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Debate Direitos Humanos O quê que tá pegando?

Seminário abordará a relação do Racismo Institucional e o Serviço Social no Brasil

Nesta sexta-feira, 28/9, o Nucress Leste, em parceria com Conselho Regional Estadual de Serviço Social de São Paulo (CRESS), realizará o Seminário Racismo Institucional e os desafios para o Serviço Social. O intuito do evento é debater a temática das questões racial, lavando em conta a vivência do assistente social.

O evento acontece das 9h às 17h, na FATEC Itaquera (Av. Eng. Ardevan Machado, s/n – em frente ao Metrô Corinthians-Itaquera – Vila Carmosina). A entrada é gratuita e o credenciamento é feito no próprio local. Os participantes receberão um certificado atestando a participação no seminário

Kelly Melatti, presidente do CRESS, comenta a importância do tema para a área. “Dialogar sobre o racismo institucional é uma tarefa muito cara ao Serviço Social – uma bandeira de luta – pois, atuando em diversos espaços socio-ocupacionais, o(a) assistente social possui o dever ético político de combater o racismo, seja dialogando com a população usuária, refletindo sobre sua atuação com outros colegas. Além do planejamento, formulação ou execução de políticas, programas e projetos sociais”, comenta Kelly.

Para abordar o assunto, a organização do evento convidou profissionais que são referencias na área. Daniela Cristina Augusto Campos , assistente social; Júlio César de Andrade, diretor estadual do CRESS – SP; Priscila Lira, assistente social; Patrícia Maria da Silva, assistente social e Marcio Farias, psicólogo, vão compor as duas mesas de debate.

Confira abaixo a programação completa do seminário.

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Debate

MPF convoca audiência pública para debater providências para promoção e proteção do Cais do Valongo (RJ)

“Cais do Valongo: Patrimônio Cultural da Humanidade: o que foi feito?”. A questão é o norte da audiência pública que será promovida pelo Ministério Público Federal (MPF) no dia 8 de agosto, às 12h, no auditório da Procuradoria da República no Rio de Janeiro. O evento pretende tratar das providências adotadas pelos órgãos públicos responsáveis por garantir a promoção e a proteção do sítio arqueológico do Cais do Valongo e de seu entorno um ano após a concessão do título pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Dentre os convidados estão o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão; a secretária municipal de Cultura do Rio, Nilcemar Nogueira; a presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa; a presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), Cláudia Escarlate; o presidente da Fundação Cultural Palmares, Erivaldo Oliveira; e representantes do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Negro (Comdedine) e do Conselho Estadual dos Direitos do Negro (Cedine).

Leia também: Porque este blogueiro,  Douglas Belchior, homem preto, professor e ativista do movimento negro é candidato a deputado federal

De acordo com o edital, são objetivos da audiência obter e tornar públicas as informações dos órgãos federais e municipais envolvidos, relacionadas ao cumprimento das obrigações e dos prazos assumidos perante a Unesco, quanto à proteção e promoção do conjunto do sítio arqueológico do Cais do Valongo (incluindo seu entorno e material arqueológico) após a concessão do título de Patrimônio Cultural da Humanidade; e ouvir e registrar as considerações das organizações da sociedade civil envolvidas no processo, bem como de todos os presentes na audiência.

A audiência está prevista para se encerrar às 19 horas, e observará a seguinte programação:
i) abertura e esclarecimentos sobre o objeto e procedimento da audiência pública, com as falas do membro da 4ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF; e dos procuradores da República Sergio Suiama e Jaime Mitropoulos;
ii) considerações sobre os compromissos internacionais firmados pelo Estado brasileiro para a promoção e conservação do Cais do Valongo, com a representante da Unesco no Brasil Marlova Jovchelovitch Noleto;
iii) fala do ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão;
iv) falas da presidente do Iphan, Kátia Bogéa, e do presidente da Fundação Cultural Palmares, Erivaldo Oliveira;
v) falas da secretária de Cultura do Rio, Nilcemar Nogueira, e da presidente do IRPH, Cláudia Escarlate;
vi) falas dos representantes do Comdedine, Cedine e demais autoridades e órgãos públicos convidados;
vii) manifestações dos representantes de organizações da sociedade civil e público presente;
viii) encaminhamentos da audiência e encerramento.

A audiência será aberta a toda a população, sem necessidade de inscrição prévia, até o limite de lugares do auditório. O evento é um desdobramento da audiência realizada em 28 de agosto do ano passado, que pretendeu identificar, dentre outras questões, as medidas a serem realizadas após a inscrição do sítio arqueológico na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco.

