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Cultura preta: quais são as novidades do segundo semestre de 2019?

O segundo semestre de 2019 chegou e com ele uma série de lançamentos e estreias na música, teatro, literatura e cinema. Aqui reunimos as mais recentes novidades da cultura preta e periférica de São Paulo, confira a agenda e mais informações sobre cada evento.

Peça “Terror e Miséria no 3º Milênio – Improvisando Utopias”
Quando? Em cartaz de 28 de junho a 28 de julho
Onde? Sesc Bom Retiro – Alameda Nothmann, 185, Campos Elíseos, São Paulo
Saiba mais: http://bit.ly/terror3milenio

Inspirada no clássico de Bertolt Brecht, a peça se une a cultura Hip Hop para apresentar um panorama sobre a violência. É uma visão que coloca, em mundos paralelos, os dias de hoje e os anos que antecederam a explosão do nazi-fascismo, na época da Segunda Guerra Mundial. O elenco formado por 11 atores MCs discute também os privilégios e opressões vindas do racismo, do preconceito de classe e gênero. O espetáculo é montado pelo Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, com a direção de Claudia Schapira.

Lançamento do livro “Pensando como um negro: ensaio de hermenêutica jurídica”
Quando? Dia 02 de julho, das 19 às 22 horas
Onde? Livraria Tapera Taperá – Loja 29, 2º andar – Avenida São Luís, 187, São Paulo
Saiba mais: http://bit.ly/pensandocomonegro

Adilson José Moreira, professor, advogado, Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Federal de Minas Gerais e Doutor em Ciências Jurídicas pela Universidade de Harvard, lança dia 2 de julho, em São Paulo, o livro “Pensando como um negro: ensaio de hermenêutica jurídica”. Por meio de um estudo integrado entre narrativas pessoais e análises teóricas, o livro discute as consequências entre o formalismo jurídico e a neutralidade racial na interpretação da igualdade.  A publicação apresentada pela editora Contra Corrente vai abrir um debate no dia do seu lançamento com a professora Gislene Aparecida Santos, da Faculdade de Direito da USP, e o professor Dimitri Dimolis, da Escola de Direito da FGV, na livraria Tapera Taperá.

Mostra de Cinemas Africanos
Quando? De 10 a 17 de julho
Onde? Cine Sesc –  R. Augusta, 2075, Cerqueira César, São Paulo
Saiba mais: http://bit.ly/mostracinesafricanos

Serão 24 filmes de 14 países do continente africano na exibição da Mostra de Cinemas Africanos.  Essa é a 4ª edição do evento que traz, em 1 semana, uma seleção de produções reconhecidas em grandes festivais de cinema e aclamados pelo público e também pela crítica. Grande parte dos filmes nunca foi exibida no Brasil e eles serão o centro de debates que o evento trará, com especialistas em cinema, sobre cada narrativa. 

Lançamento de”O.M.M.M.”, novo disco de MAX B.O

O rapper Max B.O completa 20 anos de carreira e comemora com o lançamento de seu novo álbum. Fazendo ode à camaradagem, ele reúne uma série de participações especiais, beatmakers e músicos. Curumin, Rael e Lucio Maia são alguns dos nomes envolvidos. Esse é o primeiro trabalho de inéditas do artista, que apresentou por 6 anos o programa “Manos e Minas”, da TV Cultura. Depois de inúmeras parcerias e das mixtapes “FumaSom Vol. 1” (2013), “Antes que o Mundo se Acabe “ (2012) e o álbum “Ensaio, O Disco” (2010), é hora de “O.M.M.M.”

Ouça aqui:

509-E anuncia retorno aos palcos

Após 16 anos de pausa, o grupo lendário de rap nacional 509-E anunciou, em entrevista para o jornal Brasil de Fato, que vai voltar aos palcos em 2019. Dexter e Afro-X, farão uma série de shows para celebrar os 20 anos de parceria entre a dupla. A primeira apresentação está marcada para o dia 24 de agosto, em São Paulo, e promete trazer clássicos como Saudades Mil, Mile Dias, Castelo de Ladrão e Oitavo Anjo. No entanto, os rappers já adiantam que esse  é um momento de celebração e não é um retorno oficial do grupo, os artistas ainda continuam suas carreiras solo.

Confira a matéria completa: http://bit.ly/Retorno509E_BF

 

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Literatura

O bilionário Reginald F. Lewis – Estante Literária

Reginal F Lewis

Por Por Edson Cadette / Blog Lado B NY

Quando o menino magricela de apenas 6 anos de idade Reginald F. Lewis foi questionado pelo avô sobre o desemprego entre os afro-americanos, ele disparou: “por que as pessoas brancas têm que ter toda diversão?”.

Lewis transformou-se no bilionário negro mais conhecido dos Estados Unidos e um dos empreendedores com o maior tino comercial de todos os tempos, liderando um grupo de empresas altamente lucrativas, localizadas nos quatro continentes. Quando faleceu, prematuramente aos 50 anos, no início da década de noventa, sua fortuna pessoal estava avaliada em aproximadamente U$400 milhões.

