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Faculdade Cásper Líbero demite docente envolvido em caso de racismo

(Foto: Divulgação)

Por Redação

Em um espaço que deveria ser de aprendizado e acolhimento, a estudante Bárbara Sereno, que está no segundo ano do curso de Publicidade e Propaganda na Faculdade Cásper Líbero, sofreu um caso de racismo dentro do ambiente acadêmico. De acordo com o relato da estudante negra e dos colegas de classe, o (a) docente disse que “não existia racismo no Brasil” e ainda tentou tocar no cabelo de Bárbara. A atitude resultou em uma demissão.

Segundo nota divulgada pelo coletivo negro da instituição, o AfriCásper, a situação começou quando o (a) professor (a) falou a seguinte frase aos alunos: “Quando fui para a Croácia fazer uma especialização, as pessoas de lá acharam que eu era mulato(a) por ser brasileiro(a), mas quando cheguei, eles ficaram desapontados porque eu era ‘normal’”, disse.

Ainda na aula, uma aluna estava com o álbum de figurinhas da Copa do Mundo aberto na seleção da Nigéria, e o (a) docente falou aos alunos que estava surpreso (a) com o fato de o time ter um jogador branco, o zagueiro Leon Balogun. Em seguida, questionou como um dos jogadores negros penteava o cabelo: “Como que ele penteia esse cabelo? Isso aí deve ser um ninho!”, caçoou.

No final da aula, Bárbara e um grupo de alunos foram conversar com o (a) professor (a) para expressar o incômodo que sentiram com as falas ofensivas. Como resposta, ele (a) apontou que os alunos não tinham interpretado corretamente seus comentários e que “no Brasil não existe racismo”.

Após a estudante deixar a sala, o (a) docente foi até a porta e questionou se Bárbara estava chateada com ele (a). A aluna respondeu “não”, mas disse que “estava decepcionada, já que ele (a) era um (a) professor (a) e comunicador (a) e deveria dar o exemplo e tomar cuidado com o que fala”. Com a justificativa de que não era uma pessoa racista, o (a) docente ainda tentou tocar no cabelo da estudante, alegando que sempre quis “tocar no cabelo de um negro”.

Em nota, a Faculdade Cásper Líbero declarou que repudia atitudes discriminatórias e preconceituosa, independente do local que ela ocorra.

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Funcionários da Empresa Brasil de Comunicação fazem paralisação de 24h

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Por Comissão de Empregados EBC

Funcionários da EBC pressionam a direção da empresa pela revisão do Plano de Carreiras e garantia da autonomia editorial 

Nesta terça-feira (9), os empregados da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) realizam uma paralisação de 24 horas em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e São Luís. A mobilização tem como objetivo pressionar a direção da EBC e alertar o governo federal e a sociedade sobre a importância da revisão do Plano de Carreiras da empresa contemplar um conjunto de medidas entendidas como fundamentais para o fortalecimento da comunicação pública. Entre elas está a inclusão de mecanismos como a garantia da autonomia editorial, pisos e tabelas salariais que tirem a EBC da lanterna do serviço público (como apontou pesquisa encomendada pela própria empresa com 32 órgão públicos) e estímulos concretos à formação e qualificação dos empregados.

A EBC é gestora da Agência Brasil, TV Brasil, TV Brasil Internacional, Radioagência Nacional e do sistema público de Rádio (com oito emissoras, como a Rádio Nacional e Rádio MEC), além de gerir o canal de televisão NBr e o programa de rádio “A Voz do Brasil”. A empresa é vinculada à Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República.

A paralisação tem o apoio da Comissão de Empregados da EBC e dos sindicatos dos jornalistas do Distrito Federal e Rio de Janeiro, e dos radialistas de São Paulo e do Rio de Janeiro. A ação foi aprovada por cerca de 300 funcionários reunidos em assembleia na última quarta-feira (4).

