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Política

Ante o golpe, aprender com os erros e ir à luta!

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Eu acredito é na rapaziada
Que segue em frente e segura o rojão
Eu ponho fé é na fé da moçada
Que não foge da fera e enfrenta o leão
Eu vou à luta com essa juventude…

(Gonzaguinha)

Por José Carlos Freire* e Douglas Belchior**

 

Um dia triste. Chame-se de golpe. Pode ser. Ainda que na história da América Latina essa palavra tenha sido, até agora, vinculada a toda ofensiva feita pelas oligarquias para travar, interromper ou impedir um projeto popular efetivamente transformador das estruturas sociais e econômicas. Chame-se de golpe – é um dia que não dá muita vontade de brigar por palavras, aquela briga vã de que falava o Drummond -, mas não se queira com isso afirmar que os governos do PT foram antioligárquicos. Não o foram em nenhum momento.

Uma coisa é dizer que o processo contra Dilma foi espúrio; outra é querer que isso apague da história o fato de que o PT cavou sua própria sepultura. A decisão tomada lá atrás, de basear a governabilidade no âmbito parlamentar em detrimento do popular, encontrou seu acabamento. O rito de ajuste do poder – a mera substituição de atores na mesma peça de manutenção da velha ordem – é algo que nos acompanha desde Deodoro. Tudo depende, de modo preponderante, dos humores e interesses do Congresso, esta instituição cara ao Estado Moderno, mas que no Brasil se transformou em um clube de negociações de nossa velha aristocracia.

Chame-se golpe, tudo bem. Embora haja a alternativa dada pelo jornal Le Monde: “ou é golpe de Estado ou uma farsa”.

Há de se respeitar a história de Dilma Roussef. Ainda mais sua coragem. Saltou aos olhos o recrudescimento do patriarcalismo, do machismo e da misoginia, expresso em todo esse processo. Neste particular ela é vitima. E perdemos todos junto com ela, sobretudo a mulher brasileira. Mas Dilma paga também por suas escolhas políticas e alianças.

Ainda mais triste o fato de que nosso primeiro operário no poder tenha contribuído para a desorganização dos trabalhadores. Deixamos um péssimo registro na luta secular dos trabalhadores do mundo: é possível um partido que os tenha como bandeira não só governar longe deles, mas também aliado aos seus opressores.

 

No senado, Dilma foi devorada na cova dos leões. Cova que cavou. Leões que alimentou. Injusto para Dilma. Perverso e cruel para o povo, a partir dos resultados que o impeachment trará.

 

O saldo é nefasto. Serão tempos difíceis.

Pelo menos sabemos algo do que não fazer: não subestimar a força da direita; não acreditar que é possível um pacto de classes no Brasil que favoreça aos trabalhadores; não confiar nosso destino em um “messias”; não jogar nossas fichas unicamente na esfera político-parlamentar; e, sobretudo, não ficar presos ao ciclo vicioso das eleições como único momento da vida política de um povo.

Mas também há pistas do que fazer: formação política através de educação popular; trabalho de base permanente e comunitário; fortalecimento das experiências de coletivos de luta autônomos; aposta na juventude, nas mulheres, negros, Lgbt’s e organizações periféricas como aqueles que hoje ocupam o centro da resistência política. É importante também superar o mito do Lula. Ele não nos salvará. Ou será execrado pela direita ou reciclado para trabalhar de novo para ela. Triste assim. Mas a vida nem sempre é alegre.  Forjar e acreditar em novas lideranças que tenham de fato raízes na luta popular é necessário e urgente.

Em 2018 não aparecerá um portal mágico que nos fará alcançar, num estalo, um outro Brasil. Superemos esta ingenuidade. É o mínimo que uma análise crítica pode nos oferecer neste momento.

Dois anos serão pouco. Será necessário mais tempo. Trabalho de base, num contexto adverso, difícil e certamente repressivo.

Há um compromisso a ser reforçado por todos que descobriram, como Che, que não é por acaso que o coração bate do lado esquerdo do peito: o compromisso com os “condenados da terra”, como nos ensinou Fanon. É esta a bússola: que erremos, mas o façamos em nome de um projeto efetivamente popular. Melhor isso que conquistar o poder e governar para quem faz do Brasil o que ele é há mais de 500 anos.

