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Intolerância

Centro de cultura negra em Campinas é atingido por incêndio

Por Redação

A Casa de Cultura Fazenda Roseira, no Residencial Parque da Fazenda, em Campinas, foi atingida por um incêndio na tarde da última terça-feira, 26. A estrutura do espaço cultura fica dentro de uma Área de Preservação Permanente. As chamas atingiram um pedaço da plantação da Casa de Cultura, próximo ao casarão onde acontecem as principais atividades. Com isso, baobá, mamoeiros, bananeiras e outras árvores frutíferas foram destruídas pelo incêndio.

Segundo a ACidade ON, a coordenadora geral da Casa de Cultura Bianca Lúcia Martins Lopes a equipe foi surpreendida pelo fogo enquanto realizava suas atividades durante a tarde. Para o site, ela disse ao site: “Ouvimos o barulho e quando percebemos o fogo já estava bem perto da casa”.

O portal informou também que os bombeiros levaram aproximadamente trinta minutos para controlar o incêndio. “Se fosse durante a noite, o fogo teria atingido a casa. Isso mostrou as nossas vulnerabilidades. Não temos cerca, não temos segurança”, disse Bianca.

A Casa de Cultura Fazenda Roseira é um dos principais pontos da Casa de Cultura Fazenda Roseira na cidade de Campinas, São Paulo. O espaço, que representa a conquista do movimento negro e do movimento popular, fica em um casarão do final do século XIX. Em 2007, após um loteamento da antiga fazenda, a área se tornou um equipamento público e foi ocupada pela Comunidade Jongo Dito Ribeiro, além de outros grupos de movimentos sociais e religiosos de matrizes africanas.

Há dez anos, a Associação do Jongo Dito Ribeiro promove atividades culturais e educativas em torno da cultura, historia, mitologia e meio ambiente por meio de uma perspectiva afrobrasileira. Com base na lei 10639/03, de implementaçao do estudo da história da África e da cultura afro-brasileira nos currículos escolares de todas as redes de ensino do país, as ações também são direcionadas aos alunos da rede básica de ensino e para a formação de profissionais da educação.

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Filosofia Intolerância Religião

Não fale em nome de Deus

Por Douglas Rodrigues Barros **

Semana passada circulou em vários grupos de Whatsapp um texto supostamente escrito por um deputado que tem em seu currículo não apenas a liderança religiosa, como também, a acusação de abuso contra uma mulher e a contratação de cinco pastores que não cumpriram as funções determinadas pelo cargo: o famoso empregado fantasma. Haja vista, contudo, que tais textos não são criteriosos e dificilmente se comprovaria a autenticidade da autoria, o seu conteúdo, não obstante, é no mínimo estarrecedor e antirrepublicano no sentido mais baixo do termo. O pequeno artigo em questão buscava justificar o voto do deputado contra a investigação sobre Michel Temer, baseando-se numa suposta ordem divina ipso facto.

É mais que evidente que, nos últimos anos, a influência de algumas igrejas evangélicas na política se tornou assombrosa. O famoso parlamentar Eduardo Cunha, por exemplo, que faz parte da Assembleia de Deus – ministério Madureira – foi acusado pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot de utilizar essa igreja para receber 5 milhões em propina[1]. Além disso, os casos de corrupção, abuso de poder e desrespeito as diferenças cometidos por parlamentares ligados ao neopentecostalismo são muitos e bem conhecidos.

Não se pode tomar, porém, a parte pelo todo. Sabe-se do trabalho efetivo que muitas igrejas evangélicas fazem nas periferias e, mais importante que isso, do sentimento sincero de muitos dos adeptos dessas igrejas que majoritariamente são mulheres e homens pobres. De fato, a religião continua sendo o coração de um mundo sem coração (Marx). E qualquer apreciação supostamente ateia-iluminista soaria estéril frente a falta de expectativas reais de melhoria social ou de locais de recreação, entretenimento e aprendizado que, na sua total ausência, transfere para as igrejas evangélicas o tributo da socialização.