Em resposta à decisão dos empregados, a Direção Executiva da EBC enviou comunicado interno na última sexta-feira (5) ao corpo funcional em que ameaça os trabalhadores ao dizer que “entende que o referido movimento paredista é abusivo, razão pela qual adotará as medidas cabíveis”. Em resposta, as entidades representativas dos funcionários divulgaram informe em que afirmam não compreender “os motivos que levam a EBC a já considerar a mobilização abusiva. Essas informações, lamentavelmente, não constam na nota, que resume a ameaça a uma frase sem argumentos e sem solidez jurídica”. Por fim, os sindicatos e a Comissão ressaltam esperar “que o direito à organização e mobilização sejam compreendidos e respeitados pela EBC”.

Em novembro de 2013, os empregados realizaram uma greve nacional de 15 dias durante as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho. A mobilização envolveu cerca de 700 dos pouco mais de 2 mil funcionários da empresa.

ENTENDA O CASO

A revisão do plano de carreiras da EBC vem ocorrendo desde 2012. Em agosto de 2013, após pressão dos funcionários que ameaçaram paralisar as atividades, a empresa criou o chamado Grupo de Convergência para tratar do assunto. Ele foi instituído para sistematizar contribuições dos trabalhadores ao novo plano e elaborar um relatório com recomendações à Diretoria Executiva. O grupo foi formado por representantes da empresa e das entidades representativas dos trabalhadores e encerrou os trabalhos na semana passada.

Contudo, a EBC não acatou demandas fundamentais dos empregados, reafirmadas em sucessivas assembleias desde início da criação do grupo. Entre elas destacam-se:
– Melhoria da tabela salarial com redução de níveis para progredir na carreira e aumento do piso (em assembleia foi aprovada proposta de tabela com piso de R$ 4.400 para nível superior e R$ 3.080 para nível médio);
– Descrição de cargos que respeite a legislação e não abra brechas para acúmulos e desvio de função;
– Equilíbrio entre promoção por mérito e antiguidade e
– Instituição de uma gratificação por qualificação;

Entre as divergências do Grupo, vale destacar a criação de sete pisos diferenciados entre categorias (atualmente há um para nível médio e outro para superior) e a proposta da empresa de conceder progressão automática anual a quem ocupa cargos de gestão (ou seja, chefias), sem que seja dado esse mesmo direito aos demais profissionais da casa.

O resultado do Grupo de Convergência segue agora para deliberação da Diretoria Executiva da EBC, que deve submeter a proposta a aprovação do Ministério do Planejamento.

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Movimentos convocam protesto antirracista na porta da TV Globo

 

 

 

 

Por Douglas Belchior

E a Rede Globo mantém seu papel histórico: fortalecer estigmas negativos relacionados à população negra e à classe trabalhadora, em especial às mulheres negras, no imaginário coletivo.

Até aí, nenhuma novidade.

Mas há sim um elemento novo: O Movimento Negro está nas ruas, forte como nunca.

[email protected] ao “Protesto e as Pretas“, em frente à Rede Globo, nesta terça feira, 16/09, às 19h, com concentração na Praça General Gentil Falcão – SP.

 

 

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“Sexo e as Nega” será alvo de protesto em frente à emissora nesta terça feira.

 

Nota de Repúdio

“Sexo e as nega” não nos representa. Queremos mulheres pretas no poder!

 

Nesta terça feira, 16/09, estreia na Rede Globo a minissérie “Sexo e as Nega”, de Miguel Falabella. Nós, pretas e pretos independentes e atuantes de diversos coletivos, organizações e entidades manifestamos nosso absoluto repúdio a mais um golpe racista protagonizado pela emissora, que permanece desde a sua fundação como uma das ferramentas de manutenção do racismo e do machismo brasileiro.

Para nós, é evidente que a maneira como o seriado retrata as mulheres negras contribui de forma latente com os péssimos estigmas atribuídos historicamente às mulheres negras em nosso país, como o de mercadoria sexual, cujo único valor é o sexo.  “Sexo e as Nega” é só mais um capítulo do desserviço permanente prestado pela emissora ao povo negro.

