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A República dos brancos: Joaquim Barbosa como metáfora da distopia negra?

de Douglas Belchior

No momento final do julgamento do mensalão, há anos atrás, escrevi em meu Blog que não concordava com a decisão. Não por não ver culpa e traição nos atores da história, em especial os petistas, mas por perceber o quanto a ardilosa elite brasileira se lambusaria no banquete de hipocrisia que alimentaria a dinâmica política a partir dali.

E mais: o papel pedagógico do filme editado pela grande mídia – “A esquerda chega ao poder, mas acaba na cadeia”.

Mas e o papel de Joaquim Barbosa, homem negro tão festejado pelos movimentos ao assumir o posto que hoje ocupa? A confusão conceitual e a complexidade dos papéis sociais desses atores me fez silenciar. Professor Jaime Amparo, agudo como de costume, nos provoca a refletir. Vale muito a pena ler!

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Por Jaime Amparo Alves*

Franz Fanon já chamava a atenção há mais de meio século para um regime de dominação racial em que a aceitação dos negros é condicionada à sua rendição aos (e reprodução dos) valores  brancos.

Qual o lugar da categoria “raça” no julgamento da ação penal 470? O que a cor da principal figura do julgamento tem a nos dizer? Ainda que a imaginação racista branca tenha alimentado contra Joaquim Barbosa os estereótipos tradicionais de “destemperado”, “sem-equilíbrio”, “sem-civilidade”, ele têm gozado de uma aceitação que desafia as análises sobre o racismo e talvez por isso explique certo silêncio da intelectualidade negra frente ao papel do primeiro ministro negro do Supremo Tribunal Federal como algoz do maior partido de esquerda do país.

Entro em campo minado consciente dos custos políticos de tal empreitada mas imagino que recusar o debate é perder a chance refletir como a supremacia branca se reproduz no Brasil contemporâneo. Mais que isso, o triste papel de Joaquim Barbosa nos convida a refletir sobre os limites das atuais políticas de identidade.

Que o leitor/a não me interprete mal: ao contrário dos que acreditam que as lutas baseadas em categorias como “raça” e “etnicidade” reproduzem o racismo, sustento que tais categorias são não apenas importantes e legítimas como também as únicas possibilidades para afirmar a existência negra em um mundo estruturado a partir da dominação racial.

Minha crítica aos limites da política de identidade negra é na verdade em direção oposta. A questão não é negar a raça, mas sim reafirmá-la sobre outras bases que não a da agenda da inclusão per si. É que ela não tem sido forte o suficiente, como gostaríamos, para construir uma consciência negra anti-sistêmica, radical, revolucionária. Tampouco quero invisibilizar uma tradição radical negra herdada da luta de Palmares que se mantém viva nas periferias brasileiras. Chamo a atenção, no entanto, para uma identidade negra em formação (nos espaços abertos pelas ações afirmativas) que possui uma inconfortável afinidade com a sedutiva narrativa de redenção que a imagem pública de Joaquim Barbosa projeta.

Franz Fanon já chamava a atenção há mais de meio século para um regime de dominação racial em que a aceitação dos negros é condicionada à sua rendição aos (e reprodução dos) valores brancos. E daí? Podemos argumentar que não cabe aos negros transformar o mundo destruído pelos brancos. De fato, uma das perversas equações do racismo é responsabilizar suas vítimas. O caso de Barbosa é ilustrativo, no entanto, das artimanhas do racismo e dos limites e possibilidades da identidade negra coletiva. A imaginação racista à esquerda diria que Joaquim Barbosa é um negro que se embranqueceu. A imaginação racista à direita, mais sofisticada, tem produzido a imagem pública de um juíz pós-raça (neutro, justo…enfim, a encarnação da Lei).

Joaquim Barbosa seria aceito porque, ao contrário de muitos de nós, ele não é revanchista com a sociedade branca e defende os valores republicanos. Sua escolha estratégica do dia 15 de Novembro para prender os ícones da esquerda brasileira oferece pistas interessantes sobre a dualidade da República (historicamente concebida como projeto plural e ao mesmo tempo um projeto civilizatório anti-negro). Estaria Joaquim Barbosa assumindo o papel de herói negro que refundaria a República?

