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Novo clipe de Thiago Elniño fala sobre a resistência ao genocídio da juventude negra

Seguindo com as ações que antecedem a estreia de seu próximo disco, o MC e educador popular Thiago Elniño apresenta mais uma inédita do aguardado “Pedras, Flechas, Lanças, Espadas e Espelhos”. Dessa vez, em um rap que fica entre um trap com texturas orgânicas e o boombap, “Pretos Novos” vem, agressiva e direta ao ponto, inspirando-se em nomes como Dead Prez, N.W.A., EarthGang, Marcus Garvey e Malcolm X.

“Em algum momento, o rap brasileiro da década de 90, que trazia um discurso cru e forte contra o racismo, passou a ser apontado por uma nova geração como algo superado, liricamente empobrecido, repetitivo, careta e até inocente em sua fé de que alguma coisa pudesse realmente mudar. Só que foi justamente esse rap que não só nos inspirou como também deu esperança e motivou a começar e continuar produzindo. Por isso, respeitosamente tentamos manter viva aquela energia. Nesse som, estou dizendo que por mais que esteja difícil, a gente vai morrer lutando, cantando e acreditando que o dia dos pretos vai chegar. Aliás, morrer lutando é um traço de dignidade e respeito ancestral para nós”, ressalta.

Na letra, as rimas debochadas do artista o colocam no papel de um personagem mais velho, além de zombeteiro, tal qual um Exú, encontrando eco com o papo reto de Vibox, Nayê Uhuru, D’Ogum e DenVin, todos integrantes do grupo Projeto Preto, da nova escola no rap paulista. Essa participação especial faz, dessa track, um encontro de gerações.

No videoclipe produzido para esse trabalho, sob a direção de Lincoln Pires, um plano sequência impacta quando, logo nas primeiras imagens, mostra um jovem preto sendo velado dentro de casa, dando a impressão de que aquela é uma realidade comum. E, de fato, é. Isso porque, de acordo com o Atlas da Violência 2019, 75,5% das pessoas assassinadas no Brasil são negras. A mensagem que fica, nas entrelinhas e fora delas, é um grito de basta.

Assista aqui: https://youtu.be/3xQS300lwqg

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Cultura preta: quais são as novidades do segundo semestre de 2019?

O segundo semestre de 2019 chegou e com ele uma série de lançamentos e estreias na música, teatro, literatura e cinema. Aqui reunimos as mais recentes novidades da cultura preta e periférica de São Paulo, confira a agenda e mais informações sobre cada evento.

Peça “Terror e Miséria no 3º Milênio – Improvisando Utopias”
Quando? Em cartaz de 28 de junho a 28 de julho
Onde? Sesc Bom Retiro – Alameda Nothmann, 185, Campos Elíseos, São Paulo
Saiba mais: http://bit.ly/terror3milenio

Inspirada no clássico de Bertolt Brecht, a peça se une a cultura Hip Hop para apresentar um panorama sobre a violência. É uma visão que coloca, em mundos paralelos, os dias de hoje e os anos que antecederam a explosão do nazi-fascismo, na época da Segunda Guerra Mundial. O elenco formado por 11 atores MCs discute também os privilégios e opressões vindas do racismo, do preconceito de classe e gênero. O espetáculo é montado pelo Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, com a direção de Claudia Schapira.

Lançamento do livro “Pensando como um negro: ensaio de hermenêutica jurídica”
Quando? Dia 02 de julho, das 19 às 22 horas
Onde? Livraria Tapera Taperá – Loja 29, 2º andar – Avenida São Luís, 187, São Paulo
Saiba mais: http://bit.ly/pensandocomonegro

Adilson José Moreira, professor, advogado, Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Federal de Minas Gerais e Doutor em Ciências Jurídicas pela Universidade de Harvard, lança dia 2 de julho, em São Paulo, o livro “Pensando como um negro: ensaio de hermenêutica jurídica”. Por meio de um estudo integrado entre narrativas pessoais e análises teóricas, o livro discute as consequências entre o formalismo jurídico e a neutralidade racial na interpretação da igualdade.  A publicação apresentada pela editora Contra Corrente vai abrir um debate no dia do seu lançamento com a professora Gislene Aparecida Santos, da Faculdade de Direito da USP, e o professor Dimitri Dimolis, da Escola de Direito da FGV, na livraria Tapera Taperá.

