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Direitos Humanos Filosofia

O mundo já acabou

 

 

Por Douglas Rodrigues Barros (1)

Com desemprego na casa de 13,7% e sua leve redução dada a contratação no setor de trabalhos informais, a estatística já demonstra a nova tendência na reformulação proposta pela (PLC) 38/2017, a lei da reforma trabalhista. Com a continuada queda do consumo das famílias (-0,1% em relação ao trimestre anterior), o endividamento e a crescente desigualdade entre os próprios trabalhadores, o quadro de suspensão e tensão econômicas por meses subsequentes se mantém inalterado(2). A esquerda, desmontada por anos à fio de lulismo, se debate em torno de sua reorganização e construção alternativa; a direita mantém sua ortodoxia neoliberal por meio de ajustes infrutíferos e, para uma realidade tão desigual como a nossa, desumanos. O que ambas têm em comum, infelizmente, é a crença na possibilidade de retorno a um estágio de crescimento e desenvolvimento econômico.

Fica cada vez mais claro, no entanto, que com o processo global de crise – cuja crise é nesse caso a própria forma de governo – se tornou socialmente impossível governar a economia capitalista sem se proceder a uma subsunção fundamental do político ao econômico. Em outras palavras, a noção, outrora ideologicamente sustentada, de uma cisão entre a economia e a política deixou de existir e para a população no geral resta evidente que todos os que se acotovelam por um cargo político tornam-se fantoches do espectro econômico no dia seguinte à posse.

Sendo assim, o impasse imanente da situação de crise, que vinga hoje nos quatro cantos do Brasil, deveria ser um sintoma claro da impossibilidade de um retorno ao Estado de bem-estar social que nunca tivemos: ficam evidentes a impossibilidade de exploração da força de trabalho de grandes contingentes da população, o total abandono de qualquer ordenamento jurídico ou de intervenção política nas áreas periféricas, a interminável guerra contra um inimigo interno escolhido pela cor da pele, o fim do direito positivo num Estado de Exceção que se tornou normatizado, bem como o encarceramento e assassinato daqueles que não podem ser absorvidos pela dinâmica interna ao sistema.

Por enquanto, parte da esquerda ainda consegue vislumbrar a inter-relação desses problemas. Para esta parte se tornou visível que o domínio do Estado de exceção – a bem dizer, nunca completamente exorcizado da vida diária de milhares de brasileiros – sustentado pela exclusão social impossibilitou os “grandes projetos” neodesenvolvimentistas do PT durante mais de uma década, bem como: a consolidação democrática. Como, no entanto, tais posições raramente refletem sobre a dinâmica global, a sua intervenção e tentativa de reorganização se limita a esfera política como lugar de alguma potencialidade construtiva e minimamente republicana.

Nesse passo, a melancolia, que domina a reflexão chorosa, debate-se contra o monstro neoliberal, antidemocrático e maléfico cujo processo de regressão é visível em todos os níveis. O choro desemboca na invocação política de um governo representativo e “legitimamente eleito”. Não se faz menção ao componente recíproco do Estado enquanto centro dinâmico e subalterno ao capital em sua relação direta com uma democracia representativa nascida para ser o empecilho de uma democracia real. Ainda estamos nos comovendo no interior de um universalismo formal no qual o direito se relaciona com a capacidade de produção do valor, isto é, com a competição por um lugar ao sol no mercado de trabalho. De resto sobram os párias. E, assim, o impossível que é salvaguardar ad infinitum a estrutura de exploração do capital torna-se “possível”, uma vez que o fim do capitalismo é vendável como utopia mesmo por aqueles que dizem detestá-lo.

Mesmo nas mais avançadas teses, no interior do que sobrou do movimento obreiro hegemonizado pelo PT durante anos, resta todos os vícios e crenças ilimitadas na possibilidade de manutenção das relações capital/trabalho. Sob a sombra de um silêncio retumbante das massas ante reformas que destroem o que sobrava de direitos, não se leva em consideração que em 2014 já eram 12,5 milhões de trabalhadores vivendo de empregos terceirizados [3]. Um velho sábio disse lá atrás que a verdade é sempre revolucionária, entretanto, a esquerda mesmo nos mais adiantados simpósios faz do etapismo sua válvula de escape. Primeiro uma coisa, depois outra… a mesma cantinela que a fez sucumbir permanece como sabedoria de quinta, ignorando o fato de que não é mais possível gerir o capital sem superexplorar os trabalhadores.

Em vias disso, é preciso levar em consideração que o mundo tal como o conhecíamos, de horizontes progressistas e de futuros iluminados, não é mais possível. Nem mesmo a mais ardorosa esperança num novo crescimento econômico que leve o desenvolvimento para rincões do país pode superar a contradição que atende pelo nome de crise estrutural.

Não quero dizer, com isso, que o capitalismo esteja no fim, ele sempre foi hábil em se reestruturar por meio – como disse David Harvey [4]– da socialização dos prejuízos e da privatização do lucro, tornando a crise fonte para um impulso renovado. O que quero dizer, porém, é que as esperanças de um período áureo do capitalismo – que vai do final da Segunda Guerra até 1970 – não é mais possível. Nesse sentido, o mundo já acabou e é necessário que recriemos o novo a partir das ruínas e não tentemos salvar aquilo que já apodrece.

A manutenção de uma fé que possa salvar-nos da fase perigosa e destrutiva do capital, quiçá, nasça da incompreensão desse fato, pois mesmo os fenômenos óbvios demonstrados nas massas de supérfluos, no encarceramento crescente, na militarização da vida e na horda de refugiados que naufragam em algum lugar do mediterrâneo não conseguem por fim na esperança de um governo que nos leve de volta ao eixo.

De um lado, um amplo setor da esquerda acredita que a representatividade formal e os direitos humanos possam ser nossa tábua de salvação. Ora, como bem demonstra Rancière, a vitória das liberdades individuais simbolizada pelos direitos humanos traduziu o seu negativo; onde há atuação dos direitos humanos, há homens cujo direito não existe, da horda de refugiados que sangram com suas famílias em fronteiras fechadas na Europa, ao menino assassinado pela polícia no Brasil, o que os direitos humanos revelam é que o Estado de Exceção se tornou o conteúdo real de nossa democracia [5] . Da mesma forma, os marcos da democracia representativa revelam em seu conteúdo a impossibilidade de mudanças para uma democracia efetiva.

