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King Kong: o outro rei na Broadway

Por Por Edson Cadette / Blog Lado B NY

O reino animal definitivamente tomou conta dos palcos da Broadway. O primeiro exemplo deste reinado fica por conta do musical O Rei Leão, que estreou no teatro há mais de vinte anos e continua atraindo milhões de novaiorquinos e turistas.

King Kong, baseado no famoso filme de 1933, fez sua estréia no final de 2018 no coração do mundo teatral de Nova York: a Broadway. O musical chegou marcando presença e, certamente, está querendo destronar o rei da selva. Duas outras versões foram feitas por Hollywood, uma de 1976. estrelando Jessica Lange, e a outra de 2005 com Naomi Watts.

A história é bastante conhecida: um ambicioso aventureiro – e talvez lunático – diretor de cinema convence a sua tripulação, uma jovem e desempregada atriz e o capitão de uma pequena embarcação à participarem das aventuras das selvas da ilha de Skull Island. A intenção dele é encontrar algo tão grandioso e magnífico que possa transformar o mundo dos espetáculos do chamado “mundo civilizado”. King Kong torna-se então a resposta para incerta aventura.

Ao entramos no belíssimo teatro Broadway, a primeira imagem que notamos é o de duas silhuetas. Uma de um enorme gorila e a outra de uma diminuta mulher.

Christiani Pattis (Ann Darrow) e Eric Williams Morris (Carl Denham) | Foto: Reprodução

A direção do musical fica por conta de Drew McOnie, a trilha sonora por Marius de Vrie e a música por Eddie Perfect. O elenco é protagonizado por Christiani Pitts, Eric Williams Morris e Lori Lotchtefeld, que representam, sem dúvida alguma, algo raro dentro nos palcos da Broadway: diversidade.

King Kong é uma marionete com mais de 6 metros de altura que pesa mais de 2 toneladas. O enorme gorila é manipulado por 14 profissionais de primeiro gabarito, que são ajudados por 16 microprocessadores espalhados por todo o corpo do boneco. A maneira como é manipulado de um lado para o outro é um trabalho feito meticulosamente e que não altera os movimentos do gorila. Ficamos tão envolvidos e conectados com a história e a relação entre a bela e a fera que nem percebemos que ele é uma enorme marionete.

King Kong e Ann Darrow | Foto: Reprodução

“Ele é um personagem com um carácter expressivo e com um grande alcance de emoções, tive que realmente melhorar bastante minha representação para poder competir”, disse a atriz Chrstiani Pattis, cuja relação com o enorme gorila é o foco central da história. “Quando trocamos olhares pela primeira vez, ele dá um enorme rugido e eu começo a soluçar. Não parece que ele pertence a este espaço”, completa ela.

Com uma produção que ultrapassou a casa dos US$35 milhões e que durante mais de uma década passou por diferentes roteiros, músicas e equipe de criação, King Kong chegou na Broadway com todos os atributos para tornar-se, junto a Rei Leão, um dos grandes musicais da casa.

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Arte Cultura Matriz Africana

Rodar a vida é uma escola: Melvin Santhana conta sobre a carreira e trajetória de vida

Foto: Vinicius Souza

Por Marina Souza

Cantor, compositor, multi-instrumentalista, ator e produtor musical. A arte dentro da alma ou vice-versa. Melvin Santhana tem 35 anos e nasceu em Guarulhos rodeado por uma família que desde cedo o influenciou musicalmente por meio do trabalho do pai com discos, da MPB, das cantigas de Umbanda e Candomblé, festas familiares e muitas outras experiências. Com cerca de 20 anos de carreira, ele vem conquistando diferentes espaços, atualmente integra a banda de apoio do show Boogie Naipe, do rapper Mano Brown, e no ano passado lançou seu primeiro disco solo: o Abre Alas.

Com apenas oito anos de idade o artista aprendeu a tocar cavaquinho, aos doze entrou num conservatório para estudar violão erudito e durante a adolescência matriculou-se em instituições e cursos de Música. Stevie Wonder, Michael Jackson, Nina Simone, Milton Nascimento, Almige Neto, Lauryn Hill e outros emblemáticos da música negra serviram de inspiração para o desejo de Melvin em trabalhar na área.

Os Originais do Samba foi a primeira banda em que fez parte, foi quando começou a aprimorar seus talentos de cantar, dançar e compor. Aos poucos, foi participando de outros projetos de intuito e mecanismo diversos no cenário artístico. Carregando os significados, as consequências e circunstâncias de ser negro no Brasil, ele diz que resistiu (e ainda resiste) todos os dias de sua vida, independentemente da profissão que está exercendo.

Foi com sua personalidade corajosa e persistente que Melvin conseguiu entrar para o Boogie Naipe. Ele conta rindo que convidou a si próprio quando seu primo, que é amigo da assessora dos Racionas MC’s, lhe falou que a Eliane Dias estava querendo formar um grupo para um novo projeto musical. Coincidentemente, Santhana estava trabalhando no espetáculo “Farinha com Açúcar ou Sobre a Sustança de Meninos e Homens”, que retrata o legado deixado pelos Racionais, e em uma das apresentações conversou com a filha de Mano Brown, que estava na platéia. Através dela, marcou uma reunião com Eliane, que o propôs uma audição com outros músicos indicados por ele próprio. Eles fizeram, passaram e hoje compõem a banda.

Talvez só precise de um incentivo, um espaço para mostrar esse trabalho, uma comunidade que abrace isso e entender que é capaz de produzir.”, diz ele.

Foto: Noelia Najera

Para Santhana é essencial que o povo negro brasileiro faça uma reflexão sobre suas maneiras de consumo, produção e correlação entre si, pois isso interfere diretamente nas perspectivas culturais, históricas e políticas dos cidadãos. A visão eurocêntrica, segundo o músico, ainda é uma das principais responsáveis pelo racismo no país. É por esta razão, que ele sempre optou pluralizar os gêneros musicais usados nas suas obras e afirma: “a diversidade é minha matriz e é onde faço acontecer”.