Mostra de Cinemas Africanos
Quando? De 10 a 17 de julho
Onde? Cine Sesc –  R. Augusta, 2075, Cerqueira César, São Paulo
Saiba mais: http://bit.ly/mostracinesafricanos

Serão 24 filmes de 14 países do continente africano na exibição da Mostra de Cinemas Africanos.  Essa é a 4ª edição do evento que traz, em 1 semana, uma seleção de produções reconhecidas em grandes festivais de cinema e aclamados pelo público e também pela crítica. Grande parte dos filmes nunca foi exibida no Brasil e eles serão o centro de debates que o evento trará, com especialistas em cinema, sobre cada narrativa. 

Lançamento de”O.M.M.M.”, novo disco de MAX B.O

O rapper Max B.O completa 20 anos de carreira e comemora com o lançamento de seu novo álbum. Fazendo ode à camaradagem, ele reúne uma série de participações especiais, beatmakers e músicos. Curumin, Rael e Lucio Maia são alguns dos nomes envolvidos. Esse é o primeiro trabalho de inéditas do artista, que apresentou por 6 anos o programa “Manos e Minas”, da TV Cultura. Depois de inúmeras parcerias e das mixtapes “FumaSom Vol. 1” (2013), “Antes que o Mundo se Acabe “ (2012) e o álbum “Ensaio, O Disco” (2010), é hora de “O.M.M.M.”

Ouça aqui:

509-E anuncia retorno aos palcos

Após 16 anos de pausa, o grupo lendário de rap nacional 509-E anunciou, em entrevista para o jornal Brasil de Fato, que vai voltar aos palcos em 2019. Dexter e Afro-X, farão uma série de shows para celebrar os 20 anos de parceria entre a dupla. A primeira apresentação está marcada para o dia 24 de agosto, em São Paulo, e promete trazer clássicos como Saudades Mil, Mile Dias, Castelo de Ladrão e Oitavo Anjo. No entanto, os rappers já adiantam que esse  é um momento de celebração e não é um retorno oficial do grupo, os artistas ainda continuam suas carreiras solo.

Confira a matéria completa: http://bit.ly/Retorno509E_BF

 

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MAX B.O. celebra 20 anos de carreira com novo álbum

Fazendo ode à camaradagem, rapper reúne uma série de participações especiais, beatmakers e músicos. Curumin, Rael e Lucio Maia são alguns dos nomes envolvidos

Aos 40 anos de idade e 20 de carreira profissional, MAX B.O. lança “O.M.M.M.”. Esse é o primeiro trabalho de inéditas depois de inúmeras parcerias e das mixtapes “FumaSom Vol. 1” (2013), “Antes que o Mundo se Acabe “ (2012) e o álbum “Ensaio, O Disco” (2010).

Para o novo projeto, artista faz ode à camaradagem e reúne uma série de participações especiais, beatmakers e músicos. Curumin, Rael, Lucio Maia, Zé Nigro, Donatinho, Dada Yute, Robinho Tavares, WC e Salazar são alguns dos nomes envolvidos. ‘Juntei pessoas que acredito, gosto e admiro. Alguns conheço há pouco tempo, outros são parceiros de longa data… Só gente de talento ímpar, lendas vivas. O resultado é um disco que dá ao rap brasileiro a oportunidade de ouvir músicos tocando de verdade em uma gravação. Sem influências, nem referências externas, criamos uma obra orgânica, verdadeira e completa”, explica.

Produzido e dirigido musicalmente por Iky Castilho, “O.M.M.M.” – abreviação para “O Mundo é um Moinho” – fala sobre a vida, o jogo, a gira e suas diversas formas de lidar com ela.

A capa, criada pelo artista Rodrigo Mitsuru, é uma arte com forte influência do trabalho de Robert Crumb, que Max B.O. lê desde a adolescência. O desenho é inspirado na rua onde o MC cresceu e seus pais ainda moram, na Zona Norte de São Paulo. Os logos do trabalho são da artista Helena Cirnila e a fonte das músicas são do artista Carlos Moreira. A concepção da estética visual é da Casa Florália e as fotos são de Mariana Harder. “Vale dizer que tudo foi marcado pelo poder da escrita, com ênfase no uso do lápis, seja pra escrever ou desenhar”, ressalta.

