Categorias
Cultura Literatura

Notas de Escurecimento: a escrita negra em discussão

                                 Foto: Arquivo Pessoal

Por Marina Souza

Hoje (30), às 19 horas, acontecerá a 23º edição do evento “Notas de Escurecimento”, organizado pelo escritor e educador Plínio Camilo, no Centro Cultural Palace, em Ribeirão Preto. A ideia do evento surgiu em Camilo através da necessidade que ele sentia em discutir a escrita negra e criar um espaço para divulgar seus livros.

Inspirado por escritores como Cruz e Souza, o autor acredita que a literatura negra deva ser incluída dentro da atual arte canônica, fazendo com que a diversidade do povo brasileiro seja apresentada e valorizada.

A atividade, que teve início em Setembro desse ano, funciona por meio de uma discussão dinâmica e participativa sobre os conceitos de literatura negra brasileira, suas origens, função atual e perspectivas futuras, tendo como objetivos maiores auxiliar no combate a racismo e na quebra de silenciamentos historicamente impostos aos negros.

Plínio também diz que em 2019 pretende dar continuidade à série de eventos em diversos lugares do estado de São Paulo.

Categorias
Sem categoria

Natália Neris lança livro e relembra a participação popular dos negros na Constituição Federal

Por Marina Souza

A pesquisadora Natália Neris estará presente hoje (29) às 20 horas no Aparelha Luzia para o lançamento de seu novo livro: A voz e a palavra do Movimento Negro na Constituinte de 1988. A obra é lançada em um ano que marca os 30 anos da promulgação da Constituição Federal, 40 anos da formação do Movimento Negro Unificado e 130 da abolição da escravidão no Brasil. 

“O livro é resultado de um trabalho que desenvolvi entre 2013 e 2014 na minha dissertação de mestrado. A gente sabe que o processo constituinte foi um momento inédito de interlocução da sociedade civil com o Estado, vários grupos se mobilizaram para participar desse momento. A minha hipótese era de que com certeza o Movimento Negro também estava engajado nesse processo, meu impulso foi entender como. A luta negra sempre esteve muito presente em momentos importantes dos processos políticos brasileiros”

Com prefácio de Benedita da Silva, parlamentar à época e integrante de subcomissão que tratou das questões raciais, a obra inicialmente trata dos momentos finais da ditadura militar iniciada em 1964 e das disputas em torno da configuração e dinâmica de funcionamento da Assembleia Nacional Constituinte (ANC). 

Na sequência, a pesquisadora remonta a mobilização antirracista no período e insere o leitor nos bastidores da ANC, em meio ao trabalho executado dentro da comissão e subcomissão responsáveis pelo tratamento da temática racial naquele momento. Por meio de análise documental, é possível conhecer militantes, parlamentares e demandas, bem como os argumentos e resistências à inserção no texto da Constituição.

Por fim, a autora detalha as transformações ocorridas no texto da sua fase inicial à final do processo nos artigos que se referem à temática racial.

Outra motivação para escrever foi a curiosidade. Na constituição há a criminalização do racismo, mas eu me questionava se era somente essa a demanda. Será que o Movimento Negro estava revindicando apenas direito penal? Eu quis entender quais eram as outras demandas durante esse momento histórico.”

Natália Neris é coordenadora da área Desigualdades e Identidades do InternetLab – Pesquisa em Direito e Tecnologia, colaboradora da página Preta e Acadêmica e co-autora dos livros “O Corpo é o Código: estratégias jurídicas de enfrentamento ao revenge porn no Brasil” (InternetLab, 2016) e “Coleção Samba em primeira pessoa’’ (Pólen, 2018). | Foto: Arquivo Pessoal

A perda de especificidade/foco na população negra é evidente, porém são inegáveis os avanços inscritos, por exemplo, nos artigos 3º (que prevê que um dos objetivos fundamentais da República é promover o bem de todos, sem discriminação), 5º (imprescritibilidade e inafiançabilidade do crime de racismo), 7º (sobre trabalho e proibição de diferenças salariais com base na raça), 68º do ato das disposições transitórias (que trata do reconhecimento e titulação de terras de remanescentes de quilombos), entre outros.

A luta por direitos não se encerra na sua inscrição no ordenamento jurídico e os dois últimos anos da história brasileira tornam tal afirmativa muito evidente. O livro é, portanto, a narrativa das estratégias de luta da geração de ativistas negros das décadas de 1970/80, responsável pela institucionalização da temática racial.

Para os tempos atuais, tal história ganha nova importância e se coloca como ferramenta para se repensar estratégias, uma vez que o contexto de não reconhecimento das desigualdades estruturais entre negros e brancos parece retornar ao discurso estatal.

Esse ano a constituição está fazendo 30 anos e estamos vivendo um momento político que aponta para retrocessos, uma tentativa do não cumprimento de alguns direitos sociais, principalmente os trabalhistas, que foram inscritos num processo muito intenso da participação popular civil. Eu acredito que escrevê -lo [livro] agora é um modo de visibilizar as lutas que aconteceram há 30 anos e de lembrar a cada um de nós, inclusive a mim mesma, que sempre vivi num contexto democrático, de que a luta por direitos não se encerra.”

 

Categorias
Cultura Literatura

Mulheres negras na biblioteca e a visibilidade na literatura


Por Marina Souza

O Mulheres Negras na Biblioteca é uma ação que visa proporcionar maior visibilidade às autoras negras, através de eventos gratuitos e divulgação de obras literárias.

Em 2016 quatro amigas, do curso técnico de Biblioteconomia da ETEC, perceberam que não existiam escritoras negras no acervo bibliotecário da instituição. A fim de mudar aquela realidade pediram doações no Facebook, distribuíram cartazes, realizaram bate-papos e eventos com autoras contemporâneas. Durante o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) elas estudaram sobre a importância de obras negras numa biblioteca e descobriram que essa invisibilidade ainda é algo muito presente na maioria destes locais. “Não há demanda” é a justificativa mais utilizada pelos responsáveis dos estabelecimentos quando são questionados a respeito.

“Se não lemos todos os passos criativos da nação, estamos lendo uma nação em pedaços, estamos lendo uma nação incompleta.” – Conceição Evaristo

Em setembro daquele ano as estudantes Carine Souza e Iara Moraes decidiram se aprofundar na luta e criaram o Coletivo Mulheres na Biblioteca, ao lado das amigas Ketty Valencio e Juliane Sousa. A ideia era aumentar o público leitor de autoras negras, incentivar à leitura e realizar oficinas de poesia, saraus culturais e clubes de análise literária. O plano futuro, segundo Carine, é apostar no cenário audiovisual, fazendo entrevistas com diversas escritoras.

Da esquerda para a direita: Juliane Sousa (jornalista, ambientalista, apresentadora de rádio e televisão, coordenadora de produção, roteirista e poeta), Carine Souza (graduanda em Letras, técnica em Biblioteconomia, ela trabalha com produção e revisão de textos), Iara Moraes (formada como Artista-educadora e técnica em Biblioteconomia, ela ministra oficinas de encadernação). A quarta integrante, que não aparece na foto, é Ketty Valencio (bibliotecária, livreira e proprietária da Livraria Africanidades) | Foto: Fridas Comunica e Fotografa

Atualmente o programa Valorização de Iniciativas Culturais (VAI) é responsável pelo financiamento dos eventos do grupo, que acontecem em diferentes pontos da capital paulista, às vezes na rua, outras em bibliotecas. Nesta semana, o grupo está organizando uma série de eventos na Biblioteca Menotti Del Picchia, localizada em um bairro periférico da Zona Norte.

