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BID quer empreendedores negros entre os 500 maiores do país

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Do N&M Comunicação

 

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) está investindo US$ 500 mil até 2017 em um programa inédito no país, de apoio a empreendedores afro-brasileiros, por meio do Inova Capital – Programa de Apoio a Empreendedores Afro-Brasileiros.

“Os empreendedores afrodescendentes muitas vezes enfrentam barreiras adicionais em decorrência de arranjos discriminatórios históricos. Buscamos reverter este quadro. Queremos que os empreendimentos de afro-brasileiros estejam entre as 500 maiores empresas do país”, afirma a especialista em Desenvolvimento Social da Divisão de Gênero e Diversidade do BID, a brasileira Luana Marques. Confira a entrevista:

 

Quais são as principais dificuldades enfrentadas pelos empreendedores negros no Brasil?

Assim como todos os demais empreendedores, o acesso a financiamentos e as capacidades de gestão dos empreendimentos são desafios importantes a serem vencidos para que seus negócios possam crescer. Entretanto, os empreendedores afrodescendentes muitas vezes enfrentam barreiras adicionais em decorrência de arranjos discriminatórios históricos. Para se ter uma ideia, os afrodescendentes representam 68 milhões de consumidores e 11 milhões de empreendedores no Brasil. Do total de empreendedores no Brasil, 52% são negros. No entanto, apenas 29% são empregadores. Em pesquisa realizada pelo PROCON-SP em 2010 sobre Discriminação Racial nas Relações de Consumo, 56,43% dos entrevistados afirma ter presenciado atitude discriminatória de cor/raça ao comprar um produto ou contratar um serviço. Os bancos e instituições financeiras estavam entre as três primeiras onde os consumidores mais se sentiam discriminados depois das lojas e shopping centers. Queremos reverter este quadro e promover o crescimento dos empreendimentos de afro-brasileiros por meio do Inova Capital – Programa de Apoio a Empreendedores Afro-Brasileiros.

 

Como o BID contribuirá para reverter este quadro?

Estamos investindo US$ 500 mil até o final de 2017 no Inova Capital. O programa visa identificar afro-empreendedores com ideias inovadoras, negócios de alto potencial de crescimento e com impacto social e ambiental, preparar os afro-empreendedores para receber investimento e apresentar seus negócios a investidores, além e desenhar novos mecanismos de investimento públicos e/ou privados direcionados a apoiar afro-empreendedores. Queremos que os empreendimentos de afro-brasileiros estejam entre as 500 maiores empresas do país.

 

O banco investirá em projetos criados por empreendedores negros no país?

Não é o escopo de trabalho do BID fazer este investimento direto, mas lembro que estamos investindo meio milhão de dólares neste programa, que beneficia não só os empreendedores desta primeira edição, mas indiretamente todo o empreendedorismo afro-brasileiro, colocando-o em evidência e criando um modelo de apoio que pode e deve ser escalado. Além disso, estamos desenvolvendo estudos e ferramentas para influenciar o crescimento deste mercado gigantesco, formado por 11 milhões de empresários negros e 68 milhões de consumidores afrodescendentes.

 

Qual o status do Inova Capital? Quantos empreendedores negros já foram beneficiados?

Começamos o programa no ano passado com a identificação de 1.500 empresas fundadas por pelo menos um afrodescendente, cadastradas na Plataforma Brasil Afro-Empreendedor, desenvolvida pelo Sebrae e pelo Instituto Adolpho Bauer. Resultou em 185 inscrições, do total de 79 negócios. Destes, foram escolhidos 30 empreendimentos de diversas cidades do País e com variados níveis de maturidade para a capacitação. No primeiro semestre, eles foram capacitados pela metodologia “Bota Pra Fazer”, da Endeavor e tiveram aula presencial no Insper sobre oratória e como apresentar suas empresas ao mercado de capital, ou seja, como fazer um pitch para investidores. Em julho, fizemos uma competição de negócios, em parceria com a Anjos do Brasil, em que sete empreendedores apresentaram seus projetos a investidores anjos e quadro deles foram reconhecidos pelo impacto social e potencial de atrair investimentos: Matheus Cardoso, do Moradigna, Adriana Barbosa, da Black Codes, Hamilton Henrique da Silva, da Saladorama, e Alyne Jobim, da Integrare.

 

Quais são os próximos passos?

Estamos dando visibilidade aos negócios dos 30 afro-empreendedores participantes por meio do site www.inovacapital.net.br, redes sociais, email marketing e relacionamento com a mídia. O BID também está conduzindo um levantamento no país sobre o mercado afro-brasileiro, envolvendo preferências de marcas, comportamento do consumidor e publicidade nas redes sociais. Isso nos dará um direcionamento de como atuar para desenvolver ainda mais o empreendedorismo afro-brasileiro e reduzir a desigualdade. Além disso, planejamos o evento internacional “O Ecossistema para a Promoção do Crescimento de Negócios de Alto Impacto Social | Conexão Estados Unidos – Brasil”, em São Paulo (SP), com apoio do Itaú, para o próximo ano.

 

Quando terá início a próxima edição do programa?

Ainda não temos data prevista para a próxima versão, mas estamos confiantes de que o investimento do BID demonstrou ao mercado que efetivamente existem empreendedores afro-brasileiros de alto potencial. Entretanto, o que falta são oportunidades para que eles possam melhorar suas habilidades de gestão, apresentação e rede de contatos para fazer seu negócio crescer e para acessar capital.