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Cultura Religião

Negritude e religião é tema de debate na Zona Leste de SP

Encontro trará investigação sobre racismo religioso e o papel da comunidade negra no catolicismo, protestantismo e nas religiões de matriz africana. Acontece neste sábado, 28/01, às 14h00 no CEU Lajeado – Guaianases

Por Aloysio Letra

 

Janeiro é mês de negritude e religião. Em Janeiro de 1835 os malês (muçulmanos) organizaram a “Revolta dos malês” na Bahia, uma mobilização de escravizados negros de origem islâmica contra os senhores BRANCOS. Em São Paulo este mês marca a fundação da Irmandade do Rosário dos Homens Pretos, organização negra da Igreja católica, ou ao menos uma organização utilizada para se ter negros convertidos a essa religião. Também neste mês, dia 21 de Janeiro comemora-se o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, que foi oficializada em 2007 para rememorar o dia do falecimento da Iyalorixá Mãe Gilda, do terreiro Axé Abassá de Ogum (BA), vítima de intolerância por ser praticante de religião de matriz africana.

O NEGRUME convida todxs para a roda “Negritude e religião”. Discussão importante, já que porque pessoas ignoram a violência que os povos de Axé sofrem, não sabem que o cristianismo tem ligações profundas com a África, ou mesmo sabem que Jesus Cristo foi um homem NEGRO.

O racismo contra pessoas negras toma as mais variadas formas em nossa sociedade e é preciso discutir sobre racismo religioso e EXPROPRIAÇÃO cultural na religião.

As exposições e provocações iniciais ao debate ficarão por conta dos seguintes convidados:

JÔ FREITAS, atriz e poetiza. Idealizadora do Sarau Pretas Peri e poeta residente do Sarau das Pretas;

ARIELE CAMPOS, advogada, membra do Fórum de Religiões de Matriz Africana Zona Sul e Kizomba Nacional articulação pela vida das juventudes de terreiro e matriz africana;

ANDRÉ DIAS, do templo Espírita de umbanda tia Benedita da Bahia e Ogum sete ondas.

ALOYSIO LETRA, artista e militante negro membro da Igreja Batista da Liberdade.

Sábado, 28/01, às 14h00 no CEU Lajeado – Guaianases

Como chegar: Descer na estação Guaianases da CPTM e pegar a lotação Jd. Fanganiello.

APOIO CULTURAL: Programa Agente Comunitário de Cultura / Secretaria Municipal de Cultura / CEU Lajeado

 

Fotos - Roger Cipó
Fotos – Roger Cipó

 

Negrume, cultura e consciência negra

Na luta negra por liberdade e afirmação da cultura e resistências negras, historicamente negros da diáspora e negros da África caminham, marcham ou cortejam as ruas e seus ancestrais. Hoje, após a globalização do racismo contra pessoas negras, se faz necessário manter essa tradição de ocupar as ruas em prol da consciência negra.

No Brasil os afoxés na Bahia e Pernambuco, os maracatus em Alagoas, Ceará e Pernambuco e as congadas no Sudeste do país, cortejam as ruas saudando seus orixás e os reinados negros do Congo.

O projeto NEGRUME surgiu em Novembro de 2014 no bairro de Guaianases como um cortejo que homenageia as caminhadas e marchas da comunidade negra.

Negrume é uma mescla das tradições negras populares com a luta dos movimentos sociais negros. Firmamos batuques para a afirmação cultural e política da resistência negra contra o genocídio da população negra, contra o racismo estrutural, contra o mito da democracia racial e contra todas as mazelas originadas no preconceito de cor.

Em 2016 o projeto se estabelece também como um blog periférico e articula em Guaianases, periferia da zona leste, rodas de conversa sobre temas da cultura e consciência negra.
Nosso estandarte contra o racismo: Negrume!

NEGRUME promoverá periodicamente bate-papo com especialistas, militantes negrxs e artistas, sempre com participação atuante da nossa comunidade.

Acessem nosso blog:

https://negrume.wordpress.com/

Email: [email protected]

WhatsApp: (11) 9-9826-0365

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Matriz Africana

Religiões africanas promovem Ato contra intolerância e racismo em SP

Iroko

O Dia Nacional de Combate à Intolerência Religiosa será marcado por Marcha. Concentração de religiosos e simpatizantes será neste sábado, 21/01, a partir das 15h, no Vão Livre do Masp, na Avenida Paulista – SP

Por Olhar de um Cipó

 

No próximo dia 21, o povo de terreiro, movimentos sociais, coletivos artísticos e culturais, marcharão contra a violência que historicamente agride adeptos do candomblé, umbanda, e de outros cultos de raízes negras.

Sob o manto do estado democrático e de direito, a intolerância demonstrada das mais diversas formas não poupa ninguém. Aquele que pratica a injúria não tem um objetivo maior, senão o de dizer onde aquele que foi injuriado deve estar: no campo da invisibilidade. Combater a intolerância religiosa significa rejeitar o racismo como sistema de opressão e dar corpo e voz a uma parcela da população que vem sendo sistematicamente agredida em sua dignidade pelo cerceamento de direito de liberdade de culto.

A questão da liberdade de religião e de culto amplamente requerida pela população negra e pelos religiosos de matriz africana deve ser vista sob a ótica da afirmação e reiteração da identidade negra e de toda a sua ancestralidade. Negar esse direito, compactuar com esta lógica é o mesmo que permitir que os tambores continuem abafados e os adeptos das religiões de matriz africana permaneçam naquilo que o “outro” considera a sua senzala – não há democracia racial, como não há respeito à diversidade religiosa.

Em 2007, o dia 21 de janeiro foi instituído como a data de Combate à Intolerância Religiosa, em reflexão e memória da Ialorixá Gildásia dos Santos – vítima de um dos casos mais drásticos de intolerância que a história brasileira conheceu.

O crime começou em outubro de 1999, quando O jornal Folha Universal estampou em sua capa uma foto de Mãe Gilda – trajada com roupas de sacerdotisa para ilustrar uma matéria com título: “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes”. Sua casa foi invadida, seu marido foi agredido verbal e fisicamente, e seu Terreiro foi depredado por evangélicos. A Ialorixá não suportou os ataques e, após enfartar, faleceu em 21 de janeiro de 2000.