Eu poderia ainda tecer críticas utilizando-me do materialismo vulgar ou do ateísmo religioso que no fundo reafirmam a fé em uma ciência que fora igualmente mistificada pela sociabilidade mercadológica. Sabemos, contudo, que o ateísmo voltairiano é conquista de poucos rincões “iluminados” e endinheirados. Contra todos os prognósticos políticos e filosóficos, a religião continua sendo elemento social cuja importância, não poucas vezes, fora subestimada. Ela “a despeito dos seus múltiplos significados se manteve, mesmo que a fé saia de um deus todo-poderoso e passe para as últimas pesquisas da nanotecnologia”[2], o véu de maia permanece intacto. Tal verdade deveria ser matéria de discussão, mas pouco ou nada se fala a respeito, mesmo sabendo que o legado cristão é precioso demais para ser deixado aos fanáticos fundamentalistas, assistimos boquiabertos a nova espiritualidade proclamar seus ritos e morais em tempo real na televisão.

Do Oriente ao Ocidente, do Oiapoque ao Chui, a crença continua produzindo a sombra de um sentido para milhares de almas que enxergam, na atual sociabilidade capitalista, a podridão e a falta de razões para a existência. E isso desde a fé de Nova Era – espiritismo, budismo, umbandismo classe-média, esoterismo –, passando pelo neopentecostalismo, até a desvirtuação do Islã. A religião permanece, portanto, como fonte de respostas aos anseios da alma que esvaziada pelo consumo, se volta para a felicidade eterna por meio de um mundo extra-humano.

O problema, entretanto, surge quando, num processo regressivo, a “religião” – utilizo as aspas para indicar que estamos falando de algo específico – se utiliza da fé e em nome de Deus passa a fazer política. Os exemplos dessa maldição são muitos: desde os massacres envolvendo protestantes e católicos até a justificação na perseguição de etnias e grupos de outras crenças.

Ora, o que fundamentou os direitos universais do homem foi a conquista da liberdade religiosa. Conquista que só pôde ser efetivada a partir do momento em que a Religião deixou de estar atrelada ao Estado. Como consequência é possível compreender que uma das conquistas mais profundas da Revolução Francesa fora a separação entre o Estado e a Igreja. Essa conquista torna-se assim um bastião inabalável da própria liberalidade democrática fazendo com que sua defesa seja intransigente e independente do posicionamento no espectro político. O Estado é laico, e sua laicidade é o pressuposto da própria liberdade religiosa.

Assistimos hoje impassíveis,  cada vez mais o perigo do crescimento de líderes religiosos vinculados à política partidária. Tais lideres justificam seu conservadorismo e no nome de Deus cospem preconceito e ódio insuflando a crença em um inimigo imaginário para se elevar politicamente. Ora, qualquer consciência minimante informada sabe como esse obscurantismo é catastrófico para a vida social numa simples pesquisa na internet se chega à conclusão de como os desastres da aproximação Estado/Religião influíram em massacres, censuras de pesquisas, destruição de livros, etc. O sonho por um Estado religioso, portanto, sempre esteve permeado pela negação radical – ou seja, pelo massacre – daqueles que não creem no mesmo. E o ódio pelas diferenças, propugnados por esses mesmos líderes, deveria ser nosso sinal de alerta.

 

** Acabou de publicar o romance Cartas Estudantis, é doutorando em filosofia política pela Universidade Federal de São Paulo.

[1] http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/janot-acusa-cunha-de-usar-assembleia-de-deus-para-receber-propina/

[2] https://lavrapalavra.com/2017/03/17/deus-no-diva-reflexoes-sobre-a-monstruosidade-de-cristo/

Imagem de Cleiton Custódio Ferreira

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Intolerância racismo

“Vou doar uma rola branca” e “Por mim, morrem de fome”: ódio e racismo contra campanha da Uneafro

 

Campanha de financiamento coletivo para trabalho educacional do movimento Uneafro-Brasil, fez transbordar ódio e racismo em redes sociais, mas também provoca solidariedade e apoio. Organização promete denunciar agressores.

