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Direitos Humanos Ditadura Militar

Desconfiai do mais trivial.

** POR LUARA COLPA
Pensávamos ter vencido a ditadura, ao menos os livros de história mencionam um período que tem início, hífen e fim. Mas ela está viva.

Ontem, dia 29 de novembro de 2016, o Brasil participou de mais um episódio do Golpe. Apenas mais um. Neste momento, abro um parênteses. Está difícil conversar entre nós, já não conseguimos ouvir e nos fazer ouvir, vou aproveitar que isso é um texto, para ver se conseguimos fazer com que eu chegue até o final sem ser interrompida. Tomara que sim!

Os últimos anos no Brasil não foram fáceis, há um esgotamento do dito governismo, um sectarismo da esquerda e sobretudo uma falta de alternativa contundente. Todo esse cenário, seguido do oportunismo de diversos grupos à direita, de interesses escusos na entrega do pré-sal, nióbio, minério de ferro, da facilidade de agendamento de informação feita pela mídia concessionária e a Justiça abruptamente parcial, nos leva a seguir com a lógica de um povo que não se reconhece pertencido às lutas que nos forjaram e, o pior, sendo feito de massa de manobra, afoitos por um “justiçamento” assustador.

Fonte/Reprodução: http://tudo-em-cima.blogspot.com.br/2015/08/a-historia-se-repete-como-farsa.html
Fonte/Reprodução: http://tudo-em-cima.blogspot.com.br/2015/08/a-historia-se-repete-como-farsa.html

Nós desconhecemos as muitas histórias de resistência do próprio povo brasileiro, e seguimos desconectados. Para além disso, a concessionária do Golpe conseguiu agendar em nossas mentes o ódio e a surdez. Não conseguimos nos fazer ouvir, mas conseguimos espalhar a hashtag do ódio (Quem aí assistiu Blackmirror?)

Todo santo dia a polícia está com a razão para avançar mais um pouco. Todo dia há uma brecha que nos faz tirarmos o foco desse avanço ilegal, a cada dia esticamos mais a violação de direitos humanos e nos perdermos olhando somente para nós e nossos “erros”. Não percebemos ali à frente o Golpe avançando a passos largos. Eu sinto muito por nós, mas não vou me debruçar a fazer autocritica dessa vez, não há o que apontar quando mais de 30 mil estudantes têm a sua integridade física colocada em cheque porque meia dúzia – sabe-se lá de onde vieram e quem os enviou para aquilo – viraram um carro ou atearam fogo em outro, em Brasília na data de ontem.

Ora, não acho que precisamos nos esforçar muito para pensarmos se uma situação dessas não era tudo o que a polícia precisava para dispersar os 29.994 outros manifestantes da forma mais absurda que vimos desde a Ditadura Militar (a “oficial”), com direito a mirar em secundaristas menores de idade pacíficos e desarmados e dispararem 8 tiros de bala de borracha e um gás lacrimogênio a cada 29 segundos, numa repressão que durou mais de 3 horas.


Agora precisamos falar da pior parte dessa estória: A gente desconhece o teor da manifestação. Alguém me aponte qual canal de TV aberta nos explicou o que é a PEC 55 (antiga 241).

 

Não foi explicado né? A gente não leu o inteiro teor disponibilizado no site do Senado, porque se tivéssemos entendido, seríamos mais pessoas na tarde de ontem, estaríamos conversando sobre o absurdo daquele texto, e nenhum de nós estaria falando sobre um carro virado sabe-se lá por quem, melhor: Não estaríamos nos culpando, culpando os manifestantes e os colocando como inimigos.

Não temos capacidade de eleger um inimigo, pois dormimos em berço esplêndido e quem nos nina tem nome: Rede Globo de televisão. Há mais de 50 anos servindo à seus escusos superiores. A mesma que apoiou a ditadura militar ontem, a mesma do caso “Proconsult” que tentou inviabilizar Leonel Brizola porque este queria a Legalidade. A mesma emissora que com sua narrativa nos embala novamente quando criminaliza o povo preto de periferia, quando antecipa o Processo Penal e os julga meliantes, traficantes… Justifica-se o Estado de Sítio no Complexo do Alemão e com essa informação agendada, tomamos nosso café da manhã. Globo.

A mesma que coloca em votação quem um enfermeiro deveria socorrer: “Bandido” ou policial.

A mesma que hoje pela manhã chamou manifestantes (estudantes e professores) de vândalos.

É na narrativa da TV que a nossa Ditadura está estruturada. Novamente a Mídia nos coloca entre “Democracia e Comunismo” – a Pedagogia do Medo. Como se de fato, estivéssemos próximos de algo muito aterrorizante (sequer conseguimos nos segurar enquanto democracia e direitos básicos).

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Reprodução Arquivo https://alemdarena.blogspot.com.br

 

A base dessa narrativa é a intolerância às manifestações, o atravessamento aos conceitos de justiça, de processo penal, e a habilidade de nos colocar uns contra os outros de forma “trivial”, habitual. Esterrecedor. Parecendo impossível de mudar.

Sem Presidente eleito, sem obediência à Tratados Internacionais aos quais somos signatários, com repressão policial exacerbada, Tribunal de Exceção e política de corte de gastos à educação, a dúvida é se o calendário aponta 64 ou 2016.

A manchete é a mesma:

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“Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.

E examinai, sobretudo, o que parece habitual.

Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,

pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada,

de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada,

nada deve parecer natural

nada deve parecer impossível de mudar.”

Bertolt Brecht

 

*Luara Colpa é brasileira, tem 29 anos. Colunista no BHAZ. É mulher em um país patriarcal e oligárquico. Feminista e militante por conseguinte. Estuda Direito do Trabalhador e o que sente, escreve.

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Escrita da história

Por que os estadunidenses negros amam Fidel Castro?

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Fidel Castro realiza uma conferência de imprensa no Hotel Theresa, no Harlem, em 1960, nos EUA

 

Quando veio a Nova York em 1960 para a reunião das Nações Unidas, Castro se irritou com a gerência do hotel em que ele estava se hospedando, o Shelburne, arrumou suas malas e levou sua comitiva para o Hotel Theresa no Harlem, onde ele celebremente apareceu na janela e acenou para os moradores negros da comunidade. Milhares de moradores do Harlem gritaram seu nome em uma conexão com o poder com o qual eles estavam totalmente desacostumados.

 

Por Ronald Howell, em Dezembro em 2014

Tradução: Tomaz Amorim Izabel, para este Blog.

 

Quando se trata de comparar palavras com feitos no tema da igualdade racial, o líder mais fiel do hemisfério ocidental, durante o século XX, foi Fidel Castro.

Eu digo isso como um estadunidense negro que se conectou com muita proximidade à América Latina quando adulto, vivendo no México por quase dois anos, trabalhando e ficando com famílias na República Dominicana e fazendo mais do que meia dúzia de visitas a Cuba, onde eu vaguei por suas cidades encantadoras e dirigi até os limites mais distantes do interior, forjando relações com seu povo, especialmente aqueles de matiz mais escura.

Nós estamos sentindo agora o calor deste assunto incandescente, o homem que abrigou estadunidenses negros em sua ilha no Caribe. Sim, é Fidel Castro quem – mesmo sem poder e agora já há anos – está irritando tanto os estadunidenses, especialmente policiais, por causa de uma ação de governo sua de três décadas atrás.

Foi Fidel quem garantiu anistia a Joanne Chesimard, conhecida agora como Assata Shakur, ainda procurada em 1973 pelo assassinato de um policial estadual de Nova Jersey, Werner Foerster, em um tiroteio na estrada. Shakur foi condenada, mas conseguiu escapar da prisão em 1979 com a ajuda de camaradas. Como uma das lideranças da Black Liberation Army (Exército da Libertação Negra), que tomou ações mais duras até que o Partido dos Panteras Negras (Black Panther Party), não apenas entrando em tiroteios com policiais, mas também assaltando banco, Shakur se tornou uma lenda no seu tempo, uma Robin Hood das massas negras.

Em um momento histórico, o presidente Barack Obama anunciou que procuraria normalizar as relações com Cuba. No mesmo dia, policiais federais e de Nova Jersey repetiram sua oferta de 2 milhões de dólares por informações que levassem à captura de Shakur. No último ano, os federais colocaram Shakur como única mulher na lista do FBI de pessoas mais procuradas.

 

Foi Fidel quem garantiu anistia a Joanne Chesimard, conhecida agora como Assata Shakur, ainda procurada em 1973 pelo assassinato de um policial estadual de Nova Jersey

 

Vocês podem ter certeza que em sites e jornais negros será dada atenção aos chamados cada vez mais intensos pela captura ou retorno negociado de Shakur. Aquela atenção virá com uma história.

