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Debate Filosofia Nazi-fascismo

A Escola Sem Partido mineira?

 

Por Douglas Rodrigues Barros[1]

 

Supostamente um colégio, conhecido por formar filhos da elite econômica em Minas Gerais, adotou sem titubear ao programa Escola sem Partido. Na descrição da vaga, que fora alterada mais de uma vez, se lê o seguinte:

“Procura-se professor de Sociologia e Filosofia que não seja orientado pela ideologia comunista ou socialista, procura-se um professor ou professora que consiga dar aulas dessa disciplina sem fazer doutrinação ideológica para Esquerda” – em maiúscula – “ou para direita, precisa-se de um profissional capaz de demonstrar tanto o pensamento de Marx como a biografia de Marx”.

Uma breve reflexão antes de continuar: esta foi a primeira formulação do anúncio que mudou depois para: “Procura-se um professor ou professora que consiga dar aulas dessas disciplinas sem fazer doutrinação ideológica para a esquerda ou para a direita. Precisa-se de um profissional capaz trabalhar de acordo com o projeto de lei nº 867, de 2015”. Projeto este, conhecida popularmente como Escola Sem Partido.

De acordo com a primeira formulação recomenda-se ao professor demonstrar o pensamento de Marx juntamente com sua biografia. Considerados os limites propedêuticos impostos pelo ato de contratação, deve-se demonstrar que Marx fora um canalha com sua esposa ao traí-la, gerar um filho bastardo e pedir que seu amigo Engels o assumisse para não despertar a ira de Jenny – a (in)felizarda.

Devemos acrescentar às aulas, no sagrado colégio, o fato de que Marx vivia enganando seu tio Philips para conseguir empréstimos e que teve uma juventude dissoluta gastando o dinheiro do seu pai em bebedeiras memoráveis chegando até mesmo a participar de um duelo, que teve como resultado um tiro de raspão na têmpora esquerda. Sem esquecer é claro de sua alegria ao tomar um Château Margaux cujo preço dependendo da safra é três vezes superior ao valor cobrado na mensalidade do colégio.

É claro que tudo isso deve ser dito com o tom de voz e os gestos certos, nada que desperte o riso ou curiosidade do aluno sobre Marx, é preciso que tenham pais na sala de aula que concordem com o projeto, para verificar o tom da fala e a seriedade do professor. É natural que seja assim – diz a querida hipocrisia. Deve-se apresentar Marx como um demônio que precisa ser exorcizado da história da filosofia.

Recomenda-se ainda que se fale bem pouco da trajetória teórica de Marx, do contexto de barbárie imposto por um capitalismo recém-nascido que explorava crianças e mulheres com longas jornadas de trabalho de até 15 horas cuja taxa de mortalidade era de até 80%. Não se deve dizer, porque vai que os alunos observem que na Índia as cargas horárias são bem parecidas e, se levarmos em consideração o tempo de deslocamento dos trabalhadores no Brasil que chegam a ficar três horas em conduções superlotadas, a coisa não muda de figura. Claro, não se deve em absoluto referir-se ao capitalismo como estrutura socioeconômica historicamente determinada. Porque ele sempre existiu e ponto!

Obedecido o imposto pelo contratante, o mesmo beijando o terço ainda exige:

“Queremos um professor ou professora, jovem ou experiente, pode ser acadêmico de Ciências Sociais ou Sociologia, mas é imprescindível que seja conhecedor profundo dos pensadores britânicos e dos discursos de Margaret Thatcher sobre a coisa pública e o dinheiro público e com isso contrabalancear a doutrinação recebida nas faculdades”.

O professor deve aqui fazer o contrário do que fez com Marx. Jamais dizer que Margaret Thatcher foi conivente com a implantação do neoliberalismo pelo general ditador Pinochet. Responsável pelo golpe militar no Chile que depôs o governo democraticamente eleito de Salvador Allende cujo saldo foi de mais de 40 mil mortos. Destas, 3.225 desaparecidas dadas como mortas[2].

Deve-se fazer menção somente aos discursos da “dama de ferro” glorificando o individualismo e a livre iniciativa, sem falar da destruição do Estado de bem-estar social promovido por sua política que aumentou exponencialmente a desigualdade social nas terras da rainha. Não se pode dizer, é óbvio, que tal política foi a responsável pela nova crise em 2008 cujos resultados se aprofundam até agora levando o mundo à beira de um conflito de proporções inimagináveis.

