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Aparecido da Silva lança clipe refletindo sobre relacionamentos tóxicos

Em um trap sexy e romântico, Aparecido da Silva divulga videoclipe de “Gosti”. A faixa, que faz parte do seu recém-lançado EP, “Vem Dançar Comigo”, reflete sobre relacionamentos tóxicos de uma maneira contemporânea e indireta, expressando os altos e baixos de uma ligação verdadeira. 

“Quando estamos envolvidos há muito tempo, em uma mesma história, o que é importante vai ficando em segundo plano e isso é um baita erro. Temos que persistir no amor, sabe? Essa é a real mensagem”, destaca o músico contratado pelo selo Estúdio da Lua Records.

Assinando a produção dessa track, com beats modernos de hip hop, Claudio Costa. A versão audiovisual foi dirigida por Greta Helena.

Veja e ouça:

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Jovens do Grajaú criam o projeto de rap independente “Grajauventude”

Longe dos holofotes da música pop e dos rios de dinheiro que correm no trap, o rap das ruas respira por aparelhos e quer mostrar sua força.

Situado no extremo sul de São Paulo, o distrito do Grajaú é conhecido, entre outras coisas, pela sua falta de aparelhos culturais. Um lugar onde a mão do estado chega apenas em sua forma repressora. Os jovens que conhecem bem essa realidade decidiram expressá-la da melhor maneira: o rap.

Cada vez mais distante do povo que é retratado em suas letras, o rap vem se acomodando nos braços da elite e de uma classe média branca e despolitizada. Pensando nisso, os MCs Henrique Madeiros, Riaj, TG e a MC Ariel, todos moradores do Grajaú, criaram o projeto Grajauventude.

Assista o primeiro clipe do cypher agora!

Conbeça mais sobre quem faz o Grajauventude!

Riaj

Riaj tem como sua marca registrada a participação nas batalhas de rima ou as famosas rinhas de mc’s. Batalhou pela primeira vez no final do ano de 2016 e conseguiu sua primeira folha (vitória) na Batalha da Rossevelt. Apesar da pouca idade, Riaj, 18 anos, coleciona cerca de 60 folhas, já representou a batalha do Grajaú Rap City em disputas regionais por 2 anos e também já disputou o regional pela batalha da Roosevelt.

Riaj tem como referências Tito JV e o cantor Rashid. Ele luta por uma maior presença de negros e negras dentro das batalhas, pois acredita que muitas pessoas não entendem que o rap e a cultura Hip Hop são movimentos culturais negros.

Ariel

A única mulher desta edição, Ariel tem 18 anos e mora no Parque América, bairro do Grajaú. Fã da cultura Hip-Hop desde os 8 anos, começou a escrever com 10 anos e entrou para as batalhas de rima com 17. Hoje ela integra o Team GRC (Grajaú Rap City) e coleciona 5 vitórias em batalhas. Ariel faz parte da banca GRAJATLANTA que reúne os melhores do trap do Grajaú. Suas rimas trazem reflexões e representatividade para mulheres que observam e  possuem interesse em fazer freestyle ou músicas dentro do Hip Hop.

Sua intenção é conquistar espaço e visibilidade para mulheres, para que a desigualdade de gênero seja quebrada nessa cultura que ainda é muito machista. No mês de Setembro, ela entra em estúdio e gravará o clipe do seu primeiro single solo. A faixa intitulada “Green” mistura trap e R&B.

TG

Thiago Pereira Segatto, vulgo TG, 16 anos, é morador do Grajaú e o caçula desta edição. Mesmo com pouca idade, suas rimas trazem reflexões fortes e jogam álcool nas feridas expostas da sociedade, buscando sempre dar voz aos excluídos.

TG prefere rimar no estilo boombap, ritmo pelo qual debutou no rap com a primeira letra que escreveu aos 11 anos. Com 14 anos, lançou sua primeira música com produção própria.