O livro Why should white guys have all the fun? traça sua ascensão social e financeira, saindo de uma família de classe trabalhadora do lado leste da segregada cidade de Baltimore, no estado de Maryland, passando pelos corredores da prestigiosa Universidade de Harvard no curso de Direito e terminando no fechado círculo dos gurus financeiros de Wall Street.

Reginald F. Lewis ao lado do pastor e ativista Jesse Jackson

Expandindo a autobiografia não terminada de Lewis, o jornalista Blair S. Walker completa a história com um retrato vívido da trajetória de um homem orgulhoso, altamente competitivo e com um língua e intelecto afiados.

Walker mostra com muita clareza como a busca incessante pelo sucesso e riqueza preencheu a curta vida de Lewis tanto no âmbito acadêmico, quanto na direção de sua companhia. O autor ainda nos fornece uma rara visão do que passava dentro da cabeça do bilionário, que era um negociador ferrenho e brilhante estrategista.

Em 1987 Reginald Lewis doou a famosa instituição Howard University a bagatela de US$1 milhão para ajudar os estudantes, m ano depois o governo Federal equiparou a doação oferecendo mais US$1 milhão.

O clube social da Universidade Harvard, localizado na ilha de Manhattan em Nova York, tem em sua entrada um enorme quadro pintado a óleo homenageando o ex estudante.

 

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Literatura

Livro analisa legado de Tebas, negro escravizado que se tornou arquiteto no Brasil Colonial

Escravizado até os 58 anos de idade, Tebas executou emblemáticas obras do Brasil Colonial e se consolidou como um dos maiores arquitetos brasileiros do século 18. Porém, sua história ainda é pouco conhecida do público e até mesmo de muitos pesquisadores. Mas isso está prestes a mudar. Pela primeira vez uma publicação se propõe a analisar, em profundidade, o legado e a trajetória de Joaquim Pinto de Oliveira (1721-1811), mais conhecido como Tebas.

 Tebas: um negro arquiteto na São Paulo escravocrata (abordagens), organizado pelo escritor e jornalista Abilio Ferreira, é a primeira publicação de não ficção dedicada ao construtor, reunindo artigos de cinco especialistas. Tebas foi o responsável pela construção do Chafariz da Misericórdia (1792), sua obra mais conhecida, além dos ornamentos de pedra da fachada das principais igrejas paulistanas da época, como a da Ordem Terceira do Carmo (1775-1776), a do Mosteiro de São Bento (1766 e 1798), a da velha Catedral da Sé (1778), a da Ordem Terceira do Seráfico São Francisco (1783) e, também, do enorme Cruzeiro Franciscano da cidade de Itu (1795).

O evento de lançamento do livro será no dia 14 de março, às 19h, na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo. No dia 21 de março, às 20h, também haverá uma segunda atividade de lançamento durante a “Caminha Noturna pelo Centro”, na escadaria do Teatro Municipal de São Paulo.

Sobre Tebas

As origens africanas de Joaquim Pinto de Oliveira ainda não são conhecidas. Sabe-se, no entanto, que ele nasceu em Santos e foi transferido para São Paulo, em meados do século 18, pelo seu então proprietário, o português Bento de Oliveira Lima, célebre mestre de obras da região.

A capital vivia, na época, um boom na construção civil, baseada no método construtivo da taipa. Tebas se destacava por ser um especialista na arte e na técnica de talhar e aparelhar pedras, um profissional raro na São Paulo colonial. Seu trabalho era muito requisitado, sobretudo pelas poderosas ordens religiosas presentes na cidade desde a fundação.

Alforriado entre 1777 e 1778, aos 57 ou 58 anos de idade, Tebas morreu no dia 11 de janeiro de 1811, vítima de gangrena, aos 90 anos. O velório e o sepultamento foram realizados na Igreja de São Gonçalo, ainda hoje existente na Praça João Mendes.

Benedito Lima de Toledo, professor emérito da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, em entrevista concedida à revista Leituras da História (2012), destacou que Joaquim Pinto de Oliveira soube captar a religiosidade da época e expressá-la de maneira muito pessoal. “Essa expressão da religiosidade”, disse Toledo, na ocasião, “é que o transformou em arquiteto e as suas obras em arte”.

Lançamentos

Dia 14 de março, das 19h às 21h30

Biblioteca Mario de Andrade

Rua da Consolação, 94 – República, São Paulo

Dia 21 de março, das 20h às 22h 

Caminhada Noturna pelo Centro – Escadaria do Teatro Municipal de São Paulo,

Praça Ramos de Azevedo (as primeiras 50 pessoas receberão um exemplar do livro)

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Cultura Literatura

Teatro Apollo aos 85 anos – Estante Literária

Por Edson Cadette, adaptado, do Blog Lado B NY

Numa noite fria de inverno, em janeiro de 1934, o legendário Teatro Apollo, encubador de talentos como James Brown, The Jackson Five, Dionne Warick e incontáveis cantores, dançarinos e comediantes, abriu suas portas no coração do bairro do Harlem, em Nova York. O show de abertura se chamava “Jazz à la Carte”.

