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População indígena do Jaraguá-SP luta para manter sua cultura

De Douglas Belchior

A luta cotidiana pela sobrevivência, por dignidade e pela manutenção da cultura é algo presente há seculos na vida da população originária do território “brasileiro”.

A história de resistência indígena da aldeia guarani Tekoa Ytu é mais um dos muitos exemplos em que a desfaçatez e a ganância dos cara-pálidas, donos do poder econômico e político, se faz presente. E há mais de 500 anos!

Conheça essa história na bonita reportagem de Renata Moraes.

Aos que puderem colaborar com a luta indígena no Jaraguá, em SP, o contato pode ser feito com o Professor de História e liderança indígena David Martim.

 

Fotos de Carlinhos Souza

FOTO 1 Carlinhos Souza, mulheres vendendo seus artesanatos

Nativos buscam a preservação de suas raízes e clamam pela demarcação das terras da aldeia guarani Tekoa Ytu, localizada na Estrada Turística do Jaraguá, em São Paulo.

Por Renata Moraes

 

Na manhã do domingo 26, em uma atividade proposta pelo Centro Cultural da Juventude ( CCJ), localizado na Vila Cachoeirinha, um grupo de 70 pessoas visitou a aldeia indígena Tekoa Ytu, situada no Jaraguá, próximo ao Parque Estadual.

A atividade foi sugerida e idealizada pela  jovem monitora juvenil do CCJ, Juliana Queiroz dos Santos, Filósofa e militante da causa.

Presente na cidade desde 1964, a aldeia guarani Tekoa Ytu (que significa “tribo da cachoeira” ) foi cortada ao meio pela Estrada Turística do Jaraguá e hoje  se divide  em duas aldeias, sendo a “de cima” ainda sem a demarcação da terra. A maior luta é o reconhecimento da parte de cima da aldeia como terra indígena.

“A falta da demarcação de terras nos impede de dar continuidade aos projetos da aldeia e compromete o futuro de nossas crianças”, expressou o jovem Cacique Vitor Fernando Soares, que em guarani se chama Carai Mirim.

Em 1987 o Governo Federal demarcou apenas a parte baixa da aldeia e desde então eles aguardam o Ministério da Justiça expedir a portaria declaratória, reconhecendo o local como território tradicional indígena. A última etapa é a homologação pela Presidência da República.

Em vez de ocas, há casas de pau a pique e barracas improvisadas onde vivem cerca de 180 famílias com aproximadamente 800 pessoas, sendo quase metade deste número de crianças e adolescentes que sobrevivem em condições precárias. Há lixo por várias partes, a rede de esgoto não funciona e o rio que já foi limpo e fonte de sustento, por meio da pesca está poluído. Sem contar com o grande número de cães e gatos que são abandonados ali por moradores dos arredores.

A comunidade sobrevive de benefícios do Governo, das doações de alimentos de organizações não governamentais, com a ajuda da população local e também da venda de seus artesanatos. A aldeia possui duas escolas nas quais crianças são alfabetizadas nas duas línguas: Português e Guarani. E também há uma Unidade Básica de Saúde (UBS).

Para o professor de história, Davi Martim, é uma alegria receber os visitantes: “Nós costumamos receber as pessoas de uma forma harmoniosa em nossa aldeia, pois vivemos assim, e essa visita proporciona uma maior integração entre o  índio e o homem branco, desmistificando e quebrando paradigmas. E é importante também para as pessoas conhecerem suas origens, muitos tem descendência indígena e não conhecem a cultura.”

Durante a visita os participantes tiveram a oportunidade de conhecer um pouco da cultura indígena, seus valores e suas crenças. Na casa da reza, local de oração em que os índios fazem suas preces todas as noites, eles puderam presenciar um canto de agradecimento pelos bens e frutos que a natureza oferece.

Para a jovem estudante Louise De Villio, 20, a atividade gerou  reflexão: “Com a visita aprendi que políticas publicas não têm que só subir o morro ou sair do asfalto, mas têm que entrar na mata também.”

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FOTO 2 Carlinhos Souza, frente da aldeia indígena no Jaraguá

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Escrita da história

Higienópolis experimentou um Rolezinho de negros em 2012

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Por Douglas Belchior

O racismo não obedece a datas festivas, não tira férias, não deixa descansar. Talvez por se tratar de um período em que “quem pode mais” usufrui de sua sorte com mais intensidade, a repressão torna-se mais efetiva contra aqueles que teimam atrapalhar o sossego das “pessoas de bem”.

As festas de fim de ano e o verão de 2014 nos veio acompanhadas da tragédia da realidade das prisões brasileiras, com o triste exemplo de Pedrinhas, no Maranhão e nos trouxe também uma outra novidade: o advento dos rolezinhos nos shoppings, promovidos pelos “vândalos” do momento: a juventude funkeira.

