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Cultura

Livro “O que acontece quando um homem cai do céu”, da autora Lesley Nneka Arimah, será lançado nesta quinta (12) no Brasil

Evocativo e provocativo, o livro traz questões como maternidade, relação mãe e filha, sacrifício, o peso da feminilidade, afrofuturismo, amadurecimento e violência

Nesta quinta-feira, 12, a Editora Kapulana lança no Brasil o livro O que acontece quando um homem cai do céu, da escritora de origem nigeriana Lesley Nneka Arimah. A obra, dividida em doze contos, abrange temas como insólito, distopia, memórias da guerra na Nigéria, relações complexas entre mãe e filha, convivência humana com as tecnologias, infância e o embate entre as tradições de seus familiares e o cotidiano na América, muitas vezes com uma visão afrofuturista.

Lesley nasceu no Reino Unido, viveu na Nigéria e agora mora no estado de Minnesota, nos Estados Unidos. A obra original foi publicada nos Estados Unidos, na Inglaterra e na Nigéria, em 2017, com o título What it means when a man falls from the sky, fazendo com que a escritora ganhasse o prestigiado Kirkus Reviews Prize.

O foco de Arimah é na construção do enredo que permeia a originalidade de contar surpreendentes histórias. No conto Luz, vencedor do Commonwealth Short Story Prize for Africa, a autora questiona o relacionamento entre mãe e filha. A mãe, à distância, desafia a educação dada pelo pai, que permaneceu com a filha na Nigéria, e acredita que a menina deve se mudar para os EUA com ela, longe do patriarca.

Lesley Nneka Arimah, de origem nigeriana, nasceu e cresceu no Reino Unido, mas viveu em outros países, como a Nigéria, onde seu pai trabalhava

Segundo o jornal The Washington Post, na resenha da jornalista Tayla Burney, “A voz de Arimah é vibrante e nova, os assuntos que ela traz são, ao mesmo tempo, oportunos e atemporais. Este é um volume raro que fui forçada a colocar nas mãos de amigos dizendo ‘Você tem que ler isso’”.

O que acontece quando um homem cai do céu é o segundo livro de autores das literaturas africanas de língua inglesa que a Kapulana lança neste ano. Em maio, a editora publicou o romance Esperança para voar, da jovem escritora Rutendo Tavengerwei, do Zimbábue, e em novembro será a vez do livro de memórias Um dia vou escrever sobre este lugar, do queniano Binyavanga Wainaina.

 

Serviço

Livro: O que acontece quando um homem cai do céu

Autora: Lesley Nneka Arimah

Tradução: Carolina Kuhn Facchin

Editora: Kapulana

Páginas: 168

Preço: R$ 39,90

 

Pré-venda disponível nas seguintes livrarias:

Amazon.com.br

Livraria Cultura

Martins Fontes Paulista

Livraria da Travessa

Cia dos Livros

Livraria Mundo da Leitura

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Direitos da Criança e do Adolescente

Malala Yousafzai participará de evento exclusivo para convidados nesta segunda (9) em São Paulo

(Foto: Simon Davis/DFID)

A juventude não é sinônimo de despreparo para Malala Yousafzai, de 20 anos, a ganhadora do prêmio Nobel da Paz mais jovem da história. Com o intuito de estimular a educação de meninas, a paquistanesa estruturou uma organização voltada para a área, ganhou o Prêmio da Paz para a Infância, já discursou na Organização das Nações Unidas (ONU) e também conquistou a Medalha da Liberdade, do Centro Nacional Constitucional, nos Estados Unidos.

Atingir todas essas conquistas não foi uma tarefa fácil para a Malala. Para garantir que suas causas fossem levadas em consideração, ela precisou enfrentar o Talibã, movimento fundamentalista islâmico nacionalista. Atualmente, a jovem estuda na Universidade de Oxford e foi reconhecida como cidadã canadense.

Para Elaine Correia, professora da UneAfro que estará no evento, a expectativa para acompanhar a palestra de Malala é grande. “O encontro com Malala Yousafzai será uma grande oportunidade para as jovens negras estudantes da Uneafro Brasil, mulheres que assim como a ativista sofrem cotidianamente limitações impostas pela sociedade patriarcal que dificultam seu progresso nos estudos, na vida pública e no mercado de trabalho”.