Quando questionei sobre as dificuldades de ser um artista negro o cantor enfatizou que no Brasil, infelizmente, o mercado da área musical ainda está o pouco aberto para a cultura negra. Ele justifica falando que, apesar da Iza, Gloria Groove, Linn da Quebrada e outras/os artistas negras/os que têm ganhado destaque ultimamente, há falta de uma estrutura e um circuito cultural que fomentem isso.

Recentemente, lançou a música “VIVA!” e diz que em 2019 pretende trabalhar com novos singles, além de videoclipes e – talvez – um EP. Melvin também está atuando como ator tanto em Tetaro, quanto em Cinema, e revela que está inserido no projeto “Sem Asas”, de Renata Martins.

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Arte Cultura

Exposição sobre populações negras da Amazônia chega à Caixa Cultural SP

Madona negra

A exposição (Re)Conhecendo a Amazônia Negra, da fotógrafa Marcela Bonfim, chega à Caixa Cultural SP em 7 de outubro (sábado) e vai até 17 de dezembro. São 55 fotos de diversas populações negras: quilombolas, afro-indígenas, barbadianos e haitianos, que também fizeram parte do processo da própria fotógrafa em se reconhecer como mulher negra.

 

Por Jéssica Moreira

A CAIXA Cultural São Paulo apresenta, de 7 de outubro a 17 de dezembro, a exposição (Re)Conhecendo a Amazônia Negra, da fotógrafa Marcela Bonfim. A mostra traz obras que ilustram as mais diversas identidades e culturas presentes entre os povos negros do local e a importância social das religiões de matriz africana na construção do Brasil. No dia 11 de novembro, haverá o lançamento do catálogo e um bate-papo com a fotógrafa.  O patrocínio do evento é da Caixa Econômica Federal, com visitação gratuita e classificação livre.

Ao todo, são 55 obras que trazem de maneira sensível e original as mais diversas expressões dos grupos que residem na região norte do país, dentre eles remanescentes quilombolas, afro-indígenas, barbadianos e também haitianos. Todos carregam em seus traços as heranças socioculturais de uma parcela importante da população brasileira que ainda não é reconhecida historicamente.

As fotos foram produzidas a partir de 2013, durante as visitas de Marcela a comunidades quilombolas, tradicionais, indígenas e urbanas, além de terreiros e festejos religiosos na região do Vale do Guaporé (RO), em um processo que coincidiu com o próprio reconhecimento da fotógrafa enquanto mulher negra. Nesta edição, a exposição traz também imagens do Mato Grosso (MT), Maranhão (MA) e Pará (PA).

Segundo Marcela, a proposta é utilizar a fotografia como instrumento de resgate da memória dessas populações e mostrar sua importância e legado para a construção da sociedade brasileira.

“Mais que fotografia, o aspecto fundamental da proposta é a crítica ao percurso da história oficial sobre a negritude brasileira. Apesar do importante papel que os negros desempenharam e ainda desempenham para o desenvolvimento econômico, cultural e social do país, há mais de 500 anos, ainda padecem com as ambiguidades e injustiças causadas inicialmente pela seletividade das informações contidas nos livros de história e demais registros de memória, o que é um projeto de degradação e inferiorização destas populações, dos seus costumes e cultura”, aponta.

Chico Rameiro

Expressões de fé

Organizada em dois núcleos, a instalação prevê um verdadeiro mergulho na cultura e subjetividade dos povos negros da Amazônia, trazendo histórias de vida e também de expressões religiosas de matriz africana.

Logo na entrada, o visitante irá encontrar um altar trazendo alguns dos objetos de variadas religiões, encaminhando-o à primeira parte da mostra, com 35 retratos distribuídos ao longo da galeria e também em uma grande estrutura de madeira no hall principal.

O corredor de fotos levará até a Sala dos Ritos e Cultos Religiosos, com 20 imagens das mais variadas expressões de fé impressas nos detalhes de mãos, pés e semblantes de um povo que mantém fortemente suas tradições e festas religiosas. Elementos como espadas-de-são-jorge e sal grosso também irão compor a expografia, no intuito de apresentar ao público um pouco dos costumes presentes no cotidiano dos povos fotografados.

Sobre os povos negros na Amazônia

A população negra amazônica foi constituída a partir de 1750 com o povoamento do Vale do Guaporé – que fica entre a Floresta Amazônica e Pantanal – por negros escravizados vindos de Vila Bela da Santíssima Trindade (MT), em decorrência do ouro e da construção do aparato colonial de defesa militar “Forte Príncipe da Beira”. A partir de 1870, outras migrações negras, principalmente do Pará e do Maranhão, chegaram à região para a extração da borracha e de minérios e metais preciosos nos períodos conhecidos como “Ciclo do Ouro” e “Ciclo da Borracha”.

Entre 1873 e 1912, trabalhadores barbadianos contribuíram com mão de obra qualificada para a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Esse foi considerado o primeiro fluxo migratório livre negro no Brasil e foi um elemento importante, principalmente, nas áreas da saúde, da educação e da religiosidade. E, a partir de 2011, imigrantes negros haitianos passaram a habitar a região norte e se espalhar pelo Brasil após fluxo migratório que ocorreu por conta dos desastres e demais dificuldades que enfrentavam em seu país naquele momento.

Sobre a fotógrafa Marcela Bonfim

Fotógrafa, Marcela Bonfim, 34, é formada em Ciências Econômicas (2008) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e é especialista em Direitos Humanos e Segurança Pública (2011) pela Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR). A fotografia entrou em sua vida no processo de resgate de sua identidade enquanto mulher negra, quando foi morar em Rondônia e entrou em contato com diferentes culturas, principalmente a dos barbadianos. Foi por meio das lentes que ela se aproximou das religiões de matriz africana e também de populações em situação de vulnerabilidade, fazendo de seu trabalho um espelho para si mesma.

Serviço

Exposição (Re)Conhecendo a Amazônia Negra – Marcela Bonfim

Local: CAIXA Cultural São Paulo –  Praça da Sé, 111 – Centro – São Paulo – SP – próxima à estação Sé do Metrô)

Abertura: 7 de outubro, sábado, às 11h.