Edital de convocação

Audiência pública “Cais do Valongo: Patrimônio Cultural da Humanidade: o que foi feito?”
Local:
 Procuradoria da República no Rio de Janeiro
Avenida Nilo Peçanha, 31, auditório principal, Centro do Rio.
Data:
 8 de agosto de 2018, a partir das 12h

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Debate

Você se sentiu representada (o) no casório da família real britânica?

Príncipe Harry e Meghan Markle se casaram no último sábado (19/5) ( Foto: Chris Jackson/Chris Jackson/Getty Images)

 

Por Douglas Belchior

A família real britânica não exerce poder político definidor há tempos. Mas seu simbolismo e tradição são pontos caros aos ingleses e deveriam ser caros ao resto do mundo também. Em especial aos descendentes de africanos e, sobretudo em países vítimas da colonização pelo mundo afora. A família do noivo ruivinho tem uma tradição de cerca de mil anos. Atravessou, portanto, o antes, o durante e o depois dos quase quatro séculos de escravidão mercantil, que devastou a África e assolou o chamado novo mundo.

O tráfico de pessoas escravizadas se estendeu por esse período e vitimou, por baixo, cerca de 12 milhões de seres humanos africanos. A riqueza gerada pela escravidão rendeu à Inglaterra o acúmulo primitivo de capital suficiente ao advento da primeira Revolução Industrial e manteve o este país como a grande potência mundial nos séculos XVIII e XIX. Isso mesmo, o sangue do parto do capitalismo mundial é de africanos escravizados, indígenas e seus descendentes.

Por todo o século XX, a Inglaterra manteve colonizações violentas em dezenas de países da África e de outros continentes, promoveu apartheid na África do Sul e liderou, ao lado dos EUA, o avanço do capitalismo mundial em seu formato neoliberal por meio de Margareth Thatcher, nos anos 70 e 80, sempre com as honras da Coroa. Hoje a família real ainda detém, além do financiamento do governo/estado inglês, o patrimônio de terras e negócios na Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte e uma fortuna imensa não revelada.

Todo o glamour, a elegância e a riqueza do casamento dos pombinhos, tem essa origem aí… sacou?

 

 

É até bonito ver uma neo-princess-afro sorrindo na tela, uma mãe preta super elegante e emocionada, um coral black super afinado e um pastor preto simpático citando Luther King. Mas comemorar um casamento real em um país imperialista, colonial e escravocrata como um ganho para a comunidade negra ou para o povo negro, aí não. Por favor! É preocupante a adesão, em especial pela negrada, ao crescente discurso de valorização de uma representatividade vazia de significado, legitimidade e preocupação com a coletividade, cada vez mais liberal e individualista. Será que não aparecemos ali exatamente no lugar de sempre? Servindo, cuidando, cantando, orando e embelezando a vida deles?

Será essa a representação que precisamos alimentar?

 

Príncipe Willian sendo carregado por homens negros durante uma visita à Ilha de Tuvalu. (Foto: The Superfcial)

 

 

Conheça, participe e ajude fortalecer o movimento negro brasileiro Acesse: Uneafro Brasil

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Debate Genocídio Negro Mulheres Negras

III Feira Nacional da Reforma Agrária recebe seminário “30 Dias por Marielle“

Contra a intervenção militar e pelo fim do Genocídio Negro, o seminário “30 Dias por Marielle“ nasce do protagonismo do Movimento Negro e da união de entidades mistas e independentes, que entendem a execução de Marielle como um desdobramento do crescimento de setores da direita.

A execução de Marielle é um exemplo da política genocida do Brasil que mata e encarcera pessoas por serem negros e pobres. Como aconteceu com Amarildo, Cláudia Ferreira, Luana Barbosa, que foram assassinados, e Rafael Braga, que foi preso.

Questões como segurança pública, intervenção militar, feminicídio, violência policial são alguns dos temas que devem ser abordados pelos convidados no seminário. Para os interessados, o evento gratuito acontece neste sábado, 5/5, das 9h às 17h, no auditório do Parque da Água Branca, em São Paulo.

