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Cultura O quê que tá pegando?

Rapper Afro-X celebra 19 anos de carreira e lança vinil do álbum “Um Brinde à Vida”

(Foto: João Wainer | Divulgação)

Por Ana Carolina Pinheiro

Fruto da geração do rap da década de 80, Afro-X começou a sua carreira no grupo Suburbanos. Porém, o jovem que nasceu na periferia da cidade São Bernardo do Campo, na Vila Calux, ganhou destaque e reconhecimento midiático nos anos 2000 ao criar o grupo 509-E. Com o parceiro Dexter e Mano Brown como padrinho, o conjunto nasceu dentro da Casa de Detenção de São Paulo enquanto Afro-X e Dexter cumpriam uma pena de 10 anos.

Em 2003, o grupo acabou, mas as músicas que retratam o cotidiano violento das penitenciárias do Brasil ficaram eternizadas. A partir deste ano, o rapper deu início a sua carreira solo e seis anos depois lançou o livro “Ex-157, a História que a Mídia Desconhece”. A autobiografia revela a sua entrada e saída do crime, além de prestar um serviço de conscientização aos jovens brasileiros que estão expostos diariamente às situações de riscos. Em 2009, o rapper foi para as telonas com o documentário “Entre a Luz e a Sombra”, que conta a trajetória do grupo 509-E, e ainda lançou seu primeiro álbum solo “Das Ruas Pro Mundo”.

Rompendo mais uma vez as barreiras dos gêneros musicais, Afro-X dá uma nova cara para o seu segundo álbum solo Um Brinde à Vida.  Em formato de vinil, o projeto marca o início das comemorações de 19 anos de carreira do artista. Com produção da Vinil Brasil e distribuição do coletivo Matilha Cultural, o público já pode encontrar o álbum no mercado.

No auge dos aplicativos de streaming de música, o rapper explica que o fato do disco ser lançado também como LP é uma forma de voltar às origens. “O vinil foi o jeito que encontramos de conectar o rap à sua raiz musical. Além disso, estamos comemorando os 19 anos de carreira”, comenta.

Se você ainda acredita que o rap é um gênero restrito e que pouco se mistura com os demais, Um Brinde à Vida promete desmitificar essas impressões. Segundo Afro-X, a batida por minuto (BPM) do rap é ótima para dialogar com vários estilos e, principalmente, para usar como base de outras canções.

Com referências de trapmusic e beats eletrônicos, o álbum trás diversidade não só pelos elementos musicais, mas também pelos artistas convidados. Negro Branco (Exaltasamba), Chrigor, Badauí (CPM 22), Felp (Cacife Clandestino), MC Sapão, Ri$hin e Marihanna estão no eclético time de participações especiais. “Eu tinha alguns amigos que queria trazer para o meu trabalho. E a conexão foi da hora”. Afro-X comenta que o resultado dessa mistura é um projeto bem brasileiro e que conversa com a juventude.

Em entrevista à nossa equipe, o rapper também revelou que após longo período distante de Dexter os dois voltaram a ter contato. Para o segundo semestre de 2018, os parceiros musicais vão retomar o trabalho lendário do 509-E. Ou seja, vai ser uma boa oportunidade para o público relembrar os grandes sucessos.

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Cultura O quê que tá pegando?

Adam Pendleton hasteia bandeira para defender a hashtag #BLACKLIVESMATTER

Adam Pendleton trabalhando no seu estúdio no Brooklyn/NY

Por Edson Cadette, do Blog LadoB NY

 

O artista Adam Pendleton tem apenas 34 anos de idade. Sua consciência racial certamente foi formada na era da internet com suas diferentes plataformas sociais. Este jovem foi influenciado também pelo movimento contra a morte de jovens afro-americanos, o #BlackLivesMatter.

 

Sua rotina diária consiste em levantar-se pontualmente, às 5h30, para o café da manhã. Antes mesmo de terminar sua refeição matinal, ele já está imerso em livros de capa dura, lendo teorias literárias na sala do seu apartamento, que fica no bairro do Brooklyn, em Nova York. Normalmente seus assuntos prediletos são história, linguagem, teoria cultural, poesia e críticos literários.

 

Na cômoda, ao lado de sua cama, estão os livros familiares Strange: A life Between Two Island, que fala sobre crescer na Jamaica durante os anos 30; In the Break: The Aesthetics of the Black Radical Tradition, que aborda a conexão entre o jazz, identidade sexual e a política do negro radical, e Precarious LIfe: The Powers of Mourning and Violence, que retrata a vulnerabilidade e opressão dos EUA após o 11 de setembro de 2001.

