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Consciência Negra

Há 54 anos o ativista Malcom X era assassinado

Por Marina Souza

Há exatamente 54 anos, em 1965, um dos mais conhecidos e importantes líderes do Movimento Negro de todos os tempos era assassinado com 14 tiros enquanto discursava em um comício de Nova York. Cinco décadas depois, o ativista que ganhou grande destaque nas décadas de 50 e 60 nos Estados Unidos, continua sendo tema de debates, estudos, pesquisas e inspirações de ativismo dentro e fora de movimentos negros.

Primeira cena do filme Malcom X, dirigido por Spike Lee o longa mostra a história de vida do militante

Infância sob chamas

Nascido em maio de 1925 em Omaha, Malcolm Little teve uma infância recheada de episódios marcantes, que posteriormente o ajudariam a enfrentar os discursos e as práticas racistas tão presentes no território estadunidense. Em 1926 membros da KKK (Ku Klux Klan) atearam fogo na casa onde vivia com sua família, que foi então obrigada a exilar-se para Wisconsin. E como se não bastasse o episódio, três anos depois, quando haviam se mudado para Michigan, a vizinhança branca do bairro articulou uma ação judicial que exigia a saída da família, que não atendeu ao pedido e teve – mais uma vez – a casa incendiada.

Aos seis anos de idade, o pequeno Malcom precisou lidar com o luto da morte do pai, que fora encontrado mutilado em uma ferroviária, e aos treze, presenciou a mãe sendo internada num hospital psiquiátrico. Foi nessa época que passou a morar em uma residência de detenção juvenil sob a custódia de brancos.

Negros, uni-vos

Quando chegou à juventude Little passou a morar no bairro majoritariamente negro de Harlem e tetando sobreviver, entrou para o mundo do crime, que o tornou presidiário durante seis anos e meio. Foi na cadeia que Malcom começou a ler sobre o Islã e envolver-se com a religião.

O líder da Nação do Islã na época, Elijah Muhammad, pregava que Alá era negro e que os afro-americanos deveriam viver em países diferentes dos brancos, como uma espécie de proteção e respeito a identidade da cultura negra. Tomando contato com sua crença, Malcom identificou-se e quis fazer parte do crescente movimento.

Cena do Filme Malcom X em que o personagem, interpretado por Denzel Washington, questiona a cor de Deus

A luta

Logo após conquistar a liberdade, em 1952, ele ingressa oficialmente para a Nação do Islã e retira o sobrenome “Little”, apresentando-se agora como Malcom X. O novo sobrenome foi escolhido porque o ativista não achava justo ressaltar nomes de escravocratas.

O sistema de apartheid, que segregava os negros nos EUA, estava sendo o grande alvo de crítica dos movimentos negros da época. A aproximação de X com discursos e ações antirracistas tornava-se cada vez mais evidente e ele começara a defender que a população negra, que a essa altura era o grupo de maior vulnerabilidade social no país, pegassem em armas e lutassem contra os opressores.

Malcom viajou o mundo conhecendo ativistas de diversas causas e países. Sempre muito polêmico, tornou-se motivo de discordância entre movimentos e militantes dos direitos civis. Havia quem o considerasse extremista e quem o reconhecesse como o grande líder da luta negra do momento.

Três homens que eram de uma corrente islâmica divergente da de Malcom organizaram seu assassinato, que ocorreu no dia 21 de fevereiro de 1965. O emblemático militante negro deixou quatro filhas, a esposa gestante e continua sendo até os dias de hoje lembrado pela sua incansável luta.

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