Reafirme-se: não há de se lamentar a queda do PT. Lamenta-se que tenhamos acreditado por tanto tempo que é possível almoçar com o povo e jantar com quem o oprime.

Que possamos aprender com os erros. E que tenhamos força para ir à luta!

 

 

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*José Carlos Freire é professor universitário, mestre em filosofia; **Douglas Belchior é editor do Blog.

 

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Intolerância Política

O que está por trás do ódio a Jean Wyllys?

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Por Douglas Belchior e Douglas Rodrigues Barros

 

No dia 10 de agosto a página do Facebook do Blog Negro Belchior foi atacada com centenas de ofensas, injúrias, calúnias e ameaças. O motivo: um vídeo de Jean Wyllys. Temos total noção de como esses ataques orquestrados, no submundo da internet, funcionam. Sabemos que não foi a primeira como não será a última vez que uma figura que

incomoda pelo seu posicionamento político em defesa das minorias e em busca de ampliação democrática, sofre. No entanto, o que explica esse ódio, ou melhor, o que explica tantos ataques promovidos pelo ódio?

Jean Wyllys se tornou o alvo preferencial de uma direita psicopata e esquizofrênica que, a despeito de qualquer argumento racional, se utiliza de violentos ataques verbais e de calúnias para dar vazão ao seu ódio e frustração.  Não é mero acaso que, acerca de um mês atrás, postamos um texto preliminar de como age o fascismo. Naturalmente, o texto em questão não tinha como aprofundar o estudo, dando apenas indícios e bibliografia para um estudo mais específico sobre o fascismo para quem se interessasse.

Jean Wyllys representa a transformação e a superação daquilo que era tido como comum e normatizado. O fato de ser um homossexual assumido e defender pautas radicadas numa tradição de oprimidos, o torna alvo número 1 de uma reação conservadora que, na total ignorância e obscurantismo, precisa da criação de um inimigo para fazer escoar sua frustração.

A dificuldade de se compreender essa categoria – fascismo – está no fato de que para a maioria das pessoas os conceitos são categorias fixas e imutáveis. O problema é que, no terreno do social, as categorias se dissolvem, se transfiguram, se transformam e por fim se superam. Assim ocorre com o conceito de fascismo e, do mesmo modo, com o conceito de família. As mudanças nas formas de compreensão da vida social são empreendidas com os desdobramentos da própria história. E os conceitos surgem e se alteram para que compreendamos essas mudanças. Esses desdobramentos estão em disputas ocorridas no campo da política – entendida em sentido amplo – não apenas partidário ou representativo.

E é nesse sentido que o surgimento de uma figura pública como Jean Wyllys incomoda grandemente. Isso porque Jean Wyllys representa a transformação e a superação daquilo que era tido como comum e normatizado. O fato de ser um homossexual assumido e defender pautas radicadas numa tradição de oprimidos, o torna alvo número 1 de uma reação conservadora que, na total ignorância e obscurantismo, precisa da criação de um inimigo para fazer escoar sua frustração.

O filósofo Hegel explica que há dois caminhos para a consciência se afirmar como aquela que começa a conhecer a si mesma, um de fracasso e o outro de sucesso. O caminho que fracassa, é a aniquilação da outra consciência – que é uma negação a nossa própria consciência por ser diferente de nós mesmos. O segundo caminho, que obtém sucesso, é o reconhecimento da outra consciência, à despeito de sua diferença, como igual a nós. Fica claro, que os detratores de Jean Wyllys optam por sua aniquilação. E a aniquilação do diferente é a tentativa desesperada de afirmar o mesmo. O medo real e absurdo do novo e da diferença. A conservação de tudo que é obtuso, arcaico e mofado. Jean Wyllys incomoda porque representa a morte do velho, do normatizado, daquilo que era sólido, mas se dissolveu no ar.

No entanto, isso que surge como elogio é, ao mesmo tempo, uma crítica. Jean Wyllys é o representante da luta homoafetiva no interior de uma estrutura Cis cujos homossexuais não são reconhecidos como sujeito de direito. A luta de Jean para que haja essa garantia esbarra, desse modo, numa estrutura que pelo menos, desde 2013, já se mostrou, para a maioria dos brasileiros, pútrida. Nesse sentido, o fim da modernização econômica brasileira sob a égide do PT pode ser entendido também como fim das formas de representatividade política garantida pela forma “democrática” de representação. Há algo no ódio contra Jean Wyllys que está para além da superfície de suas escolhas sexuais.