Adam Pendleton faz parte de uma nova geração de artistas, incluindo Rashid Johnson, Elen Gallagher e Ellen Mehretu, entre outros.

Em 2015, depois da absolvição de George Zimmerman, acusado de ter matado o jovem desarmado Trayvon Martin na Flórida em 2012, Adam Pdedlenton criou naquele ano a obra Black Data Flag, exibida na Bienal de Veneza. A produção é uma clara alusão ao movimento Black Lives Matter. “Zimmerman escapou da prisão porque defendeu ‘seu espaço’. Acredito que a linguagem que resguarda seu espaço é: Black Lives Matter“ comenta o jovem artista.

 

Considerado um dos grandes artistas do momento, o seu talento tem atraído colecionadores particulares que não medem esforços para adquirirem seus trabalhos artísticos.  Um dos seus trabalhos relacionado ao Black Data foi leiloado recentemente por US$225 mil – valor bem acima ao estimado pela casa de leilão Christie’s em Nova York.

 

Sua visão artística não está restrita à arte contemporânea. Pendleton também tem um compromisso com o passado de luta dos afro-americanos. Juntamente com os artistas Rashid Johnson, Ellen Gallagher e Julie Mheretu, o artista está ajudando a preservar a casa da cantora Nina Simone, que fica no estado da Carolina do Norte.

 

Durante sua juventude, Adan passava horas no porão da casa dos seus pais pintando. Após terminar o ensino médio – dois anos antes do previsto –, ele viajou à Itália para estudar arte e em seguida mudou-se para Nova York. Uma de suas grandes preocupações era não ficar superexposto. Durante o ano costuma produzir apenas 12 trabalhos artísticos.

 

Na virada para o novo milênio, Adam Pendleton confessou a sua família que era gay. Para sua grata surpresa a reação da família foi de total apoio. “Meus pais tiveram a postura mais generosa”. O artista disse que os pais permitiram que ele e os seus dois irmãos pudessem crescer da maneira que eles realmente eram. “Eu sabia que poderia voltar para casa. Isso permite a você arriscar-se. Mesmo hoje em dia penso que pelo menos eu posso voltar para casa”, finaliza Pendleton.

 

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Cultura

Mulher com a Palavra chega ao terceiro ano e convida Conceição Evaristo e Karol Conká

Em seu terceiro ano, projeto contará com quatro edições e debaterá o tema #feminismos!

Por Redação

Nesta terça-feira, 29/5, às 20h, o Teatro Castro Alves em Salvador receberá o projeto Mulher com a Palavra. Para abrir a série de encontros em 2018, o projeto contará com a presença da escritora Conceição Evaristo e da cantora Karol Conká. O evento terá um encontro de gerações e experiências artísticas para dialogar sobre o tema #feminismos!. Realizado pela Maré Produções Culturais, em parceria com a Secretaria de Políticas para Mulheres, com o patrocínio da Avon e da Bahiagás, Mulher com a Palavra tem o intuito de reunir personalidades brasileiras para falar sobre empoderamento feminino, carreira profissional e artística.

De acordo com Dayse Porto, diretora artística, a escolha do tema #feminismos! (o ponto de exclamação representa a ênfase que o Mulher com a Palavra deseja dar em 2018) é essencial para a nossa sociedade: “há mais de dois anos valorizamos a trajetória pessoal e profissional de mulheres artistas, trazendo reflexões sobre gênero, inspirando pessoas. Agora queremos ir um pouco mais a fundo; vamos discutir as muitas formas de ser feminista na atualidade”.

Assim, seguindo a perspectiva dos anos anteriores, o Mulher com a Palavra em 2018 vai convidar mulheres artistas e de outras áreas que trazem a temática da igualdade de gênero para suas práticas. “Buscaremos a cada edição convidar mulheres que falam de feminismos em seus trabalhos ou nos espaços de visibilidade que ocupam” acrescenta Fernanda Bezerra, idealizadora da iniciativa. A novidade que neste ano, a cada encontro, serão convidadas duas mulheres de expressão para conversar e dividir o palco do Teatro Castro Alves, sempre contando com uma mediação de uma comunicadora baiana.