De outro lado, o reforço de movimentos neofascistas – em caráter mundial – que buscam reconstituir uma soberania nacional, salvaguardar características culturais e fazer elogio aos supostos valores perdidos na tentativa de reconstituir uma soberania que se desintegra demonstra o desdobramento que a crise 2007/09 efetivou [6]. Uma tentativa de resposta tresloucada a crise na valorização do capitalismo global que não consegue mais ser controlada pelos instrumentos neoliberais e nos quais esses grupos veem mais e mais atrelado a figura do Estado como uma política flácida e em colapso.

Em ambos, a complementaridade: a esperança na possibilidade de manutenção das coordenadas sempre existentes no interior de um sistema que apodrece lucrando a taxas astronômicas. Quer dizer; em ambos a cegueira ante o fato de que qualquer que seja o resultado desse jogo de cartas marcadas, em primeiro lugar, o mundo de paz e prosperidade social no capitalismo definitivamente é uma ilusão; em segundo lugar, qualquer esperança de distribuição equitativa nas suas relações sociais, culturais e político-econômicas é uma mera quimera. Isso demonstra, portanto, que aquele mundo do American Way of Life definitivamente acabou.

 

NOTAS

[1] Acabou de publicar o romance Cartas Estudantis, é doutorando e Membro do CEII

[2] Fonte IBGE.

[3]Ver em https://www.dieese.org.br/notatecnica/2017/notaTec172Terceirizacao.pdf

[4] É mais ou menos isso que diz o geografo marxista.

[5] In: Rancière, J. Ódio à democracia. São Paulo: Boitempo, 2014, p. 26-7

[6] Refiro-me a nova podridão que nasceu no final do século XX (ver: http://es.metapedia.org/wiki/Identitarismo

 

 


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Encarceramento em massa racismo

Atos e vigílias exigem Habeas Corpus para Rafael Braga

 

Movimentos convocam atos e vigílias para pressionar Tribunal de Justiça do Rio à conceder Habeas Corpus para o preso político Rafael Braga

 

Por Douglas Belchior

 

Nesta terça-feira, dia 01/08, será julgado o Habeas Corpus de Rafael Braga na 1º Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Rafael foi condenado em 20 de abril de 2017 pelo juiz Ricardo Coronha Pinheiro a 11 anos e três meses de reclusão e ao pagamento de R$ 1.687,00. No Dia 01 de junho a defesa entrou com pedido de Habeas Corpus para que Rafael aguarde a apelação da sentença em liberdade.

A Frente Alternativa Preta e a Campanha 30DiasPorRafaelBraga organiza um ATO-VIGÍLIA na noite desta segunda, dia 31 de Julho, a partir das 18h, nas escadarias do Teatro Municipal de SP, exigindo a liberdade de Rafael. No Rio de Janeiro e Distrito Federal também haverá Vigílias.

Estão convidados todas e todos que enxergam na prisão de Rafael Braga um retrato do racismo e da seletividade penal das instituições brasileiras.

Compartilhem o evento e, principalmente, compareçam!

 

 


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Literatura racismo

Afrontamento: um combate aos racismos

 

Sobres vivencias do racismo cotidiano, no relato de Kwame Yonatan, autor do livro “Nasce um desejo”

         

Por Kwame Yonatan, in memorian de Jonathas Salathiel

 

 

Eu na praia. Uma desconhecida se aproxima.

-Com licença moço, desculpa te incomodar.

-Oi?

– Minha filhinha pequena estava de longe admirando seu cabelo. Ela nunca tinha visto alguém assim, está admirada e ela queria ver você de perto.

Nesse momento, aproxima-se uma garotinha negra de cinco anos linda e tímida, em cima de uma boia.

Eu sorrio para ela e digo que o cabelo dela é lindo também. Ela fica mais tímida e se esconde atrás da mãe. A moça agradece e as duas vão embora.

Quando tinha a idade dela sempre tive cabelo raspado, lembro de uma vez na oitava série de fazer um corte de cabelo diferente (igual ao do Will Smith) e ser motivo de risos na escola. História recorrente para quem é negra/o.

O cabelo é a parte mais sensível da população negra e é pela raiz que se começa o racismo: vai raspar ou alisar?

Anos depois, uma microrrevolução crespa começou em mim, deixei crescer, descobri depois mais de uma década que tinha cabelo cacheado, trancei, subi o “black power” e desde então nunca mais deixei cair. Comecei a assumir o meu cabelo, com orgulho e do jeito que ele se apresentava. Era o início do AFROntamento.

Sem que fosse possível prever, senti um efeito multiplicador nessa microrrevolução. Pessoas ao meu redor, algumas conhecidas outras não, abordavam-me para me perguntar como eu fazia para deixar meu cabelo daquele jeito e eu respondia:

-É só se permitir, deixa encrespar geral.

Não havia alegria maior do que anos depois encontrar aquela pessoa em transição capilar, assumindo seu cabelo como ele era.

Devido a esse efeito estético multiplicador do encrespamento, eu resolvi abordar uma outra forma de enfrentamento ao racismo, nem tão bela, mas tão potente quanto. Resolvi escrever um relato “extra-pessoal” sobre o dia em que gritei e denunciei o racismo que passei no trabalho em 2015.

Foi no dia 13 de agosto de 2015, infelizmente, no mesmo dia que uma pessoa maravilhosa se “encantou”, Jonathas Salathiel, amigo que me convidou para o antigo subnúcleo de relações raciais do CRP-SP. E, nessas ironias tristes que só o destino sabe realizar, foi no mesmo dia 13 que sofri racismo no trabalho e resolvi denunciar. Jonathas era alguém muito especial, de uma militância tranquila e cuidadosa e dedico a ele esse texto,também.

Eu era bolsita de um projeto de pesquisa ligado a Usp. Meu contrato já estava no fim e ia ser renovado. Entretanto, quase perto do fim do contrato, em uma reunião de trabalho, a minha supervisora perguntou ao secretário executivo sobre o que fazer com as horas restantes do meu contrato que já estava finalizando. Ele respondeu:

– Chicote! Vai limpar, passar, servir cafezinho!

Nesse momento, eu interrompo o relato, abro parênteses e reflito: até onde podemos ir?

Por que denunciar as práticas de racismo quando 70 por cento das denúncias são vencidas pelo réu? (http://observatorio3setor.com.br/noticias/racismo-no-brasil-quase-70-dos-processos-foram-vencidos-pelos-reus/)

Até onde vai a palavra que quando retorna volta oca, emudecida?

Como escrever com uma letra morta de algo invisível tão vivo que pulsa na flor-da-pele? Como superar mais essa barreira?

Eis um texto a procura da palavra que rompa os silêncios voltando a ter sentido (direção, significado e toque). Visibilizar a lei 14.187/10 do Estado de São Paulo de combate ao racismo, falarei mais dela adiante.