Os ataques discriminatórios contra Jean Wyllys são a verdade de nosso tempo sombrio. O que se impõe, para nós, é: não podemos mais nos calar diante disso

E nesse ponto uma análise sobre o fascismo, sempre tão atuante socialmente, se mostra necessária. É preciso dizer que por detrás desse ódio, aparentemente tão impregnado de superficialidade, reside uma questão ideológica de fundo: a rejeição do postulado básico da forma democrática. Estamos num terreno histórico em que está aberta a luta e tudo está indeterminado. Essa indeterminação pode levar inclusive para um tempo ainda mais sombrio no qual o ataque fascista, já tão banalizado, se generalize como força policial. O pedido pela intervenção militar já está posto, a utilização de algumas igrejas fundamentalistas como pressuposto de ingerência política já está evidente.

Vemos aí acentuar-se a união entre religião e Estado e os argumentos “políticos” se reduzirem a argumentos religiosos – grande parte dos ataques a Jean Wyllys partem de argumentações fundamentalistas. A influência, por enquanto parcial, de parte das igrejas neopentecostais sobre o Estado, tem assegurado a imposição de normas jurídicas, com base na religião, independente das convicções de cada cidadão. E isso tem surtido efeitos devastadores socialmente – como a não liberalização da maconha e a não descriminalização do aborto – além de desiquilibrar substancialmente a relação entre o Estado e a Igreja.

Os ataques discriminatórios contra Jean Wyllys são a verdade de nosso tempo sombrio. O que se impõe, para nós, é: não podemos mais nos calar diante disso. A falência econômica está levando à falência da forma política. O que significa que é necessária uma transformação social radical que atue sobre a política. A questão é: estamos prontos para isso?

Assista o Vídeo, amplamente atacado por pessoas sem nenhum amor ou respeito à diversidade:

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Filosofia Política

Letícia Sabatella em The Walking Dead

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Por Douglas Rodrigues Barros, do Blog O Estranhamento

 

Para Žižek: “O conceito de ideologia deve ser desvinculado da problemática “representativista”: a ideologia nada tem a ver com a “ilusão”, com uma representação equivocada e distorcida de seu conteúdo social”. Ao fazer essa afirmação, o filósofo esloveno subverte a noção, até aqui comum, de que a ideologia é um olhar turvado sobre o mundo. Não. A ideologia é a nossa própria forma de se envolver com as verdades do “inalcançável real”, de desenvolver nossas interações sociais em suas formas simbólicas.

Com essa “subversão” teórica, Žižek abriu as cortinas para um olhar renovado sobre as produções artísticas e culturais e, desse modo, nos possibilita analisar a maneira pela qual a ideologia se expressa no cinema hollywoodiano. Ora, sabemos como a ideologia cataclísmica que se apresenta no neoliberalismo nos faz interagir com nosso cotidiano. O individualismo premente pregado pela doutrina taylorista nos coloca como únicos e inteiros responsáveis pelo “sucesso” não apenas nosso, como da “companhia”. É por meio dela que nos vigiamos uns aos outros e disputamos vagas no interior do deus-mercado. Deixamos então de ser o eu-mercadoria e passamos a ser o eu-empresa.

Não há dúvidas, porém, que a sétima arte apresenta o lugar privilegiado no qual essa verdade se expressa. Em um dos últimos filmes catastróficos – 2012 – a presença da ideologia se apresenta na responsabilidade que o personagem principal do filme tem para salvar sua família. Ao descobrir a catástrofe iminente, o empregado precarizado, motorista particular de um grande magnata e mafioso russo, tenta maquinalmente encontrar uma solução.

Para quem não assistiu ao filme é preciso dizer que os grandes acionistas e milionários mundiais – ou como gostam de dizer por aí os 1% da população – já se salvaram, pois, compraram seu passaporte para a arca de Noé. Como resultado temos que o herói do filme ao tentar salvar a si mesmo e a sua família, nos demonstra como todos os lastros sociais estão perdidos e o individualismo é imperante. A ideia central se desenvolve na esfera de que é tarde demais para uma resistência popular.