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Castro não apenas forneceu um refúgio para revolucionários fugitivos, com o argumento, aceito talvez pela maioria dos cubanos sob o governo de Fidel Castro, que os negros eram um povo oprimido lutando por tratamento justo e pelo fim de abusos policiais em suas comunidades.

Não, ele foi um tipo de Martin Luther King com poder. Por exemplo, antes que os revolucionários cubanos liderados por Castro tomassem o poder em Cuba em 1959, havia uma segregação racial extremamente rígida no país, incluindo, por exemplo, Santa Clara, no interior de Cuba.

Quando eu estive em Santa Clara no começo de 2001, uma mulher lá me contou como negros e brancos cubanos na década de 1950 e antes andavam por caminhos separados no belo Parque Vidal no centro da cidade. (Tudo o que se precisava em Cuba para ser branco era ter cabelo liso, ter uma tez clara e não querer ser chamado de “negro”).

Esta divisão racial em sua maior parte terminou no governo de Fidel Castro. Mais do que isto, Castro fez um esforço para alcançar os negros nos EUA.

Quando veio a Nova York em 1960 para a reunião das Nações Unidas, Castro se irritou com a gerência do hotel em que ele estava se hospedando, o Shelburne, arrumou suas malas e levou sua comitiva para o Hotel Theresa no Harlem, onde ele celebremente apareceu na janela e acenou para os moradores negros da comunidade. Milhares de moradores do Harlem gritaram seu nome em uma conexão com o poder com o qual eles estavam totalmente desacostumados.

E não parou aí.

Nos anos oitenta, antes do fim da Guerra Fria, Fidel enviou aproximadamente 25 mil tropas para lutar em Angola ao lado dos opositores do então governo do apartheid na África do Sul. Este aspecto do tempo de Castro no poder foi pouco noticiado pela mídia dos EUA. Fidel se opôs de forma militante à África do Sul racista em um momento em que os Estados Unidos a estavam apoiando diplomaticamente.

Eu fui o primeiro a reportar em 1987 que Shakur tinha escapado para Cuba e estava morando lá, sob proteção de Castro. Eu passei vários dias com Shakur em seu apartamento e caminhando pelo Malecón. Meu colega do Newsday, o fotógrafo Ozier Muhammad, a fotografou quando ela posava provocativamente do lado de fora do escritório para interesses dos EUA, com as mãos para o alto, vitoriosa.

Como vocês sabem, as coisas mudaram desde então.

Os soviéticos pararam de apoiar Cuba e, então, a própria União Soviética entrou em colapso total. Por duas décadas, tem havido especulações de que um dia um presidente estadunidense liberal poderia acabar com o embargo de meio século que proíbe trocas com Cuba e permitir aos estadunidenses viajar livremente para lá.

Republicanos e muitos democratas ficaram muito ofendidos com o que chamaram de uma concessão de Obama ao comunismo que Cuba – através de Raul, irmão do Fidel aposentado – ainda representa.

Abafados na discussão em canais de televisão pagos, estão os sentimentos de pertencimento e apreciação que os estadunidenses negros mantêm por Fidel Castro.

Muitos daqueles que mantêm sentimentos de afeição em relação ao barbudo não gritam isto aos quatro ventos porque eles não querem ser acusados de antiamericanismo. Mas simpatia a Fidel pode ser vista em décadas de voto negro no Congresso. O congressista Charles Rangel, do Harlem, por exemplo, tem estado entre os mais progressistas de todos os representantes quando se trata de políticas em relação a Cuba, tendo proposto na virada do ano (2013-2014) um afrouxamento do embargo. E poucos na cena nacional têm sido mais militantes em se opor ao embargo do que a congressista negra da Califórnia Maxine Waters.

Nos próximos dias, Assata Shakur será mencionada mais frequentemente nas notícias sobre Cuba, especialmente no Nordeste. Há reivindicações crescentes de que os Estados Unidos encontrem uma maneira de trazê-la de volta e colocá-la na cadeia. E nestas histórias, jornais de Nova Jersey estão percebendo o quanto Assata Shakur está sendo tratada como uma heroína em muitas comunidades negras nos Estados Unidos.

Policiais federais e outros estão cientes do quanto Shakur tem se tornado um tipo de heroína popular entre negros estadunidenses e mesmo negros no Caribe, inclusive com um número crescente de pais nos últimos 25 anos que estão nomeando suas filhas de Assata.

Somado ao apelo com os negros, está a ligação de Assata Shakur com o rapper Tupac Shakur, que é ligado a Assata através de seus ancestrais masculinos (não por sangue) e é considerado um sobrinho.

Quando eu escrevi sobre Tupac Shakur para um jornal semanal negro agora defunto (o City Sun), eu falei com um chefe da polícia federal em Nova York, Ken Walton, que disse que Assata Shakur tinha que ficar esperta com cada movimento dela – então, em 1996, e enquanto o coração dela continuasse batendo.

Eu escrevi então sobre Walton: “Ele me disse em palavras medidas e irritadas que ele ‘ou alguém como ele’ iria capturar Assata um dia e trazê-la aos EUA”.

Isto eu sei que é verdade: toda vez que um punho foi levantado por Assata Shakur, simpatia também foi dirigida ao agora antigo líder de Cuba Fidel Castro.

Aliás, Assata não é a única revolucionária recebida por Fidel de braços abertos. Ele também garantiu asilo a Nehanda Obiodun (antes Cheri Laverne Dalton), a única pessoa ainda procurada pelo assalto de 1,5 milhão de dólares a um carro forte no começo de 1981 em Nanuet, Nova York, em que dois policiais foram mortos.

Nos dias de hoje não é difícil localizar onde Assata Shakur e Nehanda Obiodun estão ou mesmo o que eles estão pensando. Eu encontrei Obiodun e escrevi sobre ela em Cuba em 1990, mas fui proibido quando tentei marcar um encontro com ela, Shakur e um grupo de estudantes da Universidade de Stony Brook que levei a Cuba em Janeiro de 2012.

Obiodun tem estado cada vez mais fora do radar nos últimos anos, mas Assata Shakur não. “Nova Jersey espera que o descongelamento das relações entre Cuba e os EUA ajudem a extraditar a ex-Pantera Negra”, gritava uma manchete do Atlantic City News em 18 de Dezembro.

Então, dado todo este pano de fundo, negros estadunidenses não estão apenas refletindo nostalgicamente sobre Fidel Castro, eles estão preocupados com a situação difícil de Assata Shakur.

Alguns, talvez muitos, policiais negros declararam publicamente seu desejo de que Shakur seja capturada e devolvida à cadeia nos EUA. Mas outros negros têm respeito pela coragem que ela mostrou ao viver no exílio por 30 anos, carregando em seu peito os restos de uma bala que ela tomou durante um tiroteio em 1973.

Mais do que tudo, podem apostar, há um acordo amplo com Barack Obama: de que o tempo de hostilidade entre o governo cubano, não mais liderado por Fidel Castro, mas por seu irmão Raul, deve terminar.

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Escrita da história

Fidel fez muito pela luta antirracista e anticolonialista em todo o mundo!

 

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Fidel com Angela Davis, membro dos Panteras Negras

 

Por Douglas Belchior

 

Com a morte de Fidel Castro e a comoção da maior parte daqueles que se dedicam à luta social pelo mundo afora, alguns grupos e personalidades negras questionam o porquê de negros “idolatrarem” Fidel e seu regime “racista”.

Respeito os que criticam, mas preciso discordar e o faço com muita força.

Reconheço que esse debate é complexo. Mas preciso dizer que não se trata apenas de “muita gente do movimento negro idolatrar Fidel”, e sim de movimentos, organizações e personalidades negras de todo planeta reconhecerem o importante papel histórico de Fidel enquanto liderança que se contrapôs ao status quo mundial. Há controvérsias em sua atuação? Sem dúvida! Cuba pós revolução se curou do racismo? Evidente que não. Mas a essa experiência devemos, inclusive, parte da formulação da ideia de que a revolução necessária vai muito além do viés econômico e político, mas se ampliam também para os aspectos de raça, gênero, questões religiosas e sexuais.

Roberto Trindade, negro brasileiro que viveu na Ilha por 7 anos e lá se formou médico, nos relata:

“Em Cuba o racismo existe sim, mas não é um racismo institucional, como estamos ‘acostumados’. É fruto de uma herança cultural de países escravocratas. Posso exemplificar com a ideia de que os santiagueros (Santiago de Cuba tem a maioria de sua população negra) são burros!!! Realmente a revolução não conseguiu desconstruir essa ideia vinda desde os tempos da colônia e essa persiste e se propaga nas ‘piadas’, ‘ditados populares’ e etc. Portando, o enfrentamento ao racismo continua a ser um desafio. Mas é preciso reconhecer que Cuba é o país onde os negros vivem melhor que em qualquer outro lugar previamente escravocrata. Existem as mesmas oportunidades e possibilidades, algo que pode parecer difícil de entender após eu confirmar que há racismo na Ilha, mas que é real. A revolução, plurirracial e de caráter nacional por si só já não permitiria que o racismo persistisse entre as esferas do governo”.

