidades periféricas onde vivemos e construir um grande movimento para mudar o país!

 

Povo_Samba
Outros momentos formação devem ser promovidos até novembro de2015

E é com força inspiradora de um dos lemas da Marcha das Mulheres Negras: “uma sobe e puxa a outra”, que chamamos todas e todos para o debate, para a roda de conversa, para o samba, para a ciranda, para o coco, para a capoeira, para o jongo, para assim, alcançar as mulheres negras organizar nosso exército em luta! Assim já é nossa prática!

Mas por que marchamos?

A nossa experiência nos cursinhos populares, nas escolas públicas, em associações comunitárias, na escuta e na conversa com mulheres da periferia, de forma direta e permanente nos faz dizer:

Marchamos pelos relatos que ouvimos, para levar a todos os espaços a fala da mulher encarcerada ou mãe de negros encarcerados, violentada pela revista íntima nas cadeias, ou para elevar a voz da dona de casa com filhos sem vaga em creche, da mãe solteira, da mulher negra faxineira sem carteira assinada, que vê os filhos e filhas lutando para que ela deixe um dia de limpar banheiros nas casas de pessoas.

 

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Cidinha Silva, professora da rede municipal de SP, militante feminista e membro do Núcleo Uneafro Cohab II – Itaquera.

Marchamos para que se ouça o que diz a mulher negra no seu mais íntimo momento de solidão. Marchamos porque dentre as mulheres assassinadas, por feminicídio, a taxa de 61% é de mulheres negras. Marchamos para que se repita à exaustão que nosso salário é menor, que o assédio moral e sexual persiste contra nosso corpo, no trabalho, no ônibus, na rua.

Marchamos pelas jovens que abandonam o cursinho comunitário com vergonha de estarem grávidas, por medo de apanhar do namorado, por não ter quem cuide de suas crianças para que elas estudem! Marchamos para nossa geração sobreviver e nossas filhas um dia encontrarem o bem viver!

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Por fim, marchamos para que esta linda mobilização continue, incansavelmente, pelo fim do racismo, do machismo, da lesbo-bi-transfobia, das violências vindas do patriarcado que sofremos e contras as quais resistimos, por inspiração de Dandara e todas de que somos herdeiras!

Pela superação do patriarcado e do racismo, seguimos!

Assinam militantes, coordenadoras de núcleos e membros do Conselho Geral da Uneafro:

Ana Paula – Núcleo Clementina de Jesus – Cotia/SP
Andressa Melo – Núcleo Mandela – Bragança Paulista/SP
Camila Cunha – Núcleo Capão Redondo – ZS-SP
Carolina Fonseca – Núcleo São Mateus em Movimento – ZL-SP
Estela Rocha – Núcleo Uneafro Jundiapeba – Mogi das Cruzes/SP
Fernanda Braga – Núcleo Mandela – Bragança Paulista/SP
Franciana Lacerda dos Santos – Núcleo Diadema/SP
Larissa Oliveira – Núcleo Luz – Centro-SP
Letícia Santos– Núcleo Mandela – Bragança Paulista/SP
Luciana Machado – Núcleo Antônio Candeia Filho – Centro-SP
Maira Cunha – Núcleo Capão Redondo – ZS-SP
Mayra Prachedes – Núcleo Antônio Candeia Filho – Centro-SP
Rebeca Martins – Núcleo XI de Agosto/Esquerda Preta – Poá/SP
Rosângela Martins – Núcleo Tereza de Bengela –ZL-SP
Talita Gomes – Núcleos Guerreiros de Atibaia/SP
Thais Renata de Lima – Núcleo Rosa Parks – ZL-SP
Turiny Sá – Núcleo Educação Liberta – Itaquaquecetuba/SP
Vanessa Gravino – Núcleo Clementina de Jesus – Cotia/SP
Vanessa Nascimento – Núcleo Uneafro Jundiapeba – Mogi das Cruzes/SP

 

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Movidas pela Capoeira, de Osasco, marcaram presença na atividade.
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Mulheres Negras

O Samba das pretas em marcha neste sábado

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Do Site da Uneafro-Brasil

UNEafro Brasil e o Núcleo Impulsor do Estado de São Paulo da Marcha das Mulheres Negras 2015, convidam a todos os militantes, ativistas e apoiadores de nossa causa, para o Samba das Pretas, que será realizado no sábado, 8 de Agosto, a partir das 12h.

A atividade é aberta para toda comunidade e tem como finalidade a arrecadação de fundos para a realização da Marcha das Mulheres Negras, no próximo mês de novembro.

A feijoada completa sai a R$ 15,00, com direito à Samba de roda de altíssima qualidade. Estão previstas intervenções culturais, capoeira, e muita música.