Vista-se de branco e junte-se à luta contra o racismo religioso, pela liberdade de culto e por nenhum direito a menos!

Traga seus instrumentos, flores, dança, arte, cartazes, protestos, resistência.

Diga não aos retrocessos!

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Cultura Escrita da história

Taís Araújo e Lázaro Ramos estreiam “O topo da montanha” no Rio de Janeiro

Foto Juliana Hilal

Diferente, revelador e profético

Peça estréia neste dia 20/01, sexta-feira, às 20h e ficará em cartaz até 19/02, às sextas e sábados às 19h e domingos às 18h, no Teatro Sesc Ginástico – Av. Graça Aranha, 187, Centro do Rio

Por Douglas Belchior

O espetáculo O Topo da Montanha, adaptação do texto de Katori Hall, dirigida por Lázaro Ramos, produzida e protagonizada por ele e Taís Araújo, faz sua estréia na cidade do Rio de Janeiro neste próximo dia 20 de Janeiro, feriado de aniversario da cidade, no Teatro do Sesc.

Como águas turbulentas ante a calmaria de um riacho; como um debate entre a sagaz sede de justiça e a paciência histórica, própria dos grandes sábios, assim é o encontro entre o imponente líder Martin Luther King e a humilde camareira Camae, num texto incrível e surpreendente, brilhantemente interpretado pelo casal mais emblemático do empoderamento negro atual.

Você é negra? Você é negro? Então deve assistir!

Sim, brancos de boa de vontade devem assistir também. Mas é certo que para negras e negros que lotaram as apresentações em São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Bahia, o significado de estar ali em comunidade e experimentar este texto e esta interpretação é algo diferente, revelador e profético. Uma experiência magistralmente descrita pela jornalista e militante do movimento negro Ana Flávia Magalhães Pinto, em suas Notas a partir do lugar de público negro, já publicado por este Blog e que recupero abaixo. Vale a pena ler. Vale a pena assistir.

Depois nos diga se aceita o bastão.

 

Foto Juliana Hilal

Notas a partir do lugar de público negro

Por Ana Flávia Magalhães Pinto*

 

Longe de ser uma crítica de arte, escrevo a partir tão somente do lugar de público. Mas não apenas público, substantivo carente de materialidade. Falo como integrante do público negro, um conjunto de espectadores/as comumente subestimado ou até muito sonhado, porém tido como distanciado das salas de teatro, cinema, galerias, etc., por razões que dialogam com as violentas e sofisticadas práticas de exclusão sociorracial.

Faço isso porque acredito sinceramente que, afora autoras/es, obras e críticos/as especializados/as, o público é também fundamental para que a arte exista. E nós, público negro, não só existimos, mas também, tal como aconteceu na noite do último sábado (10), podemos nos fazer presentes em quantidade e qualidade!

Estou me referindo à experiência de assistir à peça O Topo da Montanha, uma adaptação do texto de Katori Hall, dirigida por Lázaro Ramos, produzida e protagonizada por ele e Taís Araújo, que estreou no Teatro Faap, São Paulo.

Eu e um casal de amigos nos dirigimos a essa casa localizada no elegante bairro de Higienópolis bem achando que seríamos a famigerada limitada cota negra entre uma maioria de espectadores brancos. Diferentemente do previsto e como chegamos cedo, pudemos nos deliciar ao ver a entrada de seguidos pequenos grupos de amigos, famílias, casais e homens e mulheres solitárias de pele escura, cabelo crespo e com umas caras de contentamento indisfarçável! As pessoas estavam gostando de se ver ocupando aquele lugar!

De todo modo, é preciso dizer que essa não foi a primeira vez que vi isso acontecer. Na verdade, observo esse fenômeno se repetir cada vez com mais frequência e intensidade nos últimos anos. Considero que eu mesma sou prova disso. Ouso até especular se a incorporação das cotas raciais ao debate público já não está servindo para catalisar a expansão dos limites da participação negra em outros espaços… É, pode ser, mas isso é assunto para outro texto.

Por ora, é melhor continuar no Topo da Montanha. Aliás, a escolha desse texto é, por si, um grande presente, sobretudo para nós, público negro. Em tempos de marchas em defesa da vida da população negra no Brasil , o que inclui aproximações e conflitos de natureza variada , recuperar a trajetória de Martin Luther King a partir do registro de múltiplas dimensões da vida humana serve como uma boa oportunidade para se refletir como temos encaminhado nossas práticas de resistência ao que nos oprime. O reconhecimento da confluência entre medo e esperança, egoísmo e altruísmo, vaidade e humildade num sujeito emblemático como King é, de fato, uma das várias qualidades da escrita de Katori Hall.

Natural de Memphis, Tennessee, ela é uma jovem escritora negra, de 34 anos, formada em instituições de renome como Columbia e Harvard, tendo sido a primeira mulher negra a receber o prêmio Laurence Olivier de melhor peça estreante, em março de 2010, por The Mountaintop, título original em inglês. Para além dos títulos acadêmicos e prêmios, vale mesmo a pena acompanhar a trajetória de Katori por sua capacidade criativa. Atualmente, ela está trabalhando em seu primeiro filme de curta metragem, Arkabutla, que fala sobre relações familiares e racismo.

Outras escolhas feitas para o espetáculo também nos convidam a reconhecer e destacar mais um punhado de talentos negros do teatro. A consultoria dramática e cênica é assinada por Ângelo Flávio. Ator, dramaturgo e diretor, ele é um dos expoentes do teatro negro brasileiro, fundador da Cia Teatral Abdias Nascimento (CAN) na UFBA, em 2002, e responsável, entre outras, pela montagem da peça A casa dos espectros (2006), a partir da obra Funnyhouse of a Negro (1964), de Adrienne Kennedy, outra escritora afro-estadunidense.

