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“Os racistas não entram no Reino dos Céus”, diz pastor

Por Douglas Belchior

 

Há alguns anos eu participava de uma das inúmeras e intermináveis reuniões de preparação da Marcha da Consciência Negra de 20 de Novembro, quando um homem negro, alto, barbudo e com um vozeirão potente pede a palavra para falar sobre a importância de, em um espaço amplamente dominado por representações das religiões de matriz africana, haver também espaço para os evangélicos. Foi incrível! Evangélicos pentecostais em meio ao movimento negro brasileiro? Mas os pentecostais não são reacionários e alguns até mesmo racistas em suas práticas religiosas? Não! Aliás, aprendi isso com ele, neopentecostais reprodutores de valores reacionários, machistas, homofóbicos e racistas são minorias barulhentas.

Esse homem era o Pastor Marco David, autor do livro “A religião mais negra do Brasil“, onde expõe os motivos que levaram 8 milhões de negros a preferirem as religiões pentecostais no Brasil. Essa semana ele organiza a Conferência Nacional Negritude e Evangélicos: Reflexão, Resistência e Engajamento, no Rio de Janeiro, com participação especial do Reverendo John Perkins. Abaixo um registro do portal Ultimato, que entrevistou o religoso.

Vale a leitura:

 

 

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De Ultimato

As palavras são duras, nascidas de um pastor batista negro que enfrenta as barreiras do preconceito no Brasil. Marco Davi é pastor da Igreja Batista em Parque Dorotéia, São Paulo, mestre em Ciências da Religião e coordenador-fundador da ANNEB (Aliança de Negras e Negros Evangélicos do Brasil). Na entrevista a seguir, Davi fala sobre a luta por uma “reconciliação racial” e sobre a Conferência Nacional Negritude & Evangélicos que começa nesta quinta-feira, dia 13, e termina no sábado, dia 15, no Rio de Janeiro (RJ).

Portal Ultimato – Qual o objetivo da Conferência Nacional Negritude e & Evangélicos?

Marco Davi – Temos como objetivo consolidar o Movimento Negro Evangélico enquanto organismo agregador de todos os movimentos e iniciativas evangélicas de negritude. Para isto, precisamos tornar realidade o objetivo do Movimento Negro Evangélico: engajar, agregar, motivar e potencializar todos os organismos e grupos evangélicos que trabalham, discutem e mobilizam em torno da questão racial no Brasil, a partir da Igreja Evangélica e nos movimentos sociais.

Entrev_12_11_14_Marco_Davi_PerfilA Conferência Nacional Negritude & Evangélicos não é um evento único, mas o início de um processo que culminará na formação de uma rede de organizações, pessoas e igrejas que trabalham a temática da população negra no Brasil e fora dele. Queremos realizar em 2015 o Congresso Nacional Negritude & Evangélicos e, se Deus permitir, em 2016, o Congresso Latino Americano Negritude & Evangélicos.

Portal Ultimato – Um dos preletores será John Perkins, uma das grandes vozes na defesa da reconciliação racial. O que Perkins poderá acrescentar à Igreja Evangélica Brasileira?

Marco Davi A presença do Rev. John Perkins por si só já é um presente para nós como negros e como igreja. A sua história de luta pelos Direitos Humanos, na organização da população negra do Mississipi e nos Estados Unidos já o qualifica para estar entre nós. Suas propostas de reconciliação que não deixam de lado a necessidade de igualdade farão com que tenhamos novas perspectivas. Até, quem sabe, novos discursos sobre a questão negra entre nós.

Portal Ultimato – Quando falamos de “reconciliação racial” do que estamos falando?

Marco Davi – Creio que, no Brasil, precisamos elaborar mais o assunto. Precisamos lutar pela reconciliação. Mas para que isto aconteça duas coisas são necessárias e importantes. Primeiro, os negros devem gostar de serem negros. Há uma autoestima baixa entre os negros do Brasil em geral. Muitos têm dificuldades até de discutir o assunto sobre raça. Outros procuram se juntar mais e mais com brancos, não porque acham natural, mas porque têm dificuldades com a sua cor da pele, sua raça. Não é porque eles sejam racistas, , como afirmam alguns preconceituosos (até porque os racistas sempre são aqueles que fazem parte do grupo de maior poder econômico, politico e sistêmico). Portanto, é impossível, de forma radical, que os negros sejam racistas. Mas quando alguns têm sentimentos racistas, como sabemos de alguns que nutrem esse sentimentos pecaminosos, o fazem talvez porque não se aceitam como são: imagem e semelhança de Deus.

