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CLIPPING ELEIÇÕES 2008

Professor e candidato do PSOL à Prefeitura de Poá critica a falta de ética da classe política da cidade e diz que seu grupo é formado por trabalhadores

Um lutador na vida e na política. Assim é Carlos Roberto DATOVO, o candidato a prefeito do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) para as eleições de Poá. Professor há 22 anos, boa parte deles dedicada à rede pública estadual, DATOVO, aos 57, tomou coragem e se apresenta como uma “alternativa” às candidaturas existentes hoje ao cargo máximo do Poder Executivo municipal. Exigente com seus alunos no ensino da matemática, o militante não abre mão do seu perfil e quer dar uma aula de ética aos políticos poaenses que, em sua opinião, usam do período eleitoral para negociar cargos na prefeitura. Sua militância vem de longa data. Desde a década de 70, quando ainda trabalhava como auxiliar de almoxarifado, na antiga fábrica de leite Paulista, DATOVO acompanhou de longe os movimentos grevistas em São Paulo e na região do Grande ABC. Ele via na figura de um torneiro mecânico, que hoje se tornou presidente da República, a esperança para a melhoria do País. No entanto, o ex-petista DATOVO que trabalhou na campanha presidencial, decepcionou-se com o modo de governar de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e deixou o partido em 2005 para fundar o PSOL em Poá.

Diário do Alto Tietê – Quem é Carlos Roberto DATOVO?
Carlos Roberto DATOVO: Falar da gente é complicado. Eu me resumo da seguinte maneira: sou um professor. Comecei a trabalhar com 12 anos, me formei, aos 35, em matemática, na antiga Faculdade Professor Carlos Pasquale, em São Paulo. Reservo pelo menos duas horas por dia para cuidar da preparação de aulas. Trabalho no período da tarde e da noite, leciono na Escola Estadual Professora Lacy Lensky Lopes, no Jardim Violeta. Em Poá, eu já trabalhei em três escolas: E.E. Jornalista Olintho Rehder, E.E. Margarida de Camillis e o Lacy.

Como os alunos identificam o seu perfil: mais exigente ou mais sossegado?
DATOVO: Exigente. Às vezes, enfrento muitos problemas com relação a isso. Sou conhecido por exigir bastante e a juventude de hoje não entende, ela está totalmente fora da escola. O jovem vai estudar, mas está pensando em outras coisas.

Quais foram suas experiências de trabalho até hoje?
DATOVO: Comecei trabalhando em uma fábrica de sapatos, aos 12 anos. Saía daqui de Poá e seguia para onde hoje existe a estação Carrão, do metrô (antigamente era chamada de Quinta Parada). Fiquei lá por um ano. Vim para cá, e fiquei quase três anos em outra fábrica de sapatos, em 1967. Depois trabalhei em um açougue durante um ano, voltei para aquela fábrica de calçados, onde fiquei por mais um ano, aí fui para o Exército. Quando deixei o Exército, fui trabalhar na antiga Leites Paulista, onde fiquei 23 anos, no Brás. Entrei como auxiliar de almoxarifado, depois de um ano passei a encarregado, fui para o setor administrativo da área de manutenção.

Quando trabalhou como professor e ingressou na Educação?
DATOVO: Em 1982, concorri ao cargo de gerência na fábrica de laticínios, mas acabei não sendo escolhido por questões políticas. Fiquei descontente e fiz um acerto para sair da empresa e ficar só na área da educação. Com esta profissão, comecei em 1986, em uma escola particular de suplência, depois fui para o Estado, onde fiquei em uma escola na Vila Matilde por quase três anos. Em seguida, me transferi para Poá e aqui fiquei só nesta área.
Este período coincide com a época dos movimentos grevistas na capital e no Grande ABC. O despertar para a militância política surgiu aí?
DATOVO – Na década de 70, quando o PT surgiu, trabalhava na Leites Paulista, ainda não tinha envolvimento direto com a política, mas sempre discutia estas questões como trabalhador, não diretamente no eixo partidário. Dentro da fábrica, sempre tinha muitas discussões entre os companheiros e tentava conscientizá-las sobre o que era melhor para nós. Porém, eu me filiei ao PT tarde, só em 1997, e fui presidente do diretório municipal por três anos e meio.

Por que o senhor deixou o Partido dos Trabalhadores?
DATOVO: A minha saída do PT foi uma desilusão. A gente tinha certeza de que, com a chegada do Lula no poder, teríamos uma mudança neste cenário. Conseguimos elegê-lo no primeiro mandato e aí começaram a aparecer os ataques. O primeiro foi a questão da Reforma da Previdência. Ele atacou diretamente o trabalhador. O segundo, foram as divisões de cargos dentro do governo federal. Ele fez uma articulação para atrair partidos que sempre nos opusemos. A esperança nossa era de que as coisas mudassem a favor do trabalhador. Em 2003, a então senadora Heloisa Helena, o deputado federal Babá e a deputada federal Luciana Genro (PSOL-RS) votaram contra a Reforma da Previdência e foram expulsos do partido, isto nos deixou bastante chateado. No âmbito local, em 2004, participamos das eleições e conseguimos eleger dois vereadores na cidade (Dorval da Costa Torres e Rogério Mathias). O nosso candidato a prefeito, Milton Bueno, ficou em terceiro lugar. Em 2005, resolvemos fundar o PSOL e manter a proposta original do PT.

Como mostrar para os eleitores a diferença entre o PSOL e o PT?
DATOVO – Fácil, não é. De alguma forma, a gente terá de mostrar os erros que existem no PT. Um exemplo bem simples é o Bolsa Família. Não somos contra. Se aparece uma pessoa na nossa porta com fome, temos de dar um prato de comida. Mas temos de criar meios para que estas pessoas possam ter o seu próprio sustento. Este vai ser um dos nossos motes. O Lula bate no peito e afirma que atende 10 milhões de famílias no País, como se isto fosse bom. Não é. Isto significa que não se criou empregos necessários para que as pessoas ganhassem a vida dignamente. Quando a pessoa é ajudada, é humilhante para ela. O que a gente vê é que isto se transformou em um “curral eleitoral”.

Você é professor. O que a classe política de Poá ainda tem de aprender?
DATOVO – A Ética. O que a gente vê aí é uma forma de tentar enganar as pessoas. Veja a diferença: não temos dinheiro para fazer campanha e declaramos para a Justiça Eleitoral um gasto de R$ 100 mil. Se gastarmos 10% disso será muito. E com este dinheiro todo declarado, seria muito para se fazer uma campanha em uma cidade como esta. O que vemos aqui são as pessoas fazendo conchavos e pedindo cargos. Não discutimos isto. Um exemplo, você pega o Marcos da Gráfica (PPS), que é candidato a vice na chapa do Francisco Pereira de Sousa (PDT), o Testinha. O Marcos participou do governo Marques durante três anos e meio.

A proposta do PSOL nestas eleições é ser uma alternativa de poder?
DATOVO – Somos um grupo pequeno e composto de trabalhadores. Nossa vontade é fazer um governo democrático, no qual exista a participação popular. Como prefeito, não sou o dono, mas um administrador dos recursos pagos por meio de impostos vindos do povo.

FONTE: DIÁRIO DO ALTO TIETÊ

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