Tenho na memória a iniciativa de um grupo de manifestantes que no ano 2000 organizou uma ocupação em um grande shopping da zona sul carioca, que deu origem ao Documentário Hiato. Mas para quem acompanha a luta dos movimentos sociais brasileiros, ver o escândalo causado pela presença de agrupamentos de jovens negros e brancos (quase pretos de tão pobres), é impossível não se lembrar de um dos momentos mais emblemáticos da luta antirracista em São Paulo: a ocupação do Shopping Higienópolis pelo movimento negro no verão de 2012, mais precisamente no dia 11 de Fevereiro daquele ano.

Depois de uma concentração e um rápido ato em frente a Igreja no Largo de Sta. Cecília, uma multidão de maioria negra caminhou pelas ruas do bairro “higiênico”, provocando olhares, sorrisos e buzinas, ora de aprovação ora de desaprovação, o que pouco importava naquele momento.

Dentre todas as palavras de ordem e cantos entusiasmadamente proferidos pelo coro, parte do poema “Negro Homem, negra poesia”, de escritor baiano José Carlos Limeira, se transformou num mantra do movimento negro paulista:

Por menos que conte a história

Não te esqueço meu povo

Se Palmares não existe mais

Faremos Palmares de novo

O exército dos que nunca dormiram entrou, não para consumir nem saquear, mas para causar, para exibir os cabelos, as roupas, o som, em bando, falando alto, empinando o nariz, assim como os Funkeiros de agora. Embora pareça uma comparação politicamente desproporcional, o efeito e o choque com a simples presença de corpos negros em um lugar não programado ou não permitido é o mesmo!

Lojas fechavam as portas, pudicas senhoras fugiam em desabalada carreira rumo às saídas de emergência: “Chamem a polícia!” “Arrastão! Arrastão!”

Impagáveis os depoimentos registrados pela Folha de São Paulo:

Fiquei com medo que saqueassem a loja, podia ter tiros, morte. São uns vândalos, vagabundos

Achei ridículo esse negócio de racismo. Onde é que está? Veja a quantidade de seguranças e empregados negros

Qualquer semelhança com as reações de hoje aos rolezinhos do funk não é mera coincidência. A multidão “consciente” e “politizada” que ocupou o shopping Higienópolis naquela tarde chuvosa de 11 de fevereiro de 2011 é parte do mesmo corpo da multidão funkeira que hoje afronta os cara-pálidas com sua presença física, com sua roupa, com seu som. Tudo isso, intencional ou não, profundamente político e contestador por sua própria natureza.

O Contexto

 

Vivíamos um momento de unidade dos diversos grupos do movimento negro, movimentos sociais e estudantis que constituíam o Comitê Contra o Genocídio da Juventude Negra. A motivação para a mobilização se deu por conta de um contexto que na época chamei de “Avalanche racista ou racismo revelado”, em texto publicado pela Rádio Agencia NP.

A conjuntura reunia a revolta por uma série de acontecimentos seguidos: a ação truculenta da PM dirigida aos dependentes químicos na Cracolândia; expulsão de um menino etíope, filho adotivo de um casal de turistas espanhóis, de dentro do fino restaurante Nonno Paolo no bairro do paraíso em São Paulo; a prisão irregular do jovem negro e agente de saúde Michel Silveira, confundido com um assaltante; a ação truculenta de um PM contra um jovem negro dentro da USP; a revolta pela violenta reintegração de posse do Pinheirinho, em São José dos Campos; e o caso da jovem funcionária negra da escola Anhembi Morumbi que foi pressionada por sua chefe a alisar o cabelo.

Era necessária uma ação de impacto em um espaço que fosse símbolo do status quo e da hipocrisia das elites brancas – com perdão a redundância. A escolha do Shopping Higienópolis fez todo sentido afinal, trata-se de um bairro que carrega em sua história e no próprio nome a confissão do racismo brasileiro. E ainda era fresca a memória do Churrascão da Gente Diferenciada, promovido em protesto contra abaixo-assinado de 3 mil moradores de Higienópolis que pedia ao governo do Estado que não construísse ali uma estação de metrô para não atrair gente pobre – ou, como preferiram chamar, “diferenciada”.

Sobretudo era necessário que a ação se caracterizasse como um ato promovido pelos negros e com uma pauta que não tergiversasse com desculpas habituais para a explicação dos conflitos e desigualdades sociais. Cada um daqueles acontecimentos que motivaram a ação foram e são decorrências do racismo estrutural brasileiro, bem como fora registrado em nosso manifesto, escrito a tantas mãos. Vale muito a pena ler.

Neste sábado o Brasil viverá um dia de rolés em diversos Shoppings. Bom passeio pra nós!

