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Cultura LGBT

Monna Brutal: rapper, negra, travesti e periférica

Por Marina Souza

Nascida na periferia de Guarulhos e vivendo no país que mais mata travestis e transsexuais no mundo, Monna Brutal é uma rapper travesti negra que vem ganhando destaque no mundo da música brasileira. Explorando seus talentos artísticos ainda na infância, ela já passou pelo gospel, forró, funk, break, freestyle e, agora, procura mostrar uma identidade musical repleta de influências culturais negras diversas.

Ela classifica a si própria como uma musicista que faz música preta. É por isso que em seu último álbum, Nove e Onze, trabalhou com reage, ragga, dance, trap e tantos outros gêneros. E para 2019 a rapper está planejando lançar singles e fazer parcerias artísticas, Monna diz que promete surpreender o Brasil.

Quando finalmente encontrou-se no rap, a cantora começou a experimentar um sentimento parecido ao de liberdade, mas não durou muito. Devido a grande mazela transfóbica, misógina e homofóbica que ainda permeia os espaços do hip-hop, o que era para ser algo libertador e encorajador tornou-se um verdadeiro campo de batalha, onde Brutal precisou chegar, fazer seu nome e mostrar que corpos como o dela precisam estar ali.

Foto: Rogério Fernandes

Com cerca de dezessete anos de idade, a artista gravou seu primeiro single, que atualmente está fora do ar, e atualmente já tem novos planos para a carreira. Durante o Dia da Visibilidade trans, na semana passada, lançou o clipe de “Putos Não Fodem”,  produzido e idealizado pelo coletivo de audiovisual Quebramundo, do bairro Grajaú, na zona sul paulista. Brutal conta ainda que a parceria surgiu depois que conheceu o Psicopretas, grupo que acolhe mulheres negras em vulnerabilidade, e foi apresentada ao Quebramundo.

Em uma casa inativa, localizada em Palheireiros, eles reuniram-se para gravar o clipe. O abuso das cores verde e roxo, simbolizando o veneno – ácido e mortal – em contraste com as cenas noturnas nas ruas fazem referência ao cotidiano de transexuais e travestis; enquanto o figurino feito majoritariamente de papel reciclado e as luzes em meio à mata produzem uma amálgama de natural e sintético. O resultado é um clipe intencionalmente agressivo e explicito, deixando claro a que veio.

Segundo a Monna, a data de lançamento já fala por si só em todos os âmbitos. “Nós ainda somos muito invisibilizadas, falo por mim enquanto artista trans. Há uma falta de noção, principalmente das pessoas cis, sobre a existência desse dia. Juntamos a necessidade com a vontade e lançamos o clipe mostrando que estamos aí trabalhando e vivendo”, fala ela.

“Estou dentro da arte desde criancinha, sempre fui apaixonada por música. Desde então, eu tenho me empenhado nisso, viver da arte. É difícil, é complicado, tudo é negado pra gente. A gente é boicotada, segregada.”, desabafa.

Monna trabalha na área há praticamente onze anos, mas somente agora começou a receber pelos trabalhos, antes necessitava de um subemprego. Contudo, apesar de tantas dificuldades enfrentadas no caminho, ela sente que finalmente está em um momento profissionalmente bom e de quebras de barreiras de dentro e fora dos movimentos sociais.

Foto: Rogério Fernandes

Quando questionada sobre o atual cenário político, Monna Brutal diz que já sente um clima mais pesado onde mora e está redobrando a sua atenção para que não vire estatística. É por isso também que enfatiza sua intenção de usar suas obras pra atingir primeiramente as mulheres transgêneras, depois as pessoas cis e, por último, a si mesma para quando precisar encontrar forças.

“Eu costumo dizer que hoje em dia as nossas ‘coisas’ dos movimentos sociais estão se romantizando e o preconceito está se tornando velado. Acho muito difícil ter um corpo dissidente no hip-hop que sinta-se a vontade. Estamos nos multiplicando, em todas as cidades tem pelo menos uma de nós fazendo um rap, levantando uma bandeira, então foge da questão sobre ser ou não bem recebida. Não sei se é o caso de estarmos sendo aceitas no rap, e sim de estarmos iguais a um tsunami, incontroláveis.”