O figurino é de Tereza Nabuco, artista que há anos atua em produções da Rede Globo. O desenho de luz, recurso fundamental para a garantia da dramaticidade do espetáculo, está sob os cuidados do experiente iluminador cênico Valmyr Ferreira. Afora diversos trabalhos no teatro, Ferreira assinou a iluminação da exposição “Abdias Nascimentos 90 anos Memória Viva”, no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, 2004.Por sua vez, o cantor, ator, pianista, compositor e arranjador Wladimir Pinheiro assina a Trilha Original. Até bem recentemente, Wladimir esteve em cartaz com a peça Ataulfo Alves – O Bom Crioulo, dirigida por Luiz Antonio Pilar, no Teatro Dulcina do Rio. Bem que essa também poderia circular por outras cidades.

Somado a tudo isso, a interpretação da dupla Taís Araújo e Lázaro Ramos é capaz de emocionar ainda mais. Além de sustentarem muito bem o dinamismo das falas e do encaminhamento dado ao toque de inusitado fantástico da narrativa (tem que ir para entender!), os atores são capazes de garantir muito sentido até para os momentos de silêncio.

A performance de Taís, em especial, está digna de todos os aplausos de pé ao final. Vendo a maturidade de sua interpretação, foi impossível não lembrar do discurso de Viola Davis ao receber o Emmy 2015 de Melhor Atriz: “A única coisa que separa mulheres de cor de qualquer outra pessoa é oportunidade. Você não pode vencer o Emmy por papeis que não existem”. E mais uma vez livre de sabotagens, Taís Araújo se mostra uma gigante no palco. A atuação de Lázaro Ramos não deixa por menos. O brinde extra é perceber que o homem está jogando tão bem em tantas áreas!

Apagam-se as luzes, vem aquela sensação de quero mais! E, assim, ir ao teatro firma-se como algo que faz muito sentido para a vida, mesmo que isso implique reorganizar as finanças da semana ou do mês! É isso, o teatro também é nosso lugar, público negro!

 

* Ana Flávia é Doutora e mestre em História, jornalista, ativista do Movimento Negro, autora do livro “Imprensa negra no Brasil do século XIX” (Selo Negro, 2010)

 

SERVIÇO

O TOPO DA MONTANHA

Estreia: 20/01/2017 (sexta-feira), às 20h
Temporada: 21/1/2017 a 19/02/2017, sextas e sábados às 19h e domingos às 18h
Teatro Sesc Ginástico (513 lugares): Av. Graça Aranha, 187, Centro. Tel.: (21) 2279-4027
Ingressos: R$6 (Associados Sesc), R$ 12 (para jovens até 21 anos, estudantes e maiores de 60 anos) e R$ 25 (inteira)
Bilheteria: de terça-feira a domingo, das 13h às 20h
Aceita cartões de débito e crédito
Os ingressos serão gratuitos para o público inscrito no PCG – Programa de Comprometimento e Gratuidade
Classificação: 12 anos
Gênero: Comédia Dramática
Duração: 90 minutos

Promoções:
– AVIANCA: 30% de desconto sobre a inteira para clientes e funcionários devidamente identificados + um acompanhante.
Descontos não cumulativos

FICHA TÉCNICA

Texto de Katori Hall
Direção de Lázaro Ramos
Codireção de Fernando Philbert
Tradução de Silvio Albuquerque
Consultoria Dramatúrgica de Angelo Flávio
Assistência de direção Thiago Gomes.
Com Lázaro Ramos e Taís Araújo
Voz Inicial da Mãe de Martin Luther king de Léa Garcia
Preparação vocal de Edi Montecchi
Cenografia de André Cortez
Assistência de Cenografia de Carmem Guerra
Construção Cenário de Ono Zone Estúdio/ Fernando Bretas e Waldir Rosseti
Iluminação de Walmyr Ferreira
Assistência de Iluminação de Marcos Freire
Figurinos de Teresa Nabuco
Trilha sonora de Wladimir Pinheiro
Desenho de Som de Laércio Salles
Projeções de Rico Vilarouca e Renato Vilarouca
Fotos de estúdio de Jorge Bispo
Fotos de cena de Valmyr Ferreira e Juliana Hilal
Projeto gráfico da Dorotéia Design, Adriana Campos e Tamy Ponczyk
Revisão de Regina Stocklen
Serviços de camareira de Solange Carneiro
Contraregragem de Fabiano Motomoto
Operação de luz de Kadu Moratori
Operação de som e projeção de Fernando Castro
Serviços técnicos de projeção de Bruno Mattos
Supervisão técnica de projeção de Alexandre Bastos – Novamídia
Assistência técnica e de produção de Igor Dib
Assistência de administração de Jandy Vieira
Administração Lei Rouanet de Thiago Oliveira
Produção executiva e administração de Viviane Procópio
Administração geral de André Mello
Direção de produção de Radamés Bruno
Produção da BR Produtora
Produtores associados André Mello, Lázaro Ramos e Taís Araújo
Transportadora Oficial: Avianca

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Denúncia

Novo edital abre brechas para superfaturamentos no Metrô de SP. Metroviários convocam Ato

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Ato simbólico às 13h30 desta quinta-feira (12) homenageia vítimas do acidente na estação Pinheiros do Metrô – que completa uma década – e cobra revisão do edital de expansão das novas linhas, que abre brechas para superfaturamentos nas obras e prejuízos aos usuários e aos cofres públicos.

Por Metroviários

 

Nesta quinta-feira (12) completam-se 10 anos do acidente na estação Pinheiros do Metrô, que matou sete pessoas e destruiu dezenas de imóveis. Apesar do laudo do Instituto de Criminalística da Polícia Técnico-Científica do Estado ter concluído que a queda das paredes do túnel da estação foi provocada por problemas na execução da obra, ninguém foi condenado. Processos criminais movidos pelas famílias das vítimas ainda estão em andamento no Judiciário paulista. Em memória às vítimas e para que novas tragédias não se repitam, o Sindicato dos Metroviários de São Paulo realizará um ato simbólico às 13h30 na estação. Nas primeiras horas da manhã será distribuída uma carta aberta à população.