 

Registro da concentração em frente a Igreja no Largo de Santa Cecilia – Centro – SP

Registro Histórico da Ocupação do Shopping Higienópolis

 

Chamado do ATO de 11 de Março de 2012

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Destaque Escrita da história

“Mercado procura obscurecer Jesus e impor Papai Noel no Natal”

Por Douglas Belchior

 

Minha família não fugiu a regra da maior influência religiosa do país. Cresci em meio a pobreza e aos valores católicos que, contraditoriamente à vida, valorizavam essa pobreza. E no Natal, marco maior dessa crença, dividir o pão, comungar o momento, os alimentos e o desejo coletivo de felicidade e melhores dias, me marcaram profundamente.

Mais tarde, na práxis da vida real, a religião virou pó. Mas alguns de seus valores não.

Que o Natal sirva, ao menos, para lembrar o quanto melhor seria o mundo… se nosso bem fazer… se nosso bem querer se estendesse para além do umbigo…

Que o espírito de Jesus, homem com pés da cor de bronze queimado, com pele da cor de jaspe e sardônio e com cabelos feito lã de cordeiro, nos fortaleça em nossa luta diária pela tal justiça, tão desejada entre nós!

E que sejamos felizes, o quanto for possível.

Apesar dos pesares, tão bem colocados por Frei Betto na entrevista a seguir.

Asè!


Frei betto

ENTREVISTA
FREI BETTO

“Mercado procura obscurecer Jesus e impor Papai Noel no Natal”

Por Guilherme Almeida
Brasil de Fato SP

Carlos Alberto Libânio Christo, mais conhecido como Frei Betto, vive no convento de ordem dominicana, em Perdizes. Autor de 53 livros, já ganhou o Prêmio Jabuti pelas obras “Batismo de Sangue” e “Típicos Tipos – perfis literários”.

Adepto da Teologia da Libertação, é um grande defensor dos direitos humanos no Brasil e uma das maiores vozes em favor dos movimentos populares. Foi assessor especial do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2003 e 2004, e coordenou o programa Fome Zero. Desde de que professou na Ordem Dominicana, em 1966, acompanha as mudanças na Igreja Católica.

Em entrevista concedida ao Brasil de Fato SP, Betto elogia o Papa Francisco, analisa as mudanças no Vaticano e a crise da Igreja Católica no Brasil. Ele demonstra preocupação com o processo de “confessionalização da política”.

Qual é sua avaliação sobre o Papa Francisco?

Foi uma grande novidade a eleição do [Jorge Mario] Bergoglio. É um latino-americano e tem muita sensibilidade pela questão social. Realmente, seus primeiros passo são positivos. Começou uma reforma da Igreja de cima pra baixo, o que corresponde à estrutura piramidal da Igreja Católica. Foi um fato praticamente inédito a renúncia do Bento XVI. E ele deixou o cargo deixando claro as razões. Disse que havia uma esquema de corrupção na Igreja, que precisava ser combatido mas que não tinha forças.

O que mudou com o novo Papa?

Ele abandonou uma série de símbolos que eram da nobreza, como a capa, o sapato vermelho e a cruz de ouro. Abandonou títulos derivados muito mais do Império Romano do que da tradição cristã como sumo pontífice. Também é interessante o fato dele preferir morar na Casa de Santa Marta, que é uma casa de hóspedes, com um refeitório usado pelo pessoal que trabalha no Vaticano, largando a residência pontifícia.

Houve alterações na estrutura da Igreja?

Agora, ele nomeou uma comissão de oito cardeais de cinco continentes para estudar a reforma da cúria, mas só saberemos o resultado no fim de janeiro. O novo Papa deu sinais também de querer reformar ou até erradicar o Banco do Vaticano, que oficialmente tem o nome de Instituto de Obras Religiosas. Os fundamentalistas de direita dentro da Igreja começam a ficar preocupados.

O que essas modificações apontam?

Deslocam o debate dentro da Igreja do pessoal para o social. Abre-se pistas para uma nova teologia, principalmente a respeito da moral sexual, que é um tema congelado dentro da Igreja desde o século 16. Acentua-se também a questão da opção pelos pobres e a denúncia da desigualdade social.

Qual é o principal desafio da Igreja agora?

O desafio principal está na questão dos ministérios, da ordenação de mulheres e na moral sexual. A questão financeira também é importante, porque há corrupção, mas não é prioritário. O mais urgente é a Igreja se abrir para a pós-modernidade. Portanto, rever questões como o celibato, ordenação de mulheres, patriarcalismo, volta ao ministérios sacerdotal dos padres casados. Quando o Papa fala que a Igreja precisa de uma Teologia da Mulher, está abrindo portas para uma reflexão. Estamos mais perto dessa abertura do que com os pontificados anteriores. Passamos praticamente 35 anos de pontificados conservadores. Agora existe muita esperança de melhora.