Ted Fox adaptou o belo livro “Showtime at the Apollo: The Epic Tale of Harlem’s Legendary Theater” como uma história gráfica, com ilustrações de James Otis Smth. A obra é uma bonita homenagem ao Teatro que está comemorando 85 anos de existência neste ano e tem muitas histórias dentro e fora do seu famoso palco. O Teatro Apollo foi testemunha de vários eventos envolvendo não somente os famosos artistas, mas também o próprio bairro.

O primeiro episódio fora do palco aconteceu exatamente um anos após a inauguração do Apollo. O bairro do Harlem foi palco de um enorme distúrbio urbano envolvendo mais de 3.000 pessoas, devido ao espancamento de um jovem negro por vendedores dentro da loja de departamentos S.H. Kress & Co. De acordo com reportagem da época, do periódico The New York Times, o local foi poupado de qualquer estrago físico.

“Showtime” começa bem antes da inauguração. Na época, um outro clube famoso era o destaque cultural do bairro: o Cotton Club. Com sua lista de grande músicos de Jazz, entre eles Cab Calloway e Duke Ellington, era frequentado pela clientela endinheirada branca, clientes negros eram barrados no porta.

Teatro Apollo no coração do bairro do Harlem/NY

O livro se equilibra entre a dura realidade da população negra do bairro e a magia dos excepcionais artistas no palco. Há de tudo um pouco nesta magnífica história. Há roubos, drogas, brigas, mortes e distúrbios raciais. Porém, o Teatro de uma maneira ou outra sempre saiu ileso.

Outro episódio importante envolvendo a casa aconteceu aos tiros, em 1973, durante a apresentação do cantor Smokey Robinson. Entre os distúrbios, tiros e muitas drogas, os artistas continuavam fazendo apresentações e mostrando não apenas seus talentos, mas também a resiliência da comunidade afro-americana.

Um importante e histórico destaque fica por conta da gravação ao vivo de um álbum do cantor James Brown, que ficou nas paradas de sucesso da época por mais de um ano. Outro destalhe bacana no livro é o concerto do icônico cantor George Clinton, que ao invés de ir ao ginásio de esportes Madison Square Garden, optou em apresentar-se no Teatro Apollo.

Durante seus 85 anos, o teatro enfrentou diversas dificuldades financeiras, por várias vezes esteve até mesmo a ponto de ser demolido. Em 1979 foi fechado por causa de evasão fiscal.

Em 1981 começou sua gloriosa renovação. Dois anos depois, ele foi considerado pela cidade de Nova York como um marco histórico cultural. E durante mais de 20 anos foi palco de inúmeras disputas para saber qual modelo gestor seria melhor utilizado para mantê-lo em funcionamento.

No início dos anos 2000, milhares de fãs se aglomeraram dentro e fora do Apollo para prestarem suas últimas homenagens a dois ídolos. O primeiro deles, James Brown, faleceu em 2006, três anos depois o teatro ficou de luto mais uma vez, devido a morte do rei do pop, Michael Jackson.

“Showtime” termina com o reconhecimento a Francis Thomas, também conhecido como Doll (Boneca) ou Mr. Apollo (Senhor Apollo), que foi um veterano no “show business”, gerente do teatro e um “faz de tudo um pouco” no local. É ele quem puxa a cortina da famosa “Quarta-feira Noite Amadora”, que começou  na inauguração e segue sendo sendo uma das principais atrações do bairro até os dias atuais.

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Literatura

Na minha pele – Estante literária

Por Edson Cadette, do Blog Lado B NY

Na Minha Pele, do multitalentoso Lázaro Ramos, não pode ser considerado um livro de memórias porque não está ligado a uma época específica da vida do ator como por exemplo, o período em que ele trabalhou dentro do Bando de Teatro Olodum, na cidade de Salvador, local onde aprendeu todas as técnicas de atuação que utiliza até os dias de hoje. Ao contrário, o livro que começa na pequena Ilha de Paty, no interior da Bahia, na década de oitenta, termina com passagens na zona sul do Rio de Janeiro, onde Lázaro testemunha ao lado dos filhos a ação policial contra jovens negros num espaço que certamente não os pertence. A obra pode ser usada como fonte de inspiração para jovens em geral, principalmente negros que enxergam no ator uma pessoa sem medo de falar o que realmente pensa sobre a disparidade racial no Brasil.

É um livro pequeno e bastante fácil de ser lido, poderíamos chamar de uma leitura tranquila, que poderia ser feita num voo entre o Rio de Janeiro e Nova York. Você não terminará a leitura dizendo que o Brasil é um país altamente racista – algo que não é mencionado em nenhum momento -, ou irá dizer a uma pessoa branca que ela faz parte do racismo institucional. Tão pouco falará com seu amigo branco sobre o que ele realmente acha da condição socioeconômica do negro no país e questionar se está diretamente ligada com a duradoura escravidão brasileira.