Paradoxalmente, o que as práticas inquisitoriais/autocráticas de Barbosa sugerem é a rendição negra ao papel de subalternidade na República. Sua presença na mais alta corte do país nos convida a refletir sobre a nossa recusa fatalista em pensar a negritude como prática radical que pode transformar a sociedade, para além dos números de inclusão nos espaços de poder e prestígio. Uma utopia revolucionária negra acredita que porque negras e negros entendem como ninguém o que significa a República, a raiva e a experiência acumulada de opressão serão o combustível para uma negritude explosiva, radical, para além dos discursos de redenção social tão celebrados atualmente. Em outras palavras, uma pergunta (in)oportuna em tempos de guerra contra as ações afirmativas seria: qual o projeto de sociedade brasileira que nós negras e negros propomos? Que comunidade política pode a categoria raça produzir, para além dos encontros racializados a que estão submetidos os negros e negras?

 

“Joaquim Barbosa não é apenas o nosso Clarence Thomas (o ultra-conservador juiz negro estadunidense) revestido com o manto perigoso do Direito. Ele é também a metáfora do nosso impasse político e a projeção sombria do que vem por aí em termos de participação negra em um modelo de sociedade que é a nossa negação e a negação do futuro.”

 

Estas perguntas oferecem a oportunidade de refletir sobre um último ponto: a estranha aproximação entre a suposta esquerda “autêntica” (com figuras do movimento negro) e os partidos de direita na orgia moral contra o Partido dos Trabalhadores. Ao invés de aproveitarmos a oportunidade para discutir os limites e possibilidades de uma agenda radical negra para além da representação simbólica em espaços de poder, temos nos distraído com uma agenda do cinismo moral que não nos pertence. Que o PSDB e seus aliados encontrem no STF a última chance de impor um projeto de governo derrotado três vezes consecutivas nas urnas, é tão entendível quanto desprezível. Incômodo e cruel é o triste destino de uma certa militância negra que se recusando a pensar o projeto revolucionário muito mais à (ou para além da) esquerda,  sucumbe ao moralismo dirigido da direita.

Como fazer uma crítica à cegueira racial da esquerda sem reproduzirmos os discursos convenientes de que esquerda e direita são iguais? Como não relativizar o papel trágico do PT na domesticação da esquerda e ao mesmo tempo reconhecer nossa responsabilidade com o projeto de país que queremos?

A indicação de Joaquim Barbosa pelo presidente Lula, depois de inúmeras reuniões de bastidores com lideranças negras, foi comemorada como um gesto simbólico de afirmação de uma agenda até então inédita no país: ProUni, cotas raciais, Seppir, Bolsa Família… todas resultado da luta histórica dos movimentos negros acomodados à esquerda do espectro político. O verdugo do PT é também resultado irônico e trágico desta luta. Joaquim Barbosa não é apenas o nosso Clarence Thomas (o ultra-conservador juiz negro estadunidense) revestido com o manto perigoso do Direito. Ele é também a metáfora do nosso impasse político e a projeção sombria do que vem por aí em termos de participação negra em um modelo de sociedade que é a nossa negação e a negação do futuro.

 

*Jaime Amparo Alves, jornalista, militante da UNEafro-Brasil e doutor em Antropologia Social, Universidade do Texas, Austin. Atualmente é Professor Visitante da Universidad Icesi, da Colômbia, disciplina Geografias de la Violencia.

 

 

53 respostas em “A República dos brancos: Joaquim Barbosa como metáfora da distopia negra?”