Composto por 12 faixas, registro já está disponível em todas as plataformas digitais.

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Ana Cacimba faz show no Teatro Clara Nunes e lança single “Todas de Mim”

No sábado, dia 15 de junho, o Teatro Clara Nunes recebe a cantora e compositora Ana Cacimba. O show, embalado por ritmos como coco, ciranda e maracatu, celebra a poética da cultura popular afro-ameríndia, destaca um discurso político engajado e conecta forças femininas ao redor de suas inúmeras lutas e atos diários de resistência.

No repertório, canções como “Vento de Oyá”, “Delicadeza” e “Filha de Pemba” prometem colocar o público para dançar.

Na mesma noite, Ana Cacimba apresenta a inédita “Todas de Mim”.

Para as execuções ao vivo, artista será acompanhada por DJ Preto EL, Gil Capistrano (voz e percussão), Wanderson Mendonça (voz e guitarra) e Tomtom (baixo).

Divulgação

“O peso da percussão e a força dos cantos tradicionais são fortes características do meu trabalho, mas, dessa vez, teremos algumas novidades. Além da mistura com riffs de guitarra, que trazem tanto a distorção do rock quanto o charme do brega, decidimos incluir metais e alguns elementos eletrônicos”, ressalta.

Nascida na periferia do ABCD Paulista, em Diadema, Ana iniciou sua vida artística aos doze anos de idade, no teatro. Aos dezesseis, passou a dedicar-se ao universo musical e, desde então, segue descobrindo e redescobrindo suas forças ancestrais.

SERVIÇO

Ana Cacimba faz show no Teatro Clara Nunes e lança single “Todas de Mim”

Data: 15 de junho de 2019

Horário: 20h

Endereço: Rua Graciosa, 300 | Centro de Diadema, São Paulo

Entrada: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia)

Duração: 50 minutos

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Nova obra de As Bahias e a Cozinha Mineira é eclética, doce e política

Os últimos anos têm sido eloquentes para Assucena Assucena, Raquel Virginia e Rafael Acerbi – o trio por trás do grupo As Bahias e a Cozinha Mineira, que lançou na sexta 31 o disco Tarântula, terceiro álbum de estúdio e o primeiro após a assinatura com a Universal Music. Além de 10 canções compostas por seus integrantes, a obra ganha as plataformas digitais e também chega ao mercado acompanhada de três videoclipes: Volta, Carne dos Meus Versos e Shazam Shazam Boom, dirigidos por Rafael Carvalho.

Sucessor do premiado Bixa (2017), o trabalho era esperado por seus fãs após o single do clipe Das Estrelas, lançado em janeiro deste ano, deu mostras do tom eclético, doce e, ao mesmo tempo, político deste disco agora completo. Assucena relembra que Tarântula nasceu sem pretensão em razão de ter sido inicialmente concebido para um EP. Apesar do tom também político, o grupo se livrou das retóricas para criar uma obra livre que trata também do afeto e do cotidiano. “Tarântula construiu seu conceito na medida em que íamos descobrindo cada canção e conectando seus significados até chegar a um disco”, explica Assucena. Para Raquel, em Tarântula há “paixões perdidas, fuça de fuzil, a Bahia e mulheres que botam para quebrar”. “O álbum é o século 21 sob nossa perspectiva, nossas crônicas, relatos e aventuras”, resume.

A perspectiva das duas vocalistas é confirmada pelo músico Rafael Acerbi que, diferentemente dos discos anteriores, não vê nada de linear na novidade. “Em Tarântula não existe começo e fim e o ouvinte pode começar a degustá-lo por qualquer faixa”, diz Rafael que desta vez estreia também como compositor e cantor em Volta – canção que fala do desgaste do amor – ao lado de quatro músicas escritas por Assucena Assucena e as demais cinco assinadas por Raquel Virgínia – incluindo Tóxico Romance com a participação do rapper Projota que, além de dividir os vocais, também compôs a faixa.