Hoje atuante como MC, ele integra o coletivo “The True”, que surgiu em 2017, originalmente como uma batalha que eram realizadas na praça do Mirna, na região do Grajaú. A batalha durou até meados de 2019 para que seus integrantes pudessem focar em suas carreiras musicais.

 

Henrique Madeiros

Henrique Madeiros, 19 anos, é cantor e morador do Jardim 7 de Setembro, na região do Grajaú. Com um olhar lírico sobre a realidade à sua volta, despertou para o RAP e para a poesia aos 16 anos.

Assíduo em diversos saraus, slams e batalhas da região, Henrique integra o Sarau Despertar que tem como objetivo usar a poesia e o grafite como ponto de partida para debater questões como LGBTQ+ e transexualidade na quebrada e abuso sexual. No Sarau, além de contribuir para a promoção do debate, Henrique Madeiros também recita suas próprias poesias e recentemente lançou um Zine intitulado “Fúria”, com poesias próprias. O Zine foi lançado na edição passada do Sarau Despertar e segue com distribuição gratuita.

Fã de RAP nacional desde a infância, cresceu escutando diversos grupos entre eles A286Inquérito, GOG e Facção Central, sendo este último sua maior referência, principalmente na figura de Eduardo Taddeo. Henrique Madeiros foi o criador e articulador do projeto Grajauventude.

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Yannick Hara lança single questionando a lógica do consumo

O rapper e performer Yannick Hara acaba de divulgar a inédita música “Caótico/Distópico”.  A faixa integra uma série de lançamentos que antecedem o próximo disco do rapper. Intitulado  “O Caçador de Androides”, o álbum tem lançamento agendado para novembro. 

Nessa track, movimentada pelo caos rumo à distopia que é o cotidiano atual, Hara reflete sobre a vida dos personagens Deckard (Blade Runner-1982) e K. (Blade Runner-2049). Na primeira parte, “Caótico” é, então, o desejo de anarquizar, sair da lógica de trabalho e consumo. Já na segunda, Distópico atinge o limiar da existência. 

Yannick Hara já lançou o EP “Também Conhecido Como Afro Samurai”, baseado em um mangá e anime para ocupar seu lugar de fala dentro da música. Agora, em 2019, se inspira na obra do escritor Philip K. Dick, “Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?”, que originou a franquia Blade Runner, para protestar contra a alta tecnologia e baixa qualidade de vida que assola a humanidade em direção ao futuro distópico.

Produzido por Blakbone nos estúdios da Live Station, o single inspira-se nos anos 80, carregando um visual gótico e pós-punk. Do começo ao fim, projeto tem tom provocativo, intenso e perturbador.

Ouça:

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Música rap – Estante literária

Por Edson Cadette, do Blog Lado B NY

Quando o grupo de música rap A Tribe Called Quest lançou seu quarto álbum chamado Beats, Rhymes and Life, em 1996, o então adolescente Hanif Abdurraquib ficou tão viciado que no seu Walkman não havia espaço para qualquer outro grupo musical.

Os CDs já tinham substituído as famosas fitas cassetes há anos. Entretanto, para o adolescente, nada ilustrava melhor o contacto com a eclética música rap do grupo do que apertar os botões do seu Walkman para avançar, pausar e rebobinar.

No pequeno volume Go Ahead In The Rain o agora crítico cultural e poeta Hanif presta uma bela homenagem a um dos grupos mais influentes da música rap dos anos 1990. O livro traça a carreira do grupo nos últimos 30 anos mostrando as mudanças culturais e de gosto nos Estados Unidos. Entretanto, Go Ahead In The Rain é uma história bastante pessoal.

O livro começa ligando a música rap com os cantos dos escravos dentro dos tumbeiros nas travessias através do oceano Atlântico até o Novo Mundo. Hanif liga ainda a percussão dos negros, banida pelos “códigos negros” do século XVIII, à música Jazz, nascida da opressão sofrida pelos escravos e libertos dos EUA.