Excelente texto, que coloca questões delicadas, melhor dizer, nos ajuda a enxergar estas questões, soterradas na polaridade política clássica, esquerda, direita. Uma pergunta sobre um pressuposto latente durante o texto: o que seria este projeto utópico negro ou este projeto revolucionário negro para além da esquerda? Abraço!

essa nao é uma resposta, apenas não achei o lugar de publicar ocmentário,

Esse texto nunca deveria ter sido escrito. Ele só confunde as coisas. Confunde raça e cor, generaliza, volta em Fanon de maneira acrítica. Esta “identidade negra” “branqueada” existe no Brasil há séculos, não foi inventada por Barbosa, e pode ser lida antes como estratégia do que como branqueamento.E cada caso é um caso. O Barbosa não é o único negro do Brasil. Ele é um, com poderes inéditos, de fato. Mas não fala por todos, assim como você também não fala. Ninguém fala. Já no COngresso dos escritores negros de 1957 esse problema aparecera. Quem era negro, os americanos nao concordavam com os europeus que nao concordavam com os antilhanos que não concordavam com os africanos, Eu não sei que massa é, que negro é esse que é igual em todo canto, que fala a mesma língua, que sofre a mesma coisa. negors e negras entendem como ninguém o que é a república? entendem mesmo, todos, o Pelé está incluído? e as populações indígenas? entendem, e a mulher negra entende como o homem negro? Este texto é metafísico, fala de nada, como se dissesse tudo, é “holístico”. O que você está sugerindo realmente?

Texto Horrível.
Joaquim Barbosa é a melhor coisa que aconteceu para os negros.
O Problema é que sempre que aparece um negro Bom
os próprios movimentos negros acabam com ele.

Negros, Parem de ser fantoches do PT.
Barbosa não é de Direita.
A Direita de verdade não gosta dele.
Tudo que o Barbosa votou no STF foi pró esquerda
só pq ele prendeu os mensaleiros a esquerda quer colocá-lo como direitista.
Direita é o PT que está aliado aos inimigos históricos dos negros como o Edir Macedo, etc..

Sou negro e tenho direit o a voz. Não te peço para calar, mas tenho o direito de não te escutar.
O PT tenta jogar o Joaquim Barbosa contra sua própria raça, atitude de partido não confiável e mentiroso.
O PT é composto por maioria BRANCA.
Texto tendencioso e comprado.

PT partido com maioria BRANCA e dai? Qual partido que não tem NENHUM NEGRO? OU QUE TEM COTA PARA NEGROS? Não é o PT!

Barbosa é um perigo a democracia, no ponto que ele se vendeu a mídia, e não foi juiz, foi apresentador de reality show jurídico, os maiores juristas do país, conservadores ou liberais tem criticas ao julgamento e a forma que foi tocado o processo…

Além de que o Barbosa dividiu o Processo em 2, e uma parte ninguém sabe e ninguém viu, mudou data de óbito, não abriu diversas pastas de provas, documentações, ignorou diversos documentos, baseado apenas na opinião pública criada pela mídia, se você é culpado por maioria das pessoas, mesmo não sabendo de nada do que aconteceu você é culpado e ponto.

Uma Vergonha o que ele fez!

Ele como Negro, se aliou as bases mais conservadores, elitistas e higienistas do País, o que é de se estranhar, agora me diz quanto tempo eles vão deixar ele lá… PSDB e a Organizações Globo, estão satisfeitas por enquanto… e nisso tudo o BARBOSA DEIXA O MENSALÃO TUCANO (O DE VERDADE) PREESCREVER!

Você tá muito mal informado cara. O JB votou a favor de unir o processo do mensalão tucano com o preocesso do mensalão petista – mas foi voto vencido. Votou tb repetidas vezes para acelerar o processo do mensalão tucano, iniciando a fase de instrução imediatamente – sempre sendo vencido.

Realmente, querer enquadrar o PSDB (historicamente e por próprio nome de esquerda e tão próximo do PT historicamente que ofereceu apoio a Lula em 89) como ‘direita conservadora’ é uma falsificação histórica tão grotesca que só parece má-fé.
Toda a avaliação do julgamento é absolutamente descolada da realidade.
A avaliação dos votos de JB como ‘votos negros’ não faz absolutamente nenhum sentido. Ele não votou como representante da cor de pele negra (ou o julgamento tem qualque conexão com isso), mas como magistrado.