O Mulher com a Palavra já recebeu nomes como Elza Soares,  Taís Araújo, Camila Pitanga, Marina Lima, Zélia Dunkan, Márcia Tiburi, Preta Gil, MC Carol e Elisa Lucinda e já contou com a mediação das jornalistas Tereza Cruvinel, Maíra Azevedo (Tia Má), Rita Batista e Vânia Dias.

Em #feminismos, a escritora Conceição Evaristo e a cantora Karol Konká, mulheres reconhecidas tanto pelas suas obras artísticas, quanto pelos posicionamentos e força da fala são bons exemplos da diversidade das formas de luta e do próprio feminismo atual. “Feminismo não é “um”. São vários. Diversos movimentos políticos, ideologias, filosofias que visam a igualdade de direitos entre homens e mulheres. Vivemos a chamada “Terceira Onda” do feminismo desde os anos 1990″ acrescenta Porto.

Especialmente nos últimos anos, a diversidade das perspectivas de luta e de busca por igualdade se evidenciam, especialmente pelo emprego da internet e das redes sociais como uma arena pública, onde todos emitem opiniões, compartilham experiências e posicionamentos. A conversa deverá versar para além de apresentar o percurso artístico e trajetória de vida das duas convidadas, mas também refletir com elas sobre a pluralidade do feminismo hoje e como o termo vem se ressignificando, seja por ser mais debatido no cotidiano de homens e mulheres cis e trans, seja por extrapolar os muros da academia e dos movimentos sociais, chegando ao mundo do entretenimento, na moda, entre tantos outros espaços.

Gerações de Mulheres Negras

Duas representantes do feminismo negro brasileiro, pulsante e atuante nas mais variadas expressões, sejam artísticas, sejam políticas, sociais e culturais. Conceição Evaristo é uma das escritoras mais aclamadas da literatura brasileira atual, reconhecida com o Prêmio Jabuti. A mineira começou a publicar seus livros na década de 90, nos Cadernos Negros, um espaço fundamental para difusão da produção literária de autores negros no Brasil. Conceição Evaristo é mestra em Literatura Brasileira pela PUC-Rio, e doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense, tendo em paralelo a sua trajetória como escritora a militância política, que se reflete em suas obras que se espraiam entre poemas, romances, contos.

 

A rapper Karol Conká é curitibana, extrapolando o mundo dominado pelos homens no hip hop e se expressando também como apresentadora, modelo e produtora, sendo uma presença frequente em campanhas de publicidade. Sua música é o principal veículo de sua expressão, trazendo um discurso feminista que se encaixa na sonoridade de um rap que se alia às batidas do funk, do trap, reggae e outros ritmos negros contemporâneos.

Serviço
Mulher com a Palavra – Abertura do Ano III com a escritora Conceição Evaristo e a rapper Karol Conka
Dia 29 de maio, às 20h
Palco Principal do Teatro Castro Alves
Ingressos: R$10,00 (inteira) e R$5,00 (meia entrada) (disponíveis nas bilheterias do Teatro Castro Alves, Balcões SAC e no site http://www.ingressorapido.com.br

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Agenda O quê que tá pegando?

“Jovens Promotores de Direito Antidiscriminatório” terá segundo módulo neste sábado, 26/5

A Uneafro Brasil, União de Núcleos de Educação Popular para negras e negros, e a Classe Trabalhadora, movimento social que organiza cursinhos comunitários e populares, em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT-SP) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), realizarão a segunda aula do projeto “Jovens Promotores de Direito Antidiscriminatório” gratuita neste sábado, 26/5, das 9h às 14h, na sala dos estudante da Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco , em São Paulo.

Com o tema “A luta contra o racismo e a defesa da democracia”, o segundo módulo do curso abordará questões que envolvem a igualdade racial e os direitos humanos. A aula será aberta ao público em geral, principalmente para os estudantes de cursinhos populares, de escolas públicas, ativistas e universitários interessados na temática. O número de vagas é limitado por conta do espaço do auditório. Para garantir sua inscrição, basta preencher este formulário.

O evento contará com uma aula da advogada Maria Sylvia, presidente do Geledés Instituto da Mulher Negra e vice-presidente da Comissão da Verdade sobre a Escravidão da OAB/SP, e do mestre em Sociologia Muryatan Barbosa, da Universidade Federal do ABC.