A arca de salvação, dos acionistas milionários e banqueiros, sairá da China, o último lugar em que a catástrofe tocará. Ou o lugar responsável por forçar, com o excedente de capital poupado, os Estados Unidos a financiarem, por meio de um déficit crescente, sua tentativa de sair da enorme crise financeira existente desde 2008. Enquanto o herói corre em disparada para encontrar uma vaga na Arca, vemos continentes inteiros serem dissolvidos.

“hei, a minha mensagem é para você consumidor/trabalhador/capitalista; o zumbi aqui é você”.    

Nesse filme, a ideologia se revela em sua verdadeira faceta que pode ser sintetizada na famosa frase: après moi le deluge (depois de mim, o dilúvio!). Ao final se revela com clareza aterradora – os pontos fortes do cinema hollywoodiano – o que se oculta na máxima de que: sob o neoliberalismo estamos no melhor dos mundos possíveis. O mundo acaba, mas o liberalismo continua, pois todos os acionistas, banqueiros e industriais se salvaram. O mundo se torna maravilhoso, uma espécie de paraíso perdido: não há mais pobres porque estão todos mortos!

Desse modo, os filmes, principalmente apocalípticos e pós-apocalípticos atuais que tiveram grande impulso, sobretudo, depois da crise de 2008, tornaram-se para nós, o que os romances do século XIX eram para os críticos de outrora, a saber: um periscópio pelo qual é possível enxergar as reais contradições no oceano do social.

É preciso dizer, entretanto, que uma forma de expressão, como é a cinematográfica, mantém autonomia em razão de sua independência artística. A forma revela uma busca independente por uma totalidade cujo fundo advém da criação. Uma obra grandiosa revela-se principalmente pela falta de intenção de seu autor, um abandono de suas posições, inclusive políticas, para que dê espaço ao personagem ou as personagens. E aqui o conceito de ideologia de Žižek se aplica de novo: não é a realidade que nos faz entender o cinema, é o cinema que nos faz entender a realidade.

Entendido isso chegamos enfim a tópica do presente artigo, qual seja: a temática dos mortos vivos. A temática dos mortos vivos não é nova, não por acaso, um dos primeiros impulsos atuais para esse tipo de filme surgiu pouco antes da década de 1970 se aprofundando nos anos 80. Mas, conta-se que há filmes desse tipo desde os anos 1930. Há quem diga que a abordagem clássica feita por George Romero é puramente política: A Noite dos Mortos Vivos (1968), Despertar dos Mortos (1978), Dia dos Mortos (1985), etc.

O contexto era o de guerra-fria, então, os zumbis seriam os comunistas que clamavam por cérebro. Naturalmente essa abordagem, intencional por parte desse diretor, vai se revolver no seu contrário. No Despertar dos Mortos, os sobreviventes vão se esconder num shopping e para lá correm centenas de zumbis

como se estivessem numa dessas promoções do Black Friday. Pablo Polese lembra que “Há um momento no filme em que toda a confusão cessa e a ordem típica de qualquer shopping (pessoas na escada rolante ao lado direito, etc) e de qualquer linha de montagem e qualquer rotina de trabalho assume. É o Romero dizendo “hei, a minha mensagem é para você consumidor/trabalhador/capitalista; o zumbi aqui é você”.

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Uma das características evidentes aí é a contradição não diluída da morte/vida. Os mortos vivem e os vivos precisam morrer. Uma dialética irônica que indica uma posição, nesses filmes, sempre minoritária daqueles que tem espírito; vida. Os mortos-vivos, pelo contrário, são sempre numerosos e os vivos uma minoria ínfima que ainda refletem, julgam criticamente e coletivamente às saídas para manter a espécie humana viva.

A explosão de sucesso, há pouco tempo atrás, do Walking Dead não é, por isso, um mero fenômeno de consumo. Poderíamos tomar suas metáforas como algo sintomático de uma realidade fantasmagórica que invade todos os poros da vida cotidiana. Seus autores indicam: há mortos por todos os lados, a única saída é coletiva e horizontal – não podemos esquecer da tirania do tal governador.

Semana passada um vídeo de Leticia Sabatella sendo acossada por centenas de militantes de extrema-direita lembrou uma cena brilhante da primeira temporada da famosa série:

Aquela em que depois de algumas semanas em coma, o herói se levanta e vendo que não há mais ninguém no hospital sai, arruma um cavalo e ruma para a cidade. Lá chegando, ao dobrar a esquina se depara com milhares de mortos errantes que avançam babando ao seu encontro, grunhindo e gesticulando.