Outras respostas além da minha muito melhor redigidas, mas fica marcado o quanto a absoluta falta de noção de realidade do texto é chocante.

Acho que não entendi o texto.
Joaquim Barbosa seria mais negro – e portanto mais alinhando com os princípios da luta contra o preconceito racial – se tivesse contribuído para a absolvição dos acusados do mensalão?
Ou seja, por ter protagonizado a condenação e a prisão dos acusados (que são da esquerda) ele está se distanciando da luta negra?

Tem razão, não podemo comparar Clarence Thomas com Joaquim Barbosa, mesmo porque Clarence Thomas era honesto ao extremo e Joaquim Barbosa é uma charlatão que usa o manto da sua cor pra pregar um fisiologismo que na verdade não vive.

Ah, então tá, para a direita que o usa abusa e bajula ao JB ele é de esquerda, moço enquanto o JB servir a aos interesses da burguesia ele pode ser até Maoista, que não faz mal…

Diferente do problema analisado: o que tem a cor do Joaquim Barbosa a ver com sua postura e ações como pres. do STF – que é complexo, o texto do Jaime ficou complicado. Porque não exprime com clareza uma posição: fraseado sofisticado velando uma posição ou compreensão “mais ou menos”!
Minha impressão é que o Jaime aproveitou para marcar posição pró-PT (estamos juntos!), mas esbarrou mal na interpretação de tanta coisa que representa o min. Joaquim Barbosa, e, pior ainda, rateou na ligação da questão racial com “tudo isso”! Por esses últimos equívocos pode ser perdoado. Realmente é complexo, ou seja, para se analisar precisa articular muitas variáveis históricas, incursões à subjetividade de quem escreve, do agente analisado, de quem lê, etc e tal, o que exige tempo, maturidade de reflexão e vivência – é um ambiente movediço, difícil de se movimentar. O melhor que se pode fazer, então, é explicitar tais dificuldades e problematizar mais do que explicar.
Obrigado pela provocação Jaime e ao Douglas por disponibilizar. Continuemos debatendo com todo gás. Coletivamente seremos capazes de avançar e agir melhor.

Bom eu acho um grande circo, mas mesmo assim esta valendo a pena, pois somente assim podemos pegar nossos algoses de direita, afinal sempre que sacrifica alguns valores ideologicos, teremos a recompensa que esta metafora essa parabola sirva de licao., vamos acompanhar o desenrolar deste grande novelo.

Isso é inacreditável! Joaquim Barbosa é o nosso Clarence Thomas??!! Como um acadêmico consegue estar tão profundamente errado (digo isso sem cinismo ou sarcasmo – isso de verdade me causa espanto)!

Como ministro do Supremo, Joaquim Barbosa adota posições consistentemente progressistas e liberais – o extremo oposto de Clarence Thomas.

Analise o histórico do Barbosa:
– Votou pelas cotas para negros e índios, pelo aborto de acéfalos e, como presidente do CNJ, foi incisivo pra obrigar cartórios a registrar casamentos gays.
– Desafia abertamente os oligarcas do judiciário; se empenha para mudar o processualismo arcaico e a morosidade do Judiciário e é protagonista na luta contra a impunidade dos políticos. Inclusive, no mensalão tucano, foi incisivo para acelerar o julgamento para evitar prescrição, declarando em seu voto (vencido) que “devem ser conduzidos com rigor e celeridade e devem ser julgados na mesma data, para que não haja tratamento desigual.” – referindo-se à mesma data do mensalão petista.
– Em entrevistas, declarou apoio à legalização do aborto, ao julgamento dos militares da ditadura, à mudança na imprensa brasileira, que é predominantemente de direita.
– Condena a situação carcerária no Brasil e põe a culpa em parte nos juízes, que ele afirma têm mentalidade “mais conservadora, pró status quo”. O caso do juiz de execuções do mensalão que foi substituído é um ótimo exemplo: ninguém fala que esse juíz deu entrevista dizendo que, mesmo condenados, não era bom pro país que eles cumprissem as penas, dizendo que não seria bom que o povo assistisse “um homem notório sendo preso”! Dizem que no Brasil prisão é só pra pobre, preto e puta. Que gente rica e poderosa nunca vai pra cadeia. Não é difícil ver porque com essa mentalidade dos juízes, que o Barbosa desafia vigorosamente.