Isto tudo para nos levar a sua adolescência e sua vontade de conectar-se melhor com o pai através da música. Para isto, ele começou até mesmo a tocar o trompete. Na casa onde a música rap não era bem-vinda, o som do grupo com suas letras mais refinadas e uma crítica mais social ligada a batida copiada da música Cool Jazz, A Tribe Called Quest acabou furando a resistência do patriarca da família.

Para os mais aficionados do grupo há bastante informações com muitas interpretações do autor aos mais variados fatos ligados ao grupo. A Tribe Called Quest nasceu em 1985 em St. Albans, um bairro de classe média e negro no bairro do Queens, em Nova York. As músicas do grupo tinham uma forte influência do conceito “Afrocentric Rap Collective Native Tongues”, uma espécie de ideologia onde o objetivo era promover uma cultura positiva ligada a África.

A Tribe Called Quest

Segundo o livro, várias forças culminaram com a separação do grupo em 1998. A primeira e com certeza a mais forte teve um caráter impessoal, mais a ver com o caminho no qual a música rap estava seguindo no final da década, onde o dinheiro e fama tinham uma atração forte. Isto acabou causando um racha entre o rap mais comercial e rap considerado mais autêntico com uma consciência critica social.

Isso acabou trazendo para muitos artistas a seguinte questão: seja real e fique fora do radar comercial ou torne-se mais popular com milhões de dólares no bolso e no banco. Hanif coloca A Tribe Called Quest no centro desta intensa disputa. O resultado foi um enorme estresse entre seus integrantes.

O que realmente interessa ao crítico musical é a intensa e complicada amizade entre os dois principais atristas do grupo: Q-Tip e Phife Dawg. Enquanto o primeiro é elogiado pelo seu perfeccionismo, o segundo por sua maneira cáustica e sua arte irônica com o microfone é mais identificado com o autor.

Go Ahead In The Rain acaba sendo uma carta apaixonada de um fã. Poderíamos até dizer que o livro é uma sorumbática homenagem ao seu artista favorito no grupo.

Último albúm do grupo A Tribe Called Quest (2016)

Phife Dawg faleceu em 2016 logo após o reencontro do grupo na gravação do álbum We Got It From Here… Thanks You 4 Your Service. O primeiro álbum em 18 anos. Detalhe: ele foi lançado dois dias depois da conturbada eleição do presidente Donald Trump nos EUA.

O livro está recheado de informações importantes. Entre elas estão os nomes de influentes personagens da cultura afro-americana e norte-americana, como a escritora Toni Morrison e o cantor Otis Redding.  Num outro importante capítulo lemos sobre os assassinatos de Philando Castile e Alton Sterling, o primeiro em Minnesota e o segundo em Louisiana, ambos numa disputa com a polícia local.

O pequeno e altamente gratificante livro é uma maneira de Hanif Abdurraqib mostrar toda sua gratitude ao grupo de rap que mais influenciou seu crescimento intelectual e seu senso crítico musical.

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Abram alas pro rap

Foto: Renato Stockler

 

O rapper Rincon Sapiência evoca Carnaval e afrodescendência no videoclipe do single “Meu Bloco”

De Boia Fria Produções

 

Não foi por acaso que o rapper Rincon Sapiência escolheu o carnaval para lançar o videoclipe e o single “Meu Bloco” nas suas redes sociais e principais plataformas de streaming. O lançamento promete surpreender o público ao misturar trap, rap e samba com rimas inspiradas em referências da maior manifestação da cultura popular brasileira. Em meio ao atual movimento de retomada do Carnaval de rua em todo o país, que este ano contará pela primeira vez com blocos específicos dedicados ao rap, “Meu Bloco” traz versos repletos de alusões às tradicionais figuras da festa, que tem como protagonistas em sua gênese os afrodescendentes brasileiros tanto no aspecto rítmico-musical quanto na dança.