Movimento similar aquele que houve com a atriz. O que os adeptos da extrema-direita atual deixam claro, com isso, é que quem não se parece com eles, ou que não optam por suas escolhas devem ser aniquilados. Esses são os mortos-vivos que saem do cinema e invadem as ruas. Quem for pego de vermelho deve ser devorado. O que lembra outra famosa cena da série, cena na qual alguns amigos tiveram que passar:

Há uma cena em que um rapaz asiático – salvo engano – remexe nas tripas dilaceradas de um morto-vivo para conseguir passar imune pela turba de mortos-vivos. A metáfora é clara nesse caso: seja igual a eles, vista o verde amarelo da camisa corrupta da CBF e serás visto com indiferença.

Aqui, precisamos encontrar, como diria Žižek, a realidade do virtual. Eu poderia concluir: a realidade do virtual se encontra na paulista em alguns dias de domingo.

 

 

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Cultura

Poeta Sérgio Vaz lança livro “Flores de Alvenaria” neste sábado, em Itaquera

Por Douglas Belchior

 

O Coletivo de esquerda #SomosNósnaLuta, que reúne professoras/es, ativistas sociais, militantes de movimento negro, feminista e Lgbt’s e de cursinhos populares, promoverá um Sarau de Cultura Periférica neste sábado, 06 de Agosto, a partir das 16h na Sub-Sede da Apeoesp de Itaquera. Diversos artistas populares confirmaram presença, dentre eles o Poeta Sergio Vaz, da Cooperifa, a poetiza Luíza Romão, Ruivo Lopes do Perifatividade, o fotógrafo e ativista Sérgio Silva, Rocha Silva do QI Alforria, os cantores e compositores Aloysio Letra, Tita Reis e Clayton Belchior, além da turma do Jongo dos Guaianás.

 

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Jongo dos Guaianás

 

Lançamento do livro “Flores de Alvenaria”

Além de sua esperada presença, o poeta Sérgio Vaz foi convidado também para lançar neste Sarau a sua mais recente obra, o livro intitulado de “Flores de Alvenaria”. O projeto reúne textos e poesias de um dos mais consagrados poetas da atualidade. Este é o terceiro livro de Vaz e aborda em suas páginas em verso e prosa a realidade vivenciada nas periferias das grandes e médias cidades.

“Este livro é uma homenagem ao povo da periferia, essa flor da humanidade que habita as casa de alvenaria. É uma forma de agradecer tudo que a periferia representa pra mim”

Eleito em 2009 pela Revista Época como uma das umas das 100 pessoas mais influentes do Brasil, Sérgio já participou de grandes exposições e documentários nacionais e internacionais.

 

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Poeta Sergio Vaz

 

O Sarau terá entrada gratuita, e será comercializado comidas e bebidas a preços populares.

Sábado, 6 de Agosto, a partir das 16h00, na Sub-Sede da Apeoesp de Itaquera, rua Colonial das Missões, 204 – Itaquera, próximo à estação de trem Dom Bosco.

Acesse e divulgue o Evento do Facebook.

 

 

Livro Sergio Vaz

 

 

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Filosofia Política

Abaixo a ditadura neoliberal!

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Por Douglas Rodrigues Barros

Ante o lamentável legado que a teologia neoliberal deixou espalhado pelo globo, não deveria haver dúvidas de sua ineficácia. A crescente concentração de riquezas – que atualmente beira os níveis de desigualdade do início da revolução industrial –, a permanente redução dos salários, rotatividade e precarização – não apenas do trabalho em si como dos, assim chamados, serviços prestados – deveriam por si só demonstrar que esta foi uma experiência que deu errado.

Desde meados de 2008, os teólogos do neoliberalismo espreitam ansiosos as revira voltas da bolsa e os truques matemáticos dos especialistas nos mistérios da economia financeira. Atualmente, por todos os lados, é nítida a percepção de que todas as saídas técnicas de realocar e reduzir os recursos estatais para salvar os bancos e o sistema financeiro, a custo de uma austeridade perversa paga pela população, não tem surtido o resultado esperado. Mas no Brasil tal teologia não só persiste, como vozes idólatras do deus mercado se erguem como se fossem donas de uma grande novidade.