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Com Amilcar Cabral, líder na luta por independência da Guiné Bissau

 

Vivi uma experiência que por si, seria suficiente para admirar Fidel e sua obra. Atuo no movimento de Cursinhos Populares há quase 20 anos. Entre 2006 e 2010 trabalhei em processos de seleção de jovens negros para estudarem medicina em Cuba. Esse programa, que garantia vagas na ELAM – Escuela Latino Americana de Medicinas, em Havana, durou alguns anos. Centenas de brasileiros, latino americanos e africanos negros e pobres foram beneficiados. Arrisco dizer que enquanto durou o programa, entre seu início e os primeiros resultados das políticas de acesso à universidade do governo Lula, Cuba formou mais negros brasileiros como médicos do que todas as universidades públicas do Brasil no mesmo período. Cleber Da Costa FirminoJosé Cícero Da Silva e próprio Roberto Trindade – que nos fez o relato acima, viveram lá e se formaram médicos. Negros, pobres, moradores de periferias e alvo prioritário da violência policial, eles são, entre outras centenas de pessoas, a prova real do quanto a revolução cubana incidiu diretamente na vida de milhões de pessoas em todo o mundo.

 

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Com Samora Machel, líder da Guerra da Independência de Moçambique. Se tornou o seu primeiro presidente de 1975 a 1986.

 

É justo também lembrar o papel sildenafil prix belgique usa de Cuba e Fidel, no apoio à luta por libertação e independência de diversos países africanos frente a opressão colonial européia. Che Guevara, outro líder da revolução cubana, antes de ser morto enquanto guerreava na Bolívia, esteve a frente de seu batalhão cubano na guerrilha de luta pela libertação do Congo. A Argélia foi apoiada em 1961. Enquanto lutava contra o colonialismo francês, Fidel Castro, a pedido da Frente de Libertação Nacional fez chegar armas aos independentistas. Cuba apoiou a luta contra o Apartheid e enviou cerca de 300.000 soldados a Angola entre 1975 e 1988 para fazer frente à agressão do exército supremacista da África do Sul. Fidel apoiou e sempre esteve ao lado de importantíssimas lideranças responsáveis pelas lutas de independência dos países africanos. Entre eles Mengistu, presidente da Etiópia, Thomas Sankara, presidente de Burkina Faso e conhecido como “Che Guevara” da África, Amilcar Cabral, líder na luta por independência da Guiné Bissau, Agostinho Neto, Presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola e primeiro Presidente de Angola entre 1975 e 1979, e Samora Machel, líder da Guerra da Independência de Moçambique, que se tornou o seu primeiro presidente de 1975 a 1986.

 

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Com Thomas Sankara, presidente de Burkina Faso e conhecido como “Che Guevara” das África

 

Em 1991, o maior expoente da luta contra o racismo em África, Nelson Mandela, rendeu um tributo a Fidel Castro:

“Desde os seus dias iniciais, a Revolução Cubana tem sido uma fonte de inspiração para todos os povos amantes da liberdade. O povo cubano ocupa um lugar especial no coração dos povos da África.”

 

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Com Nelson Mandela

 

Cuba foi, por décadas, refúgio de revolucionários de todo o mundo. Muitos aproveitaram sua estada para estudar e aprimorar suas capacidades de enfrentamento às ditaduras e ao colonialismo. Outros beberam da fonte da experiência prática cubana ante o desafio de enfrentar a maior potência bélica do planeta. Entre estes, podemos lembrar Malcon X, Angela Davis e Assata Shakur, esta última procurada pela CIA e FBI, exilada política recebida pelo regime de Fidel em 1984 e lá mantida, apesar das diversas tentativas de repatriamento tentada pelos EUA. Estes e outros acolhidos pelo Comandante em sua luta contra o racismo ianque.

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Com Malcon X

Sempre que provocado a falar de Cuba e de Fidel, deixo a seguinte pergunta, já respondida acima, por Trindade: Seria exagero dizer que Cuba é o país em que os cialis generique negros da diáspora vivem melhor, em todo o mundo? Depois de uma rápida pesquisa nos índices de Desenvolvimento Humano e Desigualdades Sociais na Ilha, desde a revolução, eu arriscaria dizer não seria exagero dizer que sim.

 

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Com Mengistu, presidente da Etiópia

 

Há teóricos que condenam a experiência Cubana? Sim. Mas eu prefiro ficar com a posição de Malcon, Mandela, Angela, Machel, Shakur, Panteras Negras e tantas outras que sempre se identificaram com Fidel e que sempre puderam contar com El Comandante em suas lutas.

Fidel viverá para sempre!

 

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Agostinho Neto, Presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola e primeiro Presidente de Angola até entre 1975 e 1979

 

 

 

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Fidel Castro e seu compromisso histórico com a África

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De Al Mayadeen – [Salim Lamrani, Tradução do Diário Liberdade]

O pai da Revolução Cubana estendeu uma mão generosa aos povos necessitados e colocou a solidariedade e a integração no centro da política exterior de Cuba.

Baseando-se na máxima de José Martí, “Pátria é humanidade”, Fidel Castro fez da solidariedade internacionalista um pilar essencial da política exterior de Cuba. Assim, Havana ofereceu apoio a muitos movimentos revolucionários e independentistas na América Latina, África e Ásia. A Argélia foi a primeira que se beneficiou da ajuda cubana em dezembro de 1961. Enquanto lutava contra o colonialismo francês, Fidel Castro respondeu ao chamado da Frente de Libertação Nacional e fez chegar armas aos independentistas [1].

Do mesmo modo, Cuba desempenhou um papel chave na luta contra o Apartheid e enviou cerca de 300.000 soldados a Angola entre 1975 e 1988 para fazer frente à agressão do exército supremacista da África do Sul. O elemento decisivo que pôs fim ao regime racista apoiado pelas potências ocidentais foi a estrepitosa derrota do exército sul-africano em Cuito Cuanavale, no sudeste de Angola, contra as tropas cubanas em janeiro de 1988. No discurso que pronunciou em Matanzas, Cuba, em 1991, Nelson Mandela rendeu tributo a Fidel Castro:

“Desde os seus dias iniciais, a Revolução Cubana tem sido uma fonte de inspiração para todos os povos amantes da liberdade. O povo cubano ocupa um lugar especial no coração dos povos da África. Os internacionalistas cubanos fizeram uma contribuição à independência, à liberdade e à justiça na África que não tem paralelo pelos princípios e o desinteresse que a caracterizam. É muito o que podemos aprender de sua experiência. De modo particular nos comove a afirmação do vínculo histórico com o continente africano e seus povos. Seu invariável compromisso com a erradicação sistemática do racismo não tem paralelo. Somos conscientes da grande dívida que há com o povo de Cuba. Que outro país pode mostrar uma história de maior desinteresse do que a que Cuba demonstrou em suas relações com a África […]? Sem a derrota infligida em Cuito Cuanavale nossas organizações não teriam sido legalizadas! A derrota do exército racista em Cuito Cuanavale me deu a oportunidade de estar hoje aqui com vocês! Cuito Cuanavale é um marco na história da luta pela libertação da África austral! [2]“.

 

Thenjiwe Mtintso, embaixadora da África do Sul em Cuba, lembrou da verdade histórica a propósito do compromisso de Cuba na África: “Hoje a África do Sul tem muitos amigos novos. Ontem estes amigos se referiam a nossos líderes e a nossos combatentes como terroristas e nos perseguiam desde os seus países ao mesmo tempo em que apoiavam a África do Sul do Apartheid. Esses mesmos amigos hoje querem que nós denunciemos e isolemos Cuba. Nossa resposta é muito simples, é o sangue dos mártires cubanos e não desses amigos o que corre profundamente pela terra africana e nutre a árvore da liberdade em nossa Pátria” [3].