O professor deve simplesmente adotar os lindos e bem ornados discursos, cuja forma culta se assemelha ao discurso de Temer. E não, os pensadores britânicos não são Hume, Locke ou Hobbes. É Hayek – um austríaco naturalizado britânico – e toda a patota teológica que acreditava que o mercado era um deus.

Por fim, o contratante determina:

“Procuramos um professor que valorize o quanto precisou investir na sua própria educação e entenda que mérito e dedicação sempre são mais funcionais que benesses”.

Baseado na meritocracia, independente é claro de estarmos num dos países mais desiguais do mundo. Recomenda-se ao professor dizer que o colégio caro de seus alunos, cujo conteúdo é voltado desde tenra idade para o vestibular, produz o mesmo conteúdo de uma escola pública sucateada e em extinção.  E que eles disputarão uma vaga na universidade em iguais condições e por mérito próprio, com aqueles que, por falta de dedicação dos pais, não conseguiram se matricular no sagrado colégio.

Tal postura pareceu-me as recomendações prussianas do século XIX, quando queriam extirpar um pensamento “maldito” das faculdades ou as censuras czaristas à livre expressão. O anúncio parece ter saído de uma peça ainda não escrita, difícil de acreditar. Até agora tenho minhas dúvidas se o anúncio fora de fato feito pelo colégio ou pelos cordeirinhos do projeto escola sem partido – por isso oculto o nome do colégio, apesar de que uma pesquisa rápida irá revelá-lo[3]. De fato, trata-se de uma época obscurantistas e sombria cujos cadáveres se fazem visíveis e o cheiro de mofo intoxica o ar.

 

[1] Escritor e doutorando em filosofia pela Unifesp.

[2]http://g1.globo.com/mundo/noticia/2011/08/novo-relatorio-sobe-para-mais-de-40000-as-vitimas-da-ditadura-de-pinochet.html

[3] Em épocas de produção de mentiras via internet seria prudente que, em caso de falsidade, o colégio, se não for também falso, cancelasse o anúncio feito em seu nome. Se o anúncio, todavia, não for falso e o colégio de fato existir só resta a lamentação envergonhada.

 

 


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Direitos da Criança e do Adolescente Redução Maioridade Penal

Movimento negro organiza ato contra redução da maioridade penal

Votação no Senado, que visa reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos, acontece na quarta-feira, 27 de Setembro. Medida é vista como um retrocesso pelos organizadores do protesto.

 

Texto / Pedro Borges e Imagem / Alma Preta

 

Organizações do movimento negro articulam ato contra a redução da maioridade penal no dia 26 de Setembro, terça-feira, das 18h às 21h em frente ao MASP, Avenida Paulista. O protesto é convocado pela Frente Alternativa Preta, a campanha de 30 dias por Rafael Braga, a Agenda Preta, entre outras entidades.

A PEC 33/2012 prevê a redução da maioridade penal de 18 a 16 anos. O relator do projeto, o Senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) é favorável à mudança, que será votada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal na quarta-feira, 27 de Setembro. Se aprovado, o projeto entra na pauta do Senado Federal.

Os organizadores do ato acreditam que a redução da maioridade penal fortalece a criminalização da pobreza e o genocídio negro no país.

“Historicamente, no Brasil, há uma cultura de punição com as crianças pobres, moradoras de rua, descendentes dos escravizados. A elite e os filhos da elite também roubam, matam, usam e vendem drogas mas não são afetados pelo punitivismo, pelo encarceramento”, conta Igor Gomes, articulador do ato e integrante da Campanha 30 dias por Rafael Braga.

 

Leia mais notícias descolonizadas no Portal ALMA PRETA

 

Ele julga como fundamental a participação popular no protesto, como forma de mostrar uma frente de rejeição à proposta.

“Toda pessoa que acredita que apostar na prisão de crianças e adolescentes é apostar numa sociedade cada vez mais violenta, racista e desigual, que preza pelo cuidado das crianças e adolescentes, devem comparecer”.

 

Leia mais sobre Redução da Maioridade Penal:

18 RAZÕES PARA NÃO REDUZIR A MAIORIDADE PENAL
REDUZIR A MAIORIDADE PENAL RESOLVE O PROBLEMA DE QUEM?
A HISTÓRIA DA IDADE PENAL NO BRASIL
O QUE DIRIA JESUS DE NAZARÉ SOBRE A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL?
INTELECTUAIS, MOVIMENTOS SOCIAIS, ONG’S E MAGISTRADOS ASSINAM MANIFESTO CONTRA A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL
CATÓLICOS, EVANGÉLICOS, JURISTAS E ATIVISTAS JUNTOS CONTRA A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL
A DISCREPÂNCIA ENTRE REDUÇÃO DA IDADE PENAL E A CONSOLIDAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS
ONDE NASCE A VIOLÊNCIA?

