Categorias
Destaque

MPL e violência da PM: das responsabilidades de Alckmin e Haddad

12472695_547444578755650_4757331258019593764_n

Por Douglas Belchior

Estive na Paulista ontem, 12 de Janeiro de 2016, no ato convocado pelo Movimento Passe Livre, em função dos aumentos das tarifas dos ônibus municipais de SP, do trem e do metrô. De pronto se percebia o que estaria por vir. A presença desproporcional da polícia e seu vasto armamento era a senha. Tinha que dar merda. E deu.

Pudera. Sequer um quarteirão fora totalmente ocupado pelos manifestantes. O cerco covarde, seguido do clássico uso “desproporcional da força”, resultou num massacre, amplamente divulgado pelas redes de comunicação alternativas. Percebi o quanto meu corpo não é mais o mesmo. Nem tão leve, nem tão rápido. E senti mais medo que em Junho de 2013.

Ali, me senti agredido e violentado pela PM, mas sobretudo pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), o comandante em chefe das armas do Estado. Mas também pelo prefeito Fernando Haddad (PT). E quero dizer o porquê.

 

Se quiser se diferenciar, Haddad que cancele o aumento e diga que não admite a barbárie nas ruas de sua cidade. Até lá, na repressão aos protestos contra o aumento, a PM age tbm em seu nome!

Antes ainda, um registro: por mais que se possa discutir e até discordar da forma ou das táticas utilizadas pelo MPL em suas mobilizações – e eu, particularmente não discordo – sua causa é nobre. Estão corretos, a meu ver, não que isso importe, no mérito da questão relacionada ao direito à cidade e a crítica em relação a situação do transporte público. São, portanto, legítimos.

Existe um “tema gerador” dos debates e da mobilização contra o aumento das tarifas (quem gosta de Paulo Freire sabe bem a importância e o significado dos temas geradores). E nesse caso, qual é o tema gerador?

O aumento do valor das tarifas, claro!

Tudo o que decorre a partir daí é sim de responsabilidade (também ou principalmente) daqueles que deram vida ao tema gerador. E quem são?

A medida em que o governador do estado de São Paulo e o prefeito da capital impuseram o tema, este gerou debate e mobilização contrária. Para garantir a imposição de suas decisões, os governantes tem à seu serviço o poder das armas do estado.

Foi assim ontem. É assim sempre.

 

Óbvio que o comando da PM está nas mãos de Alckmin e não de Haddad. Mas esse está a serviço daquele, pela manutenção da decisão política de ambos.

Pouco importa, para quem inala gás lacrimogêneo, sente o cassetete ou é atingido pelos tiros, de quem é a palavra de ordem para o ataque ou a jurisdição à qual responde o batalhão policial. Importa que a violência acontece. E que esta está à serviço da imposição do tema gerador.

Digo isso por perceber a insatisfação de vários correligionários e apoiadores do prefeito diante da co-responsabilização pela violência na Paulista.

Óbvio que o comando da PM está nas mãos de Alckmin e não de Haddad. Mas, fato incontestável neste caso, é que esse está a serviço daquele, pela manutenção da decisão política de ambos. Na política relacionada ao transporte público, Alckmin e Haddad se igualam. Ambos fazem política para deleite e satisfação dos interesses dos empresários do setor. Não há como negar isso.

Que Alckmin e seu governo são fascistas e sua polícia genocida, não tem dúvida. Mas como explicar, pelo amor de Deus, a sintonia das ações entre esses dois governos que se dizem tão diferentes?

Incompreensível, do ponto de vista político, a decisão de Haddad em aumentar as tarifas. Pior: combinar o aumento com Alckmin; Pior ainda: não perceber o quanto se deixa desgastar muito mais que Alckmin em toda essa confusão, se não, vejamos:

Alckmin aumenta as tarifas do trem e do metrô, dois meios de transportes de massas; Haddad de um só, os ônibus municipais; A decisão de Alckmin tem impacto econômico muito maior, uma vez que ela irradia não só na capital, mas em toda a região metropolitana. E em dobro.

Mas onde está o nó, o drible, a finta, a caneta, a bola por debaixo das pernas que Alckmin enfia – repetindo 2013 – em Haddad?

O MPL, acertadamente, elege a capital da maior cidade da América Latina como palco de suas manifestações. A tática de paralisar o trânsito – mesmo sem querer – é, de longe, a de maior impacto numa cidade que depende de carros e rodovias para existir. E em rodovias não transitam trens ou metrôs, e sim ônibus.

Não se trata de lembrar de Haddad e poupar Alckmin, como gritam alguns. Tratam-se de condições objetivas de mobilização e sua efetividade. Isso somado ao controle absoluto dos grandes meios de comunicação e seu consistente bloqueio à imagem do picolé de chuchu, está completa a equação: Haddad se dá mal. Alckmin sai ileso.