Eu já havia incentivado tanta gente a lutar contra o racismo, mas nunca imaginei que um dia teria que ir à delegacia denunciar. Pois é, existem tantas histórias mal contadas, malditas…

A reunião contava com oito pessoas (todas brancas) na sala, ninguém disse nada e, nesse momento, pude mais que sentir o que é a branquitude. Restava um ar ácido, um mal-estar difícil de engolir, como se um véu tivesse sido rasgado.  Acabou-se a reunião saímos para almoçar, porém o estômago ainda voltava para a boca.

Até que em uma conversa casual sobre o ocorrido, ouvi:

-Kwame, você tem que denunciar!

Vomitei a cena por semanas para várias pessoas e qual não foi a minha surpresa ao descobrir que várias amigas, amigos e familiares negrxs haviam passado por situações semelhantes de racismo no trabalho.

Conversei com uma amiga advogada, ela passou as possibilidades que tinha frente ao ocorrido. Inicialmente, escolhi o processo educativo, pois acreditava (e ainda creio) que a educação é a arma mais eficiente contra os racismos. No mais, já havia acertado a renovação do contrato, logo, deveríamos falar sobre relações de trabalho.

Contei para a coordenadora do projeto o que aconteceu na reunião, o episódio de racismo e a importância de realizamos uma conversa sobre relações raciais, a 1ª pergunta dela foi:

-Mas você entendeu assim mesmo, que foi racismo?

Nesse momento percebi que haveriam resistências ao processo de discussão das relações raciais no ambiente de trabalho.

Então, dia 23 de outubro de 2015 foi decidido que não se renovaria mais meu contrato.

Resistência é uma palavra interessante, pois, ao mesmo tempo, significa “opor-se” a algo, ou seja, oferecer resistência, defender-se e, também, suportar.

Resisti a entrar em um processo jurídico, por vários motivos, mas não podia suportar a ideia de no mesmo episódio sofrer dois tipos de racismo diferentes: interpessoal e institucional.

Abri o processo criminal por crime de racismo, porém a delegada tipificou como injúria racial, e também abri outro processo administrativo, pois no estado de São Paulo existe uma lei que pune atos de discriminação racial no âmbito administrativo (lei estadual nº14. 187/2010).

E a sentença? O resultado?

É o que menos importa.

Escrevo para combater as narrativas que dizem que denunciar o racismo não tem resultado.

Dois anos depois, ainda não terminou o processo, contudo é preciso quebrar o silêncio sobre o racismo, de modo que a luta seja cotidiana. Do corte na pele fazer um rasgo na paisagem do mito da democracia racial.

Ao romper o silêncio sobre o racismo, foi possível perceber que não se trata de um processo individual. Foram incontáveis histórias de pessoas que chegaram até mim para contar suas feridas provocadas pelas práticas do racismo. Histórias que foram invisibilizadas pela vergonha, medo ou por acharem que era um exagero chamarem o crime de a violência do racismo.

Ao mesmo tempo, várias pessoas se associaram no percurso, quase como a criação de um quilombo enquanto espaço virtual de re-existência; e também pude entender outros amigos que ficaram pelo caminho.

Quando se trata de afrontamento interseccional (enfrentamento ao racismo, machismo, transfobia, homofobia, bifobia e lesbofobia) não se trata de uma vitória pessoal apenas, porém lembrar o pássaro africano “Sankofa”: olhar sobre o passado para ressignificar o presente e possibilitar a emergência de outros futuros. Entender que a pedra lançada hoje pode atingir o alvo amanhã.

Deste modo, do que vale apenas minha vitória nesses processos jurídicos e saber que quando meu sobrinho e minha sobrinha pequenos crescerem e entrarem na escola ainda pode ser que riam do cabelo crespo deles?

O nosso real triunfo nesse processo de afrontamento será quando entendermos a discussão das relações raciais no Brasil, a partir do seguinte princípio: o racismo é um dado estruturante das relações.

O afrontamento é um apelo ao diálogo, quando possível, ou ao Front de guerra, quando necessário. Temos que afirmar o nosso direito de sermos como quisermos ser, se existir é uma conquista, afirmamos nossa existência, há que re-existirmos!

 


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Cultura

Oficina gratuita de Contos, com Plínio Camillo, tem inscrições abertas

 

“No combate entre um texto apaixonante e o seu leitor: o romance ganha sempre por pontos, enquanto o conto deve ganhar por nocaute”

– Julio Cortázar

 

Por Plinio Camillo, Editora Cazuá

 

Editora Kazuá tem o prazer de apresentar o projeto ESCANGALHAR: Oficina Palavra em Construção, orientada pelo escritor Plínio Camillo, que publicou a coletânea de contos “Coração Peludo”, pela Kazuá em 2014. As inscrições são gratuitas, estão abertas até o dia 9 de agosto (09/08), e podem ser realizadas preenchendo o formulário AQUI.

Você também pode se inscrever enviando e-mail com dados completos (nome, idade, endereço, telefone para contato e breve apresentação) para: [email protected]

Os encontros acontecem às terças e quintas, das 19h30 às 21h30, durante os meses de agosto e setembro no Espaço Cultural da Kazuá, no centro de SP.

O objetivo da Oficina é estimular a produção de contos curtos, a partir das análises e práticas desenvolvidas nos encontros. O resultado do projeto será a publicação do livro ESCANGALHAR, pela Editora Kazuá, com a coletânea dos contos produzidos pelos participantes.

A criação artística do livro será realizada a partir das imagens construídas pelo workshop de figurinos do coletivo Usina da Alegria Planetária.

INSCREVA-SE AQUI !

O QUE VOCÊ PRECISA SABER:

O QUÊ: Oficina de análise e produção de contos curtos, com o escritor Plínio Camillo.

QUANDO: Terças e Quintas – 19:30 às 21:30hs / Início no dia 15/08 com um total de 10 encontros nos dias: 17, 22, 24, 29 e 31 de agosto; 5, 12, 14 e 19 de setembro

COMO: Preenchendo o formulário ou enviando e-mail com dados completos para [email protected]

ONDE: Espaço Cultura Kazuá – Rua Ana Cintra, 26 – Campos Elíseos – São Paulo

POR QUÊ: Os contos produzidos na Oficina serão publicados, ao final do processo, em um livro editado pela Kazuá.