A manifestação também cobrará restrições à participação de empreiteiras envolvidas na construção da Linha 4 no processo de expansão. São elas: Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez. Todas são citadas em investigações de corrupção. Além disso, a direção do Sindicato concorda com a denúncia de negligência por parte das empresas, apresentada pelo Ministério Público no processo que julgou responsabilidades no acidente da estação Pinheiros. A organização de classe, antes mesmo do acidente, já havia feito diversas denúncias nesse sentido.

Durante o protesto também será divulgada a íntegra dos questionamentos que a organização sindical protocolou no último dia 20 de dezembro em relação ao edital de licitação da expansão da Linha 5-Lilás (Largo Treze-Chácara Klabin) e da Linha 17-Ouro (Congonhas-Morumbi). A entidade solicitou parecer do escritório Fonseca de Melo & Britto Advogados. Com base no parecer, e ressaltando que o prolongamento das linhas metroviárias é não só previsível como indispensável, o Sindicato questionou à Secretaria dos Transportes Metropolitanos os seguintes problemas verificados na minuta do edital da Concorrência Internacional nº 02/2016:

Desrespeito às leis 8.987/1995 e 8.666/1993 e risco iminente de superfaturamento

“Não se pode admitir a existência de atividades e encargos vagos e imprecisos no objeto licitado, e muito menos submeter necessidades de futura alteração e expansão dos serviços a termos aditivos” – o que está previsto nos itens 1.1.5, 1.1.6 e 1.1.7 da referida minuta.

A organização sindical aponta que “faz-se necessário que o Edital de Licitação indique o conjunto de elementos necessários e suficientes, com nível de precisão adequado, para caracterizar exatamente os trechos que se caracterizam como prolongamento das Linhas, bem assim as obras civis, equipamentos, sistemas e material rodante para a operação do serviço expandido”.

“Além disso, tratando-se de necessidade previsível de alteração e expansão do serviço, o Edital deve indicar os critérios para o reajuste e revisão das tarifas, não podendo deixar tal tema vago e, muito menos, remeter tais investimentos para a confecção de Termo Aditivo, que importará em alteração das tarifas sem qualquer definição prévia”.

A Lei 8.987/1995 prevê que o contrato de concessão deve dispor sobre “os direitos, garantias e obrigações do poder concedente e da concessionária, inclusive os relacionados às previsíveis necessidades de futura alteração e expansão do serviço”. Assim como os “critérios e procedimentos para reajuste das tarifas”. E a lei de licitações (8.666/1993) estabelece que aditivos contratuais que visem o reequilíbrio econômico-financeiro estão condicionados a “superveniência de fatos imprevisíveis, ou previsíveis de consequências incalculáveis”, que devem ser efetivamente demonstrados.

Para o Sindicato dos Metroviários, a forma genérica como o edital foi publicado “se apresenta como uma oportunidade já previamente chancelada para o superfaturamento dos contratos”. Por isso a organização de classe sugere a alteração dos itens 1.1.5, 1.1.6 e 1.1.7 do edital e a exclusão dos itens 1.2, 1.2.1 e 1.2.2.

Valor das outorgas impõe prejuízos futuros aos usuários e à administração pública

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Outro problema verificado no edital é a previsão de que investimentos adicionais não serão de responsabilidade da contratada, mas compensados através do reajuste das tarifas ou redução da outorga variável. Para o sindicato essa definição pode levar a prejuízos aos usuários do transporte público ou o erário, “já que o montante fixado a título de preço mínimo para a outorga fixa não cobre sequer a necessária expansão a ser realizada nas linhas”. O valor a ser oferecido pela outorga fixa da concessão é de R$ 116.419.567,42.

Para sanar este problema o Sindicato dos Metroviários propôs a retificação do valor da outorga fixa “em montante suficiente para cobrir todos os custos previstos para os investimentos adicionais a serem realizados pela concessionária”.

Além disso, como o edital estabelece um complemento à outorga fixa em 1% da receita bruta decorrente da tarifa de remuneração a partir do início da operação comercial pela concessionária, “há um risco de dupla oneração do Estado”. Isso é possível porque quando a Linha 5-Lilás for inaugurada uma parte do contingente de passageiros que hoje utiliza a Linha 4-Amarela deixará de fazê-lo. Se esse contingente afetar a banda de demanda estabelecida quando foi firmado o contrato com a ViaQuatro para administração da Linha Amarela, a empresa será ressarcida de acordo com o efetivo de redução de fluxo. Ou seja, o Estado pagará à administradora da Linha 5 pelos passageiros transportados e à ViaQuatro pelo contingente perdido em termos de número de usuários.

Outros questionamentos

O Sindicato questiona ainda o montante fixado a título de garantia para um contrato tão complexo (1,5% do valor total do contrato). E que eventual devolução da garantia seja efetivada somente ao término do contrato e após comprovação do cumprimento de todas as obrigações definidas para a contratada.

A falta de atenção à legislação trabalhista também é criticada pelo Sindicato, que propõe uma série de medidas a serem incluídas no edital como obrigações da contratada.

Além da inclusão de cláusula de penalidade em caso de atraso nas obras – o edital prevê o pagamento de vantagens pecuniárias às empresas caso o poder público seja responsável por eventuais atrasos, mas não cobra nenhuma contrapartida se as concessionárias não cumprirem os prazos estabelecidos.

 

 

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Sérgio Vaz, o Poeta da Periferia, lança clipe “Novos Dias”

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Por Douglas Belchior

 

O Poeta da periferia, fundador da Cooperifa e agitador cultural Sérgio Vaz lançou, poucos dias antes do Natal, um novo clipe com uma de suas mais famosas poesias, “Novos Dias”.

Com direção do cineasta João Wainer e arte de Rita Wainer, o clipe traz uma bonita montagem com trechos da poesia recitado por diversas personalidades da cena periférica, artística e política do país.

A campanha de captação das imagens foi promovida pelo próprio poeta Sérgio Vaz, que entre outros, convidou Emicida, MV Bill, Sueli Carneiro, Roberta Estrela Dalva e muitas outras figuras importantes da resistência periférica brasileira. Com muita honra, também participo do clipe.