Assim, Rincon Sapiência deslancha o seu já tão aclamado flow num som que ele mesmo define como afrorap e que exalta o empoderamento através da cultura preta com metáforas contundentes, uma das marcas registradas de seu discurso, que se somam aos sons de tamborins e de uma bateria, ambientando o ouvinte à atmosfera de Carnaval que dita o tom da música e do videoclipe. Produzida pelo próprio Rincon, a faixa conta com scratches do Dj Luba Construktor, que também o acompanha nos palcos. O videoclipe, uma realização da Boia Fria Produções , foi dirigido por Jorge Dayeh (Anão) e gravado em um ousado plano sequência no barracão da escola de samba paulistana Pérola Negra, o que lhe confere originalidade ao adotar uma estética carnavalesca de raiz.

Após o sucesso do single e do videoclipe de “Ponta de Lança (verso livre)“, que em menos de dois meses já conta com mais de 2,6 milhões de visualizações no Youtube e mais de 1 milhão no Facebook, com “Meu Bloco” Rincon Sapiência prepara os fãs para o seu tão aguardado álbum de estréia “Galanga Livre”, em maio, que trará ao público o resultado de sua imersão no universo da música africana e da incessante busca por suas raízes musicais.

Produzido pelo próprio rapper, o disco conta com coprodução e mixagem do experiente William Magalhães, líder da Banda Black Rio, e masterização de Arthur Joly. Para além de sua irreverência, o rapper mostra no álbum a justa medida entre balanço e romantismo, formula mágica de discos consagrados da nossa música até então pouco presente no rap nacional, trazendo influências da negritude que vão desde a capoeira até o blues, passando pelo coco e pela tropicália, até o afrobeat, permeadas pela veia rock and roll que caracteriza a obra de Rincon, que também é conhecido na cena pelo seu vulgo Manicongo. 

+ Rincon Sapiência

Com a originalidade de suas composições, marcadas por influências das músicas africana, eletrônica, jamaicana e vertentes do rock, desde o ano 2000, o artista traduz em versos inteligentes e sagazes as experiências vividas nas ruas da periferia paulistana desde os anos 80. Abordando questões raciais e sociais no contexto da metrópole, Rincon Sapiência apresenta um rap com clima de positividade, sem prejuízo à postura crítica do discurso, resultado da sua notável fome de rima aliada à sua habilidade nata de jogar com as palavras. Versátil, ele também atua como beatmaker em seus próprios trabalhos.

Em 2005, Rincon lançou sua primeira faixa, intitulada “Aventureiro” e, em 2008, participou no disco solo de Kamau, Non Ducor Duco, nas faixas “Porque eu Rimo” e “Tambor”. No ano seguinte, se firmou como protagonista na cena rap com o sucesso “Elegância”, cujo videoclipe entrou na programação da MTV Brasil e foi indicado ao VMB 2010 na categoria Melhor Videoclipe de Rap. No mesmo ano, Rincon Sapiência participou do álbum Projeto Paralelo, da banda NX Zero, na faixa “Tarde pra Desistir”.

A referência e a exaltação de temas relacionados à negritude e às raízes africanas são frequentes nas músicas de Rincon Sapiência, que abordam a consciência e a valorização da afrodescendência, reconhecidas em solo africano durante os renomados festivais dos quais Rincon participou em 2012 (Festival 2H, em Dakar, Senegal; e Festival Asalam Maleikum Hip Hop, na Mauritânia). Em 2014, Rincon lançou o EP SP Gueto, com oito faixas oficiais e duas faixas bônus. Um dos destaques do rap nacional daquele ano, o EP foi em grande parte produzido pelo próprio Mc, e traz uma forte identidade musical, com influências das músicas eletrônica, rock, ska, reggae, samba, timbres 808 e até o clássico estilo boombap dos anos 90.