A tentativa desonesta do autor de transformar esse seriado racista em uma maneira de propagandear a farsa da democracia racial, precisa ser denunciada. O racismo brasileiro se explicita a cada dia, e na mesma proporção o Movimento Negro vem ganhando força. Logo, mesmo que a emissora permaneça se furtando de um debate honesto sobre o racismo, ou até mesmo fazendo uma cobertura justa do que estão sendo as lutas antirracistas no Brasil, as diversas organizações do movimento negro permanecerão nas ruas, em protesto, enquanto for necessário, assim como será nesta terça-feira.

Convocamos todo povo negro de São Paulo ao protesto pela retirada imediata deste programa racista do ar e denunciamos:

  • A contribuição histórica da emissora com o racismo brasileiro;

  • A maneira racista e machista que a emissora retrata a mulher negra em sua programação;

  • O silêncio da emissora em relação às últimas mobilizações do movimento negro, em especial a Marcha Contra o Genocídio do Povo Negro, que movimentou mais de 60 mil pessoas em todo país no último dia 22 de Agosto;

  • A maneira como emissora se recusou a dialogar com as diferentes vozes que levantaram quanto ao programa;

  • A permanente tentativa da emissora de propagandear a farsa da democracia racial.

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Assinam:

Uneafro-Brasil

Círculo Palmarino

Levante Popular da Juventude

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Sobre a participação no programa “Na Moral”, da Rede Globo

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Por Douglas Belchior

 

[email protected] do Blog NegroBelchior, Facebook, de vida e de luta, boa tarde!

Quero agradecer as inúmeras manifestações de carinho e respeito que recebo desde ontem e, também, gostaria de dar as minhas explicações sobre a não participação no programa “Na Moral”, da Rede Globo de televisão, na noite de ontem, 10 de Julho:

A avaliação do meu coletivo de militância foi de que seria importante aceitar o convite para a gravação do programa “Na Moral”. Em que pese todas as contradições – em se tratando da rede Globo – aceitamos por avaliar que se trata de um veículo que efetivamente leva informação para milhões de brasileiros, e que poderíamos utilizar para levar nossa mensagem de combate ao racismo e de reivindicação de reparação histórica, de denúncia do genocídio negro e de defesa das políticas de ação afirmativa. Não houve inocência na ação. Foi algo avaliado e decidimos por fazer, mesmo sabendo dos riscos da edição.

O compromisso da produção do programa foi manter os principais argumentos de todos os participantes. As profissionais, produtoras do programa, me pareceram (e acredito mesmo que sejam) sérias em seu trabalho e sensíveis ao tema.

O programa foi gravado na tarde de sábado, 28 de junho. A proposta é de que seriam dois blocos: o primeiro abordaria racismo em telenovelas, com a participação de artistas; o segundo seria um debate sobre cotas raciais tendo por um lado a desembargadora Luislinda Valois – primeira mulher negra a se tornar juíza no Brasil e eu, Douglas Belchior, em defesa das cotas. Do outro lado, Roberta Fragoso, advogada do DEM na Ação Direta de Inconstitucionalidade das Cotas que fora julgado no STF em 2012. Além dela, também contra as cotas, um rapaz negro chamado Éder Souza, formado em História na USP.

O debate rolou e foi muito quente, gravado, editado, com chamadas na net (http://zip.net/bxn1XC) e na TV – como muitos perceberam.

Na noite de quarta feira (09) recebi a informação de que o bloco inteiro seria cortado por conta da legislação eleitoral, já que Luislinda Valois e eu estamos registrados como candidatos em nossos Estados.

Particularmente, desconhecia essa legislação e tampouco fui lembrado a esse cuidado. Curioso é que não faltam veiculações de personalidades que são candidatos/as o tempo todo em comerciais, programas e telejornais, sem que isso seja proibido, mesmo em período eleitoral. Enfim, foi essa a justificativa.