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Movimento Negro

Aos 30 anos, Núcleo de Consciência Negra na USP celebra Ibejis

 

Por Núcleo de Consciência Negra na USP

 

O Núcleo de Consciência Negra na USP – NCN, foi fundado em maio de 1987 por servidores técnico-administrativos, docentes e estudantes de graduação e pós-graduação da USP com o objetivo de construir a discussão étnico-racial na Universidade e contribuir com outras entidades negras no combate ao racismo em nossa sociedade. O grupo era vinculado às suas respectivas entidades de classe: a Associação dos Funcionários da USP (atual SINTUSP), a Associação dos Docentes da USP (ADUSP), o Diretório Central dos Estudantes (DCE) e a Associação dos Pós-graduandos da USP (APG). Essas entidades foram fundamentais para o desenvolvimento e a consolidação do NCN nestes anos todos.

Desde a sua fundação o NCN sempre cumpriu um papel agregador entre ativistas que lutam pelos direitos civis da população negra e se apresentando como articulador de um projeto de nação que leve em conta a participação da população negra na elaboração e gestão de políticas públicas. Esta atuação tem se traduzido na realização de atividades de combate ao racismo, através da elaboração e desenvolvimento de projetos políticos e educativos voltados à sociedade em geral e em especial à comunidade negra.

Neste ano de 2017, diversas atividades tem sido realizadas em comemoração aos 30 anos de existência do NCN. A 2a. Semana Ibeji, que será realizada entre 25 e 29 de Setembro é parte das celebrações. Confira e participe!

Mesa de abertura: 30 Anos do Núcleo de Consciência Negra na USP

A segunda semana Ibeji tem início com uma mesa de abertura na segunda feira, às 18h00, no Núcleo de Consciência Negra na USP, em que contará com a presença de Jupiara Castro, militante e fundadora do NCN, do escritor Cuti que fará lançamento de dois livros e e lançamento de dois livros, além da leitura dramática de extratos dos textos por Dirce Couto e Sidney Santiago.

Lançamento dos livros do escritor Cuti: Negrhumus Líricos (poemas) e Tenho Medo de Monólogo & Uma Farsa de Dois Gumes (teatro).

Cuti é o pseudônimo do poeta, escritor, ensaísta e dramaturgo Luiz Silva. Cuti é formado em Letras pela Universidade de São Paulo, fez mestrado e doutorado em Literatura Brasileira pelo Instituto de Estudos da Linguagem – Unicamp (1999-2005); é um dos fundadores e membro do Quilombhoje-Literatura, de 1983 a 1994, e um dos criadores e mantenedores da série Cadernos Negros, de 1978 a 1993. Dono de uma extensa produção acadêmica e literária, Cuti coloca a questão negra no centro de sua produção, além disso, dedica-se ao estudo acadêmico de autores afro-brasileiros como Cruz e Sousa e Lima Barreto.

Sobre a 2a. Semana Ibeji

Esta atividade tem como objetivo reafirmar nosso compromisso com a tradição negra, africana e da diáspora, e com isso nos fortalecer para enfrentar os desafios que vivenciamos cotidianamente.

A tradição Ibeji foi trazida pelos povos Iorubás na memória dos que foram forçados a fazer a travessia do Atlântico. Os Ibejis simbolizam as crianças nesta tradição. Segundo os Iorubás, o zelo pelas crianças é de responsabilidade de todos os membros da comunidade, pois elas simbolizam a continuidade da existência de um povo e como retribuição os Ibejis trazem a alegria pelos que olham por eles. É através dos Ibejis que renovamos as energias, a vitalidade e a disposição para travar lutas e superar desafios.

 

E a programação segue por toda a semana:

 

25 de setembro – 18 horas

Mesa: 30 anos do Núcleo de Consciência Negra na USP

 

26 de setembro – 18 horas

Mesa: Políticas públicas para a população negra infanto juvenil

Esta atividade é voltada para dar voz para a juventude negra com o objetivo de discutir os problemas deste segmento como ensino, lazer, violência policial e quais as perspectivas para o futuro. Afinal, Ibeji é a fase da inocência, da alegria, da construção para o futuro.