 

Conheça o projeto

O curso visa fortalecer o protagonismo juvenil, a conscientização para a questão étnico-racial, de gênero, diversidade, combate ao trabalho infantil e denúncia de discriminação e assédio no trabalho. O projeto conta com professores do campo jurídico e de movimentos sociais. Segundo Elisiane Santos, Procuradora do Trabalho e Vice Coordenadora de Combate à Discriminação no Ministério Público do Trabalho em São Paulo, a parceria desses movimentos é uma importante ferramenta para romper as barreiras do mercado de trabalho e do espaço acadêmico. “Embora tenhamos avanços com a implementação das cotas raciais nas universidades, ainda há muito a ser trilhado”, explica.

Para o coordenador e professor voluntário da Uneafro, Cleyton Borges, o projeto busca radicalizar a formação política dos participantes por meio de uma perspectiva crítica e engajada. “Para nós que atuamos nos cursinhos populares, a educação e o estudo sempre estão ligados a uma luta concreta e também à necessidade de nos mobilizarmos enquanto movimento social. Por isso, o novo curso terá conteúdos teóricos e práticos ligados ao enfretamento das discriminações”.

A procuradora do Trabalho Valdirene Silva de Assis entende que o projeto não beneficia apenas o aluno: “O investimento na capacitação de jovens promotores é uma medida muito importante, pois esses estudantes serão multiplicadores de conhecimento. E isso se reverte em proveito deles e de toda coletividade na qual eles estão inseridos”, comenta.

 

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Cotas Raciais

Candidato negro aponta descaso com ações afirmativas em concurso na UFRJ

Matheus Gato, de 34 anos, é doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), pesquisador visitante no Departamento de História e no Hutchins Center for African and African American Research e atualmente faz pós-doutorado na Universidade de Harvard. O sociólogo passou por um episódio de injustiça racial ao prestar um concurso para o cargo de Professor da Carreira de Magistério Superior no Departamento de Sociologia da UFRJ. Com três vagas disponíveis, número que garante a aplicação da lei de cotas, Matheus foi um dos 60 candidatos que se inscreveram para pleitear uma oportunidade.

Na fase final do concurso, em que eram exigidas atividades como arguição de memorial e exposição de uma aula, Matheus era o único candidato negro, registrado como cotista, que conseguiu chegar a esta etapa. “O processo foi muito cansativo porque o concurso era de altíssimo nível. Não dormi a noite preparando minha aula e passei mal, com ânsias, várias vezes, na madrugada que antecedeu minha prova”, relata o candidato.

No dia 11/5, Matheus teve a informação de que não havia conseguido a vaga como cotista, já que sua pontuação foi de 6,65 pontos. De acordo com o edital, os candidatos que se inscrevem por cotas não estão aptos a preencherem a vaga caso sejam “eliminados” e/ou “reprovados”. Entretanto, segundo Matheus, a etapa que tinha caráter de reprovação ou eliminação era a escrita, que ele passou. O candidato reforça: “Nas outras etapas, você apenas se classifica ou não para ocupar uma vaga”.

Com isso, as três vagas foram preenchidas por candidatos brancos. Matheus comenta que dois deles ainda tinham relações acadêmicas de mestrado e doutorado com membros da banca. “Ter orientadores de mestrado e/ou doutorado na banca é algo proibido em quase todos os processos seletivos dessa natureza nas universidades federais brasileiras” declara o candidato.

Em resposta à carta escrita pelos professores e pesquisadores em apoio ao candidato, a UFRJ compartilhou a seguinte nota de esclarecimento: ”O Edital nº 860 em seu item 5 e a Resolução nº12/2014 em sua Seção IV preveem a reserva de vagas para candidatos negros. A condição de preenchimento das vagas reservadas a candidatos negros é sua aprovação no Concurso Público seguindo os critérios supracitados. Na ocorrência de reprovação de candidato optante por essa modalidade de concorrência no Concurso Público, conforme o artigo nº 28 da Resolução 12/2014, há realocação da vaga reservada a candidatos negros para os demais candidatos que tenham sido classificados com nota final igual ou superior a 7 (sete) como citado anteriormente: ‘Art. 28. As vagas reservadas aos candidatos negros que não forem providas por falta de inscritos, por reprovação no Concurso Público ou por outro motivo serão preenchidas pelos demais candidatos aprovados, observada a ordem geral de classificação.’ Tendo em vista os esclarecimentos acima, o Departamento de Sociologia do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro atesta a lisura e legalidade do processo seletivo conduzido pela Comissão Julgadora”.