Segundo a professora, é possível traçar um paralelo entre a opressão vivida e combatida por Malala e a realidade dos jovens negros brasileiros. “No Brasil, a questão do patriarcado soma-se ao racismo estrutural que muitas vezes as colocam numa perspectiva de impossibilidades. Essa experiência comum de uma sociedade que as impede de viver livremente poderá ser vista no encontro com Malala, assim como a inspiração para se manterem mais fortes diante das opressões que enfrentam. Nesse sentido, será um momento histórico para o trabalho de coordenadora e professora que venho desenvolvendo em parceria com as mulheres do cursinho”, complementa.

Pela primeira vez ao Brasil, alunos de escola pública, representantes de ONGs brasileiras e outros convidados terão a oportunidade de participar de uma palestra com a jovem sobre o papel da educação no desenvolvimento infantil e das mulheres no Brasil. Com organização do Itaú Unibanco, o evento acontecerá nesta segunda-feira, 9, em São Paulo. Para quem quiser acompanhar, uma live será transmitida ao vivo nas redes sociais do banco.

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Cultura

Teatro da Neura estreia ‘Antígona’ nesta sexta-feira (5) em São Paulo

Peça política reestreia ainda mais forte e provocativa, no Espaço N de Arte e Cultura, no Jardim Imperador em Suzano

Depois de quase nove meses de ensaio, o Teatro da Neura volta com uma das peças mais políticas do repertório do grupo. “Antígona” é um clássico da dramaturgia mundial, escrita pelo dramaturgo grego Sófocles, há mais de dois mil anos e faz parte da Trilogia Tebana. Segue temporada todo o mês de julho e, estreia sexta-feira (06), a partir das 20 horas, no Espaço N de arte e Cultura, em Suzano.

 

O espetáculo teve a primeira versão pelo Teatro da Neura em 2009 e encontra atualmente ligações fortes com a atual situação brasileira: um governo manipulador e autoritário, regido por um líder sem carisma e opressor que usa de força para levar a cabo injustiças e elimina todos aqueles que podem destituí-lo do poder.

 

“Antígona” faz parte de uma das linguagens do Teatro da Neura – o Teatro e Sociedade – que, como explica o diretor da peça Fernandes Junior, tem como base o Teatro Épico do dramaturgo, poeta e militante alemão, Bertolt Brecht (1898-1956) que propunha como pesquisa um diálogo direto com a plateia e que estimulasse o pensamento crítico através de suas peças. Para Brecht, não será na emoção que o público vai encontrar a diversão mas na reflexão sobre os acontecimentos que o espetáculo relaciona com a realidade.

 

A relação do Teatro da Neura com o Teatro Político faz parte da construção do grupo. “Diria que o Teatro Sociedade é um elemento típico do Teatro da Neura uma vez que ele usa os temas épicos para além das ferramentas que Brecht usava em suas peças”, comenta Júnior.

 

 

PEÇA

Ambientada em Tebas, um país em guerra e manipulado por Creonte, um líder autoritário e violento, Antígona luta contra todas as injustiças para enterrar o irmão morto em combate. Ao buscar apoio em sua irmã e no povo, encontra apatia e descaso. Ao enfrentar todas as leis impostas pelo líder de tebano e sepultar o irmão, enfrenta o fascismo, racismo, homofobia, xenofobia e feminicídio numa jornada que representa a luta coletiva por direitos e vai seguir sua fé pela justiça até o fim.

 

Tendo como base o poder da mídia como instrumento de tentativa de hegemonização do pensamento conservador, essa montagem de “Antígona” propõe a discussão de um Estado sem legitimidade e direção que, ao usar seu fantasioso poder contra seu povo, pode sucumbir se não perceber a tempo seu lugar na história.

 

Thaís Fernandes é atriz do Teatro da Neura há três anos e interpreta Antígona nessa remontagem. “Ela (Antígona) é muito combativa, muito justa, ela sai do campo da ideologia e age. E interpretar alguém assim nos dias de hoje, na era da passividade e de uma justiça seletiva, transita entre o encorajador e o necessário”, afirma.

 

A atriz reforça que mesmo o texto com mais de dois mil anos, está mais atual do que nunca. “O ato mais transformador pra mim ao longo da montagem foi conseguir ver a figura da Antígona na atualidade. No começo eu não conseguia. Hoje eu consigo ver pessoas que agem para mudar a realidade em que vivem. Temos grandes figuras que conseguem chegar ao nosso conhecimento, mas também temos as ‘heroínas’ invisíveis, líderes de bairro, pessoas que estão à frente dos movimentos sociais”.