Lançado em maio de 2016, o videoclipe “A Coisa Tá Preta”, deu ao público uma pequena amostra das possíveis sonoridades e temáticas do primeiro álbum. Em clima de festa, um time de dançarinos e figurantes representa a diversidade da beleza negra no clipe, reforçando o ideal de que os negros também descendem de reis e rainhas africanos, uma constante nos trabalhos de Rincon Sapiência. A universalidade da música e dos temas abordados pelo repertório de Rincon favorecem o seu trânsito em outros círculos que não sejam necessariamente periféricos. Sua forte identidade artística, reforçada por um estilo original, também está presente nos clipes “Elegância”, “Transporte Público”, “Linhas de Soco”, “Profissão Perigo” e “Coisas de Brasil”.

A estreia como ator veio nas telonas em 2013, ao contracenar com o ator Wagner Moura no filme “A Busca”, dirigido por Luciano Moura, seguida da participação no filme “Jonas”, dirigido por Lô Polliti, do qual também participaram os rappers Criolo e Karol Conka.

 

https://www.youtube.com/c/RinconSapiência

https://www.facebook.com/rinconzl

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Rincon Sapiência: O resgate do Mestre de Cerimônia

 

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Por  Boia Fria Produções

Sapiência destaca a figura do Mc com irreverência em seu novo clipe

 

Em “Ponta de Lança (verso livre)”, Rincon Sapiência lança uma provocação interessante aos admiradores do rap nacional. Inspirado pela cena atual no país, onde os fãs parecem amar mais os rappers que as rimas, o rapper busca resgatar a cultura do Mc, na qual, segundo ele, deve se destacar a magia das palavras, o encaixe das rimas e as histórias contadas através das letras. Em várias barras soltas sem refrão, Rincon se diverte com as palavras cantadas sobre uma batida de funk nas cenas do videoclipe, dirigido por Jonah Emilião, idealizador do estúdio Rasputines art, de Curitiba. Filmado na Cohab 1, na Zona Leste de SP, lugar de origem do Mc, o clipe foi gravado com uma câmera Sony vx2000, trazendo naturalmente a textura dos vídeos antigos, ou seja, da época em que o Mc ocupava lugar de destaque no rap brasileiro.

Após finalizar o disco Galanga Livre, que tem seu lançamento previsto pro início de 2017, o Mc passou por uma fase de relaxamento, reduzindo seu ritmo de criação e iniciando um momento de ócio, processo que foi frutífero para renovar suas inspirações. Analisando o cenário atual do rap brasileiro, o rapper viu espaço para uma provocação interessante no fato de os fãs amarem mais os rappers do que as rimas, o que ele julga prejudicar a cultura do Mc. Assim surgiu o mote para a letra da música, que sintetiza de maneira irreverente as ideias de Rincon a respeito do apagamento da figura do Mc no rap brasileiro nos últimos anos, seguindo o estilo atrevido já explorado na música “Linhas de Soco”.

Com “Ponta de Lança (verso livre)”, Rincon Sapiência encerra em grande estilo o ano de 2016, deixando reservado para o próximo ano seu tão aguardado álbum de estréia Galanga Livre, que trará ao público o resultado de sua imersão no universo da música africana e de sua incessante busca por suas raízes musicais. Produzido pelo próprio rapper, o disco conta com coprodução e mixagem do experiente William Magalhães, líder da Banda Black Rio. Para além de sua irreverência, o rapper mostra no álbum a justa medida entre balanço e romantismo, formula mágica de discos consagrados da nossa música até então pouco presente no rap nacional, trazendo influências da negritude que vão desde a capoeira até o blues, passando pelo coco e pela tropicália, até o afrobeat, permeadas pela veia rock and roll que caracteriza a obra de Rincon.

 

+ Rincon Sapiência

Com a originalidade de suas composições, marcadas por influências das músicas africana, eletrônica, jamaicana e vertentes do rock, desde o ano 2000, o artista traduz em versos inteligentes e sagazes as experiências vividas nas ruas da periferia paulistana desde os anos 80. Abordando questões raciais e sociais no contexto da metrópole, Rincon Sapiência apresenta um rap com clima de positividade, sem prejuízo à postura crítica do discurso, resultado da sua notável fome de rima aliada à sua habilidade nata de jogar com as palavras. Versátil, ele também atua como beatmaker em seus próprios trabalhos.