Apesar das micro agressões diárias que sofria, principalmente antes de ser catapultado para o estrelato no final dos anos noventa, Lázaro Ramos jamais usou delas ou do racismo latente como impedimento para suas realizações pessoais de ator.

Lázaro fala de atores importantes da dramaturgia brasileira como Ruth de Souza, Milton Gonçalves, e Lea Garcia, que de certa maneira abriram um caminho para o seu sucesso. Ele cita também livros, ativistas e músicos importantes do início dos anos 2000 que estavam mudando o discurso no debate racial brasileiro.

Para escapar do racismo diário ele acredita que o núcleo familiar é essencial e ressalta a importância que sua enorme família teve na sua formação como pessoa. Acreditando nesta socialização, o ator se casou e mantém uma parceria que já dura mais de dez anos com a também atriz Taís Araujo.

Lázaro Ramos no papel de Madame Satã (2002)

Na Minha Pele é um livro importante para debater questões raciais no Brasil e o autor usa sua voz para chamar atenção ao fato de que o negro já nasce com uma enorme barreira devido a própria história do país. A grande mensagem desta pequena, mas importante obra, é que Lázaro Ramos deseja estar na normalidade, e não na exceção dos negros brasileiros.

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Destaque Movimento Negro

Mas afinal, o que 2018 trouxe de bom para os negros?

Por Marina Souza

O ano de 2018 foi muito intenso. Seja nos aspectos culturais, sociais ou, principalmente, políticos, foi possível observar acontecimentos de grandes impactos para o Brasil e o mundo. A Intervenção Federal no Rio de Janeiro, os documentos da CIA sobre a ditadura brasileira, o assassinato de Marielle Franco, o incêndio no Museu Nacional, o atentado no Irã, a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) à presidência e tantos outros episódios marcantes tornaram-se lembranças dolorosas.

Contudo, as lutas pedem espaço. É preciso encarar tais acontecimentos, construir resiliências e novas narrativas. É necessário relembrar também os incontáveis momentos bons que 2018 trouxe e observá-los sob uma perspectiva esperançosa. Por isso, relembre agora algumas dessas conquistas.

Jean-Michel Basquiat no Centro Cultural Banco do Brasil

Aberta no dia 25 de janeiro, a exposição “Jean-Michel Basquiat — Obras da Coleção Mugrabi”, no Centro Cultural Banco do Brasil, fez uma retrospectiva das obras e trajetória de vida de Basquiat, reunindo mais de 80 quadros e gravuras. O público teve contato com a emblemática personalidade artística do nova-iorquino que viveu durante as décadas de 70 e 80.

A mostra ficará disponível até o dia 07 no Rio de Janeiro.

Foto: Felipe Cezar

Pantera Negra lota as salas de cinema

Com seu elenco completamente negro, o filme Pantera Negra, lançado em 15 de fevereiro, conquistou uma série de prêmios e indicações em diversas celebrações importantes no mundo do Cinema, chegando a tornar-se o primeiro filme de super-herói a concorrer na categoria “Melhor Filme” no Globo de Ouro. Além de explorar elementos da Fantasia, Aventura e Ação, o longa-metragem retrata consequências da colonização europeia na África e diversos aspectos históricos, mitológicos, políticos e culturais do continente.

Jamaica, Jamaica

Contrariando o forte esteriótipo em que a cultura jamaicana está submetida, a exposição “Jamaica, Jamaica”, inaugurada em 15 de março no Sesc 21 de Maio, quebrou preconceitos retratando a pluralidade e diversidade do país, sobretudo no âmbito musical. Fotos, áudios, documentos, instrumentos musicais e outros importantes materiais da história da música jamaicana foram expostos, acompanhados de uma vasta programação que incluía cursos, palestras, encontros e oficinas.

Foto: Divulgação

1º Prêmio Marielle Franco

Um mês após o assassinato da quinta vereadora mais votada nas eleições municipais de 2016 do Rio de Janeiro, a rede de núcleos estudantis UNEAFRO realizou o 1º Prêmio Marielle Franco, prestigiando pessoas, instituições e organizações que lutam pelos Direitos Humanos. O evento foi realizado em 14 de abril, no auditório de Geografia da Universidade de São Paulo e premiou nomes como Regina Militão, Milton Barbosa, Maria José Menezes, Jupiara Castros, Núcleo de Consciência Negra, e Sueli Carneiro.

Foto: UNEAFRO

Seydou Keïta

A exposição “Seydou Keïta” foi inaugurada em 17 de abril, no Instituto Moreira Salles (IMS), para apresentar 130 obras do fotógrafo que é considerado um dos precursores dos retratos de estúdio na África. A mostra ainda estará disponível no Rio de Janeiro até o dia 27 do próximo mês.