Você fala em diferentes teologias dentro da mesma religião. O que isso significa?

Tudo depende da Teologia que os agentes pastorais assumem, aqueles que animam a comunidade. Se é uma Teologia fundamentalista, reacionária, ou se é uma teologia da libertação, que coloca todos nós, cristãos, como discípulos de um prisioneiro político. Jesus não morreu de hepatite na cama nem em um desastre de camelo em uma esquina de Jerusalém.

A morte de Jesus tem um significado…

Ele foi preso e torturado, julgado com dois presos políticos e condenado a pena de morte dos romanos. Que fé os cristãos tem hoje que não questionam essa desordem estabelecida? A fé de Jesus o levou a ser considerado subversivo, portanto, uma ameaça para a desordem estabelecida. Aí ele foi eliminado. Não é nem questão de politizar a história, é retomar o passado como realmente foi.

O Natal é um exemplo história religiosa que mudou de sentido?

O que é o Natal? Um casal de Nazaré, Maria e José, vão para Belém. Lá são rejeitados e convocados pelo recenseamento do Império Romano. Tem várias hipóteses de por quê eles foram rejeitados. A minha é que foram rejeitados porque Maria chegou grávida e eles não estavam oficialmente casados. Então, eles literalmente ocuparam uma terra privada. Eu costumo brincar que, no dia seguinte, o “Diário de Belém” deve ter dado a manchete: Família de sem-terra ocupa propriedade rural. Jesus nasceu em um curral. Isso é muito simbólico. Na época de Jesus, quem lidava com animais, como o açougueiro, era socialmente rejeitado. Está lá na Bíblia visivelmente. Mas muita gente não tem olhos pra ver.

Mesmo com esse pano de fundo, por que o Natal se transformou em um feriado de troca de presentes?

A data tem um sentido religioso muito forte e é muito sedutora do ponto de vista de seu simbolismo. O mercado procura cada vez mais obscurecer a dimensão de Jesus de Nazaré e impor o Papai Noel, que tinha originalmente a cor verde. A Coca-Cola impôs a cor vermelha. Isso é histórico. Há uma ‘Papainoelização’ que transforma o Natal em uma festa do consumo.

O que você indica para retomar o sentido original?

Eu tenho dito a muitos casais que têm sensibilidade religiosa e filhos pequenos que tenham muito cuidado. Temos que resgatar a espiritualidade e do sentido religioso da festa. Se não vamos entrar no grande paradigma da pós-modernidade, que pode ser o mercado e não a solidariedade. A religião foi um paradigma medieval. A razão foi o paradigma moderno.

E agora?

O mercado quer se impor na pós-modernidade. É a mercantilização de todas as dimensões da vida. Isso já ocorre fortemente nas duas grandes datas cristãs, que são o Natal e a Semana Santa. Essa última virou miniférias. Poucos se lembram que é a celebração da morte e ressurreição de Jesus.

O Brasil passou e ainda passa por um processo de diversificação de religiões. Em números absolutos, mais pessoas se declaram de diferentes religiões, diferentes da católica. O que você pensa disso?

Eu não acho nem negativo nem positivo. Como católico, eu faço autocrítica. A Igreja Católica vem perdendo terreno pela sua incapacidade de se adaptar aos tempos atuais. Eu gostaria que essa mensagem, do ponto de vista cristão da Teologia da Libertação, tivesse muito mais incidência na sociedade.

Por quê?

Quando a Teologia da Libertação e as comunidades eclesiais de base eram bem vindas na Igreja Católica, havia muito maior número de católicos. Com a repressão e marginalização, houve uma colonização dos movimentos carismáticos e espiritualistas. Aí começou um esvaziamento da Igreja. É o caso de perguntar: é esse o caminho, já que a Igreja está se esvaziando?

A consequência é a multiplicação de novas religiões…

Temos um pluralismo religioso que questiona profundamente a Igreja Católica. E isso é muito positivo. Não dá pra competir com as igrejas evangélicas, que formam um pastor em oito meses. Na Igreja Católica, é preciso oito anos: quatro de filosofia, quatro e teologia e ainda a heroica virtude do celibato. Não dá pra competir. Na minha opinião, nem se trata de competição ou de uma disputa. A Igreja Católica está sendo questionada e levada a rever seus métodos de evangelização, o perfil como instituição e o trabalho dos ministros. Tudo tem que ser profundamente revisto.

Você acha que existe clima para uma revisão dessa magnitude dentro da instituição?

Com Francisco, sim. Ele está aberto a essa revisão profunda, com tudo aquilo que tem dito. Eu tenho muito otimismo. Agora, as coisas na Igreja são lentas e a instituição tem uma estrutura muito pesada. Não tenho esperança que isso aconteça muito depressa. Mas será desencadeado um processo novo de renovação da Igreja.

