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Jota.pê: o músico que mescla elementos do Baião, MPB, Xaxado e Rock

Por Marina Souza

“Eu quero que elas [músicas] tenham um balanço, um batuque, porque isso faz parte de mim, da minha ancestralidade”, foram as palavras do cantor Jota.pê quando questionado a respeito do intenso uso de afro-brasilidades em suas obras. Agora, o artista, que já participou do programa The Voice Brasil e se apresentou no TEDx, está lançando uma música a cada mês até a chegada, prevista para junho, do seu novo EP, “Garoa”.

Inspirado em artistas como Jorge Ben Jor, Djavan, Gilberto Gil, Lenine e Caetano Veloso, o paulista entrou no cenário musical mesclando diferentes gêneros e intenções artísticas. O seu amor pelas artes começou ainda na infância, com cerca de 8 anos de idade ele aprendera a tocar violão e aos 13 começara a compor.

“A música sempre esteve presente na minha vida”, revelou ele lembrando da infância marcada pela família repleta de compositores e cantores.

Foto: Bruno Silva

Após incansáveis tentativas de montar uma banda, Jota percebeu que a cada dia ele se tornava ainda mais apaixonado por música e, por isso, decidiu encará-la com maior seriedade. Aos 17 anos, gravou seu primeiro disco e hoje o enxerga como um grande divisor de águas em sua vida.

Crônicas de Sonhador

O CD “Crônicas de Sonhador”, lançado em 2015, demorou dois anos para ficar pronto. Com a rotina agitada de trabalho, estudo e projetos pessoais, o cantor teve dificuldades em executar as gravações e os protocolos necessários para o lançamento. Foi durante este período da produção que testou o que gostava e desgostava no meio.

“Foi marcante em muitos sentidos, eu não conhecia nada da carreira. Foi ótimo poder entrar num estúdio para colocar verdades em uma gravação”, disse.

O artista confessou que foi durante o disco que conseguiu encontrar-se musicalmente. Foi ali, em meio a tanta incerteza e desconhecimento, que fizera, desfizera e refizera sua identidade artística e pessoal.

Percebendo que muitas de suas atividades da época estavam prejudicando seu envolvimento com a música, ele decidiu “largar tudo”, focar na arte e começar os processos da divulgação de seu trabalho.

Garoa

Usando referências de Baião, MPB, Xaxado e até Rock, o músico falou que não se prende a nenhum gênero musical, faz apenas o que está sentindo no momento e procura valorizar a cultura negra.

Mas, ao contrário da espontaneidade que costuma ter ao escrever letras, a criação de “Garoa” foi planejada. Ele contou que queria algo que despertasse “folego” nos ouvintes, como um dizer de “seguir em frente”. Quando assistiu ao documentário Human, sentiu-se inspirados pelas entrevistas de Pepe Mujica e Maria Lindalva e a partir disso, construiu Garoa.