E ainda assim acusam ele de ser “ultra-conservador”?? Porque? Porque no Brasil ser de esquerda, progressista, ou conservador, racionário, é tratado como torcida de time de futebol: veste a camisa da organizada e sai pra porrada, é assim que se julga quem é quem…

Mas não é assim, é preciso analisar as posições políticas. Têm muita gente conservadora no PT e muitas vezes o PT age de forma reacionária. Veja, por exemplo, que no ocasião da orientação do CNJ em relação a registro de casamento gays, deputados conservadores do PT usaram isso pra exigir a cassação do Barbosa por abuso de poder, recebendo o apoio de ninguém menos do que o colunista mais reacionário da Veja, o Reinaldo Azevedo.

São informações que estão aí pra quem quiser ver. Mas a maioria prefere ficar repetindo a cartilha do partido. Lamentável.
http://www.youtube.com/watch?v=v3bTwWy34qs
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/cotas-aborto-de-anencefalos-casamento-gay-marcha-da-maconha-coligacoes-uso-do-twitter-tribunais-superiores-estao-solapando-prerrogativas-do-congresso-isso-nao-e-bom-ja-ha-uma-primeira-reacao/

Boa Diogo! E digo mais:

Veja como o PT não soube (e não está sabendo), construir uma boa narrativa pra coisa: o PT enaltece o trabalho da PF e tals… gaba-se com justiça(DE FATO, APÓS A ENTRADA DO PT NO GOVERNO, A PF TEVE UMA AUTONOMIA JAMAIS VISTA NA HISTÓRIA REPUBLICANA DESTE PAÍS),bom, ai, o Juiz em questão, julga de acordo com as provas produzidas pela PF, sob o comando do PT via MJ, JULGA em consonância com a PGR e MPF, ambos, comandados por indicados do PT, agora o juiz é absolutista? Vingador? Ai também não né?! Particularmente, tenho votado no PT a mais de 20 anos, no entanto, NÃO concordo como o partido tem se posicionado frente a AP470. É vergonhoso como deslocam a luz para o JB na tentativa de esquivar o partido do lama… triste momento pelo qual passa o PT. A meu ver, vive-se uma crise moral e de identidade, de fato: o poder é como um violino, toma-se com a esquerda e toca-se com a direita, ou, ao menos, da mesma forma que a direita.

…só uma questão,filho,Joaquim mandou às favas investigações da PF…Esse Batman vingador,n me comove.Aliás,tão corajoso q é,deveria desancar a imprensa brasileira,nas entrevistas coletivas q costuma permitir-se.Taí,pago pra ver!…muito melhor,com maior alcance,do q c/ a monica bergamo,e do discurso na Costa Rica…

Digo, você acertou na mosca com a sua apreciação: Joaquim Barbosa desafia, republicanamente, os nefastos fundamentos constitutivos na nacionalidade brasileira, orientada por essa elite podre e endocolonialista. Nem é necessário enumerar, aqui, fatos, esquadrinhar males de origem desse povo que, segundo Bomfim, nasce infeliz, vive sofredor e morre miserável.

Fica a sugestão para o titular desse blog publicar uma análise mais realista sobre o Barbosa, baseada em fatos e não em elucubrações que que apenas ecooam as propagandas maldosas (e racistas) contra o Barbosa e contradizentes todos os fatos.

Ou então, uma sugestão mais simples – quando o cara acusa o Barbosa de ser conservador, de direita – faça uma perguntinha só: porque?

Depois do -,,,triste papel de Joaquim Barbosa…- resta muito pouco a comentar sobre o texto. Visivelmente trata-se da expressão da mágoa das ditas esquerdas, cujos segmentos brancos estão muito bem de vida às custas do erário publico e dos do dito movimento negro, que através da hierarquia imposta por títulos acadêmicos discriminam os demais negros, face a recusa de Barbosa em cumprir o papel que dele esperava Lula e seus comparsas.

