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Movimento Negro

Celebração de 10 anos da Uneafro reúne cerca de mil estudantes na USP

A atividade ocorreu no auditório da FFLCH e teve programação especial durante a manhã e a tarde do dia 30 de Março; familiares de Marielle Franco foram homenageados durante a celebração

Texto / Pedro Borges – Alma Preta e Douglas Belchior
Fotos / Pedro Borges / Thiago Fernandes / Lucas Gabriel

A Uneafro Brasil, rede de cursinhos populares, comemorou 10 anos de existência no dia 30 de Março, sábado, no auditório da FFLCH-USP. Cerca de mil estudantes participaram do evento, que também teve a entrega da segunda edição do prêmio Marielle Franco.

Os jovens começaram a chegar a USP às 9h e iniciaram as atividades com uma palestra sobre as singularidades da prova do ENEM com o professor de física Giba, do cursinho da Poli. Depois, jovens da Uneafro que estudaram no cursinho, foram para a universidade, se formaram e passaram a coordenar núcleos da organização deram depoimentos de toda a trajetória percorrida para os colegas presentes.

O Pagode na Disciplina, roda de samba do Jardim Miriam, zona sul de São Paulo, se apresentou durante as atividades com músicas que trazem a tona a resistência preta no país, como o clássico “Sorriso Negro”, de Dona Ivone Lara.

Na sequência, Douglas Belchior recordou a fundação da organização, em Março de 2009, quando um grupo decidiu ocupar o prédio da Faculdade de Medicina da USP como forma de protesto pela ausência de negros na instituição e pressão para a adoção de cotas raciais.

Enquanto alguns lembram com saudades a ditadura, nós seguimos em luta, construindo um amanhã de direitos, justiça e democracia.

À tarde, os estudantes fizeram um tour pela Cidade Universitária, no Butantã, para conhecer os prédios e departamentos da instituição. Esse foi o primeiro contato com a USP para a maior parte dos presentes.

A entrega do prêmio

Os dois auditórios da FFLCH cedidos para o evento não comportaram o público. Isso levou a organização da atividade a ocupar o vão livre do prédio para a realização da parte final do período da manhã, a entrega do Prêmio Marielle Franco de Direitos Humanos e Educação Popular.

Integrantes da Uneafro foram convidados para anunciar os homenageados e protagonizaram os momentos mais emocionantes do dia. Receberam a recordação Cida Bento da CEERT, Sarau da Cooperifa, Maria Railda Silva e Miriam Duarte, da Associação Amigos e Familiares de Presas/os (AMPARAR-SP), Luayara e Anielle Franco, representando a família de Marielle, e os coordenadores da Uneafro Vanessa Nascimento, Adervaldo Santos e Elaine Correia.

Sobre a Uneafro

A principal missão da Uneafro é tirar o corpo negro e pobre da linha do tiro, do contingente encarcerado pelo estado, da fila do hospital e dos números das estatísticas da violência. Para isso, desenvolve ações que busca oferecer oportunidades de estudo e trabalho, sempre acompanhada por uma permanente formação cidadã, justamente para que esses jovens alcancem a compreensão dos motivos que geram tanta violência, desigualdade e injustiça.

Em 10 anos de trabalho, centenas de professores voluntários, pilar fundamental do projeto, se engajaram. Mais de 15 mil estudantes foram atendidos. Centenas de jovens negras, negros e pobres chegaram em Universidades, conseguiram melhores empregos, aumentaram suas rendas e mudaram a trajetória histórica de suas famílias. Um número incontável de comunidades e bairros periféricos foram impactados.

Abaixo, fotos do encontro:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Que tal transformar seu sentimento de revolta, agonia ou vontade de mudança em prática real na vida das pessoas?

Conheça e colabore com a Uneafro-Brasil!

