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Igualdade racial

Evento no Teatro Cásper Líbero reúne profissionais negros para falar sobre racismo estrutural e silenciamento nesta quarta, 12/9

Após 130 anos da abolição da escravatura no Brasil, o preconceito e a discriminação ainda são recorrentes na trajetória de pessoas negras. A falta de representatividade em diversos setores da sociedade brasileira também é outro resquício cruel desse período, prejudicando principalmente a autoestima desse povo.

Entretanto, mesmo com o racismo estrutural e seus desdobramentos, gradativamente, a população afrodescendente vem ocupando espaços e posições importantes no mundo todo, que até então eram bem distantes da realidade do negro no Brasil. Mas como será que essas novas configurações, ainda desproporcionais, estão sendo encaradas por nossa sociedade? E por qual motivo as medidas afirmativas voltadas ao desenvolvimento dessa população sofrem tanta rejeição?

Pensando nessa questão, o Coletivo Negro Estudantil AfriCásper apresenta o evento de 4 anos da entidade com o tema: “A ascensão dos negros incomoda?”. Com mediação do Professor Jefferson Mariano, a mesa de debate contará com a presença dos convidados:

– Patrícia Santos, executiva e criadora da Empregueafro;
– Paola Deodoro, jornalista;
– Ian Black, CEO da agência de publicidade New Vegas;
– Maitê Lourenço, psicóloga e CEO da empresa BlackRocks;
– Fernando Cândido, CEO e fundador da Rap Burguer.

Além disso, o evento ainda terá uma intervenção artística com a participação de Renato Pessoa. Para mais informações, clique aqui.

Serviço – A ascensão dos negros incomoda?

Data: 12/09 (quarta-feira)

Horário: das 19h30 às 22h

Local: Teatro Cásper Líbero (Avenida Paulista, 900)

Entrada gratuita

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Igualdade racial

Dois anos sem Luiza Bairros

Há dois anos, a ex-ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Brasil (SEPPIR) e ativista Luiza Bairros faleceu em decorrência de um câncer no pulmão. A gaúcha nasceu no dia 27 de março de 1953, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, mas foi no estado baiano que a administradora consolidou sua carreira política. Além da perda inestimável para os familiares e amigos, Luiza também deixou uma lacuna dentro do movimento negro e político.

“Há dois anos o Brasil perdia uma das suas mais importantes intelectuais; o movimento negro perdia uma das suas mais qualificadas e combativas militantes e eu perdia também uma amiga de mais de 30 anos.

Luiza Bairros nos deixou em 12 de julho de 2016 e a sua partida abriu uma lacuna imensa da qual ainda não conseguimos nos recuperar nem do ponto de vista político nem no âmbito pessoal. A sua ausência é sentida sempre que lembramos da sua análise de conjuntura precisa e rigorosa; da sua disciplina militante permanente e radical; de sua surpreendente capacidade de gestão que pensava os grandes problemas do país e apontava com rigor os entraves e desafios centrais para o enfrentamento ao racismo e para promoção da igualdade racial; da militante feminista negra que jamais recuou diante do machismo e do sexismo que persiste entre nós. No entanto, o que fica de mais importante é a saudade do humor inteligente de Luiza compartilhado afetuosamente pelos/as seus amigos/as e familiares; saudade da sua generosidade profunda manifesta repetidamente em favor de dezenas e dezenas de companheiros e companheiras de militância; saudade de uma companheira profundamente humana capaz de atos incríveis na defesa dos seus projetos de justiça e liberdade.

A marca de Luiza pode ser encontrada nas mais importantes formulações do movimento negro brasileiro contemporâneo e suas palavras – duras e precisas – estão para sempre inscritas na história e na caminhada de todos e todas nós.

Viva Luiza Bairros!
Viva às lindas e belas histórias do movimento negro brasileiro.” (Luiz Alberto)

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Igualdade racial Indígena

Douglas Belchior e Sonia Guajajara realizam Tarde de Luta Afro-Indígena em Itaquera – SP

 

Evento, que ocorre neste sábado (7), às 12h, na APEOESP Itaquera, será um espaço para conversa, troca cultural e organização política

Facebook: https://www.facebook.com/events/208792849956354/

Por Douglas Belchior

Há uma necessidade urgente no próximo período eleitoral: levar para Brasília a representação negra e indígena brasileira e potencializar o enfrentamento ao golpe e aos retrocessos impostos pelo governo Temer. Não é possível que continuemos assistindo o país ser governado por homens brancos e ricos e com nula participação dos seguimentos constituintes do nosso país.