 

Dia 27 de setembro

15 horas: Oficina de estética negra com Dete Lima e Catarina Lima

18 horas: Palestra: Dete Lima  e Catarina Lima: Ilê Aiyê e a Afirmação da Negritude

Dete Lima, fundadora e diretora do bloco afro Ilê Aiyê, é responsável pelo figurino do bloco que valoriza as cores e estilos afro-brasileiros. Dete realiza oficinas de formação em estética negra no Brasil e no exterior. Criado em 1º de novembro de 1974, o Ilê foi o primeiro bloco afro do Brasil e hoje constitui um grupo cultural de luta pela valorização e inclusão da população afrodescendente. O Ilê é uma importante referência de lutas e conquistas para a juventude negra.

Catarina Lima é historiadora e faz parte da equipe de educadores do Ilê Aiyê.

Dete Lima e Catarina Lima residem em Salvador, fizeram a abertura da Primeira Semana Ibejie queremos trazê-las para participarem das atividades da Semana Ibeji 2017.

 

Dia 28 de setembro – 18 horas: Cinema Negro. O Cineclube Negro é um coletivo criado por ativistas negros que atuam nas áreas de cinema e fotografia e tem como temática apresentar e discutir a produção cinematográfica negra nacional e internacional.

 

Dia 29 de setembro – 19 horas

Encerramento da Semana Ibeji com Roda de Capoeira e Samba de Roda no Núcleo de Cultura e Extensão em Artes Afro-brasileiras com Contra-mestre Pinguim.

O Núcleo de Cultura e Extensão em Artes Afro-brasileiras propõe-se como espaço interdisciplinar de ensino e pesquisa científica e artística de manifestações que integram o diverso patrimônio cultural afro-brasileiro. As diretrizes de formação deste espaço pressupõem a indissociabilidade entre pesquisa, ensino e extensão com ênfase em metodologias de aplicações corporais nas práticas de capoeira, maculelê, dança afro, samba de roda, percussão e musicalidade e artes dramáticas. A prática educativa do Núcleo se vale da transmissão oral do conhecimento, comum em sociedades africanas antigas, para a preservação e divulgação de artes performáticas afro-brasileiras que constituem patrimônio artístico-cultural imaterial do Brasil.

 

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Direitos da Criança e do Adolescente Redução Maioridade Penal

Senado retoma debate sobre redução da maioridade penal

Parada desde 2015, após aprovação na Câmara, CCJ do Senado desengaveta antigo sonho das elites racistas do país

 

Por Douglas Belchior

O governo ilegítimo de Temer e as maiorias conservadoras no Senado e Câmara tem se movimentado a cada dia no sentido de retirar direitos do povo brasileiro. Os ataques vem de todas as partes e em todas as dimensões. Dentre estes, um dos sonhos de consumo das elites, a redução da idade penal, toma a cena nesta quarta-feira (20/09) e volta a ser debatida no Senado.

CLIQUE AQUI e ajude agora barrar a redução da maioridade penal

Motivos para lutar e buscar impedir tamanho retrocesso não nos falta.

 

Reunião que decidirá Audiência Pública nesta quarta

Por Agência Senado

A redução da maioridade penal volta à pauta da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado e pode ser votada  nesta quarta-feira, 20/09. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 33/2012, do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), abre a possibilidade de penalização de menores de 18 anos e maiores de 16 anos pela prática de crimes considerador graves.

A proposta tramita em conjunto com mais três PECs que versam sobre o tema. No relatório do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), foi apresentado um substitutivo que manteve a aprovação do texto de Aloysio e rejeitou as outras três (PECs 74/201121/2013 e115/2015). O foco de Ferraço foi detalhar os crimes graves envolvendo menores que podem ser alvo de desconsideração da inimputabilidade penal. Além dos crimes hediondos listados na Lei nº 8.072/1990, a redução da maioridade penal seria cabível na prática de homicídio doloso, lesão corporal seguida de morte e reincidência em roubo qualificado.

Ao contrário do que previa a proposta de Aloysio, o relator decidiu excluir desse rol o crime de tráfico de drogas. A desconsideração da inimputabilidade penal de menores de 18 anos e maiores de 16 anos deverá ser encaminhada pelo Ministério Público.

“De fato, é comum que se usem menores de idade como ‘aviãozinhos’ no tráfico de drogas, o que claramente não constitui um delito cuja prática denota crueldade ou torpeza do autor, assim, a desconsideração da inimputabilidade nestas circunstâncias poderia significar um equívoco”, justificou Ferraço em seu relatório.