Henry Kissinger, secretário de Estado dos Estados Unidos de 1973 a 1977, planejou bombardear Cuba após sua intervenção na África. “Se decidirmos usar a força militar devemos conseguir a vitória. Não podemos fazer as coisas pela metade”, declarou ao general George Brow do Estado Maior em 24 de março de 1976. Durante seu encontro com o presidente Gerald Ford, Kissinger se mostrou mais preciso: “Creio que vamos ter de esmagar Castro. Mas provavelmente não poderemos atuar antes das eleições [presidenciais de 1976].”. “Estou de acordo”, replicou o presidente Ford [4]. Kissinger desejava a qualquer custo proteger o regime do Apartheid: “Se os cubanos destroem a Rodésia, a Namíbia será a próxima na lista e depois a África do Sul. Se realizam um movimento para a Namíbia ou a Rodésia, teremos que pulverizá-los”. Secretamente elaborado pelo Grupo de Ações Especiais de Washington, o plano previa bombardeios estratégicos, minar os portos e uma quarentena de Cuba. Não obstante, apesar dessa hostilidade, Kissinger não pôde conter sua admiração ao líder histórico da Revolução Cubana. Segundo ele, “era provavelmente o mais genuíno líder revolucionário então no poder” [5].

 

De fato, durante décadas Cuba foi o santuário dos revolucionários do mundo inteiro, os quais se formaram e se aprimoraram na ilha. Fidel Castro também acolheu os exilados políticos de todos os horizontes perseguidos pelas ditaduras militares apoiadas por Washington. A Ilha do Caribe também se converteu em refúgio dos militantes políticos perseguidos nos Estados Unidos, como alguns membros dos Panteras Negras [6].

Fidel Castro sempre fez da solidariedade humanitária internacional um pilar fundamental da política exterior de Cuba. Assim, em 1960, inclusive antes do desenvolvimento do seu serviço médico e mesmo após ter perdido 3.000 médicos (que decidiram emigrar para os Estados Unidos após o triunfo da Revolução de 1959) dos 6.000 presentes na ilha, Cuba ofereceu sua ajuda ao Chile após o terremoto que destruiu o país. Em 1963 o Governo de Havana enviou sua primeira brigada médica composta por 55 profissionais à Argélia para ajudar à jovem nação independente a enfrentar uma grave crise sanitária. Desde então, Cuba tem estendido sua solidariedade ao resto do mundo, particularmente à América Latina, África e Ásia [7].

Hoje, cerca de 51.000 profissionais da saúde cubanos, entre eles 25.500 médicos dos quais 65% são mulheres, trabalham em 66 países do mundo. Desde o triunfo da Revolução, Cuba realizou cerca de 600.000 missões em 158 países, com a participação de 326.000 profissionais da saúde. Desde 1959 os médicos realizaram mais de 1,2 milhão de consultas médicas, operaram 2,3 milhões de partos, efetuaram oito milhões de operações cirúrgicas e vacinaram mais de 12 milhões de mulheres gestantes e crianças [8].

Por outro lado, Cuba formou várias gerações de médicos de todo o mundo. No total, a Ilha formou 38.920 profissionais da saúde de 121 países da América Latina, África e Ásia, particularmente por meio da Escola Latino-americana de Medicina (ELAM) fundada em 1999. Além dos médicos que estudaram na ELAM em Cuba (cerca de 10.000 graduados a cada ano), Havana contribui para a formação de 29.580 estudantes de medicina em 10 países do mundo [9].

A “Operación Milagro” é emblemática da política solidária de Havana. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), há atualmente cerca de 285 milhões de pessoas vítimas de deficiência visual no mundo, entre elas 39 milhões de cegos e 246 milhões que apresentam uma diminuição da acuidade visual. Quase 90% vivem em países do Terceiro Mundo. Cerca de 80% das deficiências visuais são curáveis, aponta a organização, e agrega que “a catarata segue sendo a principal causa da cegueira”. Essas doenças oculares afetam em primeiro lugar (65%) a pessoas com mais de 50 anos (20% da população mundial), uma porcentagem que crescerá com o envelhecimento da população, mas também a 19 milhões de crianças [10].

Diante dessa constatação, Fidel Castro decidiu lançar em julho de 2004 uma ampla campanha humanitária continental sob o nome de Operación Milagro com a ajuda da Venezuela. Consiste em operar gratuitamente os latino-americanos pobres que sofrem cataratas e outras doenças oculares, mas que se encontram na impossibilidade de financiar uma operação que custa em 5.000 e 10.000 dólares conforme o país. Esta missão humanitária se estendeu a outras latitudes (África e Ásia). A Operación Milagro inclui a participação de 165 instituições cubanas. Dispõe de 49 centros oftalmológicos em 15 países da América Latina e do Caribe (Cuba, Venezuela, Equador, Haiti, Honduras, Panamá, Guatemala, São Vicente e Granadinas, Guiana, Paraguai, Granada, Nicarágua e Uruguai) [11]. Desde 2004, cerca de três milhões de pessoas de 35 países recuperaram a vista [12].

A respeito da educação, Cuba elaborou o programa de alfabetização “Yo, sí puedo” em 2003 proposto pelo próprio Fidel Castro, com a finalidade de erradicar o analfabetismo no mundo. Segundo a Unesco, viagra women há no mundo 796 milhões de adultos analfabetos, ou seja, 17% da população mundial. Mais de 98% se encontra nos países do Terceiro Mundo. Dois terços são mulheres. A Unesco lançou então um chamado para reduzir em 50% o número de analfabetos para 2015. O organismo da ONU aponta que os progressos realizados neste campo “foram no melhor dos casos decepcionantes e no pior esporádicos”. Segundo a Unesco, “para reverter esta tendência é necessário que os governos do mundo atuem com determinação”. Não obstante, a Unesco revela uma exceção: a América Latina e o Caribe. Esta exceção se deve em parte ao programa “Yo, sí puedo”:

“O programa ‘Yo, sí puedo’, que o Governo cubano criou em 2003, teve amplos resultados […]. Aplicado em 12 dos 19 países da América Latina em 2008, faz parte de estratégias mais amplas a favor da alfabetização universal no Estado Plurinacional da Bolívia, no Equador, na Nicarágua, no Panamá e na República Bolivariana da Venezuela” [13].

Baseado na filosofia de José Martí, resumida na seguinte frase: “Todo homem tem direito a se educar e em troca contribuir para a educação dos demais”, o Instituto Pedagógico Latino-americano e Caribenho de Cuba lançou o programa “Yo, sí puedo” em 2003, destinado a alfabetizar os adultos iletrados. A aquisição das capacidades de leitura, escrita e cálculos matemáticos é indispensável para desfrutar de uma cidadania plena. Constitui no primeiro baluarte contra a exclusão e a pobreza e leva à realização do que Martí chamou de “a plena dignidade do homem”. A Unesco ressalta que “a educação salva vidas: a taxa de mortalidade infantil diminui quanto mais se eleva o nível escolar da mãe”. Assim, se todas as mulheres concluíssem o ensino secundário 1,8 milhões de crianças seriam salvas a cada ano. Do mesmo modo a saúde das crianças estaria mais protegida: “É menos provável que as crianças cuja mãe tem escolaridade manifestem um atraso de crescimento ou tenham um peso abaixo do normal” [14].

O programa “Yo, sí puedo” foi aplicado com êxito na Venezuela, onde mais de 1,5 milhões de pessoas foram alfabetizadas, na Bolívia, no Equador e na Nicarágua, que são as únicas nações latino-americanas que se livraram do analfabetismo na última década, segundo a Unesco. Também é utilizado em outros países do continente e do mundo, como a Nova Zelândia, e aplicada em vários idiomas, entre eles o francês e os idiomas indígenas (guaraní, maori).

O programa “Yo, sí puedo” é utilizado também na Espanha. A cidade de Sevilha solicitou os serviços dos professores cubanos, sob a coordenação do Professor Carlos M. Molina Soto, para ensinar seus cidadãos a ler e a escrever [15]. Após um estudo realizado pela prefeitura se descobriu que 34.000 dos 700.000 habitantes da capital andaluza eram totalmente analfabetos. Em dois anos 1.100 adultos se alfabetizaram nos 30 centros de alfabetização que foram abertos na cidade. Outros municípios da Espanha, que conta com 2 milhões de analfabetos, estudam a possibilidade de aplicar o método cubano em seu território [16].

Na Austrália o método de alfabetização é utilizado para as populações aborígenes – 60% são analfabetos funcionais – que aprendem a ler e a escrever em três meses. Além da leitura, da escrita e da álgebra básica, Cuba lhes oferece a possibilidade de aprender a usar as novas tecnologias [17]. No entanto, a Austrália ocupa o segundo lugar mundial em termos de desenvolvimento humano, atrás apenas da Noruega [18].

O programa “Yo, sí puedo” recebeu o Prêmio de Alfabetização Rei Sejonh da Unesco em 2006 por sua contribuição à educação da humanidade. Irina Bokova, diretora-geral da organização da ONU, elogiou o método, ressaltando seu caráter exemplar de cooperação Sul-Sul [19]. De fato, desde 2003, o programa permitiu que nove milhões de pessoas de cinco continentes diferentes aprendessem a ler e a escrever [20].

