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A democracia começa pela cidade

O PSOL tem diante de si uma larga avenida para avançar nesta eleição municipal. É verdade que, por um lado, o partido é pequeno e carente de recursos materiais para fazer face a adversários poderosos, escorados por interesses solidamente estabelecidos. Mas, de outra parte, trata-se de um destacamento aguerrido e ousado que tem conquistado credibilidade na sociedade e que dispõe de pré-candidaturas competitivas em diversas capitais e grandes cidades. Assim, o PSOL pode surpreender como a grande novidade desse processo eleitoral. Se essa não é uma condição dada desde já, tampouco deve ser descartada a priori. O pré-requisito é que o PSOL saiba se apresentar ao eleitorado como um novo partido contra a velha política, por uma prefeitura de cara nova.

Ser um novo partido contra a velha política é, fundamentalmente, ter uma concepção de cidade que responda, nessa eleição, às mazelas da cidade em que vivemos. As cidades estão dilaceradas por antagonismos que geram exclusão, violência e poluição. A barbárie está instalada. A esta realidade de cidade partida, o PSOL precisa oferecer o projeto alternativo de integração cidadã com solidariedade social. É essa nova concepção que precisa ser formulada com objetividade e clareza para que se possa conquistar um padrão que, na cidade atual, é impossível. A tarefa consiste, portanto, em ampliar o espaço do possível. Para isso, é preciso formular um novo projeto para o município: a cidade que queremos. Esse tem que ser no nosso ponto programático central.

Definida a cidade que queremos e o papel do prefeito como líder dos moradores, cabe formular os grandes eixos estruturadores do programa de governo: estabelecer as prioridades e as idéias-força que, por sua transversalidade, orientem a elaboração dos programas setoriais, enquadrando-os num marco integrador. Quanto às prioridades, saúde e educação vêm inquestionavelmente em primeiro plano. Quanto às idéias-força, a idéia da separação entre o público e o privado é essencial à gestão de todos os órgãos municipais; a idéia de que a democracia começa pela cidade é cara à implementação de canais de participação cidadã no poder municipal; a idéia da convocação de uma conferência sobre a cidade pode ser a peça-chave para um protagonismo popular que mobilize a cidadania por serviços públicos de qualidade e pela reorientação do desenvolvimento urbano.

Finalmente, uma prefeitura socialista numa formação social capitalista não poderia pretender construir o socialismo aos pedacinhos. Mas terá que se orientar por um feixe axiológico anticapitalista, que aponte para uma radicalização da democracia, postulando objetivos populares contra a lógica do capital.

Por Sergio Granja: é diplomado pela École des Hautes Études en Sciences Sociales e mestrando em Literatura Brasileira na UERJ; é autor do romance Louco d’Aldeia em dois tempos(Record, 1996).

texto completo em www.socialismo.org.br

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