Quem é Douglas Belchior

Fugiu das estatísticas da morte, que revelam a morte violenta de um jovem negro a cada 23 minutos no Brasil. Foi o primeiro da família a se formar num curso superior, orgulho da mãe trabalhadora doméstica e do pai operário e dono de boteco. Tornou-se professor e uma das principais lideranças do movimento negro e do movimento de defesa dos diretos humanos no Brasil. Um homem negro vivo, mental e fisicamente saudável, no país escravagista que mais mata pessoas negras no mundo. Este é Douglas Belchior.

Douglas Elias Belchior, Douglas Belchior ou Negro Belchior como também é conhecido, nasceu em Suzano, mas cresceu em Poá, cidades vizinhas na grande São Paulo (SP).

Filho de Seu Mineiro e Dona Elza, casal de uma roça do Sul das Minas Gerais, que vieram para São Paulo na segunda metade dos anos 70 tentar uma vida melhor, Douglas teve uma infância dura, comum às famílias de trabalhadores pobres e periféricos daquela época. 

Aos 7 anos vendia bolinho de chuva e geladinho na passarela da estação de trem de Ferraz de Vasconcelos. Até os 12 trabalhou nas ruas vendendo doces e balas. Depois disso, como “Guarda Mirim” em Poá,  peregrinou por trabalhos até chegar, em 1992, aos 13 anos de idade, numa fábrica de cimento e tijolos para fornos de usinas de aço e ferro. Período fundamental de sua formação profissional e humana, ficou até os 22 anos. Ali conheceu o Sindicato da Construção Civil e o Partido dos Trabalhadores. Foi uma longa caminhada, conciliando trabalho e estudo, até se formar em História pela PUC-SP em 2009.

Iniciou sua trajetória de ativismo político em grupos de juventude da igreja católica e no movimento estudantil secundarista. A partir de 1999 passou a construir o movimento e cursinhos populares e comunitários da Educafro. 

Em 2009, foi um dos fundadores da Uneafro-Brasil, movimento de luta contra o racismo através da prática da educação popular e voltado para a conquista de direitos da população negra e periférica ao acesso à universidade. Ajudou a construir a emblemática Frente Pró Cotas Raciais do Estado de São Paulo, uma das iniciativas responsáveis pela pressão social que levou as universidades públicas paulistas a adotarem, tardiamente, cotas raciais em seus mais diversos cursos.

Para além de sua atuação no campo da educação, a sistemática violência racista o levou a trabalhar também na denúncia cotidiana da violência policial. Em São Paulo foi um dos fundadores do Comitê de Luta Contra o Genocídio. 

Douglas belchior falando ao microfone

Sua atuação em defesa da Educação e o enfrentamento ao racismo e a violência policial atravessou fronteiras. Entre 2013 e 2018 foi dos mais lidos colunistas da revista Carta Capital, com o Blog Negro Belchior. A repercussão de seu trabalho o levou a ser convidado para palestras em universidades nos EUA, tais como Universidade do Texas, em Austin, Universidade de Brown, em Providence, Universidade de San Diego, na Califórnia, e por duas vezes em Harvard & MIT, em Boston. Como defensor de Direitos Humanos trabalhou no Fundo Brasil de Direitos Humanos entre 2018 e 2022. Nos últimos anos se dedicou a construir a Coalizão Negra por Direitos, a principal aliança nacional de movimentos negros, que reune 340 organizações e entidades, em atividade desde 2019. 

Militante do movimento negro desde o final da década de 1990, Douglas Belchior se filiou ao Partido dos Trabalhadores em 1998. Em 2006, rompeu com os petistas e ajudou a fundar o Partido Socialismo e Liberdade.

Pelo PSOL, disputou as eleições de 2012 (vereador em Poá), 2016 (vereador em SP) e 2014 e 2018 (deputado federal). Em dezembro de 2021, anunciou seu retorno ao PT, em grande evento no Teatro Oficina, com a presença de Gleisi Hoffmann, presidenta da legenda, e do ex-ministro Fernando Haddad.