O álbum de MPB tem os esperados sambas e baladas que já são marcas do trio, mas, com maturidade, ousa no universo do pop. O manifesto, no entanto, começa em seu nome inspirado pela Operação Tarântula, ação policial feita pela ditadura militar paulista em 1987 e que perseguiu mais de 300 travestis com a desculpa de que ao exterminá-los podia-se prevenir o HIV – como se sabe, a perseguição não deu certo e “tarântula” para o trio também significa a energia feminina e a fertilidade da aranha que tece sua própria rede – assim como o trio ao se aliar a diversos produtores – entre eles Guilherme Kastrup, Haroldo Tzirulnik, Márcio Arantes e Marcelinho Ferraz – para apresentar um disco de MPB moderno e eclético que vai da pista ao samba da Bahia.

Quem são As Bahias e a Cozinha Mineira?

O improvável encontro não poderia ser mais feliz – e explosivo para a música. De um lado, Assucena Assucena, 30 anos, trans judia, baiana do sertão e nascida em Vitória da Conquista e com uma história que, segundo ela, soma sua existência com a resistência de milênios que carregam as mulheres trans. Na outra ponta, a paulistana trans negra de 30 anos Raquel Virginia que, junto da mãe, morava em casas de familiares da periferia para poderem economizar e pagar seus estudos – vale dizer que ela já tentou ser cantora de axé. No outro extremo está Rafael Acerbi, 27 anos, homem branco cis, mineiro de Poços de Caldas que aprendeu a tocar na igreja e, por lá, participou de algumas bandas até que os três se encontraram no curso de História da Universidade de São Paulo (USP).

Fotos: Trigo Estratégia de Imagem

Tocando, cantando, fazendo saraus ou debates, a afinidade foi imediata e logo a banda, então chamada Preto por Preto, se apresentava na universidade até que resolveram assumir seus gostos musicai e criaram As Bahias e a Cozinha Mineira tendo como Gal Costa uma de suas musas. O resultado deste encontro nada casual resultou no primeiro álbum em estúdio, no fim de 2015, chamado Mulher. O segundo veio em 2017, intitulado Bixa e, com ele, uma ampla dose de reconhecimento que incluiu dois troféus no 29º Prêmio da Música Brasileira: “Canção Popular – Grupo” e “Canção Popular – Álbum” e lhe renderam a assinatura de um contrato com a Universal Music, cujo primeiro single, Das Estrelas, dava um aperitivo de Tarântula, o álbum mais maduro e nem por isso o mais coeso de um trio que não se propõe a repetição de fórmulas de sucesso.

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Sesc Copacabana recebe a primeira cia negra de dança no país

Embalados aos sons das músicas de Naná Vasconcelos, a primeira companhia de dança negra contemporânea do Brasil, a Cia Rubens Barbot, reestreia “Dança Naná”, uma releitura do primeiro sucesso internacional da companhia, que teve sua primeira apresentação em 1993. Com 25 anos de história, trazendo os gestos movimentos e imagens que surgem dos corpos nas danças tradicionais brasileiras e traduzidas nos corpos negros, o espetáculo vai estar em cartaz no Sesc Copacabana de quinta(16) a domingo (19), às 20h.

Fotos: Wilton Montenegro

A Companhia Rubens Barbot é a primeira Cia negra de dança contemporânea do Brasil, surgiu há 29 anos, já fez turnê por diversos países e continua resistindo mesmo diante do triste cenário que se encontra a arte no Brasil. O Rubens Barbot, fundador da companhia e do Terreiro Contemporâneo, espaço cultural que se tornou uma base da arte negra no Rio, tem uma personalidade respeitada no meio artístico negro e um forte legado internacional como bailarino.

“Dança Naná” traz um espetáculo dançante, alegre, bem-humorado e contagiante, contando com direção Gatto Larsen, no elenco: Ana Paula Dias, Carlos Maia,  Carlos Mutalla, Eder Souza Martins, Wilson Assis e produção Beth Lopes. A Coreografia é de Luiz Monteiro, que na primeira apresentação há 25 anos era bailarino, hoje assina a releitura da coreografia original de Rubens Barbot.

Um estudo específico sobre a danças populares pertencentes à cultura brasileira gerou esta obra que teve a moldura musical de Naná Vasconcelos, a coreografia tem 35 minutos e outras duas, também ícones dentro da história da companhia compõem o programa sendo na primeira parte: “A Nega”(1991) solo com Wilson Assis e “Nem Todos Somos Patinhos Feios” (2012) coreografia de Luiz Monteiro sobre um tema lançado por Elvio Assunção.

