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Cinema

As Cores da Serpente: um filme sobre sobre sonhos, negros e cultura angolana

Por Marina Souza

As Cores da Serpente, primeiro longa-metragem produzido pelo diretor brasileiro Juca Badaró, será lançado dia 21 de março em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. O filme registra jovens grafiteiros pintando os Murais da Leba, uma estrada histórica com cerca de 20 quilômetros, na Angola. Veja o trailer a seguir.

O Coletivo Mural da Leba envolveu mais de 30 artistas angolanos e estrangeiros para promover a arte urbana. O projeto durou dois anos e, assim como o o documentário, não teve nenhum apoio financeiro do governo ou de empresas. “Como as obras ficam a céu aberto, a chuva e o sol podem degradá-las, e por isso eles [artistas] fizeram intervenções periódicas. A que está retratada no filme foi a primeira e durou cerca de 1 mês”, explica Badaró.

O diretor conta que estava morando há dois anos em Luanda, capital angolana, quando em 2015 recebeu um convite de uma produtora audiovisual brasileira para registrar tais intervenções. Seus trabalhos anteriores dentro do país tinham sido como diretor de mini documentários da TV pública local.

A estrada-cenário de As Cores da Serpente começou a ser construída pelos portugueses no final do século XIX e só foi concluída às vésperas da independência de Angola, em 1974. Tornou-se um dos mais conhecidos pontos turísticos do país, na Serra da Leba, uma formação montanhosa que separa as províncias da Huíla e do Namibe. A via era necessária para facilitar o transporte de mercadorias e pessoas entre as duas províncias.

Com o passar do tempo, as paredes ficaram sujas, má-cuidadas e abandonadas. E é justamente para levar mudança à essa situação que o Coletivo Mural da Leba surgiu trazendo cores ao extenso concreto.

Divulgação

Badaró conta que duas das câmeras que captaram as imagens foram usadas pelos próprios artistas, ele ficava responsável popr registrar as artes e entrevistar pessoas.

É o primeiro filme brasileiro a ser inteiramente gravado no território angolano e, segundo o diretor, o longa tem um significado muito além da exibição das pinturas. Ele confessa estar feliz por saber que o Brasil poderá conhecer outro pedaço seu, que muitas vezes é esquecido.

“É um filme sobre sonho. Um filme sobre negros, cultura africana e sua relação com o Brasil”, diz.

Dois dos 30 artistas estarão presentes na estreia brasileira, um deles é diretor do Coletivo e o outro um grafiteiro que fará muitas coisas pela primeira vez: andar de avião, viajar para outro país e participar do lançamento de um filme que protagoniza. Além disso, as cidades de São Paulo e Salvador terão muros pintados pelo angolano.

Juca Badaró, por sua vez, relata que ao ver a reação dos artistas, que são em sua maioria moradores de gueto, assistindo ao documentário sentiu-se profundamente emocionado, pois muitos choraram e lhe parabenizaram.

 

 

 

 

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Cultura

Teatro da Neura encerra curta temporada de ‘Yerma’

Foto: Michel Galiotto

Comemorando os quinze anos de existência, o Teatro Neura chega hoje (30) à capital paulista trazendo o espetáculo Yerma, que estreou em setembro do ano passado após oito anos de pesquisa sobre Realismo Fantástico, e promete grande celebrações para o grupo. A curta temporada de Yerma será nos dias 30 e 31 de janeiro, às 20h30, no Teatro De Contêiner, com valores de 10 a 20 reais.

A companhia Teatro da Neura, nascida em Suzano, também é criadora do Espaço N de Arte e Cultura, sua sede oficial, onde geralmente os próprios artistas são responsáveis fazem suas apresentações.  “Um grupo movimentado por tesão e paixão a partir das resistências individuais que formam esse coletivo. Essa identidade”, diz Antonio Nicodermo, diretor do espetáculo ao lado de Lígia Berber.

Diretores Antônio Nicodemo Lígia Berber / Foto de Michel Galiotto

Nicodermo explica que o grupo possui atualmente três vertentes: o “realismo fantástico”, que levou oito anos de pesquisa, as releituras de Nelson Rodrigues e “teatro, política e sociedade”. Foi com a primeira que começaram a utilizar aquilo que consideram ser pioneiros na área: criar espetáculos criteriosos no rigor estético e dramaturgo através de uma nova escola teatral.