Assista e inspire-se para 2017, afinal, bem como diz o poema, “O Ano Novo tem cara de gente boa, mas não acredite nele. Acredite em você. Feliz todo dia!”

 

Novos Dias

Sergio Vaz
Este ano vai ser pior…
Pior para quem estiver no nosso caminho.
Então que venham os dias.
Um sorriso no rosto e os punhos cerrados que a luta não para.
Um brilho nos olhos que é para rastrear os inimigos (mesmo com medo, enfrente-os!).
É necessário o coração em chamas para manter os sonhos aquecidos.
Acenda fogueiras.
Não aceite nada de graça, nada.
Até o beijo só é bom quando conquistado.
Escreva poemas, mas se te insultarem, recite palavrões.
Cuidado, o acaso é traiçoeiro e o tempo é cruel, tome as rédeas do teu próprio destino.
Outra coisa, pior que a arrogância é a falsa humildade.
As pessoas boazinhas também são perigosas, sugam energia e não dão nada em troca.
Fique esperto, amar o próximo não é abandonar a si mesmo.
Para alcançar utopias é preciso enfrentar a realidade.
Quer saber quem são os outros? Pergunte quem é você.
Se não ama a tua causa, não alimente o ódio.
Por favor, gentileza gera gentileza. Obrigado!
Os Erros são teus, assuma-os.
Os acertos também são teus, divida-os.
Ser forte não é apanhar todo dia, nem bater de vez em quando, é perdoar e pedir perdão, sempre.
Tenho más notícias: quando o bicho pegar, você vai estar sozinho. Não cultive multidões.
Qual a tua verdade ? Qual a tua mentira?
Teu travesseiro vai te dizer. Prepare-se!
Se quiser realmente saber se está bonito ou bonita, pergunte aos teus inimigos, nesta hora eles serão honestos.
Quando estiver fazendo planos, não esqueça de avisar aos teus pés, são eles que caminham.
Se vai pular sete ondinhas, recomendo que mergulhe de cabeça.
Muito amor, mas raiva é fundamental.
Quando não tiver palavras belas, improvise. Diga a verdade.
As Manhãs de sol são lindas, mas é preciso trabalhar também nos dias de chuva.
Abra os braços. Segure na mão de quem está na frente e puxe a mão de quem estiver atrás.
Não confunda briga com luta. Briga tem hora para acabar, a luta é para uma vida inteira.
O Ano novo tem cara de gente boa, mas não acredite nele. Acredite em você.
Feliz todo dia!
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Política

A necessidade de a Esquerda resistir e reexistir

Por Douglas Belchior

 

Amigas e amigos leitores deste Blog, peço licença para apresentar-lhes uma fraterna contribuição do Coletivo Rosa Zumbi, agrupamento político ao qual me filio, ajudo a construir e os convido a conhecer.

Trata-se de uma densa análise da conjuntura política nacional e dos desafios que se apresentam ao campo progressista ante o avanço das forças conservadoras nesse próximo período.

Os negritos no texto são meus. Sintam-se a vontade para debater, comentar, complementar ou mesmo discordar, caso se sintam provocados.

 

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Por Coletivo Rosa Zumbi

 

O golpe abre um novo ciclo político e histórico no Brasil. O povo brasileiro sofreu uma derrota de dimensão estratégica. A opção do Lulismo pela conciliação de classes sem reformas estruturais de interesse popular se esgotou e foi incapaz de evitar a reação e a vitória das forças conservadoras, com destaque para o empresariado, a mídia corporativa, os partidos de direita e largas parcelas do judiciário e do ministério público.

Neste novo ciclo, a ofensiva é da direita, que ataca com um conjunto de medidas que retira direitos e visa desmontar as conquistas havidas nas últimas décadas e o que resta de progressista na constituição de 1988. As lutas populares agora, mesmo as de formato mais radical, são de caráter defensivo contra a retirada de direitos – é a busca do empate para o bloqueio do retrocesso.

Isso não significa que o campo das forças populares e de esquerda deva abandonar a sua agenda e se limitar à negação. Mesmo neste momento em que é praticamente nula a possibilidade de haver ampliação de direitos e reformas de interesse popular, é preciso combinar a resistência aos ataques com a propaganda de um projeto popular. Uma esquerda que não aponta saída, não tem condições de ser a saída. Ademais, é da luta de resistência que se criarão as condições para um novo ciclo, que seja de ataque, e não de defesa.

O avanço do reacionarismo e do conservadorismo é evidente, entretanto, isso não significa que toda a sociedade foi contaminada por esse pensamento. Está em curso nos últimos anos o surgimento e o crescimento de novos movimentos sociais e de novas organizações que têm impulsionado lutas importantes, com destaque para a juventude, o feminismo, o movimento negro e movimentos de moradia.

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O PT, apesar do impacto da queda, não está morto e pode continuar como uma importante força social e eleitoral. Todavia, o seu limite histórico ficou evidente. O PT não tem mais a capacidade e a legitimidade para liderar o bloco da classe trabalhadora para um projeto de enfrentamento por reformas estruturais. No entanto, ainda não surgiu um novo projeto com força suficiente para superar o petismo. São tempos de interregno.

É necessário, desde já, atuar para no curto prazo criar uma linha de resistência que agregue todos e todas que estejam em contradição com as medidas de retrocesso do governo e que atue como contenção do avanço conservador que mostra ter sinais de maior autoritarismo e de viés ditatorial. E é preciso também fomentar um novo patamar de reorganização do campo popular e de esquerda para elaboração de um projeto capaz de superar o petismo e de realizar as reformas estruturais de interesse popular.

Desse processo devem ser protagonistas setores diversos que no ciclo anterior estiveram em diferentes posições: os que estiveram na oposição de esquerda aos governos petistas e se posicionaram de forma decisiva contra o golpe; os setores que deram sustentação ao governo, mas que não concordam que a conciliação de classes seja o teto da história; e os novos movimentos e organizações que superarem o exclusivismo da sua pauta e identificarem a necessidade de integração a um projeto sistêmico.