Inscrições para ser estudante, pelo site: https://goo.gl/vcW5Go

Você pode ser professor voluntário ou ajudar de muitas outras maneiras. Acesse: https://goo.gl/zmS8tH

Você pode doar recursos: https://goo.gl/brHTyo 

 

 

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Cultura

Thomás Meira lança videoclipe sobre caos político

Até o próximo ano, vai ser sempre a mesma conversa fiada

Que vai funcionar, que vai melhorar a justiça federal

Mas a grande verdade é que a gente sempre paga no final

Eu e você

Estamos nessa lama em coma, na democracia do poder

Sem poder

Vamos pagar à prazo o pato, a fome e toda conta do temer

Com esses versos o cantor e compositor Thomás Meira lança – em meio ao caos político e as inúmeras dúvidas sobre os próximos capítulos da história brasileira – a inédita “Inflamado de Inflação”. Produzida por Felipe Câmara, track, apesar da levada dançante, coloca o dedo na ferida ao expor indignação. “Acredito que essa música nasce de um sentimento em comum. Eu, por exemplo, vejo minha mãe trabalhando, incansavelmente, todos os dias. Ela está pagando mais, cada vez mais, para viver. Todos estamos. E, mesmo com o nosso esforço total, muitas coisas não progridem por causa de um sistema ineficaz, falido e corrupto” , ressalta o artista.

O vídeo, dirigido por Carlos Franco, reúne imagens do centro da capital paulista e do Jardim São Manoel, maior favela de palafitas do país.

“Acho importante acrescentar que neste projeto também estamos criticando a polarização. Polarização essa que nos atrapalha e não nos une, tendo em vista que nesse momento ninguém ao certo – independente de lado, credo, cor ou raça – tem confiança plena em seus escolhidos. A desconfiança é mesmo geral”, pontua.

Para personificar a discussão, dois homens engravatados cumprem o papel dos tais falastrões que se preocupam muito mais com a foto do que com aquilo que realmente precisam: mudanças urgentes, melhorias gerais e a necessária e nunca verdadeira credibilidade governamental.

Cria do Grajaú, o poeta e militante Márcio Ricardo faz participação especial. É ele quem avisa: “entre a quebrada e o asfalto, há esperança no olhar”.

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Cotas Raciais

Campinas cria grupo para rever e propor cotas raciais nos concursos públicos

Por Marina Souza

No dia de hoje (28), o Diário Oficial de Campinas publicou um Decreto que institui um grupo de trabalho intersetorial para estudar, avaliar, propor e aprimorar a ampliação municipal das políticas afirmativas de cota racial em concursos públicos, revista na Lei Federal nº12.990.

A ideia é que o grupo proponha normas necessárias à regulamentação desta política. A equipe será composta por dois integrantes das Secretarias de Assuntos Jurídicos, de Recursos Humanos e de Assistência Social, Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos.

Com o prazo de 180 dias, contabilizado a partir da primeira reunião, os representantes precisarão enviar ao órgão de Assuntos Jurídicos todos os termos necessários à elaboração da proposta, que será válida para a administração pública direta e indireta, bem como, nos demais casos de admissão.

As cotas no Brasil

A proclamação da Lei Áurea em 1888 foi responsável pela abolição da escravatura no país, mas não proporcionou aos afrodescendentes nenhuma política de reinserção social, tão pouco garantiu o fim de desigualdades raciais.  O acesso digno a oportunidades de trabalho, segurança, moradia, saúde pública e educação permaneceu sendo uma das reivindicações desse grupo.

A primeira adoção de uma ação afirmativa no Brasil surgiu com a Constituição de 1988, que determinava que 45% de empregos públicos fossem destinados a pessoas portadoras de deficiência física. Em 2000, Rio de Janeiro tornou-se o primeiro estado do país a implementar cotas sociais para ex-alunos de escolas públicas. Um ano depois, a Universidade de Brasília fez o mesmo e também acrescentou cotas raciais em seu sistema de ingresso, garantindo que 20% das vagas fossem reservadas a pretos, pardos e indígenas.

A partir deste episódio, torna-se cada vez mais comum que universidades e órgãos públicos adotem o sistema de cotas raciais.