Douglas Belchior, pré-candidato a deputado federal, e Sonia Bone Guajajara, pré-candidata a vice-presidência, convidam todas e todos para uma tarde de conversa neste sábado (7) na APEOESP de Itaquera, em São Paulo. Além do bate-papo, o evento ainda contará com delicioso almoço e rica programação musical.

Em celebração aos 40 anos de criação do Movimento Negro Unificado (MNU), que também é comemorado no dia 7 de julho, a Tarde de Luta afro-indígena fará uma homenagem ao MNU por meio de sua integrante Regina Lúcia, que estará presente no evento.

Os pré-candidatos Áurea Carolina, Lucas Landin, Ana Mielke, Érica Malunguinho, Wlisses Daniel e João Zafalão fazem parte do time de convidados para o evento.

Para celebrar esse encontro, as atrações musicais vão ficar por conta dos grupos: Jongo dos Guaianas, Samba das Pretas, Dolores Boca Aberta, Cordão Carnavalesco Boca de Serebesque e Renato Gama. Participe!

 

Serviço

Local: APEOESP Itaquera

Horário: A partir das 12h

Endereço: Rua Colonial das Missões, 204 – Vila Carmosina – SP

Próximo Estação de Trem Dom Bosco

 

Saiba mais sobre  Pré-Candidatura:

#SomosMaioria Aceitamos encarar o desafio!

Vamos disputar uma vaga para Deputado Federal por São Paulo, em Brasília. Vamos enfrentar o golpe, recuperar os diretos sociais, barrar o genocídio negro e lutar por reparação histórica para a população negra, indígena, periférica, pelas mulheres, pela população LGBT+ e por todas e todos que sofrem com as opressões históricas daqui. Muitas apoiadoras e apoiadores que ajudam a construir o nosso projeto assinaram o Manifesto #PelaVidaPorDireitos. Leia e assine o documento que é o nosso compromisso!
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Igualdade racial

“Quem escreve os jornais não vive nas comunidades negras”, diz jornalista do NY Times

Jornalistas expõem os desafios enfrentados pela negritude na mídia, durante o Congresso de Jornalismo Investigativo da Abraji.

Por Lais Rocio, de Vitória/ES

Foto: Alice Vergueiro | Abraji

No palco do 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji, a premiada jornalista americana Nikole Hannah-Jones mostrou o que significa investigar o racismo, revelado em quase todas as estatísticas de realidades como educação, desemprego, moradia e saúde. E ela se dedica a comprovar essa desigualdade:

“Hoje nos EUA, existem mais homens negros nas prisões do que havia na escravidão. Não somos gratos por não sermos mais escravos, porque nunca deveríamos ter sido. Medimos o progresso de um país pela igualdade.”

Tudo isso é o que Nikole retrata em suas reportagens investigativas sobre injustiça racial na New York Times Magazine. Em sua trajetória, ela já foi reconhecida por diversas premiações de mídia, como o Peabody Award e National Magazine Award. Foi eleita jornalista do ano pela National Association of Black Journalists em 2015, e no ano passado foi nomeada pelo MacArthur Fellowship, considerado uma prêmio para gênios. Tudo isso prestigiou seu ofício diário de descobrir as reais decisões e ações políticas que sustentam a exclusão e violência contra a negritude hoje, e propositalmente:

“Meu trabalho mostra que a segregação racial é intencional. Alguém decide investir menos recursos e menos qualidade nas escolas para pobres e negros.”, afirma ela.

Ao longo de 15 anos de carreira em diversos veículos, ela acredita no poder de contar a sua própria história ao retratar as comunidades de uma parte dos Estados Unidos que, de acordo com ela, muitos brancos não conhecem:

 “Quando você faz parte de um grupo marginalizado, você acredita que é culpa sua se sua escola ou bairro são ruins. Mostrar que não é culpa deles dá poder para que saibam que merecem mais”, reconhece Hannah-Jones, sobre um cenário em que ela mesma foi criada, onde era inimaginável que um dia trabalhasse no New York Times.

Foto: Alice Vergueiro | Abraji

Ser preta em um cargo de destaque, abordando questões raciais dentro de empresas de comunicação “embaraçosamente brancas”, como caracteriza, fazem dela porta-voz dos desafios e realizações vividos ao longo do tempo pela negritude na profissão. Assim como muitos, ela passou por um período difícil na carreira: quando foi desencorajada por seus chefes a não escrever sobre raça.