Outra realidade importante para que haja reconciliação entre negros e brancos no Brasil são os brancos compreenderem que eles têm vantagens no Brasil. Os brancos pobres ou ricos já nascem com vantagens nesta nação. A raça dos brancos não foi escravizada por mais de 350 anos. Os brancos têm vantagens emocionais, psicológicas, econômicas, sociais, geográficas, etc. Os brancos não são o objeto principal da violência policial, mas sim os negros. São os negros que precisam conversar com os filhos que sofrem angústias por serem discriminados no país. E muitas outras coisas.

Não estou legitimando a postura de “coitados” para os negros, mas sim mostrando que se os brancos não reconhecerem isso, que o Estado brasileiro deve à população negra, não conseguiremos muitas avanços. A reconciliação sem direitos é imposição da Injustiça.

Portal Ultimato – Quando defendemos os negros, desvalorizamos os brancos?

Marco Davi De maneira nenhuma. Os brancos e os negros são imagem e semelhança do Pai. O que queremos falar com a defesa dos negros – e que causa sim muitas dificuldades para brancos e negros pelos motivos ressaltados acima – é a busca dos direitos diante desta sociedade que evidencia o racismo e a sua exclusão. O Estado do Brasil deve muito aos negros que trabalharam muito sem nada receberem, somente alimentação horrível, violência, estupros, segregação, imposições de leis que favoreciam aos brancos da época, principalmente, aos ricos e fazendeiros, etc. Quando os negros estavam prontos e preparados para o trabalho e próprio ganho pessoal e não para seus senhores, o Estado do Brasil criou outras formas de prejudicar os negros, como a lei do ventre livre, o branqueamento que posteriormente se tornou uma política a partir da qual muitos brancos de outros países vieram para cá subsidiados pelo governo. Foi muita covardia. Se o Brasil não reparar isto continuará sob o juízo de Deus.

Portal Ultimato – Um assunto urgente é a violência que tem os jovens negros como as maiores vítimas. Para este assunto, haverá uma mesa de debate. Qual a gravidade do tema?

Marco Davi Agora mesmo saiu uma pesquisa que mostra que os negros jovens são as maiores vítimas da violência. O Mapa da Violência no Brasil 2014 revela isto. Em todo o país, sete jovens são mortos a cada duas horas. São 82 jovens mortos por dia, 30 mil por ano, todos com idades de 15 a 29 anos. E, entre os jovens assassinados, 77% são negros (somando aqui os pretos e pardos, pelos critérios do IBGE).

Isso é muito grave, porque basta ser negro. Ninguém está preocupado se ele é evangélico, do candomblé, ou católico. É negro e ponto. O que é muito triste é ler alguns comentários nas redes sociais de gente que é racista, mas nunca tem coragem de avisar ao outro. Nesta hora, esta gente se sente livre e detona o seu azedume racista. Gente de igreja também que diz não ser bem assim, que isso é notícia plantada. Ora, quem vai plantar uma desgraça dessa? Qual objetivo? Isso é uma realidade, e a violência pode atingir também aos cristãos, como já tem acontecido.

Confesso que tenho medo, pois tenho um filho de 18 anos e uma filha de 16. Negros lindos por sinal, estudiosos, dedicados. Quando eles saem, eu fico com muito medo do que pode acontecer. Como cristão e pastor, coloco, é claro, nas mãos do Senhor. Mas digo a Ele que o medo existe, porque moro no Brasil onde os negros – como em outros lugares – são preteridos em muitas coisas. O negro é objeto de violência em primeiro lugar.

A igreja brasileira denominou alguns problemas no Brasil como coisas do diabo, tais como: homossexualismo, casamento gay, aborto, etc. Mas tantos jovens negros são assassinados no Brasil e isso nunca foi motivo para levante midiático, campanhas no Youtube, Facebook, televisão , etc. Ou seja, o genocídio aos negros pode continuar, desde que não atinja os dogmas religiosos das igrejas. Mas o que será o que o Senhor Jesus dirá à nossa igreja do Brasil? Racismo é pecado. E quando você que é racista e acha que os negros devem morrer mesmo, não devem nem falar sobre direitos, e devem continuar no seu lugar, estiver lendo este texto, peça perdão ao Senhor e peça a ele que tenha misericórdia de sua vida. Porque talvez você, no juízo final diante do Senhor, o encontre negro. E isso acontecendo, ele dirá “apartai de mim maldito para o fogo eterno”, pois racistas não entram no reino dos céus.

Serviço:
Conferência Nacional Negritude & Evangélicos
Tema: Reflexão, Resistência e Engajamento
Data: 13, 14 e 15 de novembro
Local: Seminário Teológico Batista do Sul (RJ)
Informações: AQUI

15 respostas em ““Os racistas não entram no Reino dos Céus”, diz pastor”

Muito rica essa reportagem. Realmente, a causa do negro é tão importante quanto qualquer outra causa de desfavorecidos pela sociedade. Essa discussão deve ser ampliada.