Em termos de solidariedade, Fidel Castro fez de Cuba o modelo a ser seguido, demonstrando que é possível contribuir para melhorar o destino dos mais desfavorecidos do planeta. Ao colocar a generosidade para com os mais humildes no centro de sua ação internacional, o líder da Revolução Cubana se converteu no símbolo do internacionalismo desinteressado.

 

Salim Lamrani é doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos da Universidade Paris Sorbonne-Paris IV, professor-titular da Universidade de la Reunión e jornalista, especialista nas relações entre Cuba e Estados Unidos.

 

Notas:

[1] Cuba Defensa, «Misiones militares internacionalistas cumplidas por las Fuerzas Armadas Revolucionarias de la República de Cuba», 2014. http://www.cubadefensa.cu/?q=misiones-militares (site consultado em 23 de fevereiro de 2015)

[2] Salim Lamrani, Cuba. Ce que les médias ne vous diront jamais, Paris, Editions Estrella, 2009, prólogo.

[3] Piero Gleijeses, «Cuito Cuanavale: batalla que terminó con el Apartheid», Cubadebate, 23 de março de 2013.

[4] The National Security Archive, « Kissinger Considered Attack on Cuba Following Angola Incursion”, 1 de outubro de 2014, George Washington University. http://www2.gwu.edu/~nsarchiv/NSAEBB/NSAEBB487/(site consultado em 21 de fevereiro de  2015).

[5] Henry Kissinger, Years of Renewal, New York, 1999, p.785 in Piero Gleijeses, “Carta a Obama”,Cubadebate, 3 de fevereiro de 2014.

[6] The Guardian, “New Jersey hopes Cuba-US relations thaw will help extradite former Black Panther”, 18 de dezembro de 2014.

[7] Roberto Morales, «África está urgida de la solidaridad internacional»,  Cuba Debate, 12 de setembro de 2014. http://www.cubadebate.cu/especiales/2014/09/13/africa-esta-urgida-de-la-solidaridad-internacional/ (site consultado em 14 de septiembre de 2014).

[8] Ibid.

[9] Ibid.

[10] Organisation mondiale de la santé, «Cécité et déficience visuelle», Aide-Mémoire n°282, outubro de 2011. http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs282/fr/index.html (site consultado em 15 de fevereiro de 2013).

[11] Ministerio de Relaciones Exteriores, «Celebra Operación Milagro cubana en Guatemala», República de Cuba, 15 de novembro de 2010. http://www.cubaminrex.cu/Cooperacion/2010/celebra1.html (site consultado em 15 de fevereiro de 2013); Operación Milagro, « ¿Qué es la Operación Milagro? ». http://www.operacionmilagro.org.ar/ (site consultado em 15 de fevereiro de 2013).

[12] Cubadebate, «Más de 3 millones de beneficiados con Operación Milagro en diez años», 1 de julho de 2014. http://www.cubadebate.cu/noticias/2014/07/01/mas-de-tres-millones-de-beneficiados-con-operacion-milagro-en-diez-anos/#.VOsmsWP7uu4 (site consultado em 23 de fevereiro de 2015).

[13] Ibid., p. 37, 76.

[14] Ibid., p. 39.

[15] Correspondência con o Profesor Carlos M. Molina Soto, 17 de novembro de 2011.

[16] Antonio Rodrigo Torrijos, “Torrijos pregunta en el pleno del Ayuntamiento sobre el futuro de Yo, sí puedo”. Al pleno del Ayuntamiento de Sevilla”, 15 de setembro de 2011. Veja também Cubainformación, « Alfabetización cubana en Sevilla », 7 de fevereiro de 2008. http://www.cubainformacion.tv/index.php?option=com_content&task=view&id=3286&Itemid=86 (site consultado em 12 de abril de 2008).

[17] EFE, « Un método desarrollado en Cuba enseña a leer y a escribir a aborígenes australianos », 1 de julho de 2012.

[18] Programme des Nations-unies pour le développement, « Indice de développement humain IDH, classement 2011 », 2011. http://hdr.undp.org/fr/statistiques/ (site consultado em 15 de fevereiro de 2013).

[19] Granma, «Reconoce la UNESCO el método cubano de alfabetización», 25 de maio de 2011. http://www.granma.cubaweb.cu/2011/05/25/cubamundo/artic02.html (site consultado em 15 de dezembro de 2011).

[20] Granma, «Nueve millones de alfabetizados con el programa cubano Yo, sí puedo», 21 de janeiro de 2015. http://www.granma.cu/cuba/2015-01-21/nueve-millones-de-alfabetizados-con-el-programa-cubano-yo-si-puedo (site consultado em 6 de março de 2015).

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Vem Pra Rua e MBL convocam mobilização para mesma data, horário e local da Marcha da Consciência Negra em SP

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Por Douglas Belchior

 

É fundamental a mobilização do maior número possível de negras, negros e da população que defende os valores dos direitos humanos e da democracia, para estarem presentes nesse domingo, dia 20 de Novembro, a partir das 11h da manhã, mas em especial a partir das 14h, no Vão Livre do Masp, na Avenida Paulista em São Paulo, na Marcha da Consciência Negra.

Em completo desrespeito à tradição e ao simbolismo da celebração do dia nacional da consciência negra, os movimentos de direita ‘Vem Pra Rua’ e ‘MBL’ convocaram um ato e um congresso para a mesma data, horário e local em que se realizará a Marcha da Consciência Negra, em São Paulo.

O Movimento Vem Pra Rua, em sua página com mais de 1 milhão e 400 mil seguidores, está convocando um Ato “em apoio a operação lava jato e às 10 medidas contra a corrupção” para o dia 20 de Novembro, às 15h, no vão livre do MASP, na Avenida Paulista, mesmo local e horário da saída da 13a. Marcha da Consciência Negra, convocada pelo movimento negro.

Neste mesmo final de semana, o MBL – Movimento Brasil Livre, promove em um Hotel da Alameda Santos, há duas quadras do MASP, o seu Congresso Nacional, que deverá apresentar sua bancada de vereadores neo-liberais aos seus seguidores, bem como contar com a presença das estrelas da direita reacionária e racista brasileira, entre eles o ministro do STF Gilmar Mendes, o Secretário de Educação Mendonça Filho, o prefeito eleito de SP João Dória Junior, a advogada Janaína Pascoal e o colunista Reinaldo Azevedo. Só gente boa…

 

PAUTAS RACISTAS E RISCO DE CONFRONTO

 

Tanto o ‘Vem Pra Rua’ quanto o ‘MBL’ mobilizam desde a parte mais hipócrita da classe média alta, batedores de panelas e jovens desinformados, até setores mais retrógrados que chegam a pedir intervenção militar no país, com participação já comprovadas de fascistas e neo-nazistas. Eles também se destacam pela forma desavergonhada e até violenta com que expõe seu racismo e sua homofobia, tanto na defesa política que fazem pelo fim de políticas sociais como bolsa família, prouni, mais médicos, cotas raciais, direitos LGBTs, etc, quanto no trato com os seus funcionários e no cotidiano de suas relações, em especial em momentos de encontros como o que deve se dar no Masp neste domingo.

 

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Entre as chamadas feitas para o Ato, uma delas faz alusão ao fato de o ex-presidente Lula ter entrado com pedido de prisão contra Sérgio Moro, conforme ilustração abaixo.

Os advogados de Lula acusam Moro de abuso de autoridade e conduta irregular nos episódios da condução coercitiva, busca e apreensão de documentos em sua residência e de familiares e interceptação telefônica ilegal.

 

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MARCHA DA CONSCIÊNCIA NEGRA ESTÁ CONFIRMADA

Apesar da convocação da manifestação por parte dos movimentos de direita e do risco de confronto, a Marcha da Consciência Negra reafirma seu caráter pacífico e democrático. A manifestação está mantida, confirmada a sua concentração para a partir das 11h da manhã deste domingo, dia 20 de novembro. Durante todo o dia haverá apresentação de grupos culturais afro-brasileiros. Às 15h deve haver um ato com a presença de lideranças dos movimentos e a saída em Marcha, sentido centro da cidade.

Convoque familiares, amigos e fortaleça nossa mobilização!

 

 

 

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Sob ameaça de revogação, negras e negros marcham no feriado de 20 de novembro em SP

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Neste domingo, dia 20 de Novembro, com concentração a partir das 11 horas no vão livre do Masp, Movimento Negro marcha contra o racismo, o genocídio, o feminicídio e contra o golpe.
 