Sobre a edição que foi ao ar, pouco tenho a dizer. As pessoas que assistiram, em especial aquelas a que o tema tem importância, com certeza tem qualificadas conclusões. Faço apenas referência ao companheiro Joel Zito, militante incansável nas artes e no combate ao racismo que, apesar da edição, conseguiu deixar um forte recado sobre a vocação racista da TV e do Estado brasileiro.

Agradeço o cuidado de [email protected] Não estou frustrado, tampouco, surpreso. A Globo é a Globo, jamais deixará de ser. Não será por ela nem pelos demais veículos de comunicação tradicionais que faremos mudanças no país. No entanto, devemos sim – e essa é nossa opinião – aproveitar os possíveis espaços para levar nossas mensagens e nossas lutas. Por isso nos dedicamos à luta pela democratização dos meios de comunicação, construindo e fortalecendo as mídias alternativas, vejam: http://zip.net/bhn1d9.

Manteremos a luta política de combate ao racismo de maneira sistemática, cotidiana e comunitária, ações para as quais convido todos/as a participar e fortalecer, confira: (http://zip.net/bvn1qz) e (http://zip.net/bfn0YR).

Asè na vida! Paz na Caminhada! E cuidado com a polícia! 😉

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Blog NegroBelchior no programa Manos e Minas

Por Douglas Belchior

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A luta política proporciona encontros memoráveis e que duram para sempre!

Um deles foi com Max B.O, rapper e apresentador do programa Manos e Minas, na TV Cultura.

Além de valorizar a cultura hip-hop, periférica e afrobrasileira, Max B.O em seu programa fortalece o combate ao racismo, ao genocídio da juventude negra e às lutas por igualdade e justiça.

Foi bem loko!

Assiste aí e me diz o que achou, beleza?

Asè!

 

 

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Mas a Cultura não é uma TV Pública?

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Jovens da periferia são excluídos das gravações do programa Manos e Minas da TV Cultura

Por Douglas Belchior

 

Em 2012 e 2013 lecionei Sociologia na E.E. Nanci Cristina do Espírito Santo, uma escola pública da rede estadual de São Paulo na cidade de Poá, divisa com outros três municípios: Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba e o bairro do Itaim Paulista (São Paulo). Foram dois anos mágicos. Dar aula para jovens da minha própria comunidade, muitos deles filhos de amigos, vizinhos, parentes, adolescentes que vi crescer. Foi uma maneira de me enraizar ainda mais no território. Muitos desses alunos consegui levar para o Cursinho Comunitário da Uneafro. Alguns já estão na faculdade, outros seguem não só como estudantes do cursinho, mas já atuam como ativistas do movimento.

 

Acredito que o maior desafio para nós, professores comprometidos com a mudança radical da sociedade, com a mudança de paradigmas e dos valores do consumo desenfreado, do individualismo, da violência, do racismo, do machismo, da homofobia e de todas as formas de preconceitos, é a da disputa da mentalidade da juventude. E a escola é, sem dúvida, o principal ambiente dessa disputa. Nesse exercício cotidiano, uma das ferramentas que sempre utilizei foi a da cultura e das artes –em especial o rap e agora o funk.

 

São ferramentas fundamentais no diálogo com a juventude das periferias. Nesse sentido, posso dizer que um dos mais importantes momentos que vivi com meus alunos foram as três vezes em que organizei sua participação nas gravações do Programa Manos e Minas, da TV Cultura de SP, hoje apresentado pelo talentosíssimo Rapper Max B.O. O Manos e Minas é um dos poucos programas da TV aberta brasileira que traz como centro, a temática periférica, racial e cultural própria das periferias das grandes cidades.