 

Confira, abaixo, a programação do seminário “30 Dias por Marielle”

 9h – Credenciamento e café;

 

10h – Mística de abertura;

 

10h30 – Mesa 1 “O Brasil hoje: análise do cenário político, econômico, social e as relações raciais”;

Conjuntura: João Paulo Rodrigues (MST)

Políticas públicas: Cida Bento (CEERT)

Intervenção militar: Katiara Oliveira (Kilombagem/Rede de Proteção e Resistência Contra o Genocídio)

 

12h – Almoço;

 

13h – Mesa 2 “Novas e velhas facetas da violência de Estado: Intervenção militar e o genocídio negro”

Intervenção militar no RJ: Rafaela Albergaria (ISER)

Violência policial: Bia Sankofa (Coletivo de Esquerda Força Ativa)

Violência de gênero e feminicídio: Luciana Araújo (Marcha das Mulheres Negras/SP)

Justiça e genocídio/encarceramento em massa: Railda Alves (Associação AMPARAR)

 

15h – Pensando o Brasil que nós queremos.

Grupos de trabalho:

  1. Intervenção militar no RJ
  2. Violência policial
  3. Violência de gênero e feminicídio
  4. Justiça e genocídio/encarceramento em massa
  5. Violência e genocídio da população LGBTI

 

16h – Como construir este Brasil? – Socialização dos Grupos de Trabalho

 

17h – Lari Salu e Mina Buts (rap)

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Debate Filosofia Nazi-fascismo

A Escola Sem Partido mineira?

 

Por Douglas Rodrigues Barros[1]

 

Supostamente um colégio, conhecido por formar filhos da elite econômica em Minas Gerais, adotou sem titubear ao programa Escola sem Partido. Na descrição da vaga, que fora alterada mais de uma vez, se lê o seguinte:

“Procura-se professor de Sociologia e Filosofia que não seja orientado pela ideologia comunista ou socialista, procura-se um professor ou professora que consiga dar aulas dessa disciplina sem fazer doutrinação ideológica para Esquerda” – em maiúscula – “ou para direita, precisa-se de um profissional capaz de demonstrar tanto o pensamento de Marx como a biografia de Marx”.

Uma breve reflexão antes de continuar: esta foi a primeira formulação do anúncio que mudou depois para: “Procura-se um professor ou professora que consiga dar aulas dessas disciplinas sem fazer doutrinação ideológica para a esquerda ou para a direita. Precisa-se de um profissional capaz trabalhar de acordo com o projeto de lei nº 867, de 2015”. Projeto este, conhecida popularmente como Escola Sem Partido.

De acordo com a primeira formulação recomenda-se ao professor demonstrar o pensamento de Marx juntamente com sua biografia. Considerados os limites propedêuticos impostos pelo ato de contratação, deve-se demonstrar que Marx fora um canalha com sua esposa ao traí-la, gerar um filho bastardo e pedir que seu amigo Engels o assumisse para não despertar a ira de Jenny – a (in)felizarda.

Devemos acrescentar às aulas, no sagrado colégio, o fato de que Marx vivia enganando seu tio Philips para conseguir empréstimos e que teve uma juventude dissoluta gastando o dinheiro do seu pai em bebedeiras memoráveis chegando até mesmo a participar de um duelo, que teve como resultado um tiro de raspão na têmpora esquerda. Sem esquecer é claro de sua alegria ao tomar um Château Margaux cujo preço dependendo da safra é três vezes superior ao valor cobrado na mensalidade do colégio.

É claro que tudo isso deve ser dito com o tom de voz e os gestos certos, nada que desperte o riso ou curiosidade do aluno sobre Marx, é preciso que tenham pais na sala de aula que concordem com o projeto, para verificar o tom da fala e a seriedade do professor. É natural que seja assim – diz a querida hipocrisia. Deve-se apresentar Marx como um demônio que precisa ser exorcizado da história da filosofia.

Recomenda-se ainda que se fale bem pouco da trajetória teórica de Marx, do contexto de barbárie imposto por um capitalismo recém-nascido que explorava crianças e mulheres com longas jornadas de trabalho de até 15 horas cuja taxa de mortalidade era de até 80%. Não se deve dizer, porque vai que os alunos observem que na Índia as cargas horárias são bem parecidas e, se levarmos em consideração o tempo de deslocamento dos trabalhadores no Brasil que chegam a ficar três horas em conduções superlotadas, a coisa não muda de figura. Claro, não se deve em absoluto referir-se ao capitalismo como estrutura socioeconômica historicamente determinada. Porque ele sempre existiu e ponto!

Obedecido o imposto pelo contratante, o mesmo beijando o terço ainda exige:

“Queremos um professor ou professora, jovem ou experiente, pode ser acadêmico de Ciências Sociais ou Sociologia, mas é imprescindível que seja conhecedor profundo dos pensadores britânicos e dos discursos de Margaret Thatcher sobre a coisa pública e o dinheiro público e com isso contrabalancear a doutrinação recebida nas faculdades”.