Matheus afirmou que entrará com um processo judicial por conta do ocorrido. “O meu caso é desses que expressam o descaso com as ações afirmativas e o descaso com os direitos da população nesses poucos 130 anos da Abolição. Tenho um filho de 7 anos, preciso lutar pela cidadania dele no futuro”.

 

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Movimento Negro

Aparelha Luzia recebe o lançamento da campanha de assinaturas do Alma Preta hoje (24/5)

Por Redação

Nesta quinta-feira, 24/5, às19h, o Alma Preta realizará um evento de lançamento da nova campanha de assinaturas organizada pelo portal de mídia negra. A atividade ocorre na Aparelha Luzia, Rua Apa, 78, e conta com a participação de Juliana Gonçalves, jornalista do Brasil de Fato e articuladora da Marcha das Mulheres Negras em São Paulo, Semayat Oliveira, Nós, Mulheres da Periferia, e Pedro Borges, Alma Preta. A mediação da conversa será feita por Thalyta Martins, do Alma Preta.

O objetivo do evento é ressaltar a ação do Alma Preta enquanto portal de mídia negra na defesa dos interesses da comunidade negra e de convocar ativistas anti-racistas para colaborar com as assinaturas do Alma Preta.

“O grande gargalo para a atuação da mídia negra sempre foi a estabilidade financeira e a possibilidade de construir uma infraestrutura condizente com o tamanho do desafio de enfrentar o racismo e as desigualdades no Brasil”, afirma Pedro Borges, co-fundador do portal.

O valor das assinaturas do Alma Preta oscilam entre R$ 25 e R$ 216 e os colaboradores têm desconto em produtos, ganha de livros, e a possibilidade de receber conteúdo exclusivo.

Semayat Oliveira acredita que ser necessário financiar e fortalecer esses veículos de mídia independente para que os profissionais que nele trabalham tenham condições para se dedicar de maneira profissional na produção de conteúdo.

“A gente precisa sim financiar, pagar, contribuir com esses veículos para que se consiga manter o fluxo de produção de conteúdo, para que a gente não tenha mais um veículo de comunicação que deixe de existir por falta de financiamento, ou que se mantenha para os seus criadores como um segundo plano”, explica Semayat Oliveira.

Depois do debate, o poeta Akins Kintê apresenta seu livro, “Incorporus, Nuances de Líbido”, e comanda um sarau, com foco na literatura negra erótica e em parceria com o também poeta Preto Win.

 

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Cotas Raciais

Candidato negro aponta descaso com ações afirmativas em concurso na UFRJ

Matheus Gato, de 34 anos, é doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), pesquisador visitante no Departamento de História e no Hutchins Center for African and African American Research e atualmente faz pós-doutorado na Universidade de Harvard. O sociólogo passou por um episódio de injustiça racial ao prestar um concurso para o cargo de Professor da Carreira de Magistério Superior no Departamento de Sociologia da UFRJ. Com três vagas disponíveis, número que garante a aplicação da lei de cotas, Matheus foi um dos 60 candidatos que se inscreveram para pleitear uma oportunidade.

Na fase final do concurso, em que eram exigidas atividades como arguição de memorial e exposição de uma aula, Matheus era o único candidato negro, registrado como cotista, que conseguiu chegar a esta etapa. “O processo foi muito cansativo porque o concurso era de altíssimo nível. Não dormi a noite preparando minha aula e passei mal, com ânsias, várias vezes, na madrugada que antecedeu minha prova”, relata o candidato.

No dia 11/5, Matheus teve a informação de que não havia conseguido a vaga como cotista, já que sua pontuação foi de 6,65 pontos. De acordo com o edital, os candidatos que se inscrevem por cotas não estão aptos a preencherem a vaga caso sejam “eliminados” e/ou “reprovados”. Entretanto, segundo Matheus, a etapa que tinha caráter de reprovação ou eliminação era a escrita, que ele passou. O candidato reforça: “Nas outras etapas, você apenas se classifica ou não para ocupar uma vaga”.

Com isso, as três vagas foram preenchidas por candidatos brancos. Matheus comenta que dois deles ainda tinham relações acadêmicas de mestrado e doutorado com membros da banca. “Ter orientadores de mestrado e/ou doutorado na banca é algo proibido em quase todos os processos seletivos dessa natureza nas universidades federais brasileiras” declara o candidato.