Foto: Divulgação

Memorial sobre escravidão é inaugurado nos Estados Unidos

O Memorial Nacional pela Paz e Justiça, inaugurado dia 26 de abril, no Alabama, foi projetado para homenagear os negros estadunidenses que foram linchados pela supremacia racial branca nos Estados Unidos durante e após a chamada “Era Jim Crow”, período em que a segregação étnica no sul do país foi institucionalizada. Entre 1877 e 1950 mais de 4 mil negros foram enforcados, queimados vivos, abatidos, afogados e espancados até a morte por multidões brancas, sob uma campanha de terror apoiada pelo Estado.

Esculturas do Memorial Nacional pela Paz e Justiça | Foto: Brynn Anderson/AP

Universidade de Harvard recebe evento sobre racismo e Movimento Negro no Brasil

Nos dias 27 e 28 de abril, a Universidade de Harvard recebeu ativistas e acadêmicos negros para dialogar sobre questões ligadas ao impacto do racismo na experiência brasileira e a atuação dos movimentos negros na luta pela superação das desigualdades no país.

Ex África

As obras da exposição “Ex África” retratam momentos como a colonização, o tráfico negreiro, luta pela independência e outros temas que permeiam a história e cultura do continente africano. Instalações, fotografias, performances, desenhos, pinturas, esculturas e vídeos ali expostos pertencem a importantes artistas africanos contemporâneos, que estão em destaque dentro e fora de seus países. São mais de 90 produções de 20 artistas, divididas em quatro eixos: ‘Ecos da História’, ‘Corpos e Retratos’, ‘O Drama Urbano’ e ‘Explosões Musicais’. Inaugurada em 28 de abril, no Centro Cultural Banco do Brasil, “Ex África” foi a maior mostra de arte africana contemporânea já realizada no Brasil e estará disponível até o dia 30.

Foto: Alexandre Macieira

O “boom” de This Is America

Lançado em 05 de maio, o videoclipe “This Is America”, de Childish Gambino, alcançou 33 milhões de visualizações em apenas 48 horas e 100 milhões em uma semana. As redes sociais foram bombardeadas de comentários sobre o clipe, que faz diversas referências ao racismo e à violência policial nos Estados Unidos, e a música chegou a ser classificada pelo jornal britânico The Guardian como a melhor de 2018.

Os 130 anos da abolição da escravatura

O Brasil, o último país do ocidente a abolir formalmente a escravidão, completou 130 anos dessa decisão histórica em 13 de maio de 2018. Diante dos crescentes discursos de ódio, da eleição de um presidente que reproduz ideais neofascistas e das ameças aos direitos trabalhistas e à Democracia brasileira, o país completou treze décadas da abolição da escravidão.

Muitos eventos ativistas, políticos, acadêmicos e artísticos foram realizados para instigar reflexões sobre a data. Exemplo disso foi o Museu Afro Brasil, que inaugurou a exposição “Isso É Coisa de Preto – 130 Anos da Abolição da Escravidão”, com o intuito de ressaltar a competência, o talento e a resistência negra nos campos da arquitetura, artes plásticas, escultura, ourivesaria, literatura, música, dança, teatro, idioma e costumes. A mostra foi prorrogada até 31 de dezembro.

Os Racionais MC’s no vestibular

No dia 23 de maio, o álbum “Sobrevivendo no inferno”, dos Racionais MC’s, foi inserido na lista de leituras obrigatórias para o vestibular de 2020 da Universidade de Campinas (UNICAMP). Os vestibulandos deverão estudar as 12 letras presentes na obra, que são recheadas de significados e contextualizações de perspectivas periféricas e negras de Mano Brown, Edi Rock, Ice Blue e DJ KL Jay. O álbum é considerado por muitos estudiosos como uma das maiores produções artísticas brasileiras de todos os tempos e agora, fará parte de um repertório universitário.

A obra também gerou um livro, que em 31 de outubro chegou às livrarias trazendo as poesias e fotografias da banda e textos de Sérgio Vaz e Criolo.

Foto: Divulgação

Lei de identificação racial em cadastros e bancos de dados estaduais é aprovada

Em 08 de junho, a Lei Nº 16.758, da deputada estadual Leci Brandão (PCdoB), foi decretada pela Assembleia Legislativa e promulgada pelo Governo do Estado de São Paulo. O intuito é que os bancos de dados, cadastros e registros de informações assemelhadas, públicos e privados exijam a identidade étnico-racial do cidadão. As informações coletadas serão enviadas semestralmente para a Coordenação de Políticas para População Negra e Indígena, da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania.

Os 100 anos de Nelson Mandela

Este ano foi celebrado o centenário de nascimento de um dos maiores líderes políticos da África do Sul: Nelson Mandela. Em 18 de julho, diversas organizações, ativistas e governantes se juntaram para relembrar a importância histórica, cultural, política e social que ele teve na luta contra o Apartheid. Mandela foi um preso político durante 27 anos, presidiu seu país, lutou contra o racismo e imperialismo, garantiu políticas afirmativas ao povo sul-africano e foi premiado duas vezes pelo Nobel da Paz.