Rubens Barbot – radicado no Rio de Janeiro desde 1989, criou a Cia Rubens Barbot em 1990, e transformado no ícone da dança negra contemporânea desde então. Também diretor do Terreiro Contemporâneo, espaço que é uma das bases da arte negra carioca.

Serviço

Classificação: Livre

Quando: 16, 17, 18 e 19 de maio | 20h |

Onde: Sesc Copacabana – R. Domingos Ferreira, 160 – Copacabana, Rio de Janeiro – RJ

Tarifas: R$30,00 (inteira), R$15,00 (meia entrada), R$7,50 (associados do Sesc), gratuito (estudantes de Artes Cênicas com documentação válida).

Contato: (21) 2548-1088

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Maciel Salú faz show de estreia do novo disco

Ao apresentar “Liberdade”, seu mais recente disco, mestre rabequeiro faz um mergulho profundo na cultura popular, sem deixar de lado uma musicalidade cada vez mais comtemporânea

Pernambucano Maciel Salú faz, pela primeira vez em São Paulo, show baseado em seu mais recente disco, Liberdade, no Sesc 24 de Maio. A apresentação marcada para sexta-feira, dia 03/05, acontecerá no Teatro da unidade, às 21h. Siba participa do espetáculo.

Composto por 10 músicas autorais, repertório destaca-se por “Maracatu Sem Lei”, com influências do rock ‘n roll, “Jurema”, em reverência a entidade indígena que impulsiona uma das maiores tradições religiosas do nordeste, e Liberdade”, faixa que dá título ao disco e segue por um caminho mais pop. Nas letras, um evidente discurso político e social reflete temas como preconceito, racismo, religiosidade, democracia e violência. Tudo isso é acompanhado pela rabeca do artista que traz uma sonoridade única ao ser experimentada com cordas e pedais de guitarra.

Fotos: Alcione Ferreira

Herdeiro direto da família Salustiano, com passagem pelas bandas Orquestra Santa Massa, Chão & Chinelo e Orquestra Contemporânea de Olinda, Maciel Salú cresceu em meio a maracatus rurais, cavalos marinhos, cocos e cirandas. É mestre e brincante de diversos folguedos.

Ao longo dos seus 20 anos de carreira, lançou A Pisada é Assim (2003), Na Luz do Carbureto (2007), Mundo (2010) e Baile de Rabeca (2016).

Serviço:

Maciel Salú estreia LIBERDADE no SESC 24 de Maio

| Participação especial de SIBA |

Data: 03 de maio, sexta-feira, às 21h, no Teatro da Unidade

Ingressos: R$9 (credencial plena/trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes), R$15 (pessoas com +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino) e R$30 (inteira)

SESC 24 de Maio: Rua 24 de Maio, 109 – República

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Companhia de Teatro Heliópolis traz peça sobre a justiça brasileira

A Companhia de Teatro Heliópolis apresenta a montagem (IN)JUSTIÇA até o dia 19 de maio, na Casa de Teatro Maria José de Carvalho (sede do grupo), no bairro Ipiranga. A encenação é dirigida por Miguel Rocha, fundador e diretor do grupo; e Evill Rebouças assina o texto que foi criado em processo colaborativo com a Companhia.

(IN)JUSTIÇA é um ensaio cênico, guiado pela indagação ‘o que os veredictos não revelam?’, que reflete sobre aspectos do sistema jurídico brasileiro. Para tanto, conta a história do jovem Cerol que, involuntariamente, pratica um crime. A partir daí, surgem diversas concepções sobre o que é justiça, seja a praticada pelo judiciário ou aquela sentenciada pela sociedade.

Permeado por imagens-sínteses (característica da Companhia de Teatro Heliópolis) e explorando a performance corporal, o espetáculo coloca em cena a complexidade da justiça no país, deixando a plateia na posição de júri em um tribunal. O embate entre os dois lados da justiça – da vítima e do criminoso – se estabelece em um jogo contundente que expõe com originalidade a crua realidade dos jovens pobres e negros. A música ao vivo confere ainda mais densidade poética ao ‘relato’, que foge de qualquer abordagem clichê.