“O projeto visa contribuir no combate ao racismo e sexismo, que estão ainda mais evidentes nesses tempos sombrios. Acreditamos que o Coletivo já causou uma grande revolução, considerando que falamos a partir de três lugares áridos na nossa sociedade: a literatura, pois sabemos que estamos em um país que pouco lê; a biblioteca, que é um lugar de poder ainda pouco frequentado; e a literatura de mulheres negras.”, diz Juliane quando questionada sobre a importância do projeto.

Clube de leitura realizado pelo Mulheres na Bibliotecas. Os textos são lidos em voz alta e depois discutidos entre as participantes | Foto: Marina Souza

Na página do Facebook é possível encontrar sugestões e links para downloads de diversas obras escritas por mulheres negras brasileiras e estrangeiras, além disso você acompanha a divulgação dos próximos eventos do coletivo.

 

 

Categorias
Sem categoria

Circulando de Oyá: o projeto que fortalece as estudantes negras do Brasil

Por Marina Souza

O movimento da UNEAFRO, que possui 24 núcleos, é responsável por articular as causas estudantis, populares e raciais entre si, exemplo disto é a sua forte luta pela implementação de políticas afirmativas nos espaços universitários. Atualmente o grupo está organizando um projeto que visa capacitar e empoderar as estudantes negras da entidade. Permanência estudantil, materiais qualificados e auxílio de profissionais para discentes negras são os grandes objetivos  almejados nesta iniciativa.

O grupo Pretas-UNEAFRO é formado somente por mulheres pretas e promove diversas ações educacionais defensoras dos Direitos Humanos. Foi através dele que surgiu o chamado Circuladô de Oyá, isto é, um projeto que busca a criação de uma rede de fortalecimento das mulheres negras estudantes da UNEAFRO para a atuação política e social.

Você pode colaborar com a iniciativa participando do financiamento coletivo online, criado com intenção de arrecadar R$ 44.870,00 para transformar as vidas de 690 estudantes e 24 núcleos de Educação Popular da UNEAFRO Brasil. A ação ficará disponível somente até quinta-feira (29), por isso pesquise, apoie e divulgue.

“As mulheres negras costumam ser as primeiras a desistirem dos estudos, isso acontece por diversas razões. E foi pensando nessa problemática que criamos o projeto, visando o fortalecimento de uma rede de proteção que dê condições para essas meninas permanecerem nos cursinhos pré-vestibulares.

Junto com alunas e coordenadoras, a partir da realidade de cada quebrada, a gente vai construir essa rede e fazer todas atingirem o objetivo: entrar na universidade.”, diz Vanessa Nascimento, 36 anos, coordenadora de projetos e integrante do Conselho Geral da UNEAFRO Brasil.

 

Categorias
Cultura

O que representa ‘Salve’, o novo hit de Viegas

Por Marina Souza

Na última quinta-feira (22), o cantor Viegas lançou um clipe no maior canal da América Latina, o Kondzilla, com a música “Salve”, que já ultrapassou cinquenta mil curtidas.

“O processo se deu de forma natural, venho buscando uma nova fase do meu trabalho, na qual quero levar minha mensagem para o máximo de pessoas possível. Eu queria muito traduzir de uma maneira feliz, pra frente e esperançosa tudo aquilo que tenho vivido. Já fiz muita coisa voltada somente a reflexão e dificuldade, mas hoje estou vivendo uma fase muito boa da minha vida, quero mostrar que é possível e podemos quebrar barreiras.”, diz o cantor

Nascido e crescido em Guaianazes, na Zona Leste paulistana, Marcos Aurélio, mais conhecido como Viegas, entrou no cenário musical através de uma coincidência curiosa. Ele conta que houve um dia, há quinze anos, em que estava na rua quando um grupo de garotos o parou para perguntar se ele gostaria de participar de um teste para ser vocalista da banda deles. Viegas acredita que o convite inusitado surgiu devido aos seus dreads e revela que aceitou a proposta, tornando-se o novo vocal do grupo. A banda encerrou os trabalhos cinco anos após o episódio, mas Viegas decidiu continuar investindo na carreira musical e iniciou seu projeto solo.

“No início eu tinha certo receio de trabalhar com o Kondzilla por ele ser o maior canal do Brasil e muito focado na linha do funk. Mas sabia que se eu fizesse isso, seria usando outra característica, com a minha linguagem. A equipe foi super compreensiva.”

“A letra de ‘Salve’ veio para mim de uma maneira muito natural. Um dia um amigo veio me imitar dizendo ‘salve, salve!’ eu percebi que isso era algo muito presente em mim e comecei a pensar sobre a palavra em si. Ela tem um contexto de solucionar, proteger, trazer ideias, conselhos, visões e é representada até no cumprimento do Axé.”

 

 

Categorias
Cultura Mulheres Negras

Primeira mostra de audiovisual traz convidados que estiveram atrás das câmeras

Foto: Marina Souza

Por Marina Souza

“Por ser a primeira mostra de audiovisual da Feira Preta, pensamos no evento com caráter cultural, e não competitivo, temos os objetivos de incentivar a produção audiovisual do nosso público jovem, preto e periférico. Queremos divulgar o cinema de guerrilha independente, além de contribuir com o calendário cultural da cidade e se estabelecer como uma opção de entretenimento, informação e cultura.”

Essa foi a frase dita por Maria Magalhães, uma das curadoras da 1ª Mostra Feira Preta de Audiovisual, sobre os eventos que aconteceram nos dias 18 e 19 de novembro, no espaço  Matilha Cultural,  localizado na região central da capital paulista. Rodas de conversas, recheadas de debates com os diretores, produtores e atores de alguns dos curtas, médias e longa-metragens ali exibidos, aconteceram em vários momentos da mostra, permitindo que os espectadores compartilhassem perspectivas e análises do atual mercado cinematográfico nacional. Os eventos tiveram a organização do coletivo Visionários da Quebrada e da produtora Terra Preta.

Maria Magalhães, 26 anos, é produtora cultural e faz parte do coletivo Visionários da Quebrada

Contrariando o forte racismo ainda presente no meio artístico, os processos de produção dos filmes e da articulação dos eventos foram protagonizados por negros,  o que contribuiu em diversas questões como representatividade, empoderamento, valorização e respeito aos 54% da população brasileira.

“É importante que isso [evento] aconteça para que a gente possa ganhar poder e entender as ferramentas de combate que temos, e a Feira é uma delas. É arte, cultura, empoderamento, conhecimento, força, poder e necessário. Muito necessário. Todo esse afeto que ela emana resulta em entender que você não está sozinho.”, diz Rodrigo Portela, um dos curadores, quando questionado sobre a importância do evento. 

Foto: Marina Souza

“Tem galera que faz filme com quatro milhões de reais diz que é cinema independente. O cinema independente brasileiro tem uma divisão. Tem gente que gasta quinhentos mil, quatro milhões, enquanto há aqueles que não têm recurso nenhum, tirando do zero, levando marmita de casa e pedindo câmera emprestada. Eu respeito muito os dois, mas não gosto de colocar tudo mesmo ‘bolo’. Tem a galera de quebrada”, completa.