Caso seja aprovada na CCJ, o que infelizmente é bem possível, a proposta segue para votação no Plenário do Senado.

E leia também:

18 RAZÕES PARA NÃO REDUZIR A MAIORIDADE PENAL
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Direitos da Criança e do Adolescente Redução Maioridade Penal

Você pode ajudar agora na luta contra a redução da maioridade penal. É urgente!

 

De Douglas Belchior

 

Será apreciado, nesta terça-feira (26), pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, o relatório do Senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), que apresenta um Substitutivo a favor da aprovação da PEC nº 33/2012, de autoria do Senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB/SP) que propõem a redução da Idade Penal.

Parada desde 2015, após aprovação na Câmara, CCJ do Senado desengaveta antigo sonho das elites racistas do país: regulamentar um procedimento que aumentará ainda mais o encarceramento em massa da juventude brasileira e o genocídio negro.

Cada um de nós pode e deve cobrar dos senadores que recusem a proposta e não aprovem a redução da maioridade penal, seja na reunião da CCJ, seja no próprio plenário do Senado.

Envie um e-mail para os endereços listados abaixo, com a seguinte sugestão de texto:

 

Excelentíssimo(a) Sr (a). Senador(a):
Reduzir a maioridade penal não resolverá o problema da violência. Essa decisão não pode ser tomada sem um debate mais profundo com o conjunto da sociedade brasileira. Conto com o seu apoio e voto a favor da vida e contrária a aprovação da redução, seja na reunião da CCJ, seja no plenário do Senado. Peço que colabore para que sejam promovidas audiências públicas sobre o tema nos estados, na Câmara e no Senado, afim de democratizar, ampliar e aprofundar a discussão. Essa é a postura que os eleitores brasileiros esperam de você.

 

Dê sua contribuição para que possamos impedir a redução da idade penal.

Segue lista de email’s:

[email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected]

 

E leia também:

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racismo Religião

Tráfico, igrejas evangélicas e intolerância religiosa

 

Por Lucas Obalera de Deus* e Ronilso Pacheco**

 

A aparição dos chamados “traficantes evangélicos” no contexto das favelas cariocas não é nova. Desde pelo menos 2007, ou seja, há pelo menos 10 anos, temos notícias de terreiros ameaçados e invadidos pelo tráfico. Já em 2008, a antropóloga Christina Vital pesquisava sobre o aparecimento dos “traficantes evangélicos” nas favelas cariocas. Vital, pioneira neste assunto, é autora do livro Oração de Traficante, que é resultado de sua pesquisa. E há ao menos mais dois interessantes livros, ambos frutos de pesquisas sobre a relação entre evangélicos do campo (neo)pentecostal e traficantes ou pertencentes a facções criminosas: Fé e Crime, de Vagner Marques, e Cristianismo e criminalidade, de Lucas Medrado. Em setembro de 2013, o Jornal Extra publicava uma reportagem intitulada “Crime e preconceito: mães e filhos de santo são expulsos de favelas por traficantes evangélicos”. A própria criação da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) no Rio de Janeiro tem relação direta com casos de agressão sofridas por afro-religiosos no Morro do Dendê. O que estamos vivendo hoje, portanto, já é uma tragédia anunciada há muito tempo.

 

A omissão e o silêncio de muitas igrejas e líderes evangélicos, pentecostais ou não, está no fato de muitos acharem que o traficante age da maneira errada, embora possa estar “fazendo o certo”

 

Então não há com o que se surpreender. O ambiente de formação colonial-escravocrata/racista da história do Brasil e, nela, o ambiente de instauração e formação das igrejas católicas e protestantes que aqui já chegaram impregnadas pela demonização e inferiorização do povo negro trazido de África, bem como de sua cultura e cosmogonia, permitiu a consolidação da mentalidade que associa a religiosidade de origem africana à feitiçaria diabólica, ao atraso e ao primitivismo. Portanto, a hostilidade sempre teve o seu lugar na sociedade brasileira, em qualquer classe e território. As igrejas pentecostais, que surgem classes abastadas mas e se espalham pelas camadas mais pobres da sociedade e, consequentemente, nas periferias que vão se formando nos centros urbanos, radicalizam esta hostilidade ao atribuírem o mal da vida do indivíduo às ações que são estabelecidas no plano espiritual, onde o diabo age, e o diabo neste caso quase sempre age por intermédio de “entidades” diversas da religiosidade de matriz africana que acompanha, por tradição, legado, herança direta ou indireta, grande parte da população preta e também pobre que divide com os evangélicos pentecostais as favelas, os morros e as periferias das cidades.