Fotos: Caroline Ferreira

A história de Cerol é contada de forma não linear. Exímio empinador de pipas, ele vive com sua avó, pois a mãe morreu no parto e o pai, assassinado. Depois de uma briga por conta do alto volume da música na vizinhança, Cerol foge e acaba disparando involuntariamente um tiro em uma mulher, que morre em seguida. Ele acaba preso e é submetido ao julgamento da lei e da sociedade.

Com base nesse argumento, a Companhia de Teatro Heliópolis discute direitos humanos à luz da Constituição Nacional. A encenação recupera também a ancestralidade brasileira em passagens ritualísticas. “Queremos pensar o homem negro e a justiça, desde a nossa origem até os dias de hoje”, afirma o diretor Miguel Rocha.

Cenas impactantes e desconcertantes surpreendem todo o tempo. A encenação de Miguel Rocha, alinhavada pela dramaturgia de Evill Rebouças, mostra como a democracia pode ser manipulada. O crime versus a vítima ou o criminoso versus a justiça aparecem de forma não superficial nem previsível. A abordagem de (IN)JUSTIÇA parte do ponto de vista mais íntimo para aquele mais coletivo: da comunidade para a sociedade, da moral pessoal às convenções sociais. Isso permite, igualmente, as leituras de um mesmo caso jurídico, como no julgamento – defesa e promotoria -, onde ambos os discursos são tão contundentes quanto convincentes. “Para falar de justiça, temos que falar das relações humanas contraditórias, pois a justiça se apresenta pelas contradições”, reflete o diretor.

Permeado por emoções e sensações que fogem da obviedade, o espetáculo tem quadros coreografados que trazem o respiro necessário à dinâmica da encenação: cidadãos urbanos, policiais, advogados com suas togas desfilam pela área cênica e hipnotizam o espectador. Os depoimentos inseridos nas cenas humanizam e tornam crível a proposta da montagem, sejam eles densos, desconcertantes, ou mesmo lúdicos. Segundo o diretor, os três pontos de vista sobre justiça – “o pessoal, o divina e o do homem” – são considerados na concepção de (IN)JUSTIÇA, bem como a máxima que diz “só quem passou por uma injustiça sabe o que é justiça”.

O cenário (Marcelo Denny) situa a força da ancestralidade, presente na terra e no terreiro, na força fria do zinco, na estética religiosa que foge dos estereótipos. Traz também o símbolo da lentidão da justiça com toda sua burocracia em pilhas e pilhas de papéis e processos. Elementos como areia, terra, projéteis de bala e pipas compõem a área de encenação, onde predomina a cor cinza. A trilha (de Meno Del Picchia) e os efeitos sonoros são executados em sincronismo com as cenas. Os atores interpretam cantos de tradição que reforçam a busca pela humanização e pela ancestralidade propostas pelo espetáculo.

(IN)JUSTIÇA nasceu de um longo processo criativo, iniciado em fevereiro de 2018, disparado por encontros dos integrantes da Companhia de Teatro Heliópolis com pensadores ativistas que falaram sobre os vários aspectos da Justiça. Os convidados foram Viviane Mosé (filósofa), Gustavo Roberto Costa (promotor de justiça), Ana Lúcia Pastore (antropóloga) e Cristiano Burlan (cineasta), tendo Maria Fernanda Vomero (provocadora cênica, jornalista e pesquisadora teatral) como mediadora.

O espetáculo integra o projeto Justiça – O que os Vereditos Não Revelam, contemplado pela 31ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

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Ladeira das Crianças: a peça sobre periferia, funk e infância

Por Marina Souza

“As pessoas precisam começar a cruzar a ponte pra cá”, exclama Michele Araújo, produtora e atriz do espetáculo Ladeira das Crianças – Teatro Funk, do Grupo Rosas Periféricas, que fica em cartaz até 18 de maio na Casa de Cultura Municipal São Rafael. Inspirada nos livros “O Pote Mágico” e “Amanhecer Esmeralda”, do consagrado Ferréz, a peça retrata o cotidiano de crianças periféricas e traz elementos do funk como a dança, mais especificamente o passinho, a música, o ritmo e as rimas para compor o enredo.