Em 2022 Douglas Belchior será candidato a deputado federal. Terá como foco de sua campanha a defesa da educação pública, do meio ambiente, dos direitos humanos, e o combate ao racismo e à fome, que avançaram no país, durante o governo de Jair Bolsonaro. Também trará para o debate público, mais uma vez, o genocídio da população negra, que passa pela reflexão sobre as políticas de segurança pública.

Educação e Movimento Negro 

Hoje, a Uneafro possui 31 núcleos, sendo 26 em São Paulo e 4 no Rio de Janeiro e 1 na Bahia. Por ano, a entidade coopera para a inserção de centenas de estudantes nas universidades públicas do país. Douglas Belchior é professor da Uneafro e um dos responsáveis pelo programa de ensino aplicado nas unidades.

Pela Coalizão Negra por Direitos, Douglas Belchior levou as pautas do movimento negro brasileiro para diversos países. Seu trabalho de articulação estreitou a relação entre movimento negro brasileiro e movimentos negros da diáspora. Black Lives Matter nos Eua e na Europa, grupos de luta contra o racismo na America Latina e na África. Em defesa da vida da população negra já denunciou violações de direitos em sessões oficiais da CIDH-OEA e ONU em Washington DC e Nova York nos EUA, em Kingston na Jamaica, em Porto Príncipe no Haiti e em Genebra, na Suiça.

Na ONU, em julho de 2021, Douglas Belchior denunciou o atual presidente da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo, à Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), por violações dos direitos humanos e dos interesses da população negra.

Em novembro de 2021, Douglas Belchior desembarcou em Glasgown, na Escócia, onde representou a Coalizão Negra por Direitos na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 26). Como parte da Comitiva do Movimento Negro na Europa, denunciou o racismo ambiental e dialogou com parlamentares e lideranças politicas em Madrid na Espanha, Paris na França e Berlin, na Alemanha. Tornou-se referência no tema, responsável por um amplo debate na mídia nacional.

Em 11 de agosto, o movimento negro, pela primeira vez na história, protocolou um pedido de impeachment de um presidente. Douglas Belchior protocolou, no Congresso Nacional, o documento que pedia a destituição de Jair Bolsonaro do cargo.

Em Brasília, Douglas Belchior levou as pautas do movimento negro às casas legislativas e se reuniu com representantes do Senado e da Câmara dos Deputados, para exigir o respeito às demandas do povo preto nas periferias e garantir o direito à educação, à segurança pública, saúde, previdência, trabalho, à terra, território e justiça ambiental.

Prêmios

Prêmio Almerinda Farias Gama – Smpir – Prefeitura de São Paulo, 2017 – Matéria | Materia2

Prêmio Zumbi dos Palmares – S.O.S. Racismo – Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, 2016 – Matéria | Fotos

Prêmio Dr. Benedicto Galvão – OAB-SP, 2015 – Matéria | Vídeo

Prêmio Movimento Nacional de Direitos Humanos, 2015

Prêmio Virada Sustentável-Catraca Livre, 2014

prêmio zumbi dos palmares alesp 2016

Articulações em defesa da diversidade e de direitos humanos

2019 – Ação de incidência política da Coalizão Negra por Direitos, uma articulação de reúne mais de 50 organizações negras de todo país, junto ao Congresso Nacional, para para barrar projetos de lei que retiram direitos e atentam à vida da população negra – Ação no Senado Federal – Matéria do SenadoMatéria Alma PretaArticulação no CongressoVídeo íntegra Audiência Pública no Senado

2019 – Denúncia de violações do estado e propostas de segurança pública do governo federal e estados brasileiros à CIDH-OEA, na Jamaica –  Vídeo da integra da Audiência OficialTexto Brasil de FatoTexto GNNPublicação da CIDHPublicação da CIDH2

2019Tendências e Debates – Folha de SP – com Selma Dealdina, Conaq –  sobre comitiva brasileira composta por representantes do movimento negro à 172. Sessão Extraordinária da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, na Jamaica, em ação de denúncia do estado brasileiro e das propostas do governo Bolsonaro para a segurança pública.