Eu não sei o porquê desse coitadismo com o PT. Autocrítica nem pensar. Tudo é culpa dos outros. Aliás, a única autocritica quem fez foi o Olivio.

Sinceramente… Esse texto ser de um blog de Carta Capital, que compete com a Veja no campo de publicar matérias completamente loucas, em defesas partidárias, já diz muito. Um texto racista, usando a cor de pele do juiz para analisar o caso, Claro, ele é o vilão por ter ido contra os queridinhos da revista, tivesse ido a favor, seria o novo zumbi. QUE PIADA.

O barbosa pessoal e individualmente faz juz ao adagio..quando não faz na entrada faz na saida..e quando não faz num ou noutro deixa uma nota :não fiz por estar constipado !

Penso diferente do autor do texto. Do meu ponto de vista o Ministro Barbosa está agindo como a maioria absoluta dos seres humanos: não está nem um pouco preocupado com ideologias, raças, nada, está pensando apenas em mais poder, a paz conseguida por não se meter em encrencas pelo bem dos outros e notoriedade.

Inteligente que é, o Ministro Barbosa vislumbrou na condenação dos petistas uma oportunidade de ficar bem com os meios de comunicação e com isto criar uma oportunidade para ser candidato a Presidente da República. Sem dúvidas que o mínimo que conseguiria com esta postura era não ser detratado pelos meios de comunicação, que antes da condenação dos petistas abertamente declaravam antipatia pelo Ministro.

Não agiu diferente de vários outros Ministros, por exemplo, Celso de Mello. Mais melanina na pele de alguém não o faz pior nem melhor, nem mais forte nem mais fraco, nem mais justo nem mais injusto. Quem esperava do Ministro Barbosa uma atitude heróica por causa da cor de sua cútis se decepcionou. Contudo a decepção não é justa se for só contra ele, pois exceto o Ministro Lewandovski todos os outros por medo da execração que seria promovida pelos meios de comunicação ou por convicção ideológica de direita desprezaram provas e violaram garantias constitucionais dos réus, enfim, condenaram os réus por conveniência política ou pessoal.

Poucas pessoas se deram ao trabalho de saber quais foram os fatos imputados aos réus, nunca leram a DENÚNCIA com olhos de ver, daí repetem bobagens, a pura propaganda, o cipoal de versões e a confusão propositada causada pelos meios de comunicação da imprensa golpista.

Sem conhecer os fatos não é possível aquilatar da justiça da condenação. Quem quiser que se contente com a versão oficial desta trama toda, mas não é meu caso. Dos 38 réus julgados 12 foram absolvidos de todos os crimes. Dos 26 condenados apenas 6 eram deputados, um deles, João Paulo Cunha era do própria PT, portanto restam 5. Se o “mensalão” foi a compra de votos para aprovação das propostas do governo no Congresso Nacional, onde estão os outros pois a Câmara tem 513 deputados? Quantos senadores tinha no esquema, alguém sabe o nome de um sequer? Não devemos esquecer que para se aprovar qualquer projeto de lei no Congresso é preciso maioria no Senado e na Câmara dos Deputados…

Sempre me perguntei quanto rolou nesta estória toda, a origem e para onde se destinou esta grana toda.Fui buscar a resposta na DENÚNCIA, a peça mais venenosa do processo penal, a peça onde o Ministério Público descarrega toda sua fúria acusatória contra o réu imputando-lhe os FATOS considerados crimes. Consta na folha 26 da DENÚNCIA que o dinheiro usado totalizou R$ 55.217.271,02 tendo como origem os bancos BMG e Banco Rural tomados emprestados por duas empresas de Marcos Valério e seu sócio Rogério Tolentino e repassados a quem o PT indicava.