Como você vê a representação política de grupos religiosos na política? Você considera nocivo para a democracia uma figura religiosa disputar um espaço político?

Não, a figura religiosa pode participar, sem desrespeitar o pluralismo religioso e querer transformar a sua concepção religiosa em lei universal a ferro e fogo. Foi o que aconteceu com o deputado que foi eleito para a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara e dos Deputados [referência ao pastor da Igreja Assembleia de Deus Marcos Feliciano] na questão da homossexualidade.

Qual o impacto dessa conduta?

A política é um espaço laico. Portanto, quando se confessionaliza a política, se nega a laicidade desse espaço. É evidente que os evangélicos fundamentalistas gostariam de impor a sua doutrina, principalmente sua doutrina moral, ao conjunto da população. Para isso, só há um jeito: a persuasão, através da pregação e a conversão. Temo que a gente esteja assistindo silenciosamente a um ascenso de um projeto de confessionalização da política. Seria um passo atrás em relação à modernidade e ás conquistas da autonomia do Estado, do espaço político e da laicidade.

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Morre o líder da luta anti-Apartheid, Nelson Mandela

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Nelson Mandela morreu nesta quinta-feira, dia 5 de dezembro, com 95 anos de idade, aparentemente sem sofrimento, rodeado por sua família em sua casa. Ele passou os últimos 15 meses em uma luta quase contra doenças respiratórias.

O ícone da luta anti-Apartheid na África do Sul influenciou pensadores, militantes e cidadãos do mundo inteiro através de sua luta contra o racismo e pela igualdade racial. Seu ideal, sua prisão, seu retorno e a reunificação de seu país são exemplos raros no século XX e exemplares para nossa luta atual e futura.

A notícia foi dada ao mundo pelo presidente Jacob Zuma em rede nacional que o chamou de “pai da nação”. Seu discurso enfatizou a importância de honrar a memória do líder através da luta pela manutenção de seus ideais no presente.

Hoje, mais do que nunca, precisamos nos apropriar da história, da memória e das idéias de Mandela. Nossa luta se inscreve na sua tradição e a carrega adiante.

MANDELA, PRESENTE!

MANDELA, PRESENTE!

MANDELA, PRESENTE!

Para nos inspirar, um vídeo com trechos de alguns de seus discursos históricos na Assembléia das Nações Unidas:

 

 

E nasce um Imortal
———————-
O Orun está em festa
Mandela com honras é recebido
Sua coragem ninguém contesta
Entre mortais o dever cumprido.

Mandela nos deixa um legado
Lutou contra a segregação
Como castigo foi encarcerado
O Nobel da Paz, uma premiação.

Nas veias, o Sangue de Guerreiro
Mandela é símbolo de resistência
Se a discriminação ainda é um cativeiro
Temos em Mandela uma grande referência.

Apesar da morte, sua batalha não findou
Agora ele compõe o exército dos ancestrais
Seu heroísmo e glória a História marcou
Receba Mandela o terno abraço dos mortais.

Adriana Szmyhiel

 

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20 de Novembro: Dia da Consciência Negra; Dia de Zumbi dos Palmares e Dandara; Dia de luta!

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20 de Novembro é dia de Zumbi e Dandara. É Dia de luta!

10ª Marcha da Consciência Negra em São Paulo. Convide os amigos, parentes e traga a sua família!  Próxima quarta, a partir das 11h da manhã, no vão do MASP – Avenida Paulista – SP.

 

Por Douglas Belchior

 

20 de Novembro é o Dia Nacional da Consciência Negra. É o momento de celebrar a memória Zumbi dos Palmares e Dandara, herói e heroína do povo brasileiro. Mas acima de tudo é um dia de reflexão e busca de novas formas para enfrentar o racismo que, infelizmente ainda hoje dificulta e tira a vida de mulheres e homens em todo o país.

A escravidão no Brasil – um dos maiores crimes de lesa-humanidade já vistos, ocupou ¾ de nossa história. Como herança resta não apenas as condições desiguais de desenvolvimento econômico e de condições básicas de vida dos afro-brasileiros, mas, sobretudo, a naturalização do sofrimento, da dor e da morte negra. A ideia de que a “carne mais barata do mercado é a carne negra” se reafirma pela poesia da bala, que trocada ou perdida, sempre atinge seu alvo: o corpo negro.

A exposição permanente do corpo de seres humanos negros presos, torturados, mutilados e de onde violentamente se arranca a vida, não foi suficiente para sensibilizar e mobilizar de fato a sociedade como um todo e, menos ainda, os governos de quaisquer instâncias ou partidos.