Fotos: Daniela Cordeiro

Araújo conta que o primeiro contato com estes livros foi há muitos anos em um sarau. Após a leitura, percebeu que assim como ela, os amigos que também leram a obra, sentiam a crescente necessidade de fazer alguma peça baseada nas histórias. No livro “Amanhecer Esmeralda”, Manhã é uma criança negra e moradora de uma comunidade pobre, cujo cotidiano vai sendo modificado por gestos de amor que melhoram a autoestima, empoderando não somente a menina, como também sua família. Já em “O Pote Mágico”, um menino na periferia imagina poder encontrar um pote mágico, como acontece também na peça com o garoto negro Rogério MC (Rogério Nascimento), que ganha dinheiro lavando carros para ir ao baile funk, e sonha com um pote mágico que mudaria sua vida.

A produtora explica ainda que durante o processo de montagem da peça o grupo de atores entrevistou crianças de bairros periféricos paulistanos. Assim, foi possível mesclar as próprias memórias da infância com a realidade atual desta faixa etária. “Fomos improvisando a partir de nossas memórias, entrevistas e os livros”, fala.

O Grupo Rosas Periféricas comemora 10 anos de atividades em maio. O coletivo já fez várias peças com elementos musicais, como rap e samba, em destaque, e o grande gênero da vez é o funk. Para os atores, ressignificar a linguagem e, sobretudo, a imagem que o funk possui atualmente é uma missão importante, pois ele faz com que a periferia sinta-se representada de alguma maneira, a própria Araújo diz que “a linguagem só é marginalizada porque vem das bordas da cidade”.

A dramaturgia é assinada por Marcelo Romagnoli, a partir da adaptação dos dois livros acima citados. O Pote Mágico e Amanhecer Esmeralda. Encenada ao ar livre, a peça reflete sobre a identidade das crianças da periferia e sobre os bens culturais do território, acessados na fase infantojuvenil. Todas as sessões são grátis e acontecem no período de 20 de abril e 18 de maio, com sessões na Praça Osvaldo Luiz da Silveira (Parque São Rafael), na Casa de Cultura Municipal São Rafael e no bairro Capão Redondo.

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Amor preto e representatividade marcam obras de Caio Nunez

Com produção de Pedro Guinu e composição do próprio artista, “Lovesong” une elementos do hip hop, jazz e neo-soul, revelando um pouco do próximo álbum do cantor, previsto para o segundo semestre do ano.

Para o filme do projeto, gravado no Rio de Janeiro, o diretor João Pessanha roteirizou o dia a dia de um casal, interpretado por Caio e Jeniffer Dias. É ela a estrela que na novela ‘Malhação’ faz Dandara, homônima à guerreira dos Palmares. “Para mim, uma das maiores virtudes da concepção desse clipe foi contar com uma equipe inteira de profissionais negros. Diante da realidade do mercado audiovisual, considero esse um passo importante”.

Sobre Caio Nunez 

Dono de uma voz doce, levemente rouca e cheia de verdade nas suas emoções, Caio Nunez surge como um dos cantores e compositores mais criativos de sua geração. Misturando MPB, R&B e elementos urbanos, o artista prepara para 2019 seu segundo álbum de estúdio.

Nascido e criado em Irajá, no subúrbio carioca, e influenciado pelo pai músico, Caio lança seu primeiro disco “Akinauê” em 2015. Com seu single “Turquesa” alcança a marca de 250 mil views, além de matérias em diversos veículos pelo Brasil, Portugal, Moçambique e Angola. Foi considerado pelo portal “Armazém de Cultura” um dos melhores discos do ano, ao lado de nomes como Lenine, Elza Soares e Maria Gadú.

O álbum também gerou uma turnê com mais de 50 shows realizados.

No início de 2018, divulgou o clipe ‘Madureira à Bagdá”, distríbuido pela plataforma VEVO e transmitido em canais de TV como MTV, Multishow e BIS.

Foto: Vitor Hugo Silvano

O conteúdo audiovisual, gravado na favela do Pereirão, no Rio de Janeiro, teve como cenário o projeto social ‘Morrinho’. A música entrou em mais de 350 playlists no Spotify .

No mesmo ano, Caio apresentou, em parceria com o  projeto Sofar Sounds, a inédita “Valongo”. Fechando esse ciclo, ‘Afropunk’ chegou com um lyric video inspirado na estética afrofuturista. A track será trilha sonora do  longa “Labirinto”, previsto para 2019.

Atualmente, cantor dedica-se ao lançamento de “Lovesong”, esquentando os próximos passos da carreira.