O açoite bateu, o açoite ensinou
bateu tantas vezes
que a gente cansou
Tanto cansou, entendeu
que lutar afinal
é um modo de crer
é um, modo de ter
razão de ser
Edu Lobo
 
Por Douglas Belchior e Patrícia Tony
 
Açoite é coisa do passado, mas teima em se fazer presente no dia a dia da população negra, imposto por aqueles que insistem em manter a lógica escravocrata como regente das relações sociais no Brasil. O Dia Nacional da Consciência Negra nasce, na década de 70 do século XX, como contraponto ao 13 de Maio e suas festividades pela falsa abolição, justamente para apresentar a pauta da reparação histórica para o povo negro brasileiro, alvo permanente da desigualdade social e de violências de todos os tipos. Este dia tão simbólico e marcante da luta histórica do povo brasileiro corre sério risco de ser boicotada pelo Estado Brasileiro, seja em suas instâncias legislativas e executivas, seja pelo judiciário, cada vez mais autoritário e antidemocrático.
 
A tomada de poder pelo golpe dado por Temer e a vitória política das forças conservadoras nas eleições municipais em todo país reafirmaram o risco de revogação do 20 de Novembro como data de celebração de Zumbi dos Palmares e Dandara em diversas cidades.
 
No Rio Grande do Sul, a Justiça derrubou no início deste mês o feriado da Consciência Negra e da Difusão da Religiosidade, no dia 20 de novembro. Em São Paulo, a vitória de João Dória Junior (PSDB) e a eleição de Fernando Holiday, do MBL – Movimento Brasil Livre, abriu caminho para ataques à data. Entre as primeiras medidas como parlamentar, ele promete lutar para combater o “vitimismo”, acabar com as cotas raciais em concursos públicos municipais e revogar o dia da consciência negra em São Paulo.
 
Mais que o ataque à data simbólica, as forças políticas conservadoras e racistas que ora ocupam o poder, colocam em prática um verdadeiro ataque aos direitos do povo brasileiro, o que fere em especial a população negra, que conforma 75% dos que mais necessitam de serviços públicos e direitos sociais. Abaixo a nota oficial divulgada pelos movimentos que compõem a Marcha:
 

XIII MARCHA DA CONSCIÊNCIA NEGRA EM SP

 

Um milhão de negras e negros nas ruas do Brasil!

 

No dia 20 de novembro de 2016, dia em que o povo brasileiro relembra os feitos do mais popular Herói Nacional: Zumbi dos Palmares, comemora-se o Dia Nacional da Consciência Negra.

 

Neste contexto, a Convergências da Luta de Combate ao Racismo no Brasil, a Convergência Negra, articulação nacional de entidades do movimento negro brasileiro, sairão às ruas em todo o País pelo FORA TEMER e por NEM UM DIREITO A MENOS.

 

Em São Paulo, será realizada a XIII Marcha da Consciência Negra em unidade com todo o movimento negro, movimentos populares do campo e da cidade, as mulheres, as juventudes, sindicatos e centrais sindicais, cumprindo o objetivo de mobilizar um milhão de negras e negros em todo o País para uma grande celebração e profunda reflexão.

 

FORA TEMER!

 

Vemos com preocupação a crescente onda conservadora no Brasil de conteúdo racista, misógino, classista e fascista, com forte impacto em São Paulo, ameaçando direitos conquistados, violando a Constituição, aumentando a violência, o desemprego e a precarização do trabalho.

 

O governo golpista de Temer tem como principal objetivo implementar um programa neoliberal, contrário à democracia e às conquistas recentes da classe trabalhadora e da população negra.

A PEC 241, que propõe o congelamento dos gastos públicos em 20 anos, que atinge principalmente os programas sociais referentes à educação e à saúde somada à anunciada Reforma da Previdência, são medidas que irão tornar piores as nossas condições de vida e trabalho. Contra a PEC 241 e a Reforma da Previdência!

 

NENHUM DIREITO A MENOS!

 

Para a XIII Marcha da Consciência Negra, convidamos a população da cidade e do estado de São Paulo a caminhar conosco, refletir e defender:

 

  1. Manutenção e fortalecimento das políticas públicas de promoção da igualdade racial com a criação de órgãos de políticas de igualdade racial nos municípios onde não existem. Os feriados municipais no dia 20 de novembro têm de continuar e ser ampliados!

 

  1. Manutenção e fortalecimento das políticas públicas para mulheres, dando prioridade às mulheres negras, com a criação de órgãos de políticas para a mulher nos municípios onde não existem.

 

  1. Defesa de políticas de ação afirmativa com corte racial e de gênero. Implantação de medidas para ampliar a presença de mulheres negras nos espaços de poder. Implementação das bandeiras de lutas e reivindicações da Marcha Nacional das Mulheres Negras contra o racismo, a violência e pelo bem viver.

 

  1. Combate ao genocídio da juventude negra, contra a redução da maioridade penal, contra a violência policial, e pela implantação de políticas públicas para jovens negras e negros, em especial dos bairros periféricos.

 

  1. Programas para a plena implantação das Leis 10639/03 e 11645/08, que tratam da história dos povos indígenas e da população negra nas redes pública e privada de ensino. Fiscalização e monitoramento do processo de implementação das cotas nas universidades e nos concursos públicos.

 

  1. Cumprimento da Constituição Cidadã que trata da titulação e regularização de terras das comunidades quilombolas e demarcação das terras indígenas, com políticas públicas para a melhoria das condições de vida.

 

  1. Estabelecer medidas para combater a intolerância religiosa, defender a laicidade do Estado e a liberdade de culto.

 

  1. Defender a criminalização da homofobia e os crimes raciais na internet.

 

  1. Pela democratização dos meios de comunicação.

 

  1. Defesa e apoio das manifestações da cultura afro-brasileira.

 

CARANDIRU: FOI MASSACRE SIM!

 

No mês de setembro deste ano, o Tribunal de Justiça de São Paulo acatou o recurso de anulação do julgamento de 74 policiais envolvidos na morte de 111 pessoas presas, no Massacre do Carandiru,em 2 de Outubro de 1992, sob a justificativa de que não há provas que permitam individualizar a conduta de cada um na produção dessas mortes.

 

A XIII Marcha da Consciência Negra denuncia o absurdo dessa decisão que anula o julgamento do Massacre do Carandiru, e que faz parte de um projeto político de ação repressiva estatal das elites paulistas que há anos governam o Estado de São Paulo, nos dias atuais representadas pelo Governador Geraldo Alckmin e pela bancada da bala na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

 

PELO FIM DO GENOCÍDIO NEGRO!

 

Todas as pessoas que se interessam por essas causas e as apoiam estão convidadas e são bem-vindas à XIII Marcha da Consciência Negra

 

20 de novembro de 2016 | Domingo | Concentração a partir das 11h00 | Saída em marcha às 15h00

Vão Livre do MASP | Avenida Paulista, São Paulo |

Mais informações: Marcha da Consciência Negra – São Paulo

 

Convocam:

 

ABPN – Associação Brasileira de Pesquisadores Negros, APN`s – Agentes Pastorais Negros, CEN – Coletivo de Entidades Negras, Círculo Palmarino, CONAJIRA – Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial, CONAQ – Coordenação Nacional das Comunidades Quilombolas, CONEN – Coordenação Nacional de Entidades Negras, ENEGRECER – Coletivo Nacional de Juventude Negra, FNMN – Fórum Nacional de Mulheres Negras, FONAJUNE – Fórum Nacional de Juventude Negra, MNU – Movimento Negro Unificado, QUILOMBAÇÃO, Rede Afro LGBT, Rede Amazônia Negra, UNEAFRO, UNEGRO – União de Negros pela Igualdade.

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Empreendedorismo

BID quer empreendedores negros entre os 500 maiores do país

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Do N&M Comunicação

 

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) está investindo US$ 500 mil até 2017 em um programa inédito no país, de apoio a empreendedores afro-brasileiros, por meio do Inova Capital – Programa de Apoio a Empreendedores Afro-Brasileiros.

“Os empreendedores afrodescendentes muitas vezes enfrentam barreiras adicionais em decorrência de arranjos discriminatórios históricos. Buscamos reverter este quadro. Queremos que os empreendimentos de afro-brasileiros estejam entre as 500 maiores empresas do país”, afirma a especialista em Desenvolvimento Social da Divisão de Gênero e Diversidade do BID, a brasileira Luana Marques. Confira a entrevista:

 

Quais são as principais dificuldades enfrentadas pelos empreendedores negros no Brasil?