Djamila Ribeiro lança livro sobre Feminismo Negro

Djamila Ribeiro, escritora, pesquisadora e filósofa,  lançou seu novo livro “Quem Tem Medo do Feminismo Negro?” no dia 25 de junho. No livro, a autora levanta a discussão da importância deste movimento, suas origens, circunstâncias e funcionamento. Além de artigos acadêmicos, traz ainda um ensaio autobiográfico inédito com relatos de sua infância e juventude vividas em uma sociedade estruturalmente racista e misógina.

Foto: Companhia das Letras/Divulgação

Histórias Afro-Atlânticas

A exposição Histórias Afro-atlânticas, inaugurada em 29 de junho, teve sucesso nas duas maiores instituições culturais paulistas, Tomie Ohtake e Museu de Arte de São Paulo (MASP) de São Paulo, ao reunir 450 trabalhos de 214 artistas do século XVI ao XXI, em torno dos “fluxos e refluxos” entre a África, as Américas, o Caribe, e também a Europa. A mostra ganhou um prêmio pela APCA (Associação Paulistas de Critérios de Arte) e foi nomeada como a “exposição do ano” pelo jornal New York Times.

Foto: Divulgação

Movimento Negro Unificado comemora os 40 anos de trajetória

Em 06 de julho deste ano, o Movimento Negro Unificado (MNU), uma das pioneiras organizações negras no país, completou seus 40 anos de existência. Em meio ao regime militar, parte da juventude negra brasileira se reuniu formando um movimento que proporcionasse e participasse de diferentes mecanismos de combate ao racismo. Em entrevista para a Rádio Brasil Atual, Regina Lúcia, integrante do MNU há 22 anos, comentou: “as conquistas são muitas, mas a gente ainda tem muito para caminhar, porque o racismo no Brasil é de uma perversidade tão grande que a própria população negra não se enxerga enquanto vítima.”.

Foto: Movimento Negro Unificado

Lei institui Dia Marielle Franco contra o genocídio da mulher negra

A deputada Enfermeira Rejane (PCdoB) criou um projeto de lei que estabelece a data 14 de março como o Dia Marielle Franco – Dia de Luta contra o Genocídio da Mulher Negra, no calendário oficial do estado do Rio de Janeiro. A Lei 8.054/18 foi sancionada pelo então governador Luiz Fernando Pezão (MDB) em 17 de julho e publicada no dia seguinte pelo Diário Oficial do Poder Executivo. Além de nomear a data, o projeto também determina que instituições públicas e privadas promovam a reflexão sobre a situação da mulher negra brasileira, através de debates e eventos do tipo.

Foto: Divulgação

Marcha das Mulheres Negras

Neste 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha, ocorreram as terceiras edições da Marcha das Mulheres Negras em algumas cidades do país. Grupos e ativistas foram às ruas dizer “não” ao racismo, machismo, LGBTI+fobia, intolerância religiosa e fascismo.

Movimentos e grupos religiosos gritam “sim” pela liberdade

No dia anterior à data prevista para o Supremo Tribunal Federal (STF) votar sobre o abate religioso de animais, 08 de agosto, aconteceu a Marcha das Religiões Afro-brasileiras em diferentes cidades do país, demonstrando repúdio ao Recurso Extraordinário (RE) 494601, que previa a inconstitucionalidade e ilegalidade dessa prática. O julgamento foi suspenso após o ministro Alexandre Moraes pedir vista, ou seja, mais tempo para analisar a situação.

Rappers viram super-heróis em HQs

No dia 22 de agosto, o youtuber LØAD divulgou um projeto seu em parceria com o desenhista Wagner Loud, que homenageia importantes nomes do Rap nacional, através de capas de histórias em quadrinho. Cada um dos poderes atribuídos aos heróis são relacionados com a trajetória de vida e personalidade dos músicos que os possui. Ambos idealizadores pretendem continuar fazendo obras nesse estilo e tiveram grande repercussão nas redes sociais e veículos de comunicação.

Foto: Divulgação

Rede de fortalecimento de mulheres negras – Circuladô de Oyá

O grupo Pretas-UNEAFRO lançou, em 28 de agosto, a campanha do projeto “Circuladô de Oyá“, com a intenção de criar uma rede de fortalecimento das mulheres negras que estudam pela União de Núcleos de Educação Popular para Negras/os e Classe Trabalhadora (UNEAFRO).

Número de candidatos negros cresce no Brasil

Embora a proporção da quantidade de candidaturas negras ainda seja baixa em relação ao número de negros brasileiros, se compararmos o ano de 2018 com 2014 é possível afirmar que houve um acréscimo de 9,2% de negros se candidatando a cargos eleitorais. Os dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) apontam que 46,8% dos candidatos se autodeclararam como pretos ou pardos neste ano.