A indignação aumenta ao perceber que grande parte da violência é promovida justamente por aqueles que deveriam evitá-la. Segundo a Anistia Internacional, em 2011, o número de mortes por autos de resistência apenas no Rio de Janeiro e em São Paulo foi 42,16% maior do que todas as execuções promovidas por 20 países em que há pena de morte! Em São Paulo só em 2012, 546 pessoas foram mortas em decorrência de confronto com a Polícia Militar. Como parâmetro para esse escândalo, basta lembrar que os movimentos de defesa de direitos humanos reivindicam a morte e desaparecimento de 426 pessoas em 21 anos da ditadura civil-militar, iniciada em 1964. Na cidade de São Paulo, de acordo com o IBGE, 56 % dos jovens vítimas de homicídios são negros. Esse número atinge 71% nos casos de jovens mortos em confronto com a polícia.

A violência estampada no índice de homicídios que atinge a população negra soma-se à precariedade dos serviços públicos e dos diversos direitos sociais, escasso para toda a classe trabalhadora e ainda mais limitado à população negra.

Neste 20 de novembro o Movimento Negro estará nas ruas para denunciar o Estado e os governos – todos eles, por reproduzirem uma política de negação de direitos sociais, de repressão e violência através de uma segurança pública que elege o jovem negro, pobre e morador de periferias como principal alvo de sua repressão.

Nossos gritos exigirão Cotas raciais em universidades e concursos públicos; Fim do Genocídio e a desmilitarização das polícias além de um debate democrático sobre um novo modelo de segurança pública para o país; Defesa da Lei 10639, que traz a história e cultura afro-brasileira para as escolas; defesa dos Quilombolas e religiões de matriz africana; Fim da violência contra mulheres negras, homossexuais, além da garantia de seus direitos; Por mais investimentos em cultura, educação, saúde e pela radial democratização dos meios de comunicação.

Para saber mais e/ou participar do Movimento Negro, conheça a UNEAFRO-Brasil.

 

Conheça as principais reivindicações da Marcha da Consciência Negra 2013:

Cotas sim! | É preciso garantir a presença de negras e negros nos espaços educacionais e no mercado de trabalho, por isso defendemos cotas raciais em concursos públicos e nas universidades públicas, bem como a melhoria do ensino público em todos os níveis;

Genocídio não!Chega de assassinatos! A violência atinge preferencialmente a população negra e em especial a juventude. De cada 10 vítimas da polícia, 7 são negras! Repudiamos os vereadores militares na Câmara Municipal de SP! Exigimos uma nova política de segurança pública e o fim imediato da operação delegada!

Implementação da Lei 10639 | O fomento da história e cultura afrobrasileira desde os primeiros anos escolares é fundamental para o combate ao racismo.

O negro e a reforma política | Somos mais de 50% da população brasileira. Exigimos a presença e o respeito à população negra nos espaços de representação política.

Quilombos e Moradia para a população negra | Terra e moradia digna são reivindicações antigas e que remontam ao período da escravidão. São Paulo pode e deve garantir esse direito!

Religiões de matrizes africanas e as demais religiosidades | A cultura ancestral africana sempre respeitou as demais religiões. Para garantir sua sobrevivência as religiões afros promoveram um rico sincretismo religioso, prova real do respeito à pluralidade religiosa. Exigimos o mesmo respeito!

Mulheres negras contra o machismo, sexismo e homofobia | O Brasil é um dos países mais violentos com mulheres e homossexuais. Mulheres negras sofrem ainda mais com a tríade da violência machista, racista e sexista. Exigimos políticas que garantam direitos, promovam o respeito e valorizem diversidade.

Racismo e Cultura | O corpo negro é bom de bola no futebol, bom de molejo capoeira e lindo sim, como se vê no carnaval. Mas nossa cultura é mais que isso! Exigimos políticas de valorização da ancestralidade africana das religiões e quilombos, da arte cantada, dançada, escrita e desenhada presentes no hip-hop, no funk, nos clubes negros, nas irmandades, escolas de samba e na produção científica e literária.

Racismo e Trabalho | O último a ser admitido e o primeiro a ser dispensado; O menor salário e o trabalho mais degradante. Informalidade e desemprego. Essa ainda é a realidade para grande parte da população negra. Exigimos qualificação profissional e garantia de trabalho e renda digna; Exigimos que os setores público e privado promovam formação em relações raciais no mercado de trabalho para diminuir o racismo e o preconceito.

Racismo e Comunicação | Racismo está presente no cotidiano dos meios de comunicação que, quase sempre, invisibiliza o negro ou o apresenta de maneira depreciativa, pejorativa e preconceituosa. Por isso exigimos a democratização dos meios de comunicação e a garantia de apoio a veículos que valorizem a população negra e tenham compromisso permanente com o combate ao racismo.

Racismo e Saúde | Saúde pública continua sendo um dos maiores problemas do país e para toda a população. Ocorre que o racismo faz com que seja ainda pior a situação da população negra, desde o acompanhamento da gravidez até o tratamento de doenças características tais como anemia falciforme ou pressão alta. Exigimos investimentos nos cuidados à saúde da população negra!