 

REPRESENTATIVIDADE

Há mais de 100 dias, no Rio de Janeiro, foi assassinada a vereadora Marielle Franco. Negra e bissexual fazia parte da ala progressista de esquerda do legislativo carioca. E, é justamente nessa figura, que Thais aponta ao dizer quem Antígona seria nos dias de hoje. “Quando eu penso em Antígona na atualidade o primeiro nome que me vem é o da Marielle. A figura dela e todas as lutas que ela representava. A coragem de fazer, de denunciar, de enfrentar. A importância de ter quebrado um estigma que é tido como natural, de quem uma mulher, negra, periférica, não pode ocupar os lugares que ela ocupava, e ela não só ocupou esses lugares como se fez ser ouvida, e levou com ela a luta de milhares de pessoas”.

 

Mas atriz acredita que há muitas Antígonas espalhadas por ai e que a fórmula é simples. “Todo mundo que tira a ideologia apenas da cabeça e vai de modo ativo moldando essa estrutura fadada a ruína – que causa tanta desigualdade – para que haja espaço para as minorias, de luta por uma justiça que não sirva apenas a uma parcela muita pequena, que quebra a ‘lógica’ de que certos lugares não pertencem a certas pessoas, é uma Antígona”.

 

Serviço:
Antígona: Ao lado da Justiça, onde quer que ela esteja
Temporada: Sextas, sábados e domingos de julho
Horário: 20h
Local: Espaço N de Arte e Cultura – Rua José Garcia de Sousa, 692, Jardim Imperador – Suzano

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Igualdade racial Indígena

Douglas Belchior e Sonia Guajajara realizam Tarde de Luta Afro-Indígena em Itaquera – SP

 

Evento, que ocorre neste sábado (7), às 12h, na APEOESP Itaquera, será um espaço para conversa, troca cultural e organização política

Facebook: https://www.facebook.com/events/208792849956354/

Por Douglas Belchior

Há uma necessidade urgente no próximo período eleitoral: levar para Brasília a representação negra e indígena brasileira e potencializar o enfrentamento ao golpe e aos retrocessos impostos pelo governo Temer. Não é possível que continuemos assistindo o país ser governado por homens brancos e ricos e com nula participação dos seguimentos constituintes do nosso país.

Douglas Belchior, pré-candidato a deputado federal, e Sonia Bone Guajajara, pré-candidata a vice-presidência, convidam todas e todos para uma tarde de conversa neste sábado (7) na APEOESP de Itaquera, em São Paulo. Além do bate-papo, o evento ainda contará com delicioso almoço e rica programação musical.

Em celebração aos 40 anos de criação do Movimento Negro Unificado (MNU), que também é comemorado no dia 7 de julho, a Tarde de Luta afro-indígena fará uma homenagem ao MNU por meio de sua integrante Regina Lúcia, que estará presente no evento.

Os pré-candidatos Áurea Carolina, Lucas Landin, Ana Mielke, Érica Malunguinho, Wlisses Daniel e João Zafalão fazem parte do time de convidados para o evento.

Para celebrar esse encontro, as atrações musicais vão ficar por conta dos grupos: Jongo dos Guaianas, Samba das Pretas, Dolores Boca Aberta, Cordão Carnavalesco Boca de Serebesque e Renato Gama. Participe!

 

Serviço

Local: APEOESP Itaquera

Horário: A partir das 12h

Endereço: Rua Colonial das Missões, 204 – Vila Carmosina – SP

Próximo Estação de Trem Dom Bosco

 

Saiba mais sobre  Pré-Candidatura:

#SomosMaioria Aceitamos encarar o desafio!

Vamos disputar uma vaga para Deputado Federal por São Paulo, em Brasília. Vamos enfrentar o golpe, recuperar os diretos sociais, barrar o genocídio negro e lutar por reparação histórica para a população negra, indígena, periférica, pelas mulheres, pela população LGBT+ e por todas e todos que sofrem com as opressões históricas daqui. Muitas apoiadoras e apoiadores que ajudam a construir o nosso projeto assinaram o Manifesto #PelaVidaPorDireitos. Leia e assine o documento que é o nosso compromisso!
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Movimento Negro

Movimento Negro Unificado celebra seus 40 anos com ato na escadaria do Theatro Municipal neste sábado (7)

Para dar inicio às comemorações dos 40 anos de Movimento Negro Unificado (MNU), a organização realizou um seminário sobre a situação dos direitos da população negra no Brasil na última segunda-feira, 18, na sede do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). Entre as questões discutidas, o genocídio da população negra, a luta das mulheres negras e o encarceramento massivo se destacaram durante o diálogo.