 

“essa luta é renhida e, embora não andemos atrás dos demônios, eles andam a nossa procura para nos afastar de Deus. São inimigos d’Ele e do ser humano; daí a necessidade da luta. Essa luta com satanás é necessária para podermos dar o devido valor à salvação eterna, pois não há vitória sem luta”.

Bispo Edir Macedo, em 1997

 

Mas é com as igrejas neopentecostais que o princípio da “batalha espiritual” empurra para o campo do fundamentalismo extremo e da perseguição deliberada as religiões de matriz africana. Há um processo pedagógico de reeducação (e não de alienação) no qual seus fiéis passam a organizar a si e suas relações com o mundo. Em outras palavras, são reeducados, por meio de diversos ritos, palestras, gincanas e etc, para uma visão de mundo no qual o demônio, materializado nas religiões de matrizes africanas, deve ser combatido. Agora o demônio é, de fato e declaradamente, os povos de terreiro.

 

Bispo Edir Macedo, em 1997, já anunciava em seu livro: “essa luta é renhida e, embora não andemos atrás dos demônios, eles andam a nossa procura para nos afastar de Deus. São inimigos d’Ele e do ser humano; daí a necessidade da luta. Essa luta com satanás é necessária para podermos dar o devido valor à salvação eterna, pois não há vitória sem luta”. A figura dos traficantes evangélicos apresentam outros desafios na construção de estratégias de combate ao racismo cultural religioso/intolerância religiosa, uma vez que este “novo” agressor está fora da institucionalidade convencional. Se por um lado, muitas igrejas não tem coragem de fazerem o que o traficante que ordena a destruição do terreiro faz, é comum do universo evangélico orações para que terreiros fechem, para que terreiros sejam substituídos por igrejas.

 

Até quando vamos permitir que determinados espaços religiosos evangélicos continuem se valendo da dita “vontade de Deus” para pregações que inspiram a perseguição, e quiçá a eliminação, de pessoas e culturas, ou legitimar tais violências com o silêncio?

 

A omissão e o silêncio de muitas igrejas e líderes evangélicos, pentecostais ou não, está no fato de muitos acharem que o traficante age da maneira errada, embora possa estar “fazendo o certo”, que é “expulsando o mal” da comunidade. Por fim, há sim uma relação entre a ação de capelania-evangelização pentecostal-neopentecostal nos presídios com a mensagem ou a “ordem” que chega na ponta, nas comunidades, e isso deve ser investigado. E mais do que isso, as investigações devem chegar às lideranças que devem ser responsabilizadas pelos argumentos que sustentam “biblicamente”, encorajando (quando não incitando deliberadamente) as agressões atuais.

 

Por fim, não temos ideia que caminhos percorrer, no entanto, acreditamos que não podemos cair na lógica de guerra como mecanismo para resolver esta problemática. Isto é, enquanto comunidades-terreiro não podemos alimentar as políticas de violência direcionada às favelas, pois, são políticas que seguem a mesma lógica que incita a perseguição às nossas tradições. E enquanto evangélicos, não podemos continuar sustentando a aberração da perseguição e da violência em nome de um suposto estabelecimento do “Reino de Deus” ou de demarcar o território como um espaços em que “quem manda é Jesus”. Porque no fim, são os mesmos corpos pretos e pobres, morrendo nos mesmos lugares, de diversas formas, seja de que fé for. São políticas racistas e genocidas que visam somente liquidar corpos pretos e pobres.  Diante disto, estamos trazendo a seguinte questão: até quando vamos permitir que determinados espaços religiosos evangélicos continuem se valendo da dita “vontade de Deus” para pregações que inspiram a perseguição, e quiçá a eliminação, de pessoas e culturas, ou legitimar tais violências com o silêncio?

 

* Lucas Obalera de Deus é candomblecista e Cientista Social pela PUC-Rio
** Ronilso Pacheco é teólogo, integrante do Coletivo Nuvem Negra e autor do livro “Ocupar, resistir, subverter: Igreja e teologia em tempos de violência, racismo e opressão”

 

 


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Arte Cultura

Cineasta Afro-Italiano Fred Kuwornu participa de debate em SP

Exibição e debate do longa metragem ‘Blaxploitalian’, refletirá sobre a presença negra no cinema italiano, nesta quinta (14), às 20h, no Quilombo Urbano Aparelha Luzia.