Visitação: de 7 de outubro a 17 de dezembro (terça-feira a domingo)

Horário: 9h às 19h

Classificação indicativa: livre para todos os públicos

Entrada franca

Acesso para pessoas com deficiência

Site da Exposição: https://www.marcelabonfim.com/

Facebook: https://www.facebook.com/AmazoniaNegra/    

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Cineasta Afro-Italiano Fred Kuwornu participa de debate em SP

Exibição e debate do longa metragem ‘Blaxploitalian’, refletirá sobre a presença negra no cinema italiano, nesta quinta (14), às 20h, no Quilombo Urbano Aparelha Luzia.

 

Por  Sidney Santiago

 

O selo ‘Homens de Cor’ e o Quilombo Urbano Aparelha Luzia, promovem nesta quinta-feira (14), a exibição do longa metragem ‘Blaxploitalian’, seguido de um debate com o seu diretor, ativista e roteirista afro-italiano Fred Kuwornu.

A mediação do debate será feita pelo ator Sidney Santiago Kuanza e a artista plástica Erica Malunguinho e contará também com as presenças de Viviane Pistache e Lucélia Sérgio. O encontro tem início às 20h.

Fred Kuwornu está no Brasil a convite do diretor Joel Zito Araújo, com quem participou do Festival de Cinema Negro Zózimo BulBul, edição 2017, que aconteceu na última semana na Cidade do Rio de Janeiro.

O documentário conta a presença de atores afrodescendentes no cinema italiano desde o cinema mudo até os dias atuais. Um trabalho híbrido, crítico, cosmopolita, investigando a presença negra em filmes italianos e a relação com os estereótipos raciais. O documentário é usado como uma plataforma para promover um diálogo crítico e reflexivo sobre representação negra em uma esfera internacional. O documentário premiado foi selecionado para o Festival de Cinema de Roma de 2016, Pan Festival de Cinema Africano, San Francisco Black Film Festival, Novas Vozes em preto Cinema Brooklyn e Zanzibar International Film Festival.

 

É curioso que começei a perceber que já temos quase um novo gênero cinematografico, os filmes críticos de releitura da imagem do negro no cinema e TV (como o meu A Negação do Brasil que inspirou este sobre o cinema italiano), ou sobre o latino em Hollywood como “The Bronze Screen” dirigido e produzido por 3 latinos: Nancy de los Santos, Susan Racho e Alberto Dominguez, e até um sobre o “Olhar estrangeiro” de Lucia Murat, questionando o olhar dos filmes de Hollywood e estrangeiros sobre o Brasil. Para aqueles interessados neste novo gênero documental, Blaxpoitalian é imperdível”

Joel Zito Araújo, cineasta.

Sobre Kuwornu

Fred Kuwornu é afro-italiano, diretor, roteirista, ativista e professor, nascido e criado na Itália, reside em Brooklyn, Nova York, onde fundou a companhia produções Do The Right Films Entertainment com o qual ele produziu documentários sobre questões da Diáspora Africana. De mãe judaica italiana e pai ganês, Fred Kuwornu se formou em Ciências Políticas em Bolonha e começou sua carreira como apresentador num canal televisivo. Em 2008 ele trabalhou como assistente do diretor americano Spike Lee no filme “Miracle at Sant ‘Anna”, sobre a história de soldados afro-americanos que lutaram na Itália durante a Segunda Guerra Mundial. Decidiu em 2010 dirigir e produzir o documentário premiado “Inside Buffalo” (Melhor Documentário no Black Festival Internacional de Cinema de Berlim). Nos Estados Unidos, Fred Kuwornu também ensina o tema “Documentário para a Mudança Social” e realiza conferências em universidades americanas sobre temas afro-europeus e afro-italianos.

Sobre os mediadores

Sidney Santiago Kuanza é ator, produtor e ativista da causa negra nas artes. Cô-fundador da ‘Cia Os Crespos’ de Teatro e Intervenção e Diretor artístico do Coletivo Selo Homens de Cor.

Erica Malunguinho é mestre em comunicações e artes do corpo pela PUC-SP São Paulo, militante, gestora e curadora do Quilombo Urbano Aparelha Luzia.

O Aparelha Luzia fica na rua Apa, 78, Santa Cecília, próximo à estação Marechal Deodoro, da linha vermelha, do Metrô. A entrada é gratuita.

 

 


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Formação de produtores culturais negros na Zona Leste de SP

 

Formação para gestão de projetos culturais é parte de uma parceria entre o projeto Podepá e a Okupação Coragem. O workshop acontece sábado, 19/08, das 9h às 17h00, na Praça Mãe Menininha do Gantois (Jd.Bonifácio)

 

Por Negrume

A presença negra é grande nas artes brasileiras. Esta afirmação é até correta, mas conta apenas parte da história.

Nos últimos anos muitos questionamentos estão vindo à tona nas redes sociais chegando até algumas mídias brasileiras. A população negra vem denunciando o racismo nas artes, inclusive já existe uma plataforma para essas denúncias, a página #ContraORacismoNasArtes .

Nos grandes festivais, seminários e encontros da classe artística, sobretudo em pautas estruturais como economia da cultura e outros eventos que contem com a presença de “grandes”diretores, gestores e produtores culturais, a presença negra é tipicamente minoritária.

Estes não são fatos novos, mas vem sendo cada vez mais discutidos no interior da comunidade negra. O teatro, de 3 anos pra cá foi diversas vezes denunciado. A Flip 2016 foi muito questionada por invisibilizar escritores e escritoras negras. O cinema brasileiro foi denunciado por ter menos de 2% de lideranças de profissionais negros e, em diversos outros nichos culturais, dos institutos pesquisadores das culturas tradicionais até chegar às linguagens artísticas da indústria cultural, o cenário não é diferente: monopólio e pouca abertura de oportunidades reais e efetivas.

A verdade é que há muitxs negros e negras, mas geralmente não estão em situação de poder, ou seja, há poucas casos em que negrxs são gestores, curadores, pareceristas, idealizadores. Lamentavelmente até mesmo em linguagens que originam-se de suas matrizes culturais. Reflexos de um país racista e excludente que precisa aprender muito para ser levado a sério como uma democracia madura.