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Cotas Raciais

“Não é hora de criar nenhum tipo de conflito na sociedade”, afirma Maia sobre possível fim das cotas

Por Simone Freire/Alma Preta

Organizações antirracistas de todo o país e parlamentares negros participaram de encontro na manhã desta terça-feira (26), no gabinete do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

A finalidade do encontro foi debater temas delicados à comunidade negra, como a Reforma da Previdência, o pacote anticrime proposto pelo ministro da Justiça Sérgio Moro e a política de cotas nas universidades e concursos públicos.

Sobre as cotas, o presidente da Câmara afirmou que era a favor apenas das cotas sociais, e não das cotas raciais. No entanto, passou a considerar “positivo” os resultados das ações afirmativas raciais, afirmando que este não é o momento de alterar essa política.

“No passado, eu sempre defendi as cotas pelos cortes sócio-econômicos, mas foi vitorioso no Brasil nos últimos anos a cota racial que deu resultados positivos e eu não acho que é a hora da gente fazer uma inversão nesse encaminhamento”, disse.

O número de pretos e pardos que concluíram a graduação no país cresceu de 2,2% em 2000 para 9,3% em 2017. As primeiras experiências de cotas raciais no país foram adotadas no início dos anos 2000 e a lei se transformou em nacional em 2012.

Orlando Silva (PCdoB) esteve prsente na discussão de cotas raciais com o presidente Rodrigo Maia/ Foto:Pedro Borges

Dayane Pimentel (PSL-BA), que tinha o objetivo de revogar a Lei de Cotas (nº 12.711), apresentado em 15 de março.

“Há uma ameaça concreta à política de cotas raciais nas universidades. Esse foi o primeiro motivo mobilizador desse encontro. Há um PL protocolado na Casa e isso nos assusta porque esta política é um ganho, uma conquista de muitos anos e muitas almas e lutas”, disse Douglas Belchior, da Uneafro Brasil e um dos articuladores do encontro.

Nesta segunda-feira (25), a deputada pediu a retirada do seu projeto da pauta da Casa, justificando que existe um erro em seu texto. Na verdade, a deputada não pretende anular a Lei de Cotas como um todo. Seu objetivo é revogar apenas as cotas raciais, e nao as sociais.

Questionado na reunião, Maia afirmou que qualquer projeto de lei que vise revogar as cotas raciais precisará de um “profundo debate com a sociedade”. “Em relação a qualquer projeto que retire direitos, gere polêmica com relação a agenda que vocês colocam, vocês podem ficar tranquilos que não vai passar sem um debate profundo, sem a criação de fóruns, comissões, grupos para um debate profundo com vocês”, disse aos presentes.

“Apesar de ainda ser muito limitado o que a gente tem até hoje os índices são muito bons. As pessoas diziam que as pessoas negras não iriam conseguir aproveitar a universidade ou iriam ter um desempenho menor. Isso tudo foi comprovadamente desmentido. Com que argumento você vai revogar uma lei que se mostra tão efetiva?”, questiona Bianca Santana, cientista social e doutoranda em Ciência da Informação pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP), que esteve presente na reunião.

Outros planos

Áurea Carolina (PSOL-MG), Talíria Petrone (PSOl – RJ) e Douglas Belchior (PSOL – SP)/Fotos: Pedro Borges

Participaram do debate os parlamentares Áurea Carolina (PSOL-MG), Talíria Petrone (PSOL-RJ), Benedita da Silva (PT-RJ) e Orlando Silva (PCdoB-SP), integrantes de diversos movimentos como o MNU (Movimento Negro Unificado), Educafro, Núcleo de Consciência Negra da USP, Irohin, Festival Latinidades, Aganju, Marcha das Mulheres Negras, Ceert, entre outros.

Maia também se colocou à disposição para a criação de audiências e grupos de trabalho com o movimento negro para a discussão de outros temas com a sociedade, como a Reforma da Previdência e o pacote anticrime de Moro.