Em resposta à carta escrita pelos professores e pesquisadores em apoio ao candidato, a UFRJ compartilhou a seguinte nota de esclarecimento: ”O Edital nº 860 em seu item 5 e a Resolução nº12/2014 em sua Seção IV preveem a reserva de vagas para candidatos negros. A condição de preenchimento das vagas reservadas a candidatos negros é sua aprovação no Concurso Público seguindo os critérios supracitados. Na ocorrência de reprovação de candidato optante por essa modalidade de concorrência no Concurso Público, conforme o artigo nº 28 da Resolução 12/2014, há realocação da vaga reservada a candidatos negros para os demais candidatos que tenham sido classificados com nota final igual ou superior a 7 (sete) como citado anteriormente: ‘Art. 28. As vagas reservadas aos candidatos negros que não forem providas por falta de inscritos, por reprovação no Concurso Público ou por outro motivo serão preenchidas pelos demais candidatos aprovados, observada a ordem geral de classificação.’ Tendo em vista os esclarecimentos acima, o Departamento de Sociologia do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro atesta a lisura e legalidade do processo seletivo conduzido pela Comissão Julgadora”.

Matheus afirmou que entrará com um processo judicial por conta do ocorrido. “O meu caso é desses que expressam o descaso com as ações afirmativas e o descaso com os direitos da população nesses poucos 130 anos da Abolição. Tenho um filho de 7 anos, preciso lutar pela cidadania dele no futuro”.

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Igualdade racial

Profissionais negros são mais exigidos durante processo seletivo nos EUA

Por Edson Cadette, do Blog LadoBNY

Apesar da boa intenção das grandes companhias estadunidense em diversificar seus quadros de funcionários, um fator continua intacto nos últimos 25 anos. A contratação de mais funcionários negros qualificados se comparado ao mesmo currículo de candidatos brancos.

Foi exatamente isso que concluiu um profundo estudo patrocinado pelas Universidades Harvard, Northern Western e dois Institutos de pesquisas europeus. O estudo analisou 30 pesquisas separadas sobre contratação de profissionais brancos e negros entre 1989 e 2015. Os currículos nestes estudos mostram o nível escolar e a experiência profissional equivalentes, diferenciando somente em casos em que os nomes mostram certa etnicidade específica ou outras pequenas dicas que mostram a raça dos candidatos nos formulários.

“No momento quando as grandes empresas identificam publicamente diversidade como uma grande prioridade, e várias pesquisas mostram como as pessoas brancas buscam o tratamento igual para as minorias, o resultado deste estudo é surpreendente e ao mesmo tempo desanimador”, disse Lincoln Quillian.

Lincoln Quillian, que é pesquisador da Universidade de Northern Western para o Instituto de Política e Pesquisa, acredita que os gerentes com a responsabilidade de contratação talvez estejam fazendo um julgamento superficial baseado em suas próprias experiências.

“Todo patrão bem intencionado sinceramente acredita tratar todos os candidatos da mesma forma. Preconceito intencional, ou não, faz parte de sua decisão na hora de contratar um novo funcionário para sua empresa”, disse o pesquisador em recente artigo publicado pelo periódico The New York Times.

Com os oito anos de Barack Obama, primeiro presidente negro do EUA, o país estava tentando promulgar a ideia de um país pós-racial. O estudo vem contrariar tudo aquilo que muita gente estava tentando pregar. Ou seja, a disparidade racial entre negros em brancos na América é muito mais profunda do que muitos imaginam.

 

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Debate

Você se sentiu representada (o) no casório da família real britânica?

Príncipe Harry e Meghan Markle se casaram no último sábado (19/5) ( Foto: Chris Jackson/Chris Jackson/Getty Images)

 

Por Douglas Belchior

A família real britânica não exerce poder político definidor há tempos. Mas seu simbolismo e tradição são pontos caros aos ingleses e deveriam ser caros ao resto do mundo também. Em especial aos descendentes de africanos e, sobretudo em países vítimas da colonização pelo mundo afora. A família do noivo ruivinho tem uma tradição de cerca de mil anos. Atravessou, portanto, o antes, o durante e o depois dos quase quatro séculos de escravidão mercantil, que devastou a África e assolou o chamado novo mundo.