2019 – Sobre os 10 anos da Uneafro Brasil e a luta negra pelo direito à Educação – TextoVídeo 1Vídeo 2

2019 – Challenges to Brazilian Democracy Conference – The Brazil Initiative at BrownFOTOSVÍDEO íntegra

2017 – Brazil Initiative – Brown University – Education and the Struggle for Equality and Social Justice

2017Resistance to Black Genocide in the Americas – Brazil – Resistance to Black Genocide. (Seminário)

2017 Smart on Crime – The Innovations Conference – John Jay College em New York – US .

2017Reform Conference – Atlanta, Georgia – US

2017 – Brazil Conference – Harvard & MIT. “Violência Urbana: problemas e potenciais soluções”. (Congresso) – Matéria Folha SPMatéria GeledésVídeo

2015 – Univerty de Austin – Depto. Estudos Negros – Seminário: Genocídio Negro Genocídio Negro.

Registros em Áudio e Vídeo

Registro da Ação da Coalizão Negra por Direitos no Senado Federal – Junho de 2019

Participação no Programa Bom Para Todos – Rede TVT

Íntegra da audiência oficial da CIDH com Comitiva Brasileira de representantes de movimento negros, na 172. Sessão Extraordinária da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos, em Kingston, na Jamaica, em 9 de Maio de 2019.

Lembrança mágica de um encontro com o inesquecível Abujamra e o menino prodígio Gustavo Santos, no Provocações, da TV Cultura. Tive a honra de participar. O Programa foi ao ar em 13 de Maio de 2015, pouco antes da morte do apresentador.

Bate papo com o Ator, diretor, apresentador, escritor e grande parceiro na defesa de direitos humanos no Brasil, Lazaro Ramos – Abril de 2017

O que é Democracia para você? Depoimento para a Fundação Fernando Henrique Cardoso em 2017

Denúncia internacional – Brown University – US

Denúncia Internacional – Marielle lives, free Lula and stop black genocide!

Participação na Brazil Conference em Harvard – US

Entrevista para o irmão Max B.O, no programa Manos e Minas, pela TV Cultura de SP no dia 29 de Março de 2014

CQC – Rede Bandeirantes – 2013

Matéria da TVT – Trabalho de educação popular na Uneafro Brasil

Jornal da TVT

Matéria da TVT – Trabalho de Educação popular na Uneafro Brasil

Prêmio e protesto na OAB de São Paulo

Piloto do Programa “É tudo Nosso”, produzido pela TVT – TV dos Trabalhadores, com apoio da Secretaria Municipal de Direitos Humanos da Prefeitura de SP

Entrevista ao irmão Max B.O – Youtube

Depoimento oficial em Audiência Pública no dia 24/05/16, realizada na Câmara dos Deputados pela Comissão Especial do PL 2438/15 – Enfrentamento ao Homicídio de Jovens

Entrevista TV Carta – Amigos Érico Brás e Kênia Maria

Ação em Direitos Humanos

Agulha do Palheiro – Representação política

Provocações – TV Cultura – O que é a vida?

Direitos Humanos na História

Representação política

Sobre democracia

O que falta para vivermos uma democracia racial – parte 1/3 – Rede TVT

O que falta para vivermos uma democracia racial – parte 2/3

O que falta para vivermos uma democracia racial – parte 3/3 – Tede TVT

20 de Novembro na Carta Capital

20 de Novembro na Record News

Festival Afro music

Tribunal Popular – Faculdade de Direito da USP

Programa Espelho – Canal Futura

Pretinho Básico!

Representação política

Violência policial

Educação popular