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Genocídio Negro

Movimentos denunciam pacote anticrime, de Sérgio Moro, na Corte Interamericana de Direitos Humanos

Por Marina Souza

Na última quarta-feira (20), diversos grupos ativistas dos Direitos Humanos protocolaram um documento de denúncia ao projeto do pacote anticrime, apresentado pelo ministro da Justiça Sérgio Moro, e encaminharam à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão autônomo da Organização dos Estados Americanos (OEA), que já está analisando o registro.

Basicamente, o documento pede um posicionamento do órgão sobre as medidas e a disponibilização de um observador internacional para acompanhar o caso no Brasil.

As redes Uneafro Brasil, Alma Preta, Aparelha Luzia, CEERT, Cooperifa, Casa no Meio do Mundo, Desenrola e Não me Enrola, Movimento Negro Unificado, Marcha das Mulheres Negras, Núcleo de Consciência Negra na USP e Fórum Permanente de Igualdade Racial são apenas alguns dos 41 nomes que assinaram o escrito.

Para Regina Santos, militante há mais de duas décadas no Movimento Negro Unificado (MNU), o pacote propõe a institucionalização dos genocídios que já estão em curso no país. Ela acredita que ações como essa são fundamentais, pois possibilitam que haja repercussão do assunto em nível internacional, fazendo com que organismos de diferentes poderes sociais possam se posicionar contra as ameaças aos Direitos Humanos.

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

“Esse pacote deveria ter outro nome. Pacote do crime, pacote antinegro, pacote do genocídio. É um ministro criminoso que propõe a barbárie para a sociedade brasileira”, falou Douglas Belchior, coordenador e professor da Uneafro.

De acordo com as organizações, as políticas do atual governo aprofundam as desigualdades sociais e os números de assassinatos da população negra. Entre os pontos do projeto que mais colocam em risco a comunidade negra, as entidades destacam a proposta de prisão em segunda instância, que aumentará o número de presos no país, e o menor rigor na apuração e punição dos casos de homicídio cometidos por agentes de segurança do Estado.

 

 

 

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Mulheres Negras

Bitonga Travel: a mulher negra ganhando espaço no meio turístico

Por Lau Francisco

No filme “Estrelas além do Tempo”, quatro mulheres negras desafiam o apartheid ao provar sua competência profissional na realização que levou o homem à lua, lutando contra o preconceito arraigado na hierarquia da NASA. Sem medo de errar, podemos fazer um paralelo desta conquista com a luta das mulheres do Bitonga Travel. Elas reconstroem estereótipos na junção de suas experiências pessoais viajando sozinhas pelo mundo, com objetivo de compartilhar vivências pessoais, impactar e proporcionar mudanças no setor do turismo. O lançamento do projeto acontece dia 09 de janeiro, às 20h, no Aparelha Luzia, em São Paulo.

Foto: Renato Cândido e Luiza Alves – Divulgação

Idealizado pela viajante Rebecca Aletheia, o projeto tem o objetivo de incentivar mulheres negras a conhecer não só o vasto mundo como também suas próprias cidades, empoderando-as, desta forma, a engrandecer sua visibilidade e autoestima. Em dezembro de 2018, na praia da Guaiuba, Guarujá, litoral sul de São Paulo, ocorreu o primeiro encontro das mulheres deste projeto. Quatorze viajantes de diferentes lugares transformaram a viagem à praia no seu grande escritório, pautando questões de negritude feminina no espaço turístico. Bitonga é uma língua bantu, de tronco nígero-congolês, falada mais especificamente na região do Inhambane, no Moçambique. Acentuada e belíssima traz consigo traços fonológicos semelhantes aos sons do português brasileiro.

Uma questão comum entre todas as participantes foi o fato de que as mulheres negras não se sentem representadas pelo turismo, sendo muitas delas por vezes excluídas e desconsideradas no meio turístico hoteleiras.