“Durante muito tempo, os jornais não contratavam repórteres negros. A mídia era tão branca que ignorava as pessoas negras em suas comunidades. Acredito que temos esse mesmo problema ainda hoje”, conta ela, relembrando um período em que novas organizações precisaram ser criadas por essas pessoas para reportar esses temas, principalmente os históricos movimentos nacionais contra a segregação racial nos EUA, na década de 1960.

 

A imprensa negra também teve sua presença no Brasil, retratando essas lutas no país durante os anos 70. Foi o Jornal Versus, veículo paulista que inclusive denunciou o racismo da Ditadura Militar. Tudo isso existiu em consequência de uma situação que Hannah-Jones descreve incisivamente: “essas instituições foram sendo criadas porque pessoas pretas eram barradas nas instituições com maioria de brancos, e queriam contar suas próprias histórias”.

Neusa Maria Pereira, jornalista e fundadora do Movimento Negro Unificado, exibe páginas do Jornal Versus. Foto: Sérgio Silva | Ponte Jornalismo

 

E quando falta representatividade nas redações, de acordo com Nikole, significa que as histórias da negritude não são contadas. Ou são tratadas com estereótipos, e não com humanidade. Para tornar as reportagens e seus bastidores mais diversos, ela fundou e atua na Sociedade Ida B.Wells, que treina a juventude preta para o jornalismo investigativo, lutando contra todos os efeitos da exclusão racial nesses espaços

 

Negritude no jornalismo brasileiro

Amazônia, São Paulo e Rio de Janeiro

Além de Nikole Hannah-Jones, o 13º Congresso da Abraji, entre os dias 28 e 30 de junho, em São Paulo, também teve a presença de outros repórteres negros, que no Brasil lutam por notícias do povo preto não só nas páginas de crimes e esportes.

Para dar visibilidade inclusive às comunidades afrodescendentes da região amazônica, a jornalista e feminista Kátia Brasil foi uma das fundadoras da agência Amazônia Real. Na empreitada de retratar a vida de quilombolas, indígenas e diversos povos tradicionais, a equipe decidiu priorizar essa diversidade também nos bastidores: “Nas reportagens, dividimos as tarefas com igualdade de raça e gênero, temos fotógrafas pretas e repórteres indígenas”, conta Kátia, durante debate no Congresso sobre a mídia na Amazônia.

Foto: Alberto César Araújo | Amazônia Real

Ao longo dos 30 anos de profissão, pelos principais veículos da imprensa brasileira, raramente via mulheres negras como ela em cargos de chefia, o que dificultava na cobertura do racismo:

“Quando os jornais são majoritariamente dominados por homens brancos, é difícil contar a história da desigualdade racial no Brasil”.

 

E para falar sobre isso nas periferias de São Paulo, a Agência Mural surge de dentro dessas comunidades. Com pretas e pretos cobrindo diversos movimentos culturais afrodescendentes espalhados pelas favelas paulistanas, esse tema tornou-se natural e não apenas um recorte.

O editor-chefe de jornalismo da Mural, Paulo Talarico, acredita em abordar os direitos da população negra como direitos da sociedade em geral: “A gente precisa entrar nos jornais de forma diferente do modelo que cobre apenas casos negativos e de violência. Cada pauta merece mais cuidado e sensibilidade com isso”, observa Paulo.

No Rio de Janeiro, a americana Kiratiana Freelon vive como jornalista freelancer há três anos, reportando para veículos internacionais sobre a vida de diversos afro-brasileiros, e principalmente sobre a luta feminina e negra na política. Uma de suas maiores reportagens foi sobre a morte da vereadora Marielle Franco, o que a fez perceber a voz que essas histórias têm tido:

“As pessoas querem saber mais sobre as mulheres pretas no Brasil e seus problemas”.

Foto: Kiratiana Freelon | Arquivo pessoal

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Igualdade racial

Profissionais negros são mais exigidos durante processo seletivo nos EUA

Por Edson Cadette, do Blog LadoBNY

Apesar da boa intenção das grandes companhias estadunidense em diversificar seus quadros de funcionários, um fator continua intacto nos últimos 25 anos. A contratação de mais funcionários negros qualificados se comparado ao mesmo currículo de candidatos brancos.

Foi exatamente isso que concluiu um profundo estudo patrocinado pelas Universidades Harvard, Northern Western e dois Institutos de pesquisas europeus. O estudo analisou 30 pesquisas separadas sobre contratação de profissionais brancos e negros entre 1989 e 2015. Os currículos nestes estudos mostram o nível escolar e a experiência profissional equivalentes, diferenciando somente em casos em que os nomes mostram certa etnicidade específica ou outras pequenas dicas que mostram a raça dos candidatos nos formulários.