O professor deve aqui fazer o contrário do que fez com Marx. Jamais dizer que Margaret Thatcher foi conivente com a implantação do neoliberalismo pelo general ditador Pinochet. Responsável pelo golpe militar no Chile que depôs o governo democraticamente eleito de Salvador Allende cujo saldo foi de mais de 40 mil mortos. Destas, 3.225 desaparecidas dadas como mortas[2].

Deve-se fazer menção somente aos discursos da “dama de ferro” glorificando o individualismo e a livre iniciativa, sem falar da destruição do Estado de bem-estar social promovido por sua política que aumentou exponencialmente a desigualdade social nas terras da rainha. Não se pode dizer, é óbvio, que tal política foi a responsável pela nova crise em 2008 cujos resultados se aprofundam até agora levando o mundo à beira de um conflito de proporções inimagináveis.

O professor deve simplesmente adotar os lindos e bem ornados discursos, cuja forma culta se assemelha ao discurso de Temer. E não, os pensadores britânicos não são Hume, Locke ou Hobbes. É Hayek – um austríaco naturalizado britânico – e toda a patota teológica que acreditava que o mercado era um deus.

Por fim, o contratante determina:

“Procuramos um professor que valorize o quanto precisou investir na sua própria educação e entenda que mérito e dedicação sempre são mais funcionais que benesses”.

Baseado na meritocracia, independente é claro de estarmos num dos países mais desiguais do mundo. Recomenda-se ao professor dizer que o colégio caro de seus alunos, cujo conteúdo é voltado desde tenra idade para o vestibular, produz o mesmo conteúdo de uma escola pública sucateada e em extinção.  E que eles disputarão uma vaga na universidade em iguais condições e por mérito próprio, com aqueles que, por falta de dedicação dos pais, não conseguiram se matricular no sagrado colégio.

Tal postura pareceu-me as recomendações prussianas do século XIX, quando queriam extirpar um pensamento “maldito” das faculdades ou as censuras czaristas à livre expressão. O anúncio parece ter saído de uma peça ainda não escrita, difícil de acreditar. Até agora tenho minhas dúvidas se o anúncio fora de fato feito pelo colégio ou pelos cordeirinhos do projeto escola sem partido – por isso oculto o nome do colégio, apesar de que uma pesquisa rápida irá revelá-lo[3]. De fato, trata-se de uma época obscurantistas e sombria cujos cadáveres se fazem visíveis e o cheiro de mofo intoxica o ar.

 

[1] Escritor e doutorando em filosofia pela Unifesp.

[2]http://g1.globo.com/mundo/noticia/2011/08/novo-relatorio-sobe-para-mais-de-40000-as-vitimas-da-ditadura-de-pinochet.html

[3] Em épocas de produção de mentiras via internet seria prudente que, em caso de falsidade, o colégio, se não for também falso, cancelasse o anúncio feito em seu nome. Se o anúncio, todavia, não for falso e o colégio de fato existir só resta a lamentação envergonhada.

 

 


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Nas periferias, o saber acadêmico, as vivências de artistas populares e ativistas sociais tem o mesmo peso

 

Por Negrume

UNI DIVERSIDADE DE SABERES é um espaço de troca, vivências e práticas em torno da produção de conhecimento com foco em Território, Participação Social / Direitos Humanos, Economia e Comunicação Popular.

Cada encontro da UniDiversidade é organizado em roda, de forma que saberes acadêmicos terão o mesmo peso que griots, militantes de movimentos sociais, pesquisadorxs independentes e artistas. A ideia é que cada encontro seja um escambo, troca entre diferentes saberes sobre um mesmo tema ou assunto. Os escambos acontecem todas as quartas-feiras com inicio às 19h, em 4 regiões periféricas da cidade.

Próximos Encontros:

14/06/2017 | 19h | ZONA LESTE

Tema: ECONOMIA: Racismo e a exclusão do negro no mercado de trabalho livre
Convidados (as):
MARCIO FARIAS, membro do Nutas (Núcleo de Pesquisa, trabalho e ação social) e do Nepafro (Núcleo de Estudos e pesquisas Afro-Americanas.
KATIARA OLIVEIRA, militante da Frente Alternativa Preta e da organização Preta Kilombagem.