Pensando em medidas para mudar este cenário dois negros das artes se uniram: Aloysio Letra, do Negrume e o gestor cultural Renato Adriano Rosa, da Podepá – Gestão e Produção Cultural. Juntos eles idealizaram uma parceria para viabilizar um curso gratuito de Produção e Gestão Cultural, o “Laboratório de Ideias”, um workshop que é oferecido gratuitamente a negras e negros. O workshop tem 8h de duração com a proposta de capacitar produtores periféricos com as técnicas de estruturação de projetos culturais, a partir do planejamento e de dicas importantes para organização das ideias no papel. Para ir muito além de fomentos e editais culturais.

O workshop será promovido pelo NEGRUME em 19/08, das 9h às 17h, na Okupação C.O.R.A.G.E.M , espaço autônomo de cultura que fica na Praça Mãe Menininha de Gantois, Cohab 2, ao lado da estação Jd. Bonifácio, na zona leste de São Paulo.

INSCRIÇÕES abertas até dia 5/8 no link: https://goo.gl/forms/jo0X61KxktLcAirl2


Organização: Negrume e Podepá – Gestão e Produção Cultural

Local: Okupação Cultural C.O.R.A.G.E.M.

Rua Vicente Avelar, nº53 – Cohab José Bonifácio – Itaquera (próximo à Estação José Bonifácio da CPTM).

 

Negrume, cultura e consciência negra

Na luta negra por liberdade e afirmação da cultura e resistências negras, historicamente negros da diáspora e negros da África caminham, marcham ou cortejam as ruas e seus ancestrais. Hoje, após a globalização do racismo contra pessoas negras, se faz necessário manter essa tradição de ocupar as ruas em prol da consciência negra.

No Brasil os afoxés na Bahia e Pernambuco, os maracatus em Alagoas, Ceará e Pernambuco e as congadas no Sudeste do país, cortejam as ruas saudando seus orixás e os reinados negros do Congo.

O projeto NEGRUME surgiu em Novembro de 2014 no bairro de Guaianases como um cortejo que homenageia as caminhadas e marchas da comunidade negra. É uma mescla das tradições negras populares com a luta dos movimentos sociais negros. Firmamos batuques para a afirmação cultural e política da resistência negra contra o genocídio da população negra, contra o racismo estrutural, contra o mito da democracia racial e contra todas as mazelas originadas no preconceito de cor.

Em 2016 o projeto se estabelece também como um blog periférico e articula em Guaianases, periferia da zona leste, rodas de conversa sobre temas da cultura e consciência negra.NEGRUME promoverá periodicamente bate-papo com especialistas, militantes negrxs e artistas, sempre com participação atuante da nossa comunidade.

Nosso estandarte contra o racismo: Negrume!

Acessem nosso blog: https://negrume.wordpress.com/

 

 

 


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Arte Cultura

Em cartaz: ‘Cartas à Madame Satã’ reflete afetividade de negros e negras

Foto: Roniel Felipe

Peça ‘Cartas à Madame Satã, ou Me Desespero Sem Notícias Suas’, estará em cartaz no Sesc Belenzinho, Zona Leste de SP, dias 2, 3 e 4 de Março, às 21h30

 

Com Cia. Os Crespos

Em seu quarto, um homem negro se corresponde com a figura mítica de Madame Satã. Fragmentos de histórias revelam, através das cartas, trajetórias e casos de amor numa cidade-país carregada de doenças, que mantém sob cárcere privado um jovem apaixonado. A personagem, em tom confessional, mescla a força do gesto com a delicadeza no discurso, buscando a cumplicidade do espectador para tornar público uma afetividade cercada de tabus.

Trata-se do terceiro espetáculo de uma trilogia da Cia. Os Crespos, ‘Cartas à Madame Satã, ou Me Desespero Sem Notícias Suas’. A montagem do texto contou com a colaboração de diversas pessoas que enviaram cartas ao grupo contando sobre suas experiências de vida. Na peça, o ator Sidney Santiago Kuanza utiliza dessas cartas para se comunicar com Madame Satã, transformista emblemático do início do século XX.

Com direção de Lucelia Sergio, direção musical e operação de Dani Nega e colaboração dos atores Luis Navarro e Vitor Bassi, as apresentações estão confirmadas para essa próxima quinta, sexta e sábado, 02, 03 e 04/03, às 21h30,  na Sala de Espetáculos I do Sesc Belenzinho. O vídeo abaixo deixa uma pitada do espetáculo.

Imperdível!

+ Os Crespos

Os Crespos é um coletivo teatral de pesquisa cênica e audiovisual, debates e intervenções públicas, composto por atores negros. O embrião da companhia foi um grupo de estudos formado em 2005 na Escola de Arte Dramática da USP, influenciado pela trajetória do Teatro Experimental do Negro (TEN) de Abdias do Nascimento. Era integrado por Sidney Santiago, Lucélia Sérgio, Mawusi Tulani e Joyce Barbosa, e dedicado à pesquisa sobre a presença negra no teatro. Em 2006 o núcleo tornou-se o grupo teatral Filhos de Olorum. No ano seguinte, adotou o nome Os Crespos e montou seu primeiro espetáculo, Ensaio sobre Carolina.

A estreia em 2007, com direção de José Fernando de Azevedo, primeiro professor negro da EAD-USP, era uma releitura do texto de Quarto de Despejo, de Carolina de Jesus. Depois de um ensaio aberto em Berlim, Ensaio sobre Carolina ficou em cartaz em São Paulo e no Rio de Janeiro até 2010. Com um projeto sobre essa peça, Lucelia Sergio da Conceição, membro do grupo, foi uma das 86 agraciadas do edital “prêmio Myriam Muniz”, da Funarte, em 2009.

Em 2014, o grupo lançou a revista Legítima Defesa, reunindo entrevistas, artigos e dramaturgia. No mesmo ano a companhia estreou o espetáculo ‘Cartas a Madame Satã ou me Desespero sem Notícias Suas’ que contou com a colaboração de diversas pessoas que enviaram cartas ao grupo contando sobre suas experiências de vida. Na peça o ator Sidney Santiago Kuanza utiliza dessas cartas para se comunicar com Madame Satã, transformista emblemático do início do século XX.