Maria Magalhães relembra ainda que as culturas das periferias sempre existiram, sobretudo na poesia e no teatro, e  ressalta que estão apenas revelando essas histórias. Um exemplo disto é o estilista e criador do PIM (Periferia Inventando Moda), Alex Santos, que que forma profissionais para atuar no mercado.

“Hoje, a gente sabe o que está sendo feito e quem está fazendo. Me interessa muito saber quem está produzindo lá no Grajaú, na Zona Norte, na Zona Leste. Existe uma produção cultural intensa de uma rapaziada jovem, politizada, consciente, que promove saraus, debates e produz bastante. O poder público deveria ajudar mais. Há algumas iniciativas, como editais mais democráticos que não elitizam tanto os meios de produção. Isso é essencial. Mas a gente não pode depender disso também, tem que fazer cinema com as próprias mãos.”, enfatiza Magalhães.

Veja a seguir alguns dos filmes que foram exibidos na Feira:

PRETAS G

Direção – Rodrigo Portela
Produção – Thaty Vieira
Produtora – Terra Preta Produções

Nós, mulheres pretas e gordas, não temos visibilidade. Eu assisti a uma entrevista com uma modelo plus size que é comparada à Gisele Bündchen, loira e padrão dentro de uma ‘branquitude’. Comecei então a procurar sobre mulheres negras que fossem gordas, achei alguns blogs independentes, mas nada muito forte. Não achava nada sobre elas, mas encontrei muita coisa sobre  brancas. Foi aí que eu conversei com o Rodrigo [Portela], entramos num consenso sobre fazer um documentário e um ensaio fotográfico. Produzimos na guerrilha, sem dinheiro.

A produção e o processo como um todo foram lindos e ajudaram a gente a se curar. Por mais que tenhamos  segurança em sermos mulheres pretas e gordas que amam a si próprias, nós também temos as nossas inseguranças. Foi emocionante, um ato de amor comigo mesma e com as outras pessoas.”, diz a produtora Thatyane Vieira.

Sinopse: PretasG é um documentário de curta metragem que abre espaço de fala para mulheres pretas gordas, para que elas possam compartilhar suas vivências e experiências estando de fato mais próximas da base da pirâmide social brasileira.

“Selecionamos sete mulheres muito diversas, de profissões, estilos de vida e vivências muito diferentes. Fizemos uma reunião com elas e apontamos todas as ideias, dizendo que não usaríamos o termo ‘plus size’ ou ‘gordinha’, falaríamos ‘preta’ e ‘gorda’”, diz o diretor Rodrigo Portela. 

A História de Mona

Sinopse: Escutamos a história de Mona, a primeira mulher negra com deficiência a atuar no Teatro Municipal de São Paulo, considerado um ícone da herança brasileira. É somente em 2017 – em um país predominantemente negro – que Mona tem a chance de subir ao palco.

Foto: Marina Souza

Mona , 40 anos, é formada em Nutrição e Enfermagem, mas atualmente trabalha como bailarina sob uma cadeira de rodas, rompendo barreiras e preconceitos. “A gente pode colocar esse documentário em qualquer momento, seja para falar de preconceito, segurança pública, deficiência ou mulher negra.  Hoje eu vivo feliz em saber que a minha história pode reverberar de alguma forma e transformar a vida dos nossos”, diz ela com um sorriso no rosto.

Tela Preta

“A Tela Preta é isso, ela veio desse lugar de inquietação. A gente quer falar de entretenimento, é claro que é político, a nossa presença por si só é política, mas também queremos falar de ouras coisas.”, diz Mariana Oliveira

Nem todos os integrantes do grupo moram no mesmo lugar, alguns deles estão no Rio de Janeiro, e os outros em São Paulo. Mesmo com a distância eles procuram se comunicar de maneira articulada para que não haja ruídos e o trabalho seja fortalecido.

Integrantes do canal Tela Preta na 1ª Mostra Feira Preta de Audiovisual/ Foto: Marina Souza

Visionários da Quebrada

Direção: Ana Carolina Martins
Produção: Maria Clara Magalhães

Sinopse:​ Personagens de várias quebradas de São Paulo nos guiam ao encontro de outros olhares sobre pessoas, filosofias, práticas e relações produzidas nas periferias da cidade. As histórias contadas por seus próprios protagonistas criam novos imaginários e narrativas sobre os saberes das periferias relacionados a moda, educação, gastronomia, dança, comunicação, entre outros temas. E revelam a potência de pessoas extraordinárias que, na construção cotidiana, fortalecem valores que promovem mudanças em suas comunidades.

Foto: Marina Souza

“É uma pesquisa que resultou num documentário que chamamos de filme-processo. Foi um registro da nossa vivência, na busca da nossa identidade nas nossas histórias. O processo foi feito de uma forma bem investigativa, pautada numa biografia, quase autobiografia.”, diz Ana Martins.

“Sou grata a equipe do Visionários. Tô rodeada de pessoas incríveis. Visionários é um laboratório.
A paixão em conjunto da equipe em querer realizar e se experimentar de alguma maneira através do seu ofício.”, completa Maria Magalhães.

Amor Maldito

Direção: Adélia Sampaio

Sinopse: Fernanda e Sueli vivem um tórrido romance. A relação passa por crises e Sueli acaba caindo nos braços de um mulherengo. Grávida e sem apoio, ela se suicida, mas as suspeitas da morte recaem sobre Fernanda.
“Esse filme foi retirado de um caso real. Outro dia meu filho me disse que quando lançou ele era muito pequeno e que, se olharmos pro agora, perceberemos que nada mudou. Pois é, não mudou nada, mas eu tentei passar a mensagem”, diz Adélia ao ser questionada sobre o fato de ter abordado o preconceito sofrido pelos LGBTs na época.
Adélia Santos foi a primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem no Brasil / Foto: Marina Souza
“Eu me locomovo com dificuldade, operei a coluna, mas mesmo de maca eu teria vindo, porque me interessa muito toda essa energia e movimentação”, diz ela com um sorriso estampado no rosto.
TRAVESSIA

Direção – Safira Moreira
Poema “Vozes Mulheres”, de Conceição Evaristo, na voz de Inaê Moreira

Sinopse: Travessia é um curta realizado a partir da memória estilhaçada, fruto do apagamento histórico da população negra no Brasil. “Por eu ser agora uma mulher negra com uma câmera na mão e muitos sonhos no peito, que o curta se fez”, diz a diretora. Foi no gesto de garimpar fotografias de mulheres negras nas feiras de antiguidade do Rio de Janeiro que ela encontrou a fotografia que abre o filme, todas as fotos nesse espaço provinham de álbuns de famílias brancas, logo, elas refletiam esse apagamento.

Motriz

Direção e Roteiro: Tais Amordivino
Realização: Ori Imagem e Som

Sinopse: No interior de Minas Gerais, onde o tempo passa devagar e a saudade teima a andar depressa, Bete, uma mulher de olhos caudalosos e sorriso largo, convive com a distância das filhas. Apesar disso, mãe e filha encontram no amor, a força motriz que as aproximam.

