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Conceição Evaristo entrega carta oficializando sua candidatura à Academia Brasileira de Letras

Conceição Evaristo oficializa sua candidatura à ABL nesta segunda, 18 (Foto: wikimedia commons)

Nesta segunda-feira, 18, Conceição Evaristo, renomada escritora negra, oficializou sua candidatura ao entregar a carta de autoapresentação para concorrer à cadeira de número 7, originalmente ocupada por Castro Alves, da Academia Brasileira de Letras (ABL). Segundo o Portal da Literatura Afro-Brasileira, a autora escreveu na carta: “assinalo o meu desejo e minha disposição de diálogo e espero por essa oportunidade”.

Na década de 70, na favela do Pindura Saia, em Belo Horizonte, começou a trajetória de Conceição Evaristo. Depois de passar a infância e a juventude em terras mineiras, a escritora se mudou para o Rio de Janeiro em busca de melhores condições de vida. Lá, Conceição realizou mestrado, doutorado e ainda se tornou professora universitária. No ano de 2017, recebeu o Prêmio Governo de Minas Gerais em decorrência do sucesso de seu trabalho.

Com a campanha de incentivo ao ingresso da escritora mineira, que conta com uma petição online, o desejo coletivo para ter uma representante literária negra ganhou mais força. Autora de obras como Ponciá Vicêncio (2003), Becos da Memória (2006), Poemas da recordação e outros movimentos (2008) e Insubmissas lágrimas de mulheres (Nandyala, 2011), Conceição apresenta em seu trabalho a história do Brasil por meio do olhar de quem ocupa esse país na contramão da supremacia branca, elitista e patriarcal brasileira. Da realidade de seus ancestrais às questões cotidianas.

Estruturada e fundada pelo também escritor negro Machado de Assis, um dos principais agentes contra o sistema escravocrata no país, a Academia Brasileira de Letras ainda carece de figuras com o trabalho que contemple as particularidades sociais de uma maneira crítica e literária. A presença de Conceição na ABL tem o poder de promover uma mudança estrutural e intelectual na literatura brasileira, que ainda afasta e pouco valoriza escritoras e escritores negros.

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