Serviço

Peça: Cartas à Madame Satã, ou Me Desespero Sem Notícias Suas
Datas: 02,03 e 04 de Março de 2017
Local: Sala de Espetáculos I – Sesc Belenzinho – Rua Padre Adelino, 1000, próximo Metrô Belém
Ingressos: Inteira R$ 20,00 – Meia: R$ 10,00
Limite de 4 ingressos por pessoa
Não recomendado para menores de 16 anos

 

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Arte Destaque

Representação de negras/os em telenovelas: Avançamos?

Ao traçar um panorama histórico da representação dos negros nas telenovelas brasileiras de 1963 a 1997, Araújo (2000) ressalta que esse veículo pratica uma verdadeira negação da diversidade racial do país, constatada pela pequena participação de atores e atrizes negras no elenco de uma telenovela e a constância em papéis inferiores e estereotipados.

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por Ceiça Ferreira no Compo

Mais de dez anos após o lançamento dessa pesquisa de Joel Zito Araújo, e considerando as transformações sociais, culturais e políticas que vem ocorrendo nas últimas décadas, com destaque para as conquistas dos Movimentos Negros, como por exemplo, a implementação de ações afirmativas e a constante reflexão pública sobre a participação e as políticas de visibilidade para atrizes e atores negros nos meios de comunicação e no cinema, seria possível apontar avanços, mudanças ou inovações na forma como a população negra, e especialmente os femininos negros são retratados nas narrativas audiovisuais?

Vale considerar tal panorama, visto que homens e mulheres negras constituem mais de 50% da população brasileira e diante da centralidade dos meios de comunicação enquanto como instância produtora de sentidos, valores e visões de mundo torna-se necessário observar como as práticas de representação e a construção das identidades são estreitamente relacionadas.

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A representação inclui as práticas de significação e os sistemas simbólicos por meio dos quais os significados são produzidos, posicionando-nos como sujeitos. É por meio dos significados produzidos pelas representações que damos sentido à nossa experiência a àquilo que somos (WOODWARD, 2000, p. 17).

Por incidirem também nos processos de subjetivação dos indivíduos, as narrativas audiovisuais atuam como elementos representativos da ordem do mundo e são preponderantes na construção e naturalização do imaginário social, categoria importante segundo Sodré (1999) para se compreender a continuidade histórica de representações negativas da população negra, na qual se articulam e reatualizam as conotações dadas pelas elites e setores intermediários no século passado brasileiro, resquícios de um imaginário colonial/ patriarcal e também diferentes abordagens e configurações. Para isso, busca-se desenvolver uma análise das mães de santo que são retratadas no longa Tenda dos milagres (Nelson Pereira dos Santos, 1977).

Problematizar as representações e identidades que o cinema constrói significa, portanto, pensar sobre a construção de um imaginário, apontando a(s) forma(s) como a sociedade e seus grupos são representados pela linguagem audiovisual, repleta de ambiguidades, polissemias e contradições (MONTORO, 2006, p. 20).

A escolha desse lme, que é uma adaptação de um romance homônimo de Jorge Amado se justiça pela relevância da obra literária desse escritor, sua influência no cinema brasileiro e na construção da identidade nacional; e também pela atuação de Nelson Pereira dos Santos, considerado um dos mais importantes cineastas brasileiros, principalmente por suas inovações estéticas na forma de retratar as culturas populares.

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Desenho animado valoriza cultura afrobrasileira

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Do Campinas, via Geledes

 

“Animafro”, o mais novo trabalho da produtora audiovisual Célia Harumi Seki, que celebra a cultura afro-brasileira através da técnica da animação quadro a quadro (stop motion), fez sua pré-estreia neste mês de Dezembro, no Museu da Imagem e do Som (MIS) de Campinas.

O filme explora o aspecto mitológico da história de um dos principais Orixás do panteão africano, Iemanjá, oferecendo ao espectador uma visão da vida e da evolução da humanidade que tem a sua origem na África, fonte de uma cultura rica e enraizada no Brasil.

Na história, Iemanjá, a Rainha do Mar, recebe de Olodumare, o criador do Universo, o dom de criar as ondas para poder devolver à terra as sujeiras jogadas pelos homens na água. Através de elementos lúdicos, dos recursos visuais e da riqueza estética africana, vai sendo introduzida a cultura dos orixás e seus sistemas de conhecimento do mundo, alicerçados em visões originais e criativas, historicamente construídas e elaboradas em negociação com a cultura brasileira, sendo parte intrínseca da identidade nacional.

 

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Realizado em linguagem simples e lúdica para o fácil entendimento infanto-juvenil, a narrativa apresenta o tema ecológico criando uma conexão da história mitológica com o contemporâneo. A opção estética da direção de arte foi utilizar a técnica de animação com sombras, que seduzem o olhar e possibilitam imaginar a partir das referências apresentadas. Além disso, a técnica de animação com sombras é fácil de ser reproduzida com materiais acessíveis, permitindo que o interlocutor se empodere da técnica compartilhada e possa desenvolver outras histórias, com celular e recortes em papel, por exemplo.

O projeto, apoiado pelo Fundo de Investimentos Culturais de Campinas, da Secretaria de Cultura da Prefeitura Municipal de Campinas, inclui também o site www.animafro.com.br com tutoriais de animação e informações dos bastidores do projeto visando o compartilhamento de conhecimentos.

Esse é o primeiro mito de uma série a ser desenvolvida celebrando a cultura afro-brasileira. Está prevista a distribuição gratuita do DVD com o filme para espaços de cultura, da administração pública, entidades culturais, bibliotecas públicas e a outros que se interessem pelo material.

Célia Harumi Seki é diretora da Primavera Filmes, formou-se em Antropologia, fez Mestrado e Doutorado na área de “Cinema e Literatura” pelo Departamento de Cinema do Instituto de Artes da Unicamp. Foi diretora, produtora, entrevistadora e editora de programas na Rádio e TV da mesma instituição. Dedicou-se à criação e produção de projetos experimentais, artístico-culturais em produções na área de cinema, vídeo e literatura, dentre eles curtas premiados, como o “Histórias de Concreto” e “Brincando de Gente Grande”, produção e organização de eventos como a Semana de Artes Visuais e Sonoras, as primeiras edições da Mostra Curta Audiovisual de Campinas – edições 1 a 3, o pré-lançamento do filme “Nina”, de Heitor Dhalia, e centenas de drops educacionais para a Saraiva Editora e vídeos entrevistas de arte/cultura para a Revista Raiz. Também realizou projetos gráficos, capas e editoração de livros.

