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Direitos da Criança e do Adolescente

Após dois meses na prisão, os quatro jovens presos injustamente poderão ter liberdade

Hoje (14) Marco Cogan e Roberto Grassi, desembargadores da 8ª Câmara do Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo, pediram a vista do pedido de Habeas Corpus dos quatro jovens presos sem provas no final do ano passado, caso que tem sido analisado pela Rede de Proteção e Resistência Contra o Genocídio.

Por Marina Souza

Hoje (14) Marco Cogan e Roberto Grassi, desembargadores da 8ª Câmara do Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo, pediram a vista do pedido de Habeas Corpus dos quatro jovens presos sem provas no final do ano passado, caso que tem sido analisado pela Rede de Proteção e Resistência Contra o Genocídio. Agora, os ativistas do grupo e a família dos suspeitos aguardam ansiosamente pelas próximas etapas judiciais que podem trazer Fabrício do Santos, Pedro dos Santos, Washington Silva e Leandro Silva de volta as suas casas.

O caso

Em 10 de dezembro de 2018 os adolescentes foram apreendidos pela Polícia Militar na região do Jardim São Jorge, Zona Oeste paulistana, sob a suspeita do roubo de um carro. A vítima, motorista de Uber, havia sido abordada na mesma noite por quatro homens que levaram seu veículo.

Quando aparecerem ao local do crime os PMs decidiram procurar por suspeitos nas redondezas. Encontraram o carro em um lugar próximo da região, observaram que havia quatro garotos observando a cena e optaram por abordá-los. Após olharem os documentos, ordenaram que eles entrassem na viatura e os levaram para a cena do crime, onde o motorista disse reconhecer os suspeitos como culpados.

Na delegacia, segundo a advogada Paloma de Lima, não foi colhido nenhum depoimento, apenas a assinatura de cada um deles, sem qualquer leitura prévia dos documentos. No dia seguinte, a audiência de custódia confirmou o cárcere dos jovens, que foram transferidos para o Centro de Detenção Provisória 2 de Osasco, onde estão atualmente.

A prova da inocência e o preconceito enraizado

Inconformados com a situação, os familiares dos presos decidiram ir atrás de provas que mostrassem a inocência dos garotos. Com câmeras de segurança instaladas na rua onde o carro roubado havia sido deixado foi possível captar imagens que apresentam o exato momento no qual os bandidos deixam o veículo e saem do local. Veja a seguir:

As famílias contam que no dia os rapazes estavam ensaiando uma homenagem de louvores a um amigo que faleceu, e na hora de irem embora passaram no local onde a polícia se encontrava. Três dos quatro acusados são negros.

No Brasil, os jovens negros têm 2,71 vezes mais chances de morrer por homicídio do que os brancos. Mesmo após 21 anos da letra “Capítulo 4 Versículo 3”, dos Racionais MCs, o indicie estatístico presente no verso “a cada quatro pessoas mortas pela polícia, três são negras” continua válido. Segundo o Fórum de Segurança Pública, 76,2% dos mortos pela polícia no país são negros.

 

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