E os prefeituráveis Russomano, Datena, João Doria Jr. e Marta agradecem.

Se quiser se diferenciar de Alckmin e do PSDB, Haddad que chame uma coletiva de imprensa, declare o cancelamento do aumento da tarifa dos ônibus e diga que não admite a barbárie promovida pela PM nas ruas de sua cidade.

Até lá, na repressão aos protestos contra o aumento, a PM age também em seu nome.

 

 

#

9 respostas em “MPL e violência da PM: das responsabilidades de Alckmin e Haddad”

Eu pensei que a diferença entre Haddad e os demais candidatos a prefeito fossem gritantes, mas parece, pelo teor do texto, que o escrevinhador da linhas acima não as vê e parece ainda querer dizer que eles são todos iguais. Pobre Haddad! um cara do bem e um bom prefeito que vai fazendo uma administração como nunca se viu em SP. A causa do protesto é nobre, claro. Mas penso ser uma nobreza pequena. Os manifestantes olham a arvore apenas e não veem a floresta.

Douglas,

quando você diz “Na política relacionada ao transporte público, Alckmin e Haddad se igualam” você simplesmente traz o debate pro censo comum. Você joga no lixo todo o restante do seu texto (que concordo sobre os erros políticos). Mas tratar as políticas públicas como equivalentes é no mínimo desonesto.

Sobre o aumento propriamente dito devemos levar alguns pontos em consideração:

1. Trabalhador tem vale-transporte – desconto máximo de 6% do valor do salário (ok nem todos, mas esses não devem comprar bilhete unitário)
2. Estudantes têm tarifa zero (ok, “apenas” os das redes públicas dos ensinos fundamental e médio e das faculdades particulares bolsistas do Prouni e Fies)
3. Aposentados não pagam.
4. O Bilhete Único mensal não terá reajuste.
5. Beneficiários dos Programas Sociais também não pagam.

Se é pra se utilizar de “temas geradores” vamos pontuar todos eles. Do contrário somos apenas replicadores (de esquerda), mas replicadores de censo comum.

Caio, perceba que no texto essa igualdade da política não está colocando que as políticas internas específicas são as mesmas, e sim que ambos tocam tal política num sentido de favorecer o grande empresário.

Ignorar as melhorias no transporte publico municipal na cidade de SP, na gestão Haddad é tão injusto quanto suspeito.
As ações da prefeitura tem resultado evidente para os usuários de ônibus. E a lógica difere frontalmente, desde as mudanças de mobilidade quanto de redução de custo para grupos específicos da com7nidade, como estudantes de escolas públucas e benefi oários do Bolsa Família.
Pode-se, deve-se debater e até criliticar o aumento das passagens, mas comparar com a gestão Alckim8m parece ter motivação política-eleitoral.
Não somos ingênuos. Tampouco, burros.

O MPL que está à frete dos protestos é o mesmo grupo que comandou as invasões das escolas. E em ambos os casos, a “causa” que dizem protestar na verdade é outra. Não era para barrar a reorganização das escolas que as invadiram. Tanto é que continuaram nelas mesmo depois do governador adiar o projeto. Assim como não é pelos R$ 0,30 de aumento na tarifa do transporte que estão vandalizando. Na verdade, eles têm apenas dois objetivos: o primeiro é tirar o foco da mídia dos escândalos do governo Dilma e do PT. O outro, é colocar a população contra Alckmin. Basta saber quem está por trás do MPL.

Esse movimento tem um teor político e partidário.

Não é pelos 30 centavos, como não foi pelos 20. Como exposto acima, grande parcela da população tem descontos ou isenções nas tarifas. E o transporte coletivo é um negócio, deve ser rentável, e com uma inflação galopante e desenfreada (causada pela péssima gestão fiscal do governo federal, aliás), as tarifas tem que ser reajustadas, assim como foram as tarifas de energia (e não vi ninguém depredando o patrimônio público contra o aumento dessa tarifa, que foi, acreditem, de mais de 50% em um ano).

Veja também que esses 30 centavos são um aumento abaixo da inflação (mais de 10% no último ano, segundo estimativa do governo, que, particularmente, desconfio). Também salientar que os combustíveis, principal insumo do transporte, subiram mais de 20% no ano.

Portanto, é impossível não enxergar a motivação política e partidária dessas manifestações. E a polícia está certíssima em reprimir vândalos e arruaceiros, que, apesar de não serem todos, formam a base desses movimentos criminosos.

Não defendo Alckimin ou qualquer político do PSDB (sou paranaense e estamos sofrendo absurdos nas mãos do Richa). Não confio no partido e nem gostaria de ter Aécio Neves como presidente. O “S” da sigla já diz tudo a respeito da sua ideologia, que não difere muito da petista, apesar de militantes bradarem o contrário.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

code