Acho muitíssimo perigoso acreditar nestas afirmativas sobre os neopentecostais … Estas visões não são maioria. Há maioria reproduz estes preconceitos que são um núcleo de doutrina e cujos líderes estão muito longe da teologia. Há inclusive quem pense que é uma seita … e seus tentáculos chegam à política e à mídia.

Pra começar não existe esse tal paraiso e você sabe muito bem disso. E esse preconceito tão alardeado não passa de um complexo ou dengo da parte dos próprios negros, Outro dia eu fui falar que dei uma topada porque tava escuro, uma senhora negra queria me processar por racismo. Pra mim os negros são tão iguais que nem deveria ter tanta diferença nos tratamentos. Por exemplo: Chamar um gordo de rolha de poço, chupeta de baleia,,, ou um branquelo de tapuru de goiaba, um míope que usa óculos de 4 olhos, um careca de pouca telha ou aeroporto de mosquito, um baixinho de tamburete de puta ou pintor de rodapé, um magro de vara ou desnutrido, tudo isso pode… Mas se chamar um negro de picolé de breu, Santa mãe de Deus!, é racismo, é preconceito, é descriminação, é um crime hediondo!!!… Porque tanta diferença se a luta é pela igualdade?

A primeira coisa que os negros protestante – eu digo protestantes, porque Cristão, é outra coisa – devem fazer com muita atenção é procurar saber onde ficam no mapa, certas regiões citadas na Bíblia: Egito, Kush, Etiópia, só para ficar nestes três primeiros. A segunda é se perguntar a etimologia da palavra Bíblia, e o porque dela ser chamada assim. A terceira é investigar a origem dos Hebreus, povo protagonista no livro revelado e suas relações como o Egito.

Digo isso, porque como historiador de africano, estas três regiões estão precisamente na África e se Agar a serva de Abrão, que se tornou Abraão era egípcia, então precisamente era negra, até porque estamos falando de milênios antes do Cristo. Aliás a própria região onde nasceu Abraão, Ur, deve ser investigada, porque trata-se de um local, onde existia um povo chamado Sumérios, que segundo autores(as) renomados, chamava a si mesmos de ´´cabeças pretas“, para diferenciá-los de outros povos daquela região.

Um outro ponto importante, é procurar estabelecer vínculo entre a religião dos Hebreus, de cunho familiar, onde os ancestrais são reverenciados e as religiões dos povos traficados para o Brasil, particularmente os Iorubas, Bantos, Fons, Nagôs, Haussás, etc O que as crenças destes povos têm em comum, com a religião dos Hebreus.

Porque o que nós temos como ´´Cristianismo“ no Brasil é o resultado de séculos de distorção histórica, provocada pela Igreja Católica, que colocou um Jesus branco no centro da religião mais conhecida no mundo, e fez dele um homem europeu, quando precisamente ele nunca o foi, porque era Hebreu. E a partir deste prisma, criar todo um arcabouço perverso e racista à cerca dos negros, com aquela maldita e muito mal explicada história de Can.

Enfim, faz-se necessário aos negros evangélicos compreender historicamente o livro que têm em mãos e estudá-lo à luz da História e da Antropologia, sob pena de continuar a reproduzir manifestações racistas que muitos fundamentalistas e não é um número pequeno como foi mostrado no texto, fazem contra as religiões afrikanas no Brasil.

Parem de fazer o avaliação dos comentários com programas de computadores que apenas verificam as palavras , essa ascensão da ultra direita e motivado por isso; antes tinham vergonha de se exporem e talvez algum poderia mudar de ideia com o passar do tempo, agora é moda ser cre-tino para polemizar…contrate um ser humano para ser o mooderador ;por favor

Belchior. Parabéns mais uma vez pela publicação. Disponibilizar temas e espaço para discussões já é um grande avanço na luta contra a desigualdade social, que, infelizmente, pelo nível dos cometários, ainda está muito longe de acabar. Não esmoreça jamais. Não podemos retroceder.

Isso de negros morrerem mais e colocarem a culpa disso no racismo é a maior falácia que existe, é uma extrema desonestidade intelectual.

O fato é que consideram pardos como negros, sendo que pardos são misturados, e basicamente deve-se lembrar que o Brasil é um país com MUITOS pardos, a maioria é parda. Logo, é óbvio que por estatísticas os pardos morrerão mais.

De qualquer forma, se analisarmos o tal mapa da violencia (http://www.mapadaviolencia.org.br/pdf2012/mapa2012_cor.pdf) podemos ver claramente que onde mais morrem pardos e negros vitimas de homicidio são justamente no nordeste e no norte, e adivinhem? Regiões que são de maioria negra e parda, logo, é bem provável que pardos acabem sofrendo MUITO MAIS homícidios, já que a maioria dessas regiões são pardas, questão meio óbvia.