O apoio recebido pelas candidaturas negras

Artistas, lideranças ativistas, políticos, grupos, coletivos, comitês e diversos movimentos sociais estiveram durante o ano inteiro apoiando e divulgando candidatos negros aos cargos eleitorais.

Douglas Belchior (PSOL), ativista há mais de 20 anos, professor de História e coordenador da UNEAFRO, candidatou-se a deputado federal em São Paulo, recebeu cerca de 46 mil votos e foi apoiado publicamente por pessoas como Sueli Carneiro, Lázaro Ramos, Bianca Santana, Wagner Moura, Milton Barbosa, Preta Rara e Renata Prado.

Foto: Divulgação/Douglas Belchior

Mestre Moa é homenageado por capoeiristas, músicos, ativistas e organizações

Para homenagear o Mestre Moa de Katendê, capoeirista e compositor de blocos como Ilê Aiyê e Badauê, assassinado por eleitores do candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL), diversas manifestações aconteceram pelo Brasil durante o mês de outubro. Lutas de capoeira, palavras de ordem, cartazes e instrumentos musicais foram recursos utilizados durante as passeatas e os eventos culturais, organizados por capoeiristas, músicos, ativistas e organizações sociais.

 Foto: Sérgio Silva

Duas mulheres trans na Assembleia Legislativa de São Paulo

Uma grande conquista para os defensores da representatividade: no dia 07 de outubro, duas mulheres trans e negras ingressaram no cenário político paulista.

Pela primeira vez na história, a Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) terá a presença de duas mulheres transgêneros ocupando o cargo de deputada estadual. Erica Malunguinho (PSOL), educadora, mestra em Estética e História da Arte, é fundadora do centro cultural Aparelha Luzia e foi eleita com 55,2 mil votos. Já Erika Hilton, membra da Bancada Ativista (PSOL) e estudante de Gerontologia, ganhou o cargo com quase 150 mil votantes.

Mil placas com nome “Marielle Franco” são distribuídas

Muitos movimentos, organizações e pessoas foram à Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, em 14 de outubro, para homenagear a vereadora assassinada no início do ano, Marielle Franco, e manifestar repúdio aos candidatos políticos que destruíram uma placa de rua com seu nome, que havia sido colocada em cima da chapa oficial do logradouro, a Praça Floriano. Uma campanha criada pelo site de humor Sensacionalista, “Vocês rasgam uma, nós fazemos 100“, tinha o objetivo de fazer 100 placas novas através de uma “vaquinha virtual”. O valor arrecadado, porém, foi muito além da expectativa, fazendo com que os organizadores produzissem 1000 placas e aplicassem o restante do dinheiro em projetos defendidos por Marielle.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

 

Movimento Negro se une para enfrentar o fascismo

Na tentativa de barrar os crescentes discursos neofascistas, diversos eventos organizados pelo Movimento Negro surgiram em grande intensidade pelo Brasil, sobretudo em outubro. A aula pública “No país da escravidão, de que fascismo falamos?”, que aconteceu no dia 18 do mês eleitoral, reuniu cerca de mil pessoas no Teatro Oficina e contou com a presença de Maria José Menezes, Leci Brandão, Erica Malunguinho, Andreia de Jesus e Douglas Belchior.

O evento, que foi organizado pela UNEAFRO, o Aparelha Luzia e Núcleo de Consciência Negra (USP), traçou estratégias para lutar contra o avanço na corrida eleitoral de Jair Bolsonaro (PSL) e também táticas para mudar intenções de voto do pleito.

Movimentos se juntam para lançar Frente Estadual pelo Desencarceramento em São Paulo

No dia 20 de outubro, diversas organizações, ex-detentos, associações e militantes de Direitos Humanos uniram-se e criaram a Frente Estadual pelo Desencarceramento em São Paulo, a fim de estruturar mecanismos de luta pela reformulação do sistema carcerário paulista, que atualmente está sucateado enfrentando sérios problemas, como falta de saneamento básico, violência, corrupção policial, superlotação de celas e desrespeito aos Direitos Humanos. O grupo defende a proibição de privatização dos presídios, é favorável a legalização das drogas, desmilitarização policial e ampliação da garantia da Lei de Execução Penal.

Os 30 anos da Constituição e o livro de Natália Neris

Diante dos 30 anos da Constituição Federal, celebrados neste ano, a pesquisadora negra Natália Neris lançou seu livro “A voz e a palavra do Movimento Negro na Constituinte de 1988”, em 29 de outubro.

Universidade dos EUA cria Bolsa de Estudos Marielle Franco

Novembro começou com uma ótima notícia: o Programa de Estudos Latino-Americanos (LASP) da Escola de Estudos Internacionais Avançados (SAIS), da Universidade Johns Hopkins, em Washington, anunciou a criação de um fundo de bolsas de estudo que levará o nome de Marielle Franco. O intuito é apoiar estudantes de mestrado que sejam comprometidos com o avanço da justiça social e dos Direitos Humanos. Para saber mais informações basta entrar no site oficial do programa.