Rainha

Direção: Sabrina Fidalgo

Sinopse: Rita finalmente realiza o sonho de se tornar a rainha da bateira da escola de samba de sua comunidade, todavia ela terá que lutar contra forças obscuras internas e externas…

Eu pareço Suspeito?

Direção: Thiago Fernandes

Sinopse: Entre enquadros, prisões, invisibilidade, racismo e mortes muito próximas, o diretor inverte a lente e busca entender os motivos do seu estereótipo ser considerado suspeito.

Nos 4 Cantos do Jongo

Direção: Nancy Teixeira

Nos 4 Cantos do Jongo é um Projeto incentivado pela 14ª edição Programa Vai. É um trabalho de pesquisa em Jongo, junto a Mestres de 4 Comunidades Tradicionais: Guaratinguetá, Piquete, Lagoinha e Campinas. O Projeto também reuniu 4 Grupos de Jongo para Jongar e compartilhar suas trajetórias.

Baronesa

Direção: Juliana Antunes

Sinopse: Andreia quer se mudar. Leid espera pelo marido preso. Vizinhas em um bairro na periferia de Belo Horizonte, elas tentam se desviar dos perigos de uma guerra do tráfico e evitar as tragédias trazidas junto com a chuva.

Preto no Branco

Direção: Valter Rege

Sinopse: Roberto Carlos, 20 anos, jovem negro, encerrou o expediente e corre, em frente ao shopping onde trabalha para não perder o ônibus. Essa é sua versão. Sem que se dê conta é abordado violentamente por dois policiais que o algema e o joga dentro da viatura. Na delegacia é informado de que foi acusado de ter roubado a bolsa de uma jovem, Isabella. Mais do que isso, ele será reconhecido pela mesma. A acusação de Isabella é tão firme e a alegação de inocência de Roberto Carlos é tão tocante, que a delegada Patrícia não arrisca nenhum parecer. Instala-se o embate: Roberto alega inocência e Isabella, a culpa dele. Quem fala a verdade?

Quem te penteia?

Direção: Naná Prudencio Zalika e Nina Vieira Zalika Produções

Sinopse: “Quem te penteia?” é um filme idealizado e realizado em casas e vielas de bairros da periferia de São Paulo com a intenção de traduzir qual é a relação que trançadeiras a domicílio, salões de beleza, barbearias e moradores das quebradas estabelecem com o cabelo, o território e as estéticas que nascem das bordas da cidade. Do corte chavoso às tranças, o documentário discute assuntos como ancestralidade, autoestima e economia solidária. O fio condutor é a busca constante de ser e viver a identidade preta e periférica da forma mais livre possível.

Deus

Direção: Vinícius Silva

O projeto “DEUS”, um trabalho prático de conclusão do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal de Pelotas, consiste na realização de um filme curta-metragem, que está em processo de produção, o qual abordará a força de uma mãe negra da periferia de São Paulo e sua influência divina sobre o filho.

Cabelo Bom

Direção: Claudia Alves e Swahili Vidal

Como as mulheres negras são pressionadas esteticamente para que se enquadrem em padrões pré-estabelecidos? O documentário de curta metragem “Cabelo bom“ propõe fazer um recorte desse universo. O filme dá voz a três personagens que expõe a relação delas e seu cabelo crespo. Elas conseguem contar suas trajetórias de vida, histórias de preconceito e nos mostrar como a autoaceitação de suas raízes, capilares, inclusive, foi e é fundamental para se afirmarem como mulheres negras num país como o Brasil.

Eu, Oxum

Direção: Héloa e Martha Sales

Sinopse: O documentário “Eu, Oxum” , dirigido e roteirizado pela atriz e cantora Héloa e a cientista social e Yalaxé, Martha Sales, conta a sua história e sua relação com o orixá Oxum, e com outras cinco mulheres “filhas” do mesmo orixá, incluindo a Yalorixá Maria José de Santana, responsável pelo “Ilê Axé Omin Mafé, mais conhecida como “Mãe Bequinha”, que, também conta sua história, como a mais antiga “filha de Oxum” do município de Riachuelo, localizado na região do Vale do Cotinguiba-SE. São 25 minutos de uma narrativa de imagens e memórias do processo individual e diferenciado de cada uma dessas mulheres, em idade, tempo de inserção na religião, relações de parentesco e as funções que ocupam dentro desse espaço sagrado, onde Héloa imergiu e se encontrou em sua busca de espiritualidade, força ancestral, e reafirmação da mulher negra, sergipana em uma caminhada religiosa e ancestral. O filme possui a trilha sonora assinada por Vinícius Bigjohn e Klaus Sena, com canções dedicadas ao Orixá Oxum por artistas contemporâneos a Héloa, trazendo o retrato do sagrado feminino personificado na figura do orixá Oxum e a natureza dos rios e mares, baseada na imagética, arquétipo, características e elementos da natureza, da simplicidade estonteante do lugar representado no filme.

Não Demora

Direção: Direção e Roteiro DOUGLAS OLIVEIRA
Coletivo SALVA

Sinopse: Um garoto, uma mãe e um café da manhã. Hoje parece ser o dia em que ele finalmente resolveu contar pra mãe que é gay, mas parece que os segredos entre eles atrapalham a intimidade que um dia já foi tão natural.

Categorias
Genocídio Negro Mulheres Negras racismo Sem categoria

Vítimas do racismo, negros relembram momentos marcantes em suas vidas

Por Marina Souza

Todo 20 de novembro é a mesma coisa: “somos todos humanos”, gritam eles. Inspiro. Expiro. Mas a compreensão é ainda difícil. Do mesmo lado destes há também aqueles que reproduzem discursos com palavras de ordem mascarados de apoio, mas recheados de demagogia. De repente o Brasil não é um país racista. Por isso, a pergunta lhe faço: se não você, quem?

Quem nos humilhou na infância? Quem apontou o dedo do julgamento? Quem nos nega oportunidades? Quem nos menospreza diariamente? Quem reclama da vaga reservada pra cotista? Quem coloca um sorriso no rosto para me dizer que eu sou uma “negra linda”? Quem compartilha os memes do “negão do whatsapp”? Quem dá risada do Danilo Gentili? Quem gosta de nos hipersexualizar? Quem coloca a mão no nosso cabelo sem o menor consentimento? Quem pergunta se usamos shampoo? Quem considera “mimimi”? Quem desvia de nós nas ruas? Quem diz ter vários amigos negros para se justificar? Quem é negligente com o nosso sangue escorrendo no asfalto?

Caro leitor branco, sinto muito em lhe dizer que você não é tão exclusivo quanto gostaria de ser, acredite, você não é exceção. Isentar-se desta culpa nada mais é do que uma maneira de usufruir de privilégios que lhe são concedidos constantemente na sociedade estruturalmente racista em que vivemos.

O último país do mundo ocidental a abolir a escravidão ainda carrega graves cicatrizes e consequências deste período. Analisando alguns dados estatísticos é possível compreender melhor a dimensão do problema. O  Atlas da Violência 2018, realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, mostra que em 2016 a taxa de homicídios de negros no Brasil foi 2,5 vezes maior do que a de não negros. É possível também dizer que um jovem negro tem 2,71 mais chances de ser assassinado do que um branco.

Durante o período de 2006 a 2016 o país teve uma queda de 8% no número de homicídios de mulheres brancas, enquanto o das negras aumentou em 15,4%. Apesar de sermos 54% da população brasileira, a última pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, realizada em 2015, mostra que apenas 30% das pessoas com nível superior completo são pretas ou pardas, número que apesar de baixo, apresentou melhoras devido as políticas afirmativas de cotas raciais.

Confira abaixo alguns relatos sobre o racismo sofrido pelo povo preto brasileiro

Vinicius Lourenço, 25 anos, músico:

Lembro de quando tinha 13 anos e estava na escola, voltando do recreio, quando vi várias folhas com uma foto minha. Estavam coladas pelos corredores das salas com a legenda “chuta que é macumba.”

F. M., 19 anos, estudante de Rádio, Tv e Internet:

Eu era muito amiga dessa menina, ela é da minha faculdade, saíamos sempre. Tínhamos dado um “rolê” e depois fui dormir na casa dela. Quando acordei no outro dia ouvi ela conversando com a namorada sobre um dinheiro que havia sumido. Ela achava que eu havia roubado.

Genival Souza, 54 anos, professor universitário:

Teve uma vez que eu estava vestido todo de preto, saí da faculdade e entrei no estacionamento. Assim que eu cheguei perto do meu carro um outro professor me olhou e disse que eu havia demorado muito e ele estava me esperando para manobrar seu carro. Olhei para ele e disse que eu também dava aula ali.

Outra história parecida foi a vez em que eu fui fazer uma palestra e ao chegar no estacionamento do local o guarda disse que a entrada para o público era do outro lado. Eu disse que era palestrante, mas ele ficou duvidando e dizendo “você é mesmo palestrante?”

Flávia Campos, 18 anos, estudante de Relações Públicas:

Aos 6 ou 7 anos eu tinha algumas amigas que me diminuíam muito, elas falavam que eu era feia e meu cabelo era esquisito, por sorte tinham outras crianças negras para brincar comigo. Teve uma vez que eu estava com elas num parquinho e quando fomos brincar de Rebeldes uma delas me disse “você não pode participar porque é preta.” Cheguei em casa e chorei, isso me marcou muito.

Com uns 13 anos também rolou algo marcante. Teve um boato na minha escola de que um menino tinha ficado com uma garota negra e ficavam zoando ele por isso. Uma vez eu estava no shopping e mandaram uma foto minha para ele, dizendo “olha aqui mais uma negra pra você pegar.” Eu me senti muito mal, pensei que deveria ser um lixo para ninguém querer ficar comigo.

Artur Santos, 21 anos, estudante de Rádio, Tv e Internet:

Quando eu era criança e meus tios e primos iam comigo a alguma piscina ou rio eles ficavam falando molha o cabelo, Artur! Parece que nem entra água nele de tão ruim.” E assim, eu fui crescendo sofrendo isso dentro da família. Por conta deles, eu sempre evito ir até a cidade da minha avó.

Teve também uma vez que eu estava num shopping com meus pais voltando do cursinho. Entramos numa loja e eu fui ver algumas coisas, me distanciei deles alguns metros e foi aí que percebi que estava sendo seguido pelo segurança da loja. Eu fiquei andando por uns 5 minutos e durante todo esse tempo ele me seguiu pelos corredores. Fiquei muito puto com isso porque percebi que ele só tava me seguindo pelo fato de eu ser um preto que estava mal vestido” pra um shopping, com uma blusa de moletom cinza, calça jeans e minha bolsa cheia de material do cursinho. Reencontrei meus pais e adivinha quem saiu da minha sombra? O segurança. Coincidência, não?!

Ah, outro momento marcante foi quando jogava bola com um amigo no condomínio em que moramos e um cara de fora gritou “levanta, macaco imundo!”

A. M., 37 anos, pedagoga: 

Pode parecer impressão, mas o que percebo é que para os pais [dos alunos] eu tenho que me impor desde o início, mostrar serviço o mais rápido possível e provar minha competência. Coisas que minhas colegas brancas não precisam. Sou negra, 1,72 de altura, cabelo black, tenho um jeito bem sério – ou como dizem de uma negra metida” -, hoje tenho um cargo no Estado e estou entrando na Prefeitura de São Paulo. Como auxiliar de creche acredito que passei pelo mais claro e também o mais velado dos preconceitos. Logo quando entrei havia uma mãe, loirinha de olhos verdes, que nunca entregava o filho para mim.  Pensei inicialmente que era por eu ser nova no local, mas um mês se passou e nada, ás vezes ela ficava sentada durante 30 minutos esperando a outra auxiliar chegar. Comecei a cativar a criança na sala, brincava com ela, fazia questão de alimentar e me dediquei bastante. Um dia ela pediu meu colo na entrada,  mas a mãe não deixou e disse ao filho tem certeza que você quer ir com esta negra?
Aí eu entendi tudo.

C. G., 39 anos, designer gráfico:

Fui selecionado para uma entrevista de emprego, cheguei adiantado ao local e entreguei meu currículo para a recepção. Apareceu uma senhora toda “chique”, cumprimentou a gente, falou com a recepcionista e voltou para a sua sala. Depois de algum tempo fui chamado para entrar ali e, quando entrei, vi que a mulher  segurava meu currículo nas mãos e não acreditava que eu era o entrevistado. Ela ficava olhando para mim e perguntando se eu realmente era aquela pessoa.

Laís Ramires, 21 anos, estudante de Relações Públicas:

Eu ainda tinha a idealização de que as pessoas dali [universidade] fossem mais conscientes sobre diversas questões envolvendo identidade. A minha professora de Comunicação e Expressão falou na frente da sala inteira, durante o primeiro dia de aula do terceiro semestre, que quando as pessoas me olhavam tinham uma impressão negativa.

Eliane Helfstein, 37 anos, assistente administrativa:

Isso foi mais ou menos aos 13 anos de idade, eu havia juntado dinheiro trabalhando e fui até uma loja de roupa com uma das minhas quatro irmãs para comprar um cardigã. A vendedora, que se reportava somente à minha irmã, que tem pele clara, perguntou o que ela desejava, então eu disse que era eu quem queria comprar a blusa da vitrine. Foi aí que a moça falou que eu não gostaria dessa roupa porque era muito cara e que havia outra na promoção.

Outro episódio que me marcou foi no final do meu curso. A coordenadora da instituição me indicou a uma vaga em uma clínica de uma amiga dela, dando a contratação como certa, uma vez que ela indicou isso seria o diferencial. Entusiasmada com a primeira oportunidade na área que tinha escolhido para seguir carreira, fui levar o currículo na clínica, que ficava em uma região nobre de São Paulo. Ao chegar na recepção todos me olhavam como um ser de outro mundo, me reportei à recepcionista dizendo que havia sido indicada e estava lá para entregar meu currículo. Após anunciada esperei por volta de 30 minutos até que a responsável viesse até mim, então, após me olhar dos pés a cabeça, quase que com desprezo, ela disse Ah, Eliane é você…” Pegou meu currículo, não me dirigiu mais nenhuma palavra e virou as costas, sem nenhum retorno. Foi a pior sensação que tive na minha vida, cheguei em casa e contei às lágrimas a situação ao meu marido.

Dayana Natale, 19 anos, estudante de Jornalismo:

Eu era bem pequena, devia ter uns 7 anos e estudava num colégio particular em que a maioria dos alunos eram brancos. Algumas meninas faziam muito bullying comigo, me chamavam de velha preta da macumba” e falavam que meu cabelo era ruim. Eu tinha um black e me zoavam muito, diziam que ele parecia um microfone e não molhava 

A. M., 35 anos, auxiliar administrativa:

Minha irmã é negra e tem 43 anos. Uma vez ela foi passear com seu filho, Théo, de 2 anos, que pediu para ir ao banheiro no decorrer do passeio. Ela o levou para lá e uma mulher perguntou o porquê dela não usar uniforme. Minha irmã, sem entender nada, pediu uma explicação. Então a mulher falou você é a babá dessa criança e não usa uniforme.” Uma observação importante a ser feita é que o Théo é branco. Minha irmã falou que ele era seu filho e a moça ainda perguntou se era adotado.

Sophia de Mattos, 22 anos, estudante de Jornalismo:

Eu nunca conheci uma pessoa preta que não tenha passado por racismo, é sempre uma luta constante. Quando eu estava na 1ªsérie só havia eu e mais um garoto de negros na sala. No carnaval, a minha mãe comprou uma fantasia de fada para eu usar na comemoração que a escola faria. Todos assistimos à aula fantasiados e no intervalo um grupo de meninas brancas me rodeou perguntando o porquê eu estava vestida de fada já que não existem fadas negras. Elas falaram que fadas não tinham meu tipo de cabelo, nem usavam tênis.

Teve também uma vez em que eu estava comendo, sujei a minha blusa de macarrão e uma menina falou que não havia problema porque minha pele já era suja.

Barbara Martins, 21 anos, estudante de Direito: 

Nesse ano alguns meninos da minha sala fizeram uma aposta para ver qual menina iria desistir primeiro do curso. Três nomes da minha sala foram citados, um deles era o meu. Sabemos que a aposta foi misógina, mas no meu caso também houve racismo, porque as minhas notas são altas e a frequência é boa, não tinha nada que indicasse que eu desistiria do curso em algum momento.

Mateus Ribeiro, 18 anos, estudante de Cinema:

Quando eu era menor estudava numa escola particular com poucos alunos negros e tinha uma realidade muito diferente da dos meus colegas que ganhavam mesada e presente toda semana. Ficavam me zoando muito, não me deixavam jogar ping pong, falavam que o meu cabelo era “bombril”, zoavam meu pai por não ter um carrão e diziam que ele havia cagado na mão e passado em mim quando nasci.

Categorias
Política racismo

Sobre o conceito de “Consciência Negra”. Leia e saia da ignorância!

 

Por Douglas Belchior, da Uneafro Brasil

 

Steve Biko, ativista negro sul-africano antiapartheid,  foi assassinado aos 30 anos de idade, em setembro de 1977, pelas forças da repressão do estado racista deste país. Fundou, em 1968, a Organização dos Estudantes Sul-africanos (Saso, na sigla em inglês), e propagou pelo mundo o slogan “black is beautiful” (o negro é lindo). Biko forjou o conceito de Consciência Negra a partir da ideia de que era preciso que a população negra libertasse sua consciência e encontrasse sua própria identidade. 

Consciência Negra seria, em essência, a percepção por parte da pessoa negra, de sua necessidade em reunir forças junto aos seus irmãos em torno da causa de sua atuação – a negritude de sua pele – e de agir como um grupo, a fim de se libertarem das correntes da servidão. A aspiração de negras e negros conscientes de sua própria história seria a própria revolução, pois “não podemos ter consciência do que somos e ao mesmo tempo permanecermos em cativeiro”. Negras e negros, uma vez conscientes, não se submetem a ser meros apêndices da sociedade branca racista. São aquelas e aqueles que, juntos, dirigem suas próprias vidas e conseguem seguir com a “cabeça erguida em desafio”.

Em tempos de obscurantismo em que a produção de conhecimento pouco tem valor e em que o revisionismo histórico míope e irresponsável ganha status de política de estado, é fundamental resgatar os acúmulos da luta revolucionária do povo negro, como resposta à insensatez e à barbárie.

À você, branco ou negro, que tende a responder com as frases prontas do tipo: “Consciência Branca” ou “Somos todos Humanos”, conheça o conceito de Consciência Negra, e saia da ignorância!

Abaixo, o célebre texto de Stive Biko, escrito em Dezembro de 1971.

———-

A definição da Consciência Negra

Em nosso manifesto político definimos os negros como aqueles que, por lei ou tradição, são discriminados política, econômica e socialmente como um grupo na sociedade sul-africana e que se identificam como uma unidade na luta pela realização de suas aspirações. Tal definição manifesta para nós alguns pontos:

1- Ser negro não é uma questão de pigmentação, mas o reflexo de uma atitude mental;
2- Pela mera descrição de si mesmo como negro, já se começa a trilhar o caminho rumo à emancipação, já se esta comprometido com a luta contra todas as forças que procuram usar a negritude como um rótulo que determina subserviência.

A partir dessas observações, portanto, vemos que a expressão negro não é necessariamente abrangente, ou seja, o fato de sermos todos não brancos não significa necessariamente que todos somos negros. Existem pessoas não brancas e continuarão a existir ainda por muito tempo. Se alguém aspira ser branco, mas sua pigmentação o impede, então esse alguém é um não branco. Qualquer pessoa que chame um homem branco de “Baas” (“Senhor”, na língua africâner. Tratamento que os brancos exigem dos negros. N.T.), qualquer um que sirva na força policial ou nas Forças de Segurança é, ipso facto, um não branco. Os negros – os negros verdadeiros – são os que conseguem manter a cabeça erguida em desafio, em vez de entregar voluntariamente sua alma ao branco.

Assim, numa breve definição, a Consciência Negra é, em essência, a percepção pelo homem negro da necessidade de juntar forças com seus irmãos em torno da causa de sua atuação – a negritude de sua pele – e de agir como um grupo, a fim de se libertarem das correntes que os prendem em uma servidão perpétua. Procura provar que é mentira considerar o negro uma aberração do “normal”, que é ser branco. É a manifestação de uma nova percepção de que, ao procurar fugir de si mesmos e imitar o branco, os negros estão insultando a inteligência de quem os criou negros. Portanto, a Consciência Negra toma conhecimento de que o plano de Deus deliberadamente criou o negro, negro. Procura infundir na comunidade negra um novo orgulho de si mesma, de seus esforços, seus sistemas de valores, sua cultura, religião e maneira de ver a vida.

A inter-relação entre a consciência do ser e o programa de emancipação é de importância primordial. Os negros não mais procuram reformar o sistema, porque isso implica aceitar os pontos principais sobre os quais o sistema foi construído. Os negros se acham mobilizados para transformar o sistema inteiro e fazer dele o que quiserem. Um empreendimento dessa importância só pode ser realizado numa atmosfera em que as pessoas estejam convencidas da verdade inerente à sua condição. Portanto, a libertação tem importância básica no conceito de Consciência Negra, pois não podemos ter consciência do que somos e ao mesmo tempo permanecermos em cativeiro. Queremos atingir o ser almejado, um ser livre.

O movimento em direção à Consciência Negra é um fenômeno que vem se manifestando em todo o chamado Terceiro Mundo. Não há dúvidas de que a discriminação contra o negro em todo o planeta tem origem na atitude de exploração, por parte do homem branco. Através da História, a colonização de países brancos pelos brancos resultou, na pior das hipóteses, numa simples fusão cultural ou geográfica, ou, na melhor, no abastardamento da linguagem. É verdade que a história das nações mais fracas é moldada pelas nações maiores, mas em nenhum lugar do mundo atual vemos brancos explorando brancos numa escala ainda que remotamente semelhante ao que ocorre na África do Sul. Por isso somos forçados a concluir que a exploração dos negros não é uma coincidência. Foi um plano deliberado que culminou no fato de até mesmo os chamados países independentes negros não terem atingido uma independência real.

Com esse contexto em mente, temos de acreditar então que essa é uma questão de possuir ou não possuir, em que os brancos foram deliberadamente determinados como os que possuem, e os negros os que não possuem. Entre os brancos na África do Sul, por exemplo, não existe nenhum trabalhador no sentido clássico, pois até mesmo o trabalhador branco mais oprimido tem muito a perder se o sistema for mudado. No trabalho, várias leis o protegem de uma competição por parte da maioria. Ele tem o direito de voto e o utiliza para eleger o governo nacionalista, uma vez que os considera os únicos que, por meio das leis de reserva de empregos, se esforçam em cuidar de seus interesses contra uma competição por parte dos “nativos”.

Devemos então aceitar que uma análise de nossa situação em termos da cor das pessoas desde logo leva em conta o determinante único da ação política – isto é, a cor – ao mesmo tempo que descreve, com justiça, os negros como os únicos trabalhadores reais na África do Sul. Essa análise elimina de imediato todas as sugestões de que algum dia pode haver um relacionamento efetivo entre os verdadeiros trabalhadores, ou seja, os negros, e os trabalhadores brancos privilegiados, já que mostramos que estes últimos são os maiores sustentáculos do sistema. Na verdade o governo permitiu que se desenvolvesse entre os brancos uma atitude anti-negro tão perigosa que ser negro é considerado quase um pecado, e por isso os brancos pobres – que economicamente são os que estão mais próximos dos negros – assumiram uma postura extremamente reacionária em relação a eles, demonstrando a distância existente entre os dois grupos. Assim, o sentimento antinegro mais forte se encontra entre os brancos muito pobres, a quem a teoria de classes convoca para se unirem aos negros na luta pela emancipação. É esse tipo de lógica tortuosa que a abordagem da Consciência Negra procura erradicar.

Para a abordagem da Consciência Negra, reconhecemos a existência de uma força principal na África do Sul. Trata-se do racismo branco. Essa é a única força contra a qual todos nós temos de lutar. Ela opera com uma abrangência enervante, manifestando-se tanto na ofensiva quanto em nossa defesa. Até hoje seu maior aliado vem sendo nossa recusa em nos reunirmos em grupo, como negros, pois nos disseram que essa atitude é racista. Desse modo, enquanto nos perdemos cada vez mais num mundo incolor, com uma amorfa humanidade comum, os brancos encontram prazer e segurança em fortalecer o racismo branco e explorar ainda mais a mente e o corpo da massa de negros que não suspeitam de nada. Os seus agentes se encontram sempre entre nós, dizendo que é imoral nos fecharmos num casulo, que a resposta para nosso problema é o diálogo e que a existência do racismo branco em alguns setores é uma infelicidade, mas precisamos compreender que as coisas estão mudando. Na realidade esses são os piores racistas, porque se recusam a admitir nossa capacidade de saber o que queremos. Suas intenções são óbvias: desejam fazer o papel do barômetro pelo qual o resto da sociedade branca pode medir os sentimentos do mundo negro. Esse é o aspecto que nos faz acreditar na abrangência do poder branco, porque ele não só nos provoca, como também controla nossa resposta a essa provocação. Devemos prestar muita atenção neste ponto, pois muitas vezes passa despercebido para os que acreditam na existência de uns poucos brancos bons. Certamente há uns poucos brancos bons, do mesmo modo que há uns poucos negros maus.

Mas o que nos interessa no momento são atitudes grupais e a política grupal. A exceção não faz com que a regra seja mentirosa – apenas a confirma.

Portanto, a análise global, baseada na teoria hegeliana do materialismo dialético, é a seguinte: uma vez que a tese é um racismo branco, só pode haver uma antítese válida, isto é, uma sólida unidade negra para contrabalançar a situação. Se a África do Sul deve se tornar um país em que brancos e negros vivam juntos em harmonia, sem medo da exploração por parte de um desses grupos, esse equilíbrio só acontecerá quando os dois opositores conseguirem interagir e produzir uma síntese viável de idéias e um modus vivendi. Nunca podemos empreender nenhuma luta sem oferecer uma contrapartida forte às raças brancas que permeiam nossa sociedade de modo tão efetivo.

Precisamos eliminar de imediato a ideia de que a Consciência Negra é apenas uma metodologia ou um meio para se conseguir um fim. O que a consciência Negra procura fazer é produzir, como resultado final do processo, pessoas negras de verdade que não se considerem meros apêndices da sociedade branca. Essa verdade não pode ser revogada. Não precisamos pedir desculpas por isso, porque é verdade que os sistemas brancos vêm produzindo em todo mundo grande número de indivíduos sem consciência de que também são gente. Nossa fidelidade aos valores que estabelecemos para nós mesmo também não pode ser revogada, pois sempre será mentira aceitar que os valores brancos são necessariamente os melhores. Chegar a uma síntese só é possível com a participação na política de poder. Num dado momento, alguém terá que aceitar a verdade, e aqui acreditamos que nós é que temos a verdade.

No caso de os negros adotarem a Consciência Negra, o assunto que preocupa principalmente os iniciados é o futuro da África do Sul. O que faremos quando atingirmos nossa consciência? Será que nos propomos a chutar os brancos para fora do país? Eu pessoalmente acredito que deveríamos procurar as respostas a essas perguntas no Manifesto Político da SASO e em nossa análise da situação da África do Sul. Já definimos o que para nós significa uma integração real, e a própria existência de tal definição é um exemplo de nosso ponto de vista. De qualquer modo, nos preocupamos mais com o que acontece agora que com o que acontecerá no futuro. O futuro sempre será resultado dos acontecimentos presentes.

Não se pode subestimar a importância da solidariedade dos negros com relação aos vários segmentos da comunidade negra. No passado houve muitas insinuações de que uma unidade entre negros não era viável porque eles se desprezam um ao outro. Os mestiços desprezam os africanos porque, pela proximidade com esses últimos, podem perder a oportunidade de serem assimilados pelo mundo branco. Os africanos desprezam os mestiços e os indianos por várias razões. Os indianos não só desprezam os africanos mas, em muitos caso, também os exploram em situações de trabalho e de comércio. Todos esses estereótipos provocam uma enorme desconfiança entre os grupos negros.