Segundo o próprio Procurador que subscreveu a DENÚNCIA, pois consta na folha 42, o dinheiro se destinava a comprar apoio político e pagamento de campanhas eleitorais passadas e futuras. A compra de votos até hoje nunca foi provada, quanto ao uso do dinheiro para financiar campanhas com dinheiro não prestado contas à Justiça Eleitoral , o famoso “caixa 2”, o PT não nega, até confessa.

Resta uma pergunta, “caixa 2” em campanhas eleitorais é crime? Não. Tem apenas implicações cominadas na legislação eleitoral, como por exemplo, a cassação do diploma por abuso do poder econômico, se restar provado que o uso dos recursos não declarados o acarretou.

Como a origem dos recursos manejados, os R$ 55.217.271,02, é lícita e privada, e até aí não se poderia encalacrar os petistas nem ninguém mais, inventou-se o desvio de dinheiro público, empurrou-se à força dinheiro público no “caixa 2” do PT através de supostos desvios de dinheiro na Câmara dos Deputados e no Banco do Brasil.

Como a quantia supostamente desviada na Câmara dos Deputados não perfaz nem a R$ 800.00,00, na verdade somando-se chega a R$ 788.44,55 (valores encontrados nas fls. 54/55 da DENÚNCIA), só se consegue empurrar dinheiro público no “caixa 2” do PT se vingar a tese de que houve desvio de dinheiro público no BB.

Contudo, é aí que a farsa do “mensalão” é mais frágil pois se o dinheiro do Fundo de Incentivo Visanet não pertence ao Banco do Brasil como de fato está provado nos autos da Ação Penal 470, Apenso 427, folha 5, (lá está escrito que os recursos do fundo pertencem à Visanet), então não houve desvio de dinheiro público, nem particular, pois a Visa jamais reclamou qualquer coisa. Quem quiser conferir basta ir no seguinte endereço:
http://www.oficinainforma.com.br/visanet/VOL%20427.pdf

O “mensalão” como compra de votos jamais foi provado, até porque a conta não fecha pela quantidade de deputados condenados, 6, e nenhum senador sequer processado.

O “mensalão” como desvio de dinheiro público é risível. Acredita quem quer ou está se informando pelos meios de comunicação golpistas.

Fico estarrecido com a capacidade desta revista, Carta Capital, de me decepcionar e da sua capacidade de se igualar à sua tal criticada concorrente a revista Veja. Joaquim Barbosa não fez nada além do que a sua função exigia e não acredito que a cor da sua da pela tenha sido critério condicionante a sua nomeação, mas sim o seu curriculum.

Análise exagerada. Quem fez o que é errado tem q ser condenado. Simples assim. Podia ser o juiz que fosse, onde fosse, julgando réus do grupo ideológico que fosse.

Desperdício de discussão sobre cor, partido, motivação ou ingresso do juiz… vamos estudar os réus, isso sim, pra q as condições que permitiram a formação deles nao se repitam. Ora poha.

O que uma ideologia não faz na cabeça de um ser humano? . O sujeito tem doutorado em Antropologia Social e cunha frases como :
“No momento final do julgamento do mensalão, há anos atrás, escrevi em meu Blog que não concordava com a decisão. Não por não ver culpa e traição nos atores da história, em especial os petistas, mas por perceber o quanto a ardilosa elite brasileira se lambusaria no banquete de hipocrisia que alimentaria a dinâmica política a partir dali.”
Depois de isentar criminosos por causa de sua própria opinião a respeito de um segmento de nossa sociedade, nosso antropologo manda a perola “Joaquim Barbosa é o nosso Clarence Thomas” que não merece qualquer comentário sério.
Se Joaquim Barbosa beija-se a mão do grande líder chamado Lula como um servo que só entrou na casa grande por causa do PT ai sim ele seria um grande juiz aos olhos desse cidadão…

Sensacional o texto do Jaime, concordo plenamente com as colocações corajosas e certeira. Análise política, não é fácil é uma tarefa que requer aguda sensibilidade para farejar no ar o que realmente é o ponto da questão,parabéns!