Lançamento do livro de Marielle Franco

Os familiares de Marielle Franco lançaram o livro de sua dissertação de mestrado, “UPP – Redução da favela a três letras: uma análise da política de segurança pública do estado do Rio de Janeiro”, no dia 07 de novembro, concretizando uma das grandes vontades que a vereadora possuía em vida.

Monica Benicio, viúva de Marielle Franco, segura livro da vereadora. | Foto: Paloma Vasconselos/Ponte Jornalismo

Marcha da Consciência Negra

Como todos os anos, o 20 de novembro foi um dia no país recheado de eventos sobre pautas raciais e grupos ativistas saíram às ruas para protestar contra o racismo. Após um acalorado período de eleições, negras e negros organizaram a Marcha da Consciência Negra como forma de resistência e luta antifascista.

Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

Comitê de fiscalização de cotas é criado na USP

No dia 22 de novembro, estudantes da Universidade de São Paulo (USP) ciaram um comitê de análise das vagas para cotistas na instituição, com a intenção de evitar e denunciar fraudes no sistema de cotas ali utilizado.

Spike Lee lança novo filme e é aclamado pela críticaI

Spike Lee, um dos diretores de cinema contemporâneo mais importantes, lançou seu novo longa-metragem no dia 22 de novembro e é uma das apostas para o Oscar 2019. O “Infiltrado no Klan” conta a história do primeiro detetive dentro do departamento de polícia na cidade de Colorado Spring, que através de uma missão infiltra-se na reunião de uma organização da Ku Klux Klan (KKK).

https://www.youtube.com/watch?v=ie339j2Qeog

Selo editorial Sueli Carneiro

Djamila Ribeiro, escritora e filósofa, coordenou a criação do Selo Editorial Sueli Carneiro, em 04 de dezembro, com a intenção de valorizar o campo da intelectualidade acadêmica negra, visando à publicação de obras literárias escritas pelo povo negro, sobretudo as mulheres. Em entrevista ao Geledés, instituto fundado por Sueli, Djamila disse que foi muito influenciada pela escritora e classifica o encontro delas como um divisor de águas em sua vida.

Consulta Regional das Américas e os Direitos Humanos

No dia 08 de dezembro foi realizada a  Consulta Regional em mecanismos americanos de combate a discriminações, evento organizado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (EACDH). A principal função foi discutir maneiras de combater o racismo, a xenofobia e outros tipos de intolerância no continente americano.

 

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Bruce W. Talamon e a realeza dos ritmos R&B, Soul, e Funk.

Por Edson Cadette, do Blog Lado B NY O fotógrafo Bruce W. Talamon viu de tudo um pouco do que é considerado por muitos “os anos dourados da música Soul, R&B e Funk”. Durante os anos 70 e início dos 80, o fotógrafo californiano, mais precisamente da ensolarada Los Angeles, sorrateiramente conseguiu acesso aos bastidores do coração da cena musical pop afroamericana.
O Cantor Rick James fotografado por Bruce W. Talamon
Bruce conseguiu seu “break” como fotógrafo da equipe do jornal Soul, de Los Angeles, na mesma época que o Soul, o R&B e o Funk estavam virando a cabeça da moçada, tanto na rádios FM, quanto nos bailes. Como fotógrafo da influente revista musical da período, ele conseguiu a proeza de fotografar os ensaios, as checagens de som, sessões de gravações, provas dos figurinos, vida na estrada, os momentos de reflexões e os  de total loucura patrocinados por artistas de diferentes estilos. Tudo isto e muito mais está detalhado no esplêndido livro “Bruce W. Talamon: Soul, R&B, Funk – Photographs 1972-1982”.
O cantor Al Green fotografado por Bruce W. Talamon
A fotos da obra definem uma era bastante famosa pelo glamour, a moda fabulosa, e claro a devoção total dos músicos às suas famosas melodias. Mais de 300 fotografias do período de 1972 a 1982, do extensivo arquivo do fotógrafo, estão sendo apresentadas em detalhes completos pela primeira vez. Seja você um fã ardoroso de grupos como EWF, ou de cantores como Rick James ou Isaac Hayes, ou simplesmente quem descobriu recentemente o grande momento musical daquela era, esta coleção de fotografias raras mostra o exuberante espírito da época. Entre as fotos estão Diana Ross, Al Green, Gil Scott-Heron, James Brown, Barry White, Aretha Franklin, The Jackson Five, Donna Summer, Chaka Kan e muito muito mais.
A cantora Donna Summer fotografada por Bruce W. Talamon
Além das fotos sensacionais há também várias informações sobre o legendário estúdio “Soul Train”. Bruce W. Talamon documentou um período visual da música negra que certamente passou do horário da meia-noite e jamais regressará.