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Rapper Afro-X celebra 19 anos de carreira e lança vinil do álbum “Um Brinde à Vida”

(Foto: João Wainer | Divulgação)

Por Ana Carolina Pinheiro

Fruto da geração do rap da década de 80, Afro-X começou a sua carreira no grupo Suburbanos. Porém, o jovem que nasceu na periferia da cidade São Bernardo do Campo, na Vila Calux, ganhou destaque e reconhecimento midiático nos anos 2000 ao criar o grupo 509-E. Com o parceiro Dexter e Mano Brown como padrinho, o conjunto nasceu dentro da Casa de Detenção de São Paulo enquanto Afro-X e Dexter cumpriam uma pena de 10 anos.

Em 2003, o grupo acabou, mas as músicas que retratam o cotidiano violento das penitenciárias do Brasil ficaram eternizadas. A partir deste ano, o rapper deu início a sua carreira solo e seis anos depois lançou o livro “Ex-157, a História que a Mídia Desconhece”. A autobiografia revela a sua entrada e saída do crime, além de prestar um serviço de conscientização aos jovens brasileiros que estão expostos diariamente às situações de riscos. Em 2009, o rapper foi para as telonas com o documentário “Entre a Luz e a Sombra”, que conta a trajetória do grupo 509-E, e ainda lançou seu primeiro álbum solo “Das Ruas Pro Mundo”.

Rompendo mais uma vez as barreiras dos gêneros musicais, Afro-X dá uma nova cara para o seu segundo álbum solo Um Brinde à Vida.  Em formato de vinil, o projeto marca o início das comemorações de 19 anos de carreira do artista. Com produção da Vinil Brasil e distribuição do coletivo Matilha Cultural, o público já pode encontrar o álbum no mercado.

No auge dos aplicativos de streaming de música, o rapper explica que o fato do disco ser lançado também como LP é uma forma de voltar às origens. “O vinil foi o jeito que encontramos de conectar o rap à sua raiz musical. Além disso, estamos comemorando os 19 anos de carreira”, comenta.

Se você ainda acredita que o rap é um gênero restrito e que pouco se mistura com os demais, Um Brinde à Vida promete desmitificar essas impressões. Segundo Afro-X, a batida por minuto (BPM) do rap é ótima para dialogar com vários estilos e, principalmente, para usar como base de outras canções.

Com referências de trapmusic e beats eletrônicos, o álbum trás diversidade não só pelos elementos musicais, mas também pelos artistas convidados. Negro Branco (Exaltasamba), Chrigor, Badauí (CPM 22), Felp (Cacife Clandestino), MC Sapão, Ri$hin e Marihanna estão no eclético time de participações especiais. “Eu tinha alguns amigos que queria trazer para o meu trabalho. E a conexão foi da hora”. Afro-X comenta que o resultado dessa mistura é um projeto bem brasileiro e que conversa com a juventude.

Em entrevista à nossa equipe, o rapper também revelou que após longo período distante de Dexter os dois voltaram a ter contato. Para o segundo semestre de 2018, os parceiros musicais vão retomar o trabalho lendário do 509-E. Ou seja, vai ser uma boa oportunidade para o público relembrar os grandes sucessos.