Marcia Rodrigues, socióloga e historiadora

Uma tentativa ridícula de colocar JB como marionete do PSDB. Desculpe, mas o autor foi infeliz. Quando colocamos a questão racial na discussão para defender partido A ou B, significa que o autor também se coloca como marionete do PT. Sinceramente, acredito que ninguém, e disse ninguém teve mais acesso aos autos do processo do mensalão que o JB e outros ministros acima de qualquer suspeita como a Ministra Carmem Lúcia e o Ministro Celso de Mello que votaram como o JB. Julgar a falta de conhecimento da lei, de ministros que tanto ralaram pra chegar aonde chegaram, é ridículo!!! Infelizmente ou felizmente, os autos caíram na mão do JB como relator, e garanto que o PT comemorou isso, mas se deu mal, quando percebeu que o fato de terem indicado JB, não influenciaria o seu ponto de vista sobre o caso. Enfim, quando pararmos de sermos militantes de partido e formos militantes de causas, conseguiremos cobrar esses mafiosos como eles merecem.

“Não por não ver culpa e traição nos atores da história, em especial os petistas, mas por perceber o quanto a ardilosa elite brasileira se lambusaria no banquete de hipocrisia que alimentaria a dinâmica política a partir dali.

E mais: o papel pedagógico do filme editado pela grande mídia – “A esquerda chega ao poder, mas acaba na cadeia”.

Quer dizer que a verdade depende do contexto.. e a lei.. oras, a lei! Não há evolução para o país possivel com uma elitezinha intelectual cretina dessas!

Etnia, condição sexual ou religiosa, ou qualquer outro fator que a sociedade rotula como minorias, não significam que estas pessoas discriminadas sejam essencialmente boas, pois o amargor que nasce do preconceito, pode deixar uma marca de vingança enraizada em pessoas fracas de caráter. E em condições favoráveis e o deslumbre do poder e do dinheiro fácil faz tudo isso vir a tona rapidamente. O personagem em questão aqui não foi o primeiro e nem será o último.

A ideia reproduzida no texto não passa duma ideia que sombria há muito tempo e que representa abnegação de inclusão dos negros nas faculdades, nas politicas e nas decisões importantes do país. Um medo que tenta evitar o inevitável, pois, mais cedo ou mais tarde, os negros deste país participarão na tomada de decisões importante deste país, e defenderão a classe humilhada por séculos.
Acho essas barreiras impostas pelos “os brancos” (elites) nacional não passa de medo.

[…] Falta-lhe, no entanto, bases sociais mais sólidas. No mundo jurídico, Barbosa não é unanimidade. De Ives Gandra Martins a Dalmo Dallari, sobram críticas de seus colegas aos excessos cometidos, ao atropelamento dos direitos processuais, o gosto pelos holofotes, e por fim, à mistura entre as funções de acusador e julgador na Ação Penal 470.  Celso Antonio Bandeira de Mello acusa-o de ser um homem mal (aqui). O movimento negro também não o identifica como seu porta-voz ideal (aqui). […]

Acho que não entendi o texto.
Joaquim Barbosa seria mais negro – e portanto mais alinhando com os princípios da luta contra o preconceito racial – se tivesse contribuído para a absolvição dos acusados do mensalão?
Ou seja, por ter protagonizado a condenação e a prisão dos acusados (que são da esquerda) ele está se distanciando da luta negra?

O que o autor do texto quis dizer foi, mais ou menos, que ao participar do sistema vigente (sendo ministro e hoje presidente do STF) sucumbiu aos “valores brancos” impostos pela “hierarquia racial”.

Sem querer entrar na polêmica da análise do texto, quero dizer que o ministro JB demonstrou ser uma pessoa sem controle com as palavras, prepotente a ponto de fazer uma das ministras gaguejar e chorar na declaração de um voto divergente da sua opinião, cometeu muitas lambanças na condução do julgamento(qualquer jurista pode atestar). O que mais quero é que ele saia do STF, porque os outros membros simplesmente estão passivos diante de tamanha prepotência e arbitrariedade. Que ele vá para a política e se estrepe de vez.

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