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Apoio ao Núcleo de Consciência Negra na USP

O pessoal do Núcleo de Consciência Negra da USP criou um evento no Facebook como forma de divulgação do pedido de apoio contra a retirada do espaço físico do núcleo da Universidade.
No texto do evento eles pedem para que seja enviado uma nota de solidariedade ao núcleo para os seguintes emails:[email protected] e [email protected]
Segue o texto do evento:

Este evento foi criado com o objetivo de pedir seu apoio para que a atual administração da USP não nos obrigue a desocupar o espaço que ocupamos para desenvolver nossas atividades (Barracão 3 atrás da FEA). Queremos que a Reitoria da USP legitime o uso do nosso espaço. A USP, através da Comissão Permanente de Políticas Públicas para a Inclusão Social (CPPPIS), reconheceu oficialmente, através de um parecer desta Comissão, o relevante papel que o NCN tem cumprido na questão da discussão étnica-racial, dentro e fora da USP, e nossa luta por políticas de acesso e permanência do povo negro no ensino público superior público. Infelizmente a USP nunca fez e não faz, sequer a discussão destas questões.

O NCN foi fundado em 1987 e iniciou a discussão sobre a realidade dos afro-brasileiros na USP. Conosco funcionários, professores e estudantes organizaram-se e pautaram a temática da desigualdade sócio-étnica-racial no maior espaço acadêmico deste país, no qual pouquíssimos/as negro/as tiveram ou têm acesso. O NCN sempre esteve atento às demandas da sociedade e busca dialogar com organizações do Movimento Negro e Movimentos Sociais.
Conquistamos o atual espaço, através de uma ocupação há 23 anos e desde então realizamos inúmeras atividades políticas, acadêmicas e culturais. Dentre elas destacamos: o Curso Popular Pré-Universitário, o Centro de Estudo de Idiomas (CEI), as Oficinas de Teatro e de Cidadania, que abarcam debates, seminários e palestras sobre a história, as demandas sociais e a cultura afro-brasileira. O NCN deu início, ainda na década de 90, às campanhas por “Reparação Histórica ao Povo Negro” e pela “Implementação de Cotas Raciais nas Universidades Públicas”, políticas que estão sendo cada vez mais aceitas e implementadas, exceto pela USP, UNESP e UNICAMP, que se recusam a sequer a discutir qualquer modelo de sistema de reserva de vagas.

A dificuldade de manutenção do espaço é histórica, pois ao longo de existência, a USP mostrou-se contrária à presença, dentro de seus muros, de uma associação autônoma com o perfil que temos. Contudo, nos últimos anos, a Universidade de São Paulo está aumentando a repressão contra aqueles que possuem opiniões diferentes e/ou divergentes à da classe política dominante, provas disso são: o fim da isonomia salarial entre funcionários e professores; a demissão sem justa causa de 271 funcionários; a abertura de processos para a “eliminação” de 24 estudantes com base em um decreto da ditadura militar, contra os diretores do SINTUSP e moradores do CRUSP; o projeto da Nova ECA vem sendo utilizado para desocupar os espaços onde existe resistência ao projeto de universidade elitista, racista e mercadológica do Governo de SP; a repressão policial cotidiana da PM e a violência imposta aos estudantes que ocupavam a reitoria visando abrir um canal de diálogo com a reitoria para a retirada da PM, dos processos de perseguição política e pela autonomia dos espaços.
Estamos negociando um convênio para manutenção do nosso espaço físico com a recém nomeada CPPPIS, mas as condições que estão sendo impostas pela Reitoria visam acabar com a nossa autonomia, tentando transformar o NCN em um Núcleo de Cultura e Extensão da USP, ou seja, eles querem nos colocar sob o comando deles para que, sob o comando (ou desmando) do REItor, possam simplesmente obrigar-nos a sair do espaço e, é claro, em uma eventual recusa, chamar a Tropa de Choque como o fez recentemente na Reitoria.

Contato: www.nucleocn.org / www.facebook.com/nucleodeconsciencianegra

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