Organização: Fórum de Cultura da Zona Leste
Local: Okupação Cultural Coragem
Endereço: Rua Vicente Avelar, 53 – Cohab II – Itaquera (Fica a 10 min andando da estação de trem José Bonifácio

21/06/2017 | 19h | ZONA SUL

Tema: LUTAS POPULARES E DIREITOS HUMANOS
Organização: Brechoteca Biblioteca Popular
Local: EMEF Dr. Sócrates
Endereço: Rua Professora Nina Stocco, 570 – Jd. Catanduva (próximo ao Bradesco da Estrada do Campo Limpo, altura do número 4500)

28/06/2017 | 19h | ZONA NORTE

Tema: COMUNICAÇÃO
Organização: Casa no Meio do Mundo
Local: Escola Estadual Victor dos Santos Cunha
Endereço: Av. João Simão de Castro, 180 – Vila Sabrina

05/07/2017 | 19h | ZONA NOROESTE

Tema: CULTURA, POLÍTICA E TERRITÓRIO
Organização/Local: Comunidade Quilombaque
Endereço: Travessa Cambaratiba, 05 – Perus (Próximo a estação de trem Perus)

 

OBS.: Devido ao 1º Seminário Internacional de Juventudes e Vulnerabilidades, o encontro na noroeste foi cancelado e transferido para o mês de julho.

Seguimos!

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Debate

Sobre Dilma, golpe e o nosso sentido de lado

 

Por Douglas Belchior

O bombardeio permanente da grande mídia brasileira, combinada a partir da ação seletiva do Judiciário e da hipocrisia na ação de personagens políticos sem nenhuma credibilidade, tem um objetivo central: construir condições subjetivas – apoio popular – à deposição do governo Dilma e a criminalização, também de maneira seletiva, de alguns atores políticos, em especial de Lula.

 

SAO PAULO, BRAZIL, 2005. The Parais—polis favela (Paradise City shantitown) borders the affluent district of Morumbi in S‹o Paulo, Brazil (Foto: Tuca Vieira)
SAO PAULO, BRAZIL, 2005. The Parais—polis favela (Paradise City shantitown) borders the affluent district of Morumbi in S‹o Paulo, Brazil (Foto: Tuca Vieira)

 

Dias difíceis para conversar com familiares, amigos, colegas de trabalho. Em meio a agonia de perceber o povo trabalhador defendendo as idéias e interesses de políticos sabidamente corruptos e das elites racistas do Brasil, me vem sempre a memória as palavras de grande dramaturgo, poeta e encenador alemão Bertolt Brecht: “Pergunte sempre a uma ideia: a serviço de quem ela está?”

E a partir daí, escrevo as minhas:

Se grande mídia, sobretudo a Globo;
Se a indústria do entretenimento;
Se a direção das grandes universidades;
Se a maioria conservadora do parlamento, senado e câmara federal;
Se o PSDB, o DEM e outros vários partidos fisiológicos, sob comando do PMDB e com o apoio da FIESP e das forças políticas da extrema direita;
Se o judiciário aristocrata brasileiro, a começar pelo STF;
E se as forças do grande capital nacional e internacional querem Dilma deposta e Lula desmoralizado ou preso, eu não quero.
E estou certo de que a maioria bem informada do povo brasileiro também não quer.

Não podemos admitir!

Isso não quer dizer estar do lado de Lula, de Dilma, do governo, do PT ou ainda defender ou ignorar possíveis mal feitos. Essa posição corresponde tão somente a não estar do lado e não concordar com a truculência seletiva e golpista dos grupos que historicamente representam os interesses dos mais abastados do país.

Os erros, equívocos e traições que doem e devem ser cobrados, devem se dar na dimensão de um debate qualificado no campo das esquerdas e figuram numa linha do tempo que segue da Carta aos Brasileiros, em 2002, à recém tentativa de entrega do Pré Sal à interesses estrangeiros. E são contas a serem cobradas na política. Sem espetáculo e sem usurpação dos direitos.

O que se busca com impeachment de Dilma e a tentativa de desmoralização do PT de e de Lula, mais que a humilhação pública de pessoas ou de um partido é, na verdade, a destruição dos valores das esquerdas e da auto-estima da população trabalhadora.

É hora de exercitar, por mais difícil que pareça, o nosso sentido de lado.

E sei muito bem qual é o meu.

E o seu, qual é?

 

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Debate Destaque

Nós, negros a sós, na companhia de outros a sós, seremos todos mortos!

