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Se Crispim fosse branco, a situação seria diferente

Por Marina Souza

“Perseguição se esquece? Tanta agressão enlouquece”, o verso de Boa Esperança, letra composta pelo cantor Emicida, faz referência às contantes violências sofridas pelos povos negros ao longo dos séculos e à mescla de sentimentos ruins que invadem esses corpos. O trecho parece descrever uma série de casos que têm viralizado nas redes sociais nas últimas semanas, o mais recentes é o do empresário Crispim Terral, vítima de um abuso policial ocorrido na última segunda-feira (25), em Salvador.

Terral, de 34 anos, estava em uma agência bancária da Caixa Econômica Federal e ao reclamar da demora, de quase cinco horas, do atendimento foi surpreendido com agressões físicas que poderiam ter o matado. Assim que ouviu a reclamação, um dos gerentes acionou a Polícia Militar, que deu um “mata-leão” no empresário.

https://www.youtube.com/watch?v=mSEVL0-wO8I

O vídeo repercutiu nas redes sociais e rapidamente diversas pessoas se posicionaram contra o episódio que, segundo a vítima, foi motivado por racismo. Na tarde de ontem (26), cerca de 100 pessoas se reuniram ao local do crime e protestaram em defesa de Crispim.

Em entrevista ao jornal G1, ele disse “eu não desejo isso a ninguém. Nem ao meu pior inimigo, que eu não tenho. É muito triste, é muito doloroso. Eu agradeço todas as mensagens de apoio. Estamos juntos. E vamos dizer não, mais uma vez, ao racismo.”.

O Ministério Público do Estado da Bahia disse que analisará a denúncia. Já a CAIXA afastou o gerente e informou, por meio de uma nota, que “está apurando e tomará todas as providências cabíveis […] e ressalta que repudia atitudes de discriminação cometidas contra qualquer pessoa”.

Ativistas realizam protesto no local do crime (Foto: Betto Jr./CORREIO)

Para Renata Lira, advogada penal e integrante do Mecanismo Estadual de Prevenção e Combate à Tortura do Rio de Janeiro, o banco precisa tomar uma atitude séria em relação ao ocorrido. E afirmou ainda que se a reclamação ao gerente partisse de um homem branco, ele dificilmente teria sido submetido à este tipo de violência e humilhação. “Os homens negros têm uma chance muito maior de serem presos, constantemente são reconhecidos como culpados por crimes que nem estavam presentes no local”, relembrou ela.