 

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Arte

“Já Nascemos Mortos”, um espetáculo sobre os crimes contra os homossexuais

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Foto do Espetáculo “Já nascemos mortos”

Espetáculo do Coletivo Sankofa foi criado a partir de relatos de crimes contra homossexuais

Um relatório divulgado recentemente pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) aponta que, em 2014, o número de pessoas LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) assassinadas aumentou em 4% em 2014 em relação ao ano anterior. Crimes homofóbicos pertencem à categoria dos crimes de ódio.

Em resumo, pessoas estão sendo mortas pelo simples fato de amarem e desejarem corpos iguais. Quando nos calamos diante de cada demonstração de violência homofóbica compactuamos para um possível assassinato.

A partir dessas inquietações urgentes o Coletivo Sankofa criou o espetáculo “Já Nascemos Mortos”, que estreia nesta quinta-feira 8 de outubro no Centro Cultural da Penha, às 20h (Largo do Rosário, 20). A temporada se estende até o mês de novembro em CEUs, Centros Culturais da Juventude e teatros de São Paulo.

 

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Foto do espetáculo “Já nascemos mortos”

Com a concepção e direção de Anderson Maciel, “Já Nascemos Mortos” parte da premissa de que homossexuais já nascem com sua sentença de morte anunciada. “Quando nos calamos para o apedrejamento, para o gatilho puxado, para a paulada, escolhemos um lado mesmo que não seja feito pelas nossas mãos”, dispara Maciel.

Para conceber a peça, o dramaturgo baseou-se em notícias de crimes homofóbicos e em 20 depoimentos que deram voz a familiares de vítimas fatais. Para estas entrevistas o Coletivo Sankofa teve o apoio do grupo “Mães pela Igualdade”, que reúne mães de várias partes do Brasil que lutam contra a discriminação, violência e homofobia.

Pessoas estão morrendo. E só porque amam e desejam pessoas do mesmo sexo”

Anderson Maciel, diretor

Coreografias mostram situações reais

As coreografias e os textos têm a intenção de apresentar corpos sentenciados. Neste caso, tanto o texto como a dança conduzem o público à comoção e à cumplicidade. O grupo trabalhou dentro da estética da dramaturgia do movimento – a potência do corpo em cena – de uma forma que os textos não tenham peso explicativo.

As entrevistas realizadas pelo coletivo transformaram-se em uma dramaturgia confessional, como a história de uma criança que teve o pescoço apertado pelo próprio pai que não o aceitava diante de uma frase-sentença: “ Você vai aprende a ser homem! ”. 

A cenografia foi pensada para que o público fique bem próximo: cadeiras serão distribuídas no palco para as pessoas participarem do espetáculo. No centro da cena, um caixão de criança, simbolizando o corpo julgado antes de suas escolhas. No ambiente cenográfico, um cheiro de dama da noite traz a experiência sensorial ao público.

 

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Foto do espetáculo “Já nascemos mortos”

“O espetáculo é uma possibilidade de se pensar sobre quem morre e quem mata, de que há uma grande violência se fortalecendo quando não impedimos uma piada homofóbica, quando não permitimos que o outro possa se expressar da sua forma.  A peça também pode provocar uma pergunta: o que nos temos com isso?”, explica Anderson Maciel.

O espetáculo nasceu a partir do projeto “Quem vai chorar por eles?”, que discute a homofobia. Todas as ações do  projeto alimentaram a pesquisa e a criação do espetáculo, como  oficinas de teatro do oprimido e teatro documentário; uma série de roda de conversa com convidados sobre criminalização da homofobia, homossexualidade e família, afro-homossexualidade e exibições de filmes seguidos de bate papo.

Serviço

Outubro (entrada gratuita)

Dia 08 às 20hs. Centro Cultural da Penha (ESTRÉIA). Largo do Rosário, 20 – Penha, São Paulo – TEL (11) 2295-0401

Dias 16 e 17 às 21h e dia 18 às 19h. Teatro Alfredo Mesquita, avenida Santos Dumont, 1770 – Santana, São Paulo – (11) 2221-3657

Dias 23 e 24 às 20h e 25 às 19h. Teatro Zanoni Ferrite. Av. Renata, 163 – Vila Formosa, São Paulo – (11) 2216-1520

Dia 27 às 20hs –  CEU Caminho do Mar. Avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira, 5241 – Vila do Encontro, São Paulo – (11) 3696-5550

Dia 31 às 20hs –  Centro Cultural da Juventude. Avenida Deputado Emílio Carlos, 3641 – Vila Nova Cachoeirinha, São Paulo (11) 3984-2466

Novembro (entrada gratuita)

Dia 06 às 20hs. CEU Parque São Carlos. Rua Clarear, 141 – São Miguel Paulista CEP 08062-590 – São Paulo – (11) 2045-4250

Dia 08 às 18hs.  Espaço Cultural Cantinho de Todas as Artes – CITA. Rua Aroldo de Azevedo, 20 – Campo Limpo / Zona Sul – São Paulo – (11) 5844-4116

 Dia 15 às 18hs. Centro Cultural Teatro Refinaria, rua João Laet, 1507– Mandaqui, São Paulo – (11) 3624-9301

Novembro (temporada paga)

De 07 a 28 de novembro às 20h30 (todo sábado). Teatro Studio Heleny GuaribaPraça Roosevelt, 184 – Centro, São Paulo – Tel (11) 3259-6940

Ficha Técnica

Concepção e Direção: Anderson Maciel Intérpretes Criadores: Amanda Fusco, Betto Severo, Jonas Bueno, Igor Silva, Rodrigo Mar e Tata Ribeiro

Textos: O Coletivo Vídeos: Brunno Dmitri e Betto Severo Figurinos e Cenografia: Marcia Novais e Sissa de Oliveira Trilha Sonora: Uelinton Seixas