SOBRE O CURSO:

Com a orientação de Plínio Camillo, os participantes terão acesso às técnicas, estruturas e textos clássicos do gênero conto e vão realizar discussões e reflexões acerca dos elementos linguísticos que colaborem com o desenvolvimento de uma linguagem mais eficiente na escrita literária. Na prática, os encontros serão divididos em três momentos: 

– Leitura e discussão de contos paradigmáticos;

– Produção de textos;

– Leitura e discussão dos textos produzidos pelos participantes;

Na descrição do próprio Plínio, o foco dos encontros é ESCANGALHAR. “Nesta Oficina, escangalhar será a prática de corroer, desamanhar e lascar as palavras e seus significados. Demolir, desarranjar, desarrumar e desencaminhar as orações. Pulverizar, subverter e transtornar as linhas literárias, pensamentos e ponto de vista. Já com as histórias, iremos enevoar, enfear, entravar, esbandalhar, fulminar, arrombar, desacomodar e perverter”, explica o autor.

 

Sobre o orientador: Plínio Camillo

Publicou seu primeiro livro “O Namorado do Papai Ronca”em 2012, selecionado pelo Concurso de Apoio a Projetos de Primeira Publicação de Livro no Estado de São Paulo do ano de 2011. Em 2014, publicou, pela Editora Kazuá, a coletânea de contos: “Coração Peludo”. Em 2015, lança “Outras Vozes”, composto de contos que buscam dar voz aos negros escravizados, mesclando ficção e fatos históricos. Participou das Coletâneas de contos “Abigail”, “DesContos de Fadas” e “PRIMEIRAMENTE”. Mantém os Blogs Outras VozesCoração Peludo , Bombons Sortidos e O Namorado do papai ronca


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Cotas Raciais Movimento Negro

Sobre a USP aprovar COTAS RACIAIS, um registro de memória

 

Por Douglas Belchior

 

Estudar na USP passou como uma miragem pela minha cabeça. Fiz a prova da Fuvest uma única vez e saí de lá frustrado. O resultado me pareceu justo, afinal, eu não era suficientemente inteligente para ser um aluno da USP. Foi o que pensei. Pouco depois mudei de ideia, logo que ouvi falar pela primeira vez sobre a luta por Cotas Raciais na USP, em 1998, nos Cursinhos da Educafro, onde atuei até 2008. Depois conheci uma iniciativa ainda mais antiga, o Núcleo de Consciência Negra na USP, que provocava esse debate dentro da universidade desde 1987.

Justiça seja feita, o NCN de Maria José Menezes, Jupi Castro entre outros e a Educafro de Frei David Raimundo, Cleyton Borges, Heber Fagundes, Rosangela Martins, Carol Fonseca, José Carlos Freire, Jaime Alves, Cleide, Eduardo, Thiago Thobias, entre outros, foram fundamentais para essa luta desde muito tempo. Aliás, a história há de fazer justiça ao que significou para a luta por acesso de pobres e negros às universidades a atuação dos Cursinhos Comunitários e Populares que por mais de uma década mobilizou multidões na luta por cotas raciais em SP.

Por anos esse tema nos ocupou a vida diária. A Uneafro Brasil, quando surge em 2009, nasce com uma ocupação na Faculdade de Medicina da USP, no dia 5 de março daquele ano, levantando a bandeira por Cotas Raciais na universidade mais racista do Brasil. ( )

Para fazer as políticas de cotas raciais avançar no país, o movimento negro travou debates contra tudo e contra todos. É importante lembrar aqui que esse negócio de reserva de vagas para pretos em universidades e outros espaços da sociedade nem sempre foi a ‘quase unanimidade’ que é hoje no chamado campo da esquerda e até mesmo entre alguns de seus grupos negros. Aos poucos, resilientes e incontestáveis, os argumentos do óbvio foram levando o campo progressista, intelectuais, partidos de esquerda e seus jovens dirigentes de movimentos estudantis a apoiar essa luta.

Com a chegada do PT ao governo federal e seu lastro junto aos movimentos sociais negros, mas ainda assim por muita pressão, essas políticas foram lenta e modestamente se estabelecendo. Óbvio, num país racista como o Brasil, cotas raciais para negros e indígenas só seria possível acompanhado de algum argumento universalizante. Daí que o recoste social para brancos pobres foi a garantia da existência da politica.

Como em todas as outras pautas das lutas por justiça, apesar de pouco diante da dívida histórica, as políticas de cotas provocaram uma reação poderosa das elites racistas, parte da intelectualidade acadêmica, artistas e da mídia hegemônica. Debates públicos nas ruas, escolas, universidades e programas de TV se multiplicaram. Manifestos de artistas, intelectuais e lideranças políticas contra e a favor das cotas ocuparam manchetes dos grandes jornais e revistas do país. Quem viveu os anos entre 2005 e 2012, quando finalmente o STF declarou por unanimidade a constitucionalidade das cotas raciais, sabe da labuta.

 

 

Tenho na memória a reunião que antecedeu aquele histórico julgamento do STF, em 24 de abril de 2012, que reuniu lideranças negras de todo o país, afim de preparar a defesa que nos representaria nos dois dias que se seguiram.

Em São Paulo, incontáveis atos, manifestos, debates e articulações muito nos ajudou a vencer o debate nacional, embora o fascismo paulista teimasse reinar. Na USP enfrentamos, denunciamos e desconstruímos todas as tentativas de subterfúgios, desde o Inclusp, passando pela revisão bonificada e a fantasia do PIMESP, com seu ridículo College. Construímos a Frente Pró Cotas de SP, reformulamos em 2013 um Projeto de Lei de 2004 que até hoje segue nas gavetas da ALESP, em razão da qual promovemos uma grande campanha de coleta de assinaturas com a intenção de apresentá-lo como projeto de iniciativa popular, ação que ficou, infelizmente, pelo caminho. Mas que surtiu efeitos no tempo, como vemos.

E eis que nos últimos anos florescem novos movimentos e novas formas e estéticas de luta, desta vez muito mais de dentro pra fora que de fora pra dentro das universidades, como até então. E quanta riqueza! Coletivos negros, ocupações pretas, festivais com música, poesia e protesto, a força dos mais novos unida à experiência dos mais velhos seguiram questionando: Porquê a USP não Tem Cotas? Eis que não é possível ficar inerte ao grande significado da aprovação de uma política de cotas raciais na USP.

Atrasada, desavergonhada e tímida, na minha humilde opinião, mas uma vitória inconteste da teimosia e da luta histórica do povo negro organizado. Sou professor de História e militante político. Sei bem da importância da escrita da história a partir das mãos de quem luta. Há muita história para ser contada, muitas memórias que precisam ser registradas sobre as lutas por Cotas Raciais e de enfrentamento ao racismo em todos os níveis, até para que possamos continuar as lutas e avançar para o que é justo. Nossas memórias de lutas devem ser preservadas. Por isso, peço na humildade, complementos, críticas e novos olhares serão bem vindos. Vc que viveu, que lutou, que observou, que testemunhou, escreva. registre. São capítulos de nossa luta histórica pelo direito à vida.