 

Por  Sidney Santiago

 

O selo ‘Homens de Cor’ e o Quilombo Urbano Aparelha Luzia, promovem nesta quinta-feira (14), a exibição do longa metragem ‘Blaxploitalian’, seguido de um debate com o seu diretor, ativista e roteirista afro-italiano Fred Kuwornu.

A mediação do debate será feita pelo ator Sidney Santiago Kuanza e a artista plástica Erica Malunguinho e contará também com as presenças de Viviane Pistache e Lucélia Sérgio. O encontro tem início às 20h.

Fred Kuwornu está no Brasil a convite do diretor Joel Zito Araújo, com quem participou do Festival de Cinema Negro Zózimo BulBul, edição 2017, que aconteceu na última semana na Cidade do Rio de Janeiro.

O documentário conta a presença de atores afrodescendentes no cinema italiano desde o cinema mudo até os dias atuais. Um trabalho híbrido, crítico, cosmopolita, investigando a presença negra em filmes italianos e a relação com os estereótipos raciais. O documentário é usado como uma plataforma para promover um diálogo crítico e reflexivo sobre representação negra em uma esfera internacional. O documentário premiado foi selecionado para o Festival de Cinema de Roma de 2016, Pan Festival de Cinema Africano, San Francisco Black Film Festival, Novas Vozes em preto Cinema Brooklyn e Zanzibar International Film Festival.

 

É curioso que começei a perceber que já temos quase um novo gênero cinematografico, os filmes críticos de releitura da imagem do negro no cinema e TV (como o meu A Negação do Brasil que inspirou este sobre o cinema italiano), ou sobre o latino em Hollywood como “The Bronze Screen” dirigido e produzido por 3 latinos: Nancy de los Santos, Susan Racho e Alberto Dominguez, e até um sobre o “Olhar estrangeiro” de Lucia Murat, questionando o olhar dos filmes de Hollywood e estrangeiros sobre o Brasil. Para aqueles interessados neste novo gênero documental, Blaxpoitalian é imperdível”

Joel Zito Araújo, cineasta.

Sobre Kuwornu

Fred Kuwornu é afro-italiano, diretor, roteirista, ativista e professor, nascido e criado na Itália, reside em Brooklyn, Nova York, onde fundou a companhia produções Do The Right Films Entertainment com o qual ele produziu documentários sobre questões da Diáspora Africana. De mãe judaica italiana e pai ganês, Fred Kuwornu se formou em Ciências Políticas em Bolonha e começou sua carreira como apresentador num canal televisivo. Em 2008 ele trabalhou como assistente do diretor americano Spike Lee no filme “Miracle at Sant ‘Anna”, sobre a história de soldados afro-americanos que lutaram na Itália durante a Segunda Guerra Mundial. Decidiu em 2010 dirigir e produzir o documentário premiado “Inside Buffalo” (Melhor Documentário no Black Festival Internacional de Cinema de Berlim). Nos Estados Unidos, Fred Kuwornu também ensina o tema “Documentário para a Mudança Social” e realiza conferências em universidades americanas sobre temas afro-europeus e afro-italianos.

Sobre os mediadores

Sidney Santiago Kuanza é ator, produtor e ativista da causa negra nas artes. Cô-fundador da ‘Cia Os Crespos’ de Teatro e Intervenção e Diretor artístico do Coletivo Selo Homens de Cor.

Erica Malunguinho é mestre em comunicações e artes do corpo pela PUC-SP São Paulo, militante, gestora e curadora do Quilombo Urbano Aparelha Luzia.

O Aparelha Luzia fica na rua Apa, 78, Santa Cecília, próximo à estação Marechal Deodoro, da linha vermelha, do Metrô. A entrada é gratuita.

 

 


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Cultura Resistência

Arenas Amazônicas: Negros, mulheres e cultura nas periferias em Belém do Pará

O primeiro volume da série Arenas Amazônicas é assinada pelo professor Rogerio Almeida e os ex alunos, hoje jornalistas, Lilian Campelo e Daniel Leite 

 

Por Blog Furo

O professor Rogerio Almeida, do curso de Gestão Pública e Desenvolvimento Regional, da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) assina a cria, juntamente com ex alunos, hoje jornalistas, Daniel Leite e Lilian Campelo. Sete narrativas dão corpo ao livro. A maior parte foi publicada no renomado site paulista Agência Carta Maior. 

Os textos foram produzidos quando o professor ainda era ligado ao setor privado, e morava em Belém. Na época Almeida era vinculado à Unama, Universidade da Amazônia. A ideia em produzir a coleção soma mais de seis anos, e só agora foi possível viabilizar.