Desenho de Luz: Betto Severo e Tata Ribeiro Operador de Luz: Matheus Sousa Operador de Som: Lucas De Souza Fotografia: Sissa Oliveira e Orlando de Souza Projeto Visual: Robson Peres Designer Gráfico: Vanessa Rocha Audiovisual: Bruno Torchi

Assessoria de Imprensa: 7 Fronteiras Comunicação

 

 

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Um Baobá dos palcos, Aláfia lança seu segundo disco

Alafia

Em entrevista, banda comenta “Corpura” [confira link para ouvir] e fala sobre racismo no Brasil: “Estamos imersos no nosso tempo como cidadãos, para além da nossa profissão, e nos posicionamos contra as relações de poder”

Por Igor Carvalho

O Baobá é dos mais importantes símbolos de uma África forte e milenar. Durante o curto período de chuvas em parte do continente, essa árvore usa seu generoso tronco [que é oco] para armazenar água e sobreviver aos tempos vastos de seca. É das poucas espécies em que quase tudo se aproveita, do fruto [rico em vitamina C], passando pelo cerne do tronco que produz fibras utilizadas em tecelagens, até as raízes que ajudam no tratamento de febre e disenteria.

A árvore africana, também chamada de “Imbondeiro” em Angola, é uma analogia importante para explicar a banda Aláfia, que chega, nesta sexta-feira (11), ao seu segundo disco, Corpura. Se você for à África e apenas passar o olho, desavisadamente, por um Baobá, admirará sua imponência e respeitará sua presença, mas nada entenderá do culto à árvore e o símbolo que representa. O mesmo olhar desavisado e desatento vai respeitar a força da banda com dez músicos e uma música que sequestram sua atenção.

Porém, se você não viver o Aláfia, não saberá que, assim como o Baobá, há inúmeros destinos e recados em cada pedacinho seu. A escolha dos instrumentos, as letras, o figurino, os ritmos, o discurso, os batuques de Alysson Bruno, sempre enamorados dos ritmos da bateria de Filipe Gomes, as vozes e corpos ritmados e cênicos de Xênia França, Jairo Pereira e Eduardo Brechó, a gaita sempre generosa e cheia de ginga de Lucas Cirillo que trinca com a cozinha do inspirado Gil Duarte, o teclado sóbrio e fintador de Fábio Leandro, a inquieta guitarra de Pipo Pegoraro e o baixo que fala alto de Gabriel Catanzaro. Nada é desperdiçado.

É preciso estar em punga para dialogar com esta banda que em nenhuma de suas músicas foge da treta, mesmo sabendo que existem mais de mil e que eles podem, ainda, não ter mil trutas. Em cada disco, uma história, um tema. No primeiro, o Aláfia nos ofereceu um estudo sobre a ancestralidade e propôs uma análise para além da “África teórica”.

Em Corpura, a banda grita que está cismada com o “prisma mestiço”, que ajuda a propagar o falso mito da democracia racial no Brasil. Enquanto suinga, Aláfia afirma o racismo como elemento estruturante da sociedade e convoca sua rapa para usar o fio que já desencapou e distribuir choques. Em quem?

A resposta está na entrevista com a digna banda Aláfia, que marcou para o dia 20 de setembro o primeiro show de apresentação do novo disco, no auditório do Ibirapuera, e anuncia, para este blogue, que encerrará a importante 8º Mostra Cultural da Cooperifa, um painel de cultura da periferia organizado pelo coletivo do poeta Sérgio Vaz, que ocorrerá no mês de outubro.

Igor Carvalho – No primeiro disco, ainda começando, vocês queriam ir para além da “África teórica”. Agora, no segundo, estão cismados com o “prisma mestiço” e convocaram a rapa para o choque. Vocês acreditam que apenas uma ruptura pode dar o norte à luta contra o racismo, revelando o falso mito da democracia racial brasileira?
Aláfia – Loka análise. No primeiro disco, usamos muitos instrumentos típicos da África d’Oeste e padrões rítmicos característicos dos usos destes instrumentos (dunun, sabar, etc…). Neste disco, usamos sempre três congas/atabaques tocando padrões dos terreiros afro-brasileiros correspondendo ao uso litúrgico das vozes destes tambores. Isto é discurso. Cada decisão estética é uma decisão política. Este disco é bem “Candomblé” e bem “Funk”. Para que soasse assim, além de partirmos destas claves tradicionais, usamos o piano como instrumento central na elaboração dos arranjos de base. Ou seja: ritmicamente nos afirmamos afinados em tonalidades que valorizem as teclas pretas. Talvez estejamos, de fato, mais voltados pra dentro e, quando se fala de Brasil, aparece de pronto o conflito entre mito e realidade no que tange à democracia racial e o convívio entre os diferentes. O tal “prisma mestiço” pelo qual pontos de vista determinantes na construção da nossa história e identidade nos enxergaram e enxergam reduz e subjulga nossas especificidades. E sobra para o nosso povo. Desbancar o mito da democracia racial é tarefa árdua e dolorosa e uma pauta histórica do movimento negro. A política de embranquecimento de São Paulo é um alicerce da cidade, mas o empretecimento que visa derrubar este monumento do terror vem de uns dias também. Ainda assim, se assumir é uma experiência pessoal do preto brasileiro. Cada um se entende e se identifica de acordo com sua vivência e, a partir deste ponto crucial, pode ou não combater o racismo. Sempre destacamos o Hip Hop nos anos 1990 que deram luz a este modo de nos vermos. A autoestima dos artistas combatentes dos dias de hoje é fruto direto da produção cultural e artística dos “linhas-de-frente” daquele tempo. Agora, estes manos têm mais de 40 anos e os artistas com cerca de trinta estão trocando com jovens de 20, que estão apetitosos para enfrentar o mesmo problema que, infelizmente, ainda perdura. Voz Ativa, dos Racionais, é de 1992 mas é uma letra atual. As demandas de enfrentamento do racismo têm nuances muito engenhosas: “cada favelado é um universo em crise…”. Talvez se reconhecer e ter orgulho sejam os primeiros passos desta caminhada. A cor no Brasil é um dado muito complexo e esta ruptura pelo viés étnico/racial é um processo.