Neste LINK deixo algumas fontes:

Para mim, em particular, é uma honra viver, aprender e dividir os sonhos e o palco das lutas com tanta gente boa, e devo esquecer alguns que certamente voltarei para registrar, Maria José Menezes, Jupi Castro, Borges Cleyton, Thati Lima, Rosangela Martins José Carlos Freire, Jaime Alves, Carol Fonseca, Silvio Almeida, Vanessa Nascimento, Beatriz Lourenço Do Nascimento, Junior Rocha, Dennis de Oliveira, Prof. Marcus Orione, Oswaldo Faustino, Emerson Santos Rosane Borges, Sueli Carneiro, Suelaine Carneiro, Boris Calazans, Flavia Rios, Debora Adão, Flavio Jorge, Tamires Gomes Sampaio, Marcia Farro, Milton Barbosa, Adriana De Cássia Moreira, Julia Drummond, Mônica M. Gonçalves, Celso Junior, Weber Lopes, Berg Pereira, Katiara Oliveira e tantas outras e outros.

Agora a USP tem Cotas Raciais. Parabéns pra nós. Mas é pouco. É só o começo. Nós queremos sua alma!

 


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Movimento Negro

Até quando dependeremos da misericórdia das elites brancas?

Por que promover um mapeamento de iniciativas negras?

Por FrenteAlternativaPreta

 

Negras e negros são sempre os atendidos, o público alvo, a base social, aquelas e aqueles que dependem do serviço, da doação, da generosidade, da misericórdia dos que tem dinheiro e estrutura (que é a mesma coisa que dizer “dos brancos”, mas não convém falar). Esta lógica está na forma como o Estado vê os negros, colocando-os como pauta central de sua agenda de segurança pública (ou terror do estado) ou, quando muito, também na esfera da assistência social.

Esta lógica está também na maneira utilitária e hipócrita como políticos e partidos – os de direita e os de esquerda – se apresentam como portadores das soluções dos problemas dos mais pobres (que é a mesma coisa que dizer “dos negros”, mas não convém falar). Está na prática dos sindicatos com seus trabalhadores – de maioria negra, nas igrejas com seus fieis e nas ONGs e Fundações com suas ajudas humanitárias. O sistema, estruturado e dirigido pelas elites brancas, nos impõe a miséria, a violência, o encarceramento e a morte. E é esse mesmo sistema que permite e necessita das ações sociais privadas no campo da assistência e da garantia de direitos, desde que dirigida por brancos. Estes aparecem como nos filmes: são os salvadores, os heróis predestinados a ajudar a humanidade.

 

Você participa ou conhece iniciativas de movimentos e coletivos de pretas e pretos em todo o país? Vamos construir uma plataforma que reúna nossas ações de resistência e elaboração de soluções de onde poderemos fortalecer uns aos outros, promover encontros para trocas de experiências, busca de recursos de maneira autônoma, promoção de cursos de formação em diversas áreas e organização da luta do povo negro no Brasil. Ou sempre dependeremos da misericórdia das elites brancas?

 

Indique AQUI um coletivo, grupo ou movimento negro de todo o Brasil

 

Se a população negra é a maioria dos que vivem nas ruas, expostos a todo tipo de violência e degradação, porque não temos organizações negras, construídas coletivamente por negros, compostas por pessoas negras, atendendo nossa população? Se somos a maioria dos encarcerados, dos que são presos injustamente, dos que estão em prisão provisória e mantidos presos sem julgamento, se somos a esmagadora maioria dos mortos pelas polícias e pela violência civil generalizada, não seria fundamental que organizações negras dirigissem iniciativas no âmbito da justiça criminal, com atendimento aos presos, às suas famílias? Não seria o ideal  que organizações negras tivessem condições de oferecer assessoria jurídica e assistência social para nossos iguais? Se somos nós, negras e negros, a maioria do povo brasileiro e a quase totalidade dos que mais sofrem com as desigualdades sociais em todos os níveis, não seria razoável que surgisse de nós a elaboração do projeto político de nação que nos leve a uma realidade de justiça e igualdade?

Não é falta de competência, potencial ou inteligência. Conhecemos bem a história de nosso povo, a força escravizados, responsáveis pela geração das riquezas que ainda hoje financiam heranças e propriedades das elites brancas racistas. Reivindicamos o legado de lideranças brilhantes tais como Abdias do Nascimento, Solano Trindade, Beatriz do Nascimento, Lélia Gonzalez, Luiza Bairros, Sueli Carneiro, Milton Barbosa, entre outros líderes políticos ignorados pelo establishment racista, e de onde poderia ter surgido um poderoso projeto de país. Percebemos novas gerações de negras e negros cientes de nossas necessidades e de nossas capacidades.

Há iniciativas poderosas de coletivos, organizações e movimentos negros em todas as áreas da sociedade, iniciativas potentes, mobilizadoras, antissistêmicas, anticapitalistas e descolonizadoras. Mas são sabotadas o tempo todo, limitadas a todo momento, inclusive por aqueles que se apresentam como aliados e até mesmo por negros/as que feito capitães do mato, por suas conveniências pessoais, muitas vezes traem seu povo e preferem servir nossos algozes.

O racismo anti-negro no Brasil é perverso e muito eficiente. Não haverá saída para a população negra, se não a união entre nós. É preciso mapear nossas iniciativas e articular ações conjuntas. Nós cuidando de nós. Nos fortalecendo entre nós. Nós, refletindo sobre nossos problemas e formulando soluções. Nós por nós, para exigir que as riquezas que produzimos historicamente sejam destinadas às nossas ações e cuidados com nosso povo preto.

Sobre a Frente Alternativa Preta – FAP

Espaço de articulação, reflexão, elaboração, mobilização e unidade de diversos movimentos, coletivos, grupos de negras, negros, indígenas, ribeirinhos, quilombolas e periféricos, com o intuito de fortalecer a luta do povo negro por justiça, igualdade e por um país à serviço da maioria.

Organize a FAP também em seu estado, cidade ou bairro.