A existência de diferentes leituras sobre os governos do PT é um dificultador. Se a postura nesse debate for de demarcação das diferenças, o fracasso é garantido. Mas ele pode ser bem sucedido caso o esforço seja por identificar os avanços, fracassos e limites da experiência dos governos petistas numa perspectiva de fazer um balanço que oriente a constituição de um projeto mais avançado e com capacidade de ter força social e política.

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Está na ordem do dia o debate e a atualização do programa democrático-popular, que continua sendo o principal referencial com capacidade de orientar a construção de uma nova ordem social a partir de lutas por dentro e por fora desta ordem.

O estabelecimento de um governo democrático-popular é uma condição necessária, porém insuficiente. Necessária porque não haverá reformas estruturais de interesse popular e alargamento dos direitos e da democracia a partir de governos conservadores ou rendidos à conciliação. Insuficiente porque não basta a vontade política do governo, mudanças estruturais não acontecem sem um amplo e radical processo de lutas populares.

Ademais, um governo democrático-popular não é o fim da história, sua agenda de reformas radicais deve estar vinculada ao acúmulo de forças para o rompimento com a ordem capitalista e à construção da Revolução Brasileira.

A atualização programática é necessária. Os princípios que orientam o programa democrático-popular continuam válidos. Entretanto, desde os anos 80 até hoje houve mudanças significativas na sociedade, na economia e no Estado. A questão da dívida pública segue sendo estrutural, mas numa composição distinta. O avanço do agronegócio e da especulação imobiliária exigem novos tipos de reformas agrária e urbana. As privatizações e a LRF reduziram o poder de atuação dos governos e do próprio Estado. Por outro lado, o Estado cresceu no seu aparato repressor e punitivo. A questão ambiental e energética é crescentemente importante. As reservas do pré-sal abriram novas possibilidades e aumentaram a importância geopolítica do Brasil. O legado patriarcal e escravocrata estruturantes do capitalismo brasileiro tem que ser desmontado com bandeiras e lutas contra todas as opressões. Enfim, a elaboração de um programa adequado a este tempo e capaz de colocar o povo em movimento deve estar no centro do processo de reorganização da esquerda.

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Mais do que um rearranjo de forças, a constituição de um novo patamar para o campo popular e de esquerda passa por lidar com problemas relativamente novos e por questões antigas ainda não resolvidas, tanto do ponto de vista programático, como organizativo. Além de resistir, a esquerda precisa reexistir, se reinventar. As formas de organização política que ainda permanecem na maior parte da esquerda, seja em partidos ou movimentos sociais organizados, foram criadas em contextos históricos muito diferentes do atual. As mudanças sociais, econômicas, culturais, tecnológicas criaram outras perspectivas de envolvimento político. Os antigos formatos muito verticalizados e enrijecidos não são capazes de agregar largos setores, sobretudo na juventude.

A questão da comunicação é crucial, a começar por saber usar de forma eficiente as diversas possibilidades que o avanço tecnológico proporcionou. Todavia, ainda predomina a linguagem que só dialoga com os círculos restritos de quem já se iniciou na política. Mais grave ainda é a permanência da ideia de que a esquerda vai conscientizar e iluminar o povo. A comunicação é a base para a constituição da organização popular, que não ocorrerá se a esquerda insistir em apenas falar e não em ouvir.

Outra questão crucial é do imbricamento do patriarcado e do racismo no capitalismo existente no Brasil. Há múltiplas formas de exploração e de opressão que funcionam de forma combinada para manter a desigualdade nos seus diferentes aspectos. É um equívoco opor ou hierarquizar as lutas. O desafio é como dar uma resposta que consiga agregar diferentes elementos na mesma luta contra o sistema. Importante destacar que desse processo de reorganização da esquerda não resultará necessariamente um partido político que cumpra o papel estruturador e articulador que o PT cumpriu no ciclo anterior. O mais provável é que no novo ciclo exista uma diversidade de instrumentos, organizações e iniciativas que terão sucesso se conseguirem compartilhar leituras do mundo e protagonismos nas lutas. A experiência da Frente Povo Sem Medo tem sido muito importante. Além da Frente ter protagonismo na organização das necessárias mobilizações, ela tem sido também um polo rearticulador da esquerda e dos movimentos.

Esses elementos de cunho programático, estratégico e organizativo devem orientar o processo. Contudo, não fazemos história nas condições que queremos, mas nas realmente existentes. Se a contrarreforma eleitoral for aprovada, o espaço eleitoral para a esquerda socialista será ainda menor. O PSOL muito dificilmente conseguiria romper as cláusulas de barreira, o que resultaria na sua inviabilização eleitoral e ameaçaria a sua existência. Mesmo um partido antigo como o PCdoB corre riscos com essa legislação. Diante disso, é fundamental encontrar uma saída institucional que garanta a nossa permanência na disputa eleitoral. O melhor é que essa saída seja parte do processo mais amplo e profundo de reorganização da esquerda.

É hora de organizar a resistência desde já e de aprofundar o debate com coragem e fraternidade para a reexistência da esquerda, com a urgência para encontrar as saídas que aumentem a nossa capacidade de enfrentar esta conjuntura e nos mantenham politicamente vivos. E com a consistência e a profundidade necessárias para a constituição de um projeto que supere o petismo, altere a correlação de forças, estabeleça um governo que faça as reformas estruturais de interesse popular e acumule forças para a Revolução Brasileira.

 

Dezembro de 2016

Coletivo Rosa Zumbi

 

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Cultura Hip-Hop

Rincon Sapiência: O resgate do Mestre de Cerimônia

 

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Por  Boia Fria Produções

Sapiência destaca a figura do Mc com irreverência em seu novo clipe

 

Em “Ponta de Lança (verso livre)”, Rincon Sapiência lança uma provocação interessante aos admiradores do rap nacional. Inspirado pela cena atual no país, onde os fãs parecem amar mais os rappers que as rimas, o rapper busca resgatar a cultura do Mc, na qual, segundo ele, deve se destacar a magia das palavras, o encaixe das rimas e as histórias contadas através das letras. Em várias barras soltas sem refrão, Rincon se diverte com as palavras cantadas sobre uma batida de funk nas cenas do videoclipe, dirigido por Jonah Emilião, idealizador do estúdio Rasputines art, de Curitiba. Filmado na Cohab 1, na Zona Leste de SP, lugar de origem do Mc, o clipe foi gravado com uma câmera Sony vx2000, trazendo naturalmente a textura dos vídeos antigos, ou seja, da época em que o Mc ocupava lugar de destaque no rap brasileiro.

