Categorias
Cinema

Mostra Itinerante de Cinema Negro em Salvador tem mais de 70 filmes

Começou em 14 de agosto a segunda edição da Mostra Itinerante de Cinemas Negros – Mahomed Bamba (II MIMB), que acontece em Salvador, até o dia 18 de agosto deste ano. Nas 18 sessões previstas, mais de 70 filmes de várias partes do mundo serão exibidos gratuitamente em bairros da cidade.

A Mostra tem o objetivo de ampliar as janelas de reprodução dos conteúdos nacionais e
internacionais produzidos por realizadores negros. Em sua segunda edição, a MIMB traz
apresentações culturais, oficinas, palestras, exposição e circulação de novos conteúdos dos
cinemas negros nacionais e internacionais. Serão exibidos longas e curtas-metragens de
ficção, documentários, animações e obras experimentais, a fim de dialogar com adultos e
crianças de bairros populares e periféricos da cidade de Salvador. A Curadoria de filmes
nacionais desse ano foi composta por Dayane Sena, Heraldo De Deus e Rayanne Layssa,
coordenados por Julia Morais e Taís Amordivino. Já a Curadoria de filmes internacionais, coordenada por Kinda Rodrigues, foi composta por Janaína Oliveira e Alex França. O júri é composto por Beatriz Vieirah, Luciana Oliveira e Thales Novaes.

O evento vai circular por sete bairros da cidade, com sessões simultâneas em oito espaços
culturais: Ilha de Maré (Comunidade Quilombola de Bananeiras), Quadra Esportiva do Calabar (Calabar), Praça da Revolução (Periperi), no Goethe-Institut (Corredor Vitória), Sesc Pelourinho, Centro Cultural da Barroquinha, Sala Walter da Silveira – Dimas (Barris) e Casa de Angola (Barroquinha).

Serão oferecidas oficinas de produção audiovisual com aparelhos móveis com a participação das oficineiras Ana do Carmo, Fabíola Silva e Ariel Dibernaci; oficina de crítica de cinema Afrocentrada com Alex França; oficina voltada para o olhar sobre os corpos LGBT nos cinemas com Heitor Augusto; e Master Class: O Cinema e o Espelho: experiências, olhares e registros com Everlane Moraes. Todas terão 30 vagas no valor de R$60,00. Entendendo que o processo inclusivo parte da disposição ao acesso, serão disponibilizados 7 bolsas integrais e 8 com 50% de desconto.

A primeira edição, realizada em abril de 2018, passou por seis bairros de Salvador com a
exibição de 44 filmes em 14 sessões, para além de atividades simultâneas como oficinas e
rodas de conversa sobre questões correlatas a gênero, raça, sexualidade e a produção
audiovisual. A mostra leva o nome do professor Mahomed Bamba, pesquisador fundamental
sobre cinema negro e diaspórico, nascido na Costa do Marfim e radicado no Brasil.

Mulheres negras à frente

A MIMB é uma iniciativa de mulheres negras cineastas, realizadoras, produtoras e ativistas,
que vislumbraram a necessidade de fomentar o intercâmbio cultural entre produções
cinematográficas negras do Brasil com o mundo, para além de repensar o processo de
distribuição destes produtos, atentando para a importância do acesso ao cinema nas periferias,
e a relação entre o cinema e a cidade, de modo geral.

Trata-se de um projeto que reúne ao mesmo tempo a luta pela afirmação política da população negra e a discussão sobre a
produção, distribuição e acesso do audiovisual.
“Entendemos o quão é importante celebrar Os Cinema (s) Negro(s), e que esta pluralidade faz
parte da navegação diaspórica que nos conecta em todas pontas do mundo. Em reverência aos
estudos do saudoso professor Mahomed Bamba, a MIMB 2019 integra “S” como multiplicidade de construção, soma e pertencimento. Trazer as óticas construídas mundialmente para a Bahia.

Deste modo, ampliamos as inscrições para produções negras de cada canto do mundo. Nossas conexões são de navegação, identidade e caminhos” aponta Daiane Rosário, idealizadora da Mostra.

O cinema, assim como quase todas as áreas de conhecimento, atuação profissional e artística,
é um ambiente marcado por profundas desigualdades raciais e de gênero. As mulheres ainda são minoria absoluta na direção de filmes, por exemplo. Uma pesquisa
divulgada em 2018 pela Agência Nacional de Cinema (Ancine), com base em dados do
IBGE, revelou que os negros não chegam nem a pontuar em funções executivas das grandes
produções (como Direção e Roteiro) e as mulheres ficam entre 1% e 3%, considerando as
produções mistas. Os homens brancos seguem sendo 75,4% entre diretores e 59,9% entre
produtores, seguidos por mulheres brancas. É no sentido de combater essa desigualdade
histórica que a MIMB vêm se consolidando no circuito de Festivais e Mostras para circulação
da produção negra e feminina no cinema.

 

Categorias
Cinema

Mostra de Cinema Afrobrasileiro estreia hoje na Colômbia

Ary Rosa e Glenda Nicácio, diretores de Café com canela (Foto: Divulgação)

Por Marina Souza

Estreia hoje (01) a primeira Mussambê Mostra de Cinema Afrobrasileiro, uma parceria entre o coletivo Flor de Milho Quilombo de Artes e o Festival Internacional de Cine Comunitário Afro Kunta Kinte. O cinema da Câmara de Comércio em Medellin, na Colômbia, exibirá 15 obras audiovisuais negras brasileiras durante a primeira quinzena de março.

Serão transmitidos documentários e filmes de curta, média e longa metragem. O público colombiano terá a oportunidade de enxergar o Brasil sob uma perspectiva negra e nacional, retirando falsos esteriótipos e difundindo a cultura do país.

Inajara Santos, aos 32 anos, e  Moreira, também conhecida como Mamba Negra, aos 33, são as articuladoras do evento, ambas negras, formadas em Ciências Sociais e apaixonadas por arte. Não é possível afirmar se foi pelo acaso ou destino, mas uma coisa é certa: após se conhecerem, suas vidas ganharam novos sentidos.

Elas conversaram pela primeira vez em 2017, quando eram vizinhas numa comunidade de São Lázaro, em Salvador, foi ali que percebam muitos gostos, desgostos, ideias, inquietudes e vontades em comum. Criaram então o coletivo Flor de Milho Quilombo de Artes, que atualmente, além delas, contém mais dois integrantes: Tito Mariano, de 5 anos, que propõe ideias criativas e a Larica, cadela, que, segundo Inajara e Stéphanie, acompanha as reuniões e traz momentos de pausa e divertimento para o grupo.

O coletivo quilombista tem como marca a realização de intercâmbios, que visam estudos socioculturais, seja nos processos de produção ou de desenvolvimento. Outra coisa que destaca o Flor de Milho é o estudo e a aplicação de teorias afrocentradas.

Em parceria com o grupo colombiano do Festival Internacional de Cine Comunitário Afro Kunta Kinte, as duas artistas definem a realização do evento como um “projeto de pesquisa sobre documentário contemporâneo brasileiro com recortes para o cinema negro subalterno”.

A Mostra buscou também protagonizar produções de mulheres negras e valorizar seus trabalhos, que constantemente são invisibilizados dentro e fora do ambiente artístico.

“Nós somos mulheres negras, se não pensarmos sobre acolhimento e afeto fica muito complicado”, explicou Stéphanie.

Veja a seguir alguns dos filmes que serão exibidos:

Café com Canela

Direção: Ary Rosa e Glenda Nicácio

Filhas do Vento

Direção: Joelzito Araújo

Rainha

Direção: Sabrina Fidalgo