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Nazi-fascismo

Skinheads irão a Júri Popular em São Paulo

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Por Toddy Wander – Movimento Anarcopunk de SP

 

De 1º e 4 de julho será realizado o julgamento dos quatro skinheads que atacaram diversas pessoas durante um evento em repúdio à homofobia e ao racismo, no centro de São Paulo, em 26 de fevereiro de 2011. O julgamento será no Fórum Criminal Ministro Mário Guimarães (na avenida Dr. Abraão Ribeiro, Barra Funda, São Paulo).

O ataque ocorreu durante a Jornada Anti-Fascista, organizada desde o ano 2000 pelo Movimento Anarcopunk de São Paulo. O evento se dá em homenagem ao adestrador de cães Edson Neris da Silva, homossexual que foi espancado até a morte em 6 de fevereiro de 2000, na praça da República, centro de São Paulo.

“Eles nos vigiavam desde o início das atividades na Praça da República. Faziam saudações nazistas e ameaças em público”, contou uma testemunha.

Uma das vítimas é deficiente e não tem uma das pernas. Ele foi atacado a 500 metros antes do local do evento, na rua Anita Garibaldi, em frente ao Corpo de Bombeiros, na Praça da Sé.

“Eles gritavam: vamos arrancar a perna dele – referindo-se a prótese usada pela vítima – então fui atingido com um taco na cabeça e desmaiei. Acordei quando estava sendo atendido pelos bombeiros”. Disse a testemunha.

Ainda segundo ela, as pessoas gritavam: “Eles agrediram um rapaz na frente do Corpo de Bombeiros. Era clara a intenção de matar. Não só pelas armas que carregavam, mas também a forma como golpeavam. Eles contavam as vítimas e diziam: ‘menos um macaco’.”

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Um rapaz foi ferido de forma muito profunda no braço. Outro foi esfaqueado no abdômen, e a quarta vítima esfaqueada na cabeça –a faca atravessou o crânio e atingiu o cérebro.

 

Os skinheads foram presos com uma espingarda de chumbinho, munição, dois facões, uma faca, três canivetes, um soco inglês e uma machadinha.

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Uma das armas trazia um símbolo nazista e a inscrição “Impacto Hooligan”, um grupo neonazista envolvido em outros crimes e já conhecido pela polícia paulista por perseguirem negros, gays, imigrantes e nordestinos.

 

Jorge Gabriel Gonzales, Milton Gonçalves do Nascimento Júnior, na época com 20 anos, Raphael Luiz Dierings, de 18 e Rogério Moreira, de 23 foram presos em flagrante. Um adolescente, 17, foi encaminhado à Fundação Casa após confessar participação, e liberado depois de cumprir medidas sócio educativa.

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Um sexto acusado conseguiu a suspensão do processo. Ele tem envolvimento no atentado a bomba que feriu 21 pessoas após a Parada Gay de 2009. Todos os acusados, mesmos presos em flagrante por tentativa de homicídio, aguardam o julgamento em liberdade.

É triste ver a forma subjetiva com que o judiciário brasileiro trata protagonistas de crimes hediondos como esse. Além das agressões e das tentativas de homicídio, há também o crime de prática de nazismo, que pouca atenção vem despertando.

Segundo leis internacionais das quais o Brasil é signatário, em especial o Estatuto de Roma, bem como leis brasileiras a exemplo das nºs 7.716 e 2.889, crime de homicídio praticado com foco a perseguir um grupo específico de pessoas sistematicamente (por cor, raça, etnia, religião, orientação sexual ou condição social) devem ser severa e exemplarmente punidos.

É o que esperamos.

 

 

5 respostas em “Skinheads irão a Júri Popular em São Paulo”

Esta é a justiça brasileira, 3 anos para julgar esses assassinos. Quero saber como eles vão se relacionar com os outros preso, que são de origens que eles odeiam, certamente vão virar esposas dos prisioneiros, Um belo fim para nazistinhas de merda

Não acho que seja subjetiva a forma como a Justiça age nesses casos. Atos dessa gravidade, em que os agressores se organizam para aterrorizar, perseguir, agredir brutalmente e matar pessoas à luz do dia, não podem ser premiados com a liberdade. Esses animais representam perigo à sociedade e não podem conviver com ela, a não ser enjaulados! A Justiça atua de forma objetiva e inexplicavelmente branda e condescendente! Enquanto milhares, até sem culpa formada, permanecem anos presos aguardando por um julgamento, criminosos perigosos, presos em flagrante após cometerem crimes atrozes e hediondos, aguardam em liberdade, flanando entre pessoas indefesas! Depois ficam indignados quando a população acusa a Justiça de omissa, seletiva, venal e covarde!

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