Após finalizar o disco Galanga Livre, que tem seu lançamento previsto pro início de 2017, o Mc passou por uma fase de relaxamento, reduzindo seu ritmo de criação e iniciando um momento de ócio, processo que foi frutífero para renovar suas inspirações. Analisando o cenário atual do rap brasileiro, o rapper viu espaço para uma provocação interessante no fato de os fãs amarem mais os rappers do que as rimas, o que ele julga prejudicar a cultura do Mc. Assim surgiu o mote para a letra da música, que sintetiza de maneira irreverente as ideias de Rincon a respeito do apagamento da figura do Mc no rap brasileiro nos últimos anos, seguindo o estilo atrevido já explorado na música “Linhas de Soco”.

Com “Ponta de Lança (verso livre)”, Rincon Sapiência encerra em grande estilo o ano de 2016, deixando reservado para o próximo ano seu tão aguardado álbum de estréia Galanga Livre, que trará ao público o resultado de sua imersão no universo da música africana e de sua incessante busca por suas raízes musicais. Produzido pelo próprio rapper, o disco conta com coprodução e mixagem do experiente William Magalhães, líder da Banda Black Rio. Para além de sua irreverência, o rapper mostra no álbum a justa medida entre balanço e romantismo, formula mágica de discos consagrados da nossa música até então pouco presente no rap nacional, trazendo influências da negritude que vão desde a capoeira até o blues, passando pelo coco e pela tropicália, até o afrobeat, permeadas pela veia rock and roll que caracteriza a obra de Rincon.

 

+ Rincon Sapiência

Com a originalidade de suas composições, marcadas por influências das músicas africana, eletrônica, jamaicana e vertentes do rock, desde o ano 2000, o artista traduz em versos inteligentes e sagazes as experiências vividas nas ruas da periferia paulistana desde os anos 80. Abordando questões raciais e sociais no contexto da metrópole, Rincon Sapiência apresenta um rap com clima de positividade, sem prejuízo à postura crítica do discurso, resultado da sua notável fome de rima aliada à sua habilidade nata de jogar com as palavras. Versátil, ele também atua como beatmaker em seus próprios trabalhos.

Em 2005, Rincon lançou sua primeira faixa, intitulada “Aventureiro” e, em 2008, participou no disco solo de Kamau, Non Ducor Duco, nas faixas “Porque eu Rimo” e “Tambor”. No ano seguinte, se firmou como protagonista na cena rap com o sucesso “Elegância”, cujo videoclipe entrou na programação da MTV Brasil e foi indicado ao VMB 2010 na categoria Melhor Videoclipe de Rap. No mesmo ano, Rincon Sapiência participou do álbum Projeto Paralelo, da banda NX Zero, na faixa “Tarde pra Desistir”.

A referência e a exaltação de temas relacionados à negritude e às raízes africanas são frequentes nas músicas de Rincon Sapiência, que abordam a consciência e a valorização da afrodescendência, reconhecidas em solo africano durante os renomados festivais dos quais Rincon participou em 2012 (Festival 2H, em Dakar, Senegal; e Festival Asalam Maleikum Hip Hop, na Mauritânia). Em 2014, Rincon lançou o EP SP Gueto, com oito faixas oficiais e duas faixas bônus. Um dos destaques do rap nacional daquele ano, o EP foi em grande parte produzido pelo próprio Mc, e traz uma forte identidade musical, com influências das músicas eletrônica, rock, ska, reggae, samba, timbres 808 e até o clássico estilo boombap dos anos 90.

A universalidade da música e dos temas abordados pelo repertório de Rincon favorecem o seu trânsito em outros círculos que não sejam necessariamente periféricos. Sua forte identidade artística, reforçada por um estilo original, também está presente nos clipes “Elegância”, “Transporte Público”, “Linhas de Soco”, “Profissão Perigo” e “Coisas de Brasil”. A estreia como ator veio nas telonas em 2013, ao contracenar com o ator Wagner Moura no filme “A Busca”, dirigido por Luciano Moura, seguida da participação no filme “Jonas”, dirigido por Lô Polliti, do qual também participaram os rappers Criolo e Karol Conka.

Acompanhe Rincon Sapiência nas redes sociais:

https://www.youtube.com/c/RinconSapiência

https://www.facebook.com/rinconzl

https://twitter.com/rinconsapiencia

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Cultura

Inscrições abertas para artistas de dança negra, série “Diálogos Ausentes”

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Cena do espetáculo Candaces – a Reconstrução do Fogo, da Cia. dos Comuns (Foto: Ierê Ferreira)

 

Por Douglas Belchior

Itaú Cultural faz chamada aberta para artistas e produtores negros apresentarem projetos de dança na série Diálogos Ausentes

 

O instituto Itaú Cultural está com inscrições abertas para artistas e produtores negros apresentarem projetos de dança na série Diálogos Ausentes. Os selecionados participarão dos encontros sobre o tema nos dias 14 de fevereiro e 14 de março; a atividade, que provoca um diálogo entre especialistas, artistas e o público, dá sequência à série de debates que analisa a recorrência da imagem afro-brasileira nas artes, iniciada em 2016.

As inscrições poderão ser feitas pelo site www.itaucultural.org.br entre os dias 6 e 22 de janeiro e a chamada é aberta para artistas, coletivos e realizadores de produções na área da dança que sejam negros e tratem de questões raciais. O resultado será divulgado no dia 25 de janeiro.