 

Por Douglas Belchior

 

Não faltaram manifestações de intolerância e ódio na reação de dezenas de internautas à campanha de financiamento coletivo  da Uneafro-Brasil, organização que se dedica à enfrentar o racismo através da educação popular nas periferias de São Paulo e do Brasil. Há poucos dias do fim da campanha, que segue até 28 de junho, uma coleção de pérolas do cancioneiro ultraconservador, racista, xenófobo, machista e sexista, próprio destes tempos de intolerância política, transbordaram nas redes sociais. “Entre o silêncio dos bons e o escândalo dos maus, esperamos que o exemplo de Luther King prevaleça”, diz Rosangela Martins, coordenadora do movimento.

 

“Mas a o solidariedade vai superar o ódio”

Antes embrulhar o estômago dos leitores com a necessária exposição das manifestações de ódio e intolerância e seus autores, é preciso dizer: a solidariedade de centenas de apoiadores está superando a contra-campanha de grupos fascistas que, de maneira organizada, atacam a campanha da Uneafro. “Apesar das dificuldades, ultrapassamos os 70% do total a ser arrecadado”, diz Carol Fonseca, que foi aluna da Uneafro, chegou à universidade, se formou em Serviço Social e hoje é coordenadora da organização. A campanha visa arrecadar 59 mil reais para manter o trabalho do escritório central do movimento até o final do ano de 2017, além de propiciar a produção de um material didático para formação dos estudantes dos cursinhos comunitários. Faltam poucos dias para o fim da campanha e as colaborações podem ser feitas por este link: catarse/uneafrobrasil

 

 

O ódio racista de sempre, mais explícito que nunca

As amigas Preta Rara e Renata Prado, artistas negras e ativistas nacionalmente reconhecidas, o professor de comunicação da USP, Dennis Oliveira, o poeta Sergio Vaz, o ator Wagner Moura, o líder do MTST Guilherme Boulos e as lideranças políticas de refugiados africanos e sírios no Brasil, Jean Katumba e Abdulbaset Jarour, gravaram vídeos de apoio à campanha. Haters, bolsominions e fascistas de toda estirpe não economizaram ofensas e ameaças. Algumas, absurdas como de costume.

 

Apoio que custa caro. Mas vale a pena!

Wagner Moura, por colocar sua fama a serviço de causas sociais e humanitárias, sofre ataques de todo tipo, como esses abaixo. Talvez por isso prefira ficar fora do mundo das redes sociais, espaço onde não mantém contas e perfis. Tem motivos pra isso.

O internauta Henrique Sergio, que em seu perfil no facebook exalta santos e referências religiosas, não se constrangeu em oferecer sua genitália ariana ao reagir ao vídeo de Moura. Que pecado, hein!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Intolerância e ameaças

Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Sem Teto e da Frente Povo Sem Medo é outro que provoca a histeria deste tipo de público. “Pode sim, conseguir uma surra se alguém te achar na rua, seu FDP”, ameaça Clésio Ribas, um clássico cidadão de bem. “Vou colaborar com um canhão voltado para vagabundos”, diz Silvio Soares de Barros, entre outras ofensas gratuitas e próprias da superfície de uma valeta em dia de chuva:

 

 

Racismo e Xenofobia

A xenofobia do miscigenado povo brasileiro talvez seja a maior das contradições do conservadorismo nacional. Coerência é luxo! Os vídeos do diretor da Ong África do Coração, o congolês Jean Katumba e de seu colega Abdulbaset Jarour, refugiado Sírio de Alepo fez cair a máscara da hipocrisia e transbordar ódio e ignorância de vários internautas. Roger Mackay mitou, lacrou e tudo o mais que o aproxima de um ser desprezível:

 

” Por que só vem imigrantes fudidos pra cá, só gente miserável, estamos de braços abertos pra receber imigrantes, mais não esses terroristas do oriente médio, queremos os imigrantes japoneses que tanto contribuíram para nossa agricultura, queremos os imigrantes alemães, italianos que tem coragem de trabalhar, duvido se esses tais imigrantes que vcs trazer vão pegar no pesado, vão encostar em algum canto e receber algum tipo de bolsa imigração pra nós trouxas de sempre tá ajudando a sustentar.