Orlando Silva, outro articulador do encontro, fez uma avaliação positiva da agenda com Rodrigo Maia. “O presidente recebeu, se comprometeu a receber um grupo para avaliar os encaminhamentos dessas matérias. Valeu a reunião, mas ainda tem muito para construir”, disse.

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Literatura

O bilionário Reginald F. Lewis – Estante Literária

Reginal F Lewis

Por Por Edson Cadette / Blog Lado B NY

Quando o menino magricela de apenas 6 anos de idade Reginald F. Lewis foi questionado pelo avô sobre o desemprego entre os afro-americanos, ele disparou: “por que as pessoas brancas têm que ter toda diversão?”.

Lewis transformou-se no bilionário negro mais conhecido dos Estados Unidos e um dos empreendedores com o maior tino comercial de todos os tempos, liderando um grupo de empresas altamente lucrativas, localizadas nos quatro continentes. Quando faleceu, prematuramente aos 50 anos, no início da década de noventa, sua fortuna pessoal estava avaliada em aproximadamente U$400 milhões.

O livro Why should white guys have all the fun? traça sua ascensão social e financeira, saindo de uma família de classe trabalhadora do lado leste da segregada cidade de Baltimore, no estado de Maryland, passando pelos corredores da prestigiosa Universidade de Harvard no curso de Direito e terminando no fechado círculo dos gurus financeiros de Wall Street.

Reginald F. Lewis ao lado do pastor e ativista Jesse Jackson

Expandindo a autobiografia não terminada de Lewis, o jornalista Blair S. Walker completa a história com um retrato vívido da trajetória de um homem orgulhoso, altamente competitivo e com um língua e intelecto afiados.

Walker mostra com muita clareza como a busca incessante pelo sucesso e riqueza preencheu a curta vida de Lewis tanto no âmbito acadêmico, quanto na direção de sua companhia. O autor ainda nos fornece uma rara visão do que passava dentro da cabeça do bilionário, que era um negociador ferrenho e brilhante estrategista.

Em 1987 Reginald Lewis doou a famosa instituição Howard University a bagatela de US$1 milhão para ajudar os estudantes, m ano depois o governo Federal equiparou a doação oferecendo mais US$1 milhão.

O clube social da Universidade Harvard, localizado na ilha de Manhattan em Nova York, tem em sua entrada um enorme quadro pintado a óleo homenageando o ex estudante.

 

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Cultura

“A gente vai pra festa, mas pra guerra também”, diz coordenador do Festival Bixanagô

Divulgação

Por Marina Souza

“Queremos mostrar a potência periférica, negra e LGBT dentro do hip hop”, é a fala de Marcelo Morais, coordenador e curador do Festival Bixanagô, evento que acontecerá em São Paulo nos próximos dias 21, 22 e 23 e promete shows, oficinas e mesas de debate sobre o tema.

A ideia do Festival, segundo Morais, é trazer a reflexão sobre a inserção atual de LGBTs no universo da cultura hip hop e a utilização da música como empoderamento e instrumento de questionamento social. Ele explica que o nome escolhido mescla  a ressignificação do termo “bixa”  coma a palavra “nagô”, que remete a ancestralidade étnica e racial da maioria dos convidados e organizadores.

Estarão presentes nomes como Eliane Dias, Monna Brutal, Spartakus Santiago, Luana Hansen, Érika Hilton e Linn da Quebrada. Morais conta que o projeto foi realizado visando principalmente proporcionar ao público entretenimento e aprendizado, “a gente vai pra festa, mas pra guerra também”, diz.

Quando questionado sobre a escolha do local, Bela Vista, o curador disse que essa é uma oportunidade de reunir diferentes perspectivas periféricas em um espaço que não costuma ser ocupado com esse viés. Assim, segundo ele, ocorrem pequenas transformações diárias.