Ignoram a bolha imobiliária que arrastou a economia mundial para o atoleiro no outono de 2008 e que até agora não se levantou. Ignoram a queda sequencial dos grandes bancos de investimento em Wall Street. Quando o Lehman Brothers ruiu sob a ficção solenemente produzida e vivida por seus investidores. Ignoram sobretudo os aspectos materialmente traumáticos da crise – como a expulsão de famílias inteiras de seus lares, o alastramento da pobreza, a forte queda no índice de desenvolvimento humano mundial, o desmonte das democracias e império das oligarquias financeiras que acabam por controlar os governos.

 

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Por isso, no Brasil a receita neoliberal é a receita do caos, da barbárie sem gestão. É a receita não apenas da manutenção do status quo, como do aprofundamento das desigualdades sociais que por aqui já são gritantes. Mas, os teólogos do mercado estão prontos a se curvarem e beijarem as mãos dos banqueiros. Todos os dias o grande jornalão estampa alegremente alguma grande e perversa saída imposta pelos bancos e seus analistas de mercado.

Defendem um sistema perverso que acumula, nas fronteiras dos países desenvolvidos, milhares de imigrantes que fogem para se livrar do caos que esse mesmo sistema fomentou em seus países. A guerra, a pilhagem de economias mais fracas, a imposição de modelos exploratórios nas costas de populações inteiras, a morte e a fome são algumas heranças dessa teologia que encontra na defesa de Mises sua mais cara hipocrisia. A redução do horizonte e o surgimento de maníacos como Trump e Bolsonaro dão indícios para onde está teologia está levando a humanidade.

Gritam aos quatro cantos: “abaixo a intervenção do Estado!”, mas são os primeiros a reivindicarem que o Estado salve as finanças por meio das manutenções de juros e injeção de investimentos em áreas que lhe são estratégicas. A estratégia é simples; a defesa de um Estado mínimo que serve para financiar o caos econômico e chamar a polícia contra os trabalhadores ou contra aqueles que reclamarem. Com isso, sabem muito bem o que querem: reduzir o Estado ao seu balcão de negócios particulares e segurança patrimonial. Não à toa nada dizem sobre o financiamento privado de campanha e manipulam, atualmente, todo o jogo político.

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Numa economia dependente, como é o caso da brasileira, fica nítido os estragos que o sonho da regulação do mercado por si mesmo causa.O fenômeno da globalização impõe um limite natural, porque geográfico, a expansão e manutenção da taxa de lucro, a tecnologia por sua vez, impõe um limite social ao trabalho como fonte de manutenção do consumo e processo de circulação de mercadorias.

À despeito de Mises, temos Ruy Mauro Marini que com clareza incomum percebeu que por aqui a superexploração do trabalho é determinante para a manutenção da taxa de lucro frente a concorrência do mercado externo. A condição desigual e dependente no interior de um mercado global gera uma desigualdade

gritante e obscura que não tem lastro, nem mesmo, nos níveis de desigualdade do início do capitalismo. Com o aprofundamento da austeridade imposta pelos ajustes, que agora alcançaram impulso incomum na gestão de Temer, o quadro patológico de nossa reconhecida desigualdade tende a desaguar num abismo de hostilidade social.

Não se pode duvidar, contudo, de que o neoliberalismo é uma força que movimentou e movimenta muitas almas na ilusão de que tudo continuará como está. E temo dizer, que muitas dessas almas acreditam-se inclusive de esquerda. A teologia neoliberal adentrou as mentes e os corações. Foi a responsável,a partir do final dos anos de 1970,por formular currículos escolares, ditar as formas de como encontrar emprego. Ganhou a universidade que inclusive funciona sob seu império – afinal o que é o currículo lattes? – e penetrou nas nossas mais íntimas relações. Usamos seus termos e jargões para expressarmos inclusive nossos sentimentos mais íntimos. Moldou nossa realidade, inclusive geográfica de acordo com o capital financeiro e a necessidade de absorção do “excesso de liquidez”.

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A crise mundial, no entanto, solapou o otimismo dos investidores, acabou com o horizonte crescente dos planejamentos familiares e dinamitou os direitos historicamente conquistados que muitos acreditavam ser sólidos nas democracias ocidentais. Mas, uma forma de vida morta mantém sua aparência por muito tempo e, assim, a teologia neoliberal se mantém com uma força em certa medida garantida pelos meios de comunicação e pela institucionalidade. Inclusive pelos Estados europeus que foram os maiores responsáveis pela sua sobrevida ao desviar dinheiros de impostos para salvar os tão “trabalhadores” banqueiros.

