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Homenagem a Biu Roque reúne artistas e promete espetáculo emocionante

Nos próximos dias 20 e 21 de abril, o SESC Vila Mariana apresenta espetáculo que celebra a vida e memória do mestre Biu Roque. Falecido em abril de 2010, aos 76 anos, o cantor e percussionista foi um dos músicos mais admirados na Zona da Mata Norte de Pernambuco, notável pelo domínio sobre gêneros tradicionais da região: cavalo marinho, ciranda, coco de roda e maracatu de baque solto.

O show marca, ainda, a estreia de “A Noite Hoje é a Maior”, primeiro álbum solo do artista. Embora o material tenha sido lançado somente em 2018, pela Garganta Records, as gravações aconteceram em 2009 e Biu teve tempo de ouvir e aprovar o resultado final. Canções como “Pé de Lírio”, “Maria Pequena” e “Ô Rio, Cadê Riacho?” integram o projeto.

Biu Roque/Reprodução

Durante as execuções ao vivo, banda base será formada por Fuloresta (sopros/percussão), Caçapa (viola/ guitarra/ direção artística e musical) e Juliano Holanda (guitarra), com participação de Luiz Paixão (rabeca) e Hélder Vasconcelos (fole de 8 baixos). É ele quem também atuará como dançarino. Revezando os vocais, Alessandra Leão (co-direção artística), Siba, Renata Rosa, Mestre Anderson Miguel e dois filhos de Biu Roque: Mané Roque e Maíca Soares.

Serviço

Dias 20 e 21 de abril, no Teatro da Unidade

Sábado às 21h | Domingo às 18h

Ingressos: R$9 (credencial plena/trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes), R$15 (pessoas com +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino) e R$30 (inteira)

Sesc Vila Mariana – Rua Pelotas, 141

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Cinema

As Cores da Serpente: um filme sobre sobre sonhos, negros e cultura angolana

Por Marina Souza

As Cores da Serpente, primeiro longa-metragem produzido pelo diretor brasileiro Juca Badaró, será lançado dia 21 de março em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. O filme registra jovens grafiteiros pintando os Murais da Leba, uma estrada histórica com cerca de 20 quilômetros, na Angola. Veja o trailer a seguir.

O Coletivo Mural da Leba envolveu mais de 30 artistas angolanos e estrangeiros para promover a arte urbana. O projeto durou dois anos e, assim como o o documentário, não teve nenhum apoio financeiro do governo ou de empresas. “Como as obras ficam a céu aberto, a chuva e o sol podem degradá-las, e por isso eles [artistas] fizeram intervenções periódicas. A que está retratada no filme foi a primeira e durou cerca de 1 mês”, explica Badaró.

O diretor conta que estava morando há dois anos em Luanda, capital angolana, quando em 2015 recebeu um convite de uma produtora audiovisual brasileira para registrar tais intervenções. Seus trabalhos anteriores dentro do país tinham sido como diretor de mini documentários da TV pública local.

A estrada-cenário de As Cores da Serpente começou a ser construída pelos portugueses no final do século XIX e só foi concluída às vésperas da independência de Angola, em 1974. Tornou-se um dos mais conhecidos pontos turísticos do país, na Serra da Leba, uma formação montanhosa que separa as províncias da Huíla e do Namibe. A via era necessária para facilitar o transporte de mercadorias e pessoas entre as duas províncias.

Com o passar do tempo, as paredes ficaram sujas, má-cuidadas e abandonadas. E é justamente para levar mudança à essa situação que o Coletivo Mural da Leba surgiu trazendo cores ao extenso concreto.

Divulgação

Badaró conta que duas das câmeras que captaram as imagens foram usadas pelos próprios artistas, ele ficava responsável popr registrar as artes e entrevistar pessoas.

É o primeiro filme brasileiro a ser inteiramente gravado no território angolano e, segundo o diretor, o longa tem um significado muito além da exibição das pinturas. Ele confessa estar feliz por saber que o Brasil poderá conhecer outro pedaço seu, que muitas vezes é esquecido.

“É um filme sobre sonho. Um filme sobre negros, cultura africana e sua relação com o Brasil”, diz.

Dois dos 30 artistas estarão presentes na estreia brasileira, um deles é diretor do Coletivo e o outro um grafiteiro que fará muitas coisas pela primeira vez: andar de avião, viajar para outro país e participar do lançamento de um filme que protagoniza. Além disso, as cidades de São Paulo e Salvador terão muros pintados pelo angolano.

Juca Badaró, por sua vez, relata que ao ver a reação dos artistas, que são em sua maioria moradores de gueto, assistindo ao documentário sentiu-se profundamente emocionado, pois muitos choraram e lhe parabenizaram.