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Ladeira das Crianças: a peça sobre periferia, funk e infância

Por Marina Souza

“As pessoas precisam começar a cruzar a ponte pra cá”, exclama Michele Araújo, produtora e atriz do espetáculo Ladeira das Crianças – Teatro Funk, do Grupo Rosas Periféricas, que fica em cartaz até 18 de maio na Casa de Cultura Municipal São Rafael. Inspirada nos livros “O Pote Mágico” e “Amanhecer Esmeralda”, do consagrado Ferréz, a peça retrata o cotidiano de crianças periféricas e traz elementos do funk como a dança, mais especificamente o passinho, a música, o ritmo e as rimas para compor o enredo.

Fotos: Daniela Cordeiro

Araújo conta que o primeiro contato com estes livros foi há muitos anos em um sarau. Após a leitura, percebeu que assim como ela, os amigos que também leram a obra, sentiam a crescente necessidade de fazer alguma peça baseada nas histórias. No livro “Amanhecer Esmeralda”, Manhã é uma criança negra e moradora de uma comunidade pobre, cujo cotidiano vai sendo modificado por gestos de amor que melhoram a autoestima, empoderando não somente a menina, como também sua família. Já em “O Pote Mágico”, um menino na periferia imagina poder encontrar um pote mágico, como acontece também na peça com o garoto negro Rogério MC (Rogério Nascimento), que ganha dinheiro lavando carros para ir ao baile funk, e sonha com um pote mágico que mudaria sua vida.

A produtora explica ainda que durante o processo de montagem da peça o grupo de atores entrevistou crianças de bairros periféricos paulistanos. Assim, foi possível mesclar as próprias memórias da infância com a realidade atual desta faixa etária. “Fomos improvisando a partir de nossas memórias, entrevistas e os livros”, fala.

O Grupo Rosas Periféricas comemora 10 anos de atividades em maio. O coletivo já fez várias peças com elementos musicais, como rap e samba, em destaque, e o grande gênero da vez é o funk. Para os atores, ressignificar a linguagem e, sobretudo, a imagem que o funk possui atualmente é uma missão importante, pois ele faz com que a periferia sinta-se representada de alguma maneira, a própria Araújo diz que “a linguagem só é marginalizada porque vem das bordas da cidade”.

A dramaturgia é assinada por Marcelo Romagnoli, a partir da adaptação dos dois livros acima citados. O Pote Mágico e Amanhecer Esmeralda. Encenada ao ar livre, a peça reflete sobre a identidade das crianças da periferia e sobre os bens culturais do território, acessados na fase infantojuvenil. Todas as sessões são grátis e acontecem no período de 20 de abril e 18 de maio, com sessões na Praça Osvaldo Luiz da Silveira (Parque São Rafael), na Casa de Cultura Municipal São Rafael e no bairro Capão Redondo.

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Teatro da Neura encerra curta temporada de ‘Yerma’

Foto: Michel Galiotto

Comemorando os quinze anos de existência, o Teatro Neura chega hoje (30) à capital paulista trazendo o espetáculo Yerma, que estreou em setembro do ano passado após oito anos de pesquisa sobre Realismo Fantástico, e promete grande celebrações para o grupo. A curta temporada de Yerma será nos dias 30 e 31 de janeiro, às 20h30, no Teatro De Contêiner, com valores de 10 a 20 reais.

A companhia Teatro da Neura, nascida em Suzano, também é criadora do Espaço N de Arte e Cultura, sua sede oficial, onde geralmente os próprios artistas são responsáveis fazem suas apresentações.  “Um grupo movimentado por tesão e paixão a partir das resistências individuais que formam esse coletivo. Essa identidade”, diz Antonio Nicodermo, diretor do espetáculo ao lado de Lígia Berber.

Diretores Antônio Nicodemo Lígia Berber / Foto de Michel Galiotto

Nicodermo explica que o grupo possui atualmente três vertentes: o “realismo fantástico”, que levou oito anos de pesquisa, as releituras de Nelson Rodrigues e “teatro, política e sociedade”. Foi com a primeira que começaram a utilizar aquilo que consideram ser pioneiros na área: criar espetáculos criteriosos no rigor estético e dramaturgo através de uma nova escola teatral.

“Nos debruçamos em toda obra de Garcia Lorca e estudamos o artista. Chegamos em um resultado de uma obra extremamente simbólica e muito ritualística que envolve muitos assuntos contemporâneos”, disse o diretor ao ser questionado sobre Yerma. Escrita em 1934, a tragédia ganha uma montagem na tênue linha de um presságio, o malogro dos desejos que não concretizamos. A peça propõe ao público um deslocamento da realidade, espaço e tempo a partir da frustração de uma mulher.

No próximo dia 03 começam o circuito de espetáculos do texto O Menino Gigante ou os Dez Fevereiros. Segundo Nicodermo o grupo tem uma agenda vasta para 2019 com muitas pesquisas, estudos, ensaios e apresentações.

Foto: Fabrício Augusto

Serviço

  • 30 e 31 de janeiro
  • Quarta e Quinta
  • 20h30
  • Ingressos: $20 inteira . $10 meia
  • Teatro De Contêiner
  • Rua dos Gusmões, 43 – Santa Ifigênia. São Paulo.
  • Ingressos a venda também pelo link
  • A Bilheteria abre 2h antes do espetáculo
  • Realismo Fantástico – Terror
  • Classificação: 14 anos
  • 125 minutos . Com intervalo

Direção

  • Antônio Nicodemo
  • Lígia Berber

Elenco 

  • André Antero
  • Camila Ribeiro
  • Conceni Paulina
  • Lígia Berber
  • Priscila Nicoliche
  • Tamíris Terra