Caso não possa comparecer mas queira contribuir, você pode depositar qualquer valor em conta bancária:

BANCO DO BRASIL
Agência 3687-0
Conta Corrente 285.085-0
Em nome de: Associação Franciscana de Defesa de Direitos e Formação Popular – AFDDFP

Veja a programação:

LOCAL: Apeoesp Subsede Itaquera – Rua Colonial das Missões, 204 – Itaquera – Contato: 2944-7951
Horário: 12h às 15h – Feijoada a R$15,00
Roda de Conversa: “Porque marchamos?” Nucleo Impulsor Marcha das Mulheres Negras/SP e Uneafro Brasil

Intervenções Culturais das 18h às 21h:

#Movidas pela Capoeira
#Levante Mulher
#Som com a DJ Luana Hansen
#Samba Negras em Marcha

Leia aqui o Manifesto das Mulheres das Uneafro-Brasil

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Cultura

Disco “Latinoamerisamba”, de Tiarajú Pablo, escancara fragilidade de fronteiras latinas

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Por Igor Carvalho

Somente fronteiras burocráticas separam os 43 estudantes mexicanos sequestrados pelo Estado em Ayotizinpa dos milhares de brasileiros negros e pobres assassinados diariamente pelo Estado através de suas polícias. De Cabula ao Capão, da Rocinha a Pedrinhas.

As mesmas demarcações territoriais afastam o coletivo  “Madres de Plaza de Mayo”  das “Mães de Maio”. Se a primeira busca os corpos e a memória dos milhares de argentinos e argentinas desaparecidos durante a ditadura militar, a segunda quer justiça pelos 493 assassinados cometidos pelo estado de São Paulo em 2006.

A ascensão econômica e social através do futebol é uma bola quicando nas quebradas de Cuzco, Cochabamba, Salta, Belém, Medellín, Maldonado, Guayaquil, Maracay e Guarambaré, sem distinções, separadas apenas por uma linha torta no mapa.

A fluidez destas demarcações geográficas se desfazem como água na música de Tiarajú Pablo. Em seu novo disco, “Latinoamerisamba”, o sociólogo e músico atravessa a Pátria Grande fazendo uma homenagem aos seus ritmos e poetas.

Em “A periferia não dormiu”, Tiarajú traz para sua música o grito dos movimentos organizados das quebradas do país e a inquietude que nunca os deixou dormir diante das injustiças sociais, apesar do “gigante” das elites que se autoproclamou acordado em 2013 e quis fazer parecer que todos estavam dormindo.

Em seu disco, Tiarajú lembra do “cume do morro, onde o negro gritou e deu início à luta do povo” [“Mirante”] e exalta a Brasilândia [“No Morro da Brasilândia”], um dos mais tradicionais bairros paulistanos, reduto importante do samba da capital paulista. Dessa forma, o cantor crava tua obra na periferia histórica, buscando a ancestralidade de seu povo, de luta e libertação através da arte.

Nascido e criado na zona leste de São Paulo, na enorme Itaquera, Tiarajú empresta a voz para cantar a Buenos Aires de teu pai em “Ciudad de lós mil rostos”, a única canção do disco não escrita pelo cantor. A cidade portenha ainda é referenciada em “Mãe menina.”

O passeio pela Pátria Grande continua. Intercalando músicas em espanhol e português, samba e trova cubana, Tiarajú vai apresentando seu passaporte criativo, que é tem livre trânsito no imaginário latino-americano do artista que já visitou diversos países do continente.

Sem pudor diante de um Brasil que ainda mira sua parabólica na arte europeia e estadunidense, o cantor enfileira referências subjetivas e diretas no palco, de Martinho da Vila e Zeca Pagodinho, passando por Mercedes Sosa, Victor Jara Pablo Milanés, Silvio Rodrigues, Ali Primeira, entre outros. Todos parecem abençoar o voo livre daquele que ousa desafiar as fronteiras geográficas, assim como um dia fizeram “Raíces de América”, “Tarancón” e “Taiguara”.

Pablo Milanés e Silvio Rodriguez, criadores da nova trova cubana, na passagem dos anos 1960 para, são alvo de uma música especial, que carrega o nome da dupla. À Cuba, Tiarajú rende outra homenagem, em “Samba da Unidade Latinoamericana”.

Que os ritmos e os sotaques deste “Latinoamerisamba” derrubem as fronteiras, se não físicas, ao menos de nosso imaginário. Que a aproximação de nossos povos, oprimidos e colonizados, seja um dia possível, e que o grito da periferia [nunca adormecida] seja de vitória pela unidade latinoamericana.