Igor Carvalho – Temos vivido um tempo de intolerância religiosa, política, de aprofundamento do machismo, da xenofobia e do racismo. Esse disco é, também, uma resposta a esse discurso de ódio?
Aláfia – Intolerância política é odiar o povo. Dizemos que o que se chama de intolerância religiosa no Brasil é racismo. Demonização da cultura com raízes africanas. Achamos que o que tem aparecido como xenofobia também tem cara de racismo. O racismo e o machismo são ingredientes fundamentais das relações no Brasil, esta mentalidade é institucional e encontra seu lastro nos discursos de ódio. Cada uma destas relações de ódio e intolerância tem especificidades exclusivas, relativas e absolutas. Não se tratam de números. E entre estas classes também pode existir ódio e privilégio. As elites, com o pensamento quatrocentão subdesenvolvido retrógrado, não se enxergam nas imagens que o país tem refletido e querem quebrar o espelho. Não sabemos até que ponto estas relações de ódio e a intolerância aumentaram. Suas raízes estão na formação do Brasil. A grande mídia pertence às elites, bem como os cargos políticos e todo controle dos rumos da nação, suas diretrizes são determinantes na opinião pública e os discursos conservadores travestidos de pseudo-verdades partidas dali perdem os eufemismos nas redes sociais e nas ruas. Os setores conservadores da sociedade estão se sentindo ameaçados e seu desespero vem à tona mais veementemente. Esta é a definição de reacionário. Eles reagem para manter o status quo que supostamente os beneficia. O acesso e ocupação de determinados espaços e cargos, a conquista de direitos, as ações afirmativas e revoluções de comportamento se chocam com valores obsoletos mantenedores dos privilégios das elites. O embate está explícito, mas com a nossa rapa eles não são capazes. O disco responde ao discurso de ódio porque este discurso nos provoca, nos toca, nos atinge diretamente. Estamos imersos no nosso tempo como cidadãos, para além da nossa profissão, e nos posicionamos contra as relações de poder e os aparelhos que trabalham em prol da desigualdade no Brasil.

Igor Carvalho – Uma das características da banda é o resgate da ancestralidade e o compromisso estreito com a África. Nas letras, essa prática se converte, também, no uso de palavras desconhecidas dos brasileiros: Punga, Aláfia, Adinkras, Oxotokanxoxô são algumas. Como tem sido a reação do público de vocês, reconhecidamente negro em sua maioria, diante deste intercâmbio linguístico?
Aláfia – Mais uma observação interessante, mano. Notamos então que nosso léxico é afirmativo. As palavras escolhidas para uma canção são música. Cada sílaba deve fazer sentido na melodia. Nossa música trata a palavra como música mesmo em discursos muito verbais. Não teria como não ser afirmativo. Cada dado na composição é eleito com fundamento. Honestamente e felizmente, estas são palavras do nosso dia a dia. Quando compomos, acabamos usando o vocabulário de que dispomos e isso nos situa entre os nossos. Uma palavra iorubá, uma gíria, um grito de guerra… Nas conversas, nas redes, nas letras. E os nossos que não partilhavam os sentidos trazidos por estavas palavras acabam se relacionando intimamente com elas porque nós nos relacionamos intimamente com as nossas palavras.

Igor Carvalho – Desde a criação da Cooperifa [2002], movimentos culturais das periferias, através dos saraus, têm se esforçado em trazer à tona a história de um Brasil ocultado pela narrativa branca-europeia, além de promover o debate político-racial. Inúmeros artistas surgiram a partir dessa experiência. Em que medida o Aláfia é consequência ou parte desse cenário?
Aláfia – O Aláfia se criou às quartas-feiras. O Brechó e o Jairo se reuniam no final de tarde para acabar a noite na Cooperifa. Na Cooperifa, apresentamos nosso primeiro CD pro mundo. Revelamos aqui em primeira mão com toda felicidade que estaremos no encerramento da Mostra da Cooperifa este ano! Sérgio Vaz escreveu o texto que está na capa de Corpura. Somos consequência e parte deste cenário. Além da Cooperifa, temos amigos e parceiros em diversos saraus e coletivos da cidade. Isto nos honra muito. O Aláfia participa de diversos eventos dos coletivos dos movimentos culturais das periferias. Isso é muito importante para o nosso crescimento pois aprendemos muito com aqueles que vieram antes de nós e traçaram caminhos pioneiros nesta parada dura e revolucionária. Isso é uma responsabilidade. O Aláfia tem uma ligação muito grande com a literatura e o teatro. Já disseram que o show do Aláfia parece um Sarau com seus momentos. É um elogio. Hoje o Brechó apresenta o Sarau Vila Fundão com os parceiros do Narra Várzea e o Sarau do Kintal com Akins Kintê, Tubarão Dulixo e a família Monteiro.

Igor Carvalho – O disco, apesar de encontrar densidade e críticas sérias nas letras, mostra que a banda mantém seu compromisso com o suingue. Quem acompanha os shows do Aláfia sabe que eles se tornam bailes. Em algum momento vocês tiveram receio de que essas duas características não dialogassem no palco?
Aláfia – Não. O foco é o todo. Meio e mensagem. O Funk é afirmativo. Propor que a Corpura de cada um se manifeste também. Você entra no baile de verdade e o baile entra em você. Não são apelos gratuitos. Nem os clichês mais óbvios do Funk são rasos. Tudo é profundo neste ritual que compreende estado de espírito e possibilidades reais de imersão e comunicação. Se o refrão diz: “todo baile black tem um pouco de terreiro”, você está lutando pela lei 10639, contra a intolerância religiosa racista, pela ancestralidade. Não é um cavalo de Tróia – você ouve a música dançante e ganha de presente o discurso da letra. Dançar aquela dança é discurso. Propor aquele baile é mensagem. E é mensagem de resistência e luta. E na vitória, saberemos como comemorar pois lutamos dançando. Isso é Muhammad Ali. Isso é James Brown. Como diria Sérgio Vaz: é magia negra.

Foto de capa: Sté Frateschi