Mas o vitimismo desse povo de esquerda é tão grande, que no momento que um negro mata um negro, ele entrará na lista de homicidios e o culpado vai ser o ‘racismo e a opressão dos brancos sobre os negros’, quando um pardo mata um pardo, mesma coisa, e é óbvio que é o QUE MAIS ACONTECE. Basta lembrar que normalmente pessoas ligadas ao trafico quase sempre são pardos e negros, e traficantes sempre estão envolvidos com muita violência, também devemos lembrar o obvio, que MILHARES DE POLICIAIS são também negros e pardos, logo, quando um policial negro ou pardo mata um bandido pardo ou negro é também racismo? De acordo com os esquerdistas vitimistas e racialistas, sim.

Mas coerência não é o forte dessas pessoas…

Bíblia sofre traduções mas é uma! sua pregação é contextualizada e adaptada a cultura local (na Africa do sul os cultos são ritmados e dançantes). Jesus diz :” todo olho vera, todo joelho se dobrara e toda língua confessara… ” isso já seria o impossível e improvável tornando possível e provável (fuso-horário) mas nós não conseguimos fazer com a bíblia que embora e sendo relevante frisar ser de uma semântica divinamente “Inspirada” mas não conseguimos fazer com que seu ensino seja absolutista(o mesmo pelo mundo) por quanto a bíblia está presa as convenções linguísticas e filológicas que encontram “o arbitrário da signo” (Saussure ) que existe em toda língua . assim sendo por motivos expressos culturais e´ por conveniência de elites protestantes brasileiras(Não é porque eles(negros) sejam racistas, , como afirmam alguns preconceituosos (até porque os racistas sempre são aqueles que fazem parte do grupo de maior poder econômico, politico e sistêmico). Portanto, é impossível, de forma radical, que os negros sejam racistas.,Pastor Marco Davi) toda discursão racial dentro das igrejas brasileiras são tratada na superfície, sua ferida sendo profunda é controlada e superficialmente tratada com o Merthiolate Pastoral pois temos em conta que tudo que arde cura, dizia nossa avó. E a bem da verdade a igreja católica no anos de chumbo(1964-68)teve papel relevante social com padres mortos outros caçados pela ditadura que se instalara neste pais nos lançando no subdesenvolvimento por longo tempo, enquanto que nossas doutrinas protestantes absortas nos jeitinho brasileiro eram coniventes com a repressão como foram com a escravidão na época dos Holandeses. ^OO^

Genocídio negro? Quantos destes jovens negros foram assassinados por outros negros membros de gangue e do tráfico? Quantas músicas de funk proibidão incitam à violência? Quantos jovens delinquentes nasceram de encontros em visita íntima presidiária?
E quanto ao universitário Victor Hugo Deppman que trabalhava de estagiário numa rede de TV que foi assassinado no portão de seu prédio quando voltava para casa na Bresser/Belém em SP? E quanto ao jovem que era professor voluntário de inglês para crianças pobres e que levou um tiro ao se agachar para fechar seu portão pois não tinha dinheiro para dar aos meliantes? E quanto ao ortopedista de 36 anos Dárcio Maurício Correia alvejado em São Caetano do Sul? E quanto ao pai assassinado no carro na frente de sua família por uma garota de 14 anos? O que vejo é uma classe média acuada, que paga impostos do nível de países escandinavos num país que nunca investiu em educação, onde não há planejamento familiar. Onde os parlamentares estaduais se ocupam em mudar nome de ruas e praças como foi proposto que se mudasse o nome do parque da Aclimação para o condenado bispo Estevam, esposo da bispa Sônia Hernandes.

Em Goiás um jovem matou outro aluno branco da escola que havia se mudado para a região por este ser branco, desfigurando o rosto do garoto e um homem no Rio de Janeiro matou dezenas de mulheres brancas apenas por serem brancas.

Minha pergunta é: por que os homens negros e miscigenados não podem ajudar as mulheres negras a criar seus filhos ao invés de abandoná-las como as estatísticas registram?

Um verdadeiro genocídio afrodescendente acontece quando pastores evangélicos neopentecostais associam tudo o que é de origem da cultura africana subsaariana, inclusive o berimbau, o acarajé e até mesmo o saci-pererê, com uma origem demoníaca ou práticas satânicas e quando parlamentares da bancada evangélica fazem declarações associando os negros e a África à uma maldição após Noé ao povo de Canaã e seu paganismo africano.

Em primeiro lugar os negros devem se amarem !!!!! se discriminam de tudo quanto é jeito !!!!! um policial pegar pesado quando o sujeito que está sendo abordado é negro, mesmo sendo o próprio policial negro !!!! vigilantes com clientes negros, médicos enfermeiros,motoristas de onibus, cantor, jogador de futebol, artistas e se continuar aqui escrevendo vai atingir a muitas funções, que os próprios negros fazem acepção por causa da cor da pele.

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