Pelo Fim Genocídio Histórico do povo negro e indígena!
Pelo Fim do feminicídio e da violenta opressão às mulheres negras
Contra as Reformas Genocidas de Temer

 


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Mulheres Negras

Marcha das mulheres negras: eu sou porque nós somos

Neste dia da Mulher Negra Latino-Americana, coletivos feministas vão às ruas por um mundo estruturado na diversidade, na coletividade, na solidariedade e no Bem Viver

Por Juliana Gonçalves, da Revista Calle

 

Tereza de Benguela era chamada de rainha. Contudo, ficou conhecida pelo seu estilo democrático e ‘parlamentarista’ de liderar o quilombo do Quariterê, no Mato Grosso, por volta de 1740. Desafiou a coroa portuguesa e o sistema escravocrata por mais de 20 anos, até ser capturada e assassinada pelo exército, em 1770. É por esse ícone da resistência negra no Brasil colonial que, em 2014, o 25 de julho virou o Dia da Mulher Negra, em consonância com a data internacional que foi instituída em 1992.

O dia 25 de julho restaura para mulheres negras uma ancestralidade de luta e força que não fica no passado. A ancestralidade que nos acompanha enquanto força vital ativa no presente. A exemplo da ilustração acima, define que nós, mulheres negras da diáspora de hoje, somos os sonhos mais ousados dos nossos ancestrais.

 

As mulheres negras em movimento estão irmanadas na construção e defesa de um novo marco civilizatório de sociedade. E essa luta ganha fôlego na articulação nacional que levou à Marcha das Mulheres Negras contra o racismo, o machismo, a violência e pelo Bem Viver, em 2015.

 

Pela primeira vez na história do Brasil, 50 mil mulheres ocuparam as ruas de Brasília para cobrar políticas públicas e reparação pelas desigualdades estruturais enfrentadas por nós.

Desde a marcha de Brasília, o conceito do Bem Viver vem sendo cada vez mais reivindicado pelos movimentos de mulheres negras. Se faz urgente explicar as raízes do Bem Viver, uma vez que o termo pode ser facilmente desvirtuado ignorando a forte crítica contra o modelo desenvolvimentista de sociedade que vivemos. O bem viver nada tem a ver com prosperidade financeira.

Divido aqui algumas definições sobre o termo a partir da ótica das mulheres negras em diálogo com os conceitos do livro O Bem Viver – Uma oportunidade para imaginar outros mundos, escrito pelo político e economista equatoriano Alberto Acosta a partir das ideias do economista Pablo Dávalos.

O Bem Viver sonha outros mundos possíveis

A teoria do Bem Viver nasceu da prática histórica e da resistência dos povos indígenas da América Latina. Ela apresenta uma forma diferente de relacionamento entre os seres humanos, as sociedades e a natureza.

Alberto Acosta afirma que o “o Bem Viver é uma filosofia em construção, e universal, que parte da cosmologia e do modo de vida ameríndio, mas que está presente nas mais diversas culturas”. E cita a ética e a filosofia africana do ubuntu – “eu sou porque nós somos”.‎

A noção do Bem Viver propõe também abandonar a ideia de progresso, porque considera que essa noção é discriminatória e violenta. Seus princípios são relacionalidade, complementaridade, reciprocidade e correspondência.

 

O Bem Viver surge para descolonizar a democracia e devolver-lhe seu sentido original, de governo do povo e para o povo.

 

Os autores propõe o Bem Viver para evitar a destruição provocada pelos mercados, o capitalismo e a modernidade. Alberto Acosta, em seu livro, apresenta o Bem Viver não como uma alternativa, mas como a única via que de fato pode se contrapor ao capitalismo. Diferentemente do socialismo, que apresenta a diversidade enquanto recorte dentro da luta contra o capitalismo, o Bem Viver traz a diversidade como fundamento.

 

O Bem Viver se contrapõe à base eurocêntrica da nossa sociedade

O Bem Viver parte do princípio que um lugar mais igualitário e justo só pode existir sem a presença de elementos como o racismo, o machismo e as formas de opressão que são estruturantes do capitalismo. Como nos lembra a intelectual feminista bell hooks (que pede para que seu nome surja assim, em minúsculas, por acreditar que o mais importante é o que escreve, não quem ela é), uma sociedade balizada pela ideologia da supremacia branca, imperialista, capitalista e patriarcal nunca vai ser justa.

 

As sociedades eurocêntricas, alicerçadas nas ideais de branquitude, têm como base do seu desenvolvimento a concentração de poder, o acúmulo de riqueza, a exploração como sustento da sociedade, o domínio de outros povos e o massacre epistêmico de tudo que não é branco.

 

Esses elementos se traduzem na construção de um estado desigual. Um estado que desconhece as alteridades e a transforma toda e qualquer diferença em desigualdade.

O Bem Viver exige outra economia, sustentada nos princípios de solidariedade e reciprocidade, responsabilidade, integralidade.

O objetivo é construir um sistema econômico sobre bases comunitárias. Essa nova sociedade se dá longe dos valores das sociedades eurocêntricas e mais próximas aos valores civilizatórios ameríndios e africanos, como o cooperativismo, a ancestralidade, a memória e a oralidade.‎

 

O Bem Viver e as mulheres negras

Numa sociedade regida pelo capital, fundamentada no racismo e no machismo, as mulheres negras não são vistas a não ser como recurso de exploração. Aqui vemos como a luta de todas mulheres contra esse sistema é também a luta dos povos indígenas e negros.

Nesse sentido, a grande intelectual Lélia Gonzáles, em construções com as mulheres latino-americanas e indígenas na década de 1970, ajudou a criar diálogo entre o bem viver e as mulheres negras. Lélia soube garantir o espaço para que mulheres negras e indígenas se encontrassem, naquilo que ela chamava de os amefricanos, na busca por práticas políticas descolonizadoras.  Esse diálogo foi retomado e fortalecido no processo de construção da Marcha das Mulheres Negras de 2015.

Na Marcha que se realiza na cidade de São Paulo, por exemplo, mulheres negras e indígenas estão juntas. O eixo fundamental é “Negras e Indígenas: por nós, por todas nós, pelo Bem Viver”.

Nessa nova sociedade pautada na união de mulheres o que prevalece é o senso de comunidade. O Bem Viver permite sonhar outros mundos e dá base para uma prática política que visa a desconstrução das opressões estruturais a partir do rompimento de práticas colonizadoras.

Vale ressaltar que as mulheres (todas) sempre estiveram na vanguarda dessas construções. A exemplo do que nos ensinou Lélia Gonzales, a união feminina é fundamental para a construção de um projeto feminista efetivamente transformador no Brasil.

MARCHA DAS MULHERES NEGRAS

São Paulo: concentração às 17hs, no dia 25 de julho (terça-feira), na praça Roosevelt (centro).

Salvador e Valença (Bahia), Rio de Janeiro e Belém

 

 


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Cultura

Periferias discutem formação territorial e sua importancia cultural política

Quilombaque organiza encontro que faz parte da “UniDiversidade de Saberes”,construção de coletivos culturais das periferias da cidade de São Paulo. O encontro acontece quarta-feira, 05/07, às 19hem Perus – zona Noroeste.