Nesta sexta-feira, 6, às 19h, no Salão Nobre da OAB São Paulo, o Movimento realizará a segunda parte das comemorações. O evento será um espaço de debate sobre a história, plano de ação, ação cultural, além de uma homenagem à organização. No sábado, 7, um grande ato será realizado nas escadarias do Theatro Municipal, ponto de fundação do MNU. A concentração será às 16h30 na esquina da Rua Consolação com a Rua Visconde de Ouro Preto.

Com o regime militar instaurado no país, o MNU nasceu de uma insatisfação de um grupo de jovens negras e negros com o discurso nacional hegemônico. A fundação ocorreu no dia 18 de junho de 1978, mas foi só no dia 7 de julho do mesmo ano que a organização foi lançada publicamente. A escadaria do Theatro Municipal de São Paulo serviu como palco para o evento que marcou a luta contra a discriminação racial no país.

Durante esses 40 anos de Movimento, os avanços foram consideráveis e relevantes, entretanto as problemáticas raciais ainda estão presentes na vida da população negra brasileira. Em entrevista para a Rádio Brasil Atual, Regina Lúcia, integrante do MNU há 22 anos, comentou: “as conquistas são muitas, mas a gente ainda tem muito para caminhar, porque o racismo no Brasil é de uma perversidade tão grande que a própria população negra não se enxerga enquanto vítima”.

Douglas Belchior, ativista do movimento negro e fundador da UneAfro, estava entre os convidados do seminário e refletiu sobre o papel inspirador do MNU. “Há vinte anos, quando tive contato pela primeira vez com a história e trajetória dessa turma, me senti fortalecido e guiado para seguir no caminho de luta por nossos direitos. Ter os encontrado e lutar ao seu lado é um privilégio incrível. Regina Lucia Santos, Milton Barbosa, Adão, entre outros que dedicaram suas vidas à luta do povo negro brasileiro, meu máximo respeito!”.

 

Conheça, participe e ajude fortalecer o movimento negro brasileiro Acesse: Uneafro Brasil

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Igualdade racial

“Quem escreve os jornais não vive nas comunidades negras”, diz jornalista do NY Times

Jornalistas expõem os desafios enfrentados pela negritude na mídia, durante o Congresso de Jornalismo Investigativo da Abraji.

Por Lais Rocio, de Vitória/ES

Foto: Alice Vergueiro | Abraji

No palco do 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji, a premiada jornalista americana Nikole Hannah-Jones mostrou o que significa investigar o racismo, revelado em quase todas as estatísticas de realidades como educação, desemprego, moradia e saúde. E ela se dedica a comprovar essa desigualdade:

“Hoje nos EUA, existem mais homens negros nas prisões do que havia na escravidão. Não somos gratos por não sermos mais escravos, porque nunca deveríamos ter sido. Medimos o progresso de um país pela igualdade.”

Tudo isso é o que Nikole retrata em suas reportagens investigativas sobre injustiça racial na New York Times Magazine. Em sua trajetória, ela já foi reconhecida por diversas premiações de mídia, como o Peabody Award e National Magazine Award. Foi eleita jornalista do ano pela National Association of Black Journalists em 2015, e no ano passado foi nomeada pelo MacArthur Fellowship, considerado uma prêmio para gênios. Tudo isso prestigiou seu ofício diário de descobrir as reais decisões e ações políticas que sustentam a exclusão e violência contra a negritude hoje, e propositalmente:

“Meu trabalho mostra que a segregação racial é intencional. Alguém decide investir menos recursos e menos qualidade nas escolas para pobres e negros.”, afirma ela.

Ao longo de 15 anos de carreira em diversos veículos, ela acredita no poder de contar a sua própria história ao retratar as comunidades de uma parte dos Estados Unidos que, de acordo com ela, muitos brancos não conhecem:

 “Quando você faz parte de um grupo marginalizado, você acredita que é culpa sua se sua escola ou bairro são ruins. Mostrar que não é culpa deles dá poder para que saibam que merecem mais”, reconhece Hannah-Jones, sobre um cenário em que ela mesma foi criada, onde era inimaginável que um dia trabalhasse no New York Times.