 

Zumbi_MArcha

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Escravidão e Ditadura: por mais Comissões da Verdade

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“A reescrita histórica da Escravidão e da Ditadura e suas indenizações estão dentro de um mesmo movimento, mas a dinâmica social brasileira produz uma diferença racial típica no tratamento destes crimes. Até mesmo setores progressistas da sociedade parecem não estar muito atentos a esta dinâmica. Não percebem, por exemplo, que a Polícia Militar mata mais hoje do que durante a Ditadura: mortos que tem classe e cor específica. Estes crimes, cometidos pelo estado, também são políticos e são repetição não apenas dos crimes da Ditadura, mas já dos crimes contra a humanidade da Escravidão. O pau-de-arara da UPP no Rio de Janeiro é descendente daquele do DOI-CODI que é, por sua vez, descendente direto daquele da senzala”.

“Navio negreiro navegou, matou pela cor.
Depois da senzala, tortura é na favela,
Hitler morreu, mas tô no gueto, judeu da nova era”.

O homem estragou tudo – Facção Central

Por Tomaz Amorim Izabel *

            É típica das relações brasileiras, tanto privadas, quanto públicas, a tentativa de solucionar conflitos profundos através de ações e tratados apressados e superficiais. Quando a simples violência não resolve mais, basta a assinatura de um acordo (normalmente em prol da manutenção de algo inexistente, como a “unidade nacional”) que libere de maneira igual todos os envolvidos, culpados e inocentes, sem consideração pelos possíveis efeitos posteriores. Quando se tornaram insustentáveis política e economicamente, a Escravidão e a Ditadura Militar foram terminadas “pacificamente” através de acordos como estes. Há uma diferença, fundamental, no entanto, no tratamento posterior dado a estes momentos, tanto pelos governos, quanto pelos movimentos políticos e sociais.

            Enquanto nossa sociedade civil finalmente se organiza para revelar os crimes cometidos pelo estado durante a Ditadura (embora ninguém fale em punição), nada se fala sobre os crimes contra a humanidade cometidos pelo estado durante os mais de trezentos anos de Escravidão dos diversos povos africanos e indígenas no Brasil. No momento em que as diversas Comissões da Verdade fazem a justa crítica à Lei da Anistia, que perdoou tanto os crimes cometidos pelos milicianos que combateram armados a Ditadura, quanto os crimes cometidos pelo próprio estado, resta a pergunta: Quem anistiou o Brasil pelos seus crimes contra os povos indígenas e africanos? Quando esta culpa foi assumida, seus responsáveis apurados, sua crítica feita publicamente, sua história ensinada às crianças, por fim, quando foi que estes crimes impagáveis foram indenizados?

         Não cabe opor a indenização das vítimas da Ditadura àquela inexistente aos crimes da Escravidão. Principalmente porque elas fazem parte de um mesmo esforço de reescrita histórica: do ponto de vista da resistência e dos oprimidos em nosso país. É, no entanto, gritante a diferença e a rapidez no tratamento que nossa sociedade dá a estes diferentes crimes O atraso de mais de cem anos na aprovação de uma lei fundamental como a 10639/03 (ensino da história e cultura afro-brasileira e africana) e sua aplicação ainda precária, contrasta com a produção crescente de livros, documentários, filmes e teses sobre o período recente de vinte cinco anos de Ditadura. A justa indenização que recebem torturados e familiares de desaparecidos contrasta com inexistência de qualquer indenização semelhante à população afro-descendente. (Pelo contrário, o que se vê são ataques constantes, inclusive por parte do estado, por exemplo, às comunidades quilombolas, históricos locais de resistência à escravidão). Buscamos uma história coletiva dos oprimidos, mas para escrevê-la em suas minúcias, precisamos perceber que no Brasil há uma diferença gigantesca entre os oprimidos que são pretos e os que são brancos, entre quilombolas e milicianos, entre aqueles que formaram a classe baixa do país e aqueles da classe média e alta.

            Theodor Adorno, filósofo judeu-alemão que teve de exilar-se durante a Segunda Guerra e que depois retornou para colaborar na reconstrução da Alemanha, escreve em um texto intitulado “Educação após Auschwitz” um imperativo que deveria também guiar nosso pensamento sobre os grandes crimes contra a humanidade cometidos no Brasil: “O centro de toda educação política deveria ser para que Auschwitz não se repita”. A função da reescrita histórica, das Comissões da Verdade e das indenizações é esta: para que aquela violência passada não continue se repetindo no presente, para que ela não seja mais possível. As discrepâncias apontadas anteriormente entre o tratamento que damos à Escravidão e à Ditadura só são anacrônicas se cairmos no erro de achar que as consequências daquelas violações não reconhecidas e punidas não são mais efetivas no presente. Em outras palavras, que aquela violência de estado não continua se repetindo. As recentes manifestações populares comprovam ambos que o estado ainda reprime com violência grupos que se opõem politicamente e que a repressão à população negra, que via de regra é pobre e periférica, é muito mais violenta e assassina. Duas vítimas de ação semelhantemente arbitrárias da polícia, Giuliana Vallone (jornalista da Folha) e Douglas Rodrigues, receberam respostas públicas bastante diferentes para a mesma pergunta: Por que o senhor atirou em mim?