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Por Douglas Belchior

 

 

Gente, na humildade e com respeito:

Essa onda de ativismo independente, individual, mascarado de coletivismo é muito perigoso. Perigoso CONTRA nós.

Esse papo de que partidos, sindicatos, associações, igrejas, nada disso presta ou vale a pena é um tiro no pé da negrada, da classe trabalhadora como um todo.

Eu sou dos que acreditam e se dedicam à ORGANIZAÇÃO POLÍTICA. Na ação orientada a partir de um projeto político, esse sim coletivo, comunitário, revolucionário.

Esse papo de “cada um cada um”, do “eu me represento”, apresenta, na verdade, uma radical dificuldade em construir coletivamente, no coletivo do mundão, com suas contradições e problemas. Organizar a vida e as lutas com “iguais” é relativamente fácil. Difícil é construir nas diferenças. Aí está o desafio.

 

Cada um de nós, coletivos de um só, armados e revoltados, atirando cada um pra um lado, e quase sempre atingindo, machucando e matando entre nós mesmos, só ajuda e facilita o trabalho do inimigo.

 

E não estou falando de partidos meramente eleitorais. Não estou falando de eleições, embora elas possam fazer parte da tática. Me refiro à política na acepção original do termo.

Se as instituições, os partidos, os sindicatos, as igrejas, as associações, os movimentos como um todo estão corrompidas – e eu concordo que em sua maioria estão – ultrapassadas na forma, na linguagem e no objetivo, que disputemos os espaços ou organizemos as novas formas, mas que estejamos juntos, unificados e que nos esforcemos em construir um projeto comum. Cada um de nós, coletivos de um só, armados e revoltados, atirando cada um pra um lado, e quase sempre atirando, machucando e matando entre nós mesmos, só ajuda e facilita o trabalho do inimigo. A direita histórica racista e fascista, o conservadorismo, o ódio de classe, o machismo e a homofobia violenta surfam nas ondas de nossa desorganização, desarticulação, desunião. Não percebem?

 

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Ao ver o plenário da Galeria Olido lotado na atividade desta semana, com Malaak Shabazz, filha de Malcolm X, (http://goo.gl/JCGs9V), repleto de negras e negros, altivas, fortes, radicais, revoltados, eu imaginei: Porra! Quanto potencial revolucionário! Quanta energia! Quanto poder! Imagine isso organizado, unificado, junto, apontando sua energia e seu ódio aos reais inimigos!

Nossa negrada é foda! Ocupam espaços de poder, vestem ternos e melhoram a qualidade do destilado, falam com as massas, milhões os seguem. Mas e nosso povo? Ficam famosos as vezes na política, mas quase sempre jogando bola, no coro do batuque ou no solar das cordas, na tela plana na novela, nas rimas e no flow, mas e a organização do nosso povo pra lutar? Quando lembram da vida real nos seus versos, na sua arte, são endeusados. Foda-se! E o que fazem para contribuir com a organização real do levante negro e periférico? Palavras apenas, palavras pequenas, palavras ao vento! O quanto as novas gerações periféricas, e a negrada mais jovem em especial, estão ou não influenciadas pela dinâmica individualista e de afirmação de um orgulho negro vazio de conteúdo, muito parecido com o que vários dos famosos são?

Que foda! Que triste! Que merda!

Irmãs, irmãos, entendam: Representatividade importa. Eu concordo. Mas enquanto um de nós estiver na merda, ter um nosso vestindo e comendo bem, não será suficiente. Somos um povo. Precisamos pensar enquanto povo. Construir um projeto de poder do povo e essa construção se dá, caso brasileiro, a partir do povo negro, seguimento majoritário da classe.

Ajudo a construir a Uneafro. É um movimento que se dedica à uma prática. Busca, com enormes limitações, um horizonte de organização e projeto político. Mas sabemos que não será daqui que surgirá o “algo novo” capaz de unificar os negros e a classe trabalhadora. Outras organizações e movimentos muito importantes e atuantes se dedicam à mesma tarefa. Precisamos reunir essas forças. Precisamos nos tocar, reunir nossos corpos mas antes, nossas mentes.

 

Enquanto um de nós estiver na merda, ter um nosso vestindo e comendo bem, não será suficiente. Somos um povo. Precisamos pensar enquanto povo.

 

E quem é só. E quem é só, acompanhado de outros a sós, permanecerão a sós, a não ser que se reúnam e se organizem politicamente. Se não em formas que já existem, em novas formas.