 

Por Quilombaque

A Uni Diversidade de Saberes organiza mais um escambo às 19h no dia 05 de Julho na Comunidade Cultural Quilombaque no bairro de Perus. A iniciativa faz parte de uma rede colaborativa formada por coletividades, grupos artísticos e ativistas das periferias da cidade de São Paulo.

Periferias são o espaço urbano geograficamente identificável, abrigo das classes trabalhadoras brasileiras, da maioria da população negra, indígenas urbanos e imigrantes e cujos traços culturais são entoados pela heterogeneidade resultante do encontro (nem sempre pacífico) desta convivência multicultural atravessada pela desigualdade social.

Periferia, não por acaso, substantivo feminino no qual se inscreve a história corrente de inúmeras mulheres. Museu sem teto ou paredes, bolsões de expressões ancestrais, tradicionais e experimentações inovadoras, cuja geografia é território, marca identitária e também espaço de exclusão econômica, com excesso de polícia e ausência de políticas públicas que procurem agir na resolução das consequências de um processo histórico de brutalidades sociais, desigualdades e injusta distribuição de riquezas.As periferias da cidade de São Paulo, assim com outras periferias (ou subúrbios), tem os maiores índices de vulnerabilidades sociais e são áreas das cidade com grande complexidade geográfica. A formação destes territórios geraram diversas formas de convivência e diversos potenciais, riquezas materiais e imateriais (culturais).

Há décadas e ano após ano, as periferias são estudadas por cientistas sociais, historiadores, geógrafos e políticos.São promovidos muitos encontros, seminários e discussões sobre periferias, no entanto, estas discussões muitas vezes são organizadas em regiões centrais e tendem a usar a periferia como objeto de estudo, deixando pouco ou nenhum protagonismo para sujeitos dessa realidade, ou seja, moradores das periferias, suas pensadoras e pensadores são pouco consultados sobre sua própria realidade cotidiana e sobre suas ações coletivas em busca de mudanças.
O encontro “Latências e Potências.Territórios e Territorialidades Periféricas: Uma outra cidade Possível”, vem propor algo diferente do que comumente é pautado, propõe que estudiosos da periferia discutam e troquem com moradores os conhecimentos e relatos sobre a potência e a atuação das periferias na cultura e na política, por uma cidade menos centralizadora e mais plural, que garanta direitos plenos e efetividade na decisão sobre os rumos da cidade.

Convidadxs:

SILVINHA LOPES, moradora na Zona Leste. Formada em Geografia, pesquisadora e professora. Graduada, Mestre e Doutora em Geografia Humana pela USP onde defendeu tese baseada em um percurso etnográfico sobre o nascimento e consolidação do Movimento Cultural das Periferias, elaboração e implantação da Lei de Fomento as Periferias intitulada: “Território cultura e política: Movimento Cultural das Periferias, resistência e cidade desejada” USP – 2017.

TIARAJU PABLO D’ANDREA, morador na Zona Leste, musico, ativista cultural. Graduado em Ciências Sociais e Mestre em Sociologia Urbana pela USP. Doutor em Sociologia da Cultura pela mesma USP com a tese “A Formação dos Sujeitos Periféricos – Cultura e Politica na periferia de São Paulo.” Atualmente é pesquisador convidado da École dês HautesÉtudes em SciencesSociales em Paris.

Tema: Latências e Potencias. Territórios e Territorialidades Periféricas: Uma outra cidade Possível
Organização: Comunidade Cultural Quilombaque
Local: Travessa Cambaratiba, nº 05 – Ao lado da Estação Ferroviária de Perus – Linha 7 RUBÍ

Uni-diversidade de Saberes, uma proposta plural periférica

UniDiversidade Saberes é um espaço de troca, vivências e práticas em torno da produção de conhecimento com foco em Territórios, Participação Social / Direitos Humanos, Economia e Comunicação Popular.
Cada encontro da UniDiversidade é organizada em roda, de forma que saberes acadêmicos tenham o mesmo peso que griots, militantes de movimentos sociais, ativistas, escritores,pesquisadorxs independentes e artistas. A ideia é que cada encontro seja um escambo, uma troca entre saberes de diferentes vertentes sobre um mesmo tema ou assunto.
Os escambos acontecerão todas as quartas-feiras início às 19h, em 4 regiões periféricas da cidade, zona leste, noroeste, sul e norte.

Facebook: www.facebook.com/unidiversidadedesaberes/
Email: [email protected]
WhatsApp: (11) 9-9826-0365

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Cultura Literatura

Na Flip, um Casarão para Ruth Guimarães

Ruth Guimarães

 

Ponto alto da homenagem do Instituto Silo Cultural é uma roda de conversa sobre a literatura da escritora, com presença de Lázaro Ramos

 

Por Silo Cultural

 

A escritora Ruth Guimarães, falecida em 2014, ocupou a cadeira número 22 da Academia Paulista de Letras. Produziu romances celebrados pela crítica, pesquisas folclóricas e traduções do francês e do latim. Foi aluna de Mário de Andrade e amiga de grandes escritores como Guimarães Rosa, Jorge Amado, Antonio Candido e muitos outros.A iniciativa da homenagem é do Instituto Silo Cultural, cuja sede receberá, durante a Flip – Festa Literária Internacional de Paraty, a denominação de “Casa Ruth Guimarães”.

Os idealizadores do evento são Luís Perequê, compositor, cantor e produtor cultural nascido em Paraty, e a esposa, a coreógrafa Vanda Mota. O casal criou o Instituto Silo Cultural em 2001, e lá realiza atividades de resgate e de incentivo à preservação da cultura caiçara. Ambos tiveram acesso a um texto de Ruth Guimarães e a paixão foi instantânea.

A “Casa Ruth Guimarães” será aberta no dia 27 de julho, com entrada livre. Na programação, além de exposição da coleção completa dos 45 livros publicados pela autora, serão exibidos vídeos e áudios, fotos e trechos de alguns de seus trabalhos. Uma roda de conversa, com a presença do ator Lázaro Ramos, está programada para o dia 28 de julho. Para compor a mesa, foram convidados o sociólogo José de Souza Martins e o educador Severino Antonio. A mediação ficará a cargo de Joaquim Maria Botelho, jornalista, escritor e filho da homenageada.

 

Lázaro Ramos, com seu novo livro

 

Comum de dois

A homenagem faz parte do projeto do Instituto Silo Cultural “Assim na Serra como no Mar”, que reúne uma intelectual de alma caipira e elementos da cultura caiçara.