 

 

A música e a arte negra, representada pela Cultura Hip-Hop e a presença de uma plateia composta por jovens, manos e minas, das periferias de São Paulo, sempre foram a alma do programa. E é exatamente isso que a direção da TV Cultura parece não valorizar.

 

 

Ao que parece, a participação da juventude periférica nas gravações do Manos e Minas já não serão permitidas. Falta de recursos? É o que dizem. Mas, a meu ver, muito mais falta de sensibilidade e de percepção da importância que esse espaço representa para os os jovens das periferias e para os que lutam por justiça.

 

 

A notícia do Noticiário Periférico, que replico abaixo, traz mais detalhes da lamentável notícia.

Mas a Cultura não é uma TV Pública?

 

 

 

 

De Noticiário Periférico

Eis que fomos surpreendidos novamente, e o tapete foi puxado justamente de onde se menos esperava! Quem diria, uma rede de televisão renomada, de tradição, com uma história de tantos anos como a TV Cultura, derrubar novamente um dos únicos programas de cultura periférica, o Manos e Minas, mas dessa vez aos pedaços.

 

O programa Manos e Minas, que é exibido pela TV Cultura desde 2008 (aos trancos e barrancos), já chegou a ser cancelado em 2010, quando o então novo presidente João Sayad resolveu abolir o programa de sua grade, junto com alguns outros. Hoje passamos por uma situação parecida.

 

O programa Manos e Minas, conhecido em quebradas de ponta a ponta por ser o que mais abre as portas para a nossa cultura de periferia dentro da televisão brasileira, seja aberta ou não, contava com uma plateia que não era só pessoas pagas para sentar, rir ou pegar aviõezinhos de dinheiro. Era composta de pessoas que realmente se importam, se interessam e seguem a cultura de gueto como meio e estilo de vida, e hoje não fazem mais parte do espetáculo, foram simplesmente retirados. O programa deixará de ser de auditório e passará a ter somente apresentador e convidados. Eles (a plateia) eram a imagem dos verdadeiros manos e minas, aqueles que tão na quebrada, fazendo o seu, dentro da TV, a possibilidade de apoio à difusão de um estilo que não pensa só em rebolar até o chão e que mostra a realidade, a visão e a profundidade do pensamento do periférico de hoje em dia.

 

Logo a TV Cultura, cria da Fundação Padre Anchieta, que justamente tem como meta, segundo eles mesmos, “dar prioridade a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas; promovendo a cultura nacional e regional e estimulando a cultura independente”, demonstra que, para quem interessa, o dinheiro sempre fala mais alto.

 

Depois de um texto gigantesco desse, só me resta dizer uma coisa: Lamentável.

 

 

Manos e Minas, sem manos e sem minas.

 

 

Deixe a sua mensagem:

 

http://www2.tvcultura.com.br/faleconosco/

 

 

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Uneafro indica candidatura ao Conselho Curador da EBC

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Por Douglas Belchior

Nos próximos dias haverá a finalização de uma Consulta Pública para o preenchimento de cinco vagas destinadas a representantes da sociedade civil no colegiado do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação – EBC. A Uneafro-Brasil, movimento negro que organiza trabalhos de educação popular em dezenas de periferias do país, ao lado de outras importantes organizações do movimento negro e social, está indicando o jornalista e blogueiro Leandro de Jesus Gomes para um dos assentos.

No total, 207 entidades tiveram suas indicações homologadas. A partir das indicações, os conselheiros irão elaborar, em sua próxima reunião (16/04), uma lista tríplice para cada vaga, a ser encaminhada à Presidência da República, que designará as cinco novas pessoas que integrarão o Conselho.

É muito importante que o movimento negro e popular esteja representado no Conselho Curador de uma empresa pública nacional de comunicação. Por isso, pedimos às organizações sociais e entidades que manifestem seu apoio à candidatura/indicação da Uneafro-Brasil através deste LINK.

Abaixo segue Manifesto da candidatura.