 

 

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LGBT

“Em tempos de censura velada, se expressar é viver”, diz autora de Mãe

Gaia Maria, 20 anos, é estudante de História na Universidade Estadual de São Paulo (UNESP), travesti, transativista e considera-se uma poeta iniciante.

Foto: Douglas Ecko Marques

Ela acredita que seus textos são apenas retratos de suas vivências, as quais, segundo ela própria, não possuem medricas, e sim muito a dizer. “A arte é resistência. Em tempos de retrocesso e censura velada, se expressar é viver e para corpos marginalizados como o meu, a arte é a forma mais pura de evidenciar a nossa dor e necessidades”, diz. Veja a seguir uma de suas obras declamada:

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LGBT

A visibilidade TRANSformando o país

Diego Padgurschi/Folhapress

Por Marina Souza

Segundo dados do Antra (Associação Nacional de Travestis e Transsexuais), o Brasil é o país que mais mata transsexuais e travestis no mundo. No ano passado, 53% destes assassinatos foram cometidos com arma de fogo, 21% com arma branca e 19% por agressão física. Entre os casos, 96% foram arquivados e somente 4% resultaram em denúncias à Justiça. Quando trata-se da vida acadêmica os números continuam assustadores: 0,02% estão na universidade, 72% não possuem o ensino médio e 56% o ensino fundamental. “Se a gente não se posicionar, cada vez mais perderemos mais direitos e ficaremos mais vulneráveis. A gente precisa se unir”, diz Samara Sosthenes, uma das coordenadoras transsexuais do Núcleo Luz da Uneafro e professora de Ecologia e Biologia.

O Dia da Visibilidade Trans, 29 de janeiro, representa uma data de conscientização e lutas por direitos da população transgênera. Sosthenes acredita que o momento serve para reafirmar a existência e resistência do grupo, que constantemente é invisibilizado e negligenciado socialmente, “é para mostrar que a gente tá viva e quer viver” esboça ela.

O Google homenageou a data colocando um doodle com o rosto da militante Brenda Lee, importante transsexual na luta contra a HIV e conhecida como “anjo da guarda das travestis”. Dêmily Nóbrega também é coordenadora do Núcleo Luz e não considera positivas as críticas que empresas como Google são submetidas quando lançam campanhas em defesa de causas sociais. Para ela, lucrar é uma circunstância do sistema capitalista e sendo assim, é impossível conseguir alguns avanços sem o apoio destas empresas.

Boodle do Google ilustra Brenda Lee — Foto: Divulgação/Google

Com apenas 29 dias de governo, a professora Sosthenes revela ter percebido grandes mudanças para a população trans no país. Trabalhando no Centro de Cidadania LGBTI+ da zona sul paulistana, ela notou que os números de casos de agressão, estupros e outros tipos de violência aumentaram muito. A retirada dos direitos LGBTI+ das diretrizes dos Direitos Humanos, a extinção da cartilha sobre a saúde sexual dos homens trans, a ministra Damares Alves declarando uma “nova era” permeada de sexismo, a saída de Jean Wyllys (PSOL) e tantos outros acontecimentos marcam o início de um ano que promete ser difícil para as minorias sociais.

 

 

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LGBT racismo

Em SP, ativistas refletem desafios e vivências de LGBTQ negros no universo cultural brasileiro

Artistas e personalidades debaterão preconceito e intolerância na cena cultural do país e contarão como superaram barreiras para serem reconhecidos

 

De Assessoria de Imprensa 

 

Para fazer uma reflexão sobre a vivência no segmento da cultura e de suas distintas expressões artísticas por pessoas que se auto identificam como negros e LGBTQ, o Instituto Brasileiro da Diversidade (IBD), com apoio institucional da APAA – Associação Paulista Amigos da Arte, do Teatro Sérgio Cardoso e da Secretaria Cultura do Governo do Estado de São Paulo, realizam o debate Conciliação LGBTQ+Negra no próximo dia 30 de novembro de 2017, às 15h00, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo (SP).

 

O debate, com a intermediação do jornalista Tony Goes, colunista da Folha.com e apresentação de João Lindolfo, sociólogo, radialista comunitário e ativista, contará com profissionais e personalidades com experiências variadas nas áreas da cultura, relatando como ultrapassaram barreiras como preconceito, ódio e intolerância, entre outras, para conquistarem reconhecimento nos seus segmentos de atuação.