 

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Fernanda Júlia – Youtube – O Negro nas Artes Cênicas – Diálogos Ausentes (2016)

 

SERVIÇO

Diálogos Ausentes: O Negro na Dança

Chamada aberta para artistas, coletivos, produtores e realizadores:

De 6 a 22 de janeiro pelo site www.itaucultural.org.br

Anúncio dos selecionados: 25 de janeiro

 

Primeiro encontro da série

Convidada: Luciane Ramos

Mediadora: Diane Lima

 

Dia 26 de janeiro (quinta-feira), às 20h

Duração: 90 minutos

Classificação indicativa: livre

Interpretação em Libras

Sala Itau Cultural – 254 lugares

Entrada gratuita

Distribuição de ingressos:

Público preferencial: 2 horas antes do debate

Público não preferencial: 1 hora antes do debate

Estacionamento: Entrada pela Rua Leôncio de Carvalho, 108

Se o visitante carimbar o tíquete na recepção do Itaú Cultural: 3 horas: R$ 7;

4 horas: R$ 9; 5 a 12 horas: R$ 12.

Com manobrista e seguro, gratuito para bicicletas.

Acesso para deficientes físicos

 

 

 

 

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Denúncia Sem categoria

Após pressão, Ministério dos Transportes retira propaganda racista

Por Douglas Belchior

 

O Ministério dos Transportes vai retirar a polêmica propaganda sobre segurança no trânsito “Gente boa também mata”.

O Ministro Maurício Quintella afirmou que os cartazes mais polêmicos deverão ser retirados, sem no entanto, dizer quais seriam. Na próxima semana novas peças devem ser veiculadas na TV, com a promessa de que terá um conteúdo diferente do atual.

A notícia foi confirmada através do Twitter da Secretária de Promoção da Igualdade Racial, comandada pela desembargadora aposentada Luislinda Valois (PSDB-BA).

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A grande e negativa repercussão nas redes sociais levou o governo a recuar.

Este Blog publicou uma rápida análise de uma das peças da campanha, onde um jovem negro é exposto ao lado da frase em letras garrafais “O melhor aluno da sala pode matar”.

De fato, segundo a maioria das análises de especialistas e manifestações nas redes sociais, a campanha foi infeliz e equivocada. Ela desvaloriza ações nobres de solidariedade e as relaciona a irresponsabilidade e homicídios. Sobretudo seu resultado parece representar objetivamente o que a parcela mais conservadora da sociedade, muito bem representada por este governo, pensa sobre a comunidade negra e sobre as condutas proativas, comunitárias e solidárias das pessoas.

Seguiremos acompanhando.

 

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Denúncia

Ministério dos Transportes promove campanha racista nas redes e nas ruas

 

Por Douglas Belchior

 

Todo ano cerca de 23.100 jovens negros de 15 a 29 anos são assassinados no Brasil. São 63 por dia. Um a cada 23 minutos. Entre 2002 e 2012, a taxa de homicídios da população branca caiu 24,8%, enquanto a da população negra cresceu 38,7%, o que significa que os negros morreram 72% mais que os brancos. Apesar dos reiterados estudos, como a do Mapa da Violência 2016 que nos traz os números acima, e da contínua campanha de movimentos negros em denunciar o genocídio, para o governo Temer e seu Ministério dos Transportes, quem mata é o jovem negro.

 

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É assim que um jovem negro é retratado na campanha publicitária do Ministério dos Transportes, lançada no dia 2 de janeiro. A intenção parece boa: manter a população alerta para o perigo do uso de telefone enquanto dirige. O problema está na forma e no conteúdo, a começar pelo tema: “Gente Boa também mata”.

A campanha, veiculada em redes sociais através e folders e vídeos, além de cartazes em pontos de ônibus e aeroportos, traz pessoas que resgatam animais na rua, fazem trabalho voluntário e plantam árvores, mas que, de maneira irresponsável, em seguida atendem telefone ao volante e causam acidentes.

No caso do jovem negro, a personagem é de um estudante “acima da média”. Curioso é que mesmo quando o contexto não combina com a forma como normalmente – e equivocadamente – o negro é retratado em propagandas, neste caso sim, é negro. Talvez porque, como o objetivo é relacionar a pessoa à uma ação violenta, seria bom que fosse negro. Exagero meu? Pois imagine você, se o objetivo da propaganda fosse especificamente destacar um aluno brilhante, acima da média, “o melhor da sala”, qual a probabilidade de a Agência e/ou Governo escolher um jovem negro para a campanha publicitária? Pense.

A estupidez racista cega os bem intencionados. Isso piora num contexto de governo racista como o atual, afinal, de um lado temos Agências de Publicidade ocupadas por profissionais em sua maioria tomados pelo senso comum preconceituoso ou, na melhor das hipóteses, não familiarizados com questões raciais e da diversidade em sua prática de trabalho. De outro lado, temos a Secom – Secretaria de Comunicação Social do governo federal sob gestão golpista, que teria entre suas atribuições, a revisão e o controle de qualidade dos produtos contratados. Aqui temos um exemplo explícito do que os movimentos negros caracterizam como prática de racismo institucional na medida em que uma ação direta do governo/estado – responsável em primeiro grau pela promoção da igualdade racial, faz exatamente o contrário.

Não seria muito exigir senso de percepção sobre o significado de espalhar em um país como o Brasil, com seu histórico de 388 anos de escravidão negra e outros 128 de criminalização deste povo, uma campanha que traz um jovem negro acompanhado por letras garrafais, com a seguinte ideia: “Cuidado, ele pode matar”.

A campanha publicitaria é ruim como um todo. Desvaloriza ações nobres de solidariedade e as relaciona a irresponsabilidade e homicídios. Sobretudo seu resultado parece representar objetivamente o que a parcela mais conservadora da sociedade, muito bem representada por este governo, pensa sobre a comunidade negra e sobre as condutas proativas, comunitárias e solidárias das pessoas.

O mínimo que se exige e espera é que esta campanha seja retirada de circulação imediatamente e que a Secom-PR e o Ministério dos Transportes se desculpem publicamente junto a população negra brasileira, por esse ato deplorável, irresponsável e racista.