Em 2005, Rincon lançou sua primeira faixa, intitulada “Aventureiro” e, em 2008, participou no disco solo de Kamau, Non Ducor Duco, nas faixas “Porque eu Rimo” e “Tambor”. No ano seguinte, se firmou como protagonista na cena rap com o sucesso “Elegância”, cujo videoclipe entrou na programação da MTV Brasil e foi indicado ao VMB 2010 na categoria Melhor Videoclipe de Rap. No mesmo ano, Rincon Sapiência participou do álbum Projeto Paralelo, da banda NX Zero, na faixa “Tarde pra Desistir”.

A referência e a exaltação de temas relacionados à negritude e às raízes africanas são frequentes nas músicas de Rincon Sapiência, que abordam a consciência e a valorização da afrodescendência, reconhecidas em solo africano durante os renomados festivais dos quais Rincon participou em 2012 (Festival 2H, em Dakar, Senegal; e Festival Asalam Maleikum Hip Hop, na Mauritânia). Em 2014, Rincon lançou o EP SP Gueto, com oito faixas oficiais e duas faixas bônus. Um dos destaques do rap nacional daquele ano, o EP foi em grande parte produzido pelo próprio Mc, e traz uma forte identidade musical, com influências das músicas eletrônica, rock, ska, reggae, samba, timbres 808 e até o clássico estilo boombap dos anos 90.

A universalidade da música e dos temas abordados pelo repertório de Rincon favorecem o seu trânsito em outros círculos que não sejam necessariamente periféricos. Sua forte identidade artística, reforçada por um estilo original, também está presente nos clipes “Elegância”, “Transporte Público”, “Linhas de Soco”, “Profissão Perigo” e “Coisas de Brasil”. A estreia como ator veio nas telonas em 2013, ao contracenar com o ator Wagner Moura no filme “A Busca”, dirigido por Luciano Moura, seguida da participação no filme “Jonas”, dirigido por Lô Polliti, do qual também participaram os rappers Criolo e Karol Conka.

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Hip-Hop O quê que tá pegando?

“Paz em Meio ao Caos”, novo clip do RZO

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Lançamento do videoclipe/single “Paz em Meio ao Caos” – RZO ft. Bone Thugs-N-Harmony

Dia 24/06 | Sexta | 16h00 | no canal www.youtube.com/rzooficial

 

Por Boia Fria Produções

 

Os fãs de hip hop já podem comemorar: o RZO lança em seu canal do YouTube, nesta sexta-feira (24/06, às 16h), o aguardado videoclipe e single “Paz em Meio ao Caos”, parceria com os rappers norte-americanos do Bone Thugs-N­Harmony. É a primeira vez que um grupo brasileiro grava com uma das maiores lendas do rap mundial.

A colaboração inédita desses dois ícones do rap é fruto de um encontro que aconteceu em 2015, quando o Bone Thugs veio ao Brasil para uma série de shows. Identificados com a produção e a levada do grupo de Pirituba, os norte-americanos aceitaram o convite para participar da gravação da música, que começou antes mesmo de virem ao Brasil. Além de proporcionar um show histórico do Bone Thugs com participação do RZO, o encontro rendeu também boa parte das cenas do videoclipe, gravadas na Favela do Paquetá, em Pirituba. O single ficará disponível com exclusividade no Spotify por uma semana, a partir de sexta-feira. A faixa integra o novo álbum do RZO (sigla para Rapaziada da Zona Oeste), com lançamento previsto para setembro.