O conjunto de textos sublinha ações coletivas de jovens e pessoas mais experientes em diferentes flancos: cultura, política, direitos humanos e cidadania. A obra em PDF pode ser baixada livremente.

As periferias da insular Belém, a exemplo da Pedreira, Icoaraci, Terra Firme e Guamá, e região metropolitana, caso do bairro da Guanabara são notados fora do esquadro comum dos meios de comunicação da cidade, que preferem o aspecto policialesco.

Grafiteiros, DJs, educadores, professores, estudantes, biscateiros, aposentados e desempregados são personagens da obra. Estes, a partir de inúmeros coletivos se impõem como protagonistas de sua própria História, onde afirmam suas identidades coletivas ou individuais como negros, artistas, cidadãos das “quebradas”, que em Belém são conhecidas como baixadas.

Rios serpenteiam a cidade cortada por canais. Num deles, o dos Mundurukus, à Rua dos Pretos, migrantes maranhenses oriundos do município de Cururupu, Baixada Maranhense a partir do Tambor do Crioula e da Escolinha do Reggae delimitam seus territórios como migrantes negros do vizinho estado. Assim, tambores de crioula, danças, canções, manifestações religiosas e ocupação de espaços públicos e ações em mídias digitais são alguns dos recursos usados.

Na Pedreira, bairro do amor e do samba, à Rua Álvaro Adolfo, o Coletivo Rádio Cipó germinou. O mesmo aglutinou gerações diferentes. O grupo hoje extinto, ganhou o mundo nos anos 2000. A vedete Dona Onete segue carreira com boa aceitação no país e fora dele. Os diferentes artífices continuam a atuar, a exemplo do DJ Montalvão, que segue em sua carreira autoral.

As mulheres ocupam lugar de destaque do volume um da série. Thiane Neves e Nega Suh são jovens ativistas do movimento negro, que em certa medida seguem os exemplos das pioneiras Zélia Amador e Nilma Bentes. Diferentes gerações ocupam a mesma trincheira.

Outra experiente ativista incensada no livro é a professora Hecilda Veiga. Histórica militante pela defesa dos direitos humanos do estado encerra a obra.  A professora da Universidade Federal do Pará (UFPA) e o seu companheiro, o advogado Paulo Fontelles, assassinado na década de 1980 por defender camponeses na luta pela reforma agrária foram fundadores da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SPDDH).

 

 

Arenas Amazônicas

O projeto da coleção é a publicação de três volumes. O segundo volume enfocará a peleja das populações locais e suas formas de enfrentamento aos grandes projetos. 

No conjunto de oito textos constam as disputas territoriais na região do Jari, fronteira do Pará com o Amapá entre extrativistas e a Jari Celulose, hoje controlada pelo grupo paulista Orsa. Outro trabalho aborda crimes ambientais no município de Barcarena, como os transbordos das bacias de rejeitos das grandes empresas e os impactos econômicos, sociais e ambientais junto às populações locais.

Outro tema delicado tratado no segundo volume do Arenas diz respeito à situação de vulnerabilidade de crianças e adolescentes na Estrada de Ferro de Carajás.  Setores de direitos humanos do Maranhão e do Pará travam uma luta que dura mais de dez anos contra a Vale. Além de documentos e coleta de relatos, os autores acompanharam audiências públicas em São Luís, no Maranhão, e em Marabá, sudeste do Pará.

A cadeia ilegal da exploração madeireira também consta na coletânea de textos. Os autores além de dados oficiais, ouviram vários setores envolvidos no processo. O texto inédito foi uma encomenda de um grande site por conta da COP 21, Conferência Climática ocorrida em 2015.  Por conta da crise, texto não foi publicado.

A comunicação popular é o tema do terceiro e último volume da coleção. Nele, parte da experiência de jornais e rádios do campo democrático do estado será recuperada. O plano é lançar somente em 2018.

Colaboração e parceria conformam a iniciativa, onde o autor contou com o apoio de revisores, diagramadores, gente que fez cessão de fotos, e por aí vai. Antes de qualquer coisa a série Arenas Amazônicas é uma iniciativa coletiva, que apesar dos ventos contrários segue em resistência.

CAMPANHA 

Os autores estão fazendo uma campanha com vistas a bancar o trabalho de diagramadores e revisores do segundo volume.  As pessoas que apoiarem terão nome publicado numa seção especial da obra.  

A quem interessar apoiar, enviem email para [email protected]ail.com

Baixe o volume I AQUI

 

 


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