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Seminário #30diaspormarielle reúne centenas de pessoas para discutir intervenção militar e genocídio negro

O auditório Marielle Franco foi inaugurado especialmente para o seminário (Foto: Filipe Peres)

Por Ana Carolina Pinheiro

Com mais de 300 pessoas na plateia, o recém-criado auditório Marielle Franco do Parque da Água Branca, em São Paulo, recebeu o seminário #30diaspormarielle, organizado por movimentos negros, coletivos mistos e militantes independentes. O evento ocorreu dentro da III Feira da Reforma Agraria e contou com a parceria do Movimento Sem Terra (MST).

Para compor as mesas de debate, representantes de grupos importantes para as questões raciais e sociais foram convidados. João Paulo Rodrigues, da direção nacional do MST, Katiara Oliveira, do Kilombagem, Cida Bento, do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), Luciana Araújo, da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, estavam nesse time.

A advogada Marinete da Silva, mãe de Marielle Franco, e a ex-chefe de gabinete da vereadora, Renata Souza, que concorrerá ao cargo de deputada estadual pelo PSOL, também compareceram ao evento e falaram aos convidados sobre o legado da filha da Maré. Renata valorizou a participação de mulheres negras na organização do evento. “Isso criou uma empatia que humanizou e trouxe uma legitimidade ímpar para cada pessoa pensada para compor cada mesa de discussão. Muita potência reunida apostando em alternativas de políticas públicas pesadas a partir da base”.

Marinete Silva, mãe de Marielle Franco, falou ao público sobre a história de luta da filha (Foto: Filipe Peres)

Em relação ao genocídio negro, uma das organizadoras da iniciativa, Zezé Menezes, do Núcleo de Consciência Negra da USP, explica que a reivindicação da política da letalidade do estado não é algo recente: “Infelizmente não conseguimos impedir que isso continuasse acontecendo e hoje vemos nossos jovens sem esperanças. Por isso, é fundamental que as entidades negras e nossos aliados busquem medidas efetivas, que garantam a vida plena de nossos jovens”.

A soma das forças dos movimentos coletivos e individuais serve como combustível para a luta. De acordo com uma das representantes da Marcha das Mulheres Negras, Juliana Gonçalves, a campanha tem três eixos principais. “O seminário foi muito positivo, e a gente não vai parar. Nós nos dividimos em grupos de trabalho e escolhemos os seguintes temas: pedir justiça por Marielle, pautar a intervenção militar no RJ e em outros estados e lutar contra o genocídio da população negra”.