            A reescrita histórica da Escravidão e da Ditadura e suas indenizações estão dentro de um mesmo movimento, mas a dinâmica social brasileira produz uma diferença racial típica no tratamento destes crimes. Até mesmo setores progressistas da sociedade parecem não estar muito atentos a esta dinâmica. Não percebem, por exemplo, que a Polícia Militar mata mais hoje do que durante a Ditadura: mortos que tem classe e cor específica. Estes crimes, cometidos pelo estado, também são políticos e são repetição não apenas dos crimes da Ditadura, mas já dos crimes contra a humanidade da Escravidão. O pau-de-arara da UPP no Rio de Janeiro é descendente daquele do DOI-CODI que é, por sua vez, descendente direto daquele da senzala. As lutas pela verdade e pela indenização das vítimas e seus descendentes destes momentos históricos distintos do Brasil não são antagônicas ou contraditórias (como quer fazer parecer, por exemplo, o último filme cínico de Sérgio Bianchi, “O jogo das decapitações”), mas complementares. Não basta garantir que se possa protestar na Avenida Paulista, enquanto a periferia continua coagida com armas letais. Não basta apenas mudar o nome do Elevado Costa e Silva se o Palácio continua se chamando “dos Bandeirantes”. Não basta, para dar conta de nossa história de massacres e abusos, apenas uma, mas são necessárias muitas Comissões da Verdade. Por fim, não basta indenizar algumas dezenas de militantes. É necessária uma política ampla de reconhecimento dos crimes contra a humanidade passados, inclusive com pedidos públicos de desculpas (reais e com consequências práticas, não como os da União Européia na África do Sul em 2001) aos povos, países e brasileiros envolvidos, no passado e no presente, e que levem à tentativa de superação dos efeitos destes crimes através de programas sociais voltados aos descendentes destas populações: sejam eles indenizações em dinheiro, cotas em concursos e em universidades.

            Cabe aos movimentos sociais compreender a importância, apoiar e exigir a formação de novas comissões. Cabe a atual Comissão da Verdade honrar seu nome e, ao perceber que a história da violação dos direitos humanos pelo estado brasileiro vai além dos crimes cometidos na última ditadura, apontar para a formação de outras comissões que, por sua vez, ajudarão, a cada história recontada, a impedir a repetição desta violência que ameaça permanentemente a todos nós.

* Tomaz Amorim Izabel é professor e mestre em Teoria Literária pela Unicamp. Mantém uma conta no Twitter, @tommyamorim, e um blog literário: tomazizabel.blogspot.com

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Escrita da história Formação

Auto Crítica

 

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Por Douglas Belchior

 

Vamos debater opressões?
Uma mesa de reflexão, três opções:
Opressão de gênero, fundamental
Racismo, da desigualdade é estrutural
Homofobia e afins, violência tida como natural

Convidadas:
Mulher branca, militante feminista
Homem negro do movimento africanista
E outro homem, homossexual ativista

Onde?
No Centro Acadêmico
No Sindicato
No Partido
Nos movimentos do campo ou da cidade

Importância:
Um setorial
Um coletivo
Uma atividade

No máximo uma secretaria
Tratamento de câncer na perfumaria
Debate paralelo, sempre submetido
À lógica do economicismo

Que merda!
A desigualdade de agora é o resultado do escravismo
que meu povo herda.

Cegueira:
A cultura machista e patriarcal de uma vida inteira,
desde a história primeira

À minha direita, enxergam bem:
O tiro é certeiro, fita métrica
Bala perdida na cabeça do jovem negro
E porrada na mulher empregada doméstica.

À minha esquerda a miopia, apatia,
Prepotência travestida de ideário:
“Luta de classes é burguesia versus proletariado”

Na ponta da língua, revolução russa,
Cubana
Mas à míngua, dezenas de gays assassinados
No final de semana

É preciso inverter o pensamento,
Mudar a órbita
A luta antirracista, antimachista
E anti-homofóbica
Deve nortear a ação anticapitalista,
Esta é a lógica

Racismo, machismo e a homofobia
São ideologias de dominação
Sem as quais as elites capitalistas
Não controlariam a população

Maioria mulher e povo preto,
Destemido
Em Oxalá espero que esse recado
Seja entendido