Foto: Alice Vergueiro | Abraji

Ser preta em um cargo de destaque, abordando questões raciais dentro de empresas de comunicação “embaraçosamente brancas”, como caracteriza, fazem dela porta-voz dos desafios e realizações vividos ao longo do tempo pela negritude na profissão. Assim como muitos, ela passou por um período difícil na carreira: quando foi desencorajada por seus chefes a não escrever sobre raça.

“Durante muito tempo, os jornais não contratavam repórteres negros. A mídia era tão branca que ignorava as pessoas negras em suas comunidades. Acredito que temos esse mesmo problema ainda hoje”, conta ela, relembrando um período em que novas organizações precisaram ser criadas por essas pessoas para reportar esses temas, principalmente os históricos movimentos nacionais contra a segregação racial nos EUA, na década de 1960.

 

A imprensa negra também teve sua presença no Brasil, retratando essas lutas no país durante os anos 70. Foi o Jornal Versus, veículo paulista que inclusive denunciou o racismo da Ditadura Militar. Tudo isso existiu em consequência de uma situação que Hannah-Jones descreve incisivamente: “essas instituições foram sendo criadas porque pessoas pretas eram barradas nas instituições com maioria de brancos, e queriam contar suas próprias histórias”.

Neusa Maria Pereira, jornalista e fundadora do Movimento Negro Unificado, exibe páginas do Jornal Versus. Foto: Sérgio Silva | Ponte Jornalismo

 

E quando falta representatividade nas redações, de acordo com Nikole, significa que as histórias da negritude não são contadas. Ou são tratadas com estereótipos, e não com humanidade. Para tornar as reportagens e seus bastidores mais diversos, ela fundou e atua na Sociedade Ida B.Wells, que treina a juventude preta para o jornalismo investigativo, lutando contra todos os efeitos da exclusão racial nesses espaços

 

Negritude no jornalismo brasileiro

Amazônia, São Paulo e Rio de Janeiro

Além de Nikole Hannah-Jones, o 13º Congresso da Abraji, entre os dias 28 e 30 de junho, em São Paulo, também teve a presença de outros repórteres negros, que no Brasil lutam por notícias do povo preto não só nas páginas de crimes e esportes.

Para dar visibilidade inclusive às comunidades afrodescendentes da região amazônica, a jornalista e feminista Kátia Brasil foi uma das fundadoras da agência Amazônia Real. Na empreitada de retratar a vida de quilombolas, indígenas e diversos povos tradicionais, a equipe decidiu priorizar essa diversidade também nos bastidores: “Nas reportagens, dividimos as tarefas com igualdade de raça e gênero, temos fotógrafas pretas e repórteres indígenas”, conta Kátia, durante debate no Congresso sobre a mídia na Amazônia.

Foto: Alberto César Araújo | Amazônia Real

Ao longo dos 30 anos de profissão, pelos principais veículos da imprensa brasileira, raramente via mulheres negras como ela em cargos de chefia, o que dificultava na cobertura do racismo:

“Quando os jornais são majoritariamente dominados por homens brancos, é difícil contar a história da desigualdade racial no Brasil”.

 

E para falar sobre isso nas periferias de São Paulo, a Agência Mural surge de dentro dessas comunidades. Com pretas e pretos cobrindo diversos movimentos culturais afrodescendentes espalhados pelas favelas paulistanas, esse tema tornou-se natural e não apenas um recorte.

O editor-chefe de jornalismo da Mural, Paulo Talarico, acredita em abordar os direitos da população negra como direitos da sociedade em geral: “A gente precisa entrar nos jornais de forma diferente do modelo que cobre apenas casos negativos e de violência. Cada pauta merece mais cuidado e sensibilidade com isso”, observa Paulo.

No Rio de Janeiro, a americana Kiratiana Freelon vive como jornalista freelancer há três anos, reportando para veículos internacionais sobre a vida de diversos afro-brasileiros, e principalmente sobre a luta feminina e negra na política. Uma de suas maiores reportagens foi sobre a morte da vereadora Marielle Franco, o que a fez perceber a voz que essas histórias têm tido:

“As pessoas querem saber mais sobre as mulheres pretas no Brasil e seus problemas”.