 

 

 

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Noticias

Morre Makota Valdina, líder religiosa e militante da causa negra

Por Marina Souza

Vítima de disfunção renal aguda, a militante e educadora Makota Valdina morreu, aos 75 anos, na madrugada desta terça-feira (19) no Hospital Teresa de Lisieux, em Salvador. A assessoria da unidade emitiu uma nota informando que há um mês a ativista já havia sido diagnosticada com problemas renais e abscesso hepático.

A morte de Valdina foi lamentada não somente pelos familiares e amigos, mas também por políticos, organizadores da sociedade civil e ativistas de diferentes causas, sobretudo de grupos ligados ao movimento negro como a Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen) e a Fundação Cultural do Estado (Funceb). O governador do estado também fez questão de lembrar a importância da líder religiosa.

Rui Costa (PT), governador da Bahia, lamenta a morte de Makota Valdina

Valdina nasceu e cresceu na capital baiana, onde tornou-se uma importante professora da rede pública municipal, símbolo da luta contra a intolerância religiosa e o racismo. Já foi conselheira da Mãe de Santo do Terreiro Nzo Onimboyá, cargo que lhe deu o nome “Makota”, membra do Conselho de Cultura da Bahia e recebeu condecorações como o Troféu Clementina de Jesus, da União de Negros Pela Igualdade, e a Medalha Maria Quitéria, da Câmara Municipal de Salvador.

Em 2013, Makota publicou o livro  “Meu caminhar, meu viver”, em celebração ao mês da consciência negra, reunindo uma série de escritos que fez ao longo da vida. O documentário “Makota Valdina – Um jeito Negro de Ser e Viver”, retratou sua vida e foi premiado na categoria Programas de Rádio e Vídeo durante a primeira edição do Prêmio Palmares de Comunicação, da Fundação Cultural Palmares.

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Escrita da história

Você sabe o que foi a Revolta do Queimado?

Por Marina Souza

Há 170 anos acontecia a Revolta do Queimado, também conhecida como Insurreição do Queimado, em Espirito Santo, considerada por muitos historiadores como uma das principais ações contrárias ao sistema escravocrata do país naquela época. Conheça agora o que foi esse marco histórico.

As ruínas da igreja Freguesia de São José do Queimado / Foto: Reprodução

“Um fato histórico de tamanha importância devia ser tomado como bandeira de orgulho, conteúdo turístico amplamente divulgado, mas a gente é preto”, são as palavras de Priscila Gama, presidenta do Instituto Das Pretas.

Ela acredita que o motivo do pouco estudo e conhecimento sobre a Revolta é diretamente atrelado ao panorama estrutural do racismo na sociedade brasileira, que invisibiliza os povos negros.

A Revolta

Foi em troca da tão desejada alforria que cerca de 300 escravos construíram uma igreja em Freguesia de São José do Queimado, o frei Gregório José Maria de Bene havia prometido que lhes concederia liberdade se a obra construíssem. O que eles não previam é que aconteceria um descumprimento do trato, a autonomia não viria mesmo após todo o esforço doado.

Enfurecidos com a enganação, negros e negras articularam uma rebelião nas fazendas aos redores. O trabalhadores escravizados foram brutalmente reprimidos pela Polícia da Província, que assassinou muitos deles, a prisão de Elisiário, o grande líder do movimento, demarcou o fim da Revolta, que durou cinco dias e deixou feridos nos dois lados do confronto.

A presidente acredita que entender o acontecimento trata-se de uma recuperação de memória, sendo importante para a fundamentação de uma história apagada pelo processo colonial escravocrata.

 

 

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Cinema

As Cores da Serpente: um filme sobre sobre sonhos, negros e cultura angolana

Por Marina Souza

As Cores da Serpente, primeiro longa-metragem produzido pelo diretor brasileiro Juca Badaró, será lançado dia 21 de março em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. O filme registra jovens grafiteiros pintando os Murais da Leba, uma estrada histórica com cerca de 20 quilômetros, na Angola. Veja o trailer a seguir.