O tráfico de pessoas escravizadas se estendeu por esse período e vitimou, por baixo, cerca de 12 milhões de seres humanos africanos. A riqueza gerada pela escravidão rendeu à Inglaterra o acúmulo primitivo de capital suficiente ao advento da primeira Revolução Industrial e manteve o este país como a grande potência mundial nos séculos XVIII e XIX. Isso mesmo, o sangue do parto do capitalismo mundial é de africanos escravizados, indígenas e seus descendentes.

Por todo o século XX, a Inglaterra manteve colonizações violentas em dezenas de países da África e de outros continentes, promoveu apartheid na África do Sul e liderou, ao lado dos EUA, o avanço do capitalismo mundial em seu formato neoliberal por meio de Margareth Thatcher, nos anos 70 e 80, sempre com as honras da Coroa. Hoje a família real ainda detém, além do financiamento do governo/estado inglês, o patrimônio de terras e negócios na Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte e uma fortuna imensa não revelada.

Todo o glamour, a elegância e a riqueza do casamento dos pombinhos, tem essa origem aí… sacou?

 

 

É até bonito ver uma neo-princess-afro sorrindo na tela, uma mãe preta super elegante e emocionada, um coral black super afinado e um pastor preto simpático citando Luther King. Mas comemorar um casamento real em um país imperialista, colonial e escravocrata como um ganho para a comunidade negra ou para o povo negro, aí não. Por favor! É preocupante a adesão, em especial pela negrada, ao crescente discurso de valorização de uma representatividade vazia de significado, legitimidade e preocupação com a coletividade, cada vez mais liberal e individualista. Será que não aparecemos ali exatamente no lugar de sempre? Servindo, cuidando, cantando, orando e embelezando a vida deles?

Será essa a representação que precisamos alimentar?

 

Príncipe Willian sendo carregado por homens negros durante uma visita à Ilha de Tuvalu. (Foto: The Superfcial)

 

 

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Violência Policial

Mães de vítimas da violência do Estado se unem em encontro internacional para pedir justiça

Por Redação

A busca pela reparação por conta da perda violenta de um filho foi o mote do III Encontro Internacional de Mães de Vítimas da Violência do Estado: Por Justiça, Reparações e Revolução. O encontro – que aconteceu entre os dias 16 e 20/5, na Universidade Federal da Bahia, em Salvador –, reuniu mulheres e familiares que exigem justiça em casos de filhos mortos pelas polícias.

O colunista Douglas Belchior acompanhou o encontro. Confira:

Os temas discutidos no encontro foram amplos. Para estruturar projetos práticos, os seguintes pontos foram elencados como prioridade pelas manifestantes: criação do Fundo de Reparação Econômica, Psíquica e Social aos Familiares por parte do Estado; aprovação de projeto de lei que visa à criação da Semana Estadual de Luta das Mães e Familiares Vítimas da Violência do Estado no mês de maio; aprovação de projeto de lei que dispõe sobre o funcionamento das perícias criminalísticas e médico-legal, visando mais autonomia para as mesmas; e o fortalecimento da Comissão da Verdade e da Democracia.

O mês de maio – além do Dia das Mães – é simbólico para a luta dessas mulheres devido ao episódio conhecido como Crimes de Maio, quando mais de 500 pessoas foram assassinadas no Estado de São Paulo por homens encapuzados após as mortes de policiais provocadas pelo PCC. Depois dessas mortes, outras diversas chacinas semelhantes ocorreram em todo o país.

Em novembro de 2014, por exemplo, onze pessoas foram assassinadas em cinco bairros de Belém (PA), após a morte de um policial militar. Em Manaus (AM), 37 pessoas foram executadas em julho de 2015 depois que um sargento foi morto ao reagir a um assalto. Osasco e Barueri, na Grande São Paulo, foram cenários de uma série de ataques, com as mortes de 23 pessoas, em agosto de 2015. Estudiosos apontam que as frequentes chacinas em várias regiões do país seriam uma consequência do que aconteceu há 12 anos em São Paulo.

O Fundo Brasil de Direitos Humanos apoia o encontro por meio do financiamento das viagens de cinco organizações que farão parte do debate. São elas: Grupo de Mulheres e Familiares de Adolescentes em Cumprimento de Medida Socioeducativa, do Ceará; Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência, do Rio de Janeiro; Amparar – Associação de Amigos/as e familiares de presos/as, de São Paulo; Criola, do Rio de Janeiro; e Mães do Curió, do Ceará, apoiadas por meio do Cedeca.

 

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