Assim como todos os demais empreendedores, o acesso a financiamentos e as capacidades de gestão dos empreendimentos são desafios importantes a serem vencidos para que seus negócios possam crescer. Entretanto, os empreendedores afrodescendentes muitas vezes enfrentam barreiras adicionais em decorrência de arranjos discriminatórios históricos. Para se ter uma ideia, os afrodescendentes representam 68 milhões de consumidores e 11 milhões de empreendedores no Brasil. Do total de empreendedores no Brasil, 52% são negros. No entanto, apenas 29% são empregadores. Em pesquisa realizada pelo PROCON-SP em 2010 sobre Discriminação Racial nas Relações de Consumo, 56,43% dos entrevistados afirma ter presenciado atitude discriminatória de cor/raça ao comprar um produto ou contratar um serviço. Os bancos e instituições financeiras estavam entre as três primeiras onde os consumidores mais se sentiam discriminados depois das lojas e shopping centers. Queremos reverter este quadro e promover o crescimento dos empreendimentos de afro-brasileiros por meio do Inova Capital – Programa de Apoio a Empreendedores Afro-Brasileiros.

 

Como o BID contribuirá para reverter este quadro?

Estamos investindo US$ 500 mil até o final de 2017 no Inova Capital. O programa visa identificar afro-empreendedores com ideias inovadoras, negócios de alto potencial de crescimento e com impacto social e ambiental, preparar os afro-empreendedores para receber investimento e apresentar seus negócios a investidores, além e desenhar novos mecanismos de investimento públicos e/ou privados direcionados a apoiar afro-empreendedores. Queremos que os empreendimentos de afro-brasileiros estejam entre as 500 maiores empresas do país.

 

O banco investirá em projetos criados por empreendedores negros no país?

Não é o escopo de trabalho do BID fazer este investimento direto, mas lembro que estamos investindo meio milhão de dólares neste programa, que beneficia não só os empreendedores desta primeira edição, mas indiretamente todo o empreendedorismo afro-brasileiro, colocando-o em evidência e criando um modelo de apoio que pode e deve ser escalado. Além disso, estamos desenvolvendo estudos e ferramentas para influenciar o crescimento deste mercado gigantesco, formado por 11 milhões de empresários negros e 68 milhões de consumidores afrodescendentes.

 

Qual o status do Inova Capital? Quantos empreendedores negros já foram beneficiados?

Começamos o programa no ano passado com a identificação de 1.500 empresas fundadas por pelo menos um afrodescendente, cadastradas na Plataforma Brasil Afro-Empreendedor, desenvolvida pelo Sebrae e pelo Instituto Adolpho Bauer. Resultou em 185 inscrições, do total de 79 negócios. Destes, foram escolhidos 30 empreendimentos de diversas cidades do País e com variados níveis de maturidade para a capacitação. No primeiro semestre, eles foram capacitados pela metodologia “Bota Pra Fazer”, da Endeavor e tiveram aula presencial no Insper sobre oratória e como apresentar suas empresas ao mercado de capital, ou seja, como fazer um pitch para investidores. Em julho, fizemos uma competição de negócios, em parceria com a Anjos do Brasil, em que sete empreendedores apresentaram seus projetos a investidores anjos e quadro deles foram reconhecidos pelo impacto social e potencial de atrair investimentos: Matheus Cardoso, do Moradigna, Adriana Barbosa, da Black Codes, Hamilton Henrique da Silva, da Saladorama, e Alyne Jobim, da Integrare.

 

Quais são os próximos passos?

Estamos dando visibilidade aos negócios dos 30 afro-empreendedores participantes por meio do site www.inovacapital.net.br, redes sociais, email marketing e relacionamento com a mídia. O BID também está conduzindo um levantamento no país sobre o mercado afro-brasileiro, envolvendo preferências de marcas, comportamento do consumidor e publicidade nas redes sociais. Isso nos dará um direcionamento de como atuar para desenvolver ainda mais o empreendedorismo afro-brasileiro e reduzir a desigualdade. Além disso, planejamos o evento internacional “O Ecossistema para a Promoção do Crescimento de Negócios de Alto Impacto Social | Conexão Estados Unidos – Brasil”, em São Paulo (SP), com apoio do Itaú, para o próximo ano.

 

Quando terá início a próxima edição do programa?

Ainda não temos data prevista para a próxima versão, mas estamos confiantes de que o investimento do BID demonstrou ao mercado que efetivamente existem empreendedores afro-brasileiros de alto potencial. Entretanto, o que falta são oportunidades para que eles possam melhorar suas habilidades de gestão, apresentação e rede de contatos para fazer seu negócio crescer e para acessar capital.

 

 

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Genocídio Negro Violência Policial

Ato-Vigília em memória de cinco jovens negros assassinados pela PM será nesta quinta

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Após ficarem duas semanas desaparecidos, corpos de jovens da Zona Leste de São Paulo foram encontrados em Mogi das Cruzes. Ato-vigília acontece nesta quinta-feira (10 de novembro), ao lado da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, e pede fim da PM e saída de Alckmin

 

Por Periferia em Movimento

Diversos movimentos sociais, entre eles Mães de Maio, #FrenteAlternativaPreta, Uneafro-Brasil, Kilombagem, entre outros, convocam para um ato-vigília nesta quinta-feira (10 de novembro), ao lado da sede da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo em memória dos cinco jovens negros cujos corpos foram encontrados domingo (06) após duas semanas de desaparecimento.

Os movimentos exigem a saída do governador Geraldo Alckmin por violação permanente dos direitos humanos e pelo genocídio negro, crime de lesa-humanidade.

Segundo reportagem do site Ponte Jornalismo, os corpos de César Augusto Gomes Silva, 19 anos, Jonathan Moreira Ferreira e Caique Henrique Machado Silva, ambos de 18, Robson Fernando Donato de Paula, 16, e Jonas Ferreira Januário, 30, foram encontrados em um matagal na Estrada Taquarussu, em Mogi das Cruzes (Grande SP). Os cinco amigos estavam desaparecidos desde 21 de outubro, quando saíram do Jardim Rodolfo Pirani (Zona Leste de SP), onde viviam, para uma festa na cidade de Ribeirão Pires (Grande São Paulo).

A última informação que a família teve a respeito do desaparecimento é um áudio que Jonathan mandou para uma amiga dizendo que havia sido parado pela polícia naquele dia: “Ei, tio. Acabo de tomar um enquadro ali. Os polícia tá me esculachando”. A Ponte também revelou que os policiais militares consultaram os dados de dois dos cinco jovens que desapareceram.

Nos corpos encontros, já em estado avançado de decomposição, foram encontrados marcas de tortura. Um deles decapitado. Ao redor, cápsulas de munição .40 comprovadamente reconhecida como parte de um lote comprado pela PM-SP.

“Ante os assassinatos corriqueiros e permanentes, desaparecimentos que se dão em dose homeopática e sistemática de nossos corpos negros nas periferias de SP e do viagra sans ordonnance Brasil, nos levantamos para exigir a responsabilização daqueles que exercem o poder e são diretamente responsáveis pelas ações policiais”, diz nota dos movimentos que convocam o ato.

Até o momento, convocam o ato: Mães de Maio, #FrenteAlternativaPreta, Uneafro-Brasil, Núcleo de Consciência Negra na USP, Kilombagem, Coletivo Esquerda Força Ativa, Círculo Palmarino, Soweto Organização Negra, Revista Quilombo, Grupo Kilombagem, ONG Combat Social, Cedeca Sapopemba, Cedeca Interlagos, Frente Evangélica Pelo Estado de Direito, Coletivo negro da UFABC, Quilombo Cabeça de Nego, Coletivo Terça Afro, Fórum Municipal de Educação de Santo André, FFB – Frente Favela Brasil, Núcleo Reflexo de Palmares (Unifesp), Coletivo Enegrecer da USJT, Coletivo Dente de Leão, AEUSP – Associação de Educadores da USP, AMO Associação Mulheres de Odum e Espaço Cultural Caxueras – Cohab Raposo Tavares, #MAIS, Projeto Meninos e Meninas de Rua, Coletivo Negro Vozes – UFABC, entre outros diversos, com lista atualizada no Evento do Facebook.

Participe:

Ato-vigília em memória dos cinco jovens negros assassinados pela PM

Data: Quinta-feira, 10 de novembro, a partir das 18h

Local: Arcadas da Faculdade de Direito da USP
Largo São Francisco – Ao lado da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo – Centro de São Paulo

EVENTO no FACEBOOK:  https://www.facebook.com/events/330149687361798/

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Mulheres Política de Assistência Social

O Proletário e o Parlamento – ou A falácia do trabalho voluntário para mulheres (e homens)

** POR LUARA COLPA –
“Um dos evento mais importantes na história da humanidade, é a Revolução Industrial. Período complexo e longo, para alguns historiadores, até subdividido em fases.