#VAOEMBORA #NAOGOSTAMOSDEVCS “

 

O internauta vomita valores e pressupostos escravocratas que teimam em permear nossa sociabilidade. Não há surpresa, apenas a certeza de que esse tipo de pensamento, fomentado pelos grandes meios de comunicação e politicamente utilizado pelos grupos que conformam o apoio ao atual governo, endossa toda a violência e desumanização que vitima historicamente a população negra, indígena e periférica. Realidade a qual o projeto proposto pela Uneafro se atreve enfrentar. Aqui o link do perfil do nobre Roger Mackay, caso interesse a alguém.

 

Mackay não está sozinho. Em dezenas de outros posts, conteúdos similares, sejam formulando novas escrotices, sejam apoiando ideias fascistas, como fizeram Marcilio Pereira, “Tá horrível pra sustentar vagabundo nascido aqui, agora vem os de fora ainda”, e Paulo Sergio Aparecido Moreira, “Esse povo são considerados pragas em seus países(…) Daqui uns dias eles vai (sic) tomar o Brasil”

 

 

Nós, que construímos o dia a dia do movimento Uneafro, refletimos um bom tempo antes de decidir fazer essa postagem. A fizemos justamente para que a permanência e a repetição destes tipos de manifestações não se naturalizem, pelo contrário, que continuem a nos provocar enjoo, revolta e solidariedade entre os nossos.

 


 

Vista-se em luta!

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Intolerância Política

O que está por trás do ódio a Jean Wyllys?

JEAN-WYLLYS-1

 

Por Douglas Belchior e Douglas Rodrigues Barros

 

No dia 10 de agosto a página do Facebook do Blog Negro Belchior foi atacada com centenas de ofensas, injúrias, calúnias e ameaças. O motivo: um vídeo de Jean Wyllys. Temos total noção de como esses ataques orquestrados, no submundo da internet, funcionam. Sabemos que não foi a primeira como não será a última vez que uma figura que

incomoda pelo seu posicionamento político em defesa das minorias e em busca de ampliação democrática, sofre. No entanto, o que explica esse ódio, ou melhor, o que explica tantos ataques promovidos pelo ódio?

Jean Wyllys se tornou o alvo preferencial de uma direita psicopata e esquizofrênica que, a despeito de qualquer argumento racional, se utiliza de violentos ataques verbais e de calúnias para dar vazão ao seu ódio e frustração.  Não é mero acaso que, acerca de um mês atrás, postamos um texto preliminar de como age o fascismo. Naturalmente, o texto em questão não tinha como aprofundar o estudo, dando apenas indícios e bibliografia para um estudo mais específico sobre o fascismo para quem se interessasse.

Jean Wyllys representa a transformação e a superação daquilo que era tido como comum e normatizado. O fato de ser um homossexual assumido e defender pautas radicadas numa tradição de oprimidos, o torna alvo número 1 de uma reação conservadora que, na total ignorância e obscurantismo, precisa da criação de um inimigo para fazer escoar sua frustração.

A dificuldade de se compreender essa categoria – fascismo – está no fato de que para a maioria das pessoas os conceitos são categorias fixas e imutáveis. O problema é que, no terreno do social, as categorias se dissolvem, se transfiguram, se transformam e por fim se superam. Assim ocorre com o conceito de fascismo e, do mesmo modo, com o conceito de família. As mudanças nas formas de compreensão da vida social são empreendidas com os desdobramentos da própria história. E os conceitos surgem e se alteram para que compreendamos essas mudanças. Esses desdobramentos estão em disputas ocorridas no campo da política – entendida em sentido amplo – não apenas partidário ou representativo.

E é nesse sentido que o surgimento de uma figura pública como Jean Wyllys incomoda grandemente. Isso porque Jean Wyllys representa a transformação e a superação daquilo que era tido como comum e normatizado. O fato de ser um homossexual assumido e defender pautas radicadas numa tradição de oprimidos, o torna alvo número 1 de uma reação conservadora que, na total ignorância e obscurantismo, precisa da criação de um inimigo para fazer escoar sua frustração.

O filósofo Hegel explica que há dois caminhos para a consciência se afirmar como aquela que começa a conhecer a si mesma, um de fracasso e o outro de sucesso. O caminho que fracassa, é a aniquilação da outra consciência – que é uma negação a nossa própria consciência por ser diferente de nós mesmos. O segundo caminho, que obtém sucesso, é o reconhecimento da outra consciência, à despeito de sua diferença, como igual a nós. Fica claro, que os detratores de Jean Wyllys optam por sua aniquilação. E a aniquilação do diferente é a tentativa desesperada de afirmar o mesmo. O medo real e absurdo do novo e da diferença. A conservação de tudo que é obtuso, arcaico e mofado. Jean Wyllys incomoda porque representa a morte do velho, do normatizado, daquilo que era sólido, mas se dissolveu no ar.

No entanto, isso que surge como elogio é, ao mesmo tempo, uma crítica. Jean Wyllys é o representante da luta homoafetiva no interior de uma estrutura Cis cujos homossexuais não são reconhecidos como sujeito de direito. A luta de Jean para que haja essa garantia esbarra, desse modo, numa estrutura que pelo menos, desde 2013, já se mostrou, para a maioria dos brasileiros, pútrida. Nesse sentido, o fim da modernização econômica brasileira sob a égide do PT pode ser entendido também como fim das formas de representatividade política garantida pela forma “democrática” de representação. Há algo no ódio contra Jean Wyllys que está para além da superfície de suas escolhas sexuais.

Os ataques discriminatórios contra Jean Wyllys são a verdade de nosso tempo sombrio. O que se impõe, para nós, é: não podemos mais nos calar diante disso

E nesse ponto uma análise sobre o fascismo, sempre tão atuante socialmente, se mostra necessária. É preciso dizer que por detrás desse ódio, aparentemente tão impregnado de superficialidade, reside uma questão ideológica de fundo: a rejeição do postulado básico da forma democrática. Estamos num terreno histórico em que está aberta a luta e tudo está indeterminado. Essa indeterminação pode levar inclusive para um tempo ainda mais sombrio no qual o ataque fascista, já tão banalizado, se generalize como força policial. O pedido pela intervenção militar já está posto, a utilização de algumas igrejas fundamentalistas como pressuposto de ingerência política já está evidente.

Vemos aí acentuar-se a união entre religião e Estado e os argumentos “políticos” se reduzirem a argumentos religiosos – grande parte dos ataques a Jean Wyllys partem de argumentações fundamentalistas. A influência, por enquanto parcial, de parte das igrejas neopentecostais sobre o Estado, tem assegurado a imposição de normas jurídicas, com base na religião, independente das convicções de cada cidadão. E isso tem surtido efeitos devastadores socialmente – como a não liberalização da maconha e a não descriminalização do aborto – além de desiquilibrar substancialmente a relação entre o Estado e a Igreja.

Os ataques discriminatórios contra Jean Wyllys são a verdade de nosso tempo sombrio. O que se impõe, para nós, é: não podemos mais nos calar diante disso. A falência econômica está levando à falência da forma política. O que significa que é necessária uma transformação social radical que atue sobre a política. A questão é: estamos prontos para isso?

Assista o Vídeo, amplamente atacado por pessoas sem nenhum amor ou respeito à diversidade: