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Escrita da história

Colonialismo europeu e os 20 anos do genocídio em Ruanda

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Por Douglas Belchior

Em 1994 tinha 16 anos e estava muito ocupado comemorando o título da seleção brasileira de futebol no mundial dos EUA. Minhas aulas de história na E.E. Padre Eustáquio, divisa de Poá com Ferraz de Vasconcelos, mal tratava de América Latina, imagine de África.

Anos depois, já como um simpatizante das causas sociais, conheci a história do genocídio em Ruanda. Me lembro de quando assisti pela primeira e única (última) vez o filme Hotel Ruanda. Foi em uma madrugada fria, com alguns amigos, no Centro Acadêmico de Ciências Sociais da PUC-SP. E choramos.

Entendi naquela noite o significado de “Colonialismo” e o quanto ele destruiu e ainda destrói, por dentro e por fora, os povos africanos e seus descendentes, inclusive provocando que nos matemos entre nós.

O professor Dennis Oliveira nos traz uma síntese mais apurada.

 

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Por Dennis Oliveira – Nota do Coletivo Quilombação sobre

Os 20 anos do Genocídio em Ruanda

 

Há 20 anos atrás, deflagrou-se uma das mais terríveis práticas de genocídio: foi em Ruanda, país do continente africano. Em pouco mais de três meses, cerca de 1 milhão de pessoas foram assassinadas, a maior parte esfaqueadas; e cerca de 3 milhões foram obrigadas a refugiar-se.

 

Ruanda é um pequeno país, densamente povoado, com uma densidade populacional acima de 400 habitantes por Km2. Ao contrário do que foi divulgado pela mídia na época com grande estardalhaço e, agora, com pouquíssimo destaque, o genocídio não foi produto de um instinto “bárbaro” entre as etnias tutsi e hutu. Foi produto da colonização e do imperialismo da Europa.

 

Os colonizadores europeus chegaram ao então reinado do Banyawards no século XIX, civilização que vivia sob tradições orais, na qual os tutsis eram pastores e os hutus, agricultores. No período da colonização, apropriando-se das teses eugenistas e de darwinismo social, os colonizadores belgas acreditavam que os tutsis eram uma etnia “superior”, privilegiada, descendentes dos semitas. Assim, estabeleceram um sistema de hierarquização étnica, colocando os hutus como uma etnia de segunda classe.

 

Os privilégios concedidos aos tutsis, que dirigiam o reinado de então, fizeram com que personalidades desta etnia liderassem a luta pela independência. Foi neste momento que os colonizadores belgas mudam de posição e passam dar apoio logístico aos hutus. A Revolução Ruandesa de 1959 que levou o país à independência colocou um governo vindo da etnia hutu. No ano seguinte, começa uma política de perseguição étnica a minoria tutsi, com muitos deles se refugiando para Tanzânia e Burundi, países vizinhos.

 

Refugiados e, mais tarde, contando com apoio de guerrilheiros da República Democrática do Congo, os tutsis recebem treinamento militar e formam a Frente Patriótica Ruandesa (FPR) que passa a combater o governo da etnia hutu. A gota d’água deste conflito foi a derrubada do avião presidencial em 6 de abril de 1994, fato que foi creditado, sem provas conclusivas, a FPR dos tutsis. A partir daí, começa então o genocídio mais cruel, com o assassinato a facadas de pessoas da etnia tutsi, estupro em massa de mulheres, refugiados em massa. A ONU e suas tropas de paz pouco fizeram. Não era interesse do imperialismo europeu a resolução do problema, até porque o governo hutu, durante muito tempo, foi aliado de países como a França e a Bélgica.

 

A pesquisadora Andréia Couto, autora da obra O país das mil colinas, afirma que “seria incorreto analisar a eclosão do genocídio somente a partir das relações de opressão/submissão seculares entre as duas etnias. Enquanto existentes localmente, sem a inferferência externa do elemento europeu, essas ligações eram reguladas por mecanismos internos da própria sociedade. Uma vez chegados os colonizadores, essa engrenagem é propositalmente desestabilizada para os fins políticos coloniais.”

 

Ruanda vive hoje um clima de relativa estabilidade, embora ainda existam milhares de refugiados. As feridas deste genocídio ainda não se cicatrizaram, principalmente porque o xadrez geopolítico internacional ainda reserva ao continente africano um lugar de superexploração de recursos humanos, naturais e materiais para dar sustentação ao capitalismo global. A cobertura da mídia, inclusive a brasileira, que limita o episódio a uma pretensa “guerra tribal”, desresponsabilizando o centro do capitalismo é uma demonstração de como a manutenção do continente africano neste lugar é parte da estratégia do capital – estratégia que vem desde os tempos idos da escravização de africanos para as colônias latino-americanas, pela manutenção do racismo estrutural em países de maioria negra, como o Brasil; e pela negação dos direitos mínimos de vivência aos afrodescendentes em todo o mundo.

 

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19 respostas em “Colonialismo europeu e os 20 anos do genocídio em Ruanda”

Se as forças internacionais (vide EUA/França) interferem são criticadas (Afeg/Iraq), se não fazem nada também são criticadas (Ruanda).

“estratégia que vem desde os tempos idos da escravização de africanos para as colônias latino-americanas, pela manutenção do racismo estrutural em países de maioria negra, como o Brasil; e pela negação dos direitos mínimos de vivência aos afrodescendentes em todo o mundo.”
Brasil é de maioria negra? A pesquisa do IBGE diz que não, ou você esta considerando as pessoas que tem vergonha de se dizerem negras por que o IBGE é opressor dos negros?

É eu concordo que esse lance da escravidão foi um mal negócio, compare o sul que importou Italianos e Alemães com o sudeste, é evidente a diferença na qualidade de vida, na unidade das pequenas comunidades. É evidente que o negro aqui sofre em demasia e portanto o mais humano seria devolvê-lo a sua terra natal, não seria bom voltar ao continente mãe?

A África já era desgraçada (sem a graça de seus habitantes) antes mesmo do colonialismo, Brancos não capturavam escravos, eles compravam escravos advindo de guerras tribais, como essa daí. Honestamente o que a África nos mostra com o exemplo de Ruanda/Somália e tanto outros é que trazer os negros para o Brasil foi quase um favor, uma ajuda, um resgate, com muitos poréns e muito sofrimento imposto pela escravidão, mas os fluxos migratórios mostram que ser negro aqui é, comparativamente, um bom negócio. (Eu sei que esse comentário vai gerar revolta entre os ativistas da causa racista, aquela que divide as pessoas em raças e cria tribunais em universidades para segregá-las) mas olhando para a África subsaariana os países que deram mais ou menos certo foram os que mantiveram a elite branca no poder por um bom tempo (África do Sul),

Fato é que as culturas africanas (por que a África é um continente) ignoram a existência de estados nacionais (a noção de estado, vem da Grécia, Roma, Europa), por isso a elite branca da África do Sul primeiro criou um país, para depois haver espaço para se lutar pelo fim da segregação… A historia do Haiti prova o que estou dizendo, lá eles eliminaram a elite branca e a própria formação do estado ficou comprometida, não tem instituições, pois as mesmas não tem embasamento cultural, o Haiti é um exemplo do bem que a cultura do homem branco provocou na África do Sul.

O que as pessoas não entendem é que atrocidades são a normalidade na história humana, o diferente, o novo é a compaixão, é a aceitação do diferente, é muito fácil pegar a superioridade do poderio militar/econômico do homem branco e dizer que ele é culpado por todos os males da humanidade, se assim for, também é justo dizer que é culpado por todas as coisas boas, o homem branco inventou a bomba atômica e da mesma tecnologia inventou os tratamentos para câncer a base de radioterapia, inventou o carro, o avião, a ecologia, a medicina tradicional alopática, morreram ou se salvaram mais vidas, foi melhor ou pior?

Se formos levar tudo para o lado racial do branco mal e o preto bom, então o próprio conceito de utilizar a caridade para fazer o bem e ganhar o paraíso vem das religiões e culturas brancas (cristianismo, judaísmo e islamismo), as religiões orientais e africanas possuem um viés de equilíbrio com o mundo e não de resgate de culpas por boas ações. Por isso um defensor da causa racista que se vale dos diplomas de coitadismo para justificar as medidas de caridade a serem aprovadas utiliza-se de argumentos culturais brancos para uma causa mais branca ainda!

Quando Ruanda aconteceu na Alemanha sob o nome de Holocausto a sociedade branca se uniu para determinar que aquilo era absurdo e tentou e tenta até hoje estabelecer mecanismos de auto regulação para que isso não se repita, porém a sociedade negra não parece interessada em promover os mesmos mecanismos após Ruanda. Por isso eu digo, esqueça sociedade negra, causa negra, raça negra, e seja causa humana, sociedade humana e raça humana será melhor para os próprios humanos de pele escura.

O comentario esta coerente , se seguimos esta logico o brasil deveria ser devolvidos aos indios e vc q deve ser branco voltaria para sua terra
Natal
, q provavelmente ainda existe , ainda em tempo de voltar
Para lá , o negro em si nao teve opcao pois como todos tivemos q nos adptar aos novos tempos , com um detalhe entramos em desvantagem a africa nao se
Desenvolveu como vc quis mencionar pois o continente tinha suas particularidades , entao em algum momento
Esse desenvolvimento foi interrompido , radicalmente e tao radical
Q
Parou no tempo.

Seu comentario choca e demonstra profundo racismo. “É eu concordo que esse lance da escravidão foi um mal negócio”: como assim? Esse “lance” de escravidao foi um mal negocio porque as regioes onde a colonizaçao foi feita por doaçoes de terras a imigrantes europeus gozam de melhor qualidade de vida? A escravidao foi mal negocio porque a escravidao africana do periodo foi um dos maiores crimes contra a humanidade que conhecemos. Ponto final. Nao foi mal negocio por local A ou B estar bem desenvolvidos atualmente: foi pessimo lah atras, para os seres humanos que foram escravos: faz sentido?

O resto do seu comentario eh importante deixar bem claro, para todos verem como algumas pessoas pensam. Trazer os africanos, nos navios negreiros, foi favor? Havia guerras tribais na africa, assim como houve guerras em todas as partes do mundo entre grupos vizinhos. Justificar um sistema de escravidao, por etnia, atraves disso eh atroz.

A cereja no bolo eh sua falta de humanismo: voce sinceramente acha que avanço tecnico-cientifico justifica abusos contra os que nao o alcançaram. O objetivo da vida humana nao eh fazer progressos tecnico-cientificos, eh existir. Se voce nao enxerga paradoxo entre a alegada superioridade cultural e tecnico-cientifica da europa, e como eles trataram a Africa, a India e as Americas, ha pouco a fazer. Para piorar, nao ignore a continuidade do conhecimento que culminou nas invençoes que voce admira: elas nao sao exclusivamente “europeias”.

Enfim, boa sorte, obrigado por nos mostrar como pensa um euro-centrico.

“A escravidão foi mal negocio porque a escravidão africana do período foi um dos maiores crimes contra a humanidade que conhecemos. Ponto final. Não foi mal negocio por local A ou B estar bem desenvolvidos atualmente: foi péssimo lah atras, para os seres humanos que foram escravos: faz sentido?.”

No meu comentário disse: “O que as pessoas não entendem é que atrocidades são a normalidade na história humana, o diferente, o novo é a compaixão, é a aceitação do diferente” a escravidão não foi um crime por que a lei da época permitia, e mais, nenhum ser humano foi escravizado por que naquela época os africanos não eram seres humanos, era normal e incentivado.

Para o pensamento “mainstream” atual é obvio e lógico que é um crime e EU CONCORDO QUE A ESCRAVIDÃO É ERRADA, mas para olhar para a história temos que nos despir dos nossos conceitos atuais para entender os conceitos da época, qualquer historiador sabe disso.

“Trazer os africanos, nos navios negreiros, foi favor? Havia guerras tribais na africa, assim como houve guerras em todas as partes do mundo entre grupos vizinhos. Justificar um sistema de escravidão, por etnia, através disso eh atroz.” Me mostra a parte em que eu justifico o sistema de escravidão? não digo que ele é bom, digo que – entre a opção A viver na africa tribal e a B ser escravo no Brasil – e associando esse questionamento às condições de vida atuais do negro pobre no Brasil e as condições atuais do negro pobre na Africa Subsaariana, considerando na minha analise de duas condições passadas com duas condições atuais é que eu cheguei a conclusão de que os descendentes dos escravos que vieram para o Brasil estão em melhor condições de vida do que os que ficaram na africa, por isso o pensamento intuitivo de que a escravidão (no longo prazo) foi um bom negócio para os negros.

“Seu comentário choca e demonstra profundo racismo.” Amigo está equivocado, no meu comentário eu mostro exatamente que tentar separar as pessoas por raça (como os ativistas da causa negra tentam fazer) é na verdade muito pior para os afrodescendentes pois se os negros são os outros então é mais fácil e até justificável não interferir no holocausto de Ruanda, por que não é da minha conta deixa que eles “tribais” se entendam entre eles. Pior aqui no Brasil, policia é coisa de gente que fez concurso que é coisa de branco, deixa os “outros” os negros em paz e assim justifica o policiamento e assistência estatal só para os brancos… quando todos somos apenas humanos sem raça, todos fomos escravos e todos fomos senhores de engenho, todos precisamos de assistência e proteção da policia e da lei, todos somos Ruanda e por isso (se todos somos Africa e Europa) foi errado a comunidade internacional não ter interferido no holocausto Ruandês como fés no Alemão!

Quando disse: “Se formos levar tudo para o lado racial do branco mal e o preto bom…” e fiz as comparações dos desenvolvimentos científicos e o desenvolvimento das nações foi claro, foi obvio, está demonstrado que dividir as pessoas em raças é uma forma de excluir os negros e hoje isso é reforçado pelos ativistas da “causa negra”, por que se assim for os tais desenvolvimentos tecnológicos são invenções brancas e justificaria segregar os negros a idade da pedra etc…

Resumo da história, não divide por raça que isso somente favorece os brancos. E antes de apontar o dedo e dizer – nossa o racista ta falando – pense que os verdadeiros racistas são os que dizem: “A cereja no bolo eh sua falta de humanismo: voce sinceramente acha que avanço tecnico-cientifico justifica abusos contra os que nao o alcançaram.” quem disse que não alcançaram? quem disse que existe eles brancos que alcançaram e nos negros que não alcançamos? essa divisão é justamente a fonte do racismo, é justamente separar o eles do nós que criam os “merecedores dos não merecedores”. No fim das contas o seu comentário é muito mais racista que o meu.

…”nos despir dos nossos conceitos atuais para entender os conceitos da época, qualquer historiador sabe disso.”…

E nos vestir com os seus preconceitos atuais talvez? O mesmo artefato de raciocinio serve para inocentar alemaes nazistas que mataram judeus por que eram judeus.

…”entre a opção A viver na africa tribal e a B ser escravo no Brasil – e associando esse questionamento às condições de vida atuais do negro pobre no Brasil e as condições atuais do negro pobre na Africa Subsaariana,”…

Essa opçao nao existe, eh ficticia.

Talvez eu ateh tenha lido ou interpretado mal alguns pontos que voce fez, mas nao estou convencido. Acho que voce ainda nao entendeu que os negros foram escravizados no mundo ocidental pela cor da pele. E o movimento negro tem consciencia disso e busca reparar as profundas consequencias que isso causou para ….os negros.

Meu comentario ter saido mais racista que o seu? Sera?

Cala tua boca, idiota.

Vai estudar um pouco. O tempo que perdesse escrevendo tanta besteira poderias ter usado para uma considerável melhora em teu conhecimento. Haja vista que partindo do quase nada… uma vaga noção da história do Homo sapiens sapiens, ou da real razão das intervenções estadunidenses em países como Afeganistão, Iraque, no teu caso, seria uma revolução do conhecimento.

Esquecemo de avisar nosso amigo de que as intervençoes no Iraque e Afeganistao pouco tem a ver com a “nao intenvençao” em Ruanda.

O regime afegao e iraquiano nao sao “endogenos puros”, mas resultados de relaçoes e incentivos de determinados grupos pelos proprios americanos. Quem apoiou o Saddam lah, deu recursors, armas, etc, foram os americanos. No afeganistao, a mesma coisa. Nao sei como ele consegue comparar isso a Ruanda. Sendo que em Ruanda, o problema tambem foi, em grande parte, criado por gente de fora.

Depois ele tentou se explicar e confundiu todo mundo. Ele diz que defende pontos de vista opostos e importantes para enriquecer o debate. Ele pode entao sempre jogar advogado do diabo em questoes de pedofilia, nazismo, assassinatos e torturas em geral. Se for para mostrar o outro lado, que o faça com consistência.

É, para bombardear países que não tem como se auto-sustentar, muito menos se reerguer as “forças internacionais” sabem agir muito bem. Agora para acabar com um massacre gerado por próprios europeus eles não movem um dedo se quer né. Sabe por que? Porque esse massacre ocorreu na África e não na Europa ou qualquer outro continente ou país que seja considerado desenvolvido ou importante. Porque essas “forças internacionais” consideram que a África não é importante o bastante para que usem suas forças para acabar com algo iniciado pelos próprios países “importantes”, algo que não matou 2 africanos, matou 1 milhão.

De fato, tanto a bomba atômica (e outras armas de alto poder letal), quanto tecnologias avançadíssimas para a identificação e cura de doenças terríveis foram desenvolvidas em países de maioria branca. Só faltou dizer que os países de maioria branca ficam com as tecnologias para promoção da saúde para si, e despejam a tecnologia da morte na cabeça dos outros.
A África do Sul deu certo na perspectiva de quem? Dos ingleses, claro!
É preciso ser muito ignorante para defender a ideia de que a Europa fez caridade ao espalhar sua “civilização” mundo afora, quando, na verdade, o que fez foi cometer rapinagem de grosso calibre. Qualquer idiota sabe disso.

Essa noçao de espalhar sua civilizaçao eh uma afronta. O colonialismo europeu iniciou como agressao, foi militarizado, e escravizou por seculos todo um povo por causa da etnia. Nao ha penicilina ou qualquer conhecimento tecnico-cientifico que justifique ou sirva de contra-peso ao mal causado pelo colonialismo europeu. Melhor ser deixado em paz do que receber, desta forma, as “benesses” que a mente humana alcançou no hemisferio norte.

“Melhor ser deixado em paz do que receber, desta forma, as “benesses” que a mente humana alcançou no hemisfério norte.”

Então você concorda com a parte irônica do meu comentário de quem seria bom devolver os “incomodados” ao seu lugar de origem! Essa posição é mais cruel que a do meu comentário, afinal entre a lei das guerras tribais e a lei da submissão ao europeu você opou pela lei das guerras tribais. Ser deixado em paz significa o que? significa o portugueses não terem comprado os negros de outros negros la na época colonial, não ser comprado/escravizado significa permanecer na africa sobre o julgo das guerras tribais.

Dizer que o europeu provocou os conflitos tribais é ignorar a historia do continente, de fato ele utilizou esses conflitos tribais para se beneficiar, apoiou lados pela sua conveniência, mas dizer que ele é responsável pelo conflito como um todo é ignorar o passado milenar do continente. A Africa “inventou” a escravidão, o europeu se beneficiou dela, e depois também inventou o capitalismo que acabou (na verdade atenuou, por que em muita gente que vive como escravo) com ela, afinal o escravo não é consumidor.

Historia africana nao eh tao clara como voce pensa, e provavelmente, nao estah tao clara na sua mente como voce imagina. Voce a reduz a “guerras tribais”. Ponto final!

Voce quer hipersimplificar temas complexos. Guerras tribais existiam(em) na africa, nas americas e na europa. Ao criar um sistema que compra os escravos vindos destas guerras, para torna-los escravos, baseados na origem etnica instala-se um sistema de exploraçao perverso e imperdoavel. Nao ha inovaçao tecnologica, superioridade tecnica que justifique isso. O seu argumento eh manco por nao ser capaz de compreender os efeitos de multiplas variaveis em um sistema complexo suscetivel a elas.

As distorçoes que o trafico negreiro gerou nas “guerras tribais” que aparentemente eh tudo que voce enxerga na Africa sao enormes. Os efeitos da colonizaçao predatoria nao melhoraram a vida dos Africanos, nao trouxe desenvolvimento.

Dizer que a Africa “inventou” a escravidao passa dos limites. Diferentes sistemas de escravidao existiram na Asia, na America pre-colombo, etc. Tenha suas opinioes, ideologias e preconceitos, mas nao invente bobagem para justificar ou amenizar a responsabilidade que o europeu tem na atual condiçao africana.

Alem de nao entender do que fala, voce ignora a dor e sofrimento de milhoes que sofreram e sentiram essas dores por serem negras: simplesmente por isso.

Eu jah li argumentos e ideias muito parecidos com os seus no “stormfront”.

Ja que você citou o “stormfront”, me diz por que ele é proibido? Por o blog do Belchior que se auto-denomina “Afroativismo” é permitido, é divulgado como bom e correto e o ativismo contrario é proibido?

Por que não se tem essa liberdade de expressão, por que quando as ideias são contrarias ao mainstream elas são proibidas? Por que para falar abertamente sobre essas questões raciais o branco já tem que começar a conversa pedindo desculpas a todos os negros presentes? isso não é racismo semelhante a ter que sentar no banco de traz do ônibus?

Não sou crente/evangélico nem concordo com eles mas, por que o Marco Feliciano não pode ficar na comissão de direitos humanos? pera ai, nessa comissão só podem ficar amigos dos ativistas? pera ai, essa comissão só pode defender os direitos de uns humanos dos outros não? achei o máximo quando o colocaram lá pelo simples fato de que tem de haver vozes diferentes, tem que haver alguém para questionar o “politicamente correto”, não concordo 1 fio de cabelo com a teologia e a bancada evangélica mas honestamente, há liberdade somente para algumas ideias e as demais são rejeitadas com tanto fanatismo e violência intelectual que estão se organizando na clandestinidade. Isso é tão certo que pelo meu comentário anterior fui taxado de:
1-“Seu comentario choca e demonstra profundo racismo” RACISTA
2-“A cereja no bolo eh sua falta de humanismo” DESHUMANO
3-“euro-centrico”
4-“E nos vestir com os seus preconceitos atuais talvez?” PRECONCEITUOSO
5-“Qualquer idiota sabe disso.” IDIOTA
6-“É preciso ser muito ignorante para defender a ideia de que a Europa fez caridade ao espalhar sua “civilização” mundo afora” IGNORANTE

Faça uma pesquisa pela palavra “você” utilizando o seu Browser nessa mesma página e verá que eu não a utilizei uma vez se quer para direcioná-la em sentido pejorativo a qualquer um dos que me responderam, e isso mostra o quanto as pessoas não estão preparadas para ouvir idéias contrárias por mais erradas que essas idéias estejam.

Sim você tem razão, a africa não inventou a escravidão, quando eu coloquei entre aspas a palavra inventou quis dizer que aquela escravidão não foi uma imposição externa, ela já estava ali. O texto até cita esse ponto de vista: “A cobertura da mídia, inclusive a brasileira, que limita o episódio a uma pretensa “guerra tribal”, desresponsabilizando o centro do capitalismo é uma demonstração de como a manutenção do continente africano neste lugar é parte da estratégia do capital”.

Meu objetivo com esse comentário foi dizer o que muitas pessoas não em coragem de dizer exatamente por que serão atacadas de maneira pejorativa, pessoalmente concordo muito pouco com o que EU disse, as duas únicas coisas que concordo do meu comentário foram:

1-O afroativismo na forma como está hoje incita um aumento no racismo.
2-“Por isso eu digo, esqueça sociedade negra, causa negra, raça negra, e seja causa humana, sociedade humana e raça humana será melhor para os próprios humanos de pele escura.”