 

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 Manifesto de apoio à indicação do Movimento Negro Uneafro-Brasil às Eleições do Conselho Curador da EBC- Empresa Brasil de Comunicação

De suma importância para a sociedade, para a cultura e principalmente para a democracia, a EBC – Empresa Brasil de Comunicação é uma conquista do povo brasileiro. Para fortalecê-la acreditamos no desenvolvimento regional, na difusão do conhecimento, na produção e consumo de entretenimento de qualidade e na propagação dos valores humanos por meio de canais públicos de comunicação, comprometidos com a pluralidade e com a capacidade crítica de seu público.

Entendemos que o Conselho Curador, como órgão opinativo e deliberativo da Empresa Brasil de Comunicação, deve atuar para tornar a organização cada vez mais aberta à participação popular. O Conselho deve ouvir, divulgar e manter um canal de diálogo junto aos grupos que não tem voz na mídia hegemônica e com isso, combater a propagação de preconceitos e a criminalização dos movimentos sociais organizados.

Num país marcado pelo racismo, é papel da empresa pública denunciar as violências diárias a que negros e negras estão submetidos nas periferias, além de denunciar as desigualdades em todas as dimensões. É seu papel valorizar iniciativas e programas que garantam a reparação histórica da população negra. Da mesma forma, ao contrário da invisibilidade marcante na mídia convencional, a empresa pública deve expressar, especialmente na TV, a diversidade da população brasileira, majoritariamente negra.

A instituição deve combater a opressão de gênero e a homofobia. Ela deve ser catalisadora na defesa dos direitos humanos e vanguarda na proposição de debates de temas de relevância nacional. É dever de uma empresa com esta missão ser inovadora, ousada e progressista tanto no conteúdo quanto na estética.

A EBC deve ampliar sua participação nos mais diversos cantos do país e potencializar a capacidade de produzir programais regionais que expressem a diversidade nacional. Aliada à expansão do sinal, a Empresa deve buscar crescer e popularizar os conteúdos produzidos. A diversidade de serviços, rádio, TV, internet, deve servir para levar cada vez mais a EBC aos mais diferentes públicos do país.

Defendemos uma empresa que prime pela independência e liberdade editorial para que não sirva de instrumento de manipulação na mão de governos ou partidos, sejam eles quais forem. A Empresa deve ser a mola propulsora de uma Rede Pública Nacional, ampliando as parcerias com redes estaduais, TVs comunitárias e propiciando a produção de conteúdos independentes, seja no apoio técnico ou logístico.

É em nome dessa plataforma que a Uneafro-Brasil, movimento negro e educacional organizado nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Pará, com o apoio das organizações e movimentos subscritos abaixo, indica o nome de Leandro de Jesus Gomes para um dos assentos no conselho Curador da EBC.

Leandro de Jesus Gomes é negro, Jornalista formado pela PUC/SP e Blogueiro. Foi estudante e coordenador do Movimento de Cursinhos Comunitários da Educafro e depois da UNEafro-Brasil; Hoje é militante da luta pela democratização dos meios de comunicação. Mora em Brasília, onde trabalha na Caixa Econômica Federal.

 

Assinam

 

Uneafro Brasil

MNU – Movimento Negro Unificado SP

Círculo Palmarino

Quilombação – Coletivo de Ativistas Antirracistas – USP

Grupo Pesquisas Novo Bandung – UFABC

Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo

CRUMA – Cooperativa de Reciclagem Unidos pelo Meio Ambiente

Instituto Rede de Base Orgânica Cata Sampa

Associação Franciscana de Defesa de Direitos e Formação Popular

Blog NegroBelchior – Carta Capital

Instituto Augusto Boal

Ong Social Skate

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O CQC, a exceção e a regra

Abaixo o vídeo sobre “Democracia Racial” no Brasil. Vale a pena!

 

Cuatro Cabezas produz vídeo “pedagógico” sobre racismo para o CQC. 