“Reunir mulheres negras viajantes da América Latina e do Caribe têm muito significado para outras mulheres. Muitas vezes elas se vêem sozinhas no espaço de viagem. Isso acontece porque é difícil encontrar mulheres negras viajando por conta da própria economia. Uma mulher negra recebe menos que uma mulher ou homem branco, elas estão nas periferias, não têm acesso ao centro da cidade, cuidam das casas, dos filhos, da família, da mãe, pagam aluguel, ou seja, são vários os fatores que impedem”, explica Rebecca Aletheia, que já viajou por diversos países, como Argentina, Peru, Bolívia, Venezuela, Moçambique, Àfrica do Sul, Uzbequistão, Turquia, Portugal, França, Espanha, entre outros.

A condição da mulher negra citada por Rebecca justifica-se em números. Em março de 2018, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que se para as mulheres brancas a queda na ocupação de postos de gerência foi de 1,2 ponto percentual entre 2012 e 2016 — passando de 39,7% para 38,5% dos cargos —, para as negras foi de 4,7 pontos no mesmo período — caindo de 39,2% para 34,5%. As mulheres negras também têm salários menores, tanto em relação a pessoas brancas quanto a homens negros. Segundo estudos, as mulheres que conseguem delegar mais as tarefas domésticas são as de classes sociais mais altas, em sua maioria brancas. Portanto, uma mulher negra viajar pelo globo terrestre, sozinha, é uma forma de estreitamento das fronteiras e também de ascensão social.

Entretanto o projeto lembra que viajar não é somente se deslocar para o exterior, fazer um plano de viagem, hospedar-se num hotel de prestígio. Viajar vai muito além disso. Viajar é sair da própria região e ir para o centro da cidade, viajar é visitar nossa tia na cidade vizinha, ou quando visita-se o bairro em que cresceu. Segundo Rebecca, outros encontros acontecerão e as experiências e vivências dessas mulheres poderão ser conferidas pelas redes sociais. O projeto vai unificar essas vivências e reforçar o conceito de mulher negra circulante que quer ocupar os lugares que lhe foram negligenciados.

Serviço

Lançamento Projeto Bitonga Travel – Dia 09 de janeiro, às 20h, no Aparelha Luzia

(Rua Apa, 78, Santa Cecília – São Paulo)

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Movimento Negro

Aparelha Luzia recebe o lançamento da campanha de assinaturas do Alma Preta hoje (24/5)

Por Redação

Nesta quinta-feira, 24/5, às19h, o Alma Preta realizará um evento de lançamento da nova campanha de assinaturas organizada pelo portal de mídia negra. A atividade ocorre na Aparelha Luzia, Rua Apa, 78, e conta com a participação de Juliana Gonçalves, jornalista do Brasil de Fato e articuladora da Marcha das Mulheres Negras em São Paulo, Semayat Oliveira, Nós, Mulheres da Periferia, e Pedro Borges, Alma Preta. A mediação da conversa será feita por Thalyta Martins, do Alma Preta.

O objetivo do evento é ressaltar a ação do Alma Preta enquanto portal de mídia negra na defesa dos interesses da comunidade negra e de convocar ativistas anti-racistas para colaborar com as assinaturas do Alma Preta.

“O grande gargalo para a atuação da mídia negra sempre foi a estabilidade financeira e a possibilidade de construir uma infraestrutura condizente com o tamanho do desafio de enfrentar o racismo e as desigualdades no Brasil”, afirma Pedro Borges, co-fundador do portal.

O valor das assinaturas do Alma Preta oscilam entre R$ 25 e R$ 216 e os colaboradores têm desconto em produtos, ganha de livros, e a possibilidade de receber conteúdo exclusivo.

Semayat Oliveira acredita que ser necessário financiar e fortalecer esses veículos de mídia independente para que os profissionais que nele trabalham tenham condições para se dedicar de maneira profissional na produção de conteúdo.

“A gente precisa sim financiar, pagar, contribuir com esses veículos para que se consiga manter o fluxo de produção de conteúdo, para que a gente não tenha mais um veículo de comunicação que deixe de existir por falta de financiamento, ou que se mantenha para os seus criadores como um segundo plano”, explica Semayat Oliveira.

Depois do debate, o poeta Akins Kintê apresenta seu livro, “Incorporus, Nuances de Líbido”, e comanda um sarau, com foco na literatura negra erótica e em parceria com o também poeta Preto Win.

 

Conheça, participe e ajude fortalecer o movimento negro brasileiro Acesse: Uneafro Brasil