So que para se defender, se construir argumentos favoráveis a causa A tem que se conhecer os argumentos contrários a mesma causa, se não houver ninguém para defender a escravidão (por mais medonho que seja isso) nos cairíamos no erro da história única, da versão única dos fatos , não teríamos como sustentar nosso argumentos se não houverem argumentos contrários, é exatamente por isso que ao ser “do contra” na verdade eu tenho um efeito super “a favor” de tudo que disseram. Errado é quando ninguém pode se manifestar contra!!! Confesso que tem que ter coragem para passar por cima do próprio coração e defender a escravidão.

e Srs essa é a minha intenção: Youtube: Chimamanda Adichie: O perigo de uma única história.

E Belchior muito obrigado pela espaço, eu vou continuar pregando o Satanismo, porque isso também tem a sua função!

O Stormfront eh censurado? Acabei de acessa-lo. Estah tudo no devido lugar.

Seu comentario se tornou impossivel de acompanhar. Soh uma nota sobre o uso da segunda pessoa. Quando as pessoas observam que seus comentarios tem conteudo racista que nao condizem com o texto principal, nao se espante de escutar comentarios dirigidos a voce. Melhor do que comentarios contra, sei lah, todos os “brancos”. Melhor isolar os que como voce pensam. Nao se faça de vitima: voce sabe muito bem o que fez. Buscou um blog que trata de assuntos relacionados a causa negra e antagonisou. O resultado eh exatamente este, e dos seus comentarios, e de 1 a 6, apenas discordo da numero 5. O resto, pessoalmente, concluo da forma como voce se posicionou aqui.

O texto trata da influencia colonial europeia no conflito de Ruanda.

O que estou dizendo é que: Ao “cometer rapinagem de grosso calibre” o que a primeira vista foi e é ruim ao longo prazo trouxe resultados positivos, ou você tem alguma dúvida que o pobre brasileiro é mais bem tratado que o pobre de Ruanda ou que o pobre da Africa do Sul é mais bem tratado que o pobre da Somália?

Ambos foram explorados e sofreram muito por conta do sistema de exploração europeu, porém, o meu questionamento é que – por pior que seja o sistema dos europeus, o sistema das gueras tribais é pior -. Estou fazendo uma comparação de atrocidades, entre a atrocidade A e a B qual é menos ruim?

O fator “chocante” no meu comentário é tentar mostrar que atrocidades culturais por atrocidades culturais a do europeu nem foi tão ruim assim se comparado ao que os próprios africanos fazem com eles mesmos quando deixados sem a intervenção internacional. Afinal a Franca não interviu em Ruanda para impedir esse holocausto ai e todo mundo a condena por não ter feito nada, por isso a primeira frase do meu comentário.

Caro Pedro CS, sou Branco, mais tenho dois irmão negros, pai negro, avós negras (miscigenação, conhecem????) … e concordo totalmente com seus pertinentes e equilibrados comentários, essa turma do movimento negro tem que entender que quem tem raça é cachorro (todo o respeito a eles, que na maioria das vezes são mais humanos que nos), não humanos. o restante é mi mi mi insustentável, sem o uso de ideias, estas sim, preconceituosas.

Ser miscigenado nao o coloca em posiçao para questionar todo um movimento que questiona porque, no passado, foram escravos, e depois, cidadaos de segunda classe por virtude da raça. Se raça eh coisa para cachorro, avise a PM paulistana. Porque os europeus mantiveram seculos de escravidao baseados em raça? Porque eh coisa para cachorro? Criaram pseudo-ciencias para validar os abusos contra os que consideravam raças inferiores.

O mal jah estah feito, o movimento negro nao eh “mimimi”: alias, ao taxar algo de “mimimi” voce pratica o efetivo “mimimi”. O mal feito eh profundo, e o movimento nao busca prejudicar o branco, mas encontrar lugar na sociedade para o negro e o miscigenado. Sugiro que voce acompanhe melhor o “movimento negro” para entende-lo.

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