Vivemos mais um mês de novembro, quando celebramos a Consciência Negra. E que consciência alcançamos?  Somos negras e negros de uma das nações que mais humilha negras e negros no mundo; das que mais aprisiona negras e negros no mundo; das que mais mata negras e negros no mundo.

Temo que nós, negros a sós, na companhia de outros a sós, sejamos todos mortos.

Não falta opressão. Não falta violência. Não falta dor.

Falta nós voltar a ser nós.

Por onde começar? Começamos há 500 anos.

Estamos no meio do caminho. Bora corrigir a rota e seguir em frente.

Zumbi vive!

Vive Dandara!

 

 

 


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O Negro Dentro e Fora dos Contextos Cênicos

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Representação e Representatividade – As Artes Dramáticas na Sociedade: O Negro Dentro e Fora dos Contextos Cênicos

Grupo de estudantes da Unicamp promove serie de eventos que tratarão da representação e representatividade negra nas artes dramáticas e suas reverberações para a sociedade. No contexto atual em que a dinâmica sociocultural se dá através da imagem, como a representação e a representatividade do(a) negro(a) influencia o olhar da sociedade e como o olhar da sociedade em relação ao ser negro influência as artes cênicas.

Em Março de 2003, foi aprovada a Lei Federal nº 10.639/03, que torna obrigatório o ensino de história e cultura africanas e afro-brasileiras nas escolas. Sabe-se que a educação é um instrumento fundamental para a promoção das demandas da população negra no combate às desigualdades sócio raciais. Acreditando-se na importância da valorização do negro na sociedade; sabendo que a escola/universidade, as artes e a mídia têm função fundamental de formação na sociedade contemporânea, e que acabe a elas – também – o papel de gerar a representação e a representatividade do negro, a fim de diminuir a segregação racial, buscamos, por meio do evento: Representação e Representatividade – As Artes Dramáticas na Sociedade: O Negro Dentro e Fora dos Contextos Cênicos, criar um espaço para pensar sobre as questões da negritude e do(a) negro(a) na sociedade brasileira. Buscamos promover diálogos sobre o tema, a fim de fomentar o compartilhamento de olhares e promover ações relacionadas à representação e à representatividade da negritude nas artes dramática. Esse diálogo dar-se-á via palestras, mesas de debate, exibição de filmes e uma entrevista pública com pesquisadores, artistas e professores renomados da área.

Programação:

13/10/2015 – às 19h00

“O negro no cinema, na telenovela e na música – A compreensão da questão da afro descendência na dinâmica sociocultural da imagem”.

Prof. Dr. Celso Prudente; Prof. Dr.SallomaSallomão;

Ms. Roberta Estrela D’Alva:

Mediador :Prof.º Dr.º Cassiano Sidow

Local:Sala AC03 – Departamento de Artes Cênicas/ PaviArtes .

14/10/2015 às 19h00

“O negro e a negritude no contexto acadêmico-teatral: Onde está o(a) negro(a)  e as questões da negritude nas pesquisas e nas aulas de teatro no Brasil? Qual é o espaço do negro(a) nos cursos de Artes Cênicas?”

Prof. Dr. José Fernando Peixoto de Azevedo;

Prof. Dr. Mário de Santana; Prof. Mario Augusto.

Mediadora: Profa. Dra. Larissa de Oliveira Neves Catalão

Local: Centro Cultural do IEL.

15/10/2015 às 19h00

Entrevista pública com o ator Sidney Santiago, integrante da Cia. Os Crepos: Artista intérprete formado pela Escola de Artes Dramáticas (EAD-ECA/USP). Membro co-fundador da Cia. Os Crepos.Atua em teatro, cinema e tv. É estudante de Sociologia e Política pela FESP-SP. Idealizador da revista Legitima Defesa (sobre Teatro Negro).

Entrevistadora Profa. Dra. Grácia Navarro

Local:Sala da Pós-Graduação – Instituto de Artes (IA)


16/10/2015, à
s 19h00

Representação e Representatividade: O Negro dentro e fora dos contextos cênicos – A representação imagética expondo como é visto e como é imposta o ser negro na sociedade”

Prof. Douglas Belchior.
Local:
Sala Pós-Graduação – Instituto de Artes (IA)

20/10/2015: Exibição de filmes

18h30 às 20h45 – A Hora do Show, deSkipeLee

20h45 às 21h00 – Coffe-break

21h00 às 21h30: Diários de Exú, de Gilberto Sobrinho e GráciaNavarro

21h30 às 22h00: Conversa com os Prof.º Dr.º  Noel Santos Carvalho

Local: Sala Pós-Graduação – Instituto de Artes (IA)

Organização:

Idealização: Ana Vitória Prudente

Organizadoras: Ana Vitória Prudente, Helena Lucas, Larissa de Oliveira Neves.