O horizonte de qualquer mudança profunda se apresenta bloqueado por essa teologia que ganhou as almas por meio da autoajuda. Do mesmo modo, as medidas dos especialistas têm se demonstrado falhas, levando Estados inteiros a se leiloarem a fim de arrecadarem de volta o que entregaram, de mão beijada, para a iniciativa financeira. Enquanto isso, mais e mais trabalhadores do globo são postos na fila do desemprego. Um exército que agora está se amontoando nas ruas do Brasil com sua taxa de 11% de desempregados. A economia em declínio – e rumo ao caos imposto pelo ajuste do governo interino – se vê impotente de absorver a mão de obra aprofundando a insatisfação social.

Do mesmo modo, o Estado está inteiramente imiscuído nas formas de gestão econômica ligadas ao mercado e suas formas neoliberalizantes. A própria destituição de Dilma Rousseff é embasada em segredos econômicos relacionados a lei orçamentaria da qual nenhum cidadão mediano tem acesso. Um jogo matemático misterioso e antidemocrático par excellence. Jogo que demonstra a falsa dicotomia existente entre Estado e mercado pois, ambos se demonstram interdependentes. Por isso, o neoliberalismo, não é uma teoria separada do desenvolvimento da economia dominante, mas sim o próprio desenvolvimento desta que entrou numa crise estrutural há algum tempo.

O golpe atual reforça, portanto, a posição do delírio neoliberal. A sanha inescrupulosa e insensata de tomar lugares estratégicos do pequeno e exíguo Estado social da era petista. Com a ganância clara na possibilidade de investimentos, visando margem de lucro alta pelos manipuladores do mercado financeiro. O caos já está instalado e a seguridade social ameaçada. Este é um dos maiores legados que a teologia neoliberal deposita em nossas costas. Legado perigoso que pode inclusive levar à uma desagregação social jamais vista. Por isso, abaixo a ditadura neoliberal!

 

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Cinema

“Tem dono”, filme que trata questão da moradia será exibido no Cine Olido

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Por Douglas Belchior

 

Nesta terça feira, 2 de agosto, o Cine Olido exibirá o filme “Tem Dono”, uma produção da Toco Filmes, dirigido pelos ativistas e cineastas Thiago Fernandes e Tiago

Neves. Após

a exibição, haverá um debate sobre o tema entre a platéia e os autores.

O documentário retrata uma ocupação espontânea de várias famílias em um terreno na zona sul de São Paulo.

Os moradores organizaram-se, limparam a área, dividiram os lotes e construíram suas casas.

O filme discute ainda quem

realmente são os donos da cidade.

Ou pensam que são.

Imperdível!

Evento no Facebook: https://goo.gl/AvRvNo

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Matriz Africana Mulheres Negras

Dourada: Inspirado em Ndandalunda, ensaio celebra a beleza da mulher negra

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Texto e fotos de Roger Cipó; Modelagem de Raíssa Teixeira.

 
No último dia 25 de julho, celebramos o Dia Internacional da Mulher Afro-Latina-Americana, Caribenha e Indígena.
 
Como bem definido em um belo texto publicado pelo site Blogueiras Negras, “Comemorar o  25 de julho é

celebrar e reverenciar a elaboração

de novas perspectivas feministas, em especial da introdução da diferença na teoria feminista tradicional. Afinal não podemos esquecer que o feminismo que ressurgiu na década de 1970, afirmava uma identidade feminina homogênea, logo não se conseguia identificar e visibilizar demandas específicas de mulheres que sofriam com a intersecção de diversas condições como, gênero, raça, classe, etnia, orientação sexual e religiosidade”.

 
Em celebração e reflexão ao 25 de julho, a Olhar de um Cipó compatilha Dourada, uma homenagem à Nkise Ndandalunda, divindade bantu das águas doces, da fertilidade feminina, do acolhimento e da doçura. A estrela da modelagem é a jovem Raíssa Teixeira – N’tangu Maza.
 
Dourada também é um olhar para a singularidade da beleza negra que acolhe, empodera e motiva para luta, com a mesma capacidade que movimenta as águas para bem cuidar de seus filhos e filhas.
 
Kiuá Ndandalunda!
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Link para ensaio completo: https://goo.gl/0phZ59