O caipira e o caiçara são portadores de traços culturais similares, que Ruth Guimarães, entre outros pesquisadores e folcloristas, observou e registrou em vários dos seus escritos.

Por isso a casa que leva o nome da escritora exibirá manifestações tradicionais dessas duas culturas do Sudeste brasileiro. Representarão os caiçaras, na Casa Ruth Guimarães, artistas e escritores de Ubatuba.

A programação oficial está em fase de confirmação e será definida nos próximos dias, mas já estão previstas apresentações de teatro, música e dança.

 

Família unida

Os quatro filhos da escritora foram convidados pelo Instituto Silo Cultural para atuarem na organização do evento. A curadoria é de Joaquim Maria Botelho. A coordenação da exposição é de Júnia Botelho, tradutora e escritora. Marcos Botelho, que não mergulhou na área da literatura mas é experiente produtor cultural, integra a equipe de apoio. E Olavo Botelho expõe fotos que fez sobre temas abordados nas obras de Ruth Guimarães. As demais fotos são do fotógrafo Botelho Netto, marido de Ruth.

No espaço “Casa Ruth Guimarães” há também uma livraria e café. Um ambiente ensolarado para falar de literatura. Paraty é uma festa.

 

Programação

Em breve aguarde e acompanhe aqui e na página do Facebook do Silo Cultural, a programação completa da Casa Ruth Guimarães, que irá contar com exibição de documentários, roda de conversa com escritores de Ubatuba e apresentações culturais.

 

 


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Cotas Raciais

Contra o racismo da USP, negros e indígenas convocam Ato por cotas raciais na Av. Paulista

Após apresentação de proposta biônica pela reitoria da USP, que nega cotas raciais para o vestibular de 2018, coletivos negros, estudantis e movimentos sociais convocam um grande Ato por Cotas Raciais para esta segunda-feira, 03 de julho, às 18h00 no MASP – Av. Paulista.

O primeiro semestre dos últimos anos letivos na USP tem sido sistematicamente marcado pela luta por cotas raciais. Isso porque a USP segue, para orgulho ariano, como uma das poucas universidades públicas do país que não adotaram política de reserva de vagas para negras e negros. Neste ano o movimento negro, estudantil e indígena da USP, inspirados na grande greve e consequente vitória que levou a adoção de cotas raciais pela Unicamp, encamparam mais uma vez, a luta por cotas raciais na universidade. Duas foram as ações promovidas: O festival de música e artes na semana da reunião do Conselho de Graduação, espaço que discute questões pertinentes à graduação tais como a política de acesso, e a apresentação de uma proposta de Cotas Raciais para a USP, formulado pela Frente Pró-Cotas, composto pelo movimento negro de São Paulo e  atualizado pelos coletivos negros e pelo Núcleo de Consciência Negra na USP.

A atualização dessa proposta foi construída em conjunto com  o movimento estudantil da USP, Levante Indígena e Coletivo Por que a USP não tem cotas?, sob a liderança do Núcleo de Consciência Negra na USP, que o reivindica desde 1995.  Essa atualização baseou-se no projeto norteador das cotas na Unicamp e buscou atender a todas as demandas de cotas dos diferentes grupos sociais. Assim, as proporções apresentadas foram: 50% de reserva de vagas para alunos de escola pública; sendo que dentro dessa reserva, 35% é para negros ou indígenas e o restante fica dividido entre escola pública e escola pública com recorte de renda. Dentro dos outros 50% ficam reservados 35% para negros ou indígenas; 2% para deficientes físicos e é criado 2% de vagas para um vestibular diferenciado, que contemplará populações indígenas aldeadas, quilombolas, camponesas e/ou tradicionais, respeitando o direito constitucional à uma educação de acordo com a cultura de cada comunidade. Assim o projeto dialoga com todas as atuais demandas dos diferentes movimentos sociais.

O projeto foi protocolado nas instâncias burocráticas e deveria ter sido discutido e votado na última terça-feira (27/06) durante o Conselho de Graduação da USP, instância burocrática da USP que discute ações no âmbito da graduação, inclusive acesso. Diante da pressão dos movimentos pela adesão às Cotas Raciais, a reitoria reagiu e apresentou um projeto de “cotas sociais” pura, sem nenhum recorte racial, de renda e sem o vestibular diferenciado, contemplando apenas estudantes de escolas públicas.

Mais uma vez a USP, através de sua Reitoria, usa de artimanhas e subterfúgios para fugir da demanda histórica por cotas raciais e ignora o projeto protocolado e legitimado pelo regimento de graduação, fruto do debate democrática junto à comunidade universitária e impõe uma proposta de caráter unilateral e inócua,  que com absoluta certeza não incidirá positivamente no aumento da presença negra dentro da Universidade. Pior que isso: a proposta da reitoria fecha os olhos para a dívida histórica desse país e se conforma com a realidade da população negra e indígena. A USP, com essa decisão, reafirma o pé de café e de cana que estão postos na entrada principal da universidade, sempre a serviço da elite paulistana.

Essa postura só pode ser entendida como uma medida de manutenção do privilégio branco e da continuidade do apagamento dos negros e indígenas nos bancos estudantis da USP. É certo que, como já demonstrado em diversas análises e pesquisas, o projeto imposto pela reitoria não tornará a USP menos elitista, dado que as escolas públicas possuem desigualdades entre si. Escolas técnicas e institutos federais nos quais o ensino além de ser de melhor qualidade aglutina estudantes com maior renda familiar são também reconhecidamente melhor estruturadas que a média das demais escolas públicas brasileiras.

A USP não superará o seu elitismo com cotas sociais apenas, pois para se democratizar e promover uma ampla mudança em seu perfil social e racial é necessária uma política determinativa, como se propõe as cotas raciais. A USP mantém sua teimosia racista e insiste em ignorar as experiências exitosas praticadas por dezenas de universidades públicas em todo o país, inclusive pelas co-irmãs Unesp e Unicamp. De nossa parte não faltará empenho em enfrentá-la. Não podemos nos dar por vencidos. O debate final em torno da proposta biônica da reitoria se dará no próximo Conselho Universitário, que poderá referendar a resolução do Conselho de Graduação. Independente deste resultado, nossa luta por cotas raciais se expandirá para os próximos períodos, nos quais sabemos que o debate racial perpassará toda a estrutura universitária. Para tanto, convocamos a participação de todas e todos ao grande ato por cotas raciais na USP, no dia 3 de julho às 18h no MASP – Avenida Paulista – SP.

Vamos, unidos, lutar por uma USP verdadeiramente pública, pintada de preto e urucum!

 


 

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