O Parlamento inglês era, até então, ocupado apenas por Lordes. Eram os industriais, a burguesia, que ocupavam os assentos. E, obviamente, eram dos industriais as contrapartidas. Tudo o que envolvia política para a população média era sob o “voluntarismo” , na prática da “boa vontade” do Lorde governante.

Toda essa lógica começa a se transformar quando o proletariado toma pra si a reivindicação de seus direitos, inclusive o direito de assentar-se ao Parlamento.

Para que o proletário pudesse assentar-se a instâncias de decisão fora imprescindível que o mesmo recebesse SALÁRIO. Salário e segurança trabalhista eram as únicas vias possíveis de um proletário assegurar-se em qualquer profissão, por vender a sua força de trabalho. E isso em todo o mundo, em cada respectiva época.

O proletário representante de suas bases no poder poderia ser, então, um dos mecanismos de mudança social. A história nos aponta essa via como a única forma de ocupar cadeiras dos Lordes e trazer para si as pautas dos seus.

Para as mulheres, isso ainda demorou muito a acontecer. A mulher era vista como arrimo familiar e a ela cabia apenas os cuidados do lar. Regra geral.

Somente após muitas lutas, as mulheres organizadas alcançaram o direito ao voto, ao trabalho digno, aos assentos nos parlamentos (também regra geral, pois muitos países ainda cerceiam vários desses direitos)

Ocupar o parlamento só nos fora possível porque o parlamento deixou de ser visto como trabalho voluntário de Lordes, e transformou-se em espaço de todos os assalariados.

Fazer esse recorte é imprescindível para entendermos, de forma analógica, o papel de outros agentes, como por exemplo a “Primeira Dama”, este cargo que, apesar de não estar vinculado ao voto popular, ainda carrega o resquício da sociedade burguesa que necessita de uma figura maternal para reger determinadas pautas.

No nosso cenário latino-cristão, carregamos a imaculada figura que “cuida” das crianças. O que não percebemos é que este “cuidar” despreza o trabalho sério de figuras que estudam, dedicam, trabalham com o tema: Pedagogos, Assistentes Sociais, Professores, Psicólogos e tantos outros que se debruçam a tratar o tema com a seriedade que deve ser tratado.

Não é qualquer pessoa “carinhosa” que está apta a lidar com crianças. Muito menos de forma voluntária. Para esta função já existe uma política pública de Assistência Social em curso, e que deveríamos fortalecê-la e não tratar com voluntarismos.

Todas as vezes que tratamos como voluntários postos que devem ser ocupados por nós de forma justa e assalariada estamos trazendo à tona o Parlamento de Lordes, e fortalecendo não a nós, mas aos coronéis de outrora.

Parlamento e suas franjas não são voluntarismo. São, levitra buy uk mg assim como todo espaço de trabalho, imprescindíveis de Remuneração.

Já que tudo produzimos, que a nós tudo pertença!”

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Luara Colpa tem 29 anos, é brasileira e colunista no BHAZ. É mulher em um país patriarcal e oligárquico. Feminista e militante por conseguinte. Estuda Direito do Trabalhador e o que sente, escreve. 

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Finados: Podia ser minha mãe, que loucura!

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2 de Novembro era Finados | Eu parei em frente ao São Luiz do outro lado | E durante uma meia hora olhei um por um | E o que todas as Senhoras tinham em comum | A roupa humilde, a pele escura | O rosto abatido pela vida dura | Colocando flores sobre a sepultura | Podia ser a minha mãe, que loucura”

Racionais MC’s

Por Douglas Belchior

Pobreza e religião caminham juntas desde sempre, ao menos para os fiéis, para os povos que compõem as igrejas. E a vida, e a morte, e a vida após a morte, encontram novos significados, quase sempre em busca do conforto diante da vida real. Poucos poetas retrataram tão bem a dura realidade das periferias brasileiras, como fizeram Racionais Mc’s. Entre a denúncia da realidade e a valorização da identidade negra e periférica, a busca incessante pela “fórmula mágica da paz”. E, em muitos versos, a pintura do quadro da dor e do sofrimento daquelas que ficam e que choram nos velórios diante do desespero da perda, quase sempre famílias negras, quase sempre mães pretas, pobres, mães de maio, de ontem e de hoje.

A morte é, como sabemos, a grande certeza da vida. E poderia sim, ser vista, entendida e significada de uma forma diferente como a temos. Uma morte decorrente de uma vida bem vivida, de uma vida de prazeres, de uma vida repleta de direitos e humanidade que chegasse ao seu fim como uma passagem natural, como o fim de um ciclo, com a menor dor possível, com dignidade e cuidados.

A morte poderia ser, em regra, uma experiência que deixasse na consciência dos que ficam, o acalanto do “Viveu uma vida plena e foi feliz” ou do “fiz tudo que podia ter feito”. O dia de Finados poderia ser momento de saudades apenas. Dia de uma tristeza dorida, mas suave, branda… Mas não! Não é essa a relação que temos com a morte. A vida real do povo mais pobre, da população que ocupa as periferias e do povo negro jamais ofereceu condições para a oferta das chamadas mortes naturais, da “morte morrida”.

A escravidão, as ditaduras e as falsas experiências de democracia, nos deixou marcas profundas em que a morte sempre esteve relacionada ao castigo, à dor, ao sofrimento, à tortura, à chacina e muitas vezes, a morte sem corpo, sem velório e sem o direito sagrado da despedida. Para os pobres e principalmente para a população negra, a dor é propositada, prevista. E a condição é precarizada, injusta. E a vida interrompida, encurtada. E a morte prematura, premeditada, naturalizada.

 

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Segundo o mapa da violência 2016, o Brasil segue batendo recordes nos números de homicídios. Já são em média 57 mil assassinatos ao ano. A realidade da violência racial se perpetua. viagras naturales para hombres O número de pessoas negras mortas por arma de fogo são 2,6 vezes maior que a de não negros. A taxa de homicídios de negros aumentou 9,9% entre 2003 e 2014, passando de 24,9% para 27,4%. Pela pesquisa, a vitimização negra do país, que em 2003 era de 71,7%, mais que duplicou: em 2014 alcançou 158,9%. Mulheres negras também são alvo prioritário da violência e da morte. Os índices de assassinatos aumentaram 54% em dez anos no Brasil, passando de 1.864, em 2003, para 2.875, em 2013. No mesmo período, o número de homicídios de mulheres brancas caiu 9,8%.

Sim, a violência em nosso país é generalizada. Há muita violência civil. Mas é preciso destacar o papel do Estado e de suas polícias que, ao contrário de proteger a vida, promovem a morte. Sob comando de governos do PSDB, a polícia de São Paulo matou mais de 11 mil pessoas nos últimos 20 anos. Com Geraldo Alckmin no comando, a cada ano a PM mata mais.

Em meio ao aumento da violência e dos assassinatos cometidos por policiais, o governo Alckmin passou a omitir e maquiar informações. Apesar disso, de acordo com dados da SSP, o Estado registrou 532 mortes por intervenção de PMs em serviço entre janeiro e novembro de 2015. O número é superior às 495 mortes de 2006, ano marcado por confrontos entre a polícia e o PCC. Em todo o ano de 2015, a polícia matou 412 pessoas só na capital do Estado.

PM SUSPEITA PELO DESAPARECIMENTO DE 5 JOVENS NA ZONA LESTE DE SP

O escândalo do momento é o desaparecimento de 5 jovens na Zona Leste de São Paulo. Desde a sexta-feira, 21 de Outubro, familiares de quatro rapazes, entre 16 e 19 anos, e de um motorista, contratado por eles, vivem a aflição de não terem notícia alguma sobre o grupo. Os amigos Jonathan, Caíque, César e Robson, todos da zona leste de São Paulo, estavam a caminho de uma chácara, onde marcaram de se encontrar com algumas jovens que conheceram pelas redes sociais. Para levá-los até lá, haviam contratado um colega conhecido como “Síndico”.

A última informação que as famílias dizem ter a respeito do desaparecimento é um áudio que Jonathan mandou para uma amiga dizendo que havia sido parado pela polícia naquele dia: “Ei, tio. Acabo de tomar um enquadro ali. Os polícia tá me esculachando”. O carro dos jovens foi localizado, alguns dias depois, abandonado e vazio.

Como pode cinco pessoas sumirem e ninguém ver nada? A Polícia de SP teria produzido “5 novos Amarildos”?

Neste 2 de novembro, feriado de finados, respeitemos a dor de todas as cores, mas lembremos que há, neste grande cemitério chamado Brasil, a permanência da desigualdade também na distribuição das covas ou, nas palavras de João Cabral de Melo Neto, da cova medida, a parte que nos cabe nesse latifúndio. E nossa angústia cantada…