 

“O objetivo é refletir sobre a diversidade, esse tema tão complexo e polêmico, e os seus impactos sociais, culturais e econômicos, pois trata-se de um tabu pouco discutido em profundidade no Brasil, porque implica num engajamento de toda a sociedade para que possamos romper com um círculo vicioso de exclusão e de desigualdades”, afirma Helio Santos, presidente do Instituto Brasileiro da Diversidade (IBD),  realizador do evento.

 

“Nesse sentido, reconhecer, respeitar e valorizar as diferenças é um desafio estratégico, cotidiano, que não pode ser negligenciado pelo conjunto da sociedade, e deve ser enfrentado sistematicamente com rigor”, acrescenta.

 

Participantes:

 

 

‘Hélio Santos (convidado especial) – Professor Doutor, fundador e diretor-presidente do Instituto Brasileiro da Diversidade (IBD). Mineiro, tornou-se doutor em Administração pela FEA-USP e radicou-se em Salvador (BA), onde leciona na Fundação Visconde de Cairu. É pesquisador, autor e co-autor de livros relacionados à questão sociorracial brasileira, além de consultor de diversidade de várias empresas. OIBDé uma organização sem fins lucrativos, formada por pessoas e entidades que se dedicam à promoção da diversidade como instrumento de inclusão social.

 

André Fischer– O jornalista carioca é diretor do Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade, que acaba de realizar a sua 25ª edição em São Paulo (SP). Organizado pela Associação Cultural Mix Brasil desde 1993, o evento visa promover o respeito e a livre expressão da diversidade sexual, buscando novas perspectivas para a compreensão da comunidade LGBTQ, distintas de preconceitos, fomentando o respeito, promovendo a cidadania e o combate a toda e qualquer forma de homofobia e transfobia. É também DJ, apresentador, autor e tradutor de diversos livros sobre diversidade. Foi colaborador da coluna GLS da Revista da Folha.

 

 

Mel Gonçalves – Cantora, apresentadora de TV e ativista pelos direitos LGBTQ+. A cantora goiana, vocalista da banda , é a primeira mulher transexual a estrelar uma campanha da Avon. Mel tem 26 anos e apresenta o programa Estação Plural, na TV Brasil.

 

 

Caio Prado – Cantor e compositor carioca que, além da carreira solo, integra o trio Não Recomendados. Caio tem 26 anos e se formou na Escola de Música Villa-Lobos, no Rio de Janeiro. Criado no subúrbio do Rio, participou de festivais musicais, nos quais, além de elogios, também acumulou prêmios. Lançou o primeiro álbum em 2014 e acaba de gravar o segundo, chamado Incendeia. Sua música “Não Recomendado”, que o projetou nacionalmente e inspirou o nome do grupo, costuma ser interpretada por Elza Soares em shows.

 

 

Mc DELLACROIX – A rapper paulistana lançou este ano, digitalmente, seu primeiro single intitulado #QUEBRada. O single foi lançado em parceria com o projeto internacional Brazillian Spring, do qual a artista é porta-voz aqui no Brasil. Segundo a artista, #QUEBRada é sobre a realidade de um corpo negro e travesti resistindo à sociedade estando na periferia e das lembranças do que é (sobre) viver em uma realidade ainda marginalizada.

 

 

Rico Dalasam – É o nome artístico de Jefferson Ricardo da Silva, de 25 anos, o único rapper abertamente gay da cena musical brasileira, e desponta como representante do movimento “queer rap”. Antes de começar a se dedicar somente à música, Dalasam trabalhava como produtor de moda em São Paulo. O seu primeiro trabalho na cena musical foi o EP “Modo Diverso”.

 

 

Jéssica Ipólito– A jovem paulista, de 23 anos, é autora do blog Gorda e Sapatão, feminista e ativista do movimento negro feminino.

Debate Conciliação LGBTQ+Negra
Dia: 30 de novembro de 2017, quinta-feira
Horário: 15 horas às 18 horas
Performance musical: Mc Dellacroix, 18 horas às 19 horas
Local: Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno
Endereço: Rua Rui Barbosa, 153 – Bixiga – São Paulo (SP)