O Coletivo Mural da Leba envolveu mais de 30 artistas angolanos e estrangeiros para promover a arte urbana. O projeto durou dois anos e, assim como o o documentário, não teve nenhum apoio financeiro do governo ou de empresas. “Como as obras ficam a céu aberto, a chuva e o sol podem degradá-las, e por isso eles [artistas] fizeram intervenções periódicas. A que está retratada no filme foi a primeira e durou cerca de 1 mês”, explica Badaró.

O diretor conta que estava morando há dois anos em Luanda, capital angolana, quando em 2015 recebeu um convite de uma produtora audiovisual brasileira para registrar tais intervenções. Seus trabalhos anteriores dentro do país tinham sido como diretor de mini documentários da TV pública local.

A estrada-cenário de As Cores da Serpente começou a ser construída pelos portugueses no final do século XIX e só foi concluída às vésperas da independência de Angola, em 1974. Tornou-se um dos mais conhecidos pontos turísticos do país, na Serra da Leba, uma formação montanhosa que separa as províncias da Huíla e do Namibe. A via era necessária para facilitar o transporte de mercadorias e pessoas entre as duas províncias.

Com o passar do tempo, as paredes ficaram sujas, má-cuidadas e abandonadas. E é justamente para levar mudança à essa situação que o Coletivo Mural da Leba surgiu trazendo cores ao extenso concreto.

Divulgação

Badaró conta que duas das câmeras que captaram as imagens foram usadas pelos próprios artistas, ele ficava responsável popr registrar as artes e entrevistar pessoas.

É o primeiro filme brasileiro a ser inteiramente gravado no território angolano e, segundo o diretor, o longa tem um significado muito além da exibição das pinturas. Ele confessa estar feliz por saber que o Brasil poderá conhecer outro pedaço seu, que muitas vezes é esquecido.

“É um filme sobre sonho. Um filme sobre negros, cultura africana e sua relação com o Brasil”, diz.

Dois dos 30 artistas estarão presentes na estreia brasileira, um deles é diretor do Coletivo e o outro um grafiteiro que fará muitas coisas pela primeira vez: andar de avião, viajar para outro país e participar do lançamento de um filme que protagoniza. Além disso, as cidades de São Paulo e Salvador terão muros pintados pelo angolano.

Juca Badaró, por sua vez, relata que ao ver a reação dos artistas, que são em sua maioria moradores de gueto, assistindo ao documentário sentiu-se profundamente emocionado, pois muitos choraram e lhe parabenizaram.

 

 

 

 

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Violência Policial

Justiça do Rio absolve PMs acusados pela morte de Amarildo

Por Marina Souza

Os desembargadores da 8ª Câmara Criminal da Justiça do Rio de Janeiro determinaram ontem (13) a absolvição de 4 dos 12 ex-policiais militares da base da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha que foram condenados em primeira instância, no ano de 2016, pela tortura, morte e ocultação de cadáver do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza.

Dois dos absolvidos, Jairo da Conceição Ribas e Fábio Brasil da Rocha, haviam sido condenados a 10 anos e quatro meses de prisão, enquanto a outra metade, composta por Rachel de Souza Peixoto e Thaís Rodrigues Gusmão, fora sentenciada a nove anos e quatro meses. Além disso, o ex-subcomandante da Pacificadora, Luis Felipe Medeiros, que foi preso por articulação no crime, teve sua pena reduzida.

Tânia Rêgo/ABr

Procurados pelo jornal G1, o Tribunal de Justiça do estado disse apenas que o processo está tramitando em segredo judicial e, sendo assim, não é possível informar mais detalhes sobre a absolvição. Foi em meio à onda de protestos calorosos de julho de 2013 que Amarildo desapareceu na Favela da Rocinha, zona sul do Rio de Janeiro, onde morava, após ser detido por PMs que o levaram à UPP local. O corpo nunca chegou a ser encontrado, mas a Polícia Civil e o Ministério Público afirmam  que ele foi torturado e morto por policiais.