Foto: Kiratiana Freelon | Arquivo pessoal

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Noticias

Marcelo Dias, líder comunitário, é preso injustamente e gera indignação da comunidade

Por Luciano Matheus dos Santos

Marcelo Dias, 40 anos, presidente da ONG Novos Herdeiros, membro da Soka Gakai Internacional (organização filiada a ONU), líder comunitário atuante junto a Prefeitura para obtenção de melhorias para a sua comunidade no Bairro da Vila Brasilina, onde reside na mesma rua desde seu nascimento. Trabalhador com emprego fixo e carteira registrada, também atua nas suas horas livres como educador físico, está sendo vítima de uma grande injustiça.

Conforme relato prestado por ele nos autos do processo em 09/06/18 por volta das 14:00 estava nos preparativos para realização de um bingo beneficente da ONG que preside, que aconteceria no dia seguinte, quando observou 2 pessoas correndo e em seguida a polícia em 2 motos. Desceu do carro que pertence à sua irmã e estava emprestado para as atividades da ONG. Observou também uma sacola que foi jogada próximo de onde o carro estava, olhou para sacola curiosamente e como percebeu a movimentação suspeita voltou para o carro para se dirigir a ONG, que fica próximo ao fato. Alguns minutos depois, foi abordado pelos mesmos policiais que estavam nas motos, que pediram para que ele descesse do carro e atribuíram, indevidamente, a ele a sacola sem dono.

Na sacola estavam 3 kilos de drogas, e, nesse momento, obteve voz de prisão decretada pelos polícias, juntamente com outras pessoas que estavam próximas ao local, foi acusado de tráfico de drogas e formação de quadrilha, mesmo sem conhecê-las. Indignado com a situação, chamou amigos que estavam atuando dentro da ONG, para testemunhar e filmar a atuação da polícia, para evitar que o pior acontecesse, mas, de nada adiantou.

No dia seguinte, ele foi levado à delegacia e julgado como culpado por tráfico de drogas e formação de quadrilha. Hoje, ele se encontra no CDP 2 – Centro de Detenção Provisória de Pinheiros e responde por um crime que não cometeu. Marcelo Dias que tem a vida toda dedicada ao esporte, para tirar as crianças das drogas, hoje, está trancado, com seu direito de ir e vir cerceado por esta INJUSTIÇA! Como disse Ariano Suassuna “… é muito difícil você vencer a injustiça secular, que dilacera o Brasil em dois países distintos: o país dos privilegiados e o país dos despossuídos”.

Não vamos nos calar!!! #marcelolivre #justiça

 

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Intolerância

Centro de cultura negra em Campinas é atingido por incêndio

Por Redação

A Casa de Cultura Fazenda Roseira, no Residencial Parque da Fazenda, em Campinas, foi atingida por um incêndio na tarde da última terça-feira, 26. A estrutura do espaço cultura fica dentro de uma Área de Preservação Permanente. As chamas atingiram um pedaço da plantação da Casa de Cultura, próximo ao casarão onde acontecem as principais atividades. Com isso, baobá, mamoeiros, bananeiras e outras árvores frutíferas foram destruídas pelo incêndio.

Segundo a ACidade ON, a coordenadora geral da Casa de Cultura Bianca Lúcia Martins Lopes a equipe foi surpreendida pelo fogo enquanto realizava suas atividades durante a tarde. Para o site, ela disse ao site: “Ouvimos o barulho e quando percebemos o fogo já estava bem perto da casa”.

O portal informou também que os bombeiros levaram aproximadamente trinta minutos para controlar o incêndio. “Se fosse durante a noite, o fogo teria atingido a casa. Isso mostrou as nossas vulnerabilidades. Não temos cerca, não temos segurança”, disse Bianca.

A Casa de Cultura Fazenda Roseira é um dos principais pontos da Casa de Cultura Fazenda Roseira na cidade de Campinas, São Paulo. O espaço, que representa a conquista do movimento negro e do movimento popular, fica em um casarão do final do século XIX. Em 2007, após um loteamento da antiga fazenda, a área se tornou um equipamento público e foi ocupada pela Comunidade Jongo Dito Ribeiro, além de outros grupos de movimentos sociais e religiosos de matrizes africanas.

Há dez anos, a Associação do Jongo Dito Ribeiro promove atividades culturais e educativas em torno da cultura, historia, mitologia e meio ambiente por meio de uma perspectiva afrobrasileira. Com base na lei 10639/03, de implementaçao do estudo da história da África e da cultura afro-brasileira nos currículos escolares de todas as redes de ensino do país, as ações também são direcionadas aos alunos da rede básica de ensino e para a formação de profissionais da educação.

Conheça, participe e ajude a fortalecer o movimento negro brasileiro Acesse: Uneafro Brasil