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Educação Popular

Rede Ubuntu debate acesso ao ensino superior

Por Rafael Cícero

A USP ficou mais preta

No último dia 6, centenas de estudantes da periferia paulistana ocuparam a Universidade de São Paulo (USP) para debater a democratização do ensino superior público. Os jovens fazem parte da rede de cursinhos populares Ubuntu, localizada na região do Jardim Ângela, Zona Sul, e Itapecerica da Serra.

Os alunos visitaram diferentes institutos e espaços da Universidade. No período da tarde promoveram um debate na FFLCH – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, sobre os desafios do acesso e da permanência da periferia nos espaços universitários. A atividade contou com a participação de Eduardo Girotto, do Departamento de Geografia da USP, ex-alunos da Ubuntu, atuais estudantes da USP, professores e coordenadores.

O evento não foi somente um marco para a rede Ubuntu, mas também uma aula pública para a USP. Foi uma oportunidade para centenas de jovens periféricos, que nunca tinham ouvido falar da instituição, saírem dali determinados a voltarem como estudantes universitários.

Reprodução

Ubuntu

Carregando o nome de uma filosofia africana sobre solidariedade, Ubuntu surgiu em 2016 com apenas três núcleos e já possui seis. Apesar de enfrentar dificuldades relacionados a estrutura do local, equipamento, materiais pedagógicos e permanência estudantil, a rede conta com doações, apoio em campanhas e professores voluntários. A partir do dia 14 de abril, o grupo abrirá uma “vaquinha online” para recolher recursos.
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Movimento Negro

Ativistas levam representantes do Ministério Público para conhecer o Complexo da Maré

Por Marina Souza

Na última quinta-feira (27) o Complexo da Maré, localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro, recebeu representantes da 7ºCâmara da Procuradoria Geral dos Direitos do Cidadão e da Coordenação da Atividade Policial e Sistema Prisional do Ministério Público Federal para que conhecessem de perto alguns dos problemas das periferias do Rio e, assim, propusessem soluções ao lado dos moradores.

Gizele Martins, de 33 anos, é jornalista, comunicadora do conjunto de favelas da Maré e explica que durante o período da Intervenção Federal no estado do Rio de Janeiro, ocorrido no ano passado, as favelas e periferias cariocas se viram diante de um grande questionamento: “e agora, o que fazer?”. Ela conta que diante deste crescente sofrimento periférico sentia a necessidade de novas articulações.

Professores, profissionais da saúde, comerciantes, moradores, mães que perderam filhos, ONGs de Direitos Humanos e movimentos sociais denunciaram aos representantes as violações no campo da saúde, educação, moradia, saneamento e segurança pública.

“Eles viram os nossos chãos, os lixos na rua e a caixa furada de bala. A gente precisa aproximar esses poderes públicos para apresentar as nossas propostas”, diz a jornalista.

O único momento que desagradou os organizadores foi durante uma troca de tiros na Maré em decorrência de uma operação da Polícia Civil (Decodi).