O que se deve ter sempre em mente é que:

1. Somos todos oprimidos pelo mesmo sistema;
2. Ser oprimidos em graus diferentes faz parte de um propósito deliberado para nos dividir não apenas socialmente, mas também com relação às nossas aspirações;
3. Pelo motivo citado acima, é preciso que haja uma desconfiança em relação aos planos do inimigo e, se estamos igualmente comprometidos com o problema da emancipação, faz parte de nossa obrigação chamar a atenção dos negros para esse propósito deliberado;
4. Devemos continuar com nosso programa, chamando para ele somente as pessoas comprometidas e não as que se preocupam apenas em garantir uma distribuição equitativa dos grupos em nossas fileiras. Esse é um jogo comum entre os liberais. O único critério que deve governar toda nossa ação é o compromisso.

Outras preocupações da Consciência Negra dizem respeito às falsas imagens que temos de nós quanto aos aspectos culturais, educacionais, religiosos e econômicos. Não devemos subestimar essa questão. Sempre existe uma interação entre a história de um povo, ou seja, seu passado, e a fé em si mesmo e a esperança em seu futuro. Temos consciência do terrível papel desempenhado por nossa educação e nossa religião, que criaram entre nós uma falsa compreensão de nós mesmos. Por isso precisamos desenvolver esquemas não apenas para corrigir essa falha, como também para sermos nossas próprias autoridades, em vez de esperar que os outros nos interpretem. Os brancos só podem nos enxergar a partir de fora e, por isso, nunca conseguirão extrair e analisar o etos da comunidade negra. Assim, e para resumir, peço a esta assembléia que procure o Manifesto Político da SASO, que apresenta os pontos principais da Consciência Negra. Quero enfatizar novamente que temos de saber com muita nitidez o que queremos dizer com certas expressões e qual o nosso entendimento quando falamos de Consciência Negra.

 

“A Definição da Consciência Negra”, escrito por Bantu Steve Biko, em dezembro de 1971.

Resgate do Núcleo de Estudantes Negras “Ubuntu” / Universidade do Estado da Bahia – UNEB

Categorias
Mulheres Negras racismo

Você não é racista? Então pratique seu antirracismo!

“Numa sociedade racista, não basta não ser racista. É necessário ser antirracista.”

Angela Davis

 

Por Douglas Belchior

 

A afirmação  da filósofa socialista e militante do Partido dos Pantegras Negras, Angela Davis, sintetiza a necessidade de ação por parte de todas e todos aquelas e aqueles que desejam uma sociedade justa e livre da principal marca característica do Brasil: o racismo.

Viveremos um governo de extrema direita que promete retirar direitos sociais, aumentar repressão e violência do estado, perseguir movimentos sociais, lideranças políticas, mulheres, gays e negras e negros. Mas, mais que temer ou lamentar o que está por vir , é necessário agir! Mais que palavras e desabafos em redes sociais, são necessárias práticas que alimentem a reação dos de baixo contra a opressão.

O fascismo que brota nas esquinas e transborda nas urnas é velho conhecido do povo negro e periférico. Em tempos de derrotas eleitorais, muito se diz: “Precisamos voltar às bases!”. Mas, será que esta é a melhor forma de atuar? Não seria mais eficaz e honesto criar condições para que deste lugar que chamam “base”, se organize a resistência, com autonomia e liberdade?

A Uneafro Brasil é um movimento de educação popular, comunitária e antirracista que há 10 anos se organiza a partir das periferias de São Paulo e outros 5 estados, atuando na luta por educação e pelo direito à vida.

Este trabalho precisa de reforço, apoio e solidariedade prática. Neste exato momento, mulheres negras da Uneafro transformam choro em sorriso, a dor em força, a fraqueza em fé e os sonhos em realidade! Através do projeto Circuladô de Oyá, uma rede de fortalecimento de mulheres negras, busca-se condições para manter o grupo em atividade, dando continuidade aos estudos, se auto- protegendo, se acolhendo e se formando para uma atuação política e social em suas próprias comunidades. Assista o vídeo.

 

 

Cada um de nós pode colaborar financeiramente através da plataforma neste link abaixo. Cada um de nós pode também se somar ao movimento de educação popular organizado pela Uneafro nas periferias de SP e do Brasil para desempenhar diversos papeis.

Conheça a proposta e junte-se a nós. A luta prática é o melhor remédio para a doença do fascismo!

ACESSE AQUI e colabore com o projeto Mulheres Negras Uneafro.

Conheça a Uneafro e fortaleça nossa luta! ACESSE AQUI.

 

Uma questão de humanidade. Ou você não é?

A casa, o bairro onde mora.

A escola boa de ensino fundamental ou médio ou a Universidade onde seu filho estuda. Ou onde você estudou.

Sua empresa, seu departamento, a academia que frequenta, o bom restaurante em que leva a família, a balada que frequenta com seus amigos.

Faça o teste do pescoço, proposto pela amiga Luh Souza, e perceba:

Se não há negros usufruindo dos serviços e dos prazeres, se eles estão apenas servindo, trabalhando ou pior, se sequer estão, qual a sua reação? Qual o seu sentimento? Qual seu questionamento? Indignar-se é pouco. O que faz para mudar essa realidade, objetivamente?

Já se foi o tempo da percepção.

Vivemos hoje o tempo das ações.

Ou age para mudanças ou não será apenas beneficiário indireto e cúmplice, mas promotor co-responsável pelos resultados das desigualdades e das violências geradas pelo racismo.

Violências e desigualdades que batem à sua porta.

 

Categorias
Política racismo

XV MARCHA DA CONSCIÊNCIA NEGRA TE CONVIDA A SER RESISTÊNCIA

Por Marina Souza

A 15º edição da Marcha da Consciência Negra ocorrerá na próxima terça-feira (20), em São Paulo, com a intenção de relembrar a importância e relevância de datas e lutas diárias contra o racismo. Apresentações musicais, dançarinos, performers, entre outros grupos estarão presentes ajudando a fortalecer o sentimento da resistência preta brasileira.

“É o primeiro ato voltado a causa racial após o resultado das eleições e é importante que tenha muita gente para marcar posição. Se por um lado há o governo de Bolsonaro, por outro há uma grande organização negra consciente de que o racismo existe e precisa ser combatido”, diz Beatriz Lourenço, militante da UNEAFRO.

Para a bióloga Maria Menezes, militante do Núcleo de Consciência Negra na USP, “o encarceramento em massa, genocídio da juventude negra, desemprego e aumento da mortalidade infantil são preocupações fundamentais do movimento negro brasileiro”.

Veja a seguir a descrição da página do evento:

XV MARCHA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Dia 20/11, concentração às 13h, no Vão Livre do MASP.

Negros e Negras resistem e marcham por direitos, pela democracia e contra o fascismo.
MARCHAM pelo Poder para o Povo Preto
MARCHAM pela Liberdade de expressão e a Liberdade Religiosa
MARCHAM por Marielle, Anderson, Moa do Catende e Charlione Lessa
MARCHAM por Marcelo Dias, por cada jovem negro morto pelo genocídio e por cada Mulher Negra morta pelo feminicídio
MARCHAM contra a Homofobia, contra todas as formas de Violência, contra a Intolerância ,o Descaso e a Xenofobia
NEGROS e NEGRAS MARCHAM pelo direito a viver uma vida digna, sermos livres e respeitados na nossa Diversidade,
Pluralidade.

#RACISMONÃO
#20NOV
#VidasNegrasImportam
#DiadeResistencia