Dirigido por Paulinho Caruso, da O2 filmes, o clipe de “Paz em Meio ao Caos” capta bem o clima de tensão da música ao fazer um recorte da gritante desigualdade social que afeta principalmente o morador das periferias brasileiras. Na tela, os rappers do Bone Thugs aparecem desfiando suas rimas em cima da batida do DJ Cia, com Sandrão, Helião, Negra Li, Nego Jam e Calado dando o recado em versos contundentes. Os personagens da história são interpretados pelos atores Milhem Cortaz (“Tropa de Elite”, “Carandiru”) e Marcos ‘Kikito’ Junqueira (“Cidade de Deus”, “Tropa de Elite 2”), o apresentador João Gordo e os rappers DBS e Ice Blue (Racionais MC’s).

 

Um dos mais aclamados representantes do rap brasileiro, o RZO surgiu no final da década de 1980 no bairro de Pirituba, zona oeste de São Paulo. Aliando musicalidade e ideologia com incomparável sagacidade poética, lançou em 1999 seu primeiro álbum, “Todos São Manos”, sucesso de público e crítica. O segundo disco, “Evolução é Uma Coisa”, repetiu a repercussão em 2003, ano em que os rappers ganharam o Prêmio Hutúz de Melhor Grupo. Considerado a vanguarda do rap nacional da época, o RZO criou clássicos do gênero como “O Trem” e “Paz Interior”, e revelou talentos promissores como Sabotage, Dina Di e DBS, entre outros. Após interromper as atividades em 2004, o RZO ficou 10 anos sem se reunir até que, em 2014, retornou aos palcos em grande estilo.

Apadrinhado por Eazy­E, do NWA, o Bone Thugs­N­Harmony foi criado no começo dos anos 1990, sendo conhecido mundialmente por suas rimas ligeiras e músicas recheadas de harmonia com destaque para os vocais, o que rendeu o título de “o grupo de rap mais melódico de todos os tempos”, segundo a MTV. Vencedor do Grammy, o Bone Thugs já vendeu milhões de discos, influenciou toda uma geração de rappers e tem faixas de sucesso com Eazy­E, 2Pac, Notorious B.I.G., Mariah Carey e Akon, entre outros.

Nos EUA ou no Brasil, não importa, o recado é o mesmo: “você precisa ter coragem pra encontrar paz em meio ao caos”.

+RZO

Um dos mais aclamados grupos de rap do país, o RZO surgiu no final da década de 80 no bairro de Pirituba, zona oeste de São Paulo. Aliando musicalidade e ideologia com incomparável sagacidade poética, em 1999 o RZO lançou o seu primeiro álbum, “Todos São Manos”, pela gravadora Cosa Nostra, do já então consagrado grupo Racionais MC’s. O disco foi sucesso de crítica e de vendas, garantindo que em pouco tempo o RZO conquistasse uma legião de fiéis admiradores.

No mesmo ano, com a entrada do DJ Cia como DJ e produtor do grupo, o RZO iniciou os trabalhos do seu segundo – e genial – álbum, “Evolução é Uma Coisa”, que quatro anos depois, em 2003, repetiu a repercussão do primeiro, com destaque para o nítido amadurecimento nas letras e na produção. Aclamado como a vanguarda do rap nacional da época, o grupo também passou a revelar talentos promissores como Sabotage, Dina Di, DBS, entre outros. A partir da chamada Família RZO, nos anos seguintes, esses e muitos outros MCs firmaram carreiras solo na cena nacional.

Antes da separação, que aconteceria em 2004, o RZO era reconhecido pelos jovens como um dos nomes mais representativos do rap brasileiro, legitimados pelo constante crescimento do seu público em apresentações homéricas e por receberem prêmios como o Hutúz 2003, na categoria melhor grupo. Ironicamente, ao mesmo tempo em que escrevia o seu nome para sempre na história do rap nacional, o RZO também escrevia os últimos capítulos da história do grupo até então. Durante 10 anos, sua música continuou a ecoar por todo o Brasil, conquistando novos fãs, até que o grupo decidiu voltar à atividade em 2014. O RZO experimentou a retomada do contato com o público em shows como a Virada Cultural e na aparição surpresa na primeira edição do festival SP RAP.