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Escrita da história

A história de Andrew Frierson: a música como instrumento antirracista

Por Por Edson Cadette / Blog Lado B NY

Andrew Frierson, cuja esplêndida voz barítona ecoou nos palcos, teatros e espaços sinfônicos ao redor do planeta, faleceu aos 94 anos de idade no final do ano passado em Ohio, nos Estados Unidos, e deixou marcas na história da arte mundial e dos negros. Conheça agora o que há por trás de seu nome.

Sua gloriosa carreira artística começou em Nova York. Durante seis anos ele fez parte do grupo de barítonos do New York City Opera (NYC Opera) e em 1963 juntou-se ao pastor Martin Luther King na luta contra o racismo norte-americano. No mesmo ano, também participou da famosa marcha a Washington, onde King fez o famoso discurso “I have a Dream”, veja no vídeo abaixo.

Durante sua vitoriosa temporada com o NYC Opera, Frierson deu aula na Universidade Baton Rouge, no estado de Lousiana, foi diretor musical no Henry Street Settlement Music School, importante instituição cultural de Nova York, e professor de Voz no conservatório de música de Oberlin.

Ao lado do amigo James Kennon-Wilson, na década de 1980, ele fundou o Cantores Negros de Ópera Independente. Seu objetivo na época era chamar atenção sobre a falta de oportunidades e a carência de cantores de ópera negros. Andrew Frierson acreditava que a lacuna poderia ser preenchida somente com a educação e o treinamento qualificado.

“Nunca houve um ‘verdadeiro’ cantor de ópera super astro por causa de atitudes racistas e sexistas na América”, declarou o senhor Frierson em entrevista ao Wallace McClain Cheatham, do Diálogos com a Ópera e a Experiência Afroamericana, em 1997.

De acordo com sua filha, Andrea Frierson, o pai começou a dedilhar o piano com apenas 3 anos de idade e começou as aulas aos 8. Antes mesmo de terminar o curso universitário na famosa Universidade Fisk, em Nashville, Andrew Frierson foi convocado pelo Exército para lutar no Pacífico durante a 2º Guerra Mundial.

Após este período, o professor de canto do artista o incentivou aos estudos musicais na eclética escola de música Juilliard, em Nova York e, depois, na pós-graduação em Mahattan.

O músico fez sua estréia profissional com o NYC Opera em 1958. Os pontos altos na carreira foram as interpretações como Porgy no aclamado musical Porgy & Bess, e Caronte na montagem do espetáculo Orfeu.

Em 2000, Frierson ganhou o prêmio especial Lifit Every Voice, da Associação Nacional da Ópera, cujo objetivo é promover a diversidade racial e étnica na profissão.

Foto: Reprodução
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Cultura

O que representa ‘Salve’, o novo hit de Viegas

Por Marina Souza

Na última quinta-feira (22), o cantor Viegas lançou um clipe no maior canal da América Latina, o Kondzilla, com a música “Salve”, que já ultrapassou cinquenta mil curtidas.

“O processo se deu de forma natural, venho buscando uma nova fase do meu trabalho, na qual quero levar minha mensagem para o máximo de pessoas possível. Eu queria muito traduzir de uma maneira feliz, pra frente e esperançosa tudo aquilo que tenho vivido. Já fiz muita coisa voltada somente a reflexão e dificuldade, mas hoje estou vivendo uma fase muito boa da minha vida, quero mostrar que é possível e podemos quebrar barreiras.”, diz o cantor

Nascido e crescido em Guaianazes, na Zona Leste paulistana, Marcos Aurélio, mais conhecido como Viegas, entrou no cenário musical através de uma coincidência curiosa. Ele conta que houve um dia, há quinze anos, em que estava na rua quando um grupo de garotos o parou para perguntar se ele gostaria de participar de um teste para ser vocalista da banda deles. Viegas acredita que o convite inusitado surgiu devido aos seus dreads e revela que aceitou a proposta, tornando-se o novo vocal do grupo. A banda encerrou os trabalhos cinco anos após o episódio, mas Viegas decidiu continuar investindo na carreira musical e iniciou seu projeto solo.

“No início eu tinha certo receio de trabalhar com o Kondzilla por ele ser o maior canal do Brasil e muito focado na linha do funk. Mas sabia que se eu fizesse isso, seria usando outra característica, com a minha linguagem. A equipe foi super compreensiva.”

“A letra de ‘Salve’ veio para mim de uma maneira muito natural. Um dia um amigo veio me imitar dizendo ‘salve, salve!’ eu percebi que isso era algo muito presente em mim e comecei a pensar sobre a palavra em si. Ela tem um contexto de solucionar, proteger, trazer ideias, conselhos, visões e é representada até no cumprimento do Axé.”