“Nos debruçamos em toda obra de Garcia Lorca e estudamos o artista. Chegamos em um resultado de uma obra extremamente simbólica e muito ritualística que envolve muitos assuntos contemporâneos”, disse o diretor ao ser questionado sobre Yerma. Escrita em 1934, a tragédia ganha uma montagem na tênue linha de um presságio, o malogro dos desejos que não concretizamos. A peça propõe ao público um deslocamento da realidade, espaço e tempo a partir da frustração de uma mulher.

No próximo dia 03 começam o circuito de espetáculos do texto O Menino Gigante ou os Dez Fevereiros. Segundo Nicodermo o grupo tem uma agenda vasta para 2019 com muitas pesquisas, estudos, ensaios e apresentações.

Foto: Fabrício Augusto

Serviço

  • 30 e 31 de janeiro
  • Quarta e Quinta
  • 20h30
  • Ingressos: $20 inteira . $10 meia
  • Teatro De Contêiner
  • Rua dos Gusmões, 43 – Santa Ifigênia. São Paulo.
  • Ingressos a venda também pelo link
  • A Bilheteria abre 2h antes do espetáculo
  • Realismo Fantástico – Terror
  • Classificação: 14 anos
  • 125 minutos . Com intervalo

Direção

  • Antônio Nicodemo
  • Lígia Berber

Elenco 

  • André Antero
  • Camila Ribeiro
  • Conceni Paulina
  • Lígia Berber
  • Priscila Nicoliche
  • Tamíris Terra

 

 

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Cultura Mulheres Negras

A Ocupação das Minas: evento promoverá uma série de atividades artísticas

Por Marina Souza

No dia 16 de fevereiro, acontecerá uma série de eventos promovidos pela Ocupação das Minas na Casa de Cultura Hip-Hop Diadema que visa instigar a luta contra o machismo, racismo, LGBTIfobia e qualquer outro tipo de opressão. Diante do forte machismo e lesbofobia existentes no cenário do Hip-Hop, a grafiteira Nenesurreal, que recentemente foi vítima de ambas violências, criou uma rede de arrecadamento financeiro virtual para custear o grande evento, que contará com a presença de muitas atividades. É a voz da periferia, das mulheres e das negras chamando a atenção daqueles que apreciam as mais variadas expressões artísticas e de entretenimento.

Programação (em construção coletiva e autônoma)

Mestras de Cerimônia
– Bianca
– Gabi Nyarai
– Mari Maciel

Shows
– Palomaris
– Scheyla Oliver
– Yabba Tutti (Soundsystem)
– Meire D’Origem
– Ericah Azeviche
– Mana Black
– Drika Backspin

Performances
– Sol Bento – Lilá.
– Levante Mulher – Miriam

Alimentação Vegana
– La Fancha

Rodas de conversa 
– Roda Terapêutica das Pretas (Adelinas – Coletivo Autônomo de Mulheres Pretas)
– Saúde Sexual para Mulheres (Ana Clara)

Sarau
– Sarau Alcova
– Sarau Papo de Mina.

Lançamento do Livro AfroLatina
– Poeta Formiga.

Oficinas
– Lambe-Lambe – Lambe Minas.
– AngelStore
– AsMinas
– Teatro Feminista – Talita do Núcleo Zona Autônoma.

Exibição de documentários
– Auto de Resistência (Mães de Maio)
– Mulheres Negras: Projetos de mundo (Day rodrigues)
– Mulheres Periféricas apoiadas por mais de quinhentas mil manas – Coletiva Fala Guerreira.
– Mulheres de Palavra – Web Série com 3 episódios – Ketty Valencio, Fernanda e Renata Allucci.

Feira e Exposições
– Livraria Africanidades
– Eparrei
– Anjo Negro Store
– Bete Nagô
– Clandestinas.

Grafite das Manas com protagonismo das manas negras, indígenas e lésbicas

Espaço Erê: local para as mamães deixarem suas crianças
Coletivo Espelho, Espelho Meu
– Os Quebradinhas
– Pamela Neres
– Bebel

Acompanhe as futuras informações do evento no facebook e valorize a cena das manas periféricas, pretas e lésbicas.