Professora Responsável: Larissa de Oliveira Neves

 

 

Categorias
Debate

Conselho Regional de Psicologia realiza Seminário sobre Genocídio da População Negra

Por Douglas Belchior

Para além das denúncias da desigualdade material e de oportunidades e principalmente da violência a que a população negra está exposta, há uma dimensão do racismo que apesar de ser cotidiana, cruel e já bastante estudada, é ainda pouco  repercutida: as consequências do racismo para a alma e para a psiquê da população negra a as marcas da sistemática violência psicológica que acompanha a vida dos negros, especialmente de mulheres negras, em uma sociedade marcadamente racista como a nossa.

 

A psicologia é sem dúvida um dos campos mais importantes do combate ao racismo. Daí a importância da iniciativa do Conselho Regional de Psicologia em promover um Seminário que tratá o tema do racismo como pano de fundo de uma das coisas mais graves que vivemos em nossos dias: O genocídio da população negra.

 

Meus companheiros de militância antirracista Márcio Farias, Hamilton Borges, Dennis de Oliveira, Juninho do Círculo, Bruno Simões e Lilian Sankofa, entre outros/as, serão expositores em painéis imperdíveis.

 

Para garantir presença é necessário fazer inscrição. As mesas também serão transmitidas ao vivo pela Internet.

 

Vale muito a pena. Veja abaixo a apresentação e programação do seminário.

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Contra o Genocídio da População Negra: Subsídios Técnicos e Teóricos para Psicologia.

Inscreva-se aqui | Assista ao vivo aqui | Veja a Programação completa

Nos últimos anos houve um aumento significativo da violência contra a população negra no Brasil. Segundo pesquisa realizada pelo IPEA e pelo dossiê realizado pelo Comitê Contra o Genocídio da Juventude Preta, Pobre e Periférica da cidade de São Paulo, os dados que relacionam mortes por assassinato à faixa etária e raça são alarmantes:

– Há uma projeção de que 32 mil adolescentes serão mortos violentamente entre 2007 e o final de 2013. A possibilidade de um adolescente negro ser vítima de violência é 3,7 vezes maior em comparação com os brancos; 
– Em 2011, o número de mortes por autos de resistência apenas no Rio e em São Paulo foi 42,16% maior do que todas as execuções promovidas por 20 países em que há pena de morte! 
– Em São Paulo, só em 2012, 546 pessoas foram mortas em decorrência de confronto com a Polícia Militar; 
– A cada três assassinatos no País, dois vitimam negros; 
– A possibilidade de o negro ser vítima de homicídio no Brasil é maior inclusive em grupos com escolaridade e características socioeconômicas semelhantes. 
– A chance de um adolescente negro ser assassinado é 3,7 vezes maior em comparação com os brancos. 
– Assassinatos atingem negros numa proporção 135% maior do que os não-negros;

Diante dessa conjuntura, várias entidades, grupos e setores organizados em torno da luta antirracista vêm se organizando nos últimos anos para denunciar, discutir e propor estratégias de enfrentamento à essa situação.

Somando-se a esses esforços, o CRP SP convida para o debate Contra o genocídio da população negra: subsídios teóricos e técnicos para a psicologia, no intuito de refletir como os psicólogos que atuam nas mais diversas áreas e instituições que lidam direta ou indiretamente com esse problema podem ampliar seus referenciais de atuação no enfrentamento dessa questão. Participaram ativistas do movimento negro, psicólogos e estudiosos da temática. 

O evento terá transmissão online, via CRP WEB TV. Acesse: www.crpsp.org.br/aovivo

Informações: 

Data: 31 de maio de 2014 (sábado)
Horário: 9h00 às 18h00
Local: Auditório do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo – CRP 06
Endereço: Rua Arruda Alvim, 89, Jd. América, São Paulo, SP
Importante: Sua reserva será garantida até as 9h00
Entrada gratuita

Departamento de Eventos do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo – CRP 06
Tel.: 11 – 3061.9494, ramais 334, 336, 337, 355, 356 e 357 
E-mail: [email protected] 

Estacionamento: Car Park 
Rua Cardeal Arcoverde, 201, Jardim América, São Paulo, SP 
Para obter o desconto, retire o selo na recepção do CRP SP.