“No momento quando as grandes empresas identificam publicamente diversidade como uma grande prioridade, e várias pesquisas mostram como as pessoas brancas buscam o tratamento igual para as minorias, o resultado deste estudo é surpreendente e ao mesmo tempo desanimador”, disse Lincoln Quillian.

Lincoln Quillian, que é pesquisador da Universidade de Northern Western para o Instituto de Política e Pesquisa, acredita que os gerentes com a responsabilidade de contratação talvez estejam fazendo um julgamento superficial baseado em suas próprias experiências.

“Todo patrão bem intencionado sinceramente acredita tratar todos os candidatos da mesma forma. Preconceito intencional, ou não, faz parte de sua decisão na hora de contratar um novo funcionário para sua empresa”, disse o pesquisador em recente artigo publicado pelo periódico The New York Times.

Com os oito anos de Barack Obama, primeiro presidente negro do EUA, o país estava tentando promulgar a ideia de um país pós-racial. O estudo vem contrariar tudo aquilo que muita gente estava tentando pregar. Ou seja, a disparidade racial entre negros em brancos na América é muito mais profunda do que muitos imaginam.

 

Conheça, participe e ajude fortalecer o movimento negro brasileiro Acesse: Uneafro Brasil

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Igualdade racial

Obama e Dilma assinam acordos tratando de apoio a negros brasileiros

Dilma e Obama

Por Ivair Alves dos Santos, do Agenda africana, com informações do Itamaraty

Obama e Dilma assinam acordos contemplando negros brasileiros

A Presidenta Dilma Rousseff esteve em visita oficial aos Estados Unidos, entre os dias 27 a 30 de junho, e assinou dois memorandos com o Presidente Obama, que mencionam explicitamente os negros brasileiros e americanos em áreas como direitos humanos e incentivo a micro e pequenas empresas.

O tema não foi explorado pela mídia brasileira nem tampouco mencionado nas páginas do Governo Federal.

Ao se examinar os memorandos que estão no site do Ministério da Relações Exteriores, encontramos o seguinte:

1- Memorando de entendimento entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo dos Estados Unidos da América relativo ao estabelecimento de um grupo de trabalho sobre os direitos humanos globais:

“3. As Partes darão atenção especial a temas como o combate à discriminação em todas suas formas, inclusive por razões de gênero, raça, idade, origem nacional, deficiência, orientação sexual e identidade de gênero, a promoção das liberdades fundamentais e a proteção da sociedade civil.”

2- Memorando de entendimento entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo dos Estados Unidos da América para promover o crescimento das micro e pequenas empresas.

“REITERANDO os entendimentos mútuos nos termos do Plano de Ação Conjunta entre o Governo dos Estados Unidos da América e o o Governo da República Federativa do Brasil para Eliminar a Discriminação Racial e Étnica e Promover a Igualdade no intuito de fomentar oportunidades econômicas para comunidades historicamente marginalizadas, tais como afro-americanos e afro-brasileiros, bem como indígenas brasileiros e americanos;”

Seção I – Princípios Gerais e Atividades

1. Os Participantes têm por objetivo fortalecer sua parceria e colaboração em atividades destinadas a promover a criação e crescimento de MPE mediante o apoio a: (i) Rede de Pequenas Empresas das Américas (SBNA); (ii) Plano de Ação Conjunta entre os Estados Unidos e o Brasil para Eliminar a Discriminação Racial e Étnica e Promover a Igualdade; e (iv) outra cooperação relevante.

Com esses dois memorandos, a relação Brasil e Estados Unidos ganha dois instrumentos importantes para alavancar as relações e apoiar a população negra brasileira e americana.

O problema é como tornar conhecidos esses documentos e como fazê-los serem aplicáveis. A experiência desses acordos tem sido muito pobre e limitada, diante do potencial que podem ter e não conseguem ser aplicados. Ficam na intenção. Não existe monitoramento nem tampouco mecanismos de acompanhamento.

A luta do movimento negro brasileiro faz história nas politicas das relações exteriores brasileiras. A existência dos dois memorandos não foi objeto de nenhuma discussão pela mídia brasileira. Um silêncio que não se explica.

A mais poderosa nação do mundo assina dois memorandos com o Brasil, em que dá atenção especial aos negros brasileiros e absolutamente não há nenhuma repercussão. Tem alguma coisa errada nesse processo.

Alguns irão dizer: mas são apenas dois memorandos! O que deveríamos discutir é como avançar a partir dessa iniciativa, que considero relevante para o destino dos negros brasileiros.

Mais detalhes podem ser acessados do Site do Itamaraty – Ministério das Relações Exteriores.