Por Douglas Belchior

 

Já escrevi alguns textos sobre o importante papel da mídia, em especial da TV, na reprodução sistemática do racismo no Brasil.

Salvo raras exceções, os programas de TV atuam a partir de duas possibilidades: ou tornam invisível o corpo negro ou o apresentam de maneira depreciativa, pejorativa e preconceituosa.

Mais especificamente sobre os programas de humor na TV brasileira, em alta hoje em dia, as opiniões se dividem basicamente em duas posições: as que defendem que o comediante não tem compromisso com a sociedade para além de fazer rir, independentemente do alvo; e as dos que acreditam que a comédia, para ter qualidade, precisa ir além do senso comum e não ter como objeto de suas elaborações grupos já estigmatizados e historicamente oprimidos.

O programa C.Q.C – Custe o Que Custar, exibido pela Rede Bandeirantes, talvez seja o mais emblemático exemplo do gênero “humor inteligente” que, a bem da verdade, é bem inteligente no sentido de reafirmar estereótipos racistas, machistas e homofóbicos, além do sempre presente preconceito de classe.

Pudera! Dali saíram, para voos mais altos, “humoristas” do nível de Rafinha Bastos e Danilo Gentile, cujas fichas corridas por denúncia de racismo, ofensa machista e homofobia, já dobram a esquina.

Mas, para dar ainda mais razão aos Racionais: “Tenha fé, porque até no lixão nasce flor”… E não é que justamente daí surge a tal da rara exceção – aquela mesmo que comprova a regra:

Produzido pela Eyeworks Cuatro Cabezas – a mesma produtora do programa “A LIGA”, o quadro “Documento da Semana” já havia chamado a atenção por abordar de maneira consistente e crítica temas complexos e polêmicos – ainda mais tratando-se da Band, como a homofobia, a realidade da favela do Heliópolis , racismo na mente das crianças e até mesmo, pasmem, um sobre a chegada dos médicos cubanos, este em especial, uma verdadeira peça pedagógica exibida em pleno calor do debate naquele momento.

Em razão do 20 de Novembro, dia Nacional da Consciência Negra, a ‘Cuatro Cabezas’ produziu também a matéria batizada como “Democracia Racial”, cujo pano de fundo fora justamente a negação do racismo enquanto determinante de desigualdades, injustiças e muita violência no Brasil.

Embora com muito receio, participei do programa. O resultado do trabalho está registrado do vídeo acima.

Há muitos grupos e produtoras, pequenas e/ou independentes que produzem materiais com abordagem crítica, realista e comprometida com o avanço dos direitos sociais e da justiça. Mas é verdade que o excelente trabalho da produtora Cuatro Cabezas é, no contexto das grandes emissoras de TV aberta, uma exceção que comprova a perversa regra.

Esse exemplo nos mostra também que a produção televisiva poderia ser muito melhor do que é e que, portanto, trata-se de uma questão de opção não só artística, mas sobretudo política e ideológica.

Vamos falar sobre Democratização dos Meios de Comunicação?

 

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Sobre racismo, mídias, religiosidade e humor

Por Douglas Belchior

O trabalho de humoristas sempre foi objeto de debate entre os ativistas do Movimento Negro, Feministas e Lgbt’s. Afinal, através da comédia, valores negativos e degradantes relacionados a mulheres, negros, homossexuais, nordestinos e pobres sempre foram amplamente promovidos com suavidade, graça e de maneira a se naturalizar.

Sobre o humor em si, as opiniões se dividem basicamente em duas posições: a que defende que o comediante não tem compromisso com a sociedade para além de fazer rir, independentemente do alvo; E a dos que acreditam que a comédia, para ter qualidade, precisa ser inteligente, ir além do senso comum e não ter como objeto de suas elaborações grupos já estigmatizados e historicamente oprimidos.

Esta semana um *programa de “humor” chamou a atenção pelo teor da ofensa dirigida às religiões de matriz africana. O “Te pequei na TV”, da Rede TV, comandado pelo humorista João Kleber, veiculou dia 06/10/2013 às 20h um quadro em que um personagem aparece na rua “vendendo passes”. Os clientes, acreditando se tratar de passagens para transporte público. Após o pagamento são surpreendidos com uma segunda personagem que surge para “dar o passe”. Ela aparece caracterizada como religiosa de umbanda ou candomblé e apresentada pelo primeiro personagem como macumbeira. A cena pode ser vista entre os minutos 4:48s e 8:39s do vídeo abaixo.

Fomento ao preconceito, ao racismo, machismo, violência contra mulheres e homofobia são recorrentes em programas e apresentações humorísticas. Alguns casos ganharam repercussão, como a de Danilo Gentile, que chegou a ser investigado pelo Ministério Público Federal de São Paulo por declarações racistas. Mais recentemente a Rede Globo foi alvo de investigação por conta do humorístico Zorra Total, especificamente o trabalho do ator Rodrigo Sant’Anna, que interpretava Adelaide, uma mulher negra e pobre, que circulava pelo corredor do metrô com seu “tablet”, pedindo “50 centarru, 25 centarru, dez centarru” aos passageiros. O programa foi denunciado à Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República. A alegação foi de que o personagem apresentava “estereótipos racistas”. As acusações foram levadas à 19ª Promotoria de Investigação Penal, do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

Antes de tirar o quadro do ar, a Rede Globo afirmou em nota: “O humorístico ‘Zorra Total’ é notadamente uma obra de ficção, cuja criação artística está amparada na liberdade de expressão. A personagem Adelaide é uma brincadeira inspirada inclusive na avó de seu intérprete e criador”.

Em mais esse caso de promoção de racismo e desrespeito às religiões de matriz africana – alvos históricos da satanização por parte dos meios de comunicação, se percebe a fragilidade das leis de combate ao racismo e de defesa da cultura afrobrasileira. O Estatuto da Igualdade Racial (Lei 12.288), no capítulo VI  –  Dos Meios de Comunicação, em seu artigo 43 orienta (e só orienta – não obriga nem pune a inobservância da Lei! ): “A produção veiculada pelos órgãos de comunicação valorizará a herança cultural e a participação da população negra na história do País.” ( !!! )

Sempre bom lembrar que as redes de televisão existem em função de concessões públicas, e que como usuárias de um espaço público, deveriam promover uma cultura de paz e respeito a diversidade, além de garantir o direito a expressão dos grupos historicamente oprimidos, mas ao contrário, servem como espaço de propagação preconceitos, intolerância e violência religiosa, racial, e de gênero. A ideia de “liberdade de expressão” é argumento permanente para justificar manipulações e desvios de ética jornalística dos grandes meios de comunicação e a consequente manutenção de seu poderio. Nesse sentido, vale reforçar a importância da campanha nacional pela democratização dos meios de comunicação, que tem sido construída por diversos movimentos sociais em todo o país.

Voltando à comédia: Há limites? E o que determinaria esses limites? A aceitação do público? O volume das gargalhas? Até que ponto a emissão de uma opinião, disfarçada de piada, influencia o comportamento e/ou naturaliza/reforça paradigmas em uma sociedade tão marcada pelo racismo, pelo machismo, pela homofobia e pela divisão de classes?

Tantas perguntas… O documentário de Pedro Arantes – “O Riso dos Outros”, é também um bom provocador.

Em tempo: A Rede TV é alvo em processos por má conduta no uso de sua concessão, em denúncias contra o programa Teste de Fidelidade; por ter exibido entrevista com a jovem Eloá Cristina, que seria assassinada em sequestro; e por declaração contra ateus, proferida em programa de uma Igreja Evangélica.

*Colaborou com a sugestão da pauta o companheiro Guilherme Botelho Junior, dirigente